Encontros marcados e “movimentos simulados”



Baixar 52.45 Kb.
Encontro29.07.2016
Tamanho52.45 Kb.
CARTAS DE CLARICE LISPECTOR:

ENCONTROS MARCADOS E “MOVIMENTOS SIMULADOS”


Profa. Dra. Fátima Cristina Dias Rocha (Uerj)
A carta tem algo a ver com a solidão no exílio.

Silviano Santiago.


O leitor de Clarice Lispector esperou algum tempo para ter acesso às cartas endereçadas pela escritora __ que viveu 15 anos fora do Brasil __ a familiares e amigos. Enquanto aguardava, pôde satisfazer __ e aumentar __ sua curiosidade com fragmentos dessa correspondência publicados em alguns livros sobre Clarice, como o de Olga Borelli (1981) ou o de Nádia Battella Gotlib (1995).

Em 2001, as Cartas perto do coração permitiram ao leitor vivenciar a experiência única de “penetrar na intimidade” de Clarice Lispector e Fernando Sabino, que trocaram as primeiras cartas quando eram jovens autores em início de carreira. Mantida, com interrupções, de 1946 a 1969, a correspondência começa com Clarice em Berna (Suíça), dirigindo-se ao escritor mineiro no Rio de Janeiro, mas Fernando, ainda em 1946, vai se mudar para Nova York. Em 1952, será a vez de Clarice Lispector fixar residência em Washington, enquanto Fernando estará de volta ao Rio, passando o correio a circular entre as duas capitais.

Se, como afirmou Evando Nascimento (2001, p. 8), a publicação das Cartas perto do coração foi “um dos maiores acontecimentos literários do ano”, em 2002 o leitor ganhou, com o livro Correspondências/Clarice Lispector, mais uma oportunidade de percorrer a paisagem epistolar de Clarice Lispector. O volume, organizado por Teresa Montero, reunia parte da correspondência de Clarice com escritores, artistas, intelectuais e familiares, num total de 129 cartas, no período de 1941 a 1976: de um lado, a sua correspondência pessoal ativa __ 70 cartas; de outro, a correspondência pessoal passiva __ 59 cartas.

Lidos em conjunto, os dois volumes fazem lembrar a imagem que Silviano Santiago identifica na correspondência entre Carlos Drummond e Mário de Andrade: a de um “fascinante quebra-cabeça”, que exige do leitor “a paciência e a habilidade do jogador, para não falar da sua imaginação e curiosidade” (SANTIAGO, 2002, p. 21).

Dando início ao jogo a que alude o ensaísta, começo por inserir as cartas de Clarice Lispector e Fernando Sabino no “tabuleiro” apresentado por Teresa Montero. Dadas as dimensões do quadro que tenho à minha frente, estabeleço uma regra para mover suas peças: concentrarei minha atenção nas cartas escritas por Clarice Lispector nas décadas de 40 e 50 __ o que não impedirá a referência, vez ou outra, aos correspondentes da escritora.

Debruçando-me sobre o “fascinante quebra-cabeça” proposto pelas cartas de Clarice e entregando-me aos jogos de explicação e de interpretação desses textos de ordem pessoal, vou aproximar-me da “grafia de vida” de Clarice. Para recompor alguns dos traços dessa “grafia de vida”, além da paciência, imaginação e curiosidade sugeridas por Silviano Santiago, seguirei outra de suas lições: a de que “não cumpre a cada um de nós buscar um fio condutor, pois não há, e se houvesse, seria o resumo de vários fios contraditórios da vida cotidiana com seus imprevistos, incertezas, choques, reviravoltas, arrufos, alegrias, temores, (...)” (SANTIAGO, 2002, p. 21) __ fios que, nas cartas de Clarice, atravessam as grandes distâncias e os extensos períodos de sua vida fora do Brasil.

As Correspondências se abrem com a carta enviada por Clarice a Lúcio Cardoso, em 13 de julho de 1941 __ bem antes, portanto, de estrear como escritora __, de Belo Horizonte, aonde fora em férias escolares. Além de esboçar uma crônica da cidade em que o amigo residira, a missivista volta o seu olhar sobre si mesma, ora automodelando-se como um “bom animal sadio”: “Eu pretendia chorar na viagem, porque fico sempre com saudade de mim. Mas felizmente sou um bom animal sadio e dormi muito bem, obrigada”(LISPECTOR, 2002, p. 15); ora mostrando-se como mais do que uma mulher, ainda que num “estado potencial, sentindo que há em mim água fresca, mas sem descobrir onde é a sua fonte” (Idem, p. 16).

Tais palavras da jovem Clarice nos levam a pensar no conceito, formulado por Michel Foucault, de que a carta, ao deslocar a responsabilidade para o sujeito empírico, é a forma mais desinibida e sublime da “escrita de si” (1992, p.146). Na carta, comenta também Silviano Santiago, “é a caligrafia do escritor que monta a ele próprio na folha de papel, no preciso momento em que se encaminha em direção ao outro” (SANTIAGO, 2002, p. 12). Assim, nesse veículo primordial de subjetivação que é a carta, Clarice Lispector exercitará formas de se posicionar em relação a si mesma e de se manifestar em relação aos outros.

