Encontros Divinos



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Zecharia Sitchin

Encontros Divinos

TRADUÇÃO


Luís Fernando Martins Esteves

2004


EDITORA BEST SELLER

Dedicado à memória de meus pais, Isaac e Genia (nascida Barsky), minha ligação com nossos ancestrais.




Sumário





  1. Os Primeiros Encontros.......................................................... 11

  2. Quando o Paraíso Foi Perdido................................................ 38

  3. Os Três Que Ascenderam ao Céu........................................... 59

  4. Os Nefilim: Sexo e Semideuses.............................................. 82

  5. O Dilúvio................................................................................. 96

  6. Os Portões do Céu................................................................ 117

  7. Em Busca da Imortalidade.................................................... 140

  8. Encontros na GIGUNU.......................................................... 171

9. Visões Além da Imaginação................................................... 196

10. Sonhos Reais, Oráculos Fiéis............................................. 222

11. Anjos e Outros Emissários..................................................256

12. A Maior Teofania.................................................................291



  1. Profetas de um Deus Invisível.........................................319

Conclusão: Deus, o Extraterrestre..............................................352


1

OS PRIMEIROS ENCONTROS
Encontros Divinos são a experiência humana mais importante – o máximo, o extremo do que é possível quando se está vivo, como quando Moisés encontrou o Senhor no monte Sinai; também a experiência final, terminal e conclusiva como quando os faraós egípcios, que ao morrer presumiam a existência de um pós-vida eterno, iam juntar-se aos deuses na Morada Divina.

A experiência humana de encontros divinos, conforme registrado nas Escrituras e nos textos do Oriente Médio, é uma saga das mais impressionantes e fascinantes. Trata-se de um drama poderoso que envolve Céu e Terra, adoração e devoção, eternidade e moralidade de um lado; amor e sexo, ciúme e assassinato de outro; su­bidas ao espaço e jornadas ao Mundo Inferior. Um palco onde os atores são deuses e deusas, anjos e semideuses, terrestres e andróides; um drama expresso em profecias e visões, em sonhos e presságios, oráculos e revelações. É a história do Homem, separado de seu Cria­dor, que, ao procurar restaurar seu cordão umbilical, estende a mão na direção das estrelas.

Encontros Divinos são a experiência mais importante talvez por ter sido também a primeira experiência humana; quando Deus criou o homem, Homem e Deus encontraram-se no primeiro momento dessa criação. Podemos ler no Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, como o primeiro ser humano, "O Adão" veio à existência:
E disse Deus:

Façamos o homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança...

E Deus criou o homem à Sua imagem,

À imagem de Elohim Ele o criou.


Só podemos supor que o recém-nascido, no instante de vir à luz, mal estava consciente da natureza e do significado daquele primeiro encontro divino. Parece também que o homem não se deu conta de outro encontro crucial, quando o Senhor Deus (na versão da criação atribuída a Iavé) decidiu criar uma companheira feminina para Adão:
E fez Iavé Elohim

Cair um sono pesado sobre o Adão,

E ele dormiu.

E tomou uma das suas costelas

E fechou com carne o seu lugar.

E Iavé Elohim fez, da costela

que havia tomado do Adão, uma mulher.
O primeiro homem estava profundamente anestesiado durante os procedimentos, e portanto ignorava o encontro divino no qual o Senhor Iavé demonstrava seus talentos cirúrgicos. Mas Adão logo foi informado do que acontecera, pois o Senhor Deus "trouxe a mulher ao homem" e apresentou-a a ele. "A Bíblia então oferece alguns comentários sobre por que homem e mulher se tomaram "uma carne" ao casar-se e termina a história com a observação de que tanto o homem quanto sua esposa" estavam nus, mas não tinham vergonha". Enquanto a situação não parecia incomodar o Primeiro Formador de Casais, por que a Bíblia sugere essa possibilidade? Se as outras criaturas no Jardim do Éden "todo animal do campo e toda ave do céu" estavam sem roupa, qual seria o motivo existente que deveria causar vergonha (mas não causou) em Adão e Eva por estarem nus? Seria porque aqueles cuja imagem servira para criá-los usavam roupas? Esse é um ponto a ser mantido em mente - uma pista, inadvertidamente fornecida pela Bíblia, em relação à identidade dos Elohim.

Ninguém, depois de Adão e Eva, poderia passar pela experiência de ser o primeiro ser humano na Terra, com o Primeiro Encontro Divino. O que ocorreu no Jardim do Éden permaneceu como parte da herança humana até nossos dias. Mesmo os profetas escolhidos devem ter tido vontade de tantos privilégios, pois no Jardim do Éden Deus falou diretamente com os seres humanos, instruindo-os a respeito de sua nutrição: podiam comer de todas as árvores do jardim, exceto a fruta da Árvore do Conhecimento.

A corrente de eventos que culminou com a expulsão do Paraíso suscita uma pergunta: sendo que Adão e Eva ouviam Deus, como Deus se comunicava com os humanos num encontro divino? Será que os humanos enxergavam o Criador, ou apenas escutavam a mensagem? E como faziam isso? Seria pessoalmente? Por telepatia? Numa visão holográfica? Por meio de sonhos?

Examinaremos evidências da época para poder responder. Mas na forma como os eventos acontecem no Jardim do Éden, o texto bíblico sugere uma presença física divina. O local não era um hábitat humano, era um pomar deliberadamente plantado "no Éden, no Oriente", onde Deus" colocou o Adão que Ele formou" para servir de jardineiro, "para cultivar e o guardar".

Foi nesse jardim que Adão e Eva, por intermédio da intervenção da Serpente Divina, descobriram sua sexualidade depois de comer o fruto da Árvore do Conhecimento que os tornou "conhecedores do bem e do mal". Tendo comido o fruto proibido, "souberam que estavam nus e coseram folhas de figueira e fizeram para eles cintos".

Agora o Senhor Deus - Iavé Elohim na Bíblia hebraica - entra em cena:


E ouviram a voz do Senhor Deus

que passeava no jardim, na direção do pôr-do-sol;

e esconderam-se o homem e sua mulher

da presença do Senhor Deus

entre as árvores do jardim.
Deus está fisicamente presente no Jardim do Éden, e o som de seus passos pôde ser ouvido pelos humanos. Eles podem também ver a divindade? A narrativa bíblica nada afirma a esse respeito; deixa claro, entretanto, que Deus os pode ver - ou, nesse caso, não podia vê-los porque estavam escondidos. Portanto, Deus usou a voz para alcançá-los: "E chamou o Eterno Deus a Adão e disse­-lhe: 'Onde estás?"'.

