E. A. Produtos Ecológicos Plano de Negócios elaboração Colaboração Apoio



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E.A. Produtos Ecológicos - Plano de Negócios





PLANO DE NEGÓCIOS

Elaboração Colaboração Apoio

Equipe PESC FEA-USP Formadoras da ITCP-USP

Fernando Scarabotto Gabriela V. Iglesias Guilherme Belloque

Priscila Rocha Lúcia B. S. Araújo

Tânia Nunes Rebeca R. Regatieri

Tatiane Oyakawa

Guilherme Belloque


São Paulo – SP

Abril de 2007


O Plano de Negócios

O Plano de Negócios é um documento que reúne informações sobre as características, condições e necessidades do empreendimento, com o objetivo de analisar sua potencialidade e viabilidade, nos aspectos mercadológico, financeiro e operacional. Permite desenvolver idéias a respeito de como o empreendimento deve ser conduzido. É ferramenta de negociação e ajuda a levantar recursos.

Este documento tem cunho confidencial na medida em que expõe todas as características do empreendimento, desde os produtos que tem a oferecer e oportunidades de negócio até suas fraquezas. Portanto, deve ser distribuído somente àqueles que têm necessidade de vê-lo. Entre os grupos interessados podemos citar:


  • Mantenedores de Incubadoras – iniciação de empreendimentos, com condições operacionais facilitadas, mantidas por instituições de classe, centros de pesquisas, órgãos governamentais;

  • Parceiros – para definição de estratégias e discussão sobre formas de interação entre as partes;

  • Bancos – para financiamentos de equipamentos e instalações, capital de giro, expansão do empreendimento, etc.

  • Investidores – entidades de capital de risco, pessoas jurídicas, bancos de investimento etc.

  • Fornecedores – para negociação na compra de mercadorias, matéria-prima e formas de pagamentos;

  • O próprio empreendimento – para comunicação interna, garantindo o comprometimento mútuo de metas e resultados;

  • Clientes – para venda dos produtos.

Índice
Sumário Executivo

Diagnóstico do Empreendimento

Economia Solidária e História do E.A.

Missão


Parcerias

Análise de Mercado

Segmentação de Mercado

Análise Swot

Estratégia de Mercado

Público – Alvo

Composto de Marketing – 4 P´s

Produto


Preço

Ponto de Venda

Promoção

Plano Operacional

Cadeia Produtiva

Processo Produtivo

Estrutura Organizacional

Planejamento Jurídico

Gestão Financeira

Funções


Falhas

Análise de Custos

Objetivos em 2007

Sumário Executivo

O E.A., grupo incubado pela ITCP – USP (Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade de São Paulo), foi criado em 2003 e atualmente conta com duas integrantes, que são responsáveis pela fabricação de produtos de higiene e limpeza ecologicamente corretos e desenvolvidos sob os preceitos de autogestão e solidariedade da Economia Solidária.

Os anos de 2006 e começo de 2007 foram de muitas realizações para o Grupo. A demanda por seus produtos tem aumentado e novas perspectivas vieram com tais mudanças: surge a busca por tecnologias de produção e a possibilidade de ampliar o grupo a fim de que todos os pedidos sejam atendidos.

Diagnóstico do Empreendimento

Economia Solidária e História do E.A.

E.A. Produtos Ecológicos é um empreendimento com princípios autogestionários que produz sabão, sabonetes e produtos de limpeza. Localizado no Jd. Clarice, em São Paulo, iniciou suas atividades em 2003, pela iniciativa de cinco mulheres que participavam do Clube de Trocas do Jd. Ângela. Atualmente conta somente com duas integrantes: Alvina, 61 anos, e Emília, 68 anos.

O Clube de Trocas ocorre quinzenalmente no Largo do Jd. Ângela e faz parte do projeto Mercado Escola, cujo objetivo é estabelecer estratégias de comercialização e sociabilização da comunidade local por meio de trocas dos produtos desenvolvidos pelos grupos envolvidos, esta troca é dinamizada por uma moeda social denominada Futuro.

