EducaçÃo para o trabalho e para a civilizaçÃo no pará da virada do século XIX para o XX



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EDUCAÇÃO PARA O TRABALHO E PARA A CIVILIZAÇÃO NO PARÁ DA VIRADA DO SÉCULO XIX PARA O XX
Franciane Gama Lacerda

Faculdade de História/UFPA

PIBID/CAPES
Em fevereiro de 1898, Álvares da Costa, articulista do jornal paraense Folha do Norte, descrevia a cidade de Belém, comparando-a aos grandes centros europeus da época, como Paris, Londres, Bruxelas, Barcelona, Madrid, Lisboa. De acordo com o cronista esta era uma capital em “galopante progresso”, que crescia em sua “vida material” na medida em que se desenvolvia no “comércio, nas indústrias e na lavoura”, a ponto de assombrar os estrangeiros e “compatriotas dos outros estados”. Para Álvares da Costa, a medida do progresso da capital paraense não era apenas seu crescimento econômico, mas também o que ele chamou de “domínio intelectual”, caracterizado pela “fundação de estabelecimentos e associações científicas literárias e artísticas”, citava como exemplo disso:

“a Escola Normal, O Lyceu Paraense, (…) tendo além do curso integral de Ciências e Letras, o Comercial e o de Agrimensura, a Escola de Belas Artes, o Conservatório de Música, O Lyceu Benjamin Constant; o Colégio do Amparo, o Instituto de Educandos e Orfelinato Paraense. Há além disso um avultado número de casas particulares de instrução primária e secundária entre as quais salientam-se no sexo masculino o Atheneu Paraense, o Colégio Minerva, o Colégio Pará e Amazonas, o Seminário do Carmo e o Colégio da Imaculada Conceição; e no sexo feminino o Colégio e Asilo e Santo Antonio, e os colégios de Santa Luzia, o Antunes e o Progresso. Na arena literária: (…) a Mina Literária (…) Acabam de fundar-se o Grêmio Paraense e a Sociedade Médico-Farmacêutica Paraense”.1

Tais lugares, diante do olhar ufanista com que o articulista referia-se à capital do Pará, apontavam preocupações humanistas de moradores letrados da cidade refletindo-se em práticas de civilidade moderna, com a criação de escolas e de associações literárias. Por essa ótica parecia que a cidade de Belém crescia e se desenvolvia, dando conta da formação intelectual de seus moradores mais abastados, na mesma medida em que os poderes públicos e ou outras instituições preocupavam-se com os menos privilegiados com a criação de orfanatos visando à proteção da infância desvalida. De fato, não se pode dizer que estas não fossem preocupações presentes entre as elites que, em finais do século XIX, pensavam na formação de crianças e jovens paraenses. Entretanto, a efetivação de medidas em relação a estas preocupações não foi tão harmoniosa como aponta o texto de Álvares de Costa, sugerindo conflitos e uma árdua luta pela sobrevivência por parte dos grupos mais pobres, tanto no interior do Estado do Pará, nos núcleos coloniais, como na cidade de Belém.

Assim, em um Estado como o Pará, que, na virada do século XIX para o XX, tinha seus rendimentos em grande medida advindos da extração da borracha, a luta dos poderes públicos para desenvolvê-lo, passava na ótica republicana pelo desenvolvimento da agricultura; não por qualquer lavoura, mas sim com uma produção agrícola firmada no ensino agrícola. Desse modo, uma rápida leitura de Mensagens como as do governador Paes de Carvalho, por exemplo, demonstra o quão ufanista era esta autoridade, considerando-se, por exemplo, as muitas dificuldades enfrentadas pela lavoura e pela pequena produção manufatureira existante.2

Assim, nessa virada do século XIX para o XX, dois problemas importantes colocavam-se para os poderes públicos do Pará, visando-se ao desenvolvimento e civilização do Estado. E ambos passavam pela educação. O primeiro deles seria voltado para o ensino agrícola, objetivando-se a formação de lavradores que utilizassem técnicas mais modernas para o amanho da terra e assim produzissem mais e também para a escolarização de colonos nos núcleos coloniais; o segundo, não menos importante, passava por um processo de disciplina e de formação para o trabalho visando-se grupos de jovens e crianças sem ocupação e sem uma família que os provesse dentro dos ideais republicanos da ordem e do progresso. É sobre alguns aspectos desses processos formativos que iremos falar.

Quase vinte anos depois do artigo ufanista de Álvares da Costa, no mesmo jornal paraense, Folha do Norte, em julho 1916, um outro articulista do periódico, com menos entusiasmo que seu companheiro de ofício de 1898, voltando-se dessa vez para agricultura paraense, reclamava da falta de açúcar na praça de Belém; argumentava ele que tal problema decorria do fato de que o Pará e o Amazonas, “ricos na fertilidade exuberante de seu solo” e em “deslumbrante vastidão e beleza natural”, se conservavam “infelizmente” em “pobreza agrícola lamentável”. Desse modo, concluindo seus argumentos da falta de empenho do agricultor paraense, o articulista afirmava que este “vegeta na vastidão de suas inexploradas riquezas”.3

Essas impressões do articulista da Folha do Norte – que não deixam de ser preconceituosas em relação ao trabalho dos lavradores mais pobres – não eram diferentes das de Hanibal Porto, que em 1915, representando o governo do Presidente da República, Wenceslau Braz, visitou o Pará como delegado da Sociedade Nacional de Agricultura. Entrevistado pela mesma Folha do Norte, Porto era categórico em afirmar que não só no Pará, mas também nos Estados do nordeste que percorrera, tudo estava “por fazer”, existindo “um campo vasto a se desvendar sobretudo no terreno da agricultura e da pecuária”. Segundo ele, a terra era “trabalhada pelos processos rotineiros” e não havia “seleção de agricultores”.4

Diante dessa compreensão, em 1916, o governador do Pará, Enéas Martins, acreditava que somente o “fomento da agricultura” poderia “libertar o Estado da tirania da borracha, pondo-o em condições de prosperidade econômica estável”.5 Esta não era necessariamente uma preocupação nova, e antecessores de seu governo desde finais do século XIX, já apontavam a necessidade de uma melhor formação dos agricultores, através do ensino agrícola.

De fato, em 1891, o governador Lauro Sodré afirmava diante das dificuldades enfrentadas pela agricultura no Pará, que o progresso do Estado se daria com o desenvolvimento da agricultura e conseqüente aumento da produção, da indústria, mas também com a educação que serviria, “para levantar o nível moral do povo” e “melhormente impor à consciência pública o novo regime”. Lauro Sodré compreendia o Estado do Pará como um imenso território a ser explorado; acreditava igualmente que o ensino agrícola seria fundamental, para além de medidas para “facilitar a legitimação de posses” – para quem estava fixado na terra para “cultivar a nossa grande extensão territorial” –, além da construção da Estrada de Ferro de Bragança, que cortava uma grande área de colonização.6 Nesse sentido, o governador asseverava em sua Mensagem que dentre os principais incentivos para agricultura, estava o da “criação e divulgação do ensino agrícola”. Este ensino, pela visão do governador, deveria ser ministrado “sob o ponto de vista prático” “útil”, “fugindo da formação de doutores a agrônomos”.7

Alguns anos depois de Lauro Sodré, em 1897, seu sucessor, o governador Paes de Carvalho, grande incentivador da vinda de migrantes e da implementação de núcleos coloniais no Pará, afirmava que dentre as medidas tomadas por ele, mereceria “especial atenção (…) o ensino profissionalizante”.8 Caracterizando a agricultura, do Estado como: “atrasada e rotineira”, o governador concluía que vários problemas levavam a este processo. Dentre estes citava a “falta de braços” de “capitais”, de “iniciativa dos proprietários que tudo esperavam do governo”, e igualmente, o que aqui nos interessa de “educação profissional”.9

Assim, visando integrar os trabalhadores nacionais à República, Paes de Carvalho acreditava que deveria “facilitar-se-lhe os meios de empregarem a sua atividade guiando carinhosamente os seus primeiros passos incertos no labor assíduo e ininterrupto, que moraliza o caráter e estimula os bons instintos”. Desse modo, para o governador Paes de Carvalho, esta espécie de encaminhamento para o trabalho sistemático asseguraria “uma existência digna de nossa civilização”, e assim se avançaria na “solução do magno problema do povoamento sistemático do Pará”.10 Tal discurso, de um lado, revela o interesse com a disciplina dos trabalhadores, que viviam em colônias agrícolas, ou próximos às florestas, ou no interior do Estado em áreas distantes da capital, fixando-os à terra pelo trabalho contínuo. De outro lado, sugere práticas culturais desses mesmos trabalhadores, marcadas pelo extrativismo, pelo uso do tempo do trabalho, de acordo com os períodos mais ou menos chuvosos da região, que diante do ideário republicano da ordem e do progresso pareciam incompatíveis com a civilização. Na verdade, as preocupações com a ocupação de trabalhadores, que pela ótica dos podres públicos pareciam desocupados, não eram nada novas; após a Cabanagem estas preocupações com espaços vazios e homens sem ocupação definida possivelmente se aguçaram.11

Desse modo em 1897, o Dr. José Ferreira Teixeira, Chefe de Segurança Pública, apresentava ao governador do Estado do Pará, Paes de Carvalho, um relatório referente àquele ano. Na ocasião, explicava o papel da polícia como uma instituição que “previne ou faz cessar toda perturbação na economia da sociedade constituída e organizada”. Ao mesmo tempo, destacava o fato de que as ações da polícia, para serem eficazes, dependiam de um bom “sistema penitenciário”, da “existência de asilos” onde fossem “recolhidos os mendigos (…) e os inválidos para receberem o benefício de uma caridade bem entendida” e igualmente, “escolas correcionais para a infância culposa e vadia”. Por isso, afirmava que era “complexa” a reforma das instituições policiais.12 Pela visão do Dr. José Teixeira, fica evidente seu ideário civilizatório, em que a ordem no Estado do Pará seria assegurada não somente pelas ações da polícia, mas igualmente por outras ações de controle social, a partir de instituições como os asilos e as escolas, especialmente criados para esse fim.13 Na cidade de Belém, por exemplo, a preocupação com mendigos e vadios circulando pela rua será uma constante.

Nesse contexto, o Chefe da Segurança Pública não deixou de dedicar um item de seu relatório à relação que existia entre o que chamou de “criminalidade e os fatos econômicos”. Acreditava que apesar das dificuldades “de medir tal influência”, a “freqüência dos crimes” estava associada a problemas como a “abundância ou carestia dos comestíveis”, às “dificuldades para encontrar trabalho” e às “condições econômicas do país”. Diante dessas premissas, Belém se apresentava, segundo o Dr. José Teixeira, como um espaço propício para ações mais enérgicas da policia e de outras instituições, correcionais uma vez que já experimentava com intensidade esses vários problemas.14 Além disso, o Chefe de Segurança queixava-se de que não se punia com rigor a vagabundagem que crescia na cidade.

“O preço das mercadorias em geral está triplicado. A vida já é difícil para todos e especialmente para os pobres. A lavoura em nosso Estado é pequena e não produz o suficientemente para satisfazer as necessidades da população sempre crescente. (…). Uma considerável parte da população de Belém emprega-se de verão na extração da goma elástica e de inverno passa a vida ociosa e de vagabundagem nas ruas da capital (…). E os vagabundos enchem a ruas de Belém, formando um exército, donde saem a maior parte dos criminosos contra as pessoas e a propriedade!”.15

Vista como uma “praga”, como um “cancro”, que corrompia o “organismo social”, a vagabundagem, segundo o Dr. José Teixeira, deveria a todo custo ser combatida pelo trabalho, sobretudo na agricultura, através, inclusive, da formação de “colônias agrícolas correcionais”. Por esse pensamento, a ocupação na agricultura resolveria ao mesmo tempo dois problemas sérios para a tranqüilidade da capital, a questão do abastecimento e a retirada de grupos considerados vadios das ruas de Belém. Dentre os grupos a que o Chefe de Segurança fazia referência estavam pessoas consideradas vadias de uma maneira geral, e também os capoeiras.16 Apesar das pretensões civilizatórias das autoridades paraenses, esses grupos continuavam a circular pelas ruas da cidade, inventando variadas formas de sobrevivência.17 Essa não foi uma compreensão apenas do Chefe de Segurança Pública do Pará; Maria Stela Bresciani, a partir da leitura de vários literatos a exemplo de Victor Hugo, Baudelaire, Zola e Eugène Sue, aponta preocupações semelhantes em Londres e Paris no século XIX, onde a multidão nas ruas é vista, segundo a autora diante de “espanto, indignação, fascínio, medo”.18

Além da presença de tais grupos em Belém, o crescimento populacional provocado pelo entusiasmo, em busca de fortuna”, que trazia para a capital uma “corrente de imigrantes estrangeiros e nacionais de todos os Estados, e em maior escala do Ceará”, era apontado pelo responsável da Cadeia de São José, em relatório enviado ao Chefe de Segurança Pública, como um grave problema para o “crescimento do número de criminosos”, que tornava a cadeia deficiente tanto em segurança, como em acomodação para os detentos, uma vez que as suas instalações não admitiam mais de “150 presos”.19 Os principais motivos de detenção apontados nesse momento eram: embriaguez, desordens, roubos, ofensas à moral pública, vagabundagem, gatunagem, usos de armas proibidas e exercer profissão ilícita. Vale lembrar que os maiores índices de desordens e embriaguez se concentravam entre os meses de janeiro e fevereiro, justamente o tempo em que muitos seringueiros saíam dos seringais para a capital.20 Além dos delitos cometidos na capital, na cadeia de São José, também ficavam detidos muitos presos que vinham do interior do estado, notadamente, de áreas de seringais.21

O que chama atenção para esse caso é que dos 10 detentos que fugiram, 8 eram cearenses, vindos para a capital em função de homicídios cometidos em conflitos em áreas de seringais como Breves, Melgaço, Muaná, Afuá, Curralinho, ou áreas agrícolas, como Viseu. Tais problemas justificam as ações do Estado voltadas para a educação formal de homens e mulheres afeitos ao trabalho, fosse para o trabalho agrícola, fosse para a formação de uma boa mãe de família. Não é à toa que a partir de 1898, um dos livros adotados por ordem do Conselho Superior de Instrução Pública do Pará era o Noções de educação cívica: para uso das escolas primárias do Estado do Pará, de Higino Amanajás.22

Neste livro, visto pelos diretores do Conselho como indispensável para “inculcar no espírito dos jovens alunos” o amor a Pátria, seu autor justificava a escrita do mesmo “impressionado pela ignorância dos meninos”, que freqüentavam as escolas no que dizia respeito “aos seus deveres de futuros cidadãos da pátria”. Desse modo, acreditando nos valores republicanos, semelhantemente ao que pensavam Lauro Sodré e Paes de Carvalho, Amanajás compreendia que a “educação cívica e moral” das crianças e jovens paraenses é que levaria à “felicidade e progresso do país”.23 Assim, um grupo social importante dentro dessa perspectiva pedagógica eram as mulheres que deveriam ter como um dever cívico a formação de famílias encaminhando o filhos para exercitarem “os seus deveres patriotas”.24

Nesse sentido, havia por parte das autoridades, conforme já se asseverou, uma preocupação com a formação profissional dos jovens. Desse modo, as escolas agrícolas apresentavam-se como uma alternativa. Assim, em 1900, o Dr. Pedro Moreira apresenta ao governador Paes de Carvalho um relatório sobre as escolas de formação profissional da União. Ele havia visitado escolas agrícolas, e liceus de artes e ofícios dos Estados de Pernambuco, Bahia, Capital Federal, Rio de Janeiro, Minas, São Paulo e Rio Grande do Sul, a fim de apresentar para “um plano de reformas que pudesse servir de escopo à reorganização do ensino público, e particularmente do Instituto Lauro Sodré”. De fato, tal instituto foi uma instituição importante para o Estado encaminhar jovens para o mundo do trabalho, a partir da formação disciplinada ali recebida.25