Segue-se um diálogo (com três participantes). A história toca em vários pontos de grande importância. Sugere que Adão podia falar desde o início; isso traz a questão sobre qual linguagem foi usada para a conversa de Adão com Deus. Por enquanto, vamos nos ater à história narrada pela Bíblia. Explicou Adão a Deus o motivo de estar escondido: "Temi porque estou nu e escondi-me", o que leva ao questionamento do casal humano pela divindade. Na conversa que se segue, descrita na totalidade, a verdade aparece e o pecado de haver comido o fruto proibido é admitido (embora apenas depois que Eva culpa a serpente pelo ocorrido). O Senhor Deus então declara a punição: a mulher deve dar à luz em dores, Adão precisará trabalhar a terra e com o suor de seu rosto comerá o pão.

A essa altura, o encontro se realiza frente a frente, pois não só o Senhor Deus fez túnicas de pele para Adão e sua esposa mas também os veste com elas. Embora a história tenha a intenção de impressionar o leitor com o significado de estar vestido como "divino", ou elemento divisório entre humanos e animais, a passagem bíblica não pode ser tratada apenas como simbólica. Claramente indica que no início, quando o ser humano estava no Jardim do Éden, encontrou seu Criador face a face.

Inesperadamente, Deus fica preocupado. Falando outra vez a colegas não identificados, Iavé Elohim expressa sua preocupação: "Eis que o homem se tem tornado como um de nós, para conhecer o bem e o mal. E agora, quiçá ele estenda sua mão e tome também da árvore da vida e coma, e viva para sempre".

O deslocamento de assunto é tão grande que se perde facilmente o significado. Lidando com O Homem - sua criação, procriação, ambiente e transgressão - a Bíblia abruptamente ecoa as preocupações do Senhor. Nesse processo, a quase divina natureza do Homem é outra vez realçada. A decisão de criar Adão deriva de uma sugestão para moldá-lo "à imagem e semelhança" dos criadores divinos. O ser resultante, criação dos Elohim, é produzido "à imagem de Elohim". Ago­ra, tendo comido a Fruta do Conhecimento, o homem se tornava divino em mais um aspecto crucial. Examinado pelo ponto de vista da divindade, "Adão se tem tornado como um de nós", a não ser pela imortalidade. Assim, os colegas não apresentados de Iavé colaboram na decisão de expulsar Adão e Eva do Jardim do Éden, colocando um Querubim com uma "flamejante espada rotativa", para evitar que os humanos voltassem, mesmo que tentassem.

Assim, o próprio criador do Homem lhe decreta a mortalidade. Mas o homem, sem se deixar intimidar, procura a imortalidade desde então, mediante os Encontros Divinos.


Essa ânsia pelos Encontros seria baseada numa lembrança de acontecimentos reais ou seria uma busca ilusória baseada em tais mitos? Quanto das histórias bíblicas é fato e quanto é ficção?

Nas diversas versões que relatam a criação do primeiro ser hu­mano e a alternativa entre um Elohim plural ou um Iavé solitário como criador(es), foi apenas uma das indicações que os editores ou redatores da Bíblia Hebraica tiveram diante de si, além de textos mais antigos que lidavam com o assunto. Na verdade, o capítulo 5 do Gênesis começa afirmando que o breve relato das gerações que seguiram Adão está baseado no Livro das Gerações de Adão (começando do "dia em que Elohim criou Adão à semelhança de Elohim"). O versículo 14, em Números 21, se refere ao Livro de Guerras de Iavé. Josué, 10:13 indica ao leitor mais detalhes de eventos miraculosos no Livro de Jashar, que também é listado como fonte conhecida em Samuel II, 1:18. São apenas referências passageiras ao que deve ter sido uma gama bem maior de textos antigos.

A veracidade da Bíblia hebraica (Antigo Testamento) - seja nas histórias da criação, seja no Dilúvio e na Arca de Noé, nos Patriarcas, no Êxodo - chegou a ser duramente criticada no século 19. Uma parte do ceticismo e descrença foi dissolvida por descobertas arqueológicas que aos poucos validaram as histórias bíblicas e os dados, numa ordem decrescente - do passado recente para acontecimentos mais antigos, levando a corroboração mais e mais para o passado, até tempos pré-históricos. Desde o Egito e a Núbia, na África, até restos hititas na Anatólia (atual Turquia), desde a costa do Mediterrâneo e as ilhas de Creta e Chipre no Ocidente até as fron­teiras da Índia no Oriente, em especial as terras do Crescente Fértil, que começavam na Mesopotâmia (atual Iraque), curvando-se para incluir Canaã (o Israel atual), foram descobertos sítios arqueológi­cos um depois do outro - muitos apenas conhecidos pelos relatos bíblicos -, textos escritos em estelas de argila ou em papiros, e inscrições em paredes de pedra ou monumentos que aludiam aos reinados, aos reis, aos eventos e cidades listados na Bíblia. Além do mais, de várias formas, escritos encontrados em locais como Ras Shamra (a cidade cananéia de Ugarit), ou mais recentemente em Ebla, demonstraram familiaridade com as mesmas fontes nas quais a Bí­blia se apoiara. Entretanto, liberto das tendências monoteístas da Bíblia hebraica, os escritos dos vizinhos de Israel no antigo Oriente Médio esclareciam os nomes do "Nós" na Bíblia hebraica. Ao fazer isso, tais textos esboçam um panorama de tempos pré-históricos e erguem a cortina de um fascinante registro de deuses e humanos numa série de Encontros Divinos.

Até o início de escavações metódicas na Mesopotâmia, "a terra entre os rios" (o Tigre e o Eufrates), cerca de 150 anos atrás, a Bíblia era a única fonte de informação a respeito dos impérios assírio e babilônico, de suas grandes cidades e de seus reis orgulhosos. Como estudiosos anteriores ponderavam a veracidade dos dados bíblicos em relação a tais impérios de 3000 anos atrás, sua credibilidade foi testada com a asserção bíblica de que os reinados começaram ainda mais cedo, com um "caçador poderoso pela graça de Iavé", chama­do Nimrod, e que havia capitais reais (e assim uma civilização avan­çada) no passado distante na "terra de Shine'ar". Essa afirmativa estava ligada àquela ainda mais incrível da Torre de Babel (Gênesis, 11), quando a humanidade, usando tijolos de argila, dedicou-se a construir uma "torre que chegasse aos céus". O local era uma planí­cie na "terra de Shine'ar".