O trabalho do grupo E.A. possui como base orientadora os princípios da Economia Solidária, isto é, uma economia que se desenvolve através de empreendimentos auto-gestionados, organizados de forma coletiva e participativa em que os próprios trabalhadores são produtores, proporcionando uma distribuição mais justa da renda e estimulando relações sociais de produção e de consumo baseadas na cooperação, na solidariedade, na satisfação e valorização dos seres humanos e do meio ambiente.

O desenvolvimento de empreendimento trouxe como principal conseqüência o envolvimento das integrantes nas demanda e articulações da Economia Solidária.



Missão

“Fabricar produtos de limpeza e higiene ecológicos e com qualidade e integrar a comunidade por meio de um empreendimento pautado nos princípios da economia solidária que gere trabalho e renda, proporcionando o bem-estar das pessoas envolvidas além de outros benefícios, como o fim da ociosidade de idosos da comunidade.”



Parcerias


Projeto de extensão da Universidade de São Paulo.


O empreendimento possui o acompanhamento periódico da ITCP-USP1 (Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da USP), que desenvolve o trabalho de incubação de grupos para geração de renda. A incubação caracteriza-se pelo acompanhamento de grupos populares para fomentar sua emancipação política e geração de renda de forma autogestionária. O trabalho do formador consiste na orientação do grupo no que se refere às práticas de gestão, comercialização, produção concomitantemente a formação de temas que permeiam a economia solidária, tais como autonomia individual e coletiva, emancipação social, econômica e pessoal. Dessa forma, o processo de incubação busca o desenvolvimento do grupo e do indivíduo sob o ponto de vista da economia solidária.

Além da ITCP, o grupo conta com o apoio da Cáritas do Campo Limpo e do próprio Clube de Trocas. Freqüenta reuniões periódicas da Rede local, no Centro de Referência do Campo Limpo, reuniões do Fórum Municipal e de Congressos e Conferências Nacionais.



Análise de Mercado

Segmentação de Mercado

  • Organizações Sociais. Seria composto por clientes que desenvolvem ações na área social ou com forte ligação nestas. Neste segmento estão o Centro de Referência, o Remodela e a ITCP.

  • Restaurantes e Bares: pequenos estabelecimentos comerciais que utilizam considerável quantidade de produtos de limpeza. Destaque para o sabão líquido.

  • Residências: Composto principalmente por donas-de-casa da vizinhança.

  • Condomínios: Formado por condomínios residenciais e comerciais, que utilizam grande quantidade de produtos para limpeza pesada.

  • Lojas e Escritórios: Formado por estabelecimentos comerciais de pequeno porte que consomem uma quantidade menor de produtos.

  • Grande Porte: Composto por estabelecimentos com grande estrutura e demanda por produtos de limpeza em geral.

  • Feiras de Troca: os produtos são comercializados na base da troca ou com base em uma moeda social, denominada Futuro.

Análise SWOT

A Análise SWOT é uma ferramenta de gestão muito utilizada por empresas privadas como parte do planejamento estratégico dos negócios. O termo SWOT vem do inglês e representa as iniciais das palavras Strengths (Forças), Weaknesses (Fraquezas), Opportunities (Oportunidades) e Threats (Ameaças). Como o próprio nome já diz, a idéia central da análise SWOT (ou FOFA, em português) é avaliar os pontos fortes, os pontos fracos, as oportunidades e as ameaças da organização e do mercado onde ela está atuando.

Esta forma de análise de negócios vem sendo utilizada com muito sucesso por empresas privadas em todo o mundo e, sem dúvida, pode ser uma ferramenta de grande utilidade para as organizações sociais brasileiras.

Em geral, é preciso monitorar as forças macroambientais (econômicas, tecnológicas, políticas, legais, sociais e culturais) e os atores microambientais importantes (consumidores, concorrentes, canais de distribuição, fornecedores) que afetam a capacidade do negócio.



No caso do E.A., foram identificadas as seguintes situações que podem constituir uma oportunidade:

  1. Mudanças tecnológicas: O sabão produzido não espuma, o que é uma vantagem competitiva, uma vez que esse avanço tecnológico dá ao produto um apelo ecológico;

  2. Acesso a pessoas altamente qualificadas: A assessoria da ITCP ao grupo é fundamental para o desenvolvimento da capacidade gerencial dos seus membros.

