Efeito da história de responder em fr sobre o responder subseqüente em fi e drl



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EFEITO DA HISTÓRIA DE RESPONDER EM FR SOBRE O RESPONDER SUBSEQÜENTE EM FI E DRL
Carlos Eduardo Costa1

Raquel Fernanda Ferreira Lacerda1, 3

Silvia Cristiane Murari1

Roberto Alves Banaco2


Estudos experimentais sugerem que a história pode gerar um padrão de “persistência comportamental”. Weiner (1964) realizou um estudo no qual os participantes foram expostos a um FR 40 ou DRL 20s. Participantes submetidos ao FR 40 recebiam 100 pontos a cada 40ª resposta emitida; os participantes submetidos ao DRL 20s recebiam 100 pontos para cada resposta com IRT > 20s. Subseqüentemente, todos os participantes foram submetidos a sessões de FI 10s em que recebiam 100 pontos para a primeira resposta emitida após um intervalo de 10s. Os participantes com história de FR exibiram alta taxa de respostas enquanto que aqueles com história de responder sob DRL exibiram baixa taxa de respostas sob o FI 10s. Portanto, o padrão comportamental gerado pelo FR ou pelo DRL persistiu quando a contingência mudou para FI.

Uma das características do programa de FI é que ele possibilita uma faixa ilimitada de números de respostas por reforçador em intervalos sucessivos, apesar da dependência resposta-reforçador envolver apenas uma resposta (Lattal, 1991). Isto é, mesmo mantendo o padrão de responder em altas taxas os participantes com história de FR do estudo de Weiner (1964) continuaram ganhando os pontos programados na sessão. Portanto, o responder em taxa alta sob FI 10s não parece ser, per se, indicativo suficiente que autorize uma interpretação de que o comportamento dos participantes era “insensível às contingências de reforço”.

Para se avaliar a sensibilidade do comportamento às contingências de reforço corrente é preciso que a contingência mude para uma na qual a manutenção do padrão de responder, engendrado pela história, não forneça reforçadores. Qual seria o padrão comportamental dos participantes se, após uma contingência de FR, a contingência mudasse para DRL em vez de FI? No DRL a manutenção de um responder em taxas altas implicaria na obtenção de nenhum reforçador.

O presente projeto pretendeu avaliar o efeito de um responder em FR sobre o responder subseqüente em contingências que impõem pouca restrição (FI) e muita restrição sobre a taxa de respostas (DRL).


Método

Participantes: Participaram do estudo cinco universitários.

Equipamentos e instrumentos: Foram utilizados dois computadores do tipo PC e dois gravadores com fones de ouvido. Foi utilizado o software ProgRef V3.1 (Costa & Banaco, 2002). A tarefa experimental consistia clicar o botão esquerdo do mouse com o cursor sobre um botão de resposta. Quando o participante cumpria os parâmetros do programa de reforço um smile aparecia e o participante deveria clicar no botão esquerdo do mouse com o cursor sobre um botão de consumação e, então, o smile desaparecia e um ponto era creditado no visor de pontuação.

Procedimento: A Tabela 1 sumaria o procedimento experimental.

Tabela 1: Sumário do procedimento experimental.

Participantes




Fase 1

Fase 2

Fase 3

Fase 4

P2

Número de Sessões

3

3

3

3

P4

3

3

3

3

P5

3

3

3

5

P6

4

3

3

4

P8

6

3

3

4

Todos os participantes

Programa

FR 60

FI 15s

FR 60

DRL 3s

Conseqüência

1 ponto

1 ponto

1 ponto

1 ponto

Duração

30

minutos


30

minutos


30

minutos


30 minutos

Cor do Botão

Cinza

Vermelho

Cinza

Azul

O procedimento foi dividido em quatro fases. Na Fase 1 os participantes foram expostos a um FR 60. Sob esta contingência a cor do botão de respostas era cinza e a cada 60a resposta um smile aparecia no monitor. Durante a Fase 2 os participantes foram expostos a um FI 15s, no qual o botão era vermelho e a primeira resposta emitida após um intervalo de 15s era seguida pelo smile e o intervalo era reiniciado. Na Fase 3 os participantes foram expostos novamente ao FR 60. Na Fase 4 os participantes foram expostos a um DRL 3s. Sob esta contingência a cor do botão era azul e o intervalo entre uma resposta e outra deveria ser de no mínimo 3s para que o smile aparecesse e um novo intervalo fosse iniciado. Caso o participante pressionasse o botão antes de completado os 3s, o intervalo era reiniciado sem o aparecimento do smile.

O número de sessões em cada fase do experimento foi diferente entre os participantes (exceto P2 e P4, com três sessões em cada fase). Todas as sessões tiveram duração de 30 minutos. Ao final de cada sessão os pontos foram trocados por R$ 0,03 cada.
Resultados e Discussão

A Figura 1 exibe as taxas de respostas por sessão de P2, P4, P5, P6 e P8 ao longo do experimento. As linhas tracejadas referem-se à média da taxa de resposta em cada fase.




Figura 1 – Taxa de respostas por sessão de P2, P4, P5, P6 e P8 ao longo do experimento.

Observa-se que o desempenho dos participantes nas três ultimas sessões do FR (Fase 1) foi de alta taxa de respostas (acima de 110 R/min). Quando a contingência mudou de FR para FI (Fase 2), houve um efeito de “persistência comportamental” para os participantes P2, P5 e P6. Os participantes P4 e P8 diminuíram a taxa de respostas quando a contingência mudou de FR para FI. Durante a segunda exposição ao FR (Fase 3) todos os participantes voltaram a emitir altas taxas de respostas. Quando a contingência mudou de FR para DRL (Fase 4) a taxa de respostas de todos os participantes tendeu a diminuir. Finalmente, nas três últimas sessões de exposição ao DRL todos os participantes emitiram baixas taxas de respostas.

Tomados em conjunto os resultados indicam que, apesar de alguns participantes exibirem um padrão de persistência comportamental durante a exposição ao FI (uma contingência pouco restritiva), o desempenho de todos os participantes mudou quando a contingência mudou de um FR para DRL (que, diferentemente do FI, impõe uma forte restrição sobre a taxa de respostas).
Conclusões

De modo geral, os resultados sugeriram que, após uma história de FR, o desempenho em FI pode ou não exibir um efeito de persistência comportamental. Porém, após uma história de FR, se a contingência mudar para uma que imponha forte restrição à taxa de respostas (DRL) o padrão comportamental tende a mudar. Portanto, o efeito da história sobre o comportamento atual parece depender do quanto a contingência presente permite que tais efeitos ocorram. Os resultados do presente estudo sugerem também que é preciso cautela ao afirmar que o desempenho de humanos são “insensíveis às contingências”, quando observamos um a manutenção de um padrão comportamental quando as contingências de reforço mudam. Os desempenhos de P2, P5 e P6 pareciam sugerir que o comportamento desses participantes era insensível às contingências, mas a mudança no padrão comportamental na Fase 4 do presente estudo indica que o comportamento deles estava sob controle das conseqüências de seu desempenho.


Referências

Weiner, H. (1964). Conditioning history and human fixed-interval performance. Journal of the Experimental Analysis of Behavior, 7, 383-385.

Lattal, K.A. (1991). Scheduling positive reinforcers. in I. H. Iversen & K. A. Lattal (Ed.). Experimental Analysis of Behavior (Vol 1, pp. 87-134). Elsevier, Amsterdam.

Costa, C.E.; Banaco, R.A. (2002). ProgRef v3: sistema computadorizado para coleta de dados sobre programa de reforço com humanos – recursos básicos. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 4, 171-172.


1Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR)

2Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

3 Bolsista CNPq (PIBIC/UEL).


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