Efeito do veneno da vespa polybia occidentalis sobre cepas bacterianas de origem nosocomial



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Encontro25.07.2016
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EFEITO DO VENENO DA VESPA POLYBIA OCCIDENTALIS SOBRE CEPAS BACTERIANAS DE ORIGEM NOSOCOMIAL
Andreza Urba de Quadros (PIBIC/CNPq-UNICENTRO), Adriane Rowiechi (UNICENTRO), Elaine Pittner (UNICENTRO), Marta Chagas Monteiro (Orientador – Dep. de Farmácia/UNICENTRO), e-mail: andrezaurba@gmail.com
Palavras-chave: Polybia, veneno, bactérias nosocomiais
Resumo

Diversos peptídeos antimicrobianos estão sendo investigados em secreções animais, especialmente em insetos. O veneno da vespa Polybia occidentalis apresenta significativa ação antimicrobiana, mesmo frente a cepas bacterianas de origem hospitalar, superando, inclusive a ação da melitina da Apis mellifera quando testada com cepas padrão. O veneno teve até 49% de ação inibitória frente a S. aureus quando comparado à atividade da gentamicina e 40% frente à P. aeruginosa.


Introdução

Polybia occidentalis é uma vespa social, pouco agressiva e presente em quase todos os estados brasileiros. Vários componentes farmacologicamente ativos e com diversas ações já têm sido encontrados no veneno de vespas. Recentemente foi identificado no veneno da P. occidentalis, o peptídeo Thr6-BK, que possui ação antinoceptiva superior à morfina (MORTARI et al., 2007). Sabe-se que vários peptídeos antimicrobianos são produzidos por animais como um mecanismo de defesa inato (SILVA, 2000) e já foram encontrados em diversas espécies de animais, inclusive insetos. Alguns deles já foram identificados em espécies próximas à P. occidentalis, como os mastoparanos na Vespula lewisi e a melitina na Apis mellifera (LÓPEZ-BREA, 1999; ELENA, 1989). Segundo estudos do nosso grupo, o veneno da P. occidentalis é também pouco tóxico a células eucarióticas, o que desperta ainda mais nosso interesse em investigar a presença de ativos antimicrobianos em seu veneno. Esse interesse volta-se inclusive para a crescente resistência de cepas bacterianas de origem nosocomial aos antimicrobianos, que reduzem as opções terapêuticas e prejudicam ainda mais o estado clínico do paciente. O objetivo, portanto, deste trabalho foi avaliar o efeito do veneno da P. occidentalis em relação a cepas de origem nosocomial in vitro.
Materiais e Métodos

As vespas foram coletadas no Parque Municipal das Araucárias em Guarapuava/PR e suas glândulas (gls) de veneno foram removidas e armazenadas em PBS a –20ºC, sendo posteriormente maceradas e centrifugadas. Utilizou-se a fim de se comparar o espectro de ação do veneno, duas cepas bacterianas, uma gram-negativa, Pseudomonas aeruginosa, e outra gram-positiva, Staphylococcus aureus (não ORSA), ambas provenientes de isolado clínico cedidas pelo Hospital de Clínicas de Ribeirão Preto/SP. As cepas foram semeadas pela técnica de semeadura em superfície em iguais quantidades em ágar nutritivo. Em seguida, foram adicionados diferentes volumes de veneno, correspondentes a 1, 2, 4 e 8 gls em orifícios feitos no ágar. Como controle positivo foi utilizado gentamicina (0,01mg/µL). Finalmente, as placas foram incubadas a 37º C, e após o tempo de 24, 48 e 72 horas, o halo de inibição do crescimento bacteriano foi medido com o auxílio de paquímetro.
Figuras



Figura 1 – Ação do veneno sobre gram-positiva Figura 2 – Ação do veneno sobre gram-negativa



Figura 3 – Comparativo da ação do veneno sobre gram-positiva e gram-negativa Figura 4 – % de inibição do veneno em relação ao controle (gentamicina)

Resultados e Discussão

Todas as concentrações de veneno foram capazes de inibir o crescimento bacteriano. Esse efeito foi crescente ao decorrer das 72 horas para ambas as cepas (figuras 1 e 2), sugerindo uma ação bactericida sobre elas. Diante da P. aeruginosa, a ação antimicrobiana foi diretamente proporcional à concentração de veneno (figura 2). Em relação ao S. aureus isso não aconteceu (figura 1), todas as concentrações apresentaram eficácia antimicrobiana de forma similar. O S. aureus mostrou-se mais sensível à ação do veneno que a P. aeruginosa (figura 3), comportamento esse também observado com o peptídeo antimicrobiano da Apis mellifera, a melitina, que tem o S. aureus como microorganismo mais sensível e apresenta halo de inibição de até 1,2 cm com cepa padrão (ELENA T., 1989). A atividade do veneno da vespa P. occidentalis, entretanto, superou a ação da melitina, produzindo halo de inibição de até 1,9 cm frente ao S. aureus. O veneno teve também capacidade de inibição de até 40% em relação à inibição induzida pela gentamicina à P. aeruginosa e 49% ao S. aureus (figura 4).



Conclusões

  • O veneno da vespa Polybia occidentalis possui significativa atividade antimicrobiana, mesmo frente a cepas bacterianas nosocomiais;

  • A atividade do veneno parece ser maior em bactérias gram-positivas que em gram-negativas;

  • A ação do veneno sobre ambas as cepas parece ser bactericida;

  • A capacidade de inibição ao crescimento de S. aureus induzida pelo veneno da P. occidentalis supera muito a eficácia do veneno da Apis mellifera;

  • O veneno possui ação antimicrobiana de até 40% se comparado à ação da gentamicina frente a P. aeruginosa e 49% frente a S. aureus.

Mais testes, entretanto, fazem-se necessários, a fim de confirmar e elucidar os dados obtidos e de promover o isolamento e caracterização dos componentes do veneno.



Referências


  • ELENA T. - Contributions to the antimicrobial action of bee venom http://apimondiafoundation.org/foundation/files/1989/Elena%20TATU.pdf.

  • LÓPEZ-BREA M. y T. Alarcón Servicio de Microbiología, Hospital Universitario de la Princesa, Diego de León nº 62, 28006 Madrid - Péptidos de origen eucariótico con actividad antimicrobiana - Revista Española de Quimioterapia, Diciembre 1999; Vol. 12, No.4 © 1999 Prous Science, S.A.- Sociedad Española de Quimioterapia

  • MORTARI, M. R.; CUNHA A. O. S.; CAROLINO R. O. G.; COUTINHO-NETTO J.; TOMAZ J. C.; LOPES N. P.; COIMBRA N.C.; SANTOS W. F. – Inhibition of acute nociceptive responses in rats after i.c.v. injection of Thr6-bradikinin, isolated from the venom of the social wasp, Polybia occidentalis – British Journal of Pharmacology, 2007 – 1-10

  • SILVA JR., P. I. - Sistema imune em aracnídeos, estrutura química e atividade biológica de peptídeos antimicrobianos da hemolinfa da aranha Acanthoscurria gomesiana - Defesa de tese de doutorado USP, 2000 http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42135/tde-28032001-160342/publico/Pedro.pdf

Agradecimentos

CNPq, Fundação Araucária e Unicentro.


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