Tal terra "mítica" foi encontrada, suas cidades desenterradas por arqueólogos, sua linguagem e os textos decifrados graças ao conhecimento do hebraico e, por conseguinte, das línguas primitivas mais antigas, o acadiano, seus monumentos, esculturas e trabalhos de arte foram valorizados nos grandes museus do mundo. Hoje em dia cha­mamos a terra de Suméria, e seu povo a chamava Shumer (terra dos Guardiões). É para a antiga Suméria que devemos dirigir as atenções se quisermos entender a história bíblica da Criação e o antigo registro do Oriente Médio dos Encontros Divinos, pois foi lá, na Suméria, que o registro desses eventos começou.

Suméria (a Shine'ar bíblica) foi a terra onde a primeira civilização conhecida e documentada floresceu depois do Dilúvio, aparecendo repentinamente e de uma só vez, cerca de 6000 anos atrás. Deu à humanidade quase todas as "invenções" originais no que importa como componente integral de uma civilização - não apenas o primeiro tijolo (conforme mencionado acima) e os primeiros fomos, mas também os primeiros templos e palácios elevados, os primeiros sacerdotes e reis; a primeira roda, a medicina e a farmacologia; os primeiros músicos e dançarinos, artífices e artesãos, mer­cadores e caravanas, códigos de leis e juízes, pesos e medidas. Os primeiros astrônomos e observatórios surgiram lá, assim como os primeiros matemáticos. E talvez o mais importante de tudo: foi lá, por volta de 3800 a.C. que a escrita se iniciou, tomando a Suméria a terra dos primeiros escribas, que anotaram em estelas de argila, na escrita de caracteres impressos (cuneiforme), as mais incríveis histórias de deuses e humanos (como essa estela: "a Criação do Homem"). Os estudiosos encaram esses textos antigos como mi­tos. Nós, entretanto, consideramos que são registros de eventos que essencialmente aconteceram.

Os achados arqueológicos não se limitaram a confirmar apenas a existência de Shine'ar/Suméria. Também vieram à luz antigos tex­tos da Mesopotâmia que rivalizavam com as narrativas bíblicas da Criação e do Dilúvio. Em 1876, George Smith, do Museu Britânico, juntando estelas quebradas encontradas na biblioteca de Nínive (capital da Assíria), publicou o Gênesis Caldeu e demonstrou, além de qualquer dúvida, que a história bíblica da Criação foi primeiro escrita na Mesopotâmia, milênios antes.

Em 1902 L. W. King, também do Museu Britânico, em seu livro The Seven Tablets of Creation ("As Sete Estelas da Criação"), publicou um texto mais completo, na antiga língua da Babilônia, que requeria sete estelas, de tão longo e detalhado. Conhecidas como a Epo­péia da Criação, ou Enuma Elish, por suas palavras iniciais, as primei­ras seis estelas descrevem a criação dos Céus, da Terra e de tudo sobre a Terra, incluindo o Homem, num paralelo dos "seis dias" da Criação na Bíblia. A sétima estela foi devotada à exaltação da divindade suprema da Babilônia, Marduk, que examinava seu magnífico trabalho (similar à narrativa bíblica do "sétimo dia", no qual Deus "descansou de todo o trabalho que fizera"). Estudiosos agora sa­bem que esses e outros "mitos" nas versões assíria e babilônica eram traduções de textos sumérios mais antigos (modificados para glori­ficar o deus supremo assírio, ou babilônio). A História começa na Suméria, como afirma o acadêmico Samuel N. Kramer, em seu livro publicado em 1959 com esse título.

Tudo começou, conforme podemos verificar nesses vários tex­tos, há muito tempo, com a amerissagem, no golfo Pérsico ou no mar da Arábia, de um grupo de cinqüenta ANUNNAKI - um termo que significa literalmente "Aqueles que dos Céus para a Terra vieram". Caminharam rumo à terra seca sob a direção de E.A. ("Aquele Cuja Casa é a Água"), um cientista brilhante, e estabeleceram a primeira colônia extraterrestre na Terra, chamando-a de E.RI.DU ("Casa da Construção Distante"). Outros acampamentos se seguiram para a realização da missão dos visitantes: obter ouro pela destilação das águas do golfo Pérsico - ouro necessário com urgência no planeta de origem dos Anunnaki, a fim de proteger sua atmosfera com uma camada de partículas suspensas de ouro, que evitaria a dispersão dos gases respiráveis no espaço. À medida que a expedição se expandia e as operações foram iniciadas, Ea adqui­riu o título adicional, ou epíteto, de EN.KI - Senhor da Terra.

Mas nem tudo correu bem. O planeta natal (chamado NIBIRU) não estava recebendo a quantidade de ouro necessária. Uma mu­dança de planos logo foi decidida, exigindo que o ouro fosse retira­do da forma mais difícil, minerando-o em AB.ZU - o Sudeste da África. Mais Anunnaki chegaram à Terra (ao final totalizavam 600); outro grupo, os IGI.GI ("Aqueles Que Observam e Vêem"), perma­neceram em órbita, operando cargueiros, naves e estações espaciais (atingiam, segundo os textos sumérios, um total de 300). Para se certificarem de que não haveria falhas, ANU ("O Celestial"), dirigente de Nibiru, enviou para a Terra um meio-irmão de Ea/Enki, chamado EN.LIL ("Senhor do Comando"). Era um administrador firme e apreciador da disciplina; enquanto Enki foi enviado para supervisionar o trabalho de extração do ouro em AB.ZU, Enlil assumiu o comando das sete Cidades dos Deuses no E.DIN ("Casa dos Justos"), o local onde, mais de 400 mil anos depois, floresceria a ci­vilização suméria. Cada cidade possuía suas funções determinadas: um centro de controle de missão, um espaçoporto, um centro de metalurgia; até mesmo um centro médico sob a supervisão de NIN.MAH ("Grande Dama"), meio-irmã tanto de Enki quanto de Enlil.