Voltando aos núcleos coloniais e às preocupações dos poderes públicos paraenses, com o povoamento do Estado, vemos que tal discurso se construía também com um caráter pedagógico, muito próximo das preposições de Higino Amanajás. De fato, mesmo antes da proclamação da República, em fevereiro de 1889, o Presidente da Província lembrava que o processo migratório para o Pará deveria ser constituído por colonos “sadios, morigerados e aptos para o serviço de agricultura”.26 No afã de civilização, conforme verifica-se nos pronunciamentos do governadores Lauro Sodré e Paes de Carvalho, tais características nem sempre foram vistas pelos poderes públicos nos grupos de migrantes nacionais que chegaram ao Pará entre os finais do século XIX e início do século XX. Até mesmo o governador Paes de Carvalho, um dos grandes incentivadores do trabalho com migrantes brasileiros, não deixou de acreditar que a vinda de imigrantes europeus, considerados bons trabalhadores, ajudaria na formação e desenvolvimento da aptidão profissional entre os nossos compatriotas”.27 Seu pensamento seria importante para a formação de vários núcleos coloniais, em cujos espaços também se deram ações educativas através das escolas, visando à formação de bons cidadãos para a República.

De acordo com Palma Muniz são núcleos coloniais fundados antes do período republicano na área da Estrada de Ferro: Benevides (1875), Santa Isabel, Apeú, Americano e Benevides (tem seus lotes demarcados entre 1885 e 1886) Castanhal (1889).28 Ernesto Cruz identifica na Estrada de Ferro de Bragança os seguintes núcleos coloniais criados no período Republicano: Marapanim (1893), Jambuassú (1894), Benjamin Constant (1894), José de Alencar (1898), Santa Rosa (1898), Ferreira Penna (1898), Anita Garibaldi (1898) Ianetama (1898), Inhangapi (1898). Vale lembrar que muitos desses núcleos quando emancipados, ou quando se tornaram municípios ou povoados maiores, passou a agregar outras colônias ao seu redor. Foi o caso de Jambuassú e Santo Antonio do Prata que estavam ligados a Igarapé-Assú, quilômetro 112 da Estrada de Ferro. Saindo da área da Estrada de Ferro de Bragança tem-se os seguintes núcleos: Monte Alegre (1894) Óbidos (1895), Curuçá (Couto de Magalhães) (1895) Acará (1898), Cametá (1898) Salvaterra (1898), Alenquer (1900) e o Núcleo indígena de Santo Antonio do Maracanã (1898).29

A vida dos moradores dos núcleos coloniais como é possível imaginar, foi constituída por muitas dificuldades para a sobrevivência cotidiana. O governador Lauro Sodré, por exemplo, diante de problemas no núcleo colonial de Castanhal, afirmava, em 1891, que a saída dos colonos era resultado “do péssimo pessoal imigratório”. Isso é bastante questionável, na medida em que era o próprio governador quem lembrava de dois problemas importantes que assolaram o núcleo: a falta de verbas e uma epidemia de febre amarela, que levou à saída de “grande número de famílias e indivíduos solteiros”.30 Diante disso, não seria ilógico pensar que, tal qual no trabalho nos seringais, os migrantes também experimentavam um difícil embate com a natureza na zona bragantina.

Apesar das dificuldades de vivência cotidiana nos núcleos, as escolas não deixaram de ser inseridas nestes espaços e de fazer parte da vida de seus moradores.31 Assim, em setembro de 1898, por exemplo quando o governador Paes de Carvalho visita as colônias das Estrada de Ferro de Bragança, o jornal Folha do Norte, informava aos seus leitores que “grande massa de povo” esperava o governador na estação da referida colônia e que passaria em visita a “duas escolas públicas”, formada por 50 meninos e 86 meninas.32 Um mês antes, a visita se dava na Colônia Jambuassu, formada por imigrantes espanhóis. Tal colônia em que segundo a Folha do Norte já se “via grande desenvolvimento”, possuía “estribarias, o armazém, a escola, o almoxarifado e outras dependências”.33 Uma outra colônia, a Benjamin Constant, próxima a Bragança, também com imigrantes espanhóis, que havia sido fundada em 1896 e que registrava “grande mortalidade em confronto com os nascimentos”, apresentava “muitos menores entre os habitantes”, sendo a escola um espaço importante. Assim, dentre aqueles que formavam a administração do núcleo estavam um diretor, um escriturário, um farmacêutico, um almoxarife, e um professor, com “179 alunos matriculados”.34

Anos mais tarde, em 1910, o mesmo jornal Folha do Norte, em uma nota sobre a Colônia do Prata35, destacava a função principal das escolas nesses espaços de nascente colonização agrícola. Tratava-se das tentativas de “penetração da civilização e progresso no interior do nosso Estado, nas nossas ínvias floresta”. Em 1910, em visita pastoral a esta área Dom Santino, alegrava-se com a “florescente colônia”, onde viviam padres franciscanos. Situada a 20 quilômetros da vila de Igarapé-assú a vila possuía escola, e até uma tipografia onde era editado o “Correio do Prata”, indicando a presença de leitores por aquelas paragens.36

Não há dúvida que a presença de professores e escolas nos núcleos coloniais sugere o interesse civilizacional, os anseios de modernidade, do Estado republicano brasileiro que ia se consolidando na virada do século XIX para o XX. Entretanto, a escola não pode deixar de ser pensada também naquele momento, como alvo de interesse dos grupos de migrantes estabelecidos nas colônias que viam nas práticas de escolarização, possivelmente possibilidades de uma vida melhor.

