Edições para Portugal e Moçambique (capas do autor)



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Edições para Portugal

e Moçambique (capas do autor)

http://mz.textoeditores.com/livraria/artigo.jsp?art_id=76029



Na foto :

Moçambique – Maputo: 14 de Março de 2003 – IC

Apresentação do Livro, Moçambique, Feitiços, Cobras e



Lagartos – crónicas romanceadas.

Da esquerda para a direita: -O Adido Cultural e Embaixador

de Portugal em Moçambique, Vice – Ministro da Cultura de

Moçambique Luís Covane (apresentador do Livro), Dona Edite

da Minerva Central e o autor João Craveirinha.

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O Dr. Luís COVANE é Historiador e o actual vice – Ministro da Educação e Cultura de Moçambique. Em 14 de Março de 2003 fez a (re) apresentação de um livro de João CRAVEIRINHA… no Instituto Camões, em Maputo por ocasião do 95º aniversário da 1ª Livraria portuguesa na África Austral. Contou com a presença do Embaixador e do Adido Cultural de Portugal em Moçambique. http://www.instituto-camoes.pt/encarte/encarte59i.htm

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O título reflecte o tom irónico com que o autor define a realidade sociopolítica (e económica) em Moçambique e no seu relacionamento com a História e o Mundo, em particular com Portugal, obviamente.

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Moçambique: Feitiços, Cobras e Lagartos! Crónicas romanceadas

Apresentação do Livro do Sr. João Craveirinha
por: LUÍS COVANE
É para mim uma grande honra e privilégio proceder à apresentação deste livro, embora seja pela 2ª vez, uma vez que tive a oportunidade de assistir ao 1º lançamento onde uma personalidade das letras moçambicanas fez uma sábia e eloquente apresentação desta obra, intitulada: “Moçambique: Feitiços, Cobras e Lagartos! Crónicas Romanceadas.”

Este lançamento, integra-se nas celebrações do 95º aniversário da Minerva Central, casa que ao longo de quase um século, acarinhou os estudantes, professores, estudiosos e amantes da leitura em Moçambique. Aproveito esta oportunidade para felicitar a Minerva Central pelo seu aniversário e formular votos para que continue a prestar a sua valiosa contribuição na luta pela elevação do nível sócio-cultural e cientifico dos moçambicanos através da disponibilização do livro.


João Craveirinha é um investigador, escritor, amante da história e cultura moçambicanas que dispensa apresentação. A modesta biografia que nos é apresentada na obra, permite visualizar a grandeza do homem, do investigador e incansável trabalhador na busca do esclarecimento do passado, do presente e dos desafios da sociedade moçambicana.

O livro de João Craveirinha é muito especial. A sua leitura não é cansativa. Não é preciso ler todo o livro para compreender a história; cada texto é uma história completa e sem qualquer tipo de ligação com o anterior ou o seguinte. A história da sua produção justifica a sua natureza. Este livro é uma brilhante colectânea de textos.

A obra é composta por vinte e quatro textos, sendo dez dos quais caracterizados por uma grande componente de história e etno-história e os restantes por aspectos sócio-culturais e económicos que marcaram e marcam a sociedade moçambicana.

As partes que tratam da história ou etno-história confirmam que João é um profundo conhecedor dos arquivos, dos documentos e escritas sobre o passado longínquo e recente de Moçambique.

A maneira como ele aborda algumas peças da história pré-colonial de Moçambique, principalmente sobre os processos ocorridos na 2ª metade do sec. XIX, lança sérios desafios aos historiadores e estudiosos moçambicanos. Para os que terão a oportunidade de ler este livro, chamo à atenção para as dificuldades de conferência ou verificação das fontes consultadas, resultante da opção que ele tomou de explicitar algumas e deixar a maioria na penumbra. A decisão de não revelar todas as fontes parece um convite para a pesquisa. É um convite para visitarmos os acervos documentais do Arquivo Histórico de Moçambique, do Instituto de Investigação Sócio-cultural (ARPAC) e outros. Confesso que a quantidade de dados é impressionante. Nomes, datas, locais e episódios emprestam às partes históricas da obra um rigor discursivo de qualidade invejável.

A obra de João Craveirinha ofereceu detalhes inéditos sobre o crescimento da cidade de Maputo. É impressionante o tratamento dos conflitos entre os portugueses e os reinos e as chefaturas vizinhas da Baía, bem como as guerras entre o Estado de Gaza e as formações políticas do sul e centro de Moçambique. A origem e o desenvolvimento dos bairros da Mafalala, Chamanculo e Munhuana nos são historiados de uma maneira igualmente bastante detalhada. Temos informações muito interessantes sobre os conflitos luso-britânicos pela posse de Lourenço Marques que culminaram com a arbitragem do Presidente Mac-Mahon em 24 de Julho de 1875 a favor dos portugueses.

Quero manifestar a minha concordância com o autor quando cita o Prof. Dr. Tito Lívio “A história é uma reconstituição da realidade que contém mais que a realidade, o que não está nos documentos: a contribuição do espírito”. Acredito que muitos dos que tem trabalhado na arte da escrita da história reconhecem que no penoso processo cognitivo as divergências entre os historiadores não surgem na identificação e categorização dos factos históricos, mas exactamente na sua interpretação. É na construção do discurso histórico que os elementos subjectivos, como muito sabiamente reconhece o autor, ao citar o Prof. Lívio, onde surgem os posicionamentos, os objectivos e as motivações dos sujeitos do conhecimento. Isto significa que por mais profundo que seja o conhecimento ele nunca é igual ao objecto do conhecimento. O conhecimento é, sim, produto da interacção entre o sujeito e o objecto do conhecimento.

