Enciclopédia de Temas Bíblicos Respostas às principais dúvidas, dificuldades e "contradições" da bíblia Gleason Archer Publicado anteriormente com o título: Enciclopédia de dificuldades bíblicas



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Ezequiel


Ezequiel não se enganou em algumas de suas profecias? Então como seus escritos podem ser aceitos como canônicos?

Ezequiel 26.3-14 contém uma dramática série de profecias que relatam a completa destruição da orgulhosa cidade comercial de Tiro, fato que haveria de acontecer pela ação dos exércitos de Nabucodonosor. No entanto, em 29.18 torna-se claro que esse rei não obteve sucesso em capturar a cidade instalada na ilha, muito perto da praia continental, o importante centro portuário de Tiro. Sem dúvida alguma, seus habitantes retiraram



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suas possessões mais preciosas da antiga cidade quando viram que seu sistema de defesa não podia suportar a pressão das máquinas sitiantes dos caldeus. Os habitantes de Tiro haviam transportado seus pertences por navio à fortaleza da ilha, a qual foi bem protegida pela formidável marinha fenícia contra as tentativas de desembarque das forças navais de Nabucodonosor. Assim esse rei experimentou muitos anos de frustração na vã tentativa de capturar a cobiçada cidade. À guisa de compensação, o Senhor prometeu ao rei um ataque vitorioso contra o Egito.

Um exame cuidadoso de 26.3-14 indica que havia um esboço de punição contra Tiro composto de duas etapas. Os versículos 3, 4 predizem: "trarei muitas nações contra você", as quais lhe quebrariam as torres e muralhas. Tal ameaça enquadra-se bem na campanha caldaica que levou à completa destruição da cidade edificada no continente. Os versículos 5, 6 falam da remoção de todos os tijolos e pedras e de tudo que se pudesse mover no local da cidade arruinada — sendo esse procedimento bastante inusitado, em se tratando de uma metrópole tomada por uma tempestade bélica. Em geral, os destroços eram deixados como entulho: nunca eram removidos nem se varria o terreno.

Os versículos de 7 a 11 especificam que Nabucodonosor haveria de capturar, saquear e destruir totalmente a cidade principal, edificada à beira-mar. O versículo 12 parece introduzir a fase posterior, pois emprega um pronome não específico, sujeito oculto por elipse em português (ara), "[eles] roubarão as tuas riquezas...". Nos versículos 13 e 14, os elementos específicos apontam com notável ênfase para o último ataque à ilha, onde estava a nova Tiro, o qual foi bem-sucedido, sob Alexandre, o Grande (cerca de 332 a.C). Diz-nos a história que, em virtude de as forças navais gregas não terem sido capazes de destruir a ilha (por causa da resistência determinada da frota fenícia, muito superior), ele partiu para um projeto de engenharia ambicioso, que consistia na construção de um dique de um quilômetro e meio de comprimento, edificado a partir da praia até a muralha oriental da ilha. A fim de obter material para esse paredão colossal, os invasores empregaram todo pedaço de pedra que encontraram, atirando-o ao mar. Depois de vários meses de esforço estremo o aterro marítimo estava erigido, e atingiram os muros da cidade, os quais foram derrubados. A metrópole foi saqueada. Exasperado pela longa demora que prejudicou seu programa de invasões, Alexandre resolveu fazer de Tiro um exemplo marcante e aterrorizador: ordenou que a cidade insular fosse totalmente devastada, de tal maneira que jamais pudesse ser reconstruída (v. 14).

