Enciclopédia de Temas Bíblicos Respostas às principais dúvidas, dificuldades e "contradições" da bíblia Gleason Archer Publicado anteriormente com o título: Enciclopédia de dificuldades bíblicas



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Os textos bíblicos comentados neste volume aparecem na ordem em que a Bíblia os apresenta. Isso facilita aos leitores encontrar o versículo sobre o qual têm alguma dúvida. Se determinada passagem não é discutida no lugar esperado, é possível que tenha sido explicada sob outra referência bíblica. O índice de assuntos ajudará os leitores a encontrar tópicos específicos, ainda que as referências escriturísticas exatas lhes sejam desconhecidas. A maior parte dos problemas dos sinóticos encontra-se em Mateus, mas os que aparecem nos outros dois evangelhos são facilmente localizados no "Índice de assuntos".

Preparamos uma bibliografia para quem desejar efetuar estudos mais completos de determinados textos ou temas.



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Procedimentos recomendados ao lidar com as dificuldades do texto bíblico


Quando você estiver procurando esclarecer questões bíblicas de qualquer ordem, quer se refiram a situações reais, quer a doutrinárias, é bom seguir diretrizes adequadas para descobrir a solução. Isso fazem mais facilmente as pessoas que estudaram a Bíblia com cuidado e em oração ao longo de muitos anos, tendo memorizado as Escrituras fiel e sistematicamente. Algumas diretrizes seriam:
1. Esteja totalmente persuadido de que existe uma explicação satisfatória para a dificuldade, mesmo que você ainda não a tenha encontrado. Um engenheiro especialista em aerodinâmica pode não entender como o abelhão consegue voar. No entanto, confia que existe uma explicação satisfatória para tão brilhante desempenho, porque, afinal de contas, o abelhão voa! De maneira semelhante, podemos ter a completa certeza de que o divino Autor de cada livro da Bíblia preservou o instrumento humano que o escreveu, isentando-o de erros e enganos ao fornecer-lhe o texto sagrado original.
2. Evite a falácia de trocar a posição apriorística pelo seu oposto cada vez que surgir um problema. Ou a Bíblia é a Palavra inerrante de Deus ou é o registro imperfeito de homens falíveis. Desde que tenhamos concordado com Jesus Cristo em que as Escrituras são completamente dignas de crédito e plenas de autoridade, torna-se impossível nos transferirmos para outra hipótese, a de que a Bíblia é apenas um registro sujeito a erros, escrita por homens falíveis que escreveram a respeito de Deus. Se a Bíblia, como afirmou Jesus, é de fato a Palavra de Deus, deve então ser tratada com respeito, confiança e completa obediência. Diferentemente dos demais livros escritos por homens, as Escrituras vieram da parte de Deus. Nelas encontramos o Deus que vive para sempre, que está presente em toda parte (2Tm 3.16, 17). Quando nos sentirmos incapazes de entender os caminhos de Deus ou de discernir suas palavras, devemos humildemente curvar-nos diante do Senhor e esperar com toda a paciência que ele nos esclareça a dificuldade ou nos livre de nossas provações conforme sua vontade e sabedoria. Pouquíssima coisa Deus manterá fora de nosso alcance, se tivermos o coração e a mente entregues a ele, como crentes sinceros.
3. Estude cuidadosamente o contexto e a estrutura verbal do versículo ou da passagem em que o problema se encontra, até obter uma idéia do que ele quer dizer dentro de seu ambiente. Pode ser necessário estudar o livro todo em que essa passagem está inserida. Anote cuidadosamente como cada termo-chave ocorre em outras citações. Compare um versículo com outro, de modo especial todos os trechos da Bíblia que tratam do mesmo assunto ou doutrina.
4. Lembre-se de que nenhuma interpretação das Escrituras é válida se não se basear em exegese cuidadosa, a saber, no compromisso sincero de saber com exatidão o que o autor queria dizer na época com as palavras que usou. Isso se consegue mediante o estudo cuidadoso das

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palavras-chave, conforme definidas pelos dicionários (hebraico e grego) e usadas em textos paralelos. Pesquise também o sentido específico dessas palavras em expressões idiomáticas que aparecem em outras partes da Bíblia.

Pense sobre o quanto deve ficar confuso um estrangeiro ao ler em um de nossos textos algo assim: "Fulano tomou um banho, depois tomou seu café e a seguir foi tomar o ônibus"; "Tome conta de seu dinheiro, se não um ladrão o tomará de você"; "Tome juízo, menino!"; "Vamos tomar nota disso". O verbo tomar tem sentido diferente em cada frase. Presume-se que as palavras geradoras de sentidos diferentes possuem as mesmas raízes ou a mesma origem etimológica. Entretanto, pode haver total confusão se a pessoa entender mal o que o autor escreveu, o que quis expressar ao usar esses vocábulos. Tenha em mente que a inerrância acarreta a aceitação do que o autor bíblico quis dizer ao usar determinadas palavras e a crença no sentido original delas. Se ele queria que suas palavras fossem entendidas literalmente, é errado tomá-las em sentido figurado. Se as aplicou em sentido figurado, é errado tomá-las literalmente. É por isso que devemos aplicar-nos à exegese cuidadosa, a fim de descobrir o que o autor quis dizer à luz das situações e sentidos de sua época. Eis um trabalho árduo. O uso da intuição ou do julgamento demasiado rápido pode apanhar o exegeta numa teia de falácias e de tendências a distorções subjetivas. Isso em geral resulta em heresia prejudicial à causa do Senhor, a quem desejamos servir.


5. No caso de textos paralelos, o único método justificável é o da harmonização. Isso significa que todos os testemunhos emitidos por várias pessoas que presenciaram determinado acontecimento devem ser considerados dignos de confiança quanto ao que foi feito ou dito em sua presença, ainda que tenham observado os fatos de ângulos diferentes. Quando os discernimos, os alinhamos e os colocamos juntos, na perspectiva correta, obtemos uma compreensão mais completa dos fatos do que se considerássemos cada testemunho individualmente. Todavia, como acontece no caso de qualquer processo investigativo conduzido de modo adequado num tribunal jurídico, o juiz e o júri devem considerar cada testemunho verdadeiro, desde que os fatos sejam vistos da perspectiva da própria testemunha — a menos, é claro, que essas autoridades estejam diante de mentirosos indignos de confiança. Só a injustiça seria bem servida se crêssemos em qualquer outro pressuposto — como, por exemplo, o de que cada testemunha é tida por não fidedigna, a menos que seu testemunho seja corroborado por fontes externas. (Esse, obviamente, é o pressuposto dos oponentes da inerrância das Escrituras, o que os leva a resultados totalmente infundados.)
6. Consulte os melhores livros disponíveis, de modo especial os produzidos por especialistas evangélicos que crêem na integridade das Escrituras. Pelo menos 90% dos problemas são estudados e analisados pelos bons comentaristas (v. "Bibliografia"). Bons dicionários e enciclopédias bíblicas podem dirimir muitas dúvidas. Uma concordância analítica deve ajudar a apurar o emprego das palavras (e.g., a Concordância exaustiva da Bíblia Sagrada - nvi [em cd-rom, Editora Vida]).
7. Muitas dificuldades são resultantes de pequenos erros cometidos pelos escribas que copiavam os textos. No Antigo Testamento (at), tais falhas de transmissão textual podiam ocorrer por causa de leituras deficientes das vogais: na origem, o hebraico era escrito apenas com consoantes. As vogais não eram assinaladas, e os sinais correspondentes a elas só foram acrescentados cerca de mil anos depois de concluído o cânon do at. Além disso, há certas consoantes que podem ser confundidas com facilidade pela grande semelhança entre elas (e.g., d [d, daleth]

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e r [r, reš] ou y [y, yôd] e v [w, waw]). E mais: alguns vocábulos foram preservados em grafias muito antigas, criando a possibilidade de engano por copistas de períodos posteriores. Por outras palavras, só o apego à crítica textual e à análise do texto quanto aos tipos mais freqüentes de confusão e de erro pode esclarecer a dificuldade (a bibliografia específica a esse respeito você encontra na "Introdução"). Incluem-se aqui também as confusões a respeito de numerais: erros estatísticos encontram-se nos textos atuais das Escrituras (e.g., 2 Rs 18.13).
8. Sempre que os registros históricos da Bíblia são questionados, com base em supostas discrepâncias com os achados da arqueologia ou com o testemunho de documentos não-hebraicos antigos, tenha em mente que a Bíblia é em si mesma um documento arqueológico da mais elevada qualidade. Quando um registro pagão discorda do registro bíblico, afirmar simplesmente que o autor hebreu é quem está errado é grosseira tendência unilateral da parte do crítico. Os reis pagãos praticavam a propaganda do auto-endeusamento, da mesma forma que os atuais políticos. Seria então incrível ingenuidade supor que uma declaração feita em linguagem assíria cuneiforme ou em hieróglifos egípcios contenha mais verdade e mereça maior confiança que a Palavra de Deus escrita em hebraico. Nenhum outro documento antigo oriundo dos tempos anteriores a Cristo apresenta tantas provas de precisão e integridade quanto o at. Por isso, constitui violação às regras da evidência presumir que as declarações da Bíblia estejam erradas cada vez que entram em desacordo com as inscrições seculares ou com manuscritos de algum tipo. De todos os documentos conhecidos pelo homem, só as Escrituras hebraico-gregas apresentaram provas de exatidão e de autoridade divina, mediante um padrão de predição e cumprimento inteiramente fora da capacidade humana, somente possível para Deus.

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