As evidências, apresentadas e analisadas por nós nos livros I a V da série Crônicas da Terra, em especial no livro Gênesis Revisitado, indicam uma vasta órbita elíptica para Nibiru, que dura 3.600 anos terrestres, um período chamado SAR em sumério. Os registros sumérios de épocas pré-históricas, chamados Listas de Reis, mediam a passagem do tempo conforme se aplicava aos Anunnaki, em SARS. Estudiosos que descobriram e traduziram esses textos julgaram os dados "legendários" ou "fantásticos", já que cada "reinado" individual durava 28.800, 36 mil ou até 43.200 anos. Mas, na verdade, as Listas de Reis sumérios afirmam que esse ou aquele comandante estavam encarregados de determinado acampamento por 8 ou 10 Sars. Convertidos em tempo terrestre, esses números se tomam o equivalente a "fantásticos" 28.800 (8 x 3.600), e assim por diante; do ponto de vista Anunnaki, porém, foram apenas oito ou dez anos dos anos deles, um período de tempo bastante razoável (até mesmo curto).

Portanto, no Sars encontra-se o segredo da imortalidade dos an­tigos "deuses". Por definição, um ano é o tempo que leva o planeta onde se vive para completar uma volta em torno do Sol. A órbita de Nibiru demora 3.600 anos terrestres, mas, para os que vivem em Nibiru, esse período é equivalente a um ano. Textos sumérios e do Oriente Médio falam tanto do nascimento quanto da morte desses "deuses"; só que, aos olhos dos terrestres (pois é isso literalmente o que significa Adão, em hebraico ("Ele da Terra"), o ciclo de vida dos Anunnaki era de tal ordem que eles eram imortais para todos os sentidos práticos.

Os Anunnaki chegaram à Terra 120 Sars antes do Dilúvio - ­432 mil anos terrestres antes da avalanche de água no planeta; o homem - Adão - ainda não estava na Terra. Por 40 Sars os Anunnaki enviados ao Abzu ali trabalharam na estafante minera­ção do ouro; depois amotinaram-se. Um texto em acadiano (a lín­gua-mãe do babilônio, do assírio e do hebraico), chamado Atra Hasis, descreve o motim e as razões para ele com detalhes vívidos. Enlil pediu medidas disciplinares para os instigadores da rebelião. Enki preferia a tolerância. Anu foi consultado; simpatizou com os amoti­nados. Como poderia o impasse ser resolvido?

Enki, o cientista, tinha uma solução. Vamos criar um Trabalhador Primitivo, sugeriu ele, capaz de assumir a parte penosa do trabalho. Os outros líderes presentes perguntaram: Pode ser feito? Um Adamu pode ser criado? Enki respondeu:
A criatura cujo nome pronunciaram já existe!
Ele encontrou a "criatura" - um hominídeo, produto da evolu­ção terrestre - no Sudeste africano, "sobre o Abzu". Só faltava torná­-lo um trabalhador inteligente:
Acrescentar a ele a imagem dos deuses.
Os deuses reunidos - os líderes Anunnaki - concordaram entusiasticamente. Seguindo sugestão de Enki, chamaram Ninmah, chefe dos médicos, para ajudar na tarefa. Disseram-lhe: "Você é a parteira dos deuses. Crie a humanidade! Crie um Híbrido que possa suportar a tarefa designada por Enlil, deixe que o Trabalhador Primitivo faça força pelos deuses!".

No capítulo 1 do Gênesis, a discussão que levou a essa decisão é resumida em um verso: "E Deus disse: façamos o homem à nossa imagem e semelhança". E assim, com o consentimento implícito de "nós" reunidos, a tarefa foi realizada: "E Elohim criou Adão à sua imagem; à imagem de Elohim Ele o criou".

O termo "imagem" - elemento ou processo pelo qual o ser cria­do pôde ser trazido até o nível desejado pelos Anunnaki, semelhan­te a eles, exceto pela Sabedoria e Longevidade - pode ser entendi­do melhor ao compreender quem ou o que era a criatura existente. Como explicam outros textos (por exemplo, O Mito do Gado e do Grão, conforme intitulado pelos estudiosos):
Quando a humanidade foi criada,

eles não sabiam comer o pão,

não conheciam o uso de roupas.

Comiam plantas com a boca,

como ovelhas;

Eles bebiam água das poças.


Essa é uma descrição adequada dos hominídeos, que viviam em estado selvagem como os outros animais. Representações sumérias, gravadas em cilindros de pedra (os chamados selos cilíndricos), mostram tais hominídeos misturando-se com animais, mas eretos, apoiados em dois pés - uma ilustração (lamentavelmente ignorada por cientistas modernos) de um Homo erectus . Foi sobre esse ser, que já existia, que Enki sugeriu "atar a imagem dos deuses" e criar, por meio da engenharia genética, um novo ser terrestre, o Homo sapiens.

Uma pista do processo envolvido na criação genética é dada na Versão de Iavé (como a chamam os estudiosos), no capítulo 2 do Gênesis, onde lemos que "E formou Iavé Elohim ao homem (Adão), pó da terra, e soprou em suas narinas o alento da vida; e foi o homem alma viva". No Atra Hasis e outros textos mesopotâmicos é descrito um processo mais complexo envolvendo o ser. Foi um processo de criação com suas frustrações e métodos de tentativa e erro até aperfeiçoarem o método na direção da obtenção de resultados por Enki e Ninmah (a quem alguns textos, em honra de seu memorável papel, atribuem o epíteto NIN.TI - "Dama da Vida".

Trabalhando num laboratório chamado Bit Shimti - "Casa onde o vento da vida é assoprado" - a "essência" do sangue de um jovem Anunnaki foi misturada com um óvulo de hominídeo. O óvulo fertilizado foi então inserido no útero de uma jovem fêmea Anunnaki. Quando, depois de um período tenso de espera, um "Homem-Modelo" nasceu, Ninmah ergueu o bebê e proclamou: "Criei! Minhas mãos conseguiram fazer!".

Artistas sumérios representaram num selo cilíndrico os emocionantes momentos finais, quando Ninmah/Ninti ergueu o novo ser para que todos vissem. Dessa forma, registrada num selo cilíndrico de pedra, está a imagem do primeiro Encontro Divino!