  3. Novos modelos organizacionais: Ser um empreendimento auto-gestionário inserido no contexto da Economia Solidária é um fator que favorece a atuação do grupo, pelo contato com os demais parceiros da rede e pela participação em feiras de trocas.

  4. Novos canais de distribuição: Atualmente, está em estudo a venda de produtos através da internet.

Também foram detectadas as seguintes situações de ameaça:

  1. Escassez de matéria-prima: O óleo de cozinha e a banha, utilizados na produção do sabão, são obtidos através de doações de estabelecimentos comerciais da região (padarias, açougues) e de trocas com a vizinhança por sobras da produção. Apesar de no momento o estoque destas matérias-primas estar com um nível satisfatório, a obtenção destes insumos passa a ficar atrelada, essencialmente, ao rendimento desses parceiros para conseguir tais insumos.

  2. Aumento de custos devido a alterações na forma jurídica: Por ser um empreendimento informal, o E.A. não arca com custos tributários e outros que serão inevitáveis ao proceder-se com a formalização do negócio.

Analisando o ambiente interno do empreendimento, foram identificados como pontos fortes:

  • A linha de crédito que o E.A. possui com a ITCP, que deve ser quitada em Futuros (moeda social), estimulando a sua produtividade;

  • Alta disposição das participantes do grupo para trabalhar;

  • Busca constante pela melhoria da qualidade;

  • Reconhecimento do E.A. pela comunidade em que está inserido;

  • Reciclagem do óleo no processo produtivo, reforçando o desenvolvimento sustentável do empreendimento.

E detectados como pontos fracos:

  • A localização em um bairro onde há falta de segurança, o que já ocasionou a perda de produção em virtude de um roubo ao estabelecimento;

  • As precárias condições de armazenagem de insumos como a soda cáustica, que oferece risco às pessoas que circulam no local de produção (inclusive crianças);

  • A informalidade do negócio, visto que o fato de não possuir nota fiscal limita a atuação do grupo;

  • Falta do certificado oficial de qualidade;

  • Falta de padronização da embalagem;

  • Baixa capacidade produtiva e baixa comercialização.

Depois de ter realizado uma análise SWOT, o E.A. é capaz de:

  • Estabelecer metas relacionadas à forma de atuação no que diz respeito ao aproveitamento de oportunidades;

  • Estabelecer quais as ações que serão importantes para evitar os efeitos de eventuais ameaças;

  • Estabelecer metas de melhoria dos itens que foram considerados de baixo desempenho.

Estas metas serão a base do planejamento anual de suas atividades.

Matriz – Análise SWOT


OPORTUNIDADES

AMEAÇAS

  • O sabão não espuma.

  • Assessoria da ITCP/USP.

  • Empreendimento auto-gestionário inserido no contexto da Economia Solidária.

  • Venda de produtos através da Internet (em estudo).

  • Dependência do rendimento de parceiros para obtenção de insumos doados.

  • Aumento de custos numa eventual formalização do negócio.

PONTOS FORTES


PONTOS FRACOS

  • Linha de crédito do E.A. com a ITCP.

  • Alta disposição das participantes do grupo para trabalhar.

  • Busca constante pela melhoria da qualidade.

  • Reconhecimento do E.A. pela comunidade em que está inserido.

  • Reciclagem do óleo no processo produtivo.




  • Má localização (bairro com falta de segurança).

  • Precárias condições de armazenagem de insumos.

  • Informalidade do negócio.

  • Falta do certificado oficial de qualidade.

  • Falta de padronização da embalagem.

  • Baixa capacidade produtiva e baixa comercialização.

Estratégia de Mercado

Público-Alvo

O grupo foca sua atuação nos segmentos Organizações Sociais e Residências. Já possui forte ligação com estes segmentos.

Composto (MIX) de Marketing – os 4 P´s

Marketing é “Um processo social e gerencial pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de produtos de valor com outros.” (Kotler, Philip. Administração de Marketing: análise, planejamento, implementação e controle. São Paulo: Atlas, 1998, p. 32.). O marketing pode auxiliar o empreendimento, tornando-o mais eficientes em diversos aspectos:



  • Diagnóstico de sua atuação;

  • Possibilidade de captação de recursos (atratividade);

  • Melhoria de seu produto ou serviço (qualidade);

  • Identificação de novas oportunidades e formas de agir na sociedade;

  • Estabelecimento de parcerias com a iniciativa privada e o governo.