Na verdade, a cidade principal, Tiro, que ficava no continente, foi reedificada e reassumiu parte de sua antiga importância durante o período helenista. Quanto à insular, aparentemente desceu abaixo do nível do mar Mediterrâneo, segundo o mesmo processo de rebaixamento que submergiu o porto de Cesaréia, construído com tanto cuidado por Herodes e a custos tão elevados. Tudo que resta da Tiro insular é uma série de recifes enegrecidos, longe da praia, os quais com toda certeza não deveriam ter estado ali no primeiro e segundo milênios a.C, visto apresentar séria ameaça à navegação. O promontório que agora se lança mar a dentro a partir da praia provavelmente foi formado pelo entulho colocado ali pelas marés, ao longo do dique de Alexandre, mas a ilha em si desapareceu e foi afundando quando se instalou o processo de submersão. Não há nenhuma evidência de que essa parte da cidade se tenha reedificado um dia, depois do terrível ato de vingança de Alexandre. À luz desses fatos, pois, as predições do capítulo 26, ainda que tenham parecido totalmente improváveis nos dias de Ezequiel, cumpriram-se de modo cabal, ao pé da letra — primeiramente mediante Nabucodonosor, no século vi, e depois por Alexandre, no século iv.

Mas, teria sido cumprida a profecia de Ezequiel 29.17-20? Nos versículos 8 a 16, há uma previsão genérica de uma derrota esmagadora do Egito às mãos de invasores estrangeiros. Haveria devastação infligida em toda a extensão do solo, desde Migdol, no delta, até Assuã, no extremo sul. Essa situação infeliz deveria durar quarenta anos, e haveria um considerável número de egípcios fugindo para outros países à procura de refúgio.


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A seguir, nos versículos 17 a 20, faz-se uma promessa específica e pessoal a Nabucodonosor. Ele seria recompensado pelo seu desapontamento em Tiro com um sucesso deslumbrante no Egito. Ele penetraria nos campos dos refugiados judeus que fugiram da Palestina, após o assassinato de Gedalias, em 582 a.C, levando consigo Jeremias raptado. Esse profeta havia predito (em Jr 43.8-13) que Nabucodonosor haveria de seguir os passos deles até ali, em Tafnes, e em qualquer outra cidade onde se abrigassem no Egito. Lá ele os dominaria e os levaria cativos e também queimaria os templos egípcios.

O oráculo de Ezequiel 29.17s. foi dado ao profeta "no vigésimo sétimo ano..." — provavelmente na época em que reinava o próprio Nabucodonosor, em vez de o rei judeu cativo Joaquim, ainda que ao relacionar assuntos judaicos Ezequiel faça referências ao reinado de Judá. Nabucodonosor foi coroado rei em 605 a.C, e essa invasão teria acontecido em cerca de 578. É bem provável ter sido esse o ano da primeira incursão desse rei ao Egito, pois permitiria que se completassem os quarenta anos de aflição preditos no versículo 11. Assim, o domínio dos caldeus e o mau tratamento infligido aos egípcios chegou ao fim em 539, quando a Babilônia caiu em poder de Ciro, o Grande. É verdade que o Egito manteve uma resistência nacional, nessa aflição, no reinado de seus reis nativos, como Hofra, (Uaḥ-ib-ra, 588-569) e Amasis (Ahmose ii 569-526 a.C). Eles não foram capazes de reparar o dano severo infligido à sua terra pelos caldeus; tampouco puderam repeli-los de suas fronteiras.

Os historiadores gregos não receberam informações de fontes egípcias ou persas sobre esse período dessa bem-sucedida agressão caldaica. Mas Josefo (Antigüidades, 10.9.5-7) refere-se à conquista do Egito realizada por Nabucodonosor, ao redor de 582 a.C. Embora essa data nos pareça um tanto antecipada, não há razões suficientes para se condenar o relato inteiro como sendo fictício. Algumas descobertas mais recentes de documentos escritos em caracteres cuneiformes e em hieróglifos egípcios concordam com Josefo de modo notável. Um tablete (com escrita cuneiforme) descoberto por Pinches e traduzido por Pritchard (anet, p. 308) data uma das invasões de Nabucodonosor no trigésimo sétimo ano (569 ou 568 a.C). Há também uma pedra que contém um texto fúnebre, biográfico, de Nes-Hor, no Louvre, no qual esse chefe de estado do reino de Uaḥ-ib-Ra, embora não nos forneça uma data exata, fala de uma invasão do vale do Nilo por um "exército de soldados do norte" e asiáticos que invadiram profundamente a terra, subindo o vale do rio até ameaçar a fronteira etíope.

