Educando a sensibilidade: a puericultura como alicerce da Moral e do Trabalho na escola maternal da sociedade de socorro aos necessitados



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EDUCANDO A SENSIBILIDADE: A Puericultura como alicerce da Moral e do Trabalho NA ESCOLA MATERNAL DA SOCIEDADE DE SOCORRO AOS NECESSITADOS (CURITIBA, 1928–1944)

Keli Fernanda Rucco Turina – UFPR/CAPES



fernandaturina@gmail.com
Marcus Aurelio Taborda de Oliveira – UFPR/CNPq

marcustaborda@uol.com.br
Palavras-chave: educação da infância; história do currículo; Puericultura.

Eixo temático 2 – Instituições e práticas educativas
Introdução
Em O mal estar na civilização, Freud (1997) diagnosticava que as chamadas sociedades modernas estavam alicerçadas sobre a tríade higiene, ordem e beleza. Para o autor, um dos dilemas da civilização era justamente dimensionar o preço a pagar pelo desenvolvimento de uma determinada sensibilidade – moderna, a qual teria se definido lentamente desde o séc. XIX em torno do chamado mundo do trabalho, para os pobres (Gay, 2001), e da expansão dos tempos livres do trabalho, para as cada vez mais vicejantes camadas médias (Hobsbawm, 1996), em diferentes lugares do mundo.

Na mesma década em que o pensador austríaco tecia com rara lucidez sua crítica à cultura moderna e hiper-desenvolvida do capitalismo industrial, no Paraná se conhecia um significativo debate justamente sobre algumas daquelas premissas sugeridas por Freud. Daquele debate nasceria, entre outras iniciativas, a Sociedade de Socorro aos Necessitados - SSN1, a qual fundaria, em 1928, uma escola maternal. A Escola Maternal da Sociedade de Socorro aos Necessitados2 fundamentava o seu trabalho na moral, na puericultura e no trabalho (Turina, 2010), caracterizando uma clara disposição de agir sobre corpos e mentes dos seus pequenos freqüentadores. Segundo os seus regulamentos aqueles três preceitos apresentavam-se como eixos de fundamental importância para a concretização do “objetivo máximo da Escola Maternal: higiene, ordem e disciplina” (Sociedade de Socorro aos Necessitados. 13 de abril de 1929).

Entre tantas atividades previstas pelos idealizadores daquela instituição, a Escola Maternal se caracterizou pela preocupação em oferecer a escolarização à infância ali assistida, cobrindo as idades de 0 a 12 anos, em três fases distintas: a Creche, o Jardim de Infância o Curso Doméstico, este apenas para meninas. Naquela estrutura, consideramos que o espargir da puericultura, da moral e do trabalho foi realizado com base na desqualificação da maior parte da população não só local, mas brasileira, ainda “carente” de um choque de civilidade. Esta deveria internalizar as normas que lhes eram ensinadas, visando a formação de indivíduos higienizados, civilizados e moralizados, sob o epíteto de “cidadãos”, independente das condições materiais que determinavam sua condição de pobreza e abandono.

Se considerarmos, ainda, que as sensibilidades consideradas modernas estavam ancoradas em novas formas de educação do corpo e dos sentidos da infância pobre – mas nem sempre abandonada – então entendemos que se faz necessário compreender o papel conferido à Puericultura naquele tempo e lugar. Nosso objetivo é, pois, explorar neste trabalho alguns dos pressupostos da Puericultura como prescrição curricular naquela instituição educativa. É possível afirmar, com base nas fontes analisadas, que a perspectiva de puericultura, moral e trabalho adotada nas ações da Escola Maternal e da Sociedade de Socorro aos Necessitados, estava embasada em preceitos científicos difundidos principalmente em congressos, entre outros espaços de grande circulação de idéias. Estes, por sua vez, não estavam restritos ao âmbito daquela instituição, mas compunham as propostas de outras instituições e embasavam os discursos de médicos, juristas, políticos, jornalistas, entre tantos outros profissionais que consideravam estes princípios como fundamentais na educação da população.

Assim, mobilizamos documentação de natureza variada, como aquela emanada do interior da Sociedade de Socorro aos Necessitados (atas, correspondência, relatórios, programas etc.), além da imprensa diária e da produção de intelectuais ligados às causas da educação e da assistência à infância pobre, para indagar no âmbito prescritivo o que se formulou para a educação da infância pobre em Curitiba na década de 1920. Tomando a prescrição como um momento fundador do currículo (Goodson, 1995), e observando o quanto este artefato social agiu sobre a educação dos corpos e das sensibilidades (Taborda de Oliveira, 2006), procuramos verificar como a Puericultura se articulava à moral e ao trabalho na tentativa de desenvolver uma sensibilidade afeita ao mundo “moderno”, de forte assento laboral. Este assento, por sua vez, era justificado por uma retórica de cunho religioso, assistencial e caritativo para afirmar em corações e mentes infantis - pobres – o lugar de cada um no novo mundo de acelerado progresso.

Preceitos de puericultura e a nova sensibilidade do trabalho.

É necessário compreender os princípios e o lugar que a Puericultura ocupava nos debates educacionais para problematizar sua relação com os objetivos e as ações da Escola Maternal. Segundo Rocha (1987), a puericultura surgiu na França no final do século XVIII e foi definida como o conjunto de normas sobre a arte de criar fisiológica e higienicamente as crianças. O seu desenvolvimento permitiu a sua consolidação em estreita relação com a área da saúde, mais especificamente à Pediatria, hoje. Refere-se aos cuidados preventivos com a fisiologia, a higiene, a nutrição, entre outros elementos que favoreçam o bom desenvolvimento físico, psicológico e social de crianças desde a gestação até a puberdade. Estas noções abrangem desde normas de ordem médica, nutricional, psicológica, de higiene, como também aspectos sociais, afetivos etc.

Rocha (1990) lembra que a Puericultura passou por certo aperfeiçoamento desde seu surgimento e que nos dias atuais tem como objetivo formar um “adulto perfeito”, fisicamente sadio, psiquicamente equilibrado e socialmente útil. Logo, ela era e é muito mais que uma rubrica no currículo escolar, ainda que esteja presente na formação de professoras, por exemplo, desde o séc. XIX (Vilela, 2002). Além disso, o seu desenvolvimento e as mudanças que sofreu parecem em estreita relação com as mudanças ocorridas no âmbito dos saberes médicos.