Assim, nos núcleos coloniais, os moradores não deixaram de reclamar de problemas que interferiam no seu dia-a-dia. Desse modo, ao mesmo tempo em que se reclama da falta de transportes, da infra-estrutura, e até da falta de comida, que impedia o desenvolvimento da produção agrícola, reclamava-se também de quando a escola da vila não funcionava conforme o esperado. Em 1898, por exemplo, os moradores da vila de Castanhal enviavam ao governador do Estado, Paes de Carvalho, um abaixo-assinado remetido por 65 moradores que pediam o afastamento do professor da localidade em virtude de suas atitudes não corresponderem, de acordo com alguns moradores, com os ideais de “moralidade e edificação” que caberiam a um docente. Dentre as acusações que recaíam sobre ele, constavam “injúrias verbais a um freguês”, uma vez que ele mantinha um estabelecimento comercial contíguo à escola; o fato de ter deixado de ministrar “aulas por alguns dias”, não visar os mapas escolares e não comparecer às aulas da escola noturna.37

A lista dos moradores que reclamavam era encabeçada pelas autoridades da vila, como o juiz substituto, o subprefeito, um fiscal e um tenente coronel, vindo em seguida empregados públicos, como o telegrafista, vários comerciantes e um grande número de agricultores. Para esses moradores de Castanhal, as infrações cometidas pelo professor eram muito graves, pois implicavam na formação de seus filhos ou, como foi apontado pela imprensa, nos ensinamentos que eram repassados à “infância castanhalense”.38 Essa preocupação com a educação das crianças da vila revelou a importância que muitos desses homens, que não sabiam ler nem escrever, atribuíam ao futuro de seus filhos.

Nos povoados que se formaram às margens da Estrada de Ferro de Bragança, algumas escolas foram parte integrante da infra-estrutura de seus espaços. Nos dias de festa, em que as autoridades vindas de Belém visitavam esses lugares, com certo orgulho, diante das descrições que temos, os alunos eram apresentados recitando poesias, cantando ou simplesmente recebendo com esmero os visitantes ilustres. Foi o que aconteceu em setembro de 1901, segundo o correspondente da Folha do Norte, por ocasião da festa de emancipação da colônia “Ferreira Pena”. Nesse dia, representando as crianças da escola, a “pequetita Maria Feliz Torres” recitou com “extrema correção e graciosidade” felicitações ao governador e a sua comitiva, “a fim de agradecer tantos benefícios”. Ao lado disso as crianças, animadas “em coro” entoaram uma canção bastante elucidativa a respeito do que se esperava da escola e de como os professores eram representados como figuras paternais, A letra da canção não deixa de sugerir que nesse contexto ato de educar também era marcado por punições, com um sentido corretivo: “Sem rigor, sem vis castigos/ Rindo, a escola nos atrai/ Tem o mestre em nós amigos,/ Temos nele amigo e pai”.39

Com esse tipo de pensamento, não é de estranhar-se o abaixo-assinado dos moradores de Castanhal diante das acusações que pesavam contra o professor da vila. Não se pode esquecer que a escola não era apenas imposta pelo Estado; era também solicitada e querida pela população diante de uma crença no poder redentor da educação.

Nos núcleos coloniais, mesclando-se, assim, a um mundo de violências e de árduo trabalho, numa luta constante para produzir e fixar-se na terra como lavrador, existia também um mundo de festas e atividades lúdicas, que não raro tiveram na escola um espaço importante para isso. Desse modo, as bandas de música, por exemplo, são referências constantes em vários momentos festivos, evidenciando uma vida muito mais complexa do que um cotidiano apenas de trabalho nesses espaços.

Em 1889, num momento ainda de estruturação de núcleos coloniais, era solicitado pelo Palácio da Presidência da Província o transporte gratuito até a colônia de Benevides, da “banda de música do Instituto de Educação de Artífices Paraenses, que, ao que tudo indica, participaria de alguma festa na colônia, uma vez que, segundo o ofício, retornaria apenas no “trem do dia seguinte”.40

Em 1898, quando das visitas de Paes de Carvalho à região do Alto Quatipuru, o governador e sua comitiva foram saudados, segundo o correspondente da Folha do Norte, com uma “marcha alegre e festiva”, executada por uma “uma banda de música” formada por rapazes da própria localidade. A inusitada apresentação, quase no meio da mata, chamou atenção da comitiva, que fazia elogios ao “pequeno corpo musical”.41 Vicente Salles lembra que muitas “bandinhas” estiveram “espalhadas pelas cidades e vilarejos do interior paraense, conjuntos sempre aplaudidos e apreciados pelo povo”. Segundo o autor na “Região Bragantina, várias comunidades possuíram – e algumas ainda possuem – bandas regularmente organizadas: Bragança, Igarapé-Açu, Castanhal, Benevides, Ananindeua etc”.42 Em 1900, por exemplo, em visita à colônia de Inhangapy, o Inspetor da Repartição de Terras assistiu a “vários batizados” e à celebração de uma “missa”, ao som da “banda de música do Castanhal”.43

As celebrações religiosas fizeram parte constante da história da colonização, uma vez que a emancipação de uma colônia – momento em que os colonos deixavam de receber auxílios do governo e, mesmo que precariamente, passavam a se manter por conta própria – era vista como um momento importante na vida do grupo, e que deveria ser comemorado.44 Nessas ocasiões, não raro, foram comuns cerimônias de batismo e casamentos, além da celebração da missa.