No antigo Egito, onde os deuses eram chamados Neteru (Guardiões) e identificados pelo símbolo hieroglífico de um machado de mineração, o ato de criação do primeiro Homem de argila foi atribuído ao deus de cabeça de carneiro, Khenmu (Ele que Une), de quem o texto afirma que era o "fazedor de homens... o pai que existia no início". Os artistas egípcios também, assim como os sumérios antes deles, representaram graficamente o momento do Primeiro Encontro; mostra Khenmu segurando o ser recém-criado, auxiliado por seu filho Tot (deus da ciência e da medicina).

Adão, como uma das versões do Gênesis relata, foi realmente criado sozinho. Contudo, uma vez que esse Homem-Modelo pro­vou a validade do processo de criação de "bebês de proveta", um projeto de reprodução em massa foi cogitado. Preparando mais misturas de TI.IT - "Aquilo que está com a vida", o "pó da terra" bíblico - geneticamente alterado para produzir Trabalhadores Primitivos de ambos os sexos, Ninmah colocou sete porções da "argila" num "molde de macho" e sete num "molde de fêmea". Os ovos fertilizados puderam então ser implantados no ventre de mulheres Anunnaki, "deusas do nascimento". Foi a esse processo de criar sete homens e sete mulheres "Híbridos" que a "Corrente Elohista" acre­dita tenha o Gênesis se referido ao afirmar que, quando a humanidade foi criada por Elohim, "macho e fêmea Ele os criou".

Porém, como qualquer híbrido (tal como uma mula, o resultado do cruzamento de um cavalo com uma jumenta), os "Híbridos" não podiam procriar. A história bíblica de como o novo ser adquiriu "Conhecimento", a habilidade de procriar, na terminologia bíblica, cobre com uma alusão alegórica o segundo ato de engenharia genética. O ator principal no desenvolvimento dramático não é Iavé-Elohim nem os seres criados, Adão e Eva, mas a Serpente, a instigadora dessa crucial mudança biológica.

A palavra em hebraico para "serpente", no Gênesis, é Nahash. O termo, entretanto, possui dois outros significados: "Ele que conhece ou desvenda segredos"; ou poderia também significar "Ele das minas de metal". Realmente, um símbolo sumério para Enki era uma serpente. Num trabalho anterior (Gênesis Revisitado), sugerimos que o símbolo associado das duas Serpentes Entrelaçadas, de onde veio o símbolo da cura, que permanece até hoje - já na antiga Suméria! -, tenha sido inspirado na hélice dupla de DNA, remetendo à engenharia genética. Como mostraremos mais tarde, o uso por Enki da engenharia genética no Jardim do Éden também remete ao motivo da hélice dupla nas representações da Árvore da Vida. Enki passou sua sabedoria e seu símbolo para seu filho Ningishzidda, a quem identificamos como o deus egípcio Tot; os gregos o chamavam de Hermes; seu cajado ostentava o emblema das Serpentes entrelaçadas.

À medida que traçamos esses significados duplos e triplos dos epítetos de Enki (Serpente-cobre-cura-genética), nos sentimos tentados a lembrar a história bíblica da praga de serpentes venenosas que caiu sobre os israelitas durante suas perambulações pela desolação do deserto do Sinai: parou depois que Moisés construiu uma "serpente de cobre" e a ergueu para invocar a ajuda divina, salvando da morte os que a contemplassem.

Não é de estranhar que esse segundo Encontro Divino, quando a humanidade recebeu a habilidade de procriar, também fosse capturado para nós por antigos "fotógrafos" - artistas que esculpiam a cena em negativo usando pequenos cilindros de pedra, cujas imagens positivas apareciam quando o cilindro era girado sobre argila úmida. Mas tais representações foram encontradas também, além da representação da criação do Adão. Uma delas mostra" Adão" e "Eva" sentados ao lado de uma árvore, e a serpente atrás de Eva. Outra mostra um grande deus sentado sobre um monte em forma de trono, de onde emana uma serpente - sem dúvida Enki. Ao lado direito encontra-se um homem cujos galhos são em forma de pênis, e, à esquerda, uma mulher, cujos galhos são em forma de vagina, que segura uma pequena árvore frutífera (presu­mivelmente a Árvore do Conhecimento). Observando os acontecimentos está um grande deus ameaçador - com toda a probabilidade um Enlil zangado.

Todos esses textos e representações, engrandecendo a narrativa bíblica, se combinaram para pintar um quadro detalhado, um curso de eventos com os participantes principais reconhecíveis, na saga dos Encontros Divinos. Apesar disso, a maioria dos estudiosos cataloga tais evidências como "mitologia". Para eles, a história dos even­tos no Jardim do Éden é apenas um mito, uma alegoria imaginária acontecendo num lugar que não existe.

Mas, e se esse Paraíso, um lugar com árvores frutíferas deliberadamente plantadas, existiu mesmo numa época em que em todos os outros lugares apenas a natureza era o jardineiro? E se nos tempos mais antigos tivesse existido o Éden, um lugar de verdade cujos eventos foram ocorrências reais?



Pergunte a qualquer um onde Adão foi criado, e a resposta será, provavelmente: no Jardim do Éden. Mas não foi lá que começou a história da humanidade.

A narrativa mesopotâmica, registrada primeiro pelos sumérios, coloca a primeira fase numa locação "sobre o Abzu" - bem mais ao norte de onde se encontravam as minas de ouro. À medida que vários grupos de "Híbridos" iam sendo produzidos e levados até as minas, para cumprir o propósito pelo qual haviam sido criados, os Anunnaki dos outros sete centros colonizadores do E.DIN também iam pedindo tais trabalhadores. Como os Anunnaki do Sudeste da África resistiram, irrompeu uma luta. Um texto que os estudiosos chamam de O Mito da Picareta descreve como, liderados por Enlil, alguns colonos se apropriaram à força de trabalhadores" criados" e os levaram para o E.DIN, a fim de lá servir os Anunnaki. O texto chamado O Mito do Gado e do Grão afirma explicitamente que "quando das alturas do Céu Anu enviou os Anunnaki", grãos que crescem, carneiros e crianças ainda não haviam sido criados. Mesmo depois que os Anunnaki, em sua "câmara de criação", fizeram comida para si mesmos, não ficaram saciados. Somente


Depois que Anu, Enlil, Enki e Ninmah

aperfeiçoaram o povo de cabeça negra,

a vegetação frutífera eles multiplicaram

na terra... No Edin eles os colocaram.