Percebe-se que no período analisado a Puericultura se configurou desta mesma forma. Como um conjunto de normas e condutas direcionadas ao trato da infância, com forte apelo cientificista (Turina, 2010). Martagão Gesteira, ao realizar um breve histórico sobre a Puericultura, destacou que

o interesse e o cuidado pelos meninos se foram tornando cada vez maiores e desdobrando-se em medidas legislativas de amparo à mãe e à criança, em obras diversas de assistência moral, material, médica e jurídica à maternidade e à infância desvalida, tudo o que constitui hoje o acervo duma verdadeira ciência, extremamente vasta e complexa, a que se ajusta bem o termo puericultura (...). (1943a, p. 72).

A definição estaria feita não fosse a perspectiva que se considera neste trabalho de que existiam duas concepções distintas para o termo Puericultura. Conforme Bonilha e Rivorêdo uma delas baseava-se no pressuposto de pensar os cuidados à criança “em todos os aspectos biológicos, psicológicos e sociais” (2005, p.7), como vimos antes, de modo que se pudesse “prevenir doenças e auxiliar na expressão genética plena” (2005, p.7), visando a melhor formação do adulto. Segundo os autores, essa perspectiva, apresentava-se com “caráter neutro e positivo” (2005, p.8) e desconsiderava outra concepção que apresentava “a puericultura como uma prática social sujeita aos mais diversos agentes políticos e econômicos, com motivos, objetivos e conseqüências que extrapolam a simples elaboração de normas científicas que assegurem o desenvolvimento da criança” (2005, p.8). Essa segunda acepção sustenta as discussões realizadas neste trabalho, o qual entende existir “encobertos sob a proposta de prevenir a mortalidade infantil através da educação, outros projetos, como o do estabelecimento de um padrão de comportamento não só para as crianças, mas para as famílias como um todo, de cunho moralizante e baseado naquele considerado ideal pelas classes dominantes” (BONILHA; RIVORÊDO, 2005, p.8).

Assim, arriscamos afirmar que a Puericultura contribui para a educação da sensibilidade, na medida em que ajuda a definir padrões de comportamentos acordes com determinados interesses ou finalidades, sejam políticos, culturais, econômicos, ou morais, seja como um saber médico-científico, seja como uma disciplina escolar. Não por acaso ela esteve presente no currículo escolar, tanto ao nível das Escolas Normais, quanto da instrução primária (Pykosz, 2007). Deste modo, na segunda acepção, os seus preceitos científicos se modificariam de tempos em tempos, e ela manteria apenas seu princípio ideológico de manutenção da ordem social imposta através da educação e da assistência das novas gerações. Além de cuidados higiênicos, médicos ou legislativos, entre outros, a puericultura envolveria também uma perspectiva de incutir na criança e na família determinados padrões de comportamento moral.

A difusão da puericultura no Brasil ocorreu de forma intensa no final do século XIX e início do XX, e se baseou em normas já difundidas em outros países. Ao se referir ao problema das altas taxas de mortalidade infantil averiguadas no Brasil, Arthur Moncorvo Filho destacava que “procurávamos estudar o problema tanto quanto permitiam as nossas forças e apreender as noções do que de profícuo se fazia em todas as nações cultas em bem da criança” (Moncorvo Filho, 1927, p. 127).

O estudo do problema ao qual se refere Moncorvo Filho conferia à medicina status de saber legitimado, no qual as conseqüências da não efetivação daquelas orientações causariam danos à criança e, conseqüentemente, à sociedade. Deste modo, valendo-se das descobertas e retóricas científicas, os médicos associavam a falta de higiene e os cuidados com o corpo à outros aspectos considerados nocivos à formação da criança, como a carência de conduta moral e intelectual das pessoas. Segundo Moncorvo Filho

o tempo corria e cada vez mais íamos armazenando estudos e observações quer no terreno da higiene infantil, no qual as estatísticas mostravam a excessiva mortalidade dos pequeninos, certamente em grande parte evitável, quer na esfera do abandono moral, quer ainda no tocante aos deploráveis desastres da ignorância, do preconceito e do analfabetismo (MONCORVO FILHO, 1927, p.127-128).

O abandono moral, a ignorância e o analfabetismo mencionados por Moncorvo Filho, somados à falta de higiene, colocariam em risco o objetivo de formar o cidadão saudável, robusto e útil à sociedade. O combate ao abandono moral, à ignorância, ao analfabetismo, à falta de higiene e de cuidados com o corpo infantil se configurava como noções de puericultura que deveriam ser transmitidas às mães e também para professoras. Notemos como essa retórica fundava boa parte dos discursos renovadores no âmbito educacional, no Brasil, na década de 1920. Não por acaso, na I Conferência Nacional de Educação, realizada em Curitiba em 1927, parte significativa das teses discorria sobre as diferentes formas de educação do corpo (Taborda de Oliveira e Linhales, 2010).

Assim, naquela ambiência de renovação educacional, de cruzada pela “salvação” da infância, tal como para Moncorvo Filho, a professora paranaense Annette Macedo, também defendia a necessidade de “conhecer e aplicar os preceitos fundamentais da puericultura, saber cultivar crianças, para que sejam sadias e robustas” (MACEDO, A. 1928b, p.135). A professora, que seria diretora da Escola Maternal e autora dos seus programas de ensino, corroborava o discurso que circulava no período em relação à necessidade de amplos cuidados com as crianças pequenas.

Em um período em que diferentes doutrinas eugênicas davam o tom de muitos discursos renovadores, os princípios de puericultura defendidos por alguns intelectuais pautavam-se nos discursos médicos-científicos de melhoria da raça. Conforme destacava Moncorvo Filho o objetivo daquela verdadeira “cruzada” era

introduzir em nosso meio quanto de profícuo fosse sendo (sic) adotado nos mais adiantados países, agindo em todos os sentidos e particularmente estabelecendo uma enérgica e extensa propaganda de higiene infantil, ensinando-se ao povo a verdadeira puericultura, para que pudesse o Brasil alcançar, ao cabo de algum tempo, o ideal dos povos civilizados – o melhoramento e a robustez de sua raça pela aplicação utilíssima das regras da Eugenia (MONCORVO FILHO, 1927, p.139).

Na perspectiva de Moncorvo Filho, seguidas na Escola Materna de Curitiba, as regras de eugenia auxiliariam a formação do cidadão sadio, moral e útil à pátria, atuando como uma medida de adaptação social dos sujeitos ditos “desajustados”. Os apontamentos do médico carioca não eram alusivos às idéias da eugenia referentes ao branqueamento, como em outros registros; mas sim, ao uso da ciência como instrumento de aprimoramento e salvação da população pobre, e como possibilidade de destituir a ignorância e os hábitos de vida insalubres daquela. Isso porque, segundo grande parte dos intelectuais do período, a ignorância e os maus hábitos eram os responsáveis pela disseminação de doenças e degeneração da população, tal como já postulava Fernando de Azevedo em 1916.

