Dr. Carlos Moore no Ciclo de Conversas da Biblioteca Negra de Pelotas



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Encontro30.07.2016
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Dr. Carlos Moore no Ciclo de Conversas da Biblioteca Negra de Pelotas.
Africanidades e Pensamento Negro:

repensando o conceito de Négritude no contexto brasileiro do ensino

de História da África e das Culturas Africanas e da Diáspora Negra”

1. Apresentação:


A conversa propõe ser uma ferramenta colaborativa, para que se sejam alcançados os objetivos do PLANO NACIONAL DE IMPLEMENTAÇÃO DAS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ETNICORRACIAIS E PARA O ENSINO DE HISTÓRIA E CULTURA AFROBRASILEIRA E AFRICANA, entre eles o de “desenvolver ações estratégicas no âmbito da política de formação de professores, a fim de proporcionar o conhecimento e a valorização da história dos povos africanos e da cultura afrobrasileira e da diversidade na construção histórica e cultural do país.

Abordagem para que possam ser desenvolvida mais significativamente interação com as demandas socioculturais do contexto das africanidades, “promover formação para os quadros funcionais do sistema educacional, de forma sistêmica , sociedade civil, movimento negro, entre outros que possuam conhecimento da temática”. Nesse sentido, torna-se de fundamental importância o entendimento de certos conceitos básicos em termos das relações raciais nos contextos marcados pela opressão colonial europeia. Isso porque, algumas noções encontram-se apropriadas de forma equivocada, o que provoca deslocamentos de sentido nem sempre pertinentes.

É o que ocorre, por exemplo, com o conceito de Négritude. Se, de um lado, designa uma corrente estético-literária de escritores negros francófonos, como também a valorização da cultura negroafricana e da diáspora, por outro lado, refere-se a uma atitude político-ideológica de combate ao colonialismo europeu, de base racista. Ao mesmo tempo, popularmente, muitos consideram Negritude como o conjunto das questões e aspectos relativos ao sujeito negro, ou como sendo a própria identidade negra. Daí, algumas dúvidas emergem e, no processo nacional de implantação da Lei 10.639/2003, muitos educadores não detêm o devido suporte teórico-científico para responder às suas indagações. Isso, entre outros efeitos, enfraquece o potencial cotidiano de interação com os propósitos da Lei, além de desestimular o(a) professor(a) diante da constatação de seu desconhecimento. Portanto, o incentivo à realização de iniciativas como o esta - “Africanidades e Pensamento Negro: repensando o conceito de Négritude no contexto brasileiro do ensino de História da África e das Culturas Africanas e da Diáspora Negra” corresponderá a um impacto positivo sobre os corpos docente e discente brasileiros, por seu caráter científico, didático e esclarecedor, com vistas à maior circulação de saberes historicamente produzidos pela intelectualidade negra mundial.

O fator itinerância, por sua vez, permitirá que o conversa promova a necessária socialização, disseminação e ampla problematização do conceito de Negritude em espaços altamente significativos em termos de produção cultural no País. Sem dúvida, esta iniciativa evidenciará a complexidade e a diversidade de acepções do referido conceito, como também reforçará suas bases teórico-científicas e político-ideológicas, especialmente no que tange aos fundamentos étnicos e políticos das identidades negras e das suas formas de resistência às violentas e sutis expressões do colonialismo.


2. Objetivos:

2.1 – Objetivo Geral:

Promover a reflexão crítica acerca do conceito de Négritude, a partir do pensamento de Aimé Césaire, a fim de possibilitar o debate sobre as diferentes formas de sua apreensão e apropriação nos contextos políticos, culturais e educacionais dos diversos países/espaços africanos e da diáspora negra.

2.2 – Objetivos Específicos:

a) Potencializar a discussão acerca de temas relativos à história e cultura afrobrasileira, valorizando a diversidade de pensamentos;

b) valorizar a diversidade também no âmbito do pensamento, de caráter inter e transdisciplinar;

c) articular as diferentes percepções de conceitos, mesclando-se as referências dos âmbitos local, nacional e internacional;


d) incentivar a adoção de e circulação das publicações voltadas para o universo das africanidades.

2.3 - Debatedor : CHARLES MOORE WEDDERBURN (Cuba)


Currículo Resumido: Etnólogo e cientista político, pós-graduou-se na Universidade de Paris-7, na França, como Doutor em Ciências Humanas e Doutor em Etnologia. Desde 2002, é Chefe de Pesquisa Sênior (honorário) na Escola de Estudos de Pós-Graduação e Pesquisa da University of the West Indies (UWI), Kingston (Jamaica). É fluente em Francês, Inglês, Espanhol, Creole e Português. Sua carreira acadêmica, de 1986 a 2002, inclui cargos como professor titular de Assuntos de América Latina no Instituto de Relações Internacionais da University of the West Indies (UWI), em Trinidad e Tobago, e professor visitante na Florida International University (FIU), na Florida. De 1982 a 1983, foi consultor pessoal para assuntos latino-americanos do Secretário Geral da Organização da Unidade Africana (atualmente União Africana), Dr. Edem Kodjo, e desempenhou a mesma função, de 1966 a 200, junto ao Secretario Geral da Organização da Comunidade do Caribe (CARICOM), Dr. Edwin Carrington. Durante cinco anos, foi assistente pessoal do cientista senegalês, Cheikh Anta Diop, em Dacar, Senegal. De 1970 a 1984, desempenhou carreira em jornalismo como analista político, na Agence France-Presse e no semanário inter-nacional Jeune Afrique, e como colaborador nas revistas Afriscope (Nigéria) e Nadhatu Ifriqiya (Egito). Em fevereiro de 1987, promoveu o evento “Première Conférence Hémisphérique dês peuples noirs de La Diáspora em hommage à Aimé Césaire”, na universidade da Flórida, ocasião em que Aimé Césaire proferiu seu último discuso, intitulado "Discours sur la Négritude".

Atribuições:

- Contextualização histórica e cultural do nascedouro do conceito de Négritude.

- Problematização do conceito de Négritude: a polêmica entre e Aimé Césaire e Leopold Sédar Senghor.

- Depoimento sobre a experiência de organização do “Première Conférence Hémisphérique dês peuples noirs de La Diáspora em hommage à Aimé Césaire”, na universidade da Flórida em 1987, ocasião em que Aimé Césaire proferiu seu último discurso, intitulado "Discours sur la Négritude".

- Lançamento do livro Discurso sobre a Negritude (Nandyala Editora, 2010), em quatro línguas (francês, inglês, português e espanhol), do qual é o organizador, e do livro O Marxismo e a questão racial (Nandyala Editora, 2010).

Atribuições:

- Apresentação do pensamento de Mário Pinto de Andrade e sua concepção de Negritude no universo africano de Língua Portuguesa, principalmente no âmbito das expressões literárias.

- Problematização da tensão entre relações político-ideológicas anticoloniais e estética literária, em especial no bojo da literatura angolana.

- Apresentação de suas percepções sobre o conceito de Négritude, em suas diferenciadas formas de apreensão e apropriação.

- Socialização de formulações teóricas, a partir do livro "Negritude - Usos e sentidos" (KABENGELE MUNANGA, 1986;2009).

- Problematização das formas de expressão da Negritude brasileira, especialmente no campo das tensões entre identidade e cultura afro-brasileira.



- Problematização da percepção teórica de intelectuais africanos sobre a Negritude, em especial Leopold Senghor (Senegal), Amílcar Cabral (Guiné-Bissau; Cabo-Verde), Mário Pinto de Andrade (Angola) e Francisco José Tenreiro (São Tomé e Príncipe).




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