Encrenca no Almoço



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Encrenca no Almoço
PINHEIRO, Francisco de Moura. Mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB). Coordenador do curso de Jornalismo do Instituto de Ensino Superior do Acre (Iesacre). Rio Branco - Acre. Endereço digital: fdandao@gmail.com. GT Mídia Sonora.
Resumo:
O bizarro e o indignado, principalmente no que diz respeito ao cinismo que grassa a sociedade nacional, traduzidos em humor e veiculados pelas ondas do rádio, têm endereço certo em Fortaleza, capital do Ceará, de segunda a sexta-feira, entre 12 e 13 horas. Trata-se do programa “Encrenca no Almoço”, que vai ao ar pela rádio Jangadeiro FM, e que é produzido e apresentado pelos humoristas Benedito José Barbosa, que encarna o personagem “Papudim”, e Augusto César Barreto de Oliveira, conhecido nos estados do Nordeste como Augusto Bonequeiro, que encarna o personagem “Encrenca”. O presente texto tenta explicar que programa é esse, ao tempo em que faz uma revisitação da história do humor no mundo, bem como de alguns aspectos da história do humor no rádio brasileiro.
Palavras-chave: rádio; humor; Jangadeiro-FM; história; Augusto Bonequeiro.

1. O bizarro e o indignado


Armand Petitjean (1913-2003), reconhecido no mundo acadêmico e intelectual europeu como um dos principais pensadores nascidos em solo francês no recém-findo século XX, costumava dizer que “não há nada que um humor inteligente não possa resolver com uma gargalhada, nem mesmo o nada”.

No Estado do Ceará, no nordeste do território brasileiro, mesmo que muitos jamais tenham ouvido falar em Armand Petitjean, todos acreditam piamente nas palavras do francês, tanto sobre o humor quanto sobre o nada, de onde tudo, qualquer coisa mesmo, pode emergir. A profusão de humoristas que divertem os turistas (e os nativos também) que desembarcam em Fortaleza, principalmente na época das férias escolares (dezembro a fevereiro e, depois, no mês de julho), não deixa margem para dúvidas. Basta uma olhada, mesmo que distraída, nos cadernos de espetáculos dos jornais da capital cearense: são tantas as possibilidades de presenciar a um show de humor, que até o mais arredio dos visitantes se sente compelido a assistir a pelo menos uma exibição. Depois da primeira vez, costumam dizer os humoristas, o espectador casualmente curioso nunca mais será o mesmo e vai querer voltar muitas outras vezes. Além, é claro, ainda na afirmação dos humoristas, de se transformar, por puro entusiasmo, em garoto-propaganda, recomendando o programa a todos os amigos.

Aristóteles, que durante grande parte da sua vida se viu as voltas com a tentativa de descobrir o que é que significava o riso, de saber o que é que poderia haver no fundo do risível, bem como do que haveria em comum com a careta ou o tropeção de um palhaço circense, de compreender qual a essência da ironia contida num jogo de palavras inteligentes ou com os desdobramentos de uma comédia fina, certamente encontraria terreno fértil entre os cearenses para desenvolver as suas teses. E ainda mais quando descobrisse que grande parte dos humoristas locais ganhou notoriedade nacional divertindo pessoas, através de veículos de comunicação de massa. Casos, só para ficar em alguns mais evidentes, de Renato Aragão (Rede Globo), Tiririca (Rede TV), Chico Anísio (Rede Globo) e Tom Cavalcante (Rede TV).

Pois é nesse ambiente de aparente (ou seria melhor dizer “eterna”?) obsessão pelo lado grotesco da vida que floresce um programa de rádio intitulado Encrenca no Almoço, levado ao ar pelas ondas sonoras da rádio Jangadeiro FM (Av. Antônio Sales - Aldeota), de segunda a sexta-feira, no horário das 12 às 13 horas, apresentado pelos humoristas Benedito José Barbosa, que encarna o personagem de um bêbado chamado “Papudim”, e Augusto César Barreto de Oliveira, conhecido na região como Augusto Bonequeiro, que encarna o personagem de um caipira chamado “Encrenca”.

Durante uma hora, bem no momento em que as pessoas param as suas atividades cotidianas para alimentar o corpo, Benedito José Barbosa e Augusto Oliveira aproveitam-se do que há de mais bizarro no noticiário do dia para desferir sentenças da mais profunda indignação contra políticos, instituições e, até, muitas vezes, contra atitudes de pessoas comuns que, eventualmente, possam ter transgredido as regras sociais do bem viver. “A nossa crítica”, esclarece Augusto, “baseia-se principalmente em cima da corrupção, da safadeza, do cinismo que grassam na sociedade local, nacional e internacional. Como tudo é feito na base da gozação, nós acreditamos que toda essa crítica é bem melhor absorvida pelo público. E não acreditamos só por acreditar, mas pelo retorno dos ouvintes, através de cartas, e-mails e telefonemas, algumas vezes denunciando situações, outras só nos dando parabéns mesmo”.