Ações que podem ser incrementadas com o Marketing:

  • Estreitar relações com as fontes de financiamento reais e potenciais: para que o financiador possa perceber com clareza que está apoiando um trabalho de grande relevância social e que sua imagem será beneficiada. Forma: manter o financiador informado, por meio de relatórios periódicos consistentes, a respeito da aplicação de recursos.

  • Conquistar a simpatias por parte dos agentes de influência na sociedade: transmissores de informação (jornalistas e repórteres), universidade.

  • Comunicar adequadamente a realização dos projetos, informando a sociedade em geral – criar consciência: divulgação, manutenção da credibilidade e a atratividade. “Não basta ser ético, correto e efetivo; há de se parecer, e esse aspecto é que entra a ação da comunicação.”

  • Aprimorar o produto.

  • Pesquisar o mercado.

O marketing orientará as decisões táticas e estratégicas da organização, trazendo a flexibilidade necessária a um produto tão particular como o “produto social”, ressaltando a importância da comunicação desse trabalho à comunidade em geral e aos patrocinadores e financiadores em particular.

O terceiro setor como a possibilidade de diferenciação mercadológica:

  • Atender aos consumidores, cumprir os objetivos organizacionais e contribuir para a perenidade do bem-estar social passam a ser, então, a tríade que deverá constar da missão das organizações efetivamente responsáveis. O marketing social objetiva atender aos interesses da sociedade, sem lucro, sendo seu maior valor a perenidade do bem-estar social.

  • marketing no Terceiro Setor permite a transposição da imagem da empresa como uma entidade responsável e mais humanitárias para seus produtos e serviços. Benefícios: construção de imagem pública positiva e criação de uma consciência coletiva interna (funcionários).

Produtos e Preço: O principal produto do grupo é o sabão em pedra e em pote. São produzidos a partir da reciclagem, uma vez que utilizam como matéria prima óleo reciclado. Este óleo é viabilizado por meio da troca que estabelecem com a comunidade. Os vizinhos e amigos trocam o óleo que utilizam domesticamente por pedaços de sabão, dessa forma, contribuem com o processo de reciclagem do óleo, evitando seu despejo na rede de esgoto e conseqüente mistura nos rios da região. Os sabonetes ocupam posição secundária da produção, porém faz parte de um projeto de desenvolvimento de uma linha de sabonetes a base de ervas naturais, o qual não foi concluído. Atualmente, estão ampliando os produtos fornecidos, iniciaram a produção de desinfetante, amaciante, água sanitária e detergente. Estão investindo na melhoria da qualidade dos novos produtos, estudando sua viabilidade para inseri-los no mercado local. No entanto, a produção ainda é manufaturada e artesanal, assim a falta do processo de industrialização e de legalização dificulta sua inserção no mercado convencional.

  • Sabão em Pedra

  • Embalagem: nome do produto

  • Quantidade: 1 unidade

  • Preço: R$1,00

  • Sabão Líquido

  • Embalagem: nome do produto

  • Volume: 1 Litro

  • Preço: R$1,10



  • Desinfetante

  • Embalagem: nome do produto

  • Volume: 1 Litro

  • Preço: R$1,00

  • Sabonete

  • Embalagem: nome do produto

  • Quantidade: 1 unidade

  • Preço: R$1,52 (pequeno) e R$2,00 (grande)

Promoção: O grupo conta com o auxílio da ITCP e outros parceiros, vizinhos e amigos na divulgação de seu produtos. O principal veículo de comunicação é pela venda direta.

Ponto-de-venda: no local de Produção (Av. Willian Frederich Laudwig, 380) e no Clube de Trocas

Plano Operacional

Cadeia Produtiva

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior define Cadeia Produtiva como "...o conjunto de atividades que se articulam progressivamente desde os insumos básicos até o produto final, incluindo distribuição e comercialização, constituindo-se em elos de uma corrente".