Além de proporcionar o contato com a intimidade da missivista __ e com a sua “grafia de vida” __, o exame das cartas escritas por Clarice Lispector a companheiros de letras e familiares pode enriquecer, pelo estabelecimento de jogos intertextuais, a compreensão de sua obra artística, ajudando a melhor decodificar certos temas que ali estão dramatizados. Para Silviano Santiago, por exemplo, a condição animal do ser humano __ encenada na carta escrita por Clarice em julho de 1941 __ e a sua recíproca (a condição humana do animal) serão dois dos pilares de sustentação da viga mestra do pensamento da escritora: “a reflexão dramática sobre os percalços da vida intensamente vivida e do risco aparente da morte” (SANTIAGO, 2004, p. 194).

Volto à missivista, que, da Fazenda Vila Rica, no interior do Estado do Rio de Janeiro, escreve a Maury Gurgel Valente, em 2 de janeiro de 1942:

Arranjei uma pequena cascata, algumas montanhas verdes, ótimos vizinhos inexpressivos. Restava-me entoar hinos à paz e repousar. Mas ando de um lado pra outro, dentro de mim, as mãos abandonadas, pronta pra inventar uma tragédia russa, pronta pra criar um motivo que me acorde... horrível. Estou tão vaga, tinha vontade de fazer um embrulho de mim, com papel de seda, lacinho de fita, e mandá-lo pra você. Aceita?” (LISPECTOR, 2002, p. 20).

Inquietação e ternura compõem esse breve “auto-retrato” que Clarice envia ao “ratinho curioso” Maury (Idem, p. 17). Àqueles traços a missivista acrescenta, em carta de 11 de julho de 1942, o convívio com a solidão, o qual percorrerá tanto as cartas como os textos ficcionais da escritora: “Estou bastante acostumada a ficar só, mesmo junto dos outros” (Idem, p. 27).

Um auto-retrato “de corpo inteiro” é o que Clarice Lispector encaminha ao Presidente Getúlio Vargas, em carta de 3 de junho de 1942, ao solicitar-lhe a antecipação de seu pedido de naturalização. As linhas firmes e claras não suprimem o tom pessoal

Quem lhe escreve é (...) uma russa de 21 anos de idade e que está no Brasil há 21 anos (...). Que não conhece uma só palavra de russo mas que pensa, fala, escreve e age em português, fazendo disso sua profissão e nisso pousando todos os projetos do seu futuro, próximo ou longínquo. Que não tem pai nem mãe (...) e que por isso não se sente de modo algum presa ao país de onde veio, nem sequer por ouvir relatos sobre ele. Que deseja casar-se com brasileiro e ter filhos brasileiros. Que, se fosse obrigada a voltar à Rússia, lá se sentiria irremediavelmente estrangeira, sem amigos, sem profissão, sem esperanças” (Idem, p. 33).

Clarice não voltará à Rússia, mas viverá, irremediavelmente, a sensação de sentir-se “estrangeira” nos vários lugares em que passará a viver, na companhia do marido.

No início de 1944, logo após o lançamento de Perto do coração selvagem, ela se muda para Belém, lá permanecendo por seis meses, até julho.

De Belém, Clarice escreve para Lúcio Cardoso e para as irmãs. Nessas cartas, a escritora faz comentários sobre o mal-estar que experimenta em relação a si mesma e ao seu trabalho: “Estou cansada de pessoas e sozinha me aborreço. Eu mesma não sei o que quero; (...) quanto ao meu trabalho, ando horrivelmente desfibrada: tudo o que tenho escrito é bagaço (...)” (Idem, p. 38, carta à irmã Tania, de 16 de fevereiro de 1944). Confissões como esta começam a desdobrar e entrelaçar dois “fios” muito nítidos na trama composta pela correspondência de Clarice Lispector: o da dolorosa experiência de vida longe Brasil e o dos dilaceramentos da escrita.

Outros temas dividem a atenção de Clarice nas cartas remetidas de Belém: a preocupação com as críticas ao seu primeiro romance; as leituras que faz; as pessoas que conhece; algumas curiosidades da cidade. Nesses registros, a carta é “uma maneira de se apresentar a seu correspondente no desenrolar da vida cotidiana” (FOUCAULT, 1992, p. 159). Com efeito, dirigindo-se a Tania, a missivista é tão minuciosa ao “narrar os seus dias” que chega a dividir em itens a carta de 16 de fevereiro de 1944:

5) Tenho descansado depois do almoço. 6) Tenho livros para ler; aqui há uma boa livraria onde há tudo menos meu livro... 7) Já engordei uns dois quilos, mas os 58 estão longe; estou feia e sem graça, mas estou com boa saúde. (...) 10) Ainda não consertei o vestido de baile, tenho preguiça de mandar limpar meus sapatos, de tudo. Mas eu sempre fui assim e tudo me custa. __ Espero que você me escreva com mais freqüência (...) (LISPECTOR, 2002, p. 39).