Antes, porém, de escrever mais detidamente sobre Benedito José Barbosa, Augusto César Barreto de Oliveira e as “encrencas diárias do almoço” cearense, penso que vale a pena um mergulho, mesmo que não muito profundo, nas águas de dois temas: “a história do riso no mundo” e “a história do humor no rádio brasileiro”.

2. Para rir e morrer, basta nascer
Entre todas as características que diferenciam o ser humano dos outros animais, muito mais do que as diferenças encontradas pelo mapeamento do DNA, duas parecem fundamentais: a capacidade de rir (muitas vezes até da própria desgraça) e a consciência de morrer (eventualmente até mesmo de rir), condição que, principalmente na sociedade ocidental, causa na maioria das pessoas profunda angústia.

A propósito dessas duas características, o historiador francês Georges Minois tratou de formular uma instigante indagação: - Será que o riso não existe exatamente para consolar a espécie humana da amarga tristeza de se saber condenada a morrer? Uma indagação que ainda parece impossível de se encontrar uma resposta definitiva e absoluta no atual estágio do pensamento acadêmico. Impossibilidade, porém, que não impede uma tentativa de aproximação da resposta, o que talvez só seja possível esquadrinhando a história do riso no curso do tempo e da evolução humana.

É o próprio Georges Minois, num trabalho de fôlego intitulado História do Riso e do Escárnio, quem afirma que “da gargalhada solta dos carnavais medievais à fina ironia dos romancistas vitorianos, a história do riso pode muito bem revelar os dilemas de cada época”. E para compreender melhor o significado do riso (considerado pelos gregos uma das maiores virtudes concedidas pelos deuses aos homens) no decorrer da aventura humana na Terra, este autor entende que é preciso dividir a sua história em três grandes períodos distintos: o riso divino; o riso diabólico; e o riso humano.

Na Antiguidade clássica, o riso era considerado uma espécie de emanação das divindades, visceralmente ligado à suprema liberdade dos deuses, e estreitamente vinculado à crença da recriação do mundo. Idéia que se encontra absolutamente explicitada nos textos satíricos escritos pelo grego Aristófanes, bem como nas peças permeadas de críticas sociais criadas pelos dramaturgos latinos Plauto e Terêncio.

Tendo rido Deus, nasceram os sete deuses que governam o mundo... Quando ele gargalhou, fez-se a luz... Ele gargalhou pela segunda vez: tudo era água. Na terceira gargalhada, apareceu Hermes; na quarta, a geração; na quinta, o destino; na sexta, o tempo. Depois, pouco antes do sétimo riso, Deus inspira profundamente, mas ele ri tanto que chora, e de suas lágrimas nasce a alma.

Assim se exprime o autor anônimo do papiro alquímico que data do século III, o papiro de Leyde. O universo nasceu de uma enorme gargalhada. Deus, o Único, qualquer que seja o seu nome, é acometido - não se sabe por que - de uma crise de riso louco, como se, de repente, ele tivesse consciência do absurdo de sua existência. Nessa versão da criação, Deus não cria pela palavra, que já é civilização, mas por esse espocar de vida selvagem, e cada um de seus sete acessos faz surgir do Nada um novo absurdo, tão absurdo quanto o próprio Deus: a luz, a água, a matéria, o espírito. E, no final desse big bang cômico e cósmico, Deus e o universo encontram-se em um face a face eterno, perguntando-se um ao outro o que estão fazendo lá: aquele que ri e sua gargalhada”, diz Georges Minois.

Na Idade Média, com o advento do cristianismo, o entendimento sobre o riso mudou totalmente, passando a ser considerado coisa do demônio. O raciocínio era o de que sendo o demônio o rei da zombaria e do escárnio, então, naturalmente, por analogia, era também o rei do riso. Nesse contexto, a sociedade só permitia o riso em festas pagãs, como o Carnaval ou outras celebrações alusivas ao mundo material. Um pensamento que iria permanecer vivo até a época do Renascimento, quando as crenças de um modo geral passaram a sofrer abalo e os valores passaram a ser revistos.

Os defensores do cristianismo e estudiosos do mistério da gênese acusavam o riso de ser uma invenção diabólica. O argumento era o de que não havia nada engraçado no fenômeno da criação ou, muito menos, nos jardins do Éden. Adão e Eva, belos e eternamente jovens, movimentando-se em total harmonia pelas alamedas do paraíso, sem nenhum defeito, nenhuma fealdade, nenhum mal, absolutamente não tinham motivo, nada mesmo, para rir de alguma coisa. Por conta de tudo isso, então, afirmavam os estudiosos da Idade Média, o riso não fazia parte dos planos divinos.

É nesse mundo equilibrado, sem espaço para a pilhéria, a gozação, a sátira e o escárnio que surge a figura do demônio. Para os defensores dessa tese, o desequilibro e a conseqüente possibilidade do riso surgiu quando o demônio, na pele da insidiosa, mas eloqüente, serpente tentou Adão e Eva e os convenceu a provar o fruto proibido. O desequilíbrio surgiu, então, com o pecado original. E assim, num mundo imperfeito, o riso passou a ter razão de existir. O demônio, portanto, seria o responsável pelo riso. Por conta dessa paternidade, o riso passou a ser diabólico e ligado à imperfeição.

Agora pode-se rir. Há de quê: rir do outro, desse fantoche ridículo, nu, que tem um sexo, que peida e arrota, que defeca, que se fere, que cai, que se engana, que se prejudica, que se torna feio, que envelhece e que morre, um ser humano, bolas!, uma criatura decaída. O riso vai se insinuar por todas as imperfeições humanas. É uma constatação de decadência e, ao mesmo tempo, um consolo, uma conduta de compensação, para escapar do desespero e da angústia: rir para não chorar. Eis aí o que os pais da Igreja recriminam: em lugar de chorar sobre nossa decadência, o que seria marca de arrependimento, rimos de nossas fraquezas, e essa é a nossa perda. Vemos nosso nada e rimos dele: um riso diabólico”, explica Georges Minois.

Pode-se dizer que foi somente a partir do século XVI, fruto da combinação dos elementos do humanismo e da cultura popular medieval, que o riso mudou o seu status de divino ou diabólico, passando para o plano do “simplesmente humano” e adquirindo, dessa forma, um novo tom: o da “gargalhada ensurdecedora”, que faz os indivíduos chegarem a um estado, mesmo que momentâneo, de suprema felicidade.

Mas, é preciso esclarecer que as pessoas deveriam escolher a sua posição no tocante ao assunto: “a austeridade sem falha dos reformadores religiosos, só recorrendo ao sarcasmo para atacar os vícios e os heréticos; o sorriso polido e superior do cortesão manejando a zombaria espiritual e de bom grado maldosa; e o riso barulhento da seita rabelesiana, encarando a vida como um Carnaval, pronto para camuflar, sob gargalhadas de riso grotesco, os sopros de angústia que penetram pelos buracos da existência”.

No dizer de Octavio Paz, é com Rabelais que, de fato, começa o riso moderno. “É a embriaguez da relatividade das coisas humanas, o estranho prazer da certeza de que não há certezas”, afirma o mexicano. “Mais além da bufonaria de superfície”, agora usando as palavras de Georges Minois, “Rabelais prenuncia a era do absurdo, a nossa, e se ele toma o partido de rir dela é porque não adianta nada chorar por ela”.

Nos tempos que correm, depois de toda essa viagem pela origem do riso, o que se percebe claramente é que se pode rir de tudo. Inclusive, ou principalmente, das desgraças, anunciadas ou não. Nesse sentido, pode-se dizer que o século XX foi pródigo em situações de tragédia que provocaram uma infinidade de piadas. De guerras a pandemias, dos genocídios ao terrorismo, passando por todo o tipo de misérias.

O mundo riu de tudo, diz Georges Minois, “dos deuses, dos demônios e, sobretudo, de si mesmo. O riso foi o ópio do século XX, de Dada aos Monty Pythons. Essa doce praga permitiu à humanidade sobreviver as suas overdoses de vergonhas. Ela insinuou-se por toda parte, e o século morreu de overdose - uma overdose de riso - quando, tendo este se reduzido ao absurdo, o mundo reencontrou o nonsense original”.

Ficou mais do que provado, por tudo que o século passado nos legou enquanto lição de história, que todas as situações são motivos para brincadeiras. O que não se pode saber, neste momento, com exatidão, é até quando e a que ponto se poderá rir da própria desgraça sem perder a noção de humanidade e recusando-se a questão da racionalidade. Mas isso só o futuro é que poderá dizer. O futuro e, talvez, os humoristas.

3. O humor no rádio brasileiro


O que uma breve arqueologia da história do rádio no Brasil revela, em princípio, é que nos primeiros anos, os da década de 1920, a presença do humor no veículo assume apenas a forma de esquetes dentro de programas de variedades. Os programas específicos de humor surgiriam somente na década de 1930. O primeiro de todos teria sido o programa “Manezinho e Quintanilha”, que foi ao ar em 1931, na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, emissora fundada por Roquete Pinto e Henrique Morize.

Depois, ainda na década de 1930, também no Rio de Janeiro, Renato Murce cria, na Rádio Nacional, o programa “Cenas Escolares”, cujo principal personagem chamava-se Manduca, um garoto-problema, verdadeiro demônio em forma de gente, que aprontava todo o tipo de confusão na sala de aula. Por falar de forma explícita sobre os problemas escolares da época, o programa foi duramente criticado pelas autoridades educacionais, sendo, por conta disso, pouco tempo depois de criado, vetado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) do Governo Federal.

Renato Murce, entretanto, para não perder o filão que tinha em mãos, uma vez que as “Cenas Escolares” se constituíam no programa de maior audiência da rádio, não se deu por vencido e fez algumas alterações no roteiro. Primeiro, alterou o ambiente: tirou-o da sala de aula. Segundo, mudou o nome, rebatizando-o de “Piadas do Manduca”. Com esses recursos, o programa permaneceu no ar por vários vinte anos.

Além de Murce, que interpretava o personagem Dr. Leão (uma espécie de professor que sabia de tudo), participavam do programa os atores Brandão Filho (fazia o Dr. Fagundes), Castro Barbosa (encarnava o personagem Seu Ferramenta) e Lauro Borges, que interpretava um gago (o Sr. Alcebíades) e o herói Manduca. E o sucesso foi tanto, que as “Cenas Escolares” ou “Piadas do Manduca” acabaram inspirando outros programas do veículo que surgiu a seguir, a televisão. Casos de “Escolinha do Professor Raimundo” (TV Globo) e “Escolinha do Golias” (SBT).

Mas o programa de humor de maior sucesso no rádio brasileiro se chamou PRK-30 e passou por três emissoras. Primeiro, a partir do final da década de 1930, com o nome de PRK-20, na Rádio Clube do Brasil, criado pelo mesmo Renato Murce, em parceria com Lauro Borges e Castro Barbosa. Depois, já com o nome definitivo de PRK-30, sucessivamente na Rádio Nacional, de 1947 a 1950, e na Rádio Mayrink Veiga, até 1964, quando, pode-se dizer, cedeu espaço para os programas de televisão.

A linha de humor explorada pelos autores do PRK-30 era o da sátira ao próprio rádio: a linguagem do veículo e as suas pretensões culturais. O programa passava para o ouvinte a idéia de uma “rádio pirata” que entrava no ar em cima do prefixo da Rádio Nacional, satirizando tudo o que acontecia no rádio da época. Nesse sentido, diz Maurício Nogueira Tavares, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no texto A Paródia no Rádio, “a programação da PRK-30 vai fornecer um painel paródico do rádio, em que ele é mostrado às avessas”.

Lauro Borges e Castro Barbosa, já sem a participação de Murce, faziam todas as vozes do PRK-30, o que parecia impossível para os ouvintes, dada a diversidade de personagens que os dois encarnavam. Dois exemplos: Castro fazia um personagem chamado Megatério Nababao D’Alicerce, um português que se orgulhava de “falar inglês em vários idiomas”; enquanto isso, Lauro fazia um personagem chamado Otelo Trigueiro, “a voz onde as abelhas se inspiram para fazer mel”, que fala para o “deleite condensado das morenas inequívocas, das louras inelutáveis e até das morenas ferruginosas. Para todas aquelas que estão me ouvindo, meus sinceros parabéns”.

Outro aspecto do rádio da época que não escapou à sátira da dupla Lauro Borges e Castro Barbosa foi a radionovela. Desse modo é que eles colocaram no ar uma novela intitulada “Só morra em Godoma”, que tinha os personagens “Romeu de Pontapelier”, tio de uma sobrinha; Amaro, primo de Rosa; Rosa, prima de Amaro; Alice, filha de um vizinho da esquerda; Dona Esquerda, vizinha do pai de Alice; e Dona Moema, esposa do doutor Valério, já falecido e, portanto, viúva.

Miriam Goldfeder, em Por Trás das Ondas da Rádio Nacional (Ed. Paz e Terra, 1981), dimensiona a importância do PRK-30 afirmando que “os efeitos corrosivos deste programa acabam assumindo uma dimensão mais ampla: o enfoque parodístico do mundo radiofônico, dos ídolos, das novelas, das transmissões esportivas se transformava numa visão irônica do sistema ético-condutor do comportamento coletivo (...)”. E continua, afirmando que “no plano da sátira aos costumes, a PRK-30 pode ser considerada o programa mais significativo da época, seja ao nível de mensagem propriamente dita, seja pela criatividade na elaboração dos personagens e situações”.

Mas, apesar de todo o sucesso do PRK-30, em quaisquer apontamentos sobre a história do humor no rádio brasileiro não se pode deixar de lembrar também do programa “Balança... mas não cai”, outro que marcou época na radiofonia do país, criado em 1950 pela Rádio Nacional, justamente para ocupar o espaço deixado pelo PRK-30, e cujos textos eram escritos por Max Nunes e Haroldo Barbosa.

4. A ditadura do riso
É impossível alguém passar pela freqüência da Rádio Jangadeiro FM (88,9 MHz), em Fortaleza-CE, no horário entre 12 e 13 horas, de segunda a sexta-feira, e não parar para ouvir melhor o que dizem aquelas vozes de um locutor “bêbado” e de um locutor “caipira”. Impossível não parar para ouvir e, consequentemente, não se render às esquisitices da dupla, que dispara uma espécie de metralhadora giratória verbal para todos os lados, criticando toda e qualquer atitude recente, seja de autoridades constituídas (principalmente destas), seja de um cidadão pouco conhecido que tenha ganhado uma momentânea notoriedade num cantinho de algum jornal. Bastam alguns minutos de audiência para se instalar dentro da cada ouvinte uma espécie de ditadura do riso. A impressão que se tem é que aqueles dois locutores traduzem tudo o que o ouvinte gostaria de ter dito a respeito das figuras e situações satirizadas.

“Encrenca no Almoço” é um programa novo, cuja primeira exibição aconteceu no mês de julho de 2005. Nesse breve espaço de tempo, porém, já ganhou tantos ouvintes que em determinados dias as linhas telefônicas da emissora não conseguem dar conta da demanda das pessoas interessadas em dizer alguma coisa. Participações, às vezes, estimulada pelos apresentadores, na forma de enquetes ou de simples perguntas sobre um ou outro aspecto da vida política e social do estado, do país e do mundo.

Prova da aceitação rápida por parte do público de “Encrenca no Almoço”, foi a quebra de todos os recordes de audiência da emissora, no mês de setembro (apenas dois meses depois da primeira exibição), quando o programa promoveu uma pesquisa sobre qual a moeda que deveria ser adotada em cada bairro de Fortaleza, caso se pudesse substituir o “real” por um outro tipo de medida de valor. As respostas foram as mais inusitadas possíveis. Um ouvinte disse que na Praia de Iracema, por exemplo, tal o número de prostitutas que fazem ponto no local, em face do grande massa de turistas estrangeiros que transita na área, a moeda deveria se chamar “quenga”. “Uma quenga”, na palavra do ouvinte, “valeria dez euros”. De um outro bairro, um ouvinte sugeriu que a moeda deveria se chamar “chifre”: “dois chifres valeriam”, na opinião dele, “um corno”... E assim por diante, cada bairro falando das suas peculiaridades.

A idéia de fazer “Encrenca no Almoço” nem os próprios apresentadores, que também são os produtores e roteiristas do programa, conseguem precisar em que momento veio à luz. Mas o difícil é que alguma coisa do gênero não acabasse acontecendo, uma vez que tanto Benedito José Barbosa (o “Papudim”) quanto Augusto César Barreto de Oliveira (o “Encrenca”) são funcionários do mesmo complexo de Comunicação. Benedito é responsável pela produção de toda a programação da Rádio Jangadeiro, enquanto que Augusto desde 1992 faz o programa “Botando Boneco”, na TV Jangadeiro (repetidora do Sistema Brasileiro de Televisão, em Fortaleza).

Sobre o formato do programa, na base de uma descontraída conversa de botequim entre os dois personagens, repousa um minucioso roteiro, cujos detalhes começam a ser delineados pelos dois apresentadores tão logo eles se acordam pela manhã (Benedito Barbosa chega à emissora todos os dias por volta das 4 horas da madrugada). Uma navegada pela internet e a leitura dos jornais de Fortaleza é que dá os primeiros motes para as gozações do dia. Às 11 horas, os dois se reúnem na sala de reuniões da emissora para decidir o tom que vai ser usado, bem como a seqüência dos assuntos que serão abordados no dia, para em seguida ensaiar qual deles vai “levantar a bola” (expressão deles) para o outro quando estiverem no ar.

No programa levado ao ar no dia 30 de setembro de 2005, depois da música de abertura e da saudação ao público por parte dos dois apresentadores na forma de uma canção de duplo sentido (“Em terra minha, ela é toda sua; Em terra minha, você é feliz; Em terra minha, você deita e rola; Esse pedaço você sempre quis”), uma afirmação a queima-roupa, de Papudim para Encrenca.

- Encrenca, o vice-presidente José de Alencar filiou-se ao Partido da Igreja Universal... – disse Papudim.

- Esse santo quer reza... – respondeu Encrenca.

- Aleluia, irmão! – completou o primeiro.

- Saravá! – replicou Encrenca.

Na seqüência, depois da música de fundo subir e baixar durante alguns segundos, em todos os programas, eles se congratulam com os profissionais cujo dia se comemora naquela data. No caso, dia 30 de setembro, a saudação foi para jornaleiros, churrasqueiros e secretárias. Uma saudação, claro, com algum toque de humor, alguma piada, mas sem caráter depreciativo, relativa às profissões citadas.

Justificando o título, o programa se desenrola como se realmente os dois apresentadores estivessem almoçando. Um almoço regado a uma conversa pra lá de descontraída. Assim, a primeira piada (ou bronca) vem sempre precedida do convite para “tomar um refresquinho”. Um personagem convida o outro para o tal “refresquinho”. Justamente a senha para o segundo personagem chamar o assunto a ser comentado. Nas linhas seguintes, o “refresquinho” do dia 30 de setembro de 2005.



EncrencaVamos começar com uma boa notícia. Ontem o juiz Pedro Pecy Barbosa pegou 15 anos de prisão em regime fechado, por ter matado covardemente aquele vigilante em Sobral. Parabéns aos desembargadores que julgaram o juiz Pecy Barbosa. O povo gosta de ver a justiça funcionando.

PapudimVamos ver se ele fica preso pelo menos dois anos...

Encrenca Isso é outra coisa. A justiça condenou. Claro, a gente tem que ver se a justiça vai ser cumprida. Mas que ela condenou, isso é fato.

PapudimOutra notícia. A Petrobras botou propaganda de página inteira nos jornais do Ceará e do Rio Grande do Norte, dizendo que finalmente escolheu onde instalar sua nova refinaria...

Encrenca Oxente, e já mudou de novo? Não tava certo que seria em Pernambuco?

PapudimSegundo a propaganda, a refinaria será no Brasil. E localizada em Pernambuco.

EncrencaPalhaçada! Cinismo! Ridículo! A Petrobras pensa que o povo é besta! Vão pentear macaco, bando de abestados!

Superado o primeiro quadro, a sonoplastia faz rodar uma gravação com os anunciantes. Os telefones do estúdio tocam incessantemente, sendo atendidos por dois assistentes. Alguns dos ouvintes terão a primazia de ir ao ar; outros terão as suas broncas anotadas ou ouvirão agradecimentos da dupla de apresentadores.

E eis, então, que chega a vez do “aperitivo”. À provocação de um dos apresentadores (“O que vamos beber hoje?”), o outro responde com mais um fato do dia para ser devidamente passado pelo crivo da dupla.

PapudimEncrenca, o Gugu Liberato vai pagar um milhão de reais ao Thiago Lacerda por fazer leilão de uma sunga que o Gugu diz ter sido usada pelo ator na Paixão de Cristo, em João Pessoa...

EncrencaUm milhão de reais por uma sunga? Nem se fosse a calcinha da Sheila Carvalho...

PapudimPois eu conheço gente que daria isso tudo se o conteúdo tivesse dentro da sunga... Se é que você me entende...

E o almoço segue com o anúncio da “salada”.



PapudimEncrenca, um ouvinte nosso lá de Camocim, que pede pra não dizer o nome, que ligou um dia desses aqui pra gente, mandou uma cartinha perguntando se a gente tem alguma simpatia pra pessoa não virar viado...

EncrencaClaro, minha amiga... Quer dizer, meu amigo... Ou será amiga?

PapudimSem intimidades, Encrenca. O nome dele é de homem.

EncrencaCerto, amigo, faça o seguinte.

PapudimEncrenca, queria aproveitar e pedir para os meninos que ainda estão em dúvida, se quer ou se gosta, que residem nas cidades de Quixadá, Brejo Santo e Limoeiro...

EncrencaOu que estão passeando por lá... Se é que você me entende... Prestem atenção. As bonecas aqui de Fortaleza todas já sabem...

PapudimDeixa de suspense, Encrenca. Diz logo. Já estou ficando nervoso.

EncrencaCalma, Papudim. Lembre-se que o de bêbado não tem dono. Seguinte: vou dar a simpatia pra homem nunca virar viado. Ir à meia-noite num galinheiro e roubar uma pena da bunda de uma galinha choca. Deixa a pena no sereno de duas noites de lua. Depois andar com a pena no bolso de trás das calças pro resto da vida...

PapudimEncrenca, por favor, me explique a ciência dessa simpatia...

EncrencaSeguinte, Papudim: quem tem pena do rabo nunca vira viado!

No prato principal, depois dos anúncios, de mais telefonemas, uma música (sempre de duplo sentido), o diálogo a seguir.



Papudim - Encrenca, o Conselho Estadual de Educação do Ceará abriu a caixa de denúncias. Das dezoito mil escolas de primeiro e segundo graus do Ceará, apenas quatro mil e quinhentas são regulamentadas...

Encrenca Eu não acredito. E isso quer dizer o quê?

PapudimQuer dizer que os certificados que essas escolas emitirem não terão validade.

EncrencaQue lindo! E por que não fecham as escolas irregulares? Atenção, população do Ceará. Procure saber se a escola que o seu filho estuda é regulamentada. Senão vão dar com os burros n’água...

Para a “sobremesa”, sobrou uma crítica ao presidente da República.



Papudim Encrenca, o presidente Lula vai batizar um trecho da ferrovia Transnordestina de Miguel Arraes...

EncrencaBoa... E qual é o trecho da ferrovia que vai ter esse nome?

Papudim É o trecho que sai de Pernambuco, passa pelo Piauí e vem pro Ceará...

Encrenca Como é que é? Sai de Pernambuco, passa pelo Piauí e vem pro Ceará? Pense num caminho troncho!!!

Para fechar o programa, um “cafezinho”.



PapudimEncrenca, agora é a hora do deputado Aldo Rebelo, novo presidente da Câmara dos Deputados dar a volta por cima.

Encrenca Por quê?

PapudimTu sabes qual foi o projeto que marcou a atuação do atual presidente da Câmara dos Deputados?

Encrenca Eu nem sabia que ele era deputado...

PapudimEle foi o autor do projeto de criação do dia do saci pererê...

Os dois apresentadores explodem numa sonora gargalhada, enquanto, em uníssono, se despedem dos ouvintes com um “até segunda-feira”.

5. Os senhores da sátira e do bom humor
Augusto César Barreto de Oliveira, o “Encrenca”, também conhecido como “Augusto Bonequeiro”, nasceu em Escada (PE), em 02 de abril de 1951. Começou a fazer teatro em Recife, no ano de 1971. O trabalho com bonecos começou em 1975, quando foi dar aulas de educação artística numa escola pública, onde não havia nenhuma infra-estrutura (não tinha sequer um palco, onde os garotos pudessem se iniciar na arte cênica). Em 1978 deixou a docência para se fixar no trabalho com os bonecos. Entre 1977 e 1979 trabalhou como ator e foi assistente de direção em seis espetáculos de “teatro espontâneo”, em Recife. Mudou-se para Fortaleza em 1980, onde, em 1982, juntamente com Zilda Torres (sua esposa à época), formou uma troupe de teatro de bonecos chamado Grupo Folguedo. Entre 1986 e 1987, foi diretor do Teatro José de Alencar. Em 1992, estreou um programa de televisão chamado “Botando Boneco” (TV Jangadeiro – Fortaleza), onde satiriza o cotidiano. Em 1993, levou o mesmo programa para a TV Tambaú (João Pessoa). O programa “Encrenca no Almoço” é a iniciativa mais recente, o primeiro no rádio. Como “bonequeiro” já se apresentou na França, Alemanha, Espanha, República Tcheca e Itália, participando de festivais internacionais de teatro. É membro da União Internacional de Marionetes, entidade filiada à Unesco, e da Associação Brasileira de Teatro de Bonecos (ABTB).

Benedito José Barbosa, o “Papudim”, nasceu em Sobral (CE), em 18 de outubro de 1965. Faz shows como humorista há dez anos, mas começou no teatro aos 15 anos, no Rio de Janeiro. Órfão de mãe, foi morar com uma irmã, no Rio de Janeiro, em 1980, trabalhando por quatro anos na Rede Globo, inicialmente como office boy, depois como editor de imagens. Pediu demissão para fazer “pontas” no programa do conterrâneo Chico Anísio. Mas nem chegou a atuar. “Para trabalhar no programa do Chico Anísio, mesmo como figurante, eu deveria pertencer a uma agência, que ficaria com quase todo o cachê. Aí eu não topei...”, diz. Na seqüência, trabalhou como gerente de uma loja de vídeo, lavador de carros (onde ganhava mais do que como gerente) e, novamente, na Rede Globo, agora como assistente de produção do Globo Ciência, onde permaneceu até quando o Governo Collor de Mello retirou o patrocínio do programa. Em 1992, voltou para Fortaleza, trabalhando, sucessivamente, na TV Verdes Mares, numa agência de publicidade (onde foi roubado por um sócio), e como produtor do humorista Tiririca. Passou a fazer shows como humorista depois de ficar em segundo lugar num festival em Fortaleza. Atualmente, além do trabalho como produtor na rádio Jangadeiro FM, encena o espetáculo “BarZil, a comédia”, no Teatro do Humor Cearense, junto com os também humoristas Marcos Aurélio (Mixirico) e Juan Bustamante (Luiz da Silva).

6. Divino, diabólico ou humano: o riso está no ar do Ceará
Embora seja difícil prever com exatidão para onde caminha a humanidade neste início de século XXI, é certo que se pode afirmar que o riso é uma espécie de força motriz da sociedade planetária. Divino, diabólico ou humano, não há como alguém escapar do riso. Ele faz parte da festa e só não lhe é possível penetrar nos espíritos doentes. Mas, esses não contam. Esses são os que precisam de tratamento.

É importante, no sentido do entendimento do mecanismo do riso, bem como da citação do divino e do diabólico, que não há comicidade fora daquilo que é propriamente humano. “Uma paisagem poderá ser bela, graciosa, insignificante ou feia: nunca será risível. Rimos de um animal, mas por termos surpreendido nele uma atitude humana ou uma expressão humana”, diz Henri Bergson.

No que diz respeito ao rádio, reinventado a cada dia, principalmente quando do surgimento de um veículo novo, igualmente ao riso, ninguém consegue (talvez “ninguém queira”) também escapar dele. Basta que se observe em volta ou que, numa hipótese mais acadêmica, se leve a termo uma pequena pesquisa: todos os entrevistados, certamente, dirão que escutam algum programa (ou parte dele) todos os dias.

Além disso, deve-se atentar ainda ao se analisar o rádio para a questão da interface sonora que o veículo estabelece com a realidade, evidenciada inicialmente por Herbert Marshall McLuhan. Na explicação de Eduardo Meditsch, fazendo eco a McLuhan, essa “interface sonora com a realidade estabelecida pela informação do rádio é marcada pelo artifício da sua presença física, imediata, envolvente e sensível”.

Por outro lado, ensina Verena Alberti, citando Laurent Joubert, que “a matéria risível penetra na alma através dos sentidos da audição e da visão e é prontamente transportada para o coração, sede das paixões, onde desencadeia um movimento próprio à paixão do riso, que se estende para o diafragma, o peito, a voz, a face, os membros, enfim, para todo o corpo”. No dizer da definição: o próprio “circuito do riso”.

Se considerarmos esse postulado que indica a audição como um dos caminhos de penetração na alma da matéria risível, então, teremos aí, fundidos a serviço da mesma causa (a causa do divertimento, do espanto das agruras e vicissitudes), dois elementos: o humor e o rádio. O segundo, ao chegar de maneira rápida e barata a todos os indivíduos, provoca uma corrente única e potencializa a ação do primeiro.

Benedito José Barbosa e Augusto César Barreto de Oliveira, originalmente artistas de palco, acostumados ao apoio dos recursos cênicos, descobriram no rádio uma nova maneira de explicar ao povo o que se passa em todos os recantos do país. Ao invés de lamentar os desmandos políticos, por exemplo, criam brincadeiras e divertem. Fazem as pessoas rirem de si mesmas, ao tempo em que riem dos que as representam.

A fórmula é até muito simples. Mais ou menos como nos melhores programas do gênero, levados ao ar nas principais rádios do país nas primeiras décadas do século XX, e que muitos entendiam que tinha (a fórmula) morrido com o advento da televisão: um fato do cotidiano comentado por dois personagens populares (nada mais popular do que um bêbado e um caipira). Simples, mas de ótimo efeito.

Além da conversa entre os dois tipos populares, dois outros detalhes fazem de Encrenca no Almoço um fenômeno de audiência poucos meses após a primeira exibição: a proposta do “interativo”, fazendo com que o ouvinte participe pelo telefone, seja dando sugestões, seja batendo firme em alguma figura pública, seja respondendo a alguma enquete; e a proposta do “cardápio de uma refeição”.

No que se refere à participação direta do ouvinte (o programa é ao vivo), inúmeras vezes é preciso pedir para a pessoa parar o seu discurso (um dos apresentadores interrompe o depoimento, agradecendo o telefonema e convidando a criatura que fala a ligar um outro dia). E, mal é encerrada uma ligação, o telefone já toca outra vez. A procura faz com que nem todos os que telefonam possam ir ao ar.

Já o cardápio, este é seguido à risca, como num almoço de verdade. Mas não um almoço de pessoas comuns, que misturam tudo no mesmo prato. No almoço dos humoristas/radialistas “Encrenca” e “Papudim”, os pratos são servidos aos poucos. Estratégia que faz com que os comensais/ouvintes tenham tempo de saborear cada uma das iguarias. Pão dividido irmanadamente nas ondas do rádio. Sonora comunhão.

O riso no Ceará, que desde há muito tempo corria solto pelos palcos, agora também voa leve nas ondas do rádio. Os anos dourados do humor no veículo foram reinventados na Rádio Jangadeiro FM. E, ao contrário de outros lugares do país, sem a presença obrigatória do escatológico ou da apelação. A informação em forma de piada, ao aguçar o senso crítico, acaba contribuindo também para a educação do ouvinte.

7. Referências bibliográficas

ALBERTI, Verena. O Riso e o Risível na História do Pensamento. Rio de Janeiro : Jorge Zahar Editor, 2002.

BERGSON, Henri. O Riso – Ensaio Sobre a Significação da Comicidade. São Paulo : Martins Fontes, 2001.

DAMASCENO, Elaine Regiane e NISHIZAWA, Lia Kaori. Humor no Rádio Brasileiro. Rio de Janeiro : Banco de Papers da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação - Intercom -, 1999.

GOLDFEDER, Miriam. Por Trás das Ondas da Rádio Nacional. São Paulo : Paz e Terra, 1981.

MEDITSCH, Eduardo. O Rádio na Era da Informação – Teoria e Técnica do Novo Jornalismo. Florianópolis : Insular / Ed. da UFSC, 2001.

MINOIS, Georges. História do Riso e do Escárnio. São Paulo : Ed. UNESP, 2003.

TAVARES, Maurício Nogueira. A Paródia no Rádio. Rio de Janeiro : Banco de Papers da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação - Intercom -, 1999.







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