Assim, consideramos que a puericultura apresentava-se como um conjunto de regras com orientação eugênica para a primeira infância, pois a busca pelo tipo ideal de cidadão sadio, bem formado social e psiquicamente começava com os cuidados pré-natais e infantis. Ou, ainda, pode-se afirmar que no período analisado, a puericultura se conformou aos moldes do modelo eugênico de cidadão e ajudaria a reforçar os discursos higienistas disseminados no Brasil desde o séc. XIX. Desse modo, é possível ponderar que a puericultura servia à disseminação dos preceitos eugênicos e higiênicos de cunho moralizante, como ferramenta de prevenção aos maus comportamentos da população pobre. Com base nestas considerações entende-se que as normas de puericultura mencionadas no regimento da Escola Maternal coincidiam com as orientações referentes aos cuidados higiênicos, físicos e morais com as crianças pequenas atendidas naquela instituição.

As normas de puericultura e sua divulgação se configuraram de diversas maneiras na Sociedade de Socorro aos Necessitados e na Escola Maternal. O Dispensário à Mãe Pobre, que foi organizado pela S.S.N. antes da instalação da Escola Maternal, tinha a finalidade de transmitir às mães pobres cuidados pré-natais durante a gestação. Esta iniciativa caracterizava-se como uma ação de puericultura que previa orientações às gestantes, referentes às condutas higiênicas, físicas, alimentares, morais entre outros cuidados com as crianças, mesmo antes do nascimento, numa ação de conformação da sensibilidade da população. Sob o pretexto do “impressionante número de crianças que morrem nos primeiros tempos de sua existência” (Sociedade de Socorro aos Necessitados, 1929, p.6) os cuidados pré-natais tinham como foco “o engrandecimento da Pátria, que cada vez será mais forte, à medida que seus filhos se tornarem sadios” (Sociedade de Socorro aos Necessitados, 1929, p.6). Este discurso se mostra consoante com as propostas de Moncorvo Filho em relação à puericultura e seus benefícios para a Nação, e também estava presente nas ações da Escola Maternal. Segundo Maria Júlia, diretora daquela instituição, ela reuniria

o mesmo ideal de aperfeiçoamento físico, moral e intelectual dos entes entregues ao cuidado da escola a radiosa esperança de os vermos um dia, colaborar como elementos úteis na grande obra de construção social e no engrandecimento da terra brasileira. (ESCOLA MATERNAL DA SCIEDADE DE SOCORRO AOS NECESITADOS, 1939, p.01).

Tanto o Dispensário quanto a Escola Maternal tinham como uma das formas de divulgação da puericultura, os conselhos ministrados às mães pobres, que no caso do Dispensário eram transmitidos nas consultas pré-natais. Na Escola Maternal, o eram nas reuniões anuais realizadas com as mães das crianças matriculadas na instituição. O Dispensário contava com um médico responsável que também realizava atendimentos eventuais junto com outros médicos. Na Escola Maternal a reunião com as mães contava com a presença de todas as professoras, da diretora e do médico da Escola. Na “palestra com fins educativos” (ESCOLA MATERNAL DA SOCIEDADE DE SOCORRO AOS NECESSITADOS, 1935, p.01) eram “dirigidas palavras de estímulo, conselhos profiláticos e ensinados os meios pelos quais cada mãe, poderá colaborar na obra da Escola Maternal.” (ESCOLA MATERNAL DA SOCIEDADE DE SOCORRO AOS NECESSITADOS, 1932, p.02). O médico da escola prelecionava sobre “higiene alimentar e outros pontos interessantes à vida infantil” (ESCOLA MATERNAL DA SOCIEDADE DE SOCORRO AOS NECESSITADOS, 1935, p.01), e à diretora caberiam os estímulos para que as mães realizassem o que era prescrito pelos médicos, além da ênfase nas condutas morais e na importância da valorização do trabalho.

Assim, entendemos que a difusão da puericultura pretendeu não só orientar hábitos de higiene, mas também regular a vida íntima das famílias, ajustando ações tanto internas quanto externas à casa e à família, enfim, à vida privada (Boltanski, 1972). Aquelas ações sempre estavam balizadas pela prescrição de condutas civilizatórias aliadas à apologia do trabalho.

O convite realizado pela diretora da Escola Maternal às mães das crianças matriculadas para que comparecessem em palestras educativas expressa o lugar que a instituição pretendia ocupar na vida familiar. Ditar “conselhos úteis e bem explicados sobre a moral e decoro no lar, preceitos sobre a higiene do corpo, ordem e asseio” (ESCOLA MATERNAL DA SOCIEDADE DE SOCORRO AOS NECESSITADOS, 1930, p.03) era o foco da instituição, sob a argumentação de que assim as famílias poderiam contribuir com a obra da Escola Maternal. Certamente essa prática implicava em colocar a família das crianças como desqualificadas para o trato das mesmas. Conforme o regimento da Escola Maternal os cuidados com as crianças da creche estavam claramente orientados pelos preceitos da puericultura:

Art. 11.°— À Creche ou Asilo das Crianças incumbe ministrar-lhes os cuidados de nutrição, de higiene, de ginástica, provendo às necessidades do seu desenvolvimento físico e psíquico, observadas as instruções gerais e as espaciais dadas pelo Diretor da Assistência Médica da S. S. (ESCOLA MATERNAL DA SOCIEDADE DE SOCORRO AOS NECESSITADOS, p. 118,1928).

A proposta de atendimento às crianças da creche se baseava nas noções de puericultura que circulavam no período e referiam-se aos cuidados da higiene do corpo, da alimentação da criança, seu estado de saúde, entre outras questões. Um breve relato de Moncorvo Filho, cuja obra funcionava como um verdadeiro guia didático, permite observar quais outros elementos poderiam estar a cargo da puericultura:

a) proteção à mulher grávida; b) Berços – Seu histórico desde a antiguidade – Leitos adotados e leitos condenados pela higiene; c) Mamadeiras, bicos e chupetas – Classificação das mamadeiras – tipos perigosos e condenados; d) Alimentação da primeira infância – Aleitamento natural (materno e mercenário), misto e artificial; aparelhos de esterilização de leite (modelos), leites industriais, farinhas alimentícias; estatísticas sobre os diferentes regimes adotados na alimentação da primeira idade, radiografia do estomago da criança, digestão dos alimentos, fezes normais e patológicas [...]; e) Alimentação da segunda infância; f) Vestimenta – Tipos de envoltórios: roupas prejudiciais, tipos de roupas higiênicas que devem ser adotadas de acordo com os climas; g) Amuletos e abusões; h) Concursos de Robustez; i) Dentição. (MONCORVO FILHO, 1927, p.375-376).