Os “itens” da carta de Clarice Lispector parecem ilustrar os comentários de Michel Foucault sobre os “objetos privilegiados do que se poderia chamar a escrita da relação consigo: as interferências da alma e do corpo (as impressões mais do que as ações) e as atividades do lazer (mais do que os acontecimentos exteriores); o corpo e os dias” (FOUCAULT, 2002, p. 157). Ao descrever suas “impressões de mal-estar” e as “diversas perturbações” (FOUCAULT, 2002, p. 157) que sente, a missivista procura no correspondente um “efeito benéfico” (SANTIAGO, 2002, p. 12) __ procura que constitui um outro “fio” que a produção epistolar de Clarice vai desdobrar até o limite.

Terminada a fase de trabalho em Belém, Maury Gurgel Valente é transferido para Nápoles. Na viagem para a Itália, Clarice passa por Natal, pela África, por Portugal e novamente pela África, chegando a Nápoles no final de agosto de 1944.

De Nápoles, Clarice escreve a Lúcio Cardoso, contando-lhe detalhes da viagem __ alguns já registrados em carta às irmãs enviada de Argel, como o diminuto entusiasmo pelas cidades por que passara. Diz Clarice a Lúcio: “Eu precisava me repetir: isso é África __ para sentir alguma coisa. Nunca vi ninguém menos turista”; e “As coisas são iguais em toda parte __ eis o suspiro de uma mulherzinha viajada” (LISPECTOR, p. 54-5). A convivência social em Lisboa também é matéria das duas cartas: se, por um lado, admira os intelectuais que conhece, por outro sente uma repentina aversão a grupos de pessoas e às convenções sociais. Dirigindo-se às irmãs, o tom é contundente, mas contido: “Nunca ouvi tanta bobagem séria e irremediável (...). Gente cheia de certezas e de julgamentos, de vida vazia e entupida de prazeres sociais e delicadezas” (Idem, p. 51, carta de 19 de agosto de 1944); na carta a Lúcio, escrita em meados de setembro, a exasperação se acentua: “Todo o mundo é inteligente, é bonito, é educado, dá esmolas e lê livros; mas por que não vão para um inferno qualquer?” (Idem, p. 55).

Na correspondência endereçada ao amigo, a descrição de Nápoles parece desmentir a insensibilidade, confessada anteriormente, para as novas paisagem com que entra em contato:

Isso aqui é lindo. É uma cidade suja e desordenada, como se o principal fosse o mar, as pessoas, as coisas. As pessoas parecem morar provisoriamente. E tudo aqui tem uma cor esmaecida, mas não como se tivesse um véu por cima: são as verdadeiras cores. (...) Às vezes eu me sinto ótima; às vezes simplesmente não vejo nada, não sinto nada. (...) Reli a Porta estreita de Gide, sobretudo encontrei as Cartas de K. Mansfield. Não pode haver uma vida maior que a dela, e eu não sei o que fazer simplesmente. Que coisa absolutamente extraordinária que ela é. Passei alguns dias aérea __ estou aqui de vez em quando muito delicada, me interessam principalmente flores e passarinhos” (Idem, p. 56).

Este trecho __ como muitos outros da correspondência de Clarice Lispector __ vem lembrar que a carta, ainda na acepção de Michel Foucault, é ao mesmo tempo um olhar que se lança sobre o destinatário (pela missiva que ele recebe, se sente olhado) e uma maneira de se oferecer ao seu olhar através do que lhe é dado sobre si mesmo. Acrescenta Foucault: “O trabalho que a carta opera no destinatário, mas que também é efetuado naquele que escreve pela própria carta que ele envia, implica portanto uma ‘introspecção’; mas é preciso compreendê-la menos como um deciframento de si por si do que como uma abertura que se dá ao outro sobre si mesmo” (1992, p. 157).

A “abertura” que Clarice oferece a Lúcio sobre si mesma não se detém na confissão de seu estado oscilante e desassossegado. Segue-se a referência ao seu segundo romance, O lustre, já concluído; o pedido de que o amigo lhe arranje um editor, mas “rápido, rápido, porque me incomoda um trabalho parado; é como se me impedisse de ir adiante”; e o apelo pela carta resposta que traga o efeito benéfico tão desejado: “Não me esqueça inteiramente, Lúcio, não me considere exilada. A distância nada quer dizer, acredite. Escreva-me, diga coisas, diga-me sobretudo o que você quiser _ eu ia dizendo, ou então nada escreva para lhe dar liberdade; mas não, eu exijo uma palavra fria e curta que seja” (LISPECTOR, 2002, p. 57).