O conhecimento dos fluxos da cadeia produtiva facilita a tomada de decisão dos empreendedores na medida em que há uma visão do acesso a insumos e mercados. A utilização do conceito de cadeia produtiva permite:


  • Visualizar a cadeia de modo integral;

  • Identificar debilidades e potencialidades nos elos da cadeia;

  • Motivar a articulação solidária dos elos da cadeia;

  • Identificar os elos dinâmicos, em adição à compreensão dos mercados, que trazem movimento às transações na cadeia produtiva;

  • Identificar fatores e condicionantes da competitividade em cada segmento;

  • No que se refere à Economia Solidária, o conhecimento da cadeia produtiva propicia a implantação de Redes de Colaboração Solidária Locais, com a perspectiva de promover sucessivos movimentos de agregação. Deste modo, aumenta-se a oferta de produtos e serviços no interior das redes e estabilizam-se maiores volumes de demandas solidárias a serem atendidas pela própria rede, sob parâmetros de equilíbrio sustentável.

Em poucas palavras, a visão da cadeia produtiva aumenta o controle de qualidade e melhora o sistema de produção. Segue um diagrama simplificado de cadeia produtiva.

Fonte: Embrapa

Assim, a cadeia produtiva dos produtos do E.A. pode ser ilustrada da seguinte forma:

Através da representação gráfica, nota-se nitidamente que o E. A faz o papel de produtor bem como o de comerciante. As empreendedoras comercializam seus produtos diretamente com os consumidores, pois tem um nicho de mercado pequeno, mesmo considerando o "mercado" da Economia Solidária. Após a obtenção dos insumos e realização de todo o processo produtivo (vide processo produtivo), as próprias empreendedoras fazem a divulgação de seus produtos e por conseqüência fazem a própria comercialização dos mesmos.

Os produtos de higiene e limpeza são considerados insumos de primeira necessidade. Em São Paulo, cidade onde os produtos do E. A são comercializados, há uma forte concorrência dos produtos consolidados pelo mercado e, portanto, produzidos em grande escala pelas grandes empresas. Estes têm maior garantia de qualidade. No entanto, o apelo ao alinhamento aos preceitos da Economia Solidária e ao desenvolvimento sustentável tornam os produtos mais atrativos. A comercialização na Periferia de São Paulo, onde os consumidores caracterizam-se por um baixo poder aquisitivo, pode ser considerado um fator de grande relevância ao falarmos de nicho de mercado.




Processo Produtivo
1) Processo Produtivo - Sabão em Pedra


I. Adição de Matérias Primas

A adição das matérias primas acontece por etapas e em proporções previamente definidas pelas empreendedoras, sob a orientação de um químico responsável pela produção.



As duas primeiras etapas ocorrem em paralelo: enquanto o óleo é aquecido em um recipiente, em outro se misturam detergente, desinfetante, sal e barrilha a frio até formar um líquido homogêneo. Aquecido o óleo, acrescenta-se o breu e posteriormente a mistura formada pelas substâncias citadas. Por último coloca-se a soda e mexe até dar o ponto desejado do sabão, em que a massa esteja bem homogênea.

II. Secagem

Ao despejar a massa homogênea na forma, deve-se esperar de 08 a 10 horas, tempo de resfriamento e consolidação do sabão.

III. Corte

Ao atingir o tempo de secagem necessário, o sabão é cortado manualmente em 24 pedaços quadrados, de 400 gramas. Os pedaços são colocados em repouso por mais 24 horas.

IV. Embalagem

O sabão em barra então é embalado individualmente em uma seladora e posteriormente colocado em caixas de papelão. O produto é identificado pelo lote de fabricação como medida de segurança. Este registro permite o controle da produção e ameniza transtornos eventuais com clientes.

V. Armazenagem

O produto fica armazenado em local adequado tendo em vista sempre as condições de armazenamento e sua data de validade.



2) Processo Produtivo - Sabão Líquido


I. Derretimento de Matéria-Prima

Etapa prévia a mistura de matéria prima. Raspas de sabão em pedra são derretidas em água, a frio, por 24 horas.

II. Adição de Matérias Primas

A adição de matéria prima ocorre em duas fases, separadas pela fase de peneiragem.




Primeiramente adiciona-se água às raspas derretidas. Em seguida, com o auxílio de mais água, côa-se o líquido. Por fim, há mais uma etapa de adição de matéria prima, em que a essência e o sal são adicionados.