Esses registros contemporâneos da Babilônia e do Egito servem para anular o ceticismo dos detratores de Ezequiel. Mas eles mesmos devem concordar que a predição desse profeta, de tão longo alcance, a respeito do Egito, tornou-se realidade conforme a declaração de 29.15. Depois de terminada a opressão dos caldeus, de quarenta anos, e de a própria Babilônia haver sucumbido ao Império Medo-Persa, em 539, houve pouca tranqüilidade no Egito, antes de Cambises, filho de Ciro, lançar sua invasão com o objetivo de anexá-lo a seu império em 525. Apesar de alguns breves períodos de independência, os egípcios permaneceram subjugados pelo Império Persa, dele dependendo até 332 a.C., quando foram conquistados por Alexandre, o Grande, e pela dinastia ptolemaica que ascendeu ao poder após a morte dele, em 323. Os ptolemeus governaram o Egito até a frota naval de Cleópatra ser vencida por Augusto, na batalha de Átio, em 31 a.C. A partir desse momento, os romanos detiveram o controle até a era bizantina, quando, finalmente, os árabes tomaram o controle do vale do Nilo em 630 d.C Em outras palavras, não houve uma dinastia nativa forte ou duradoura no trono do Egito desde o tempo de Nabucodonosor até presente; nesse sentido, o Egito poderia ser considerado "o mais humilde dos reinos", conforme Ezequiel 29.15.

Quanto às predições em relação ao futuro templo no devastado monte Moriá, em Jerusalém, o principal assunto de Ezequiel 40-48, é verdade que até o presente momento não ocorreu ainda cumprimento cabal. No entanto, como o demonstraremos em um artigo separado, tais profecias se cumprirão no limiar do reino milenar de Cristo. Se assim for, de modo algum essas predições poderão ser consideradas falsas.


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Quem é o "governante de Tiro" de Ezequiel 28? Esse registro tem algum relacionamento com Satanás?

Em Ezequiel 26 e 27, temos algumas profecias específicas a respeito do porto marítimo fenício chamado Tiro, como a predição da destruição da principal parte dessa cidade por Nabucodonosor (26.6-11) e da parte insular, por Alexandre, o Grande, em 332 a.C. (26.3-5, 12-14). Os efeitos devastadores sobre o comércio e a prosperidade das várias cidades e nações que negociavam com Tiro estão delineados em 26.15-21 e por todo o capítulo 27. As passagens que trazem as lamentações por causa da queda da cidade e a resultante ruína do comércio mundial apresentam um tema que é retomado em escala mais impressionante ainda em Apocalipse 18, que retrata todas as grandes cidades integrantes do forte intercâmbio comercial da Terra lamentando a repentina destruição da Babilônia dos últimos dias.

Esses antigos centros comerciais, portanto, quer falemos de Tiro, quer de Babilônia, tipificam o colapso da cultura materialista do mundo sem Deus, no fim dos tempos. Todos os luxos e riquezas mercantis, pelos quais as civilizações depravadas venderam a própria alma, ser-lhes-ão arrebatados; esses povos nada terão para si senão desilusão e desespero. Há um sentido, portanto, no qual Tiro serve de símbolo apocalíptico da derrocada mundial na agonia final da Grande Tribulação.

A partir dessa perspectiva, analisemos o capítulo 28. O "governante" ou "líder" (nāgîḍ) de Tiro é mencionado em 28.2, em que diz: "Sou um deus; sento-me no trono de um deus no coração dos mares...". E Deus lhe retruca: "... não passas de homem e não és Deus, ainda que estimas o teu coração como se fora o coração de Deus". Em outras palavras, em seu orgulho e loucura, esse governador de Tiro colocou-se, com seus interesses materiais, acima da vontade e da glória de Deus. Em seu devaneio, ele se imaginou mais importante que o Criador e Soberano do Universo — que é como se sente todo ser humano que não se reconciliou com Deus nem aceitou seu senhorio.

