Educar não custa caro profa. Maria Helena Michel



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Encontro01.08.2016
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EDUCAR NÃO CUSTA CARO

Profa. Maria Helena Michel

Professora Universitária

Licenciada em Letras, MBA em Gestão Estratégica, Mestre em Ciência da Informação

michel@ufmg.br

Pelo muito que se tem dito e alardeado no Brasil sobre a importância da educação, e pelo pouco que efetivamente tem sido feito para promovê-la, pode-se deduzir que não saímos da fase do discurso vazio, autopromoção, demagogia. Coisas do capitalismo, que se impõe como solução única de vida, mas cria uma desigualdade tal faz com que deixa 30% da humanidade sem acesso às suas benesses. E para manter em equilíbrio um sistema que tem por princípio e fim gerar injustiça e desigualdade, é fundamental manter as pessoas pouco esclarecidas, pouco questionadoras, fáceis de serem manipuladas. Por isso, não é interessante para as minorias detentoras do poder no sistema capitalista investir em educação.


Entender a falta de investimento em educação como projeto global de manutenção e estabilização do sistema capitalista, concentrador de riquezas, consumista, pode explicar, por exemplo, porque se prega, mas o que não se diz é que os custos financeiros para educação um povo não são tão altos, muito menos impagáveis. A história da humanidade comprova que nenhum país que investiu recursos na educação do seu povo faliu por isso. Ao contrário, os exemplos mostram exatamente o contrário. Na divulgação de medidas de investimento em educação, são enfatizados os altos custos das mesmas para os cofres públicos. O que não é dito é que os custos em educação são muito inferiores ao que se perde em sonegação de impostos, desvios de verbas públicas, custos com as casas legislativa, judiciária e executiva do nosso país, entre outros tantos desmandos e atos de incompetência administrativa que realmente sangram nossas economias. Pouco se comenta, igualmente, são os altos custos acarretados pela falta de educação do nosso povo em termos de doenças, desnutrição, falta de saneamento básico, violência, acidentes, tráfico, miséria, tudo enfim que acomete um país sem uma verdadeira política social.
Educar significa boas escolas, bons professores, bons currículos.

A história nos mostra que nenhum país que investiu recursos na educação do seu povo faliu por isso. Ao contrário, os exemplos nos mostram exatamente o contrário.


Boas escolas são amplas, bem construídas, bem equipadas e prontas para receber o aluno em tempo integral, para que lá ele possa realmente se formar como cidadão, como profissional, como ser humano ético e responsável: estudando, fazendo deveres, brincando, fazendo atividades artísticas, esportivas, musicais. Uma criança que tem o dia ocupado com atividades criativas, prazerosas, porém construtivas, não tem tempo nem interesse para se envolver com drogas, tráfico, vadiagem.
Bons professores são profissionais preparados, bem formados, motivados, bem remunerados e responsáveis. Atualmente, tem-se que acrescentar mais um item a essa lista: o bom professor precisa se sentir seguro dentro da própria sala de aula (!!!). Ele não pode, para bem atuar, temer pela própria vida dentro da escola. Estas condições implicam desde o respeito à sua condição de professor e condutor do ensino, até a de ser humano, com direito a uma vida sem ameaças, insultos, agressões, violência. Atualmente, a liberdade de tratamento existente nas salas de aulas (No Brasil, apenas) é tal que os alunos se sentem com o direito de enfrentar, agredir e ameaçar os professores. Ninguém consegue fazer um trabalho de qualidade se estiver frente a 30 ou 40 pessoas que poderão colocar em risco sua segurança física e emocional.
Bons currículos contêm conteúdos sérios, realmente preocupados e voltados para o crescimento intelectual e pessoal dos indivíduos. Bons currículos não relegam o estudo formal da língua, instrumento de comunicação da pessoa com o mundo que a cerca. Priorizam a matemática, como indispensável para a construção da capacidade de raciocinar e entender esse mundo. Entendem a importância do aprendizado de outras línguas e da informática para se viver num mundo globalizado. Bons currículos vão além do mínimo e pensam na importância do estudo da filosofia para moldar cérebros pensantes, críticos, da música, da arte, do esporte, da dança. Sonho? Utopia? Ao contrário, temos algumas escolas, alguns municípios já fazendo isso. E não faliram por isso. Há, no Brasil, iniciativas dessa natureza. O que não temos é um projeto de nação, uma política de nação que pense desta forma. Pacotes resolvem problemas emergenciais, tapam buracos, desviam olhares, mudam o foco. Um dia, o Brasil terá que enfrentar com seriedade a questão educacional; será uma questão de sobrevivência. Na verdade, já estamos vivendo um caos social em determinadas áreas, enquanto outras vivem opulências do primeiro mundo. Porém, ainda não conseguimos associar este caos á falta de educação do povo. No dia em que todos se conscientizarem disso, faremos a revolução da educação.


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