Em 1900, quando se inaugurou na colônia Jambuassú o “engenho de moer cana e a máquina de fazer farinha de mandioca”, os colonos prepararam uma grande festa, que teve inclusive a “bênção” das máquinas por um padre. De acordo com a Folha do Norte, uma “multidão de imigrantes da colônia” participou da festa, e para essa ocasião, se apresentaram “nos seus garridos trajes domingueiros”. Nota-se que essas festas se revestiam de um caráter de grande importância, que se refletia, inclusive, na forma de se vestir do colono, como bem evidenciou a Folha do Norte.45 Esses momentos de festa também podem ser pensados como situações em que se aproveitava para lembrar aos colonos a importância de seu empenho na colonização, além de se comemorar e agradecer os “favores” recebidos do Estado. Foi certamente nesse sentido que se dirigiu o sermão do Padre Leitão nesse dia, que, após a leitura do Evangelho, exortou os presentes “ao trabalho porfiado e persistente para que a terra que lhe foi confiada” produzisse.46

As festas serviam para celebrar também as ações do Estado em prol dos colonos, como uma celebração do caráter civilizatório, presente nos ideários da colonização. Bom exemplo disso foi uma festa realizada na colônia Maracanã em 1900, em que foram premiados os alunos da escola local que obtiveram “melhores notas”. Dentre os meninos que receberam “prêmios”, constavam, entre índios, paraenses, piauienses, pernambucanos e rio-grandenses do norte, os cearenses Miguel Yaco, Francisco das Chagas, Manoel da Costa, João Gomes e Manoel Pereira, que, juntamente com outros alunos, cantaram em “coro” na missa celebrada “na capelinha da colônia”, o que foi visto com bastante ufanismo pela Folha do Norte, na medida em que alguns dos meninos que viviam na colônia, diante dos “bons exemplos” dos frades, inclusive se regeneravam de uma vida voltada para a delinqüência.47 Tais práticas indicam o caráter disciplinador pensado pela educação que era destinada às crianças e jovens pobres.

Assim, a imprensa não deixou de apontar, a importância dessa formação voltada para a infância e juventude pobre, que era realizada na Colônia Maracanã. De fato, Ernesto Cruz faz referência à lei 588 de 23 de junho de 1898, decretada pelo Congresso estadual e sancionada pelo governador Paes de Carvalho, que “autorizava a fundação” de núcleos voltados para o recolhimento e educação de filhos de indígenas e de menores considerados “desvalidos”. Segundo Ernesto Cruz citando um trecho dessa a lei, a mesma objetivava formar “cidadãos úteis à pátria e família”.48

Meses depois da festa organizada nesse núcleo, no mesmo ano de 1900, um “jornalista carioca” em visita às colônias do Estado, segundo a Folha do Norte, afirmava: “surpreendeu-me e encantou-me a colônia indígena de Santo Antonio do Maracanã”, pela obra de “humanidade e civilização” realizada naquele espaço em relação aos índios e outros jovens considerados distantes da moral e dos bons costumes. Nesse sentido, congratulava-se com os freis capuchinhos que administravam a colônia, e pelo zeloso trabalho que estes faziam para “a civilização brasileira”, a partir da “catequese”, da “educação moral”, do “ensino agrícola” do “amor e confiança no futuro poder do trabalho”. Para o jornalista a prova desta obra redentora era o adestramento dos índios para o “trabalho na lavoura”, e um “grande número de crianças afeitas ao estudo”. O reflexo de tais práticas educativas pelo olhar disciplinador do jornalista se expressaram em Maracanã, nas “casas todas habitadas” e nas “roças bem tratadas”.49

Sobre questão semelhante, Fernando Lourenço enfatiza, referindo-se às últimas décadas do século XIX em São Paulo, aos “internatos agrícolas”, idealizados como uma forma de “desarmar”, as ações dos grupos perturbadores da ordem como menores pobres, filhos de operários e agitadores que faziam greves. Embora com grupos de alunos em certa medida diferenciados, não resta dúvida de que o núcleo de Maracanã, tinha práticas educativas semelhantes às dos internatos referidos por Lourenço.50

Tais preocupações de inserir crianças e jovens disciplinados no mundo do trabalho – no caso aqui discutido, no mundo do trabalho agrícola – revelam-se em mais uma estratégia dos poderes públicos da época, das autoridades e das crenças de uma boa parcela da população local por meio da qual os progressos da capital paraense e do estado como um todo, viriam como resultado de um trabalho árduo dos menos privilegiados que, preparados para o trabalho, integrar-se-iam à civilização. Desse modo, em 1908, um professor do Instituto Lauro Sodré, voltado para órfãos e meninos pobres da capital paraense, que era paraninfo de uma turma de jovens concluintes, conforme acontecia no núcleo colonial de Maracanã, lembrava a importância da “religião” e do “trabalho”, para a formação desses jovens e para o cumprimento da “missão” destes na sociedade.51

Orgulhoso de sua tarefa, o professor, chefe do ensino teórico, afirmava que enquanto outros estabelecimentos de ensino conferiam a seus alunos a “láurea da ciência” a escola profissional conferia a “láurea do trabalho”.52 Esse pensamento corroborado pelo diretor da escola dava a tônica do que se esperava dos jovens menos favorecidos pois, como dizia em seu discurso, estes jovens aptos para o trabalho iriam “avolumar as fileiras de cidadãos úteis a si e à pátria”.53 Se estas práticas educativas foram eficientes pouco se sabe; de todo modo, ao concluir o curso, o diplomando Raymundo Ribeiro, que no Instituto Lauro Sodré entrara trazido pelas mãos de seu pai viúvo, no momento de seu discurso de despedida já se pensava como um trabalhador afirmando que “a blusa do operário” encobria “um coração” que sabia “sentir”, e “lábios” que sabiam “exprimir esses sentimentos”. Se isto não era o que de fato Raymundo e seus companheiros pensavam e acreditavam, pelo menos era isto que dele como um jovem “a quem a fortuna não embalou no berço”, se esperava, o sentir-se um operário grato ao Estado pela educação recebida, e pronto para servir a pátria com o seu trabalho.54 Desse modo, a civilização e o progresso, para os poderes públicos paraenses, tinham então, como caminho privilegiado, o amanho da terra e a fixação de lavradores em espaços considerados vazios e igualmente o trabalho de homens e mulheres disciplinados. Não resta dúvida de que a educação ministrada na escola, tanto no campo como na cidade, foi fundamental para tal processo.