Nas outras cartas escritas de Nápoles a Lúcio Cardoso, o romance O lustre está sempre em pauta; numa delas, respondendo ao comentário do amigo de que o título lhe parecera “meio mansfieldiano e um tanto pobre para pessoa tão rica”, a escritora desabafa, repetindo o que já pensara a respeito da crítica de Álvaro Lins sobre Perto do coração selvagem: “Talvez você ache o título mansfildeano porque você sabe que eu li ultimamente as cartas da Katherine. Mas acho que não. (...) O diabo é que naturalmente eu venho sempre por último, de modo que eu sempre estou no que já está feito. Isso muitas vezes me deu certo desgosto. (...) nem sendo medíocre se chega a não cair nos outros. (Idem, p. 62-3). Essa preocupação com a sua atividade de escrita __ outro “fio” que atravessa a correspondência da escritora, adensando-se a cada nova missiva __ é figurada por Clarice como um véu que a impede de gostar verdadeiramente da Itália ou de qualquer outro lugar. Diz a missivista: “Gostaria de tal, de tal forma poder trabalhar sem parar. Mas não consigo, as coisas me vêm esparsas __ e além disso eu de tal modo desconfio de mim, com medo de escrever facilmente com a ponta dos dedos, que nada faço. Quer me animar, Lúcio?” (Idem, p. 63).

Clarice também escreve para as irmãs. De Roma, em 9 de maio de 1945, conta como foi, na Itália, o fim da guerra: “Eu estava posando para De Chirico quando o jornaleiro gritou: É finita la guerra! Eu também dei um grito, o pintor parou, comentou-se a falta estranha de alegria da gente e continuou-se. Daqui a pouco eu perguntei se ele gostava de ter discípulos. Ele disse sim e que pretendia ter quando a guerra acabasse... Eu disse: mas a guerra acabou! Em parte a frase dele vinha do hábito de repeti-la, (...)” (Idem, p. 73-4).

Em outra carta, datada de 1 de setembro de 1945, Clarice dirige-se a Tania, num tom amargo, desencantado e propositadamente contraditório:

Não ligue a mim, não se preocupe. Vou escrever dagora em diante cartas + alegres. Na verdade, não tenho ido a festas, que Nápoles tem pouca vida social. Tudo o que eu tenho é a nostalgia de uma vida errada, de um temperamento excessivamente sensível, de talvez uma vocação errada ou forçada, etc. Que importa na verdade se por carta não se pode falar direito? pessoalmente você se irritaria comigo. E com razão, certamente. Está tudo bem, não há nada a fazer. Meus problemas são os de uma pessoa de alma doente e não podem ser compreendidos por pessoas, graças a Deus, sãs. Mas fique tranqüila, eu tenho levado uma vida como de todo o mundo” (Idem, p. 75).

Nessa carta, a afirmação “Eu sou muito feliz”, várias vezes repetida, contrasta visivelmente com as sensações e sentimentos confessados por Clarice. Este contraste dramatizado pela escritora nos lembra que, para o missivista, “escrever é ‘se mostrar’, fazer aparecer seu próprio rosto perto do outro” (FOUCAULT, 1992, p. 156):

Quanto a escrever a amigos do Brasil, querida, eles não me respondem... é ridículo, não é? Não escrevo mais. Mas não tem importância. Peço-lhe, Tania querida, que não se preocupe comigo. Eu sou muito feliz. (...) Estou muito bem e muito alegre. Quando puder darei um pulo ao Brasil, e você verá que, feliz ou infelizmente, sou a mesma de sempre. E você se irritará comigo e preferirá que eu viva muito bem... mas longe. Estou muito bem e feliz” (LISPECTOR, 2002, p. 77).

Se a carta “prepara de certa forma um face a face” (FOUCAULT, 2002, p. 156), Clarice oferece à irmã o rosto da “estrangeira” em Nápoles, “sem amigos, sem profissão, sem esperanças”. Esse rosto __ e o “fio” que o tece __ voltará a se mostrar nas cartas escritas de Berna, cidade em que a escritora viverá por três anos, de 1946 a 1949, depois de passar alguns meses no Brasil.

No período em que permanece no Rio de Janeiro, Clarice aproveita para divulgar o romance O lustre, publicado em dezembro de 1945 pela Editora Agir; e é apresentada a Fernando Sabino, com quem rapidamente estabelece amizade, conforme depoimento do próprio escritor: “E assim nos tornamos amigos __ só não digo ‘inseparáveis’, porque outras viagens nos separaram, cada um para o seu lado. Mas a amizade continuou, através das cartas “perto do coração”, de 1946 a 1969, com uma freqüência só interrompida quando nos encontrávamos ambos no Rio” (SABINO, 2001, p. 8).