Tiro se havia tornado cidade conhecida proverbialmente pela sua sagacidade comercial e pelo brilhante sucesso na perseguição dos bens materiais. E diz o Senhor ironicamente: "você, és mais sábio que Daniel? Não haver segredo que lhe seja oculto?" (v. 3). Nenhuma outra cidade comercial poderia exceder a Tiro na aquisição dos luxos e tesouros que o dinheiro pode comprar, e foi essa supremacia financeira que o mundo insensato considerou a verdadeira sabedoria. Tão grande sucesso havia levado o povo de Tiro à loucura da autodeificação. Imaginaram que suas riquezas poderiam comprar-lhe segurança e poder sem a necessidade de proteção ou favor divinos. "... Porque você pensa que é sábio, tão sábio quanto Deus [isso é, imagina que é divino, e que domina completamente o seu destino], trarei estrangeiros contra você, das mais impiedosas nações [isso é, os caldeus, sob Nabucodonosor...]" (v. 6, 7).

Ezequiel 28.12-15 descreve a ilusão da autoadulação em que Tiro se perdera. Diz o Senhor ao rei de Tiro: "... Você era o modelo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeita beleza. Você estava no Éden, no jardim de Deus; todas as pedras preciosas o enfeitavam: sárdio, topázio e diamante, berilo, ônix..." (v. 12, 13). Em outras palavras, o paraíso que Tiro desejava era o gozo ilimitado dos tesouros materiais mais preciosos que o dinheiro pode adquirir. Tendo tais riquezas, julgavam estar desfrutando o céu na terra. Prossegue o versículo 14: "Você foi ungido como um querubim guardião, pois para isso o designei. Você estava no monte santo Deus e caminhava entre as pedras fulgurantes" [i.e., Deus havia favorecido Tiro com essa prosperidade sem paralelo em que agora a cidade baseia sua megalomania];

Os habitantes de Tiro se imaginavam acima de qualquer repreensão em seu padrão moral, pois consideravam a riqueza como recompensa e certificado de perfeição — quando se considera a ética que realmente tinha valor no mundo endurecido dos homens de negócio. "Você era inculpável em seus caminhos desde o dia em que foi criado até que se adiou maldade em você" (v. 15).

Só quando a orgulhosa cidade finalmente sucumbiu perante os aríetes dos guerreiros que



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a pilhariam, vindos da Babilônia, é que descobriram o quanto estiveram enganados a seu próprio respeito. Haviam julgado estar tranqüilamente postos a salvo no cume do monte de Deus (ou de seu próprio deus, Baal); mas foram atirados dessa montanha pelo julgamento justo de Iavé e imersos nas profundezas de uma derrota humilhante.

Não há a menor possibilidade de identificar o líder de Tiro, ou seu rei, como algum monarca específico da dinastia fenícia. À semelhança do "rei da Babilônia" de Isaías 14, esse "rei" serve como símbolo ou personificação do governo e do povo de Tiro. No que concerne a um relacionamento com Satanás, não parece haver qualquer evidência decisiva no texto de que o príncipe do Inferno esteja sendo mencionado na pessoa do príncipe de Tiro. Dificilmente haveria um versículo, pelo menos, que pudesse ser aplicado somente ao Diabo, em vez de aos governantes humanos dessa cidade. É certo que a teoria proposta por alguns autores de que esse capítulo contém alguns quadros vividos da carreira pessoal de Satanás antes de sua rebelião e expulsão do céu, não passa, quando muito, de uma conjectura destituída de base sólida. A linguagem hiperbólica empregada nos versículos que estudamos acima pode ser entendida melhor como sendo a autoadulação vaidosa, a autoilusão dos milionários de Tiro e de seus líderes amantes do dinheiro, cujo conceito de céu não via além de seus tesouros de rubis e ouro, uma medida de virtude baseada na riqueza material. No entanto, deve-se entender com clareza que, em um sentido real, toda cultura comprometida com os valores materialistas está sob o domínio de Satanás e exerce influência na promoção de sua causa. Mas também irá participar do julgamento e destruição eterna do Diabo (Ap 20.10).