III. Medição de PH

O PH é medido para que a pele daquele que utilize o sabão tenha a sujeira removida e, ao mesmo tempo, não tenha sua pele danificada. O pH ideal é básico e deve girar em torno de 7,0.

IV. Descanso

O líquido deve permanecer em repouso para que a espuma gerada no processo produtivo desapareça.

V. Embalagem

O sabão líquido tem embalagem própria e a utilização de refil é altamente recomendada aos clientes. Deve-se evitar a utilização de garrafas PET pelo risco de crianças ingerirem o líquido acidentalmente. O produto é identificado pelo lote de fabricação como medida de segurança.

VI. Armazenagem

O produto fica armazenado em local adequado tendo em vista sempre as condições de armazenamento e sua data de validade.


  1. Processo Produtivo – Desinfetante

I. Adição de Matérias Primas

Primeiramente o cloro é dissolvido em água. Em uma segunda etapa, dissolve-se a base.


II. Descanso

O líquido deve permanecer em repouso por 24 horas.

III. Embalagem

O sabão líquido tem embalagem própria e a utilização de refil é altamente recomendada aos clientes. Deve-se evitar a utilização de garrafas PET pelo risco de crianças ingerirem o líquido acidentalmente. O produto é identificado pelo lote de fabricação como medida de segurança.

IV. Armazenagem

O produto fica armazenado em local adequado tendo em vista sempre as condições de armazenamento e sua data de validade.


4) Processo Produtivo - Sabonete


I. Derretimento de Matéria-Prima

Etapa prévia a mistura de matéria prima. Raspas de glicerina são derretidas em Banho Maria, durante 5 a 10 minutos.

II. Adição de Matérias Primas

Adição de corante e erva na glicerina derretida.

III. Secagem

A massa homogênea é despejada em forminhas, cujo tempo de resfriamento e consolidação do sabonete dura em torno de 3 horas.

IV. Embalagem

O sabonete é colocado em saquinhos unitários que passam pela seladora e são etiquetados. Os de tamanho grande são vendidos por unidade, enquanto os pequenos são vendidos em cestas com 12 unidades em média. O produto é identificado pelo lote de fabricação como medida de segurança.

V. Armazenagem

O produto fica armazenado em local adequado tendo em vista sempre as condições de armazenamento e sua data de validade.

Estrutura Organizacional

O Empreendimento E.A. Produtos Ecológicos é pautado nos princípios da autogestão e do cooperativismo, portanto não se organizam de forma hierárquica e sim horizontal, a dupla tem amplo domínio da dinâmica do empreendimento e se organizam de forma a manter a responsabilidade equilibrada entre as integrantes.

O trabalho é igualmente dividido entre a dupla, Emília é responsável pela produção dos produtos químicos e Alvina pela produção do sabonete e embalagem de todos os produtos. A comercialização é realizada tanto por Emilia como por Alvina de forma a somar os esforços no aumento constante das vendas. Já a coleta de óleo, principal matéria prima utilizada no sabão, é divulgada e recolhida pela dupla nos bairros da região.

A remuneração é pautada no conceito de sobra e não no salário, uma vez que os integrantes retiram apenas a quantidade de verba que sobra por mês. As integrantes contam, atualmente, com retiradas menores do que o salário mínimo que ajudam a complementar suas aposentadorias.

A dupla se encontra, em média três vezes por semana na sede do empreendimento para executarem a produção, semanalmente a dupla de formadores da ITCP-USP realiza reunião com Alvina e Emília para discutir a gestão e a dinâmica do E.A. na Economia Solidária.

Planejamento Jurídico

O EA é um empreendimento informal, isto é, a rigor, não existe como pessoa jurídica. O fato de não possuir CNPJ trás conseqüências negativas, como a limitação de sua atuação, em virtude de não poder fornecer nota fiscal, além de ter restringida as fontes para obtenção de crédito/financiamento*. Esse constitui um dos pontos fracos mencionados pelo grupo na análise SWOT.