A Bíblia, ao contrário da crença geral, relata a mesma história. Assim como no Enuma Elish, a seqüência bíblica (capítulo 2 do Gênesis) é, a princípio, a formação dos Céus e da Terra; a seguir, a criação de Adão (a Bíblia não diz onde). Elohim, então, "plantou um jardim no Éden, a oriente" (do local onde Adão foi criado); e apenas depois Elohim "colocou ali" (no Jardim do Éden) o "homem que formou".
E tomou Iavé Elohim a Adão

e colocou-o no Jardim do Éden

para o cultivar e guardar.
Uma boa pista sobre a "Geografia da Criação" (inventando um termo) e, conseqüentemente, para os Encontros Divinos, é forneci­da no Livro dos Jubileus. Elaborado em Jerusalém durante a época do Segundo Templo, era conhecido naqueles séculos como O Testamento de Moisés, porque começava respondendo à pergunta: Como a Hu­manidade poderia saber sobre aqueles eventos primordiais que pre­cederam até mesmo a criação do homem? A resposta era que tudo foi revelado a Moisés no monte Sinai, quando um anjo da Divina Presença ditou a Moisés, por ordem do Senhor. O nome Livro dos Jubileus, conferido por tradutores gregos, deriva da estrutura crono­lógica do livro, que é baseado numa contagem dos anos por "jubi­leus", cujos anos são chamados de "dias" e "semanas".

Obviamente consultando fontes que na época estavam disponí­veis (além do Gênesis canônico), tal como os livros que a Bíblia menciona e outros textos que as bibliotecas da Mesopotâmia mencio­nam mas não foram encontrados, o Livro dos Jubileus, usando sua enigmática contagem de "dias", afirma que Adão foi trazido pelos anjos para o Jardim do Éden só "depois que Adão completara qua­renta dias na terra em que fora criado"; e "sua mulher eles trouxe­ram no oitavo dia". Adão e Eva, em outras palavras, foram trazidos de algum outro lugar.

O Livro dos Jubileus, que trata com os fatos que ocorreram depois da expulsão do paraíso, fornece mais um pedaço da história, afirmando que" Adão e sua mulher passaram adiante do Jardim do Éden e viveram na Terra da Natividade, a terra de sua criação". Em outras palavras, do Edin voltaram para o Abzu, no sudeste da Áfri­ca. Só lá, no segundo Jubileu, foi que Adão "conheceu" Eva, e na terceira semana do segundo Jubileu, ela deu à luz Caim, e no quarto nasceu Abel, e no quinto nasceu uma menina chamada Avan (a Bíblia afirma que depois Adão e Eva tiveram outros filhos e filhas: livros não canônicos afirmam que foram 63 ao todo).

Tal seqüência de eventos, que coloca o início da humanidade não na Mesopotâmia mas de volta à África, no Abzu, a sudeste do continente, é agora corroborada pelas descobertas científicas sobre o surgimento e a disseminação da espécie humana, na teoria que coloca essa origem na África. Não apenas os mais antigos achados de fósseis de hominídeos mas também a evidência genética em relação à linhagem final do Homo sapiens confirmam o sudeste da África como o lugar de onde a humanidade se originou. Pesquisadores em antropologia e genética localizaram ali uma "Eva" - uma única mulher da qual descenderiam todos os seres humanos -na mes­ma área há cerca de 250 mil anos. (Essa descoberta, baseada no estudo do DNA mitocondrial, passado apenas pela mãe, foi corrobora­da por uma pesquisa realizada em 1994 por pesquisadores genéti­cos que se basearam no DNA nuclear, transmitido por pai e mãe; depois expandiu-se, em 1995, para incluir um "Adão" há cerca de 270 mil anos.) Foi dali que os vários ramos de Homo sapiens (homem de Neandertal, homem de Cro-Magnon) partiram para chegar à Ásia e à Europa.

Que o paraíso bíblico tenha sido o mesmo local estabelecido pelos Anunnaki e aquele para onde levaram os Trabalhadores Primitivos do Abzu, torna-se quase evidente em termos lingüísticos. Quase ninguém mais coloca em dúvida que o nome Éden vem do sumério E.DIN, derivado do intermediário Edinnu, do acadiano (língua-mãe do assírio, babilônio e hebraico). Além do mais, ao descrever a profusão de águas que saem do paraíso (um aspecto impressionante para leitores de uma parte do Oriente Médio totalmente dependen­te de chuvas num inverno curto), a Bíblia oferece vários indicadores geográficos que também apontam para a Mesopotâmia; afirma que o Jardim do Éden estava localizado na cabeceira de um corpo de água que serve a confluência de quatro rios:
E um rio saía do Éden

para regar o jardim;

e dali se espalhava

e convertia-se em quatro cabeceiras.

O nome de um é Pishon,

o que rodeia a terra

de Havilah, onde se encontra o ouro.

E o ouro daquela terra é bom:

ali se acha o cristal e a pedra de ônix.

E o nome do segundo rio é Gihon,

o que rodeia toda a terra de Kush.

E o nome do terceiro rio é Hidekel,

o que corre a oriente de Asur [na Assíria}.

E o quarto é Prath.


Sem dúvida, dois dos rios do paraíso, o Hidekel e o Prath, são os dois maiores rios da Mesopotâmia (que originaram o nome "A Ter­ra entre Rios"), o Tigre e o Eufrates, como são conhecidos atualmen­te. Existe concordância entre os acadêmicos sobre os nomes bíblicos dos dois rios, que derivam do sumério (pelo intermediário acadiano): Idilbat e Puranu.

Embora os dois rios tenham cursos separados, em alguns pontos quase se juntando e em outros afastando-se, substancialmente ambos nascem nas montanhas da Anatólia, ao norte da Mesopotâmia; por se encontrarem ali as cabeceiras dos rios é que os estudiosos têm procu­rado os outros dois rios. Porém não encontraram candidatos plausí­veis para o Gihon e o Pishon que saíssem das mesmas cordilheiras. A pesquisa, portanto, passou para terras mais distantes. Kush foi interpretada como a Etiópia ou a Núbia, na África, e o Gihon ("O que Jorra") seria nesse caso o rio Nilo, com suas várias cataratas. Uma boa estimativa para o Pishon tem sido o rio Indo, identifican­do Havilah com o subcontinente indiano, ou mesmo o Luristão [no Irã]. O problema com tais sugestões é que nem o Nilo nem o Indo apresentam confluência com o Tigre e o Eufrates, na Mesopotâmia.