Qual o significado do templo na profecia de Ezequiel (Ez 40-44)? Visto que Jesus morreu a fim de expiar os pecados do mundo, a renovação dos sacrifícios de animais numa era futura é um verdadeiro enigma. [d]

Essa pergunta presume acertadamente que a profecia sobre o templo, feita por Ezequiel, não se refere a uma era futura, visto que tal predição não se cumpriu até o presente. É verdade que houve um templo cuja construção se completou em 516 a.C, subseqüentemente à profecia de Ezequiel (feita em 580 a.C); no entanto, havia muitas diferenças entre o projeto do segundo templo e as especificações apresentadas pelo profeta. A reforma proposta por Herodes, embora grandiosa, deixou de atender às exigências do projetado pela visão de Ezequiel. Nenhum templo foi erigido nesse lugar (a não ser mesquitas islâmicas) desde a destruição total do construído por Zorobabel em 70 d.C Tampouco é possível entender esses cinco capítulos (os quais contêm especificações mais detalhadas que as do primeiro, em 1 Rs 6 e 7) como meramente simbólicos da igreja neotestamentária, templo espiritual de Cristo.

De que maneira devemos entender, então, os sacrifícios a que se refere Ezequiel 43.18-27? Essa passagem especifica ofertas queimadas (‘ōlôṭ), pelo pecado (ḥaṭṭā’ôṯ) e pacíficas (šelâmîm), todas do tempo do at, antes de a cruz tipificar o sacrifício de Cristo. Hebreus 10.11-14 explica que esses holocaustos não eram eficientes por si mesmos quanto a remoção da culpa dos pecados do crente. Todos apontavam para a expiação do Salvador no Calvário, e todas as ofertas apresentadas pelos israelitas eram meros símbolos: tinham a natureza de um cheque bancário emitido contra o crédito ilimitado do futuro pagamento de Cristo, a favor do cristão. Quando o sangue de Cristo foi derramado a nosso favor, a culpa de todos os nossos pecados, isso é, de toda a humanidade redimida, foi realmente expiada de uma vez por todas; e deixou de haver a necessidade (e até mesmo a possibilidade) de sacrifícios propiciatórios em algum altar diante de Deus.

Podemos, pois, ter esta certeza e confiança: os sacrifícios mencionados em Ezequiel 43 não se relacionam à expiação de pecados. Sua função é paralela à da Ceia do Senhor, que Jesus Cristo estabeleceu como ordenança de comunhão, para a presente era da igreja. O memorial do pão e do vinho foi estabelecido somente para presente dispensação. Assim disse Jesus: "Isto é o meu corpo que é dado



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em favor de vocês; façam isto em memória de mim [...] Porque, sempre que comerem deste pão e beberem deste cálice, vocês anunciam a morte do senhor até que ele venha". (1 Co 11.24-26; grifo do autor). Mas no início do Milênio, quando o Senhor Jesus retornar a fim de estabelecer o Reino de Deus sobre a terra, que tipo de ordenança substituirá a Ceia do Senhor, que hoje se faz com pão e vinho? Parece que será sob a forma de sacrifícios outra vez, sem, contudo, as funções expiatórias dos tempos do at.

É verdade que se usam os mesmos termos hebraicos em Ezequiel 43, empregados na lei de Moisés, mas terão novo sentido. Foram utilizados pelo profeta do at porque eram a mais íntima analogia das ofertas no Milênio, bem conhecidas do crente israelita. Todavia, à semelhança de tantos termos empregados em conexão com o fim dos tempos, tais expressões que designam o sacrifício foram sublimadas e alteradas a fim de se enquadrar nas novas condições da dispensação que surgirá. Ainda assim, o templo do Milênio terá um significado triunfal, ou doxológico, em vez de um sentido tipológico, que aponte para uma obra expiatória e santificadora de um Redentor futuro. Servirá de sede de culto e de louvor para todos os cidadãos do Reino glorioso, messiânico, sobre o qual Jesus Cristo reinará durante mil anos, após sua volta a fim de tomar posse da terra para Deus.


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