[Dos vocabulos que os portuguezes tomaraõ dos franceses] Ana por vara, aulna de vina



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ANA / ANÁ

1606 Leão

[Dos vocabulos que os portuguezes tomaraõ dos franceses] Ana por vara, aulna de vina.

1697 Pereira

Anna, Cidade de Sicilia. Enna, ae.

1712 Bluteau

ANA. Outros escrevem Anna; Derivase do Francez Aune, & Aune em Francez deriva do latim Ulna, que val o mesmo, que medida, que responde ao comprimento de dous braços abertos, & estendidos, postoque segundo Suetonio, Ulna, naõ he mais, que o comprimento do cotovello. Nas terras do Norte Ana he a medida, com que os mercadores medem o panno de linho, laã, & seda, que vendem, & os mercadores Portuguezes que compraõ estes generos reduzem as Anas do Norte a varas Portuguezas nesta forma. Duas Anas de Hamburgo fazem huma vara nossa. Duas Anas de Amsterdaõ fazem sinco varas nossas. Huma Ana de Londres faz hum covado, & dous tercos, & huma Ana de Flandes em Londres, que he a medida das Bactas faz hum covado nosso. Ana Ulna, ae, Fem. Virgil. No cap. 9 pag. 72. da Origem da lingoa Portugueza, Duarte Nunes de Liaõ poem Ana no numero das palavras, que os Portuguezes tomaraõ dos Francezes.

Ana, Anâ. (Termo de receitas de Medicos, Boticarios &c.) Dizse de cada hum dos pesos, & medidas da botica, & val o mesmo, que partes iguaes. V.g. Misse cinnami, cardamomi, & Nardi, ana unci, id est, uniuscujusque unciam, &c. Tanchagem, Erva Moura, Anâ huma manchea; Rosas secas, Zaragotaa Anâ hum punhado. Cirurgia de Fer, pag. 223.

ANNA. Rio, que em nossos tempos chamamos Godianna, seguindo o nome Mourisco. Mon. Lusit. Tom. 1. no fim. Geograph. da Lusitania, fol. 4. col. 3. Vid. Guadiana.

ANNA, ou Anna Perenna. Fabulosa Deidade, que presidia aos Annos. Dizem alguns, que foi a filha de Belo, & Irmaã de Dido, na opiniaõ de outros, foi huma velha, que levava de comer a o povo Romano retirado para o Monte Aventino, & que em agradecimento deste cuidado instituiraõ duas festas à sua honra. Os que a fazem Irmaã de Dido, acrecentaõ, que perseguida de Lavinia sua emula se escondera debaxo das agoas do rio Numicio, & que aos que andavaõ em busca della declarava, que dalli em diante queria ser chamada Anna Perenna, porque eternamente ficaria escondida nas agoas do dito rio. Disto faz mençaõ Ovidio lib. 3. Fastor. vers. 653.



-placidi sum Nympha Numici:

Amne perenne latens, Anna perenne vocor.

Os Albanos, & à sua imitaçaõ delles os Romanos nas margens do rio Numicio celebravaõ as suas memorias com grandes festas, aos 15. de Março, & para alcançarem muitos annos de vida lhe offereciaõ sacrificios.

ANNA. Cidade da Arabia deserta, em algum tempo Corte, & cabeça della. [...].

1734 Feyjo



Aná. com á agudo. Quer dizer de cada pezo, ou de cada cousa nas receitas.

Anna huma Cidade de Arábia; e nome proprio de mulher.

1767 Monte Carmelo

Catalogo das Dicços mais usuaes, em que se-costuma escrever nn em as Syllabas médias.

Anna. Nome propr.

1789 Moraes

ANA’ t. Farmac. significa de cada coisa.

1793 Ac


ANA, s.f. Certa medida de que se usa em algumas terras do Norte para toda a sorte de tecidos de lãa, linho, sêda, &c. de mais ou menos comprimento, segundo a differença dos territorios. Do Francez Aune, conforme Leão, Orig. 9, 72. Blut. Vocab. [...]. Nicol. Tr. v [...].

Aná. Termo ou cifra, de que usão os Medicos nas suas receitas, para denotar haverem de entrar no medicamento composto partes iguaes dos simplices alli mencionados. Do Greg. [...] acc. na ult. A. Ferr. Luz 3, 65 [...]

1806 NovDicc

Aná, (Palavra grega) Na Pharmacia. De cada cousa.

1813 Moraes

ANA’ t. de Farm. que significa: de cada coisa.

1818 Diccger

Ana, s.f. (Com.) medida do Norte para varios uzos. – (Med.) sinal dos Medicos nas receitas, indica porção igual dos simplices nellas mencionados. – (H. N.) quadrupede do Levante – terminação que se dá a titulo de collecção de pensamentos, historias etc.: v.g. Encyclopediana.

1831 Moraes

* ANA, s. f. Medida para toda a sorte de tecidos, usada em algumas terras do Norte com differença segundo os territorios. Leão Orig. do Francez. Aune. Blut. Vocab. Traz a correspondencia com a vara Portugueza.

ANÁ, t. de Farm. que significa: de cada coisa das receitadas, quando são varios artigos de que se compoim o remedio.


1836 Constancio


ANA, particula prefixa e inseparavel, do Gr. [...] aná, que tem diversas significações: nas vozes aportuguezadas do Gr. [...] e do Lat. denota em geral reduplicação e equivale a re prefixo. Ex. Anabaptista. Tambem denota semelhança, v.g. em analogia; it. por cima, em anacathartico; e tambem para dentro, v.g. em anachoreta. O primeiro sentido deriva de [...] neos, novo ou [...] neaô, renovar. O segundo, de [...] enoô, unir. O terceiro e quarto, de [...] anô tender para cima: [...] significa para cima, e por ampliação, para lugar remoto.

ANA, s.f. (do Fr. aune, vara franceza), medida para toda a sorte de tecidos usada em França e no norte da Europa, e de extensão differente segundo as terras. A vara franceza he maior que a nossa: 10 aunes = 11 varas portuguezas, com pequena differença.

ANA (do Gr. [...] aná, que denota reduplicação), t. pharm. que significa de cada droga, ingrediente; escreve-se ãã.

1845 DiccUniv


ANA, part. pref. e inseparavel do gr. aná, que tem diversas significações. Nas vozes aportuguezadas do gr. e do lat. denota em geral reduplicação, e equivale a re, pref. ex. : anabaptista; similhança v. g. analogia; por cima, ex. anacathartico; e para dentro, como em anachoreta. O 1.° sentido deriva-se de neos, novo, ou neaô, renovar; o 2.° de enoo, unir; o 3.° e 4.° de anô, tender para cima, ou, por ampliação, para logar remoto. –s. f. certa medida de que se usa em algumas terras do norte da Europa, para toda a sorte de tecidos de lã, linho, seda, etc. de mais ou menos comprimento segundo a differença dos territorios. § fr. aune . – (geog.) cidade na Arabia Dezerta.

ANÀ, prep. gr. de que usão os medicos nas receitas, e significa o mesmo que partes iguaes: escreve-se ãã V. A. § gr. aná, que denota reduplicação. – Expressão franceza, para significar uma collecção de sentenças, discursos, ou anecdotas separadas.

1858 Moraes

*ANA (do Gr. aná); Prefixo commum na nossa lingua a muitos vocab. deriv. do Grego, Dá-lhes a mesma força e expressão, que teem na lingua primitiva. §. Ana, prep. é derivada do Gr. neaô, eu renovo, equivale ao pref. Lat. e Port. re, e exprime duplicação v. g. em analyse. § . Ana, adv. significa, para cima, por cima, para traz, para longe, etc. v. g. em anagogia, e anachoreta. §. Ana, finalmente denota similhança, e indica comparação; neste caso significa, entre, atravez, v. g. em analogia, e anatomia.

* ANA, s. f. (do Fr. aune, medida de extensão correspondente a 44 polleg. Fr., ou pouco mais ou menos 43 Port.) Medida para toda a sorte de tecidos, usada em algumas terras do norte da Europa com differença segundo os paizes. Leão Orig. 9. 72. Blut. Nicol. Tr. 96v.

ANÁ, Prepos. Grega de que usam os medicos nas suas receitas, e significa, de cada cousa partes iguáes: e tambem se escreve aã Ferr. Cir. 3. 65.



ANÃ


1771 Fonseca

ANÃ, mulher de estatura muito pequena. Parvula pumilio. Lucr.

1789 Moraes

ANÃA, s. f. mulher, que sahio de estatura mui breve, e que engrossa desproporcionadamente, não se desenvolvendo bem seus membros, em quanto á extensão.

1813 Moraes

ANÃA, s. f. Mulher, que saïu de estatura mũi breve, e que engrossa desproporcionadamente, não se desenvolvendo bem seus membros em quanto á extensão. (Anã melhor ortogr.) .

1821 DiccgerSuppl.

Anã, s.f. mulher de estatura pequena, e que engrossa desproporcionadamente.

1831 Moraes

ANÃA, s. f. Mulher, que saïu de estatura mui breve, e que engrossa desproporcionadamente, não se desenvolvendo bem seus membros em quanto á extensão. (Anã melhor ortogr.). § f. Arvore - , larangeiras - , que não chegão a altura ordinaria das da sua especie. Bern. Florest. 5. f. 28.

1836 Constancio

ANÃ ou ANÃA. V. Anan.

ANAN, ou ANÃA, s.f. mulher de estatura diminuta; it. adj. f., que tem estatura diminuta. Arvore -, aquella a que a arte tolheo o crescimento em altura. V. Anão.

1845 DiccUniv

ANÃ. V. Anão.

1858 Moraes

ANÃA, ANAN (e melhor orthogr. anã) s. f. Mulher, que saíu de estatura excessivamente pequena, e ordinariamente contrafeita. §. adj. fig. Que tem estatura diminuta. Luc. 10. 19. „laranjeiras anãas“ Vieira, 5. 99 „arvore anãa“ aquella a que a arte tolheu o crescimento em altura.

ANAN V. Anãa.

ANABAPTISMO


1818 Diccger

Anabaptismo, s.m. (H.E.) Seita dos Anabpatistas.

1831 Moraes

* ANABAPTISMO, s. m. Seita dos Anabaptistas.

1836 Constancio

ANABAPTISMO, s.m. us. seita dos Anabaptistas.

1845 DiccUniv

ANABAPTISMO, s. m. seita dos anabaptistas. § gr. aná, outra vez, e baptô, eu mergulho n’agua.

1858 Moraes

* ANABAPTISMO, s. m. (Do Gr. aná, outra vez, segunda vez, e de baptô, eu mergulho na agua) Herege que sustentava o erro de que se não devia baptizar o menino antes do uso da razão, e que no caso de se haver baptizado antes, se lhe devia reiterar o baptismo, depois de adulto. Luc. 1. 14, “anabautistas.”

ANABAPTISTA


1617 Minsheu

Anabatista; H = P ; L = P, I anabattista G anabaptiste A anabaptist

1767 Monte Carmelo

Para evitar esta confusâm [i.e. das duas letras b e v], que hoje, he defeito, farei aqui hum Catalogo das Dicçoếs mais usuaes, que se-pronunciam com B, para utilidade daquelles, que nam tem Vocabulario.

Anabaptístas. Hereges, que julgavam ser necessario rebaptizar os meninos, quando chegassem ao uso da Razâm, e ainda hoje defendem outros êrros.

1793 Ac


ANABAPTISTA, s. m. O hereje, que segue o erro de se não dever baptizar o menino antes de chegar ao uso da razão, e que no caso de se haver então baptizado, se lhe deve reiterar o baptismo, depois de adulto. ant. Anabautista. Luc. Vid. 1, 14 [...]. Velasc. Acclamm. 20 [...] M. Bern. Parais. 3, 4 [...]

1818 Diccger



Anabaptista, s.m. (H.E.) herege, que errava sobre a administração do baptismo.

1831 Moraes

*ANABAPTISTA. s. m. Hereje do seculo dezesseis, assim chamados por affirmarem ser necessario rebaptizar os meninos quando chegassem ao uso da razão. Lucen. Vid. 1. 14.

1836 Constancio

ANABAPTISTA, adj. 2. pertencente aos Anabaptistas, ou Baptistas, como elles se denominão. Seita, igreja, communhão, congregação, ministro, prégador - .

ANABAPTISTAS, s.m. pl. hereges ou sectarios de seculo XVII que mantinhão ser necessario rebaptizar os meninos depois de chegarem a ter uso da razão, ou que só então se devião baptizar. Vem de [...] aná, de novo, outra vez; e de [...] baptó, baptizar.

1845 DiccUniv

ANABAPTISTA, adj. dos 2 g. pertencente aos anabaptistas, ou Baptistas, como elles se denominavão.

ANABAPTISTAS, s. dos 2 g. pl. hereges do seculo 17.° que seguião o erro de se não dever baptizar o menino antes de chegar ao uso da razão, e que no caso de se haver então baptizado, se lhe deve reiterar o baptismo depois de adulto. V. Anabaptismo.

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