Entidades vão pedir a Temer que não coloque em votação a Reforma Tributária



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Deputado Federal DARCÍSIO PERONDI
Brasília, 27 de fevereiro de 2009



Entidades vão pedir a Temer que não coloque em votação a Reforma Tributária
O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), em dois longos pronunciamentos no plenário, anunciou para a próxima quarta-feira (04), às 15:30 horas, uma audiência de representantes de diversas entidades da sociedade civil e do próprio Governo com o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer. Entidades como CNBB, INESC, ANFIP, Contag, CMB, Unicamp, Conass e Conasems vão pedir a suspensão da tramitação da reforma tributária, já aprovada por uma Comissão Especial e que aguarda votação no plenário da Casa, por entenderem que, do jeito que está sendo proposta, a reforma ameaça todo o sistema de proteção social do País.

Em seus pronunciamentos, feitos na quinta (26) e na sexta-feira (27), Perondi deixou claro que o grupo não é contra a reforma, que tem pontos positivos, como a simplificação do sistema e a cobrança do imposto no destino. O movimento quer é uma reforma que haja justiça social, o que o texto em discussão não proporciona. “Essa reforma ameaça as futuras conquistas, como o fim do fator previdenciário e a regulamentação da Emenda Constitucional 29, a Emenda da Saúde, pois engessa e esgota as fontes exclusivas.

Perondi apelou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem classificou de “pai dos pobres”, para que espere passar a crise econômica mundial antes de fazer a reforma e ouça o que dizem os especialistas no assunto dentro e fora do Governo. “O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que se reúne a cada 30 dias, precisa ouvir os cérebros do País, que melhor conhecem a seguridade”. Para Perondi, o Presidente Lula, que tem reforçado a rede de proteção social em seu Governo, “não pode ter em sua conta, em sua alma, a marca do Presidente que fraturou quase de morte a rede de proteção social”.

Perondi e as entidades defendem um sistema com progressividade, onde quem ganha mais, paga mais imposto, o que não acontece nessa reforma. Além disso, a reforma acaba com as contribuições sociais, que abastecem de recursos os setores de saúde, previdência, assistência social, emprego e educação. Segundo Perondi, o constituinte, em 1988, pensou no aposentado, no doente, na criança, no deficiente e estabeleceu contribuições, que podem ser criadas sem o princípio da anualidade.

“A contribuição social é justa. No momento em que se precisa, pode-se aumentá-la. Imposto não tem destinação específica. Imposto é para tudo”, alertou Perondi, afirmando que todo o setor de proteção social terá que brigar com os demais setores do Governo pelos mesmos recursos. “Os Prefeitos irão disputar esse dinheiro. As construtoras, através de investimentos públicos, vão disputar esse dinheiro. As corporações públicas vão disputar esse dinheiro, junto com o doente, com o aposentado, com o deficiente e também com o aluno da educação básica, que o salário educação alimenta. Que triste!”

Segue, abaixo, o pronunciamento, na íntegra, feito em 26 de fevereiro:
Os Constituintes, em 1988, pararam esta Casa por meses para discutir a grande reforma da Constituição, a reforma fundamental, original — o que fizemos depois foram apenas reformas parciais. E eles, os Constituintes, foram sábios, foram inteligentes ao criar dois Orçamentos: o Orçamento Fiscal, relativo aos impostos, e o Orçamento da Seguridade Social, então um conceito novo introduzido pelos Constituintes que designava princípios, diretrizes e regras que norteavam a proteção do brasileiro na aposentadoria, na assistência social e na saúde.

Esse foi o segredo, e ele não caiu do céu. Certamente a mão divina os iluminava, mas é fato que os Constituintes trabalharam, trabalharam e trabalharam, e criaram as contribuições dirigidas à seguridade social, como Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das empresas, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, PIS/PASEP, Salário-educação...

Hoje podemos dizer que o Brasil tem uma das melhores e maiores redes de proteção social do mundo. Há problemas de financiamento na área da saúde, há problemas na área da previdência, mas o fato é que muito avançou nossa rede de proteção social, começando com os Constituintes, prosseguindo com o Governo Fernando Henrique Cardoso e ainda mais com o Governo Lula.
Agora, a surpresa que me deixa triste: em dezembro, a Comissão Especial da Reforma Tributária, presidida pelo ex-Ministro Deputado Antonio Palocci, aprovou o relatório do Deputado Sandro Mabel, um Deputado trabalhador, empresário justo e bem sucedido, pessoa estudiosa e viajada.

Todos os brasileiros que entendem querem reforma tributária. Querem simplificação. Ao invés de 27 leis, uma lei. Querem redução de alíquotas; menos alíquotas; pagamento dos impostos no destino, porque hoje são cobrados na origem, com uma compensação inicial para os Estados. A idéia é reduzir o número de impostos. Base ampliada. Todos querem. É um emaranhado, uma confusão, o nosso sistema tributário. Mas o que eu quero, e digo neste microfone para todo o Brasil, o que eu quero, o que os movimentos sociais do Brasil querem, para o que estão se organizando e se mobilizando — há um grande grupo de Parlamentares que estuda o assunto e se movimenta nesta Casa — é uma Reforma Tributária com justiça social, não monetária e fiscal exclusivamente.


A Reforma Tributária aprovada não é ponto pacífico entre os Estados. As Prefeituras estão quietas. Elas têm que reagir, pois podem perder.

Essa Reforma Tributária não mexe com o sistema atual. No sistema atual, o pobre, o assalariado, enfim, quem ganha menos, paga mais. Isso se chama regressividade. Precisamos ter um sistema de progressividade: quem ganha mais, paga mais. Não tenho nada contra os grandes capitães de indústria, pois geram riquezas, empregos e pagam seus impostos, mas, hoje, muitos funcionários desta Casa, muitos funcionários do Brasil, pagam mais impostos que eles. As taquígrafas, aqui, pagam mais impostos, proporcionalmente, do que grandes capitães de indústria.

Nós temos que taxar imóveis, renda, patrimônio. Imposto de Renda deve ser progressivo. Não é progressiva esta Reforma. Não há justiça social.

O Deputado Sandro Mabel, na semana passada, quando eu falava, veio e me fez contraponto: Essa reforma é para os pobres, Deputado Perondi. O senhor está contra os pobres. É exatamente o contrário. O pobre que paga luz, o pobre que paga — quase todos têm telefone — telefone, o imposto dos alimentos... É tudo regressivo. Quem paga mais é quem ganha menos.

Mas o outro lado assustador da proposta do Sandro Mabel — assustador! — é que ela extingue as contribuições sociais. Fica tudo em dois impostos: o IVA Federal (PIS, PASEP e COFINS) e o Imposto de Renda, com a CIDE e com a Contribuição sobre o Lucro das Empresas. Não há mais contribuição social.

O Constituinte, naquela época, pensou no aposentado, no doente, na criança, no deficiente e estabeleceu contribuições. Contribuições podem ser criadas sem anualidade. Em 90 dias ela está funcionando. Há uma epidemia de dengue — Deus me livre! — , uma depressão econômica, que está chegando no Japão e na Europa... Não vai chegar aqui, mas talvez possamos entrar numa recessão técnica a partir de março. A crise está chegando devagar. Vai atingir pouco, mas está desempregando. Talvez seja preciso aumentar os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador. Mas a reforma acaba com o PIS/PASEP!

Essa reforma acaba com a contribuição social. A contribuição social é justa. No momento em que se precisa, pode-se aumentá-la.

Imposto não tem destinação específica. Imposto é para tudo, contribuição é específica. Seguridade Social, COFINS, Contribuição sobre o Lucro das Empresas, Saúde, aposentado, Assistência Social — é específico. Essa reforma acaba com as fontes exclusivas da rede de proteção social.

Mas vai dizer o Deputado Sandro Mabel: Não. Vão ficar lá 39,7% para a Seguridade Social. Mas é um imposto. Se for preciso aumