EducaçÃo e cidadania trabalho realizado por: Maria de Fátima Cristo Galharda Araújo Junho de 2002 educaçÃo e cidadania



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EDUCAÇÃO E CIDADANIA


Trabalho realizado por:
Maria de Fátima Cristo Galharda Araújo
Junho de 2002

EDUCAÇÃO E CIDADANIA
Foram várias as razões que nos levaram à inscrição na acção de formação “Educação e Cidadania”. Poderíamos aqui citar algumas como por exemplo, o projecto educativo do agrupamento de escolas do qual fazemos parte se designar “Educar para a Cidadania”. É contudo o interesse muito especifico nesta área que falou mais alto e que nos levou a fazer este percurso.

Também é verdade, que como em tudo na vida, é uma questão de moda. É mais uma questão de a moda ser actual ou não. No caso da educação e cidadania podíamos afirmar que neste momento, e mais do que nunca, é uma moda actual. Neste ponto, estamos de acordo com Roberto Carneiro quando afirma: “a pobreza, fenómeno que acompanha desde sempre a humanidade e a sua marcha na história, adquiriu hoje novos matizes e características, designadamente em contexto urbano.



Assim, ela já não se limita à carência de bens materiais ou mesmo à queda nas profundezas do abismo moral. Hoje, a extrema pobreza é aquela que se vê relegada para a margem ou periferia da cidade sem hipótese de recentragem fácil. É uma marginalidade limite que atinge os fundamentos últimos dos direitos da cidadania. O novo nome da pobreza é a exclusãoCarneiro (2000: 6).

Nas nossas escolas vimos assistindo à demissão da família como meio tradicional e privilegiado de socialização primária, estando esse papel destinado aos media e à escola. As sociedades construídas sobre poderes económicos cada vez mais competitivos, fazem por sua vez apelo ao individualismo, ao materialismo, à competição e ao consumismo desenfreado, legitimando desta forma o poder dos mais fortes sobre os mais fracos. São estas e outras transformações que fazem da cidadania uma moda actual.

É também exactamente aqui que o sistema educativo é chamado a participar. A participar numa linha de parceria com outras instituições que urge recuperar. Também aqui estamos de acordo com Ludovice Paixão (2000:11) “a educação para a cidadania constitui uma garantia da democracia e só pode realizar-se em contextos experienciais democráticos. Diz respeito a todas as instituições de socialização, de formação e de expressão da vida pública mas, naturalmente, cabe aos sistemas educativos desenvolverem, nas crianças e nos jovens, os saberes e as práticas duma cidadania activa”.

São estes saberes e práticas que a nova revisão curricular não deixou de contemplar e que de repente, tanta dor de cabeça deu aos professores.

Contudo já em 1996 a Comissão Internacional para a Educação no Séc. XXI, identificava como quatro os pilares da educação de futuro:


  • aprender a conhecer

  • aprender a fazer

  • aprender a ser

  • aprender a viver juntos

É pois nesta nova missão da escola que a educação para a cidadania tem de (re)nascer, quer através das disciplinas de Desenvolvimento Pessoal e Social e de Educação Cívica, mas também em todas as outras áreas curriculares através da relação professor/aluno e escola/família. A educação para a cidadania faz-se através dos currículos, mas faz-se sobretudo através do currículo oculto. Ela extravasa as quatro paredes da sala de aula e faz-se nos espaços de lazer, nas bibliotecas, nos refeitórios, nos recreios, etc..

Não começa na escolaridade obrigatória, mas nos jardins de infância, para falarmos apenas de instituições que têm por missão ajudar a crescer crianças pequenas. A educação pré-escolar é uma das etapas privilegiadas para ajudar a criança a criar hábitos de cidadania, sendo os jardins de infância uma das instituições que não se pode demitir desse papel.

Espera-se que estas instituições conjuntamente com a família ajudem a criança a desenvolver hábitos de solidariedade, de partilha, de justiça, de verdade, de respeito por si e pelos outros, de respeito pela diferença e pelo bem comum.

A educação para a nova cidadania passa ainda por ensinar à criança a expor as suas ideias, a saber escutar os outros e a desenvolver condutas de tolerância, sem o qual, num futuro muito próximo, não saberão dizer não ao individualismo das sociedade sustentadas sobre sistemas económicos implacáveis, de dizer não ao consumismo desenfreado, de não serem capazes de escolher livremente e tornarem-se escravos de mensagens publicitárias, e de, à violência responderem ainda com mais violência.

Aos educadores por sua vez, pede-se disponibilidade para ouvir, que privilegiem metodologias que criem na criança o gosto por aprender a aprender, que são com certeza atributos importantes na sociedade de hoje. Aos educadores pede-se ainda, que procurem formas negociadas de resolução de conflitos, educando desta forma para práticas de não violência. Numa palavra: que nos impliquemos nesta tarefa tão difícil que é EDUCAR.

A este respeito ainda, Roberto Carneiro (2000:18) afirma:


No drama social quotidiano educa-se para a justiça e para a solidariedade. Na contextura política da cidade e nas suas contradições de poder aprofunda-se o apego à liberdade e à democracia como valores perenes. No confronto com a diversidade educa-se para a descoberta do diferente e para o respeito com o outro. Na voracidade do consumo, forma-se para discernir entre o necessário e o supérfluo. Perante a multiplicação da violência, conquistam-se corações para a paz.”

É obvio que educar para a cidadania e para os valores implica tomar decisões, fazer escolhas. De alguma forma como o relatório Delors (citado por Paixão, 2000:12) afirma: “a educação para a cidadania constitui um conjunto complexo que abarca, ao mesmo tempo, a adesão a valores, a aquisição de conhecimentos e a aprendizagem de práticas na vida pública. Não pode, pois, ser considerada como neutra do ponto de vista ideológico”.

A educação para a cidadania não pode assim ser prisioneira de uma ou duas disciplinas não curriculares, mas deve constituir a base de um projecto de escola, onde as opções devem ser claras e assumidas por todos. A educação para a nova cidadania deve fazer parte da vontade de todos, pois só desta forma o valor da pessoa humana e a sua dignidade constituirão os alicerces de uma cidadania democrática.

Em síntese:

“ninguém é autônomo primeiro para depois decidir”

“é decidindo que se aprende a decidir”.

(P. Freire, Pedagogia da Autonomia)


BIBLIOGRAFIA
Carneiro, Roberto. (2000) Educação para a Cidadania e Cidades Educadoras texto policopiado.

Paixão, Maria de Lourdes Ludovice. (2000) Educar para a cidadania. Lisboa: Lisboa Editora.






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