Os nomes Kush e Havilah são encontrados na Bíblia mais de uma vez, como termos de acidentes geográficos e como nomes de nações. Na Tabela de Nações (Gênesis, capítulo 10), Havilah é listada com Seba, Sabtha, Raamah, Sabtecha, Sheba e Dedan. Todas eram nações com outras passagens na Bíblia que as relacionavam com as tribos de Ismael, o filho de Abraão com a criada Hagar, e não há dúvidas de que seus domínios localizavam-se na Arábia. Tais tradi­ções têm sido corroboradas pelos pesquisadores modernos, que iden­tificaram as localizações das tribos ao longo da Arábia. Mesmo o nome Hagar, descobriu-se ser o de uma antiga cidade na Arábia oriental. Um estudo atual de E. A. Knauf (Ismael, 1985) decifra con­clusivamente o nome Havilah como "Terra da Areia", identifican­do-a como o nome geográfico para o sul da Arábia.

O problema com tais conclusões convincentes foi que nenhum rio na Arábia poderia se candidatar a ser o curso de água bíblico Pishon, pelo simples fato de que toda a Arábia é árida, terra deserta.

Poderia a Bíblia estar tão errada assim? Poderia toda a história do Jardim do Éden e assim dos eventos e dos Encontros Divinos ser um mito?

Começando com firme crença na veracidade da Bíblia, a seguin­te questão nos veio à mente: por que a narrativa bíblica se estende para descrever a geografia e a mineralogia da terra (Havilah) onde o Pishon estava; lista a terra e descreve o curso circular do rio Gihon; meramente identifica a localização ("leste da Assíria") do Hidekel; apenas dá o nome ao quarto rio, o Prath, sem nenhuma outra referência adicional? Por que essa ordem decrescente de informação?

A resposta que nos ocorreu foi que, apesar de não haver necessidade de indicar ao leitor do Gênesis onde era o rio Eufrates, e uma mera noção da Assíria ser suficiente para identificar o rio Tigre (Hidekel), deveria se explicar que o Gihon - evidentemente um rio menos conhecido naquela época - era o rio que se estendia pela terra de Kush; e que o rio Pishon, aparentemente desconhecido, ficava numa terra chamada Havilah, a qual, sem a menção de aciden­tes geográficos, foi identificada pelos produtos que produzia.

Tais pensamentos começaram a fazer sentido quando, na década de 1980, foi anunciado que a varredura do radar de subsolo no deserto do Saara (no norte da África, a oeste do Egito), a partir de satélites orbitais e medições do ônibus espacial Colúmbia, revelou leitos secos de rios sob a areia, rios que correram um dia por essa região. Pesquisa subseqüente do solo estabeleceu que aquela área era bem servida de recursos hídricos, com rios principais e seus afluentes, desde talvez 200 mil até cerca de 4.000 anos atrás, quando o clima mudou.

A descoberta no deserto do Saara nos deixou maravilhados: poderia o mesmo ter acontecido no deserto da Arábia? Quando a ver­são no capítulo 2 do Gênesis foi escrita - obviamente numa época em que a Assíria já era conhecida -, talvez o rio Pishon já tivesse desaparecido sob as areias com as mudanças climáticas ocorrida nos últimos milênios.

A confirmação da validade dessa linha de pensamento teve lugar de forma dramática em março de 1993. Foi um anúncio feito por Farouk El-Baz, diretor do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade de Boston, a respeito da descoberta de um rio perdido sob as areias da península Arábica - um rio que fluía por mais de 800 quilômetros, desde as montanhas a oeste da península Arábica até o leste, desaguando no golfo Pérsico. Lá, formava-se um delta que cobria a maior parte do Kuweit atual, chegando até onde se encontra hoje Basra, misturando-se com o Tigre e o Eufrates. Era um rio que possuía mais de quinze metros de profundidade por toda a extensão, e em alguns trechos apresentava cinco quilômetros de largura.

Depois da última Idade do Gelo, entre 11 mil e 6.000 anos atrás, concluiu o estudo da Universidade de Boston, o clima na Arábia era úmido e chuvoso o suficiente para suportar tal rio. Mas por volta de 5.000 anos atrás o rio secou por causa das mudanças cli­máticas que resultaram na aridez e nas condições desérticas na península. Com o tempo, as dunas, levadas pelo vento, cobriram o canal do rio, obliterando toda a evidência de um rio antes caudalo­so. Imagens de alta resolução produzidas pelos satélites Landsat, entretanto, revelaram que os padrões de dunas mudaram quando a areia atravessou uma linha que se estendia por centenas de quilômetros, uma linha que terminava em depósitos de cascalho no Kuweit e perto de Basra - cascalho de rochas dos montes Hedjaz, no oeste da Arábia. Então, inspeções terrestres confirmaram a exis­tência de um antigo rio.

O Dr. El-Baz deu o nome de rio Kuweit ao curso de água perdi­do. Sugerimos que na Antiguidade se chamasse rio Pishon, cortan­do a península Arábica, que, de fato, foi uma antiga fonte de ouro e pedras preciosas.



E quanto ao rio Gihon, "O que rodeia toda a terra de Kush"? Kush é listado duas vezes na Lista das Nações, primeiro com as ter­ras camito-africanas do Egito, Put (Núbia/Sudão) e Canaã; e uma segunda vez como uma das terras da Mesopotâmia onde Nimrod era senhor, ele "cujos primeiros reinados foram a Babilônia, Erech e a Acádia, todos na terra de Shine'ar (Suméria)". O Kush mesopotâmico era, com toda a probabilidade, o leste da Suméria, a área dos montes Zagros. Era a terra natal do povo kushshu, o nome acadiano para cassitas, que no segundo milênio a.C. desceram dos montes Zagros e ocuparam a Babilônia. O nome antigo permaneceu em Kushan para o distrito de Susa (o Sushan do livro bíblico de Ester) até a época dos persas e mesmo dos romanos.

Existem vários rios dignos de nota naquela parte dos montes Zagros, mas eles não chamaram a atenção dos estudiosos porque nenhum partilha a cabeceira com o Tigre e o Eufrates (centenas de quilômetros para o nordeste). Aqui, entretanto, veio outra idéia: Poderiam os antigos estar se referindo a rios que se juntam não nas cabeceiras, mas na confluência, no golfo Pérsico? Se isso fosse verdadeiro, o Gihon - o quarto rio do Éden - seria um rio que se juntaria ao Tigre, ao Eufrates e ao recentemente descoberto "rio Kuweit" em sua foz, no golfo Pérsico!

Se o problema for encarado dessa maneira, o candidato óbvio emerge: trata-se do rio Karun, que, sem dúvida, é o maior rio da antiga terra dos kushshu. Com cerca de oitocentos quilômetros de extensão, forma uma alça incomum, começando seu tortuoso curso na serra Zardeh-Kuh, no que agora seria o sudoeste do Irã. Em vez de fluir para o sul até o golfo Pérsico, as águas seguem "para cima" (quando se examina um mapa moderno), rumando para o norte por desfiladeiros profundos. Depois faz nova curva e começa a fluir para o sul, num curso em ziguezague, deixa os elevados montes Zagros e começa a progredir na direção do golfo. Finalmente, em suas derra­deiras centenas de quilômetros, diminui a velocidade e desliza suavemente na direção de uma confluência com o Tigre e o Eufrates, no delta pantanoso que estes formavam ao desembocar no golfo Pérsico (o assim chamado Shat-el-Arab, território contestado por Irã e Iraque).

A localização, o curso circular, as águas turbulentas e a confluên­cia com os outros três rios ao desaguar no golfo Pérsico, tudo nos sugere que o rio Karun poderia bem ser o bíblico rio Gihon, que circundava a terra de Kush. Tal identificação combinada com as descobertas da era espacial, que localizam um grande rio na Arábia, delimitam e identificam a localização do Jardim do Éden no sul da Mesopotâmia, confirmam a existência física de tal lugar e formam uma base palpável, não-mitológica, sobre as histórias de Encontros Divinos.


A confirmação do sul da Mesopotâmia, a antiga Suméria, como o E.DIN, o Éden bíblico original, faz mais do que apenas criar uma congruência geográfica entre os textos sumérios e a narrativa bíblica. Também identifica o grupo com o qual a humanidade teve esses Encontros Divinos. O E.DIN significava a "Habitação" dos "Justos/Divinos" (DIN). O título completo seria DIN.GIR, significando "Os Justos das Naves Espaciais". Isso era escrito de forma pictográfica como um foguete de dois estágios, cujo módulo de comando podia se separar para aterrissagem. À medida que a escrita evoluiu para a cuneiforme, esse pictograma foi substituído por um símbolo estelar significando "Os que Vieram do Céu"; mais tarde, na Assíria e na Babilônia, o símbolo foi simplificado para cunhas cruzadas, e sua leitura, na linguagem acadiana, mudou para Ilu - "Os Inefáveis".

Os textos sobre a Criação da Mesopotâmia não apenas fornecem a resposta ao enigma sobre quem seriam as diversas divindades envolvidas na criação de Adão, resultando em que a Bíblia empregasse o termo plural Elohim ("Os Divinos") numa versão monoteísta dos acontecimentos e da manutenção do "nós" em "Vamos fazer o ho­mem à nossa imagem e à nossa semelhança", mas delineiam também o cenário de tudo isso.

As evidências deixam pouco espaço para duvidar de que os Elohim do Gênesis eram os DIN.GIR dos sumérios. Foi atribuída a eles a tarefa de criar Adão, e foram seus diversos (e muitas vezes antagônicos) líderes - Enki, Enlil, Ninmah - o "nós" que o pri­meiro Homo sapiens encontrou.

A expulsão do Jardim do Éden trouxe um final ao primeiro ca­pítulo desse relacionamento. Ao perder o paraíso, a humanidade ganhou o conhecimento e a habilidade de procriar, e daí por diante estava destinada a ligar-se com a Terra.


Com o suor do teu rosto

comerás pão,

até tu voltares para a Terra,

pois dela foste tomado.

Porquanto és pó

e ao pó hás de tornar.


Mas não foi assim que a humanidade enxergou seu destino. Ten­do sido criada à imagem e semelhança dos Dingir/Elohim, viu a si mesma como parte do céu - os outros planetas, as estrelas, o Universo. Luta para alcançá-los em sua morada celestial, para conseguir sua imortalidade. A fim de obter isso, o Homem continuou a procurar Encontros Divinos sem querubins de espadas flamejantes a lhe bloquear o caminho.

A Primeira Linguagem

Poderiam Adão e Eva falar? E em que língua conversavam com Deus?

Até algumas décadas atrás os estudiosos sustentavam que a fala humana começou com os Cro-Magnon, cerca de 35 mil anos atrás, e as línguas se desenvolveram localmente entre diversos clãs, não mais do que 8000 a 12 mil anos atrás.

Essa não é a visão bíblica, segundo a qual Adão e Eva conversavam em uma língua compreensível, e que antes do incidente da torre de Babel ''toda a Terra tinha uma linguagem e um tipo de palavra".

Nos anos 1960 e 1970 as comparações levaram os estudiosos a concluir que todos os milhares de diferentes linguagens - incluindo as dos nativos americanos - poderiam ser agrupadas em três línguas primárias. Mais tarde, descobertas de fósseis em Israel re­velaram que 60 mil anos atrás os homens de Neandertal podiam falar como nós. A conclusão de que realmente existiu uma língua única há cerca de 100 mil anos foi confirmada em meados de 1994 por estudos atualizados da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Os avanços em pesquisa genética, agora aplicados à fala e à linguagem, sugerem que essas habilidades, distinguindo os humanos dos macacos, são de origem genética. Estudos genéticos indicam que de fato existiu uma "Eva", uma mãe única de todos nós - e que ela apareceu entre 200 mil e 250 mil anos atrás, com o "dom de conversar" .

Alguns fundamentalistas acreditam que a língua-mãe foi o hebraico, o idioma da Bíblia. Talvez, mas provavelmente não: o hebraico deriva do acadiano (a primeira língua "semita"), que foi precedido pelo sumério. Seria então o sumério a língua do povo que se estabeleceu em Shine'ar (Suméria). Mas teria sido apenas após o Dilúvio, já que os textos da Mesopotâmia se referem a uma língua antediluviana. A antropóloga Kathleen Gibson, da Universidade do Texas, em Houston, acredita que os humanos adquiriram a fala e a matemática ao mesmo tempo. Haveria uma primeira língua dos próprios Anunnaki, ensinada ao homem juntamente com todas as ou­tras tecnologias.
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