 

Apesar de terem a intenção de efetuar a formalização do negócio, as integrantes encontram algumas barreiras, dentre as quais destacamos:



  1. O empreendimento não está preparado para assumir a elevação dos custos decorrentes da legalização (tributos em geral), visto que não produzem uma receita condizente para suportá-los;

  2. Caso opte por assumir a forma de cooperativa, muito usual em se tratando de empreendimentos de Economia Solidária, precisará contar, ao menos, com 20 integrantes, uma vez que essa é a quantidade mínima de sócios cooperados exigida por lei.

Dessa forma, no curto prazo, não há expectativa do EA deixar a informalidade.

 *Atualmente, possui um financiamento referente à seladora, utilizada no seu processo produtivo, junto ao BTS - Banco de Trocas Solidárias, projeto pertencente à ITCP. Tal operação é paga parte em mercadorias (sabão) e parte em Futuros (moeda social).



Planejamento Financeiro

Funções da Gestão Financeira

As principais gestão financeira são: analisar os resultados financeiros e planejar ações necessárias para obter melhorias; analisar e negociar a captação dos recursos financeiros necessários, bem como a aplicação dos recursos financeiros disponíveis; analisar a concessão de crédito aos clientes e administrar o recebimento dos créditos concedidos; efetuar os recebimentos e os pagamentos, controlando o saldo de caixa; controlar as contas a receber relativas às vendas a prazo; controlar as contas a pagar relativas às compras a prazo, impostos, despesas operacionais, e outras; registrar as operações realizadas pela empresa e emitir os relatórios contábeis.



Falhas na Gestão Financeira

A inexistência de uma adequada gestão financeira provoca alguns problemas de análise, planejamento e controle financeiro das suas atividades operacionais. Medidas são aguardadas em relação à algumas falhas , entre as quais:



  • Não ter as informações corretas sobre saldo do caixa, valor dos estoques das mercadorias, valor das contas a receber, valor das contas a pagar, volume das despesas fixas ou financeiras, etc. Isso ocorre porque não fazem o registro adequado das transações realizadas. Faz-se necessária uma ficha de controle de estoque para cada produto e assim controlar a movimentação individual, entradas e saídas, dos materiais de estoque, ou seja, produtos acabados, matérias-primas, etc.

  • Não conhecer corretamente o volume e a origem dos recebimentos, e o volume e o destino dos pagamentos, porque não elaboram o fluxo de caixa. Pode ser elaborado manualmente ou numa planilha eletrônica ou um programa de gestão. O importante é ter o fluxo de caixa ajustado à realidade da empresa, respeitando inclusive as características das informações geradas.

  • Não saber corretamente o valor das despesas fixas da empresa, porque não fazem separação das despesas pessoais dos sócios em relação às despesas da empresa. Um dos erros mais comuns, e também mais sérios, é o de confundir gastos pessoais com gastos da empresa. O patrimônio do empreendimento não deve ser misturado ao patrimônio dos donos.

  • Não fazer análise e planejamento financeiro da empresa, porque não tem um sistema de informações gerenciais (fluxo de caixa, demonstrativo de resultados e balanço patrimonial).

Análise dos Custos

  • Sabão em Pedra

Preço por Unidade

R$ 1,00

Custo por Unidade

R$ 0,17

Receita por Unidade

R$ 0,83

Margem Sabão em Pedra

83%

  • S

    abão Líquido

Preço por Litro


R$ 1,10

Custo por Litro

R$ 0,06

Receita por Litro

R$ 1,04

Margem Sabão Líquido


94,55%




D

esifetante


Preço por Litro

R$ 1,00

Custo por Litro

R$ 0,15

Receita por Litro

R$ 0,85

Margem Desinfetante

85%






  • Sabonete



Desinfetante: Participação de cada ingrediente no custo do produto




Objetivos em 2007

  • Aumentar o rendimento individual;

  • Cobrir todos os custos;

  • Aumentar número de vendas de seus produtos;

  • Aumentar conhecimentos em Finanças, Administração e Produtos Químicos;

  • Conseguir nota fiscal;

  • Deixar de ser um empreendimento informal;

  • Estreitar relações com atuais parceiros;

  • Aumentar parcerias;



E.A. Produtos Ecológicos



Av. Willian Frederich Laudwig, 380, Jd. Clarice CEP: 05866-170 – São Paulo - SP




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