Muitos dos elementos apresentados pelo autor referem-se a objetos de uso cotidiano da criança pequena. Aqueles seriam indicados ou contra-indicados de acordo com pressupostos estranhos às famílias, o que requeria uma intervenção educativa sobre crianças e famílias. Vale reiterar que aquela intervenção na forma de prescrições sobre o que deveria ou não ser utilizado no trato das crianças, desencadearia um conjunto de conseqüências no qual cada vez mais as famílias seriam desobrigadas de avaliar e decidir o que poderia ser bom ou não aos seus filhos. Do mesmo modo que se pode flagrar o processo de desqualificação da família pela escola, com o espraiamento da escola de massas (Cunha, 2003), aqui o processo de desqualificação da experiência familiar estava a cargo da Puericultura e dos saberes médicos.

O Regimento da Escola Maternal constava de dois artigos sobre a Creche, uma das suas modalidades de atendimento. Em um deles observamos que a mesma “será dotada [...] dos requisitos essenciais ao serviço de Puericultura, tendo aparelhos de observação e experiência, dormitório, refeitório, banheiros, etc.” (ESCOLA MATERNAL DA SOCIEDADE DE SOCORRO AOS NECESSITADOS, 1928, p.118). Não foi possível localizar na documentação a quais aparelhos o Regimento se refere. Porém pode-se cogitar, tendo como referência os apontamentos de Moncorvo Filho citados acima, que talvez fossem aparelhos para pesagem e medição das crianças para acompanhamento de seu desenvolvimento, bem como berços, mamadeiras e roupas adequadas às propostas higiênicas de cuidados às crianças de até 2 anos. Desse modo, se pode supor que as normas seguidas na Escola Maternal eram transmitidas às crianças e às suas famílias com a finalidade de divulgar os preceitos da puericultura e torná-los atitudes habituais da população ali atendida. A escola se apresentava como o espaço por excelência de conhecimento legítimo e, em estreita parceria com os médicos, pretendia fazer chegar à boa parte dos lares os preceitos higiênicos considerados adequados à ambiência urbana.

Mas os preceitos da puericultura não estavam presentes apenas nas ações da Creche, mas também em outra modalidade da Escola Maternal, o Curso Doméstico. No regimento da Escola Maternal consta que no Curso Doméstico, destinado a formar “boas mães de família”, as alunas receberiam “conhecimentos práticos de Puericultura”. (ESCOLA MATERNAL DA SOCIEDADE DE SOCORRO AOS NECESSITADOS, 1928, p. 121). Não há menção no regimento a uma disciplina específica para o ensino da puericultura, porém os artigos do documento permitem observar que o saberes afeitos à puericultura deveriam ser difundidos em vários momentos, pois o “Curso Doméstico ministrará às meninas de mais de 7 anos a cultura física, intelectual, afetiva, ativa, moral, cívica e estética necessárias às boas mães de família.” (ESCOLA MATERNAL DA SOCIEDADE DE SOCORRO AOS NECESSITADOS, 1928, p. 119). Outros aspectos relacionados à puericultura também apareciam no item do regimento sobre o Curso Doméstico, como higiene, ginástica, cuidados com o corpo, direitos e deveres entre marido e mulher e cultura cívica e patriótica.

A partir daquele programa que mesclava uma dimensão enciclopédica com um caráter claramente utilitário, podemos considerar que a puericultura se configurou de duas formas distintas na Escola Maternal; como proposta de educação, no sentido lato, e como proposta de escolarização. Na atuação da Creche o objetivo das ações baseadas na puericultura era formar indivíduos adequados às normas de higiene e conduta moral desde pequenos, educando-os, a partir das prescrições da medicina científica, para a eficiência social (Hamilton, 2001), segundo esperavam os grupos dominantes do conjunto da população. Em um momento onde pululavam as greves operárias, grassavam ainda as epidemias, transbordava a miséria e a mendicância, esperava-se antecipar a ocupação do espaço urbano evitando problemas futuros para a sociedade curitibana. Ali, cuidar das crianças significava educá-las e moldá-las de acordo com uma nova sensibilidade, o que nos faz concordar com a tese defendida de Kuhlmann Jr. (2004), para quem no cuidar e no assistir também está inscrita uma proposta de educativa.

As orientações apresentadas no Regimento e nos relatórios da Escola Maternal permitem afirmar que não se tratava de uma proposta de educação emancipatória ou transformadora, que recuperasse a utopia do esclarecimento, mas uma educação de caráter preventivo, desenvolvida como forma de evitar os males sociais que supostamente a pobreza carregava consigo. Deste modo, entendia-se mais uma vez que o problema estava no outro, no indivíduo pobre e na sua família, que traziam consigo doenças, maus hábitos e desvios de todo tipo como que de forma hereditária.

Na perspectiva do Curso Doméstico o destaque estava no processo pelo qual a ciência da Pediatria vulgarizou parte de seus conhecimentos transpondo algumas normas de puericultura para a escola, algo como uma disciplina curricular, processo este que se pode denominar escolarização dos saberes da puericultura. Importante destacar que esta perspectiva de escolarização da puericultura foi marcada pela proposta de tornar algo não escolar adaptado para o espaço escolar com a finalidade de novamente disseminar esses saberes para o ambiente extra-escolar, neste caso o ambiente familiar, denotando algumas das múltiplas finalidades identificadas por Chervel (1990) na constituição de uma disciplina escolar.

Os médicos daquele período consideravam que a puericultura deveria “interessar a toda a gente, como campanha de humanidade e como cruzada de patriotismo” (MARTAGÃO GESTEIRA, 1943b, p.49). Para tanto era necessário “difundir as noções de higiene geral pelo povo, sendo a escola um dos meios e o mestre um dos excelentes instrumentos para conseguir tal fim.” (MAGALHÃES, 1917, p.442). Porém não se tratava de ensinar todos os saberes médicos da puericultura, mas apenas a parte deles que garantisse a manutenção da ordem e civilidade. A ação médica estava associada à ação escolar no objetivo de formar o indivíduo saudável, de hábitos civilizados, robusto, trabalhador e útil à Pátria. No que se refere à associação entre médicos e educadores, Annette Macedo defendia que estes eram responsáveis por duas missões distintas na sociedade, porém que não se dissociam: a da pediatria e a da pedagogia. A Missão da Pediatria consistia na “salvação das crianças” e devia

ser colocada em primeiro lugar entre as obras eugênicas, isto é, entre as obras indispensáveis para a regeneração física e moral da humanidade. Depois a missão da Pedagogia. [...] Ambas se completam, não há entre as duas separação alguma. Quer no ambiente puro do lar bem formado, quer no hospital, o pediatra e o pedagogo visam realizar o mesmo santo e nobre ideal, de formar homens de corpo e de espírito. (MACEDO, A. 1952, p.202).

Não obstante o “exaustivo trabalho em prol das crianças da primeira idade, fazendo, [...] uma larga e profícua propaganda de higiene infantil [...] entre as mulheres pobres” (MONCORVO FILHO, 1927, p. 224, grifo nosso) não se pode considerar que o foco de difusão das normas de puericultura fosse apenas as classes trabalhadoras. Embora não seja objetivo deste trabalho aprofundar esta discussão, vale destacar que o tom pastoral de muitos daqueles intelectuais que propalavam as orientações da puericultura destinavam-se a toda população, visando interferir nos hábitos familiares de todos os lares. Como exemplo podemos identificar a intensa campanha para vacinação das crianças contra a varíola e posteriormente contra a tuberculose, fossem crianças pobres ou não, e também a ênfase nas questões do aleitamento materno que segundo Moncorvo Filho (1927) era uma das principais causas da mortalidade infantil. Conforme o médico carioca, algumas mães de classes mais abastadas “olvidando-se por certa aberração de espírito, de um dos mais sublimes deveres da maternidade, se deixam subjugar pelos caprichos da moda e prazeres sociais, a ponto de negarem a seu filho o primeiro e o mais salutar alimento” MONCORVO FILHO, 1927, p.68).

“O aleitamento mercenário, assim chamado por ser exercido por pessoas que a ele se prestam mediante paga” (MONCORVO FILHO, 1927, p. 68) configurou-se no final do século XIX e início do século XX como

um cancro roedor [...] em virtude do alto preço [...] exercido, do nosso sossego no íntimo da família em razão da qualidade das pessoas que nele se empregam, e de inúmeras e terríveis moléstias [...] originadas [...] pelo enfraquecimento e impropriedade da nutrição fornecida por um leite empobrecido ou imprestável, para o fim a que se destina. (MONCORVO FILHO, 1927, p.69).

Por conta destes argumentos, Moncorvo Filho (1927, p.72) com sua retórica moralista defendia a regulamentação das amas mercenárias, “sujeitando as mulheres que se destinam a este mister a exame prévio [...] feito por comissões médicas [...] ou pelos membros do Instituto Vacínico” onde estas receberiam uma guia que as habilitava para o exercício do aleitamento mercenário em casas de família. A falta de hábitos higiênicos, os modos de vida desregrados, a fraca alimentação das mães pobres, entre outros, eram apresentados pelo médico carioca como os fatores que desencadeariam enfermidades, deformidades e retardos nas crianças amamentadas com o leite destas mulheres. Estes argumentos permitem observar a perspectiva da puericultura como intervenção cultural, política e moral, bem como sua interferência nos hábitos e regras íntimos das famílias como pretexto de preservação de toda a sociedade.

Não obstante, a pobreza era identificada como a grande causadora dos problemas da sociedade civilizada. O entrave do desenvolvimento social e econômico estava associado à perspectiva do pobre como o agente âncora, aquele que atrasava ou ainda, que destruía as possibilidades de modernização da cidade e da sociedade, representação que calaria fundo nos discursos das elites brasileiras desde então. Para os defensores do discurso da modernização, a prevenção apresentava-se como a melhor ou única forma de garantir que os germes da pobreza se dissipassem pela urbe. Ser pobre, nascer pobre, implicava carregar consigo as chagas biológicas e sociais indesejadas na vida da sociedade em modernização. O discurso sobre os perigos da pobreza deixa a entender que o problema está no outro, no pobre, e não na estrutura política e na organização daquela sociedade. Por estes motivos as normas de puericultura difundidas entre a população, seja pela escola ou por outros espaços, não se restringiram a hábitos de higiene, de alimentação, de vestimenta, mas também aos modos de convivência social e moralização do sujeito pobre para que este pudesse ‘ocupar seu lugar’ na cidade de forma considerada adequada. Daí depreendermos que as prescrições da Puericultura podem ser consideradas como um dos elementos moralizadores mais vigorosos no processo de educar e escolarizar a infância pobre e a sua família no início do séc. XX em Curitiba.

Moral e trabalho na formação da infância pobre.

Moral e trabalho se apresentavam de forma associada nas ações da Escola Maternal, principalmente nos departamentos do Jardim de Infância e do Curso Doméstico, e guardavam grande relação com a puericultura. Não somente na Escola Maternal, mas também na Sociedade de Socorro aos Necessitados estes dois aspectos constituíram-se como os valores maiores a serem inculcados nos indivíduos que freqüentavam aqueles espaços.

A moralização dos sujeitos pelo trabalho era um discurso recorrente no final do século XIX e início do século XX. Segundo Karvat (1998, p. 30) o “apego ao trabalho implicava no alargamento dos atributos morais. Quanto mais dedicado e abnegado o indivíduo fosse ao trabalho, tanto mais moralizado seria.” Com base nessa argumentação buscava-se construir uma imagem positiva do trabalho na vida dos indivíduos – ainda que, como mostra Hobsbawm (1996), a apologia do trabalho era destina apenas àquelas classes que podiam se dedicar ao ócio. O sujeito desinteressado pelo trabalho era considerado como desprovido de valores morais, e como conseqüência uma ameaça a ordem e a paz social. Aqueles indivíduos necessitavam de uma educação moral que inculcasse valores contra a ociosidade e o desapego ao trabalho.

O discurso sobre a importância do trabalho como aspecto moralizador da vida dos cidadãos pautava-se na argumentação do ócio e da vadiagem como causas da criminalidade. Os sujeitos sem ocupação eram os considerados como os mais propensos a cometer atos ilícitos, fossem crimes ou outros distúrbios à ordem, como por exemplo, farras em bailes, bebedeiras entre outros, como bem demonstra De Boni (1985).