Com João Craveirinha encontramos fundamentação suficiente para dizermos que a história não é igual ao passado. Temos elementos para dizermos que o elemento subjectivo é incontornável na produção de textos históricos. Sentimos em cada parágrafo dos seus textos que o historiador é um ser social que vive intensamente o seu tempo e o seu meio social, que o influenciam sobremaneira.

O historiador escreve para audiências bem definidas. O texto histórico visa influenciar e/ou moldar atitudes, comportamentos no presente e na previsão do futuro. João Craveirinha está muito presente nesta obra como um homem e como agente activo na luta pela transformação da sociedade em que vive. Não me parece relevante discutir as convicções e opiniões do homem João Craveirinha aqui expressas. O importante é a sua contribuição que nos permite revisitar o passado recente e remoto da nossa sociedade.

O desejo de moldar atitudes e comportamentos, principalmente de amor à pátria, justifica que governos e instituições canalizem recursos para a investigação e ensino da história. Programas de história são concebidos para que o cidadão, desde a sua tenra idade, se apetreche não só de conhecimentos dos factos do passado, mas essencialmente para desenvolver o espírito patriótico e de pertença a um povo com tradições e valores que o tornam diferente dos outros. A história tem um papel a desempenhar na afirmação de uma sociedade e de um povo. No nosso caso, a história oferece os alicerces da moçambicanidade.

É muito interessante a citação extraída de uma publicação colonial referente à posição de Manicusse em relação ao comércio dos escravos: Aquele que vende seu semelhante merece com justiça ser perseguido e caçado mais do que os leopardos e leões...”. Esta declaração do 1º Imperador de Gaza ajuda a esclarecer a natureza dos poderes africanos antes da conquista colonial e permite fazer uma avaliação diferenciada dos interesses e fontes do poder. Ficamos a saber que nem todos os aristocratas africanos viam no comércio de escravos uma forma importante de acumulação de riqueza e de reforço do seu poder e prestígio. Aprendemos igualmente que a justificação dos europeus para a prática do comércio de escravos não era por razões humanitárias. Os ideólogos europeus da última fase do capital mercantil em África sustentavam que a transformação do homem em mercadoria era para salvar os cativos das infinitas guerras sangrentas que caracterizavam a África Negra. Agora ficamos a saber que era mentira! Eram os europeus que instigavam as guerras intra e inter estados, reinos e chefaturas como forma de produção de escravos.

É impressionante como o autor diagnostica o estado de saúde da capital do país e propõe alternativas para se sair da crise. O autor regista nesta obra seis espaços que poderiam ser eleitos para acolher a capital do país: Gurué, Morrumbala, Nampula, Nacala, Ilha de Moçambique e Lichinga. É uma opinião! Ele identifica as cidades que já foram capitais de Moçambique e discute, alguns exemplos de países cujas capitais não são cidades costeiras nem portuárias.

Uma coisa que João Craveirinha não esgota é porque é que muitas pessoas falam sempre mal da capital, mas que ninguém a quer abandonar. Nesta obra ele faz desfilar as mulatas Safirana de Chamanculo, Saira da Matola 700, Gabriela da Mafalala e a sogra para nos mostrar os perigos da degradação do tecido social em Maputo. Nesta viagem somos obrigados a fazer paragens múltiplas para pensarmos no dia a dia pouco dignificante de algumas vizinhas ou filhas de vizinhos e das jovens desconhecidas que vemos na rua.

Os comportamentos condenáveis representados por estas personagens, encontram em João Craveirinha explicação no nosso complexo sócio-cultural. Os maus espíritos e a feitiçaria explicam quase tudo. O autor dispensa o recurso a causas de natureza económica e política na explicação da actual situação de Moçambique.

O espaço que hoje se chama Moçambique foi delimitado numa situação colonial. Antes da imposição do domínio colonial coexistiam em “Moçambique” várias unidades políticas, umas centralizadas, outras de carácter linhageiro. É neste espaço outrora caracterizado por uma grande fragmentação política que hoje estamos a construir uma nação una e indivisível, que reconhece a diversidade étnica sócio-cultural e histórica. Isto quer dizer que as histórias locais do período pré-colonial devem ser investigadas, divulgadas e respeitadas, sem que no entanto esse exercício concorra ou contribua para minar a nossa unidade em permanente construção.

Para terminar, gostaria de dizer que foi bastante gratificante ler a obra de João Craveirinha. Este livro é mais um testemunho de que o homem, como ser social, é dialogante, tendo necessidade de interagir constantemente com os seus semelhantes. Crónicas Romanceadas é um instrumento de troca de ideias, opiniões, conhecimentos e convicções. A escrita é a forma que João Craveirinha elegeu para o diálogo, sempre necessário, sobre o nosso passado, presente e perspectivas do futuro.



Parabéns João Craveirinha! Parabéns por este livro de 24 livros!
Muito obrigado!

Luís Covane – Maputo, 14 de Março de 2003




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