Ensino de geografia e história nos anos iniciais: por um ensino mais condizente com a realidade dos educandos



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ENSINO DE GEOGRAFIA E HISTÓRIA NOS ANOS INICIAIS: POR UM ENSINO MAIS CONDIZENTE COM A REALIDADE DOS EDUCANDOS

Joelina Kely Silva Moreira*

Maria Viviane dos Santos*

Lilia Alves da Silva*

Prof. Dr. Luís Távora Furtado Ribeiro**

Resumo
O tema do presente trabalho trata do ensino de Geografia e História nos anos iniciais, em virtude de ser percebida a necessidade de uma maior atenção e articulação entre essas disciplinas. Surgiu através de uma pesquisa na disciplina Ensino de Geografia e História, obrigatória para o 6o semestre do curso de Pedagogia – Diurno da Universidade Federal do Ceará (UFC). O interesse pelo tema surgiu da necessidade de observar a relação existente entre os conteúdos estudados na disciplina Ensino de Geografia e História e o que acontece na prática, no ensino das duas disciplinas. Houve um estudo de caso, realizado em escola municipal, na cidade de Fortaleza, com observação de aulas, entrevista com a professora, com um estudante e observação do material didático. Após observações percebemos que houve diferentes abordagens educacionais nas aulas. Foi verificado que na aula de Geografia o ensino é mais tradicional, com questões decorativas, enquanto na aula de História foi levado em consideração os conhecimentos prévios dos educandos, com questionamentos sobre o assunto e estimulando a participação e a visão crítica deles sobre o assunto. Sabemos que é direito do educando ter acesso a um ensino de qualidade, em qualquer área e os educadores devem buscar alternativas para uma melhoria no ensino. Defendemos um ensino de Geografia e História que busque estar próximo da realidade vivenciada pelos estudantes, como propõem os PCN (1997). Na escola e educadores pesquisados esse interesse é reconhecido.
Palavras – Chave: Ensino, História, Geografia.



  1. Introdução e Justificativas

Ensinar História e Geografia no momento presente requer bem mais do que a simples memorização por parte dos educandos, mas inseri-los no processo de aprendizagem, levando-os a compreender o que está sendo estudado, a fim de eles que compreendam a importância do conteúdo para a sua formação enquanto estudante e cidadão.

O ensino de História e Geografia aqui proposto propõe um ensino condizente com a realidade dos educandos, para que eles não só conheçam os fatos ocorridos e as características do meio em que vive, mas conhecendo, busquem transformar, ser participativo da sua história.

Na disciplina compreendemos que a História não se remete apenas ao passado, como muitos pensam. A função de se estudar a História é conhecer o passado, para melhor compreender o presente e assim poder mudar o futuro. É uma disciplina que nos impulsiona a buscar sempre novas mudanças, por isso não deve ser entendida como um fato do passado, que não tem importância para o presente.

O presente trabalho tem como objetivos perceber como está o ensino de Geografia e História nos anos iniciais e verificar a relação dos conteúdos estudados em sala, na disciplina, com o que ocorre na prática escolar.

Para chegar aos dados será feito um estudo de caso em uma turma de 5o ano do ensino fundamental, em que serão observadas aulas de Geografia e História, e dentre outros aspectos, serão analisados a metodologia utilizada, a relação professor-aluno e os recursos utilizados na aula de cada disciplina.

A visita à escola terá como objetivo principal a observação de aulas dessas duas disciplinas, para que possamos verificar como está a ocorrência da aula das devidas disciplinas.

No presente trabalho haverá um primeiro momento, no qual será relatado um pouco sobre o ensino de Geografia e História, e um segundo momento, com a exposição dos dados coletados na pesquisa, na qual ocorrerá uma descrição da realidade escolar observada, bem como uma relação das situações encontradas na instituição com os aspectos teóricos estudados na disciplina.

Haverá primeiramente uma caracterização da escola, depois uma entrevista com a professora de sala, com um educando, caracterização da sala de aula, das aulas observadas, análise do livro didático utilizado e a descrição de como ocorre a avaliação.



  1. O ensino de Geografia e História

Atualmente o ensino de Geografia e História tende a ser decorativo, com técnicas de memorização que apenas levam a decorar datas, fatos e nomes de regiões. Por isso, é um desafio para os professores tornar o ensino dessas disciplinas condizente com a realidade que os estudantes vivem, para que assim não só fiquem sabendo dos acontecimentos, mas compreendam o seu significado.

Fazer com o que o educando compreenda um determinado fato histórico e o porquê das diferentes estações do ano e tipos de vegetação requer do professor que ele forneça meios para essa compreensão. O que pode ocorrer com o método de comparação, mostrando aos estudantes fotos antigas e atuais, visitas a locais históricos, letras de músicas que os levem a questionar o problema da desigualdade social, da injustiça presente em nosso meio, como a “Cidadão”, de Zé Ramalho.

Ribeiro e Marques (2001) questionam acerca de quem sabe mais Geografia, alertando que o conhecimento regional e cultural não deve ser visto como mais uma matéria no currículo escolar, mas que vai além disso, pois nos fornece meios para compreendermos inclusive as relações internacionais. Muitos dos problemas que ainda ocorrem em nosso cotidiano podem ser explicados aos nossos estudantes através de uma compreensão de fatos passados, pois assim eles recorreriam ao que ocorreu no passado, para então compreender o que está acontecendo atualmente, e teriam mais condições de entender o que ocorre na atualidade.

De acordo com os PCN (1997), a História aparecia no período do Império como “disciplina optativa do currículo nos programas das escolas elementares”. (p. 14) Após a Proclamação da República é que a História Nacional identificou-se com a História Pátria. De acordo com o documento, o retorno da História e da Geografia ao currículo escolar a partir das séries iniciais se deu no processo de democratização dos anos 80, período das reformas curriculares.

O documento coloca o ensino de História como relacionado à constituição da noção de identidade. Os conteúdos propostos para as séries iniciais do ensino fundamental são: conhecimento do espaço em que vivem, reflexões acerca da predominância da cidade dobre o campo, lutas e conquistas políticas, reflexões sobre a constituição da cidadania, história local e do cotidiano, reflexões sobre a constituição da cidadania, conhecimento da comunidade indígena, história das organizações populacionais e deslocamentos populacionais.

Os PCN (1997) destacam que a Geografia trabalha com imagens, através, por exemplo, do estudo da cartografia. Para as séries iniciais os objetivos são de observar, descrever, representar e construir explicações, reconhecer a importância de cuidar do meio em que vive, reconhecer semelhanças e diferenças nos modos que diferentes grupos se apropriam da Natureza. É citada ainda a importância de reconhecer, na paisagem local e no lugar em que estão as diferentes manifestações da natureza.


  1. Dados da pesquisa

    1. Caracterização da escola

A instituição visitada é da rede pública de ensino, localizada no bairro da Parangaba, na cidade de Fortaleza, no estado do Ceará. A modalidade de ensino disponível na escola é o ensino fundamental (do 1º ao 9º ano). No entanto focamos nas séries iniciais. A maioria dos professores possui Pós-Graduação e em torno de 60% dos mesmos são contratados efetivos.

O espaço físico é composto por quatorze salas de aula com uma quadra onde são desenvolvidas todas as atividades da escola, como apresentações das crianças, etc. Possui também uma biblioteca com o projeto “Mais Educação”, um laboratório de informática e o escovódromo, um projeto voltado para a escovação dental.

Infelizmente a escola não disponibiliza às crianças um acompanhamento psicopedagógico. Para as crianças com necessidades educativas especiais não há um acompanhamento com profissional.

Quando perguntamos sobre a proposta curricular identificamos que a mesma é criada apenas pelos profissionais que compõem a gestão escolar como, por exemplo, os professores, diretor, coordenador, sem a participação da família, o que é muito complicado, pois como conhecer de fato as necessidades das crianças se não tiverem acesso à sua realidade, sua cultura e ao que elas têm como maior exemplo que é a família?

Quanto à disposição de materiais didáticos, mais especificadamente os livros, constatamos que a escola recebe esse material, mas que devido ao fato da demanda de alunos aumentarem, sempre ficam alguns pendentes. Esse problema segundo nossa informante, foi solucionado a partir do momento em que a professora passou a guardá-los e utilizá-los apenas em sala de aula para não prejudicar os alunos sem livros. Assim, os estudantes só ficam com o livro no momento em que estão em sala de aula. Não levam para casa, pelo fato de ter que dividir os livros com as outras turmas de 5o ano.

Observamos também que esse processo de carência de materiais é comum, pois a cada ano é feito o censo escolar e o material é disponibilizado de acordo com essa contagem de alunos, não vindo materiais extras para os alunos novatos. A escola é atendida pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).

Observamos que a escola possui um bom acervo de materiais didáticos em geral como data show, DVDs, televisão, livros de leitura, jogos, etc.


3.2 Entrevista com o (a) professor(a)
A professora entrevista tem por iniciais M.P. e leciona na turma de 5o ano do ensino fundamental (Sala observada). Com base em seus relatos,  confirmamos sua formação em Pedagogia com Especialização em Alfabetização. Quanto à questão das condições de trabalho, afirmou serem razoavelmente boas, porém deixou claro um grande problema relacionado à insuficiência de material didático, como livro e a xérox para atender a demanda dos alunos.

A professora também destacou que as maiores dificuldades encontradas na docência são a falta de concentração e interesse de alguns alunos que se dispersam e não acompanham as aulas. Outro grande problema  foi o fato da família não ser participativa na educação das crianças e não trabalhar em parceria com a escola, o que de certa forma influencia no mau desempenho dos alunos. Mesmo assim concorda que a relação professor-aluno é boa, mas poderia ser melhor se não fosse a indisciplina de alguns deles.

Quando questionada sobre a sua forma de planejar a aula e avaliar os discentes, a professora afirma que procura tentar sempre pesquisar atividades relacionadas ao assunto estudado, tentando abordar o tema de uma forma mais lúdica e que possa atingir o nível dos alunos. Quanto aos conteúdos revelou vê-los com uma fundamental importância para a fundamentação dos estudos futuros.

Seu referencial teórico-pedagógico se faz através do livro didático, pesquisas na biblioteca e sítios na internet. Revelou que os conteúdos que serão trabalhados para as disciplinas de História e Geografia são selecionados e após a aprovação do livro didático é seguido o roteiro do mesmo. As dificuldades encontradas para lecionar essas disciplinas se dão quanto à falta de interesse dos alunos, o que deixa a professora muitas vezes insegura na apresentação dos conteúdos. Mesmo assim a mesma utiliza vários materiais didáticos, como o livro, mapas, globo, laboratório de informática e a biblioteca.

Com todos esses recursos, uma parte da sala de aula se mostra dispersa prejudicando sua própria aprendizagem e a qualidade do ensino através de brincadeiras, conversas paralelas e as constantes faltas de alguns alunos. A tentativa de solução desses problemas é feito através de solicitação da presença dos pais ou responsáveis, conversas individuais com os alunos e tentativas metodológicas de aulas mais criativas com a utilização de outros recursos didáticos.
3.3 Entrevista com um (a) educando(a)
A entrevista ocorreu com uma aluna do 5º ano, com idade de 14 anos e iniciais F.N.L.

A aluna mora com os pais, que auxiliam nas atividades escolares. Segundo F.N.L., a relação da escola com a sociedade é boa e as duas disciplinas (História e Geografia) são as suas favoritas. Ela não trabalha, mas auxilia uma pessoa no reforço escolar.

A aluna gosta da metodologia utilizada pela professora, pois dá para apreender bem os conteúdos e os alunos se sentem à vontade para tirar dúvidas. E também gosta muito das aulas de História e Geografia porque a professora leva alguns recursos, como mapas, para auxiliar nas aulas.

Quando perguntamos sobre o papel dos conteúdos de História e Geografia ela afirmou que a importância está em estudar o passado e a natureza.

A aluna pretende continuar os estudos, tem uma grande expectativa em relação ao seu processo de escolarização e pensa em fazer faculdade, mas ainda não sabe em qual área. Afirmou que tem sim algumas dificuldades em apreender os conteúdos de História e Geografia, como compreender os fatos ocorridos, porém pede a professora para explicar novamente.
3.4 Caracterização da sala de aula
A sala de aula observada tem um espaço amplo, as carteiras são dispostas em círculos, em que os alunos ficam uns ao lado dos outros. A ventilação é razoável, pois apesar de não ter ventilador a parede conta com espaços que permitem a ventilação. A iluminação é boa e o quadro é branco e antigo. A sala de aula não é muito decorada, contando apenas com desenhos e cartazes feitos pelos alunos para decoração.

A sala de aula observada foi uma do 5º ano “C”, talvez por isso eles tenham uma idade mais avançada em relação aos outros. A turma conta com vinte e seis alunos matriculados, sendo que vinte e quatro estão freqüentando. A faixa etária dos alunos está entre doze a quatorze anos e o turno é o da manhã.


3.5 Caracterização das aulas observadas
Aula de Geografia
A aula de Geografia observada foi em uma turma de quinto ano, com dezenove alunos presentes, no dia três de setembro de 2010 no horário de 7: 15 às 9: 00 hs.

Antes do início da aula houve uma comemoração em homenagem à semana da Pátria. As crianças foram levadas para a quadra esportiva da escola, onde cantaram o Hino nacional. Depois houve um desfile de bandeiras do Brasil, do Ceará, de Fortaleza e da Escola. Em seguida um coral formado por alunos da escola cantou o Hino da Independência e algumas crianças leram pequenos trechos que saudavam a Independência do Brasil.

A impressão é de que as crianças não tinham muita noção do porque estavam ali. Faziam o que as professoras mandavam, mas não sabiam o significado da comemoração. Muitos estavam dispersos, outros brincando, eram chamados a atenção constantemente. Não houve um envolvimento verdadeiro dos alunos.

Depois da homenagem, as crianças foram direcionadas à sala de aula. A professora fez a chamada e foi buscar os livros para distribuir com os alunos, porque devido à falta de livros eles não podem levar para casa e cabe a professora fazer uma socialização na sala.

O conteúdo da aula era a Divisão Política do Brasil (Estados e Capitais), que já havia sido iniciado na aula passada. A professora começou com uma atividade que consistia em um saquinho com perguntas sobre o tema da aula, os alunos iam sorteando uma pergunta e se não soubesse a resposta pesquisavam no mapa do livro que estava sobre a mesa. As perguntas eram do tipo: Qual a capital do Mato Grosso? Qual a sigla do Estado do Amazonas?... Os alunos participavam interessados e ansiosos para que chegasse a sua vez de responder. Muitos respondiam todas as perguntas, mesmo que não fossem direcionadas para eles. Um aluno até questionou porque Amazonas e Amapá começam com AM e têm siglas diferentes (AM e AP). A professora não tirou a dúvida e não deu muita atenção à pergunta.

A segunda atividade foi a correção da tarefa de casa. A professora perguntava e os alunos respondiam. No caso da resposta estar errada ela corrigia.

Os únicos recursos utilizados durante a aula foram o livro didático, um pequeno mapa e uma tabela que a professora trouxe de casa.

O método usado pela professora nessa aula foi o mais tradicional, onde ela transmitiu as informações e os alunos receberam passivamente (decoram no caso dos Estados e Capitais). Não existiu uma estimulação para que os alunos pensassem e contextualizassem o assunto. O mais importante era saber quais são os Estados e as Capitais do Brasil, mesmo que os alunos não soubessem o sentido dessa informação e qual a sua utilidade nas suas vidas.

Em conseqüência do método usado pela professora, a relação professor-aluno deixa a desejar, na medida em que o aluno não tem a liberdade de questionar o conteúdo exposto, exemplificado na questão das siglas citada acima.

A terceira e última atividade do dia foi uma tarefa para ser resolvida na sala.

A única forma de avaliação da aprendizagem por parte da professora foram perguntas feitas por ela durante as atividades. Diante do que observamos, chegamos à conclusão de que não houve nessa aula uma aprendizagem real do conteúdo, já que o objetivo da aula foi a memorização dos Estados e Capitais brasileiros. Não houve uma preocupação por parte da professora de explicar, por exemplo, como se deu a formação dos Estados, que isso aconteceu há bastante tempo, alguns desde o tempo das capitanias hereditárias, ou o significado do termo Estado e suas características, como a autonomia e as leis próprias. Ou seja, não teve nenhuma conexão do tema com nada, foi uma abordagem solta visando apenas que os alunos decorassem o conteúdo.
Aula de História

Na aula de História estavam presentes vinte e um alunos, o horário foi de 7:15 às 09:00h. A observação ocorreu no dia 08/09/2010, e como havia sido comemorado o Dia da Independência do Brasil, a professora começou a aula abordando esse acontecimento, passando depois para o conteúdo do dia, que era a fundação de Fortaleza e outras cidades cearenses. Os alunos estavam estudando nesse semestre a História do Ceará.

O conteúdo foi abordado pela professora de uma forma acessível aos alunos, com uma linguagem simples, próxima da que eles utilizam. Antes de começar a expor o conteúdo a professora fez questionamentos aos alunos para saber o que eles já compreendiam do assunto.

As atividades realizadas no dia foram: questionamentos da professora sobre o conteúdo; exposição, através de uma leitura coletiva; palavras sublinhadas no texto, ditadas pela professora; procura no quadro de letras das palavras grifadas no texto e pesquisa no dicionário dos significados de algumas palavras presentes no texto.

Os alunos participaram muito da aula, pois a metodologia utilizada pela professora favoreceu isso. A turma se envolveu bastante nas atividades realizadas e todos os alunos participaram.

A professora iria utilizar o mapa da cidade de Fortaleza, mas não havia uma pessoa na biblioteca no dia. Então os recursos utilizados foram o livro, o dicionário e um quadro de letras que foi entregue para a realização de uma atividade.

A relação professor-aluno foi bem próxima e os alunos se sentiram à vontade para tirar dúvidas e participar das aulas. A professora nem precisava perguntar duas vezes que eles começam a falar. A avaliação dos alunos pode ter sido através da participação na aula e desempenho nas atividades realizadas.

A aprendizagem do conteúdo foi favorecida pelo fato de a professora valorizar os conhecimentos prévios dos alunos, os conteúdos que estão próximos da realidade deles (no caso a história de Fortaleza) e a professora fez uma relação do passado com o presente (como no caso do Forte de Nossa Senhora, que ela falou da história dele, mas relacionou com o presente, comentando como ele é atualmente e onde está localizado).

Foi observado que há uma ligação entre todas as atividades realizadas e o conteúdo estudado é relacionado com questões cotidianas. No caso, a professora estava relacionando a aula de campo, no museu, que iria ser no dia seguinte, com os conteúdos vistos na aula de História.
3.6 Livro didático
O livro de História adotado no 5º ano é História do Ceará, de Renata Paiva. A editora é a Ática e foi publicado em São Paulo em 2010. O livro é destinado ao 4º ou 5º ano e a escola o recebeu através do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).

A professora avalia bem o livro didático adotado, pois os conteúdos trazidos no livro são bem próximos da realidade dos alunos. O livro é composto por cinco unidades e a professora o utiliza totalmente com os alunos. Ele é bastante utilizado em sala e os alunos não levam para casa, pois a escola recebeu poucos e eles são aproveitados nas outras turmas de 5º ano. É o único livro que chegou esse ano para os alunos e a professora leva xérox de textos de outros livros para complementar.

As cinco unidades presentes no livro são: 1. Descobrindo o Ceará; 2. O litoral: tradição e modernidade; 3. O Sertão: passado e presente; 4. A Serra: Mudanças e Permanências; 5. Costurando a História: o poder, cidade, cidadão, cidadania.

As atividades propostas no livro relacionam o texto estudado com a realidade dos alunos, com perguntas do tipo: Quais dessas palavras são familiares para você? A cidade onde você mora fica no litoral, sertão ou serra? Você vive na capital ou no interior?




  1. Resultados e discussões

Quanto à escola, foi percebido que há muitos recursos a serem utilizados pelos educandos, mas que o principal, que são os livros didáticos, não vem para todos, o que acaba prejudicando a aprendizagem dos estudantes, visto que eles poderiam recorrer ao livro em casa, para pesquisar, tirar dúvidas, no entanto, eles não podem levar para casa porque a quantidade não é suficiente e precisa ser aproveitada com as outras turmas de 5o ano.

Quanto ao acesso aos gêneros textuais, foi verificado que na escola há uma grande variedade de material acessível aos alunos.

Na entrevista com a professora, foi percebido que ela sente dificuldades em prender a atenção dos estudantes, o que acaba prejudicando o andamento da aula. Esse é um dos fatores que mais tem prejudicado a atuação do professor em sala de aula, pois não tem sido fácil ter o domínio da sala, principalmente com educandos dessa faixa etária.

Após as observações das duas aulas, foi percebido um comportamento diferenciado da professora nas duas aulas: enquanto na de Geografia ela se mostrou indiferente às curiosidades dos estudantes e a aula se deu de um meio tradicional, na segunda ela se mostrou mais disposta a tirar dúvidas dos alunos, mais comprometida com o conteúdo a ser lecionado, não se sabe se por uma identificação maior dela com a disciplina de História, ou pelo assunto mesmo a ser tratado em sala.

Pelo o que foi observado na aula de Geografia, foi percebido que as perguntas elaboradas são decorativas, não estimulam a criticidade dos educandos. Foi verificado na mesma aula que a professora não mostrou interesse em responder ao questionamento de um aluno, mostrando-se indiferente às suas curiosidades.

Já na aula de História, o comportamento da professora com os educandos foi bem diferente. Ela já começou a aula fazendo perguntas aos alunos, após falar sobre o tema, que seria a Independência do Brasil. Estimulou-os à crititicidade, perguntando se de fato o Brasil é um país independente, e situou-os no contexto em que eles vivem, ao explicar sobre a fundação da cidade Fortaleza, de como foi o seu desenvolvimento.

A professora realiza provas bimestralmente e as provas de História e Geografia são elaboradas de acordo com os conteúdos ensinados.

Comparando o conteúdo estudado no livro didático com o que está proposto nos PCN de História e Geografia, percebe-se que o livro está de acordo com o documento, priorizando o estudo da região local, do litoral, sertão e meio rural.


  1. Conclusão

Foi verificado que na escola observada o ensino de Geografia e História apresenta diferenças, como foi relatado nos resultados. O ideal seria que nas duas disciplinas o educando fosse de fato incluso no processo de aprendizagem, sendo participativo e assim tendo favorecidas condições que o levassem à compreensão do conteúdo e não a simples memorização.

Relacionando os dados observados com o que foi estudado na disciplina verifica-se que, quanto ao ensino de História, o ideal está sendo o mesmo, pois na aula sobre a Independência do Brasil os educandos puderam perceber o que significa a independência, de quem o Brasil dependia, e a professora ainda estimulou a criticidade deles, questionando se o nosso país é de fato independente.

Já no ensino de Geografia foi estudado que o seu papel seria fornecer ao educando informações sobre o contexto em que ele vive: a localização, regiões, as noções temporais, etc. Mas o que foi verificado na aula foi um descaso com a educação geográfica dos estudantes, que só tiveram que decorar nomes, sem compreensão alguma de qual seja a finalidade disso.

O nosso papel, enquanto pedagogos, que estaremos lidando com estudantes desse perfil, é a reflexão sobre qual a contribuição que podemos dar para uma melhoria nesse ensino. Cabe aos professores buscar mudanças diante de situações desse tipo, para assim chegarmos ao nosso propósito de transformação social, que exige um rompimento com essa maneira de ensinar burocrática, que visa apenas à reprodução social e não está comprometida com mudanças quanto ao papel do educando no processo de aprendizagem.
Referências

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. MEC. Parâmetros curriculares nacionais – História e Geografia. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro051.pdf. Brasília: MEC/SEF, 1997.

RIBEIRO, Luís Távora Furtado e MARQUES, Marcelo Santos. Ensino de História e Geografia. 2ª ed. Fortaleza: Brasil Tropical, 2001.


*Estudantes de Pedagogia da Universidade Federal do Ceará (UFC)

** Professor Doutor da Universidade Federal do Ceará (UFC)





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