E. J. Waggoner



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AS BOAS NOVAS

Gálatas, Versículo a Versículo

E. J. Waggoner




SUMÁRIO

Prefácio
Prefácio à edição de 1972
Introdução
Capítulo 1 – O evangelho autêntico: A revelação de Jesus Cristo
Capítulo 2 – A vida pela fé de Cristo
Capítulo 3 – Redimidos da maldição
Capítulo 4 – A adoção
Capítulo 5 – O Espírito torna fácil a salvação
Capítulo 6 – A glória da cruz


PREFÁCIO


 

Assim como Carta aos Romanos, As Boas Novas é um comentário versículo a versículo, desta vez da epístola aos Gálatas.   

Somente no final de seu ministério, o Espírito permitiu que se cumprisse o desejo de Paulo de visitar pessoalmente os irmãos da igreja em Roma. Se Deus lhe houvesse concedido antes a ”próspera viagem” que descreve os capítulos 27 e 28 de Atos, hoje não teríamos aquela soberba e inspirada passagem do evangelho, tal qual a encontramos escrita na epístola aos Romanos. Realmente, só através de carta pôde Paulo comunicar-lhes o evangelho que recebeu diretamente de Jesus Cristo, e graças a essa providência divina, está também hoje à nossa disposição.   

Outra circunstância bem mais triste, nos permite ter a epístola aos Gálatas, que tanto inspirou os mensageiros de Mineápolis. Os irmãos na Galácia estavam partindo para outro evangelho, e como conseqüência, as discordâncias os levaram a uma situação na qual estavam a ponto de devorarem-se uns aos outros.Não só Paulo, mas principalmente o evangelho em sua essência, estavam em tela de juízo.

Se a carta aos Romanos é a explicação do evangelho, a carta aos Gálatas é a defesa do evangelho.   

Em seu livro, Waggoner reconstrói versículo a versículo a realidade de Cristo, como o Crucificado. Quando Paulo O apresentou pela primeira vez ante seus olhos, os gálatas receberam o Espírito Santo. Interessante! Agora apresenta-o novamente como o único, universal e poderoso remédio para o problema do pecado, manifesto na igreja sob a forma de imoralidade e disputas. O apóstolo sabia que ao pé do Cruz se fundem os corações; as discordâncias desaparecem, porque ”a carne e seus efeitos” são crucificados. Somente Cristo vive, e ”Cristo não está dividido".

Um bom livro para nossas igrejas? Ou, se preferir, um bom livro para nossa Igreja?   

O literalismo da linguagem com que E. J. Waggoner descreveu em algumas ocasiões o trabalho da graça no pecador, tal como se encontra no original publicado pela primeira vez em 1900, não foi incorporado na edição que a Pacific Press publicou em 1972. Esta tradução segue o mesmo critério, e se baseia fundamentalmente em tal revisão.

A não ser quando indicado de outra maneira, como por exemplo (BJ – Bíblia de Jerusalém) os textos da Bíblia, são tomados da tradução João Ferreira de Almeida – Corrigida e Revisada – Fiel ao Texto original – 1994.

Oxalá que neste livro seus olhos possam ver claramente descrito a Jesus Cristo crucificado, como o eterno presente de amor de Deus a você. ”A Ele seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém. “(Gál. 1:5).


L.B., janeiro de 1999

PREFÁCIO À EDIÇÃO DE 1972

 

Em 1938 descobri, quase por acaso, um livro escondido e esgotado, The Glad Tiddings (As Boas Novas), de E.J. Waggoner, que havia “dormido” durante anos em uma biblioteca particular. Apesar de desconhecer totalmente o autor e antecedentes da obra, a leitura comoveu profundamente meu coração. Entendi que o encontro com esse livro verdadeiramente singular, tinha levado minha vida a um ponto decisivo. Temendo que fosse a última oportunidade de acesso àquele tesouro, pedi permissão para trazer minha velha máquina de escrever à biblioteca, onde copiei página após página as passagens mais comovedoras, a fim de guardá-las para sempre.   

Até encontrar As Boas Novas, nunca havia entendido realmente o significado da carta de Paulo  aos gálatas. O que me perturbava era o conflito aparentemente irreconciliável entre a lei e a fé. Sabia que Paulo defendia nas suas cartas a lei de Deus como “santa, justa e boa”, mas em Gálatas parecia dizer o oposto. As aparentes discrepâncias e contradições me deixavam perplexo. A maioria dos comentários sobre Gálatas que consultei me pareciam bem estéreis, ou francamente antinomianistas (contrários a lei). A epístola estava fora de meu alcance, e não podia encontrar nela aqueles sentimentos de amor e devoção a Cristo que tão intensamente Paulo conheceu. Face a semelhante perplexidade, como poderia chegar eu a “gloriar-me” também na cruz?   

Desde meu primeiro encontro com o livro – há mais de sessenta anos – tenho sonhado em ter uma pequena participação no torná-lo conhecido ao mundo de nossos dias. Mas tem havido certos obstáculos. A sintaxe do Dr. Waggoner nem sempre era fácil, embora para dizer a verdade, seu estilo de escritura é claro e sucinto para um escritor do século de XIX. Tenho procurado apresentá-lo num estilo literário apropriado aos nossos dias. Foram eliminadas declarações redundantes, cuidando em não alterar o pensamento ou as ênfases do texto original. Outros parágrafos que não eram vitais ao ensino básico da justiça pela fé foram passados por alto, ao mostrarem-se irrelevantes para a grande mensagem do livro. Todo o esforço foi feito a fim de preservar a mensagem original de Waggoner sobre a justificação pela fé, exatamente da maneira em que ele  a ensinou.   

Talvez deva tomar emprestadas as palavras de C.S. Lewis em referência a Os Sermões sem palavras, de George Macdonald, e aplicá-las de todo coração para As Boas Novas, de Waggoner: “A magnitude de minha dívida para com esse livro é quase tão grande como tudo aquilo que um homem pode dever a outro". Sinto-me grato em poder oferecer ao leitor moderno um tesouro, que espero resulte tão enriquecedor para sua vida como tem sido para a minha.”   
Robert J. Wieland


INTRODUÇÃO

Ao escrever sobre um livro da Bíblia, é muito comum que se dedique algum tempo à introdução, descrevendo sua natureza, circunstâncias em que foi escrito, e o suposto propósito do autor, assim como outros elementos, alguns próximos à conjectura e outros derivados mais objetivamente do próprio texto. O leitor deve aceitar todas essas declarações baseando-se na palavra e autoridade de quem as expõe.

Devido a isto, é preferível ingressar o leitor diretamente no estudo do livro, e se este é diligente e verdadeiro, entenderá por si mesmo o conteúdo. Aprendemos mais sobre uma pessoa relacionado-se com ela que atendendo aos sentimentos que se desperta em outros. Então, procedamos ao estudo de Gálatas, e permitamos que o livro fale por si mesmo.

Nada pode tomar o lugar da Escritura. Se todos estudassem a Bíblia com oração e com a devida devoção, dando ouvido a toda a palavra e recebendo-a como vindo mesmo de Deus, não haveria a necessidade de qualquer outro livro religioso. Todos os escritos deveriam ter o propósito fervente de dirigir a atenção das pessoas para a Escritura.

Qualquer opinião que substitua a própria Bíblia, por meio da qual alguém se sente satisfeito e sem necessidade de aprofundar-se no estudo pessoal do Santo Livro, é pior que inútil: é prejudicial.

Por esse motivo, encorajo  urgentemente o leitor a estudar primeiramente o texto bíblico com aplicação e esmero, de um tal modo que toda referência posterior lhe resulte familiar. Deus permita que esta modesta ajuda para o estudo de sua Palavra possa lhe familiarizar com a Escritura, a qual pode fazê-lo sábio para a salvação.


E.J.Waggoner
Capítulo 1

O EVANGELHO AUTÊNTICO:

A REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO
1   Paulo, apóstolo (não da parte de homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dos mortos),

2   E todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia,

3   Graça e paz da parte de Deus Pai e da de nosso Senhor Jesus Cristo,

4   O qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai,

5   Ao qual seja a glória para todo o sempre.  Amém!

 

Os primeiros cinco versículos constituem a saudação, e eles contêm a totalidade do Evangelho. Se não houvesse nenhum outro escrito, teríamos aqui o suficiente para a salvação do mundo. Se estudássemos esta seção reduzida com tal diligência e fervor como se fosse o único texto Santo disponível, nossa fé, esperança e amor seriam infinitamente fortalecidos. Ao ler os versos, tentemos perder de vista os Gálatas, e consideremos essas palavras como a voz de Deus que nos fala direta e pessoalmente por meio do apóstolo.



 

O apostolado - “Apóstolo" significa alguém que é enviado. A confiança de Paulo estava em proporção à autoridade dAquele que o enviou, e dependia da confiança que colocasse nessa autoridade e poder. “Porque o enviado de Deus fala as palavras de Deus" (S. João 3:34). Paulo falou com autoridade, e as palavras eram “ordens” do Senhor (1 Cor. 14:37). Assim, ao ler esta epístola, ou qualquer uma outra na Bíblia, não devemos pensar em peculiaridades e condições pessoais do autor. É verdade que cada escritor conserva sua própria individualidade, uma vez que Deus escolhe diferentes homens para fazer obras diferentes; mas sempre é, e em cada caso, a Palavra de Deus.

 

Uma comissão divina - Não só aos apóstolos, mas a cada um na igreja foi determinada a comissão que fala de acordo com as Palavras de Deus (1 Ped. 4:11). Todos os que estão em Jesus Cristo são novas criaturas, reconciliadas com Deus por meio deste mesmo Jesus; e todos os que foram reconciliados receberam a palavra e o ministério da reconciliação, de forma que são embaixadores de Cristo, como se Deus pedisse aos homens, no nome de Cristo, que se reconciliem com Deus (2 Cor. 5:17-20). Para aqueles que comunicam a mensagem de Deus, isso é uma poderosa salvaguarda contra a depressão e o medo. Os embaixadores dos reinos terrestres têm autoridade proporcional ao poder do rei ou governante a quem representam, e o Cristão representa o Rei dos reis e Senhor dos senhores.



 

Não dos homens - Todo ensino do evangelho descansa sobre a divindade de Cristo. Tão impregnados estavam dessa verdade os apóstolos e profetas que ela aparece por todo lugar em seus escritos. “Cristo é a imagem do Deus invisível” (Col. 1:15). “É o esplendor de sua glória, a mesma imagem de Seu ser real. “(Heb. 1:3). “No princípio era Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (S. João 1:1; ver também 17:5). “Existiu antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem nele” (Col. 1:17).

 

O Pai e o Filho - “De Jesus Cristo e de Deus o Pai que O ressuscitou dos mortos”. O Pai e o Filho aparecem aqui unidos em termos de igualdade. “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). Ambos se sentam no trono (Heb. 1:3; Apoc. 3:21). O conselho de paz será entre ambos (Zac. 6:12 e 13). Jesus foi o Filho de Deus toda sua vida, sendo da semente de Davi de acordo com a carne; mas era para a ressurreição dos mortos, de acordo com o Espírito de santidade, como foi demonstrado seu caráter de Filho (Rom. 1:3 e 4). Esta epístola tem a mesma autoridade que o apostolado de Paulo: dAquele que possui o poder de ressuscitar aos mortos, dAquele que ressuscitou dos mortos.



 

As igrejas da Galácia - Galácia era uma cidade da Ásia menor, chamada assim por ser habitada pelos galos que vieram do território que hoje conhecemos por França. Se estabeleceram por ali pelo terceiro século a.C., dando nome àquela região (Gal-atia). Claro que eles eram pagãos, com uma religião muito parecida com a dos druidas da Inglaterra. Paulo foi o primeiro que lhes pregou a Cristo (Atos 16:6; 18:23). O país da Galácia também inclui Iconio, Listra e Derbe, cidades que Paulo e Barnabé visitaram em sua primeira viagem missionária (Atos 14).

 

“Graça e paz a vós de nosso Pai Deus, e do Senhor Jesus Cristo” - Encontramos perante a Palavra de Deus: significa muito mais que a palavra do homem. O Senhor nunca formula elogios vazios. Sua palavra é criativa, e aqui achamos a forma imperativa ampliada por Deus para crer por meio de sua palavra.



Deus disse: “Haja luz”. E houve luz. E agora, quando pronuncia a frase: “Graça e paz  a vós”, acontece deste modo. Deus enviou graça e paz e trouxe justiça e salvação para todos os homens. Também à você, quem quer que sejas, e à mim. Quando você ler este verso, de maneira nenhuma o tomes como uma forma de cortesia ou de uma simples saudação, mas como a palavra criativa que te traz pessoalmente todas as bênçãos da paz de Deus. Representa para nós a mesma palavra que Jesus pronunciou dirigindo-se àquela mulher: "Seus pecados te são perdoados. Vai-te em paz. “(Luc. 7:48, 50).

Esta graça e paz vêm de Cristo que “se deu a si mesmo por nossos pecados”. “A cada um de nós foi determinada a graça de acordo com a medida do Dom de Cristo” (Efe. 4:7). Mas se trata da “graça de Cristo Jesus” (2 Tim. 2:1). Portanto, podemos ter a segurança de que Cristo mesmo foi dado a cada um. O fato de que o homem vive, é uma evidência de que Cristo tenha sido dado, e que Cristo é a “vida”, e essa “vida” seja a luz dos homens. Essa luz e vida “ilumina todo o homem que vem a este mundo" (João 14:6; 1:4, 9). “Todas as coisas subsistem nele” (Col. 1:17). Desde que “não perdoou nem seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como também não nos dará gratuitamente com ele, todas as coisas?” (Rom. 8:32). “Pois que o seu divino poder nos deu todas as condições necessárias para a vida e para a piedade, mediante o conhecimento daquele que nos chamou pela sua própria glória e virtude” (2 Ped. 1:3).

Em Cristo nos é dado o universo inteiro, e se nos concede toda a plenitude do seu poder para que vençamos o pecado. Deus concede tanto valor a cada alma individualmente, como a toda a Sua criação. Por meio da graça, Cristo provou a morte por todos, de forma que todo o homem no mundo recebeu o “dom inefável” (Heb. 2:9; 2 Cor. 9:15). “Muito mais copiosamente abundantemente se derramou sobre muitos, a graça e o dom, pela graça de um só homem, Jesus Cristo”. O “muitos” significa todos, já que assim como “pelo crime de um veio a condenação para todos os homens, assim também pela justiça de um só, veio a todos os homens a justificação que dá vida” (Rom. 5:15, 18).

Cristo é dado a todo o homem. Então, cada um recebe a totalidade de Cristo. O amor de Deus abrange o mundo inteiro, ao mesmo tempo que chega individualmente a cada pessoa. O amor de uma mãe não é diminuído quando dividido para cada uma de seus filhos, de forma que estes eles não recebem mais que a terça, quarta ou quinta parte dele. Não: cada filho é objeto do amor pleno de sua mãe. Quanto mais será assim com Deus, cujo amor é mais perfeito que o da melhor mãe imaginável! (Isa. 49:15). Cristo é a luz do mundo, o Sol de justiça. Mas a luz que ilumina um homem em nada diminui a que ilumina outros.

Se um quarto é iluminado perfeitamente, cada um de seus ocupantes é beneficiado pela luz existente, tanto como se fosse o único presente naquele lugar. Deste modo, a luz de Cristo ilumina a todo ser humano que vem a este mundo. No coração de todo aquele que acredita, Cristo mora em sua plenitude. Planta uma semente na terra e obterás muito mais sementes e cada uma delas terá tanta vida como daquela a qual procederam. Cristo, a verdadeira Semente, dá a todos a plenitude de sua vida.

 

Cristo nos comprou - Com que freqüência ouvimos pessoas lamentar-se nestes termos: ‘Eu sou tão pecador que o Senhor não me aceitará’. Até mesmo alguns que professaram ser Cristãos durante anos, expressam o desejo tristemente sem cumprir de alcançar a segurança da aceitação de Deus. Mas o Senhor não apresenta razão nenhuma para essas dúvidas. Nossa aceitação já está assegurada para sempre. Cristo nos comprou, e já pagou o preço.



Qual é a razão para que alguém vá à uma loja e compre um artigo? Porque está interessado nele. Se foi pago o preço, depois de ter examinado, de forma que está ciente do que comprou, o vendedor temerá que o comprador não aceite o artigo? Pelo contrário, se retém o produto, o comprador protestará: ‘por que não me entrega aquilo que me pertence?’. A Jesus faz diferença se nos entregamos a Ele ou não. Se interessa com desejo infinito por cada alma que comprou com seu próprio sangue. “O Filho do homem veio buscar e salvar o que tinha se perdido” (Luc. 19:10). Deus nos escolheu antes da criação do mundo, para que fossemos santos e sem culpa ante Ele em amor... para louvar sua graça gloriosa” (Efe. 1:4, 6).

Por que se entregou Cristo a si mesmo pelos nossos pecados? “Para livrar-nos do presente século mau”.

Conta-se que havia certo homem famoso pelo seu temperamento irritável. Se punha bravo freqüentemente, lançando a culpa de tudo aos que o cercavam. De acordo com ele, nenhum deles fazia bem as coisas. Então, decidiu “separar-se do mundo” e transformar-se num ermitão.

Escolheu como casa uma caverna na floresta, longe de qualquer habitante humano. Pela manhã, tomou uma tigela e foi a um arroio prover-se de água para cozinhar. As pedras estavam úmidas e escorregadias pelo crescimento de algas na sua superfície, debaixo do efeito contínuo da água. Ao colocar a tigela debaixo do jato de água do manancial, esta deslizou. Colocou-a novamente e a mesma tornou a deslizar. Por duas ou três vezes voltou a colocá-la, mas tornava a deslizar.

A paciência do ermitão se esgotou, e exclamou bravo: “Verás se páras ou não!” Ergueu a tigela, e assentou-a com tal violência e energia que foi feita em pedaços. Não havia ninguém a quem culpar, exceto ele mesmo, e teve o bom sentido de reconhecer que o que o fazia pecar, não era o mundo exterior que o cercava, mas sim, aquilo que levava em seu interior.

Onde vamos, levamos o mundo (“este presente século mau”) conosco. Nós o levamos em nossos corações, como uma carga pesada e opressiva. Embora queiramos fazer o bem, encontramos que “o mal está em mim” (Rom. 7:21). Sempre está ali “este presente século mau”, até, tomados pelo desespero, clamamos: “Miserável de mim! Quem me livrará este corpo de morte?” (vers. 24).

Até mesmo Jesus enfrentou grandes tentações no deserto, separado de qualquer ser humano. Todas essas coisas nos ensinam que no plano de Deus não há nenhum lugar para a vida de ermitão. O povo de Deus é o sal da terra; e o sal deve misturar-se com o objeto a preservar.

A libertação é nossa. Cristo foi enviado para abrir os olhos dos cegos, tirar do cárcere aos presos, e da prisão aos que estão na escuridão (Isa. 42:7). Em consonância com isso, proclama “liberdade para o cativo, e para os prisioneiros a saída da prisão” (Isa. 61:1). Diz a todos os presos: “Saiam” (Isa. 49:9). É privilégio de cada um dizer: “Oh Senhor, eu sou teu servo, seu criado, filho de tua serva, rompeste minhas prisões” (Sal. 116:16).

É deste modo, acreditemos ou não. Somos os criados do Senhor, ainda se recusamos obstinadamente servi-Lo. Cristo nos comprou; e tendo nos comprado, esmagou toda a atadura que poderia nos impedir de servir-lhe. Se realmente cremos, temos a vitória que vence o mundo (1 João 5:4; João 16:33). A mensagem para nós é que nossa “milícia terminou”, nosso “pecado é perdoado” (Isa. 40:2). 

Me viste perdido e em condenação,
e desde o Calvário me deste perdão;
levaste os espinhos por mim, Senhor; 
por isto com hinos te rendo meu amor.

 

A vontade de Deus - Esta libertação é “conforme a vontade de nosso Deus e Pai”. A vontade de Deus é nossa santificação (1 Tes. 4:3). Sua vontade é que todos os homens sejam salvos e venham ao conhecimento da verdade (1 Tim. 2:4). Ele “tudo faz de acordo com o propósito de sua vontade” (Efe. 1:11). Buscamos ensinar a salvação universal, alguém perguntará? Nós buscamos mostrar que a Palavra de Deus ensina simplesmente que  “a graça de Deus que traz salvação, se manifestou a todos os homens” (Tito 2:11). Deus trouxe a salvação para todos os homens, e deu isto a cada um deles; mas infelizmente, a maioria a rejeita. O juízo revelará o fato de que para cada ser humano foi dada plena salvação, e também que todo perdido o foi por rejeitar deliberadamente o direito de primogenitura que era determinado como possessão.



A vontade de Deus é, portanto, algo a ser desfrutado, e não algo a que suportar. Até mesmo quando implica sofrimento, é para nosso bem, e deve trabalhar em nós “um eterno peso de glória” que supera toda comparação (Rom. 8:28; 2 Cor. 4:17). Podemos dizer com Cristo: “Meu Deus, me deleito em fazer a Tua vontade, e sua lei está em meu coração” Sal. 40:8).

Nisto consiste o conselho de conhecer a vontade de Deus. Consiste na libertação de nossa escravidão do pecado; então, podemos orar com a mais absoluta confiança, e com pleno agradecimento, já que “esta é a confiança que temos nele, que se pedimos algo de acordo com sua vontade, ele nos ouve em qualquer coisa que pedimos, sabemos que temos o que lhe pedimos” (1 João 5:14 e 15).

A Deus seja a glória, por essa libertação! A glória inteira é Sua, reconheça o homem ou não. O dar a glória a Ele não consiste em dar nada, e sim, reconhecer o fato. Damos-lhe glória reconhecendo que todo o poder é dele. ”Reconheceis que o Senhor é Deus. Ele nos fez, e não nós a nós mesmos” (Sal. 100:3).

O poder e a glória estão relacionados, como vemos na oração modelo do Senhor. Quando Jesus, com seu poder, transformou a água em vinho, nos diz que aquele milagre “revelou sua glória” (João 2:11). Deste modo, quando dizemos “ao Senhor seja a glória”, reconhecemos que todo o poder vem dEle. Não nos salvamos a nós mesmos, porque somos “fracos”. Se confessamos que toda a glória pertence a Deus, não cederemos ao espírito de jactância e ostentações.

A proclamação final do “evangelho eterno” que anuncia que é chegada a hora de seu juízo, é expressado deste modo: “Temei a Deus e dai-lhe glória” (Apoc. 14:7). Então, a epístola aos Gálatas que atribui a Deus toda a glória, constitui o estabelecimento do evangelho eterno. É definida uma mensagem durante os últimos dias. Se estudamos isto e damos ouvido, podemos contribuir para acelerar o tempo no qual “a terra estará cheia do conhecimento da glória de Jeová, como as águas cobrem o mar” (Hab. 2:14).

 

6   Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho,



7   O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo.

 8  Mas, ainda que nós mesmos um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.

 9  Assim como já vo-lo dissemos, agora também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.

 

O apóstolo vai sem demora ao tema fundamental. Seu espírito se agita dentro de si, e lançando-se à pena, escreve como somente é capaz de fazê-lo aquele que sente amor pelas almas que estão avançando depressa para a destruição.



Os irmãos de Paulo estavam em perigo mortal, e não havia tempo a perder em elogios. Era necessário abordar o problema de modo tão imediato como fosse possível.

Quem “chamou” aos homens? “Fiel é Deus que os chamou à comunhão com o Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor” (1 Cor. 1:9). “E o Deus de toda a graça que nos chamou à glória eterna em Jesus Cristo...” (1 Ped. 5:10). “Porque a promessa é para vós, para seus filhos, e para todos os que estão distantes, para todos quantos o Senhor, nosso Deus chama” (Atos 2:39). Para os que estão perto e para os que estão distantes: isso inclui todos os habitantes do mundo. Então, Deus chama a todo o homem (porém, nem todos vêm!).

Acaso estava Paulo referindo-se a si mesmo, como se ele fosse quem chamou aos irmãos da igreja de Galácia, e como se pertencesse a ele, de quem se estavam separando? Alguma reflexão nos demonstrará a impossibilidade de tal coisa. O mesmo Paulo disse que a apostasia seria o resultado do trabalho de homens que tentariam arrastar os discípulos após sí (Atos 20:30). Ele, como servo de Cristo, seria o último na terra atraindo as pessoas a si mesmo. Embora Deus use agentes humanos como Paulo, é Deus mesmo quem chama. Nós não somos mais que embaixadores de Cristo. É Deus quem pede por nosso meio, para que os homens se reconciliem com Ele (2 Cor. 5:20). Podem haver muitas bocas, mas uma só é a voz.

 

Separando-se de Deus - Como os irmãos da Galácia estavam separando-se dAquele que os chamou, e desde que é Deus quem chama misericordiosamente aos homens, é evidente que eles estavam abandonando o Senhor. Unir-se ou separar-se de um homem é uma questão relativamente pequena, mas estar unido a Deus é algo de importância vital.



Muitos parecem pensar que se simplesmente são ‘membros em normalizada situação’ nesta ou naquela igreja, podem estar seguros. Mas a única consideração decisiva é: Estou unido ao Senhor, e estou andando na sua verdade? Se a pessoa está unida ao Senhor, achará lugar depressa entre o povo de Deus, já que aqueles que não constituem seu povo, não tolerarão durante muito tempo entre eles um zeloso seguidor de Deus. Quando Barnabé foi para Antioquía, exortou os irmãos a “permanecer com coração firme, unidos ao Senhor” (Atos 11:22 e 23). Era tudo o que fazia falta. Se assim fizermos, encontraremos muito cedo a  cidade que é propriedade de Deus.

Os que estavam abandonando o Senhor, estavam certamente “sem Deus no mundo”, na mesma medida em que estavam se separando dEle. Mas os que estão nesta situação são gentios, ou dizer, pagãos (Efe. 2:11 e 12). Era assim que os irmãos gálatas estavam regressando ao paganismo. Não podia ser de outro modo, já que toda vez que o cristão deixa de ir ao Senhor, cairá na velha vida da qual havia sido salvo. É impossível imaginar uma situação mais desesperadora que estar “sem Deus” neste mundo.

  

"Outro evangelho” - Como pôde abrir caminho “outro evangelho”? O verdadeiro evangelho “é poder de Deus para salvação a todo o que crê” (Rom. 1:16). Deus mesmo é o poder, e abandoná-lo significa abandonar o evangelho de Cristo.



Para que algo possa passar por “evangelho”, têm que prometer salvação. Se não oferece mais que morte, nunca poderá ser identificado com “evangelho” que significa “boas novas”, ou “alegres novas”. Uma promessa de morte nunca se ajustaria a este conceito. De forma que para uma falsa doutrina passar por evangelho, tem que buscar ser o caminho de vida. De outro  modo não pode enganar ninguém. Os gálatas estava sendo seduzidos a apartar-se de Deus, para algo que lhes prometia vida e salvação, mas por meio de outro poder, diferente do que vem de Deus. Aquele outro evangelho não era mais que um evangelho de homens. Uma falsa coisa é o aparecimento de algo que de fato não existe. Uma máscara não é um ser humano. Deste modo, aquele outro evangelho para o qual os gálatas estavam sendo seduzidos não era mais que um evangelho pervertido: uma falsificação, um engano. Não tinha nada a ver com o evangelho autêntico.

Pense na pergunta: Qual é o evangelho autêntico? É o que Paulo pregou, ou o que os oponentes dele pregaram?

Tão certamente como Jesus Cristo é para nós o poder de Deus, e não há outro nome debaixo do céu em que possamos ser salvos, não há mais que um único e autentico evangelho. É o que Paulo pregou aos gálatas, e também aos coríntios: o evangelho de “Jesus Cristo, e... este crucificado”, o mesmo que pregaram Enoque, Noé, Abraão, Moisés e Isaías. “A estes dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome” (Atos 10:43). Se um homem, ou mesmo um anjo do céu, pregar o oposto do que Paulo e os profetas ensinaram, se estaria colocando a si mesmo debaixo da condenação. Não há duas normas para o bem e o mal. O que traria hoje condenação é a mesma coisa que teria trazido isto cinco mil anos atrás. O plano da salvação é exatamente o mesmo em todo o tempo. O evangelho dado a Abraão (Gál. 3:8) era genuíno, e foi assistido por anjos. Os profetas do passado pregaram o mesmo evangelho (1 Ped. 1:11 e 12). Se o evangelho que pregaram foi outro evangelho diferente do que Paulo pregou, até eles teriam sido “condenados”.

Mas, por que é merecedor de condenação o que prega outro evangelho? Porque é o modo de dirigir outros à condenação, levando-os a confiar na salvação em algo falso. Considerando que os gálatas estavam se separando de Deus, estavam pondo a certeza de serem salvos no poder que supostamente tem o homem. Mas nenhum homem pode salvar a outro (Sal. 49:7 e 8). E “maldito o homem que confia no homem, e que se apoia  na carne, e seu coração se aparta do Eterno” (Jer. 17:5). O que traz maldição certamente torna-se maldito ele mesmo.

“Maldito o que desvie o cego do caminho” (Deut. 27:18). Se maldito é o que desvia o que é fisicamente privado da visão, quanto mais certo será de quem leva  outro à ruína eterna! Enganar as pessoas com uma falsa salvação; poderia haver algo pior? É induzir que outros construam sua casa sobre um abismo sem fundo.

 

Um anjo do céu - Mas é talvez possível que “um anjo do céu” possa pregar outra coisa que não seja o verdadeiro evangelho? Certamente, embora não se trate de um anjo que tenha descido recentemente do céu. ”E não é de estranhar, porque o mesmo Satanás se mascara em anjo de luz. Deste modo, não é muito se os ministros também se mascaram em ministros de justiça” (2 Cor. 11:14 e 15). Refere-se aos que aparecem dizendo ser os espíritos dos mortos, e que buscam trazer mensagens do além. Estes, invariavelmente pregam “outro evangelho” diferente ao de Jesus Cristo. Guarda-te deles. “Amados, não creais a todo o espírito, mas provai se são de Deus” (1 João 4:1). "A  Lei e ao Testemunho! Se não falam de acordo com isto, é porque não verão o amanhecer” (Isa. 8:20). Ninguém que possua a Palavra de Deus necessita ser enganado. De fato, é impossível que o seja,  enquanto agarra-se à Palavra.



 

10    Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo.

 

Nos primeiros três séculos, a igreja foi fermentada pelo paganismo, e apesar das reformas, ainda persiste muito dele. Tal foi o resultado de tentar “agradar os homens”. Os bispos pensaram que poderiam ganhar influência entre os pagãos (que reduzem a elevada norma de alguns princípios do evangelho) e assim fizeram. O resultado foi a corrupção da igreja.



O amor ao eu sempre está no fundo dos esforços de agradar os homens. Os bispos quiseram (talvez muitas vezes sem dar-se conta disto) atrair os discípulos ao redor de si (Atos 20:30). Comprometiam e pervertiam a verdade para ganhar o favor de pessoas.

Aconteceu deste modo em Galácia. Os homens estavam pervertendo o evangelho. Mas Paulo procurava agradar a Deus, e não aos homens. Ele era o servo de Deus, e somente a Ele tinha de agradar. Este princípio é efetivo em todo ramo de serviço. Os trabalhadores que tentam agradar os homens nunca serão bons trabalhadores já que trabalham bem somente quando sua obra pode ser vista, e minimizarão todo o trabalho que deve ser objeto de avaliação. Paulo exorta nestas condições: “Criados, obedecei em tudo a seus mestres terrestres, não para ser visto, como os que desejam agradar os homens, mas com sinceridade de coração, por respeito a Deus. E tudo o que fizeres, façais de coração, como para o Senhor, e não para os homens” (Col. 3:22-24).

Há uma tendência em suavizar a extremidade da verdade para não perder o favor de alguém poderoso ou influente. Quantos não sufocaram a convicção, por temer perder dinheiro ou posição! Que todos se lembrem: “Se ainda tentasse agradar os homens, não seria servos de Cristo”. Mas isso não significa que devemos ser rudes ou descorteses. Não significa que temos que causar a alguém uma ofensa desnecessária. Deus é amável com os desagradecidos e incrédulos. Devemos ser ganhadores de almas, assim nós temos que manifestar um humor premiado. Nós temos que demonstrar as subjugadoras qualidades dAquele que é todo amor, do Crucificado.

 

11  Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens.



12  Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo.

 

O evangelho é divino, não humano. No primeiro verso diz o apóstolo que não foi enviado por homens, e que não tem desejo de agradar a eles, mas a Cristo. Está claro que a mensagem que trouxeram veio inteiramente do céu. Por nascimento e por educação era contrário ao evangelho, e quando se converteu, mediou uma voz que veio do céu. O Senhor mesmo apareceu no caminho, enquanto respirava ameaças e morte contra os santos de Deus (Atos 9:1-22).



Não há duas pessoas cujas experiência na conversão seja idêntica. Porém, os princípios gerais sempre são os mesmos. Como Paulo, devem ser convertidos. Poucos terão uma experiência surpreendente como a dele; mas se é genuína, será uma revelação do céu tão certamente quanto foi a de Paulo. “Todos seus filhos serão ensinadas pelo Eterno” (Isa. 54:13). “Todos serão ensinados por Deus. Deste modo, todo o que ouve, e aprende do Pai, venha à mim” (João 6:45). “A unção que recebestes dele, permaneça em vós, e não necessitais que ninguém vos ensine” (1 João 2:27).

Mas, não vamos supor por isso que na comunicação do evangelho seja demais o agente humano. Deus pôs na igreja apóstolos, profetas, os professores e outros (1 Cor. 12:28). É o Espírito de Deus que trabalha em todos eles. Não importa por meio de quem a pessoa ouviu a verdade pela primeira vez, deve receber isto como vindo diretamente do céu. O Espírito Santo qualifica os que querem fazer a vontade de Deus de forma que eles reconheçam a verdade, assim que vejam ou ouçam; e estes aceitarão e não se apoiarão na autoridade da pessoa que a apresentou, mas na autoridade de Deus realmente. Podemos estar tão seguros da verdade que sustentamos e ensinamos, como esteve o apóstolo Paulo.

Mas quando alguém menciona o nome de algum erudito tido em grande estima, para justificar uma crença ou dar mais peso ante outro ou outros a quem busca convencer, pode estar seguro que não sabe a verdade que professa. Pode ser verdade, mas não conhece por si mesmo o que é verdadeira. Porém, é privilégio de todos o conhecê-la (João 8:31 e 32). Quando a pessoa mantém uma verdade que vem diretamente de Deus, dez mil vezes dez mil grandes nomes a favor dela, não somariam o peso de uma pena para sua autoridade; como nem isto diminuiria o mínimo que fosse em oposição a todos os grandes homens da terra.

 

A revelação de Jesus Cristo - Observe que a mensagem de Paulo não é simplesmente uma revelação que vem de Jesus Cristo, mas sim a “revelação de Jesus Cristo”. Não se trata simplesmente de que Cristo comunicou algo à Paulo, mas sim de que Ele se revelou a si mesmo ao apóstolo. O mistério do evangelho é Cristo no crente, a esperança de glória (Col. 1:25-27). Somente assim pode ser conhecida, e ser dada a conhecer, a verdade de Deus. Cristo não fica longe, sendo limitado para enunciar princípios de certa forma que nós o sigamos, mas basta Ele mesmo influenciar-nos, toma possessão de nós na medida que nos submetemos à Ele, manifestando a vida Dele em nossa carne mortal. Sem a fragrância de Sua presença, não pode haver pregação do evangelho. Jesus foi revelado em Paulo de forma que poderia pregá-lo entre os pagãos. Não iria pregar sobre Cristo, mas a Cristo mesmo. ”Porque não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo o Senhor” (2 Cor. 4:5).



Deus anela intensamente revelar Cristo em todo o homem. Lemos sobre homens “que suprimem a verdade com sua injustiça”. E que “o que se pode conhecer de Deus, é revelado a eles... seu eterno poder e Divindade... de forma que não têm desculpa” (Rom. 1:18-20). Cristo é a verdade (João 14:6) e também o poder de Deus (1 Cor. 1:24); ele é Deus (João 1:1). Então, o Cristo mesmo é a verdade que os homens suprimem. Ele é a palavra Divina de Deus dada a todos os homens, de forma que eles podem cumpri-la (Deut. 30:14; Rom. 10:6-8).

Mas em muitos, Cristo é tão “suprimido”, que é difícil reconhecê-lo. O fato de que eles vivem é prova que Cristo quer salvá-los, mas é forçado a esperar pacientemente o momento em que recebam a Palavra, de forma que a vida perfeita de Cristo se manifeste neles.

Isso pode acontecer a todo aquele que assim O queira, agora, não importa quão degradado e pecaminoso seja. Permita a Deus fazer isto; então toda a resistência cessará.

 

13  Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conduta no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava.



14  E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais.

15  Mas quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça,

16  Revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei nem a carne nem o sangue,

17  Nem tornei a Jerusalém, a Ter com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco.

 

Por que Paulo perseguiu deste modo a igreja e tentou destruí-la? Ele mesmo nos informa: simplesmente, porque era zeloso das tradições de seus pais! Ante Agripa, declarou: “Acreditei que era meu dever fazer muitas coisas contra o Nome de Jesus de Nazaré. O que também fiz em Jerusalém. Com a autoridade recebida os principais sacerdotes, encarcerei muitos dos santos; e quando foram mortos, dei meu voto. E muitas vezes, castigando-os por todas as sinagogas, os forcei a blasfemar; e sobremaneira enfurecido contra eles, procurei-os até nas cidades estrangeiras” Atos 26:9-11.



Manifestando aquele zelo insensato pelas tradições de seus pais, Paulo pensava que era “zeloso de Deus” (Atos 22:3).

Parece incrível que alguém que professava pregar ao verdadeiro Deus pudesse abrigar idéias tão falsas sobre Ele como supor que O agradava um serviço assim; porém, aquele perseguidor amargo e implacável dos Cristãos poderia dizer anos depois: “Eu com toda a boa consciência me comportei perante Deus até ao dia de hoje” (Atos 23:1). Embora tentando sufocar a convicção crescente que sobre ele se formava ao testemunhar a paciência dos cristãos e quando ouvia seus testemunhos em favor da verdade,  às portas da morte, de fato Saulo não estava sufocando sua consciência voluntariamente. Pelo contrário, estava fazendo um esforço para preservar uma consciência impecável!

Tão profundamente tinha inculcadas as tradições farisaicas que estava seguro que aquelas convicções eram malévolas e deveriam ser sugeridas por um espírito ruim, contra o que tinha o dever de lutar. Daquele modo, as convicções do Espírito de Deus, durante algum tempo, não fizeram mais que dobrar seu zelo contra os cristãos. Se alguma pessoa carecia de palavras favoráveis para simpatizar com os cristãos, era Saulo, o fariseu cheio de justiça própria. Verdadeiramente era um jovem excelente, a quem os líderes judeus olhavam com orgulho e expectativa, confiando que contribuiria em grande parte à restauração da velha grandeza da nação e religião judia. Do ponto de vista do mundo, ante Saulo apresentava-se um futuro promissor. Porém, o que era lucro para ele, considerou perda por amor de Cristo, por quem tudo perdeu (Fil. 3:7 e 8).

Mas o Judaísmo não era a religião de Deus nem a de Cristo. Era tradição humana. Muitos cometem um erro enorme ao considerar o Judaísmo a religião do Antigo Testamento. O Antigo Testamento ensina tanto Judaísmo quanto o Romanismo ensina o Novo. A religião do Antigo Testamento é a religião de Jesus Cristo.

Quando Paulo pertencia ao Judaísmo, de fato ele não acreditou no Antigo Testamento que lia e ouvia diariamente, pois não o entendia. Doutra forma, teria acreditado prontamente em Cristo. ”Porque os habitantes de Jerusalém e seus governantes, ignorando Jesus, e as palavras dos profetas que são lidas todos os sábados, as cumpriram ao condená-Lo (Atos 13:27).

As tradições dos pais os levaram a transgredir os mandamentos de Deus (Mat. 15:3). Deus declarou ao povo judeu: “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. Em vão me honram, pois o que ensinam são mandamentos de homens” (Mat. 15:8 e 9). Mas Jesus não teve palavra alguma de condenação que dirigir contra Moisés ou aos seus escritos. Disse aos judeus: “Se acreditassem em Moisés, acreditariam em mim; porque ele escreveu de mim” (João 5:46). Tudo aquilo que os escribas leram e ordenaram a partir dos escritos, era necessário seguir, mas não o exemplo que deram, pois não obedeceram as Escrituras. “Na cadeira de Moisés, estão assentados os escribas e fariseus. Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam” (Mat. 23:2 e 3). Cristo acrescentou: “Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los“ (vers. 4).