As primeiras impressões de Berna estão registradas na “carta em conjunto” que Clarice escreve para Helena, Fernando, Paulo e Oto, em 21 de abril de 1946. Apesar de breve, a descrição antecipa as muitas outras que vão se seguir, nas quais o silêncio e o tédio serão a marca da cidade: “Berna é linda e calma, vida cara e gente feia; com a falta de carne, com o peixe, queijo, leite, gente neutra, termino mesmo dando um grito e comendo o primeiro boi de alma doente que eu encontrar; falta demônio na cidade...Tudo isso é tolice” (Apud SABINO, 2001, p. 9-10).

Pouco à vontade em meio à tranqüilidade e ao silêncio de Berna, Clarice experimenta, mais uma vez, a sensação da “mulher sem lugar”, dizendo às irmãs, em carta de 5 de maio de 1946: “É engraçado que pensando bem não há um verdadeiro lugar para se viver. Tudo é terra dos outros, onde os outros estão contentes. É tão esquisito estar em Berna e tão chato este domingo... Parece com domingo em S. Cristóvão” (Idem, p. 80). Como já fizera em sua correspondência anterior, Clarice reflete sobre a carta que está escrevendo, definindo-a: “Esta carta é bestinha, é carta de domingo, soa a ‘ajantarado’ e a folga de empregada... e a mosca voando...” __ definição que, ao reunir aspectos do cotidiano da escritora no Brasil (a que se soma a referência a São Cristóvão), “abre” às irmãs e a si mesma o desejo de encontrar um lugar. Comprova-o a própria missivista: “Na verdade quando eu escrevo eu estou com um anzol compridíssimo cuja isca bate no Rio de Janeiro para pescar resposta. É um jogo sujo, esse de mandar qualquer carta para receber RESPOSTA” (Idem, p. 81).

Em duas outras cartas endereçadas às irmãs, datadas de 8 e 12 de maio __ não coligidas por Teresa Montero, mas incluídas no livro de Olga Borelli __, Clarice descreve “o corpo e os dias” de seus primeiros tempos em Berna: “Não escrevi uma linha, o que me perturba o repouso. Eu vivo à espera de inspiração com uma avidez que não dá descanso. Cheguei mesmo à conclusão de que escrever é a coisa que mais desejo no mundo, mesmo mais que amor” (Apud BORELLI, 1981, p. 114). É um “rosto” aflito e sombrio o que a missivista faz aparecer perto das irmãs: para “não cair”, Clarice prega nas paredes de seu quarto frases de Kafka sobre temas como impaciência, preguiça, inspiração; mas cai, e fica sentada numa poltrona, sem fazer nada, “esperando que passem as horas e que venham outras iguais. Essa Suíça é um cemitério de sensações” (Idem, p. 117). E os “fios” da solidão e da dificuldade de escrever entrelaçam-se firmemente neste balanço de sua vida fora do Brasil: “Desde que saí (...) para ir a Nápoles, desde que fui a Belém, minha vida é um esforço diário de adaptação nesses lugares áridos, áridos porque vocês não estão comigo. A última verdadeira linha que escrevi foi encerrando em Nápoles O lustre que já estava pronto no Brasil. Desde então, (...) minha apatia é tão grande, passo meses sem olhar sequer para meu trabalho, (...), faço tudo na ponta dos dedos, sem me misturar a nada” (Idem, p. 118).

Cerca de um mês depois, em 19 de junho de 1946, Clarice escreve a Fernando Sabino, que lhe enviara duas cartas nas quais se mostrara terno e afetuoso com a amiga. Talvez sensibilizada pelo tom carinhoso de Fernando __ que parecia “querer preencher a vida de Clarice com a amizade” (GOTLIB, 1995, p. 234) __, a missivista lhe responde num tom mais leve do que aquele das cartas às irmãs, diluindo a pungência dos temas que a angustiavam na aparente banalidade dos assuntos mais amenos: “Fernando, você tem trabalhado? E Helena, o que faz? Acabei de passar uma semana das piores em relação ao trabalho. Nada presta, não sei por onde começar, não sei que atitude tome, não sei de nada. Digo a mim mesma: não adianta desesperar, desesperar é mais fácil ainda do que trabalhar. Me mande um conselho, Fernando, e uma palavra bem amiga” (SABINO, 2001, p. 22). Na longa carta resposta que lhe envia em 6 de julho de 1946, Fernando “conversa” com Clarice __ e consigo mesmo __ sobre a vida e a alegria de viver; compreende a angústia que Clarice enfrenta com o livro que está escrevendo, pois também se desespera com o próprio livro; manifesta sua admiração pela amiga, preocupando-se com ela e alertando-a para o perigo de que ela não avance demais e caia do outro lado: “Tem de ser equilibrista até o final”; e deseja intensamente que a amiga “descubra o que é que esse seu livro vai ser” (Idem, p. 28).

