Enciclopédia de Temas Bíblicos Respostas às principais dúvidas, dificuldades e "contradições" da bíblia Gleason Archer Publicado anteriormente com o título: Enciclopédia de dificuldades bíblicas



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Amós


A profecia de Amós 8.11, 12 é dirigida apenas a Israel? Porventura, já se cumpriu? A expressão "as palavras do Senhor" (v. 11) refere-se à Bíblia como a conhecemos hoje? [d]

O ministério de Amós dirigiu-se ao reino do Norte, perto do final do reinado de Jeroboão ii (793-753 a.C). A parte mais antiga de Amós 8 trata mais especificamente da queda iminente da Samaria, que ocorreu de fato trinta e três anos mais tarde, em 722 a.C, quando os assírios destruíram tanto a cidade como o reino do Norte, que era um estado independente.

Amós 8.11, 12 diz: "Estão chegando os dias, declara o Senhor, o Soberano, em que enviarei fome a toda esta terra; não fome de comida nem sede de água, mas fome e sede de ouvir a palavras do Senhor. Os homens vaguearão de um mar a outro, do Norte ao Oriente, buscando a palavra do Senhor, mas não a encontrarão". Essa advertência refere-se à década final da história de Israel (i.e., o reino do Norte), durante a qual o governo, o clero e o povo buscariam inutilmente algumas palavras de conforto e orientação vindas do Senhor Deus e nada encontrariam. (É um paralelismo dos esforços desesperados, finais, do rei Saul um pouco antes da batalha no monte Gilboa, que desejava receber uma palavra da parte do Senhor [cf. 1 Samuel 28.6]. Por causa dessa rebelião teimosa, dessa desobediência clamorosa, ele perdeu a comunhão com Deus.)

Nesse contexto, "as palavras do Senhor" não eram as Escrituras Sagradas que até então haviam sido reveladas; antes, eram as palavras de aconselhamento que as pessoas procuravam da parte de Deus na crise espiritual. É claro que a profecia havia sido cumprida durante os últimos anos trágicos em que o reino das dez tribos, fundado por Jeroboão i, em 931 a.C, finalmente chegou ao fim, para jamais se levantar. Judá, entretanto, prosseguiu durante mais 135 anos sob a dinastia davídica e posteriormente experimentou seu renascimento, após o cativeiro babilônico.

Entretanto, deve-se acrescentar que a advertência básica ao reino do Norte aplica-se também à apostasia de qualquer nação ou povo que põe de lado a autoridade das Escrituras Sagradas e vive em rebelião contra Deus. Os que não atendem ao ensino da Bíblia verificam que deixam de gozar do acesso à misericórdia de Deus, ou seu favor, e não mais recebem conforto ou livramento da parte do Senhor quando lhes sobrevém o desastre. "... tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da perseverança e do bom ânimo procedentes das Escrituras mantenhamos a nossa esperança". A fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança", escreveu Paulo, em Romanos 15.4.


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Obadias


Qual é a tradução correta de Obadias 13?

A kjv traduz assim esse versículo: "Tu [Edom] não devias ter entrado pelos portões de meu povo no dia de sua calamidade; sim, jamais deverias ter contemplado a aflição deles, no dia de sua calamidade". Essa tradução, com o verbo nesse tempo específico, parece indicar que Edom havia participado da destruição e pilhagem de Jerusalém, que fora finalmente invadida (essa é a implicação de "não devias ter entrado [...] contemplado [...] lançado mão"). Mas quando nos voltamos para o texto original, descobrimos, com surpresa, que em todos os casos os verbos apresentam uma construção normal, no imperativo negativo (i.e., no imperativo negativo com ’al). Portanto, deveria ser traduzido assim: "... Não entres [...] não olhes [...] não estendas [as mãos] contra". De modo semelhante, o v. 14 do texto hebraico diz: "Não pares [...] não entregues [...] etc." Tanto quanto sei, a kjv nunca traduz ’al com o imperativo, como se fora subjuntivo, em alguma outra passagem das Escrituras Sagradas; se não fosse a tradição rabínica incorreta, essa tradução não teria sido feita assim, aqui.

A nasb traz uma tradução boa e fiel, dos versículos 13 e 14: "Não entreis pelos portões do meu povo, no dia de seu desastre. Sim, tu, não te alegres pela calamidade do dia de seu desastre. E não pilhes suas riquezas no dia de seu desastre. E não fiques parado na encruzilhada, a fim de caçar seus fugitivos; e não prendas seus sobreviventes no dia de sua calamidade". Essa tradução direta do texto hebraico aponta para uma situação que poderia surgir no futuro, semelhante a um ataque a Jerusalém em dias passados. É provável que houvesse uma conexão com os tempos de Jeorão, filho de Josafá (848-841 a.C), em que os edomitas se uniram aos filisteus e árabes, que haviam subido contra Jerusalém e atacado essa (2 Cr 21.16, 17). Antes, no reinado desse rei perverso, Edom se havia revoltado contra o senhorio judaico (2 Rs 8.20); e Jeorão realizou uma invasão punitiva em um esforço determinado, que visava trazê-los de volta ao jugo. Não obtendo sucesso em seu propósito, a despeito dos grandes danos que conseguira infligir ao povo, era de esperar-se que esse sentimento antijudaico fosse notório no meio de Edom.

O registro de 2 Crônicas 21 não inclui o nome de Edom como o principal inimigo a invadir Jerusalém; pode-se muito bem presumir que depois de os filisteus e arábios do sul terem capturado Jerusalém, os edomitas uniram-se a eles com o objetivo de dividir o espólio. Essa atitude indevidamente cruel, vingativa, suscitou uma repreensão severa da parte de Deus, que a lançou mediante Obadias. A advertência quanto à repetição dessa crueldade no futuro (advertência a qual naturalmente implicava que Jerusalém ainda estaria livre e rica, sujeita, portanto, a ser atacada de novo por um conluio de invasores) não era uma ameaça tola. Na verdade, parece que mais tarde os edomitas uniram-se aos amonitas e moabitas no ataque a Jerusalém, como aliados de Nabucodonosor, em 588-587 a.C. (ainda que esse episódio não seja o que Obadias menciona), e assim incorreram na ira do Senhor. O resultado foi que o Senhor suscitou os árabes nabateus contra esse povo, nos séculos vi e v, pelo que os edomitas foram completamente erradicados das áreas que seus ancestrais haviam tradicionalmente ocupado na região do monte Seir. Quando os nabateus estabeleceram seu reino no antigo território edomita, esse povo encontrou refúgio nas áreas abandonadas ao sul da Judéia, que passou a chamar-se "Iduméia".



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