1 Folha do Norte. Belém, 28 de fevereiro de 1898, p. 1.

2 Mensagem dirigida ao Congresso Republicano paraense pelo Governador do Estado do Pará Dr. José Paes de Carvalho. Pará: Diário Official, 1897; Mensagem dirigida ao Congresso do Estado do Pará pelo Dr. José Paes de Carvalho. Governador do Estado em 7 de Abril de 1898. Belém: Diário Oficial, 1898.

3 Folha do Norte. Belém, 11 de julho de 1916, p. 1.

4 Folha do Norte. Belém, 31 de dezembro de 1915, p. 1.

5 Mensagem dirigida em 1 de agosto de 1916 ao Congresso Legislativo do Pará pelo Dr. Enéas Martins Governador do Estado. Belém: Imprensa Oficial do Estado do Pará, 1916, p. 93.

6 Mensagem dirigida pelo Senr. Governador Dr. Lauro Sodré ao Congresso do Estado do Pará em sua primeira reunião, em 30 de outubro de 1891. Belém: Typ. do Diário Official, 1891, p. 8.

7 Mensagem Dirigida pelo Senr. Goverandor Dr. Lauro Sodré ao Congresso do Estado do Pará em sua segunda reunião em 1º de julho de 1892. Belém: Typ. do Diário Official, 1892, pp. 23-24.

8 Mensagem dirigida ao Congresso do Estado do Pará pelo Dr. Lauro Sodré Governador do Estado ao expirar o seu mandato, no dia 1º de fevereiro de 1897. Pará: Diário Oficial, 1897, p. 5.

9 Mensagem enviada à Praça do Comércio do Pará pelo Governador Dr. José Paes de Carvalho em 1º de fevereiro de 1899. Pará: Imprensa Oficial, 1899, p. 20.

10 Mensagem dirigida ao Congresso Legislativo pelo Governador do Estado do Pará Dr. José Paes de Carvalho. Belém: Typ. do Official, 1897, p. 21.

11 FULLER, Claudia Maria. “Os corpos de trabalhadores: política de controle social no Grão-Pará”. Belém: Fascículos LH, nº 1, 1999.

12 Conselho Estadual de Cultura – Biblioteca “Orlando Bitar”. Relatório apresentado ao Sr. Dr. Governador do Estado pelo Chefe de Segurança Pública Dr. José Ferreira Teixeira em 30 de novembro de 1911. Belém: Diário Oficial, 1898, pp. 4-5.

13 Para uma compreensão mais ampla dessa questão ler por exemplo: FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento das prisões. Petrópolis: Vozes, 1987; CUNHA, Maria Clementina Pereira. O espelho do mundo; de acordo com Sarges em 1899, deu-se início à construção do asilo da mendicidade, que teve seus trabalhos concluídos em 1901. SARGES, Maria de Nazaré. Belém: Riquezas produzindo a Belle-Époque (1870-1912), p. 126.

14 Sobre o papel da polícia na construção da ordem urbana ver: BRETAS, Marcos Luiz. Ordem na cidade: o exercício cotidiano da autoridade policial no Rio de Janeiro, 1907-1930. Rio de Janeiro: Rocco, 1997; SANTOS, Marco Antonio Cabral dos. “Polícia: homens da lei na metrópole do café”. In: DEL PRIORE, Mary (org.). Revisão do Paraíso: os brasileiros e o Estado em 500 anos de história. Rio de Janeiro: Campus, 2000, pp. 277-300.

15 Conselho Estadual de Cultura – Biblioteca “Orlando Bitar”. Relatório apresentado ao Sr. Dr. Governador do Estado pelo Chefe de Segurança Pública Dr. José Ferreira Teixeira, em 30 de novembro de 1911. Belém: Diário Oficial, 1898, pp. 37-38.

16 Sobre capoeira em Belém, ver: SALLES, Vicente. “A defesa pessoal de negro. A capoeira no Pará”. In: SALLES. O negro na formação da sociedade paraense. Belém: Paka-Tatu, 2004, pp. 113-41. DE CAMPOS, Ribeiro (1905-1995). “Ginastas da valentia”. In: Gostosa Belém de outrora (reedição fac-símile). Belém: SECULT, 2005, pp. 51-55. LEAL, Luiz Augusto Pinheiro. Amolando as gambias: significados e práticas da capoeira em Belém (1840-1853). Monografia de conclusão de curso (História), Universidade Federal do Pará, 1997; LEAL. A política da capoeiragem: a história social da capoeira e do boi-bumbá no Pará republicano (1888-1906). Salvador: EdUFBA, 2008.

17 Conselho Estadual de Cultura – Biblioteca “Orlando Bitar”. Relatório apresentado ao Sr. Dr. Governador do Estado pelo Chefe de Segurança Pública Dr. José Ferreira Teixeira, em 30 de novembro de 1911. Belém: Diário Oficial, 1898, p. 38.

18 BRESCIANI, Maria Stela. Londres e Paris no século XIX: o espetáculo da pobreza. São Paulo: Brasiliense, 1982, p. 9.

19 “Relatório de todas as ocorrências havidas na Cadeia de São José, no decurso de 1º de janeiro a 30 de setembro do ano de 1897”. In: Relatório apresentado ao Sr. Dr. Governador do Estado pelo Chefe de Segurança Pública Dr. José Ferreira Teixeira, em 30 de novembro de 1911. Belém: Diário Oficial, 1898.

20 “Secretaria de Segurança Pública do Pará – Mapa demonstrativo das detenções efetuadas pelas autoridades de segurança no período de 1º de janeiro a 30 de setembro de 1897”. In: Relatório apresentado ao Sr. Dr. Governador do Estado pelo Chefe de Segurança Pública Dr. José Ferreira Teixeira, em 30 de novembro de 1911. Belém: Diário Oficial, 1898.

21 Folha do Norte. Belém, 4 de setembro de 1898, p. 1.

22 AMANAJÁS, Higino. Noções de educação cívica: para uso das escolas primárias do Estado do Pará. Belém: Typ. do Diário Oficial, 1898.

23 Idem, pp. V-VII.

24 Idem, p. 111. Sobre as mulheres e a educação na nascente República, ver: MELO, Clarice Nascimento de. Participação de mulheres na história da escola mista no Pará – 1870/1901. Natal: Tese de Doutorado (Educação), UFRN, 2008, pp. 150-99.

25 Folha do Norte. Belém, 30 de agosto de 1900, p. 2.

26 Fala com que o exmo. Snr. Dr. Miguel José de Almeida Pernambuco abriu a 2ª sessão de 26ª Legislatura Provincial do Pará em 2 de fevereiro de 1889. Pará, Typ. de A. F da Costa, 1889, p. 64.

27 Mensagem dirigida ao Congresso Republicano paraense pelo Governador do Estado do Pará Dr. José Paes de Carvalho. Pará: Diário Official, 1897, p. 25.

28 Ver: MUNIZ, João de Palma. Estado do Grão-Pará. Immigração e Colonisação. Belém: Imprensa Oficial do Estrado do Pará, 1916, pp. 35, 44, 65, respectivamente.

29 CRUZ, Ernesto. Colonização do Pará. Belém: Conselho Nacional de Pesquisas/Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, 1958, pp. 85-131. Não há uma precisão exata dessas datas de fundação dos núcleos, podendo haver algumas distorções de um ano para outro. Tome o leitor as datas como um período para situar-se e não como um marco cronológico fechado, o mesmo pode acontecer com a fundação dos núcleos coloniais, correndo-se o risco de termos esquecido algum.

30 Mensagem dirigida pelo Senr. Governador Dr. Lauro Sodré ao Congresso do Estado do Pará em sua primeira reunião, em 30 de outubro de 1891. Belém: Typ. do Diário Official, 1891, p. 46.

31 Sobre a questão ver: NUNES, Francivaldo Alves. Benevides: uma experiência de colonização na Amazônia do século XIX. Rio de Janeiro: Corifeu, 2009.

32 Folha do Norte. Belém, 5 de outubro de 1898, p. 1.

33 Folha do Norte. Belém, 6 de setembro de 1898, p. 1.

34 Folha do Norte. Belém, 3 de março de 1898, p. 1.

35 Sobre esta colônia ver. COSTA, Mayco Bruno Cruz. Educação e Colonização no Pará (1889-1909): o estabelecimento do Prata. Belém: Monografia de Conclusão de Curso (História), UFPA, 2007.

36 Folha do Norte. Belém, 17 de junho de 1910, p. 1.

37 Folha do Norte. Belém, 14 de outubro de 1898, p. 4.

38 Idem.

39 Folha do Norte. Belém, 11 de setembro de 1901, p. 1.

40 Arquivo Público do Estado do Pará, Palácio da Presidência da Província do Pará. Ofício Nº 2048 – 2ª secção – 9 de maio de 1889.

41 Folha do Norte. Belém, 6 de agosto de 1898, p. 1.

42 SALLES, Vicente. Música e músicos do Pará. Belém: Conselho Estadual de Cultura, 1970, p. 32.

43 Folha do Norte. Belém, 29 de agosto de 1900, p. 2.

44 Referindo-se às vivências dos colonos nas fazendas em São Paulo, Zuleika Alvim lembra que as festas religiosas longe de representarem apenas a busca “pura e simples de conforto para a alma” também eram para muitos colonos um “dos raros momentos em que podiam encontrar seus conterrâneos e ter o mínimo convívio social, quebrando a monotonia que caracterizava as fazendas”. ALVIM, Zuleika. “Imigrantes: a vida privada dos pobres do campo”. In: SEVCENKO, Nicolau (org.). História da vida privada no Brasil, 3. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 265.

45 Folha do Norte. Belém, 11 de novembro de 1900, p. 1.

46 Folha do Norte. Belém, 2 de janeiro de 1901, p. 1.

47 Folha do Norte. Belém, 7 de janeiro de 1901, p. 1.

48 CRUZ, Ernesto. Colonização do Pará, p. 131.

49 Folha do Norte. Belém, 12 de julho de 1900, p.2.

50 LOURENÇO, Fernando Antonio. Agricultura ilustrada: liberalismo e escravismo nas origens da questão agrária brasileira. Campinas: Editora da Unicamp, 2001, p. 169.

51 Instituto Lauro Sodré. Sessão solene de entrega dos diplomas de operários que concluíram os cursos em 1908. Pará, Typ. do Instituto Lauro Sodré, 1908, pp. 14-20

52 Idem.

53 Idem, p. 5.

54 Idem, pp. 18-25.



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