A relação ócio/mendicância logo foi estabelecida sob o argumento da necessidade de sobrevivência dos sujeitos, porém desinteressados pelo trabalho estes viveriam a pedir pelas ruas como forma de garantir sua subsistência. Fazia-se necessário combater a mendicância, a vadiagem e o ócio para evitar crimes e permitir que a cidade se modernizasse de forma ordeira e civilizada, lugar onde todos os cidadãos respeitariam a ordem e as regras gerais de boa convivência.

O problema da mendicância e da vadiagem nas ruas da capital paranaense era pauta de discussão anterior à criação da Sociedade de Socorro aos Necessitados. Os mendigos que viviam a esmolar pelas ruas de Curitiba apresentavam-se como um problema antigo, foco de debates entre políticos da capital, juristas, médicos entre outros cidadãos da cidade. As iniciativas apontadas para combater a desordem social que se instalava na cidade no final do século XIX e início do XX, segundo De Boni (1985) eram: maior aparelhamento da polícia, melhor treinamento do corpo policial, aprovação de leis mais específicas e rigorosas na punição de certos crimes e a criação de instituições de controle e manutenção da ordem, como prisões, por exemplo.

Naquele contexto era considerado vagabundo/mendigo o sujeito que não possuía trabalho, e mais ainda, que não possuía família e nem um domicílio fixo. Mais outros dois elementos se constituíram como norteadores de conduta moral: a família e o lar. Moralizar o indivíduo significava educá-lo para uma ocupação considerada honesta que preenchesse longas horas do dia. O fato de alguém não possuir um trabalho honesto passou a ser considerado como crime, pois a ociosidade tornaria o indivíduo propenso a cometer diversos delitos caso permanecesse perambulando pelas ruas sem nenhum controle das autoridades. A ausência de família e a falta de um lar e de um trabalho eram vistos como motivos suficientes para que o indivíduo considerado “vadio” viesse a cometer crimes e obtivesse recursos de forma ilícita.

Para enfrentar o problema do que era considerado criminalidade nas ruas, era preciso “diferenciar o homem honesto, trabalhador, do marginal, vagabundo, subversivo, como também, estabelecer o grau de temibilidade dos indiciados em processos” (DE BONI, 1985, p. 83). Todos deveriam ser identificados e aquelas pessoas que enquadrassem naqueles critérios de “honestidade” não teriam motivos para temer. Ao serem identificados os cidadãos recebiam carteirinhas e atestados de bons antecedentes fornecidos pela polícia. Mas a diferenciação dos cidadãos como trabalhadores ou desocupados não era a única forma de classificação social. Havia também a distinção entre os mendigos, diferenciados como verdadeiros e falsos, pois “como em todas as classes, na dos miseráveis, existem os honrados e os sem honra” (VANCONCELLOS, 1921). Distinguir verdadeiros e falsos mendigos se justificava pela intervenção que seria destinada a um e ao outro.

Na obra intitulada “Repressão à mendicidade e socorro aos necessitados”, José Pereira de Macedo destaca que reprimir a mendicância e socorrer os necessitados “são problemas que não se resolvem isoladamente, tal a sua mutua dependência” (MACEDO, J.P. 1927, p. 9). Considerava-se que

a resolução de um implica a resolução do outro, porque, materialmente, é tão impossível socorrer aos necessitados entremeados na onda volumosa dos mendigos profissionais, como reprimir o vício sem separar dos viciados e dos malandros, os mendigos acidentais (MACEDO, J.P. 1927, p. 9).

Segundo Macedo, “o pedinte que estende a mão à caridade pública o faz por: a) invalidez física; b) invalidez moral, c) invalidez temporária; d) miséria acidental; e) vício” (MACEDO, J. P. 1927, p. 11). Com base nas considerações de Macedo os ‘verdadeiros’ mendigos seriam aqueles sem condições de trabalhar, sustentar a si próprios e sua família e se inserir produtivamente na sociedade seguindo normas de civilidade. Os falsos mendigos seriam os que se aproveitam do espírito de bondade dos cidadãos para viver em vadiagem, sem trabalhar. Os verdadeiros mendigos eram “tristes almas em expiação, que o manto do infortúnio envolve em suas malhas negras” (VANCONCELLOS, 1921). Estes mereceriam amparo e auxílio, principalmente porque provavelmente apresentavam maior aceitabilidade da condição na qual eram enquadrados. Falsos mendigos seriam “os que por fraqueza perderam a noção de honra, (...) sistematicamente não trabalham, não se incomodam com as desgraças dos outros, são egoístas, em regra atrevidos, em algumas ocasiões, cínicos e, por vezes, maus” (VANCONCELLOS, 1921). Os falsos mendigos são considerados indivíduos que não se adaptam à vida produtiva em sociedade, não aceitam ordenamentos e não possuem caráter moral. Macedo argumentava que o acolhimento em massa dos considerados falsos mendigos, os vagabundos por opção por assim dizer, não se apresentava como alternativa, pois seria necessário prevenir que aqueles sujeitos viessem a mendigar. Para o autor o problema seria moral, sendo preciso a correção do sujeito que não possuía em sua alma o espírito do trabalho. Seria necessário forjar nestes sujeitos novas sensibilidades. Comportamentos morais e sociais precisariam ser paulatinamente inculcados naqueles considerados propensos às atividades de mendicância e vadiagem.

Para o grupo político engajado na modernização da cidade os mendigos se constituíam uma ameaça pela potencialidade de cometer crimes, mas para os cidadãos em geral o mendigo representava incômodo “aos olhos”. Não era desejável ver sujeitos maltrapilhos circulando pelas ruas da cidade, que deveriam estar limpas, saneadas e livres dos ociosos, desocupados, malandros e incapazes que circulavam livremente “importunando os transeuntes” (Proteção aos mendigos, 1921). O mal estar coletivo em relação aos mendigos, que nos faz retornar à obra de Freud, referia-se

ao espetáculo penoso do trajeto de pedintes pelas ruas, ou da permanência deles em lugares públicos, ostentando a sua miséria, suas chagas, sua cegueira e a imundície dos seus farrapos, para exercitarem a comiseração das almas sensíveis. (Os Necessitados, 1921)

A causa da má conduta higiênica e do descumprimento das regras de profilaxia seria a ausência da moral, pois, segundo argumentos do período analisado, um sujeito moralizado possuiria hábitos higiênicos, seria de conduta ordeira e trabalhador. Estes eram os elementos desejados para a formação do bom caráter.

A vadiagem por assim dizer hereditária [...] é uma das causas da indigência de certa camada social, refratária por índole a toda e qualquer forma de progresso e maldizendo os que, pelo seu trabalho e observância dos preceitos de higiene física e moral, fruem situações de relativo bem estar. (Sociedade de Socorro aos Necessitados, 1929, p.3)

O tom não poderia ser mais assertivo: a condição social de cada um não era dada por uma sociedade baseada no favor, no beneplácito, no poder político ou econômico. Para a Sociedade de Socorro aos Necessitados, que era composta por membros da auto denominada elite curitibana, trabalho, higiene e moral pareciam ser “naturalmente” constitutivos da sua própria condição, e faltariam aos mais pobres. Daí a necessária assepsia da cidade, para a qual contribuiria a educação. Para a vadiagem haveria solução: inculcar novos valores morais nos pobres e direcioná-los para o trabalho produtivo, para a conduta ordeira e a higiene desejada. Fazia-se necessária constante vigilância e a manutenção da ética do trabalho na vida da população pobre, pois se esta perdesse a condição de trabalhadora, a ociosidade e a propensão ao crime permaneceriam como um fato da sua “natureza”. Não é demais, pelas fontes que dispusemos, afirmar que a educação da sensibilidade trata, mesmo, da construção de uma segunda natureza no homem. Nesse caso, pautado pelo trabalho, pela eficiência social e pelo apego à ordem e à saúde. Daí que os pobres seriam portadores de duas situações distintas, estar ou não estar trabalhando, e de apenas uma condição “natural”, ser pobre, o que implicava em ser predisposto à maus hábitos de conduta moral e higiênica (Turina, 2010).

Após alguns anos atuando no recolhimento de mendigos e necessitados a Sociedade de Socorro organizou a Escola Maternal sob o pretexto de “proteger a criança, desde o berço, até a sua primeira educação.” (NERY, 1928, p.148). A intenção era proteger a criança de sua própria origem, da pobreza de sua família, da falta de higiene e de moral, numa perspectiva que se pode dizer de correção e não de prevenção. Era preciso “combater os germes do mal, cultivar os do bem, a fim de preponderarem estes eficazmente, sem contraste, como base do caráter.” (MACEDO, A. 1928b, p.130). A Escola Maternal, que segundo seus proponentes destinava-se à prevenção, na verdade apresentava-se como uma proposta de correção, pois condenava a origem social das crianças. Como os ”germes do mal”, fossem eles a vadiagem, a imoralidade e a falta de higiene, eram elementos constituintes do caráter do pobre, sendo de origem hereditária, era necessário corrigir o caráter da criança pobre o quanto antes.

A moral, conforme discurso da época, era o elemento base de formação do caráter do indivíduo, e assim, as ações do Jardim de Infância foram organizadas para “estimular e consolidar as boas tendências e os hábitos bons”. (ESCOLA MATERNAL DA SOCIEDADE DO SOCORRO AOS NECESSITADOS, 1928, p.119). No Jardim de Infância da Escola Maternal as crianças deveriam se auto-controlar, estimulando a “vontade inibitória das tendências más” e assim “cultivar bons hábitos”. (Escola Maternal da Sociedade de Socorro aos Necessitados, 1928, p.119). A moral se assemelharia ao solo onde seriam plantadas as sementes da higiene e do trabalho, para as quais, como vimos, a puericultura contava um papel crucial. Ser um sujeito de hábitos de higiene e trabalhador significava possuir uma boa moral e estar apto para contribuir com o engrandecimento da Nação. Para desenvolver a “boa moral”, Moncorvo Filho (1927, p.146) defendia que era necessário “desenvolver os sentimentos da honra e da virtude” e para atingir tal objetivo era necessário recorrer à “inteligência e sobretudo ao coração, quer dizer, moralizar o cidadão.”

Nas ações do Jardim de Infância da Escola Maternal também se entedia que era necessário avaliar “o grau de atividade mental de cada criança, a fim de as classificar em grupos homogêneos” num processo que visava conhecer “as tendências ou inclinações de cada criança” no que se refere à moral (Escola Maternal da Sociedade de Socorro aos Necessitados, 1928, p.118).

A proposta para o Jardim de Infância era

dirigir todos os exercícios e diversões, de modo que, em seus atos, as crianças adquiram hábitos de polidez, de modéstia verdadeira, de bondade, de justiça, de sinceridade, de dignidade, de discrição, de moderação, de prudência, de coragem e de ordem e, em suma, de cumprimento de seus deveres.” (Escola Maternal da Sociedade de Socorro aos Necessitados, 1928, p.119).

Todo o tempo e todas as atividades das crianças eram controlados e tinham objetivos educativos. A exemplo do que ocorreu com a transmissão das normas de puericultura, a escola novamente ocupou o lugar principal de difusão dos preceitos morais socialmente valorizados. A família era considerada como desprovida de condições higiênicas e morais para educar os filhos; deste modo a escola assumia a educação das crianças pobres. O objetivo não era restabelecer a família como lócus principal de educação das crianças, e sim educá-la por meio das crianças. Conforme mencionou Annette Macedo ao proteger a criança de suas próprias origens “protege-se também, indiretamente, sua pobre mãe, seja esta uma empregada doméstica, uma operária ou uma libertina. E, se libertina, essa mãe é duplamente infeliz, e por isso mesmo sua filhinha ou seu filhinho mais necessita dos nossos cuidados, que nela poderão refletir-se para que mude de rumo” (1928b, p.131).

Os valores morais que seriam adquiridos no Jardim de Infância tinham como finalidade ‘preparar’ as crianças para receberem a formação para o trabalho. A própria idéia de elevação moral das crianças tinha na importância conferida ao trabalho um elemento formador do bom caráter por excelência. Annette Macedo (1934, p. 65) argumentava que “o trabalho é uma necessidade, é uma benção de Deus. As crianças trabalhando se educam.” No caso da Escola Maternal os meninos permaneciam na instituição somente até a conclusão do Jardim de Infância, departamento intermediário. Depois, eram encaminhados a outras instituições, na maioria dos casos, escolas profissionais ou de ofícios destinadas às crianças desvalidas e/ou abandonadas. Já, as meninas permaneciam na Escola Maternal para freqüentarem o Curso Doméstico, que seria o equivalente do curso primário, porém, como vimos, acrescido de outros objetivos: moldar as meninas para se tornarem “boas mães”. Dentro da perspectiva almejada pelos organizadores da Escola Maternal, isso significava ter uma formação voltada para as noções de puericultura e moral, mas destinadas ao mundo do trabalho.

Ao chegar à idade de freqüentar o Curso Doméstico as meninas eram iniciadas no mundo do trabalho de forma prática, pois de acordo com o Art. 25º. do regimento da Escola Maternal “por determinação da Diretora serão as meninas, em horas propícias, empregadas em serviços da Creche, compatíveis com a sua idade e constituição física, como meios de educação doméstica, dando-se lhe então conhecimentos práticos de Puericultura”. (Escola Maternal da Sociedade de Socorro aos Necessitados, 1928, p. 121)

É possível afirmar que este artigo do regimento visava no mínimo quatro propósitos complementares entre si: a valorização do trabalho na vida das meninas; o uso da mão-de-obra das meninas de duas formas diferentes na instituição; a formação de mão-de-obra qualificada para o trabalho doméstico em casas “de família”; e, principalmente, a moralização e o enquadramento daquelas que seriam as futuras mães pobres. O Curso Doméstico dava continuidade ao processo de moralização das meninas iniciado na Creche. A valorização do trabalho ganhava destaque com a execução de tarefas pelas gurias que desde muito pequenas eram incentivadas ao trabalho produtivo. Era chegada a hora de colocar em prática as noções de puericultura e os princípios morais aprendidos ao longo dos anos de Creche e de Jardim de Infância.

A mão-de-obra das meninas era utilizada na Escola Maternal de duas formas distintas. As meninas auxiliavam as guardiãs nos cuidados com as crianças da creche e também realizavam trabalhos manuais como a confecção de artefatos domésticos destinados à venda. No primeiro caso, é possível entender como uma Escola com uma média de cem crianças matriculadas e cerca de sete funcionárias entre professoras e guardiãs, conseguia atender a todas: utilizando-se da mão-de-obra das meninas. No segundo caso, as prendas domésticas confeccionadas pelas alunas do Curso Doméstico eram vendidas e os valores arrecadados eram destinados ao Pecúlio da Alegria e do Trabalho. Criado para garantir certa reserva de valores à Escola Maternal, o Pecúlio da Alegria destinava-se à compra de mimos, brinquedos, jogos educativos e material necessário para a confecção dos artefatos do Curso Doméstico (Escola Maternal da Sociedade de Socorro aos Necessitados, 1928). A venda dos produtos produzidos pelas meninas destinava-se a arrecadar fundos para a obra de assistência da Sociedade de Socorro aos Necessitados, de certa forma eram as próprias alunas que garantiam parte dos recursos para manter o atendimento na Escola Maternal, embora não possamos dimensionar o quanto ele significava no orçamento geral da instituição. A conclusão do Curso Doméstico conferia às meninas formação para o trabalho doméstico. Como se tratava de uma clientela pobre essa era uma alternativa garantida de colocação profissional que reduzia as chances das meninas ficarem perambulando pelas ruas da cidade, e/ou praticando a mendicância. Ao mesmo tempo, o Curso Doméstico proporcionava às famílias com posses a oportunidade de contratar empregadas domésticas com certa experiência no trato diário com crianças, com conhecimentos técnicos sobre atividades domésticas adquiridos em uma instituição escolar.

A importância do trabalho é o que predomina nos artigos sobre o Curso Doméstico, no entanto, no seu Regimento consta que a finalidade máxima deste departamento da E.M. era forma ‘boas mães’ de modo que:

tudo na Escola tem de visar esse fim; e especialmente:

1.° — os trabalhos manuais de utilidade doméstica, inclusive horticultura e floricultura;

2.° — as noções

a) — de contabilidade doméstica;

b) — de economia doméstica;

c) — de higiene e de medicina caseira. (Escola Maternal da Sociedade de Socorro aos Necessitados, 1928, p.120).

Uma vez mais vemos articulados os preceitos da puericultura e a tônica da moralização aliadas ao preparo para o trabalho. O caráter daquelas trabalhadoras deveria ser comedido, higiênico e ordeiro. As meninas recebiam orientações para que quando fossem mães, atuassem em seus lares conforme as normas recebidas nos anos de formação do Curso Doméstico, alterando as práticas familiares até então transmitidas de geração para geração. O objetivo era conformar novos hábitos de conduta – novas sensibilidades – nas meninas e, conseqüentemente, em suas futuras famílias, na perspectiva que a família seria a menor célula da sociedade e refletiria a postura “moralizada” dos seus membros na cidade e na Nação que se modernizavam.

No regimento da Escola Maternal consta que

Art. 21.º — Tudo na Escola será elemento de cultura moral, completada por noções singelas e práticas, concernentes:

a) — aos deveres relativos a nós mesmos, aos nossos semelhantes, à Família, à Escola e à Pátria;

b) — à felicidade de ser bom e justo, à satisfação da consciência, fonte da alegria de viver;

c) — às necessidades primordiais da vida humana; aos direitos e deveres relativos a cada uma;

d) — ao casamento, base da família;

e) — aos direitos e deveres entre marido e mulher; e

f) — à bondade e à justiça de Deus, base de todas as religiões. (Escola Maternal da Sociedade de Socorro aos Necessitados, 1928, p.120).

As meninas deveriam compreender que delas dependia a modernização e o progresso da Nação. Pretendia-se que as alunas compreendessem o lugar de importância da família, da igreja, da escola e do Estado em suas vidas, demonstrando que de todas estas instituições sociais a mais vulnerável e que necessitava de maior orientação era a família. Todo o cotidiano da família e dos cuidados com os filhos passou a ser regulado e regrado de acordo com normas de conduta, de higiene, de respeito e de comedimento. Formando novos hábitos nas alunas, estas constituíram suas famílias sob uma nova esta perspectiva de indivíduo, ordeiro e trabalhador. Educar aquela nova sensibilidade pela higiene, pela moral e pelo trabalho tratava, pois, de uma reforma da família pobre e é um forte testemunho das bases sobre as quais se constituiu a modernidade na sociedade brasileira.

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1 A Sociedade de Socorro aos Necessitados foi fundada em 1921 na cidade de Curitiba e sua principal ação foi o recolhimento de mendigos e necessitados em casas alugadas e vilas criadas para este fim. Atualmente as atividades da SSN direcionam-se ao atendimento de idosos e crianças, tendo a instituição um asilo e uma creche como suas principais ações.

2 As discussões iniciais que provocaram a escrita deste texto foram apresentadas na dissertação intitulada Escola maternal: história, assistência e escolarização da infância em Curitiba (1928-1944). TURINA, 2010.


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