Não se tratava dos mandamentos de Deus, já que “seus mandamentos  não são pesados” (1 João 5:3). Tampouco eram cargas impostas por Cristo, pois ele diz: “minha carga é leve” (Mat. 11:30). Os mestres judaizantes não estavam apresentando aos novos convertidos a Bíblia, nem parte alguma dela, nem estavam tentando os levar a seguir as Escrituras ditadas por Moisés. Ao contrário, estavam levando-os para longe da Bíblia, e estavam substituindo os ensinos dela por mandamentos de homens. Isto foi o que indignou a Paulo. A religião dos judeus era algo completamente diferente à religião de Deus, tal como ensina a lei,  os profetas e os salmos.

Em seu caminho para Damasco, “ainda respirando ameaças de morte”, Saulo tinha autorização para capturar e encarcerar todos os cristãos, homens e mulheres, quando foi detido subitamente, não por mãos humanas, mas pela excelsa glória do Senhor. Três dias depois o Senhor disse a Ananías, ao enviá-lo para que devolvesse a visão a Paulo: “Vê, porque este homem é um instrumento escolhido por mim, para levar meu Nome aos pagãos, para os reis e ao povo de Israel” (Atos 9:15).

Desde quando Saulo tinha sido escolhido para ser mensageiro do Senhor? Ele mesmo nos diz: “Desde o seio de minha mãe”. Paulo não é o primeiro de quem nós sabemos ter estado separado desde o nascimento para o trabalho de sua vida. Recordemos o caso de Sansão (Juízes 13). João Batista foi escolhido, e seu caráter e obra tinham sido descritos antes do nascimento. O Senhor disse a Jeremias: “Antes de seres formado eu te conheci, e antes que nascesses te separei, e o designei para profeta entre as nações” (Jer. 1:5). Ciro, o rei pagão, foi chamado pelo nome mais de cem anos antes de nascer, e foi feito saber sobre seu papel no trabalho de Deus (Isa. 44:28; 45:1-4).

Não são casos isolados. Assim como os Tessalonicenses, todo ser humano pode ter a segurança de que “Deus o escolheu desde o princípio para salvação, por meio da obra santificadora do Espírito e a fé na verdade” (2 Tes. 2:13). A cada um corresponde confirmar esta vocação e eleição. Aquele “que quer que todos os homens sejam salvos e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tim. 2:4), também recomendou o próprio trabalho para cada um (Mar. 13:34). Deste modo, aquele que tem ciência de que até a criação inanimada dá testemunho, espera que o homem – a obra-prima de sua criação na terra – lhe renda voluntariamente este testemunho, tal como somente a inteligência humana pode fazê-lo.

Todo homem foi escolhido para testificar de Deus; a todos é designada essa tarefa. Ao longo da vida, o Espírito combate com todo o homem para induzi-lo ao  trabalho para o qual Deus o chamou. Somente o dia do juízo revelará as oportunidades maravilhosas que os homens desperdiçaram temerariamente. Saulo, o violento perseguidor, veio a ser apóstolo poderoso. Quem pode imaginar todo o bem  que poderiam fazer outros homens cujo grande poder sobre seus semelhantes se tem exercido somente para o mal, se eles também houvessem se submetido a influência do Espírito Santo? Nem todos podem ser Paulo; mas a verdade que cada um, de acordo com a capacidade que Deus lhe deu, foi escolhido e chamado por Deus para testemunhar em seu favor, dará um significado novo à vida.

Que pensamento tão maravilhoso, alegre e ao mesmo tempo solene, que a todos os seres humanos que vemos ao nosso redor, Deus recomendou um trabalho peculiar! São todos servos do Deus Todo Poderoso, sendo nomeado a cada um seu próprio serviço. Deveríamos ser extremamente cuidadosos em não bloquear qualquer pessoa no mínimo que seja, no desempenho de seu trabalho divinamente designado.

Desde que é Deus quem nomeia cada pessoa no trabalho de sua obra, cada um deveria receber os Mandamentos de Deus, e não dos homens. Porque deveríamos ser mais que cautelosos com qualquer pessoa, com relação ao seu dever. O Senhor pode expor o dever deles, tão claramente quanto nós, para eles; e se eles não O ouvem, dificilmente nos ouvirão, até mesmo a quem pudéssemos dirigir ao caminho correto. ”Não pertence ao homem determinar seu caminho” (Jer. 10:23). quanto menos determinar o caminho dos outros!

 

Combatendo com carne e sangue - Paulo foi para Jerusalém somente três anos depois de sua conversão. Permaneceu quinze dias lá, e viu apenas dois dos apóstolos. Os irmãos estavam assustados por sua causa, e recusavam acreditar que fosse realmente um discípulo. É, então, evidente que Paulo não recebeu o evangelho por qualquer homem.



É necessário aprender sobre o fato de que Paulo não combateu com carne e sangue. Para falar a verdade, não tinha necessidade disto, porque teve a palavra do próprio Senhor. Mas um proceder tal é absolutamente incomum. É mais comum que alguém leia algo na Bíblia, e imediatamente peça a opinião de outro homem, antes de ousar acreditar. Se nenhum dos amigos acredita, então teme aceitar. Se o pastor, ou certo comentário, explicam o texto de um certo modo, se prendem a ele. Se dá crédito à “carne e sangue”, mais que para o Espírito e a Palavra.

Pode acontecer que o mandamento esteja tão claro que não exista desculpa razoável para ir à procura de seu significado. A pergunta, então, simplesmente é: 'Eu posso me permitir aceitar isso? Não me custará um sacrifício muito grande?'. A “carne e sangue” mais perigosa com que a pessoa pode combater, é a própria. Não é bastante o ser independente de outros; em matéria de verdade deve manter-se independente de si mesmo. “Confia em Jeová com todo teu coração, e não te apoies em tua própria sabedoria” (Prov. 3:5).

Um papa é alguém que busca ocupar – no conselho –, o lugar que por direito só corresponde a Deus. Aquele que se tem eleito papa – ao seguir seu próprio conselho –, é tão reprovável como o que dita a outro; e é mais fácil que se perca, que aquele que segue a outro papa diferente de si mesmo. Se tratasse de se seguir a um papa, seria mais sensato aceitar o de Roma, por possuir mais experiência no papado que qualquer outro. Agora então, nenhum deles é necessário, pois temos a Palavra de Deus. Quando Deus fala, a única coisa razoável é obedecer sem esperar outro conselho, nem mesmo o que vem do próprio coração. O nome do Senhor é “Conselheiro” (Isaías 9:6), e Ele é “maravilhoso” aconselhando. Ouça-O!

 

Em seguida - Não havia tempo a perder. Ao perseguir a igreja, Paulo acreditava estar servindo a Deus, e no momento que compreendeu o erro, retificou. Ao ver a Jesus Cristo de Nazaré, reconheceu como seu Senhor, e clamou imediatamente: “Senhor, que queres que faça?”. Estava disposto a iniciar o trabalho sem demora, e do modo correto. A atitude  corresponde ao descrito pelo Salmo 119:60 verdadeiramente: “Me apresso a guardar teus mandamentos”. “Pelo caminho de teus mandamentos correrei, porque aumentaste meu coração” (Vers. 32).



Paulo diz que Cristo se revelou nele para que pudesse pregar entre os gentios, ou dizer, os pagãos. Em I Coríntios 12:2 lemos: “Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos”. Observe que os coríntios tinham sido “gentios”, mas deixaram de ser ao tornarem-se cristãos!

"Simão contou como Deus interveio para oferecer entre os pagãos um povo para seu Nome” (Atos 15:14), e Tiago se referiu aos crentes em Antioquía e seus arredores, como “os pagãos que se converteram a Deus” (Vers. 19). O povo de Deus é tomado dentre os gentios, mas uma vez que tenham sido tomados, deixam de ser gentios. Abraão, o pai de Israel, foi levado dentre os pagãos (Josué 24:2), do mesmo modo que Israel é levado de entre os pagãos. É desse modo que “todo Israel será salvo” ao entrar a plenitude dos pagãos (Rom. 11:25 e 26).

No Salmo 2:1-3, lemos: “Por que se revoltam as nações, e os povos imaginam coisas vãs? Se levantam os reis da terra, e os príncipes junto se consultam contra o Eterno e contra o seu Ungido, dizendo: Deixe-nos quebrar os laços, livremo-nos de suas cordas!”. Com que freqüência vemos cumprida a Escritura em certas pessoas que exclamam com ar vitorioso: 'Me mostre algum lugar em que é ordenado aos pagãos que guardem os Mandamentos!', insinuando que eles são gentios, e que então, estão isentos da lei de Deus. Mas colocando-se como pagãos (gentios), não estão se colocando em qualquer classe precisamente honrada.

É certo que aos pagãos não lhes era ordenado guardar os mandamentos, pagãos como tal, já que isso seria impossível: tão logo aceitem a Cristo, e a lei do Espírito de vida nEle, deixarão de ser pagãos. O grande desejo que Deus tem de salvar os pagãos de seu estado, trazendo-os a Ele, está demonstrado claramente pelo mesmo ministério de Paulo (por não dizer nada de Cristo).

O Senhor estava tão desejoso da conversão dos gentios há três mil anos atrás, como está hoje. Pregou-lhes o evangelho antes da primeira vinda de Cristo, tanto quanto depois dela. O Senhor foi dado a conhecer a todas as nações por meio de muitas e diferentes formas. Jeremias foi eleito especialmente como o profeta dos pagãos. “Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei: às nações te dei por profeta” (Jer. 1:5). A palavra hebraica que se traduz por ”nações” é a que ordinariamente se traduz por ”pagãos”. Ninguém imagine que Deus limitou sua verdade a qualquer povo, judeu ou pagão. “Não há diferença entre judeu e grego; já que um mesmo é Senhor de todos, e é generoso com todos os que o invocam” (Rom. 10:12).

 

A pregação do novo converso - Assim que Paulo se converteu, “em seguida começou a pregar nas sinagogas a Jesus” (Atos 9:20). Não é surpreendente que durante a noite pôde pregar tão poderosamente? Verdadeiramente, já é algo maravilhoso que alguém possa pregar a Cristo. Mas não é necessário supor que Paulo obteve o conhecimento dele de um modo instantâneo, sem estudo algum. Lembre-se de que Paulo tinha estudado as Escritas diligentemente durante toda sua vida. Paulo que estava mais avançado que qualquer outro em seus dias, estava tão familiarizado com as palavras da Bíblia como está o primeiro da classe com a tabuada. Mas a mente  tinha sido encoberta pelas tradições dos pais que lhe tinham simultaneamente sido inculcadas. A cegueira que sobreveio ao ser cercado daquela luz ofuscante no caminho de Damasco, não era mais que uma representação da cegueira de sua mente; e as escamas que caíram dos olhos, antes da mensagem de Ananias, indicavam que se fazia nele a luz da palavra, desaparecendo a escuridão da tradição.



Desde que a pregação constituiu o núcleo de sua atividade incessante, podemos estar seguros que não deveriam dedicar a totalidade de meses passados na Arábia ao estudo e a contemplação. Havia sido um perseguidor tão implacável, e tanto da graça tinha recebido, que contava como perdido todo o tempo durante o qual não havia podido revelar a graça a outros, sendo este seu sentir: “Ai de mim, se não anunciasse o evangelho!” (1 Cor. 9:16). Pregou nas sinagogas – em Damasco –, assim que se converteu, antes de ir para a Arábia. Então, é lógico concluir que pregou o evangelho para os árabes. Lá poderia pregar sem ser importunado pela oposição que sempre teve que enfrentar quando estava entre os judeus; então, os obras  na pregação não deveriam interferir significativamente na meditação sobre o novo mundo que ante ele se abria.

 

18  Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver Pedro, e fiquei com ele quinze dias;



19  E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor.

20    Ora, acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto.

21  Depois fui para as regiões da Síria e da Cilícia.

22  E não era conhecido de vista das igrejas da Judéia, que estavam em Cristo;

23  Mas somente tinham ouvido dizer: Aquele que já nos perseguiu anuncia agora a fé que antes destruía.

24  E glorificavam a Deus a respeito de mim.

 

Nunca tenhas por incorrigível um oponente do evangelho. É necessário instruir com mansidão aos que se opõem, pois quem sabe se Deus lhes dará arrependimento para o conhecimento da verdade?



Se poderia dizer muito bem de Paulo: ‘Teve a luz com tanta claridade quanto qualquer outro. Foi-lhe dado toda a oportunidade; não só ouviu o testemunho inspirado de Estevão, mas também as confissões de muitos mártires nos últimos momentos da vida. É inútil esperar qualquer coisa boa dele’. Porém, aquele mesmo Paulo veio a ser o maior pregador do evangelho. Tal qual perseguidor sangrento fora antes.

Há algum oponente mau contra a verdade? Você não o combate, nem lhe reprova. Deixe que ele mantenha para si toda amargura e inimizade, enquanto você se agarra à Palavra de Deus e à oração. Pode estar muito próximo o momento em que Deus, que agora é blasfemado, resulte nele glorificado.

 

Glorificando a Deus - Quão diferente do caso de Paulo foi o daqueles a quem foi dito: “o Nome de Deus é blasfemado entre os pagãos, por vossa causa” (Rom. 2:24). Todo aquele que faz profissão de seguir a Deus, deve ser um meio de glorificar Seu nome; no entanto, muitos fazem que seja blasfemado. Como podemos fazer que Seu nome seja glorificado? ”Deste modo alumie sua luz ante os homens, de forma que vejam suas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai que está no céu” (Mat. 5:16).


Capítulo 2



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