Clarice só responderá a essa carta um mês depois. Antes disso, ela vai a Lausanne, e de lá, em 13 de julho, escreve uma belíssima carta às irmãs, na qual, já que esquecera de levar a máquina fotográfica, procura “tirar um retrato” do lugar, do momento e de suas próprias sensações: “Isso que eu estou sentindo pode-se chamar de felicidade. Só que a natureza se faz tão estranha que o próprio momento de felicidade é de temor, susto e apreensão. É pena que não possa dar o que se sente, porque eu gostaria de dar a vocês o que sinto como uma flor”. A ternura se prolonga no gesto de apertar no coração a carta que recebera das irmãs: “O início disso tudo foi a carta de vocês que eu botei junto do coração para sentir o calor dela e dormi assim, e mesmo agora, sentada junto do lago, tenho a carta na mesma posição, com o envelope me arranhando um pouco. Não incomoda, é como um aperto de mão um pouco mais forte” (LISPECTOR, 2002, p. 91). Talvez em nenhum outro trecho de sua correspondência Clarice represente de modo tão vívido esse efeito de presentificação das cartas, referido por Michel Foucault: “A carta torna o escritor ‘presente’ para a quem ele a envia. E presente não simplesmente pelas informações que ele lhe dá sobre sua vida, suas atividades, seus sucessos e fracassos, suas venturas e desventuras; presente com uma espécie de presença imediata e quase física” (FOUCAULT, 1992, p. 156).

Ao chamar a sua correspondência com Clarice Lispector de “cartas perto do coração”, Fernando Sabino alude ao efeito benéfico que os dois escritores proporcionaram um ao outro e à apaixonada amizade literária que os uniu.

Procurando “prestar auxílio” à amiga, Fernando continua a escrever-lhe longas e calorosas cartas, em que a encoraja diretamente: “Não acredito que você tenha chegado a um ponto de onde não possa mais sair. (...) Creio muito em você, tanto quanto às vezes em mim mesmo”; ou por meio de reflexões sobre a literatura e a vida: “Nascer de novo cada dia e dizer: começo aqui; acordado, de pé, aqui estou, como no poema do Hélio. E começar de novo. Nosso livro é o nosso testemunho, Clarice, é a única coisa que nós temos” (SABINO, 2002, p. 46). 101 nessa carta, escrita em 3 de agosto de 1946, que Fernando explica a Clarice o que são os “movimentos simulados”, expressão que ele citara em carta anterior (seria o título de um livro seu) e que havia despertado a curiosidade da amiga. Diz Fernando:

(...) a gente procura ajudar-se a si mesmo apenas, e usa todos os caminhos, inclusive os indiretos, de cinco ou seis destinos que a gente pode tocar com as mãos. Ninguém ajuda ninguém, e a verdade é que estamos sozinhos, cada um consigo mesmo. Não ajuda porque todo gesto, toda palavra, todo movimento desinteressado visando uma realidade fora da nossa é mais egoísta que o mais sórdido interesse. Não nos entregamos a ninguém: absorvemos. Todo gesto de ajuda é o extremo oposto da caridade: é um movimento simulado” (Idem, p. 44).

Sem o dizer claramente, Fernando insinuava que as cartas também poderiam dar exemplo dos “movimentos simulados”. Clarice já intuíra isso, quando escrevera, em carta de 27 de julho de 1946: “Recebi de não sei quem um número da revista Edifício. Até escrevi para a direção da revista pedindo assinatura e dizendo outras coisas de solidariedade (que na verdade é também pedido de solidariedade)” (Apud SABINO, 2001, p. 38).

Enquanto Clarice e Fernando continuam a “encontrar-se” através das cartas, a escritora, dando início a um “movimento simulado” __ ou exercitando o “egoísmo abnegado” a que se refere Silviano Santiago na apresentação às cartas de Carlos e Mário (SANTIAGO, 2002, p. 12) __ reinicia a correspondência com Lúcio Cardoso. Numa das cartas que lhe escreve, em 23 de junho de 1947, depois de retomar os “fios” do desamparo e isolamento em que vive e do fardo de escrever, Clarice descreve o seu espaço físico e a sua rotina __ procedimentos comuns ao “relato de si” no cotidiano da vida, mas que ganham versão lírica nas mãos da escritora:

Tenho também pela vizinhança mil pardais; dois fizeram ninho na janela da cozinha e para a grande hilaridade da cozinheira carregaram no bico, como material, vários cabelos meus, dos que caem na primavera. Enfim, você vê, não é uma roda gigante que está girando, está girando uma rodinha pequena, toda apressada e desapercebida: gatos entrando pela janela, cabelos caindo na primavera, pardais fazendo ninho, cozinheira rindo, tudo isso com o mínimo sentido possível... (LISPECTOR, 2002, p. 136-7).

Essa “rodinha pequena” tem suas dimensões ampliadas em 1948: Clarice conclui o romance A cidade sitiada, que lhe custara os últimos três anos, tendo sido ‘copiado’ pela autora mais de 20 vezes, método que usava ao elaborar um livro; e, em setembro, nasce seu primeiro filho, Pedro.


A escritora volta ao Brasil em 1949, ano em que é publicado o romance A cidade sitiada, pela Editora A Noite. Enquanto permanece no Rio de Janeiro, Clarice continua a escrever contos, produção que iniciara em Berna. Em 1950, o casal vai morar em Torquay, na Inglaterra, onde passa seis meses, voltando ao Brasil em março de 1951. Em 1952, Clarice e o marido mudam-se para Washington, iniciando sua mais longa permanência fora no exterior: sete anos, interrompidos apenas por rápidas viagens ao Brasil. De Washington, Clarice escreve para Fernando Sabino, para as irmãs e, posteriormente, para a família Veríssimo, quando esta deixa os Estados Unidos.

A correspondência trocada com Fernando Sabino tem agora um “formato” diferente do anterior. São, de modo geral, cartas mais pontuais, sem as doídas angústias de Clarice e os calorosos conselhos de Fernando. Há, por vezes, grandes intervalos entre uma carta e outra, a maioria deles provocados pelo amigo, que demora a responder. Freqüentemente, Fernando mostra-se desalentado e lacônico, mas não hesita em dizer a Clarice, quando esta reluta em assinar uma possível colaboração para a Revista Manchete: “(...) sei que fazem questão de seu nome __ e foi nessa base que se conversou; não sei se você sabe que tem um nome. E segundo, (...) acho que você deve assinar o que escreve; como exercício de humildade é muito bom” (SABINO, 2001, p. 108, carta de 10 de dezembro de 1953).

Enquanto mora em Washington, Clarice Lispector escreve mais contos, alguns por encomenda que lhe fizera Simeão Leal, quando ela viera ao Rio de Janeiro, em 1954. Quando Fernando Sabino lê esses contos, em 1955, considera-os uma “obra de arte, além do que a gente é e do que é capaz” (Idem, p. 125, carta de 30 de março de 1955).

Em carta de 7 de maio de 1956, Clarice comunica a Fernando que deu por terminado o romance que estava escrevendo, provisoriamente chamado A veia no pulso. Diz ela: “Quanto eu daria para você ler e me dizer o que devo ou não tirar, se o livro está ambicioso ou pretensioso, só Deus sabe, eu não sei” (Apud SABINO, 2001, p.128). E pede a Fernando sugestões de editoras a quem o romance pudesse interessar.

Nas futuras cartas trocadas entre os dois amigos, as possibilidades e as dificuldades de publicação dos dois livros de Clarice (o de contos e o romance) serão um assunto constante, trazendo de volta ao palco das cartas a frustração, o temor da recusa e a ansiedade com o atraso da publicação __ episódios de um drama existencial e literário a respeito do qual pergunta Evando Nascimento: “Como se pode ainda hoje imaginar que alguém com a inteligência e o talento de Clarice tenha que depender de um meio editorial pouco afeito à audácia e ao pensamento deslocador”? (2001, p.8). De fato, apesar de Clarice Lispector ser uma escritora reconhecida; apesar do seu empenho e dos esforços dos amigos para publicar os dois livros recém-concluídos, o volume de contos __ Laços de família __ será lançado apenas em 1960, e o romance A maçã no escuro só sairá em 1961, ambos pela Editora Francisco Alves.

Os lances dramáticos que envolvem a publicação dos dois livros podem ser acompanhados nas cartas escritas e recebidas por Clarice nos últimos anos de sua temporada em Washington. Detenho-me aqui em A maçã no escuro. Clarice envia a Fernando os originais do quarto romance, e o amigo, generosamente, responde com numerosas observações, sobre as quais ele mesmo se mostra ambíguo e hesitante: “Não acho de grande importância para o livro as alterações sugeridas. Exatamente por isso é que me pareceu que não custava nada fazê-las” (SABINO, 2001, p. 146, carta de 26 de setembro de 1956). Clarice incorpora quase integralmente as correções e sugestões de Fernando, que totalizam cerca de oitenta páginas num volume em torno de quatrocentas. Grande parte das alterações já correspondia a suas próprias dúvidas, mas a autora hesita quanto à supressão do prefácio e da presença do eu-narrador-autor ao longo da narrativa: “cortar a primeira pessoa não exigiria uma alteração profunda no livro?” (Apud SABINO, 2002, p. 140). Entretanto, acaba por suprimi-los na versão final. Em carta de janeiro de 1957, Fernando dirá: “Fiquei constrangido de você ter aceito todas as minhas sugestões, ao pé da letra, sem maior discussão. Fiz as correções, mas, francamente, também não precisava tamanha violência...”(SABINO,2001, p. 191). Clarice responderá que teve, sim, discussão interna, e que o que mais demorou a aceitar foi a retirada do “prefácio” (as aspas são dela), pelo qual tinha um certo apego, por questões líricas. Mas acha melhor do modo como ficou, com as frases mais indispensáveis do “prefácio” transpostas para outros lugares.

Outro lance dramático na preparação livro diz respeito ao título, que “compõe por si só um romance dentro do romance” (NASCIMENTO, 2001, p. 8). Fernando considera o título provisório pouco eufônico, por causa de “Aveia”, e chega a ceder o título de um texto seu, O homem feito, mas ainda acha A maçã no escuro o melhor deles, “apesar de meio natureza-morta e portanto pouco comercial __ como diria o editor” (SABINO, 2002, p. 146, carta de 26 de setembro de 1956). Clarice pensa nos títulos O aprendizado ou A história de Martim, mas considera-os ruins. Respondendo a uma carta de Clarice dirá, por sua vez, João Cabral de Melo Neto, acrescentando uma nota brincalhona ao drama do título: “Quem foi o errado que foi contra A veia no pulso? Acho que v. não deve mudar, absolutamente. (...) A veia não é absolutamente cacófato. Cacófato é o som ridículo ou feio. “A veia”, no máximo pode parecer ambíguo, o que não é a mesma coisa. Mas a ambigüidade não é motivo para tirar e sim para deixar. (...) Por outro lado, só um idiota, ouvindo A/VEIA NO PULSO pode entender Aveia no pulso (...) creio que você não deve dar nenhum bola e dizer que é aveia no pulso mesmo. Aveia que o personagem leva para que os burros venham comer-lhe na mão” (Apud LISPECTOR, 2002, p. 215).

Enquanto os livros de Clarice aguardam publicação, o romance O encontro marcado, de Fernando Sabino, é lançado, ainda em 1956, e a escritora comenta-o em carta ao amigo de 8 de janeiro de 1957. Clarice Lispector afirma, nesse comentário, os valores que para ela importam e com os quais se identifica, dizendo nunca ter se sentido “tanto pertencendo a uma geração”: “O livro todo parece filmado em luz de rua, sem maquillage. Por isso dá às vezes a impressão desconcertante de falta absoluta de ‘literatura’__ e então se sente que este é o modo até sofisticado (sofisticado como contrário de ‘naïve’) de literatura” (Apud SABINO, 2001, p. 188).

Ainda dialogando com o autor de O encontro marcado __ e consigo mesma __, diz Clarice, em carta de 24 de janeiro de 1957: “Sofrimento não é caminho, sofrimento como caminho só se pode falar no passado, dizendo sofrimento foi caminho, só se torna ‘caminho’ se levou a alguma coisa” (Idem, p. 192). Desta vez, é Clarice que se pronuncia com firmeza sobre um tema constante em sua correspondência com Fernando Sabino, que lhe dissera, por exemplo, ao comentar a primeira versão do conto “O crime”, feita quando Clarice ainda estava em Berna: “(...) você está escrevendo bem, com calma, estilo seguro, sem precipitação. Talvez porque agora você já não esteja sofrendo muito, mas sofrendo bem; é uma diferença bem importante, para a qual o Mário sempre me chamava a atenção” (SABINO, 2001, p. 60, carta de 17 de setembro de 1946).

Aquelas palavras da missivista Clarice Lispector parecem assinalar um momento significativo em sua “grafia de vida”. Um momento em que Clarice reelabora o que lhe dissera Fernando, e o que a todos dissera Mário de Andrade, em seu repetido verso: “A própria dor é uma felicidade”. Um momento que me reconduz à afirmação de Michel Foucault sobre a escrita da carta como a forma mais sublime da “escrita de si”. E é com Foucault que encerro este esboço de percurso pela “grafia de vida” de Clarice Lispector: “Nenhuma técnica, nenhuma habilidade profissional pode ser adquirida sem exercício; não se pode mais aprender a arte de viver, a techné tou biou, sem uma askèsis, que deve ser compreendida como um treino de si por si mesmo (...)” (1992, p. 146).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BORELLI, Olga. Clarice Lispector: esboço para um possível retrato. 2 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.

FOUCAULT, Michel. A escrita de si. In: Ditos e escritos. p. 144-162.

GOTLIB, Nádia Battella. Clarice. Uma vida que se conta. São Paulo: Ática, 1995.

LISPECTOR, Clarice. Correspondências/Clarice Lispector. Organização de Teresa Montero. Rio de Janeiro: Rocco, 2002.

NASCIMENTO, Evando. Encontro marcado nas cartas. Jornal do Brasil, 20 out. 2001. Caderno Idéias. p. 8.

SABINO, Fernando. Cartas perto do coração. Fernando Sabino e Clarice Lispector. 2 ed. Rio de Janeiro: Record, 2001.

SANTIAGO, Silviano. Suas cartas, nossas cartas. In: FROTA, Lélia Coelho (org.). Carlos & Mário. Correspondência de Carlos Drummond de Andrade e Mário de Andrade. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2002. p. 7-33.



______. Bestiário. In: Cadernos de Literatura Brasileira. Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, dez. 2004. n. 17-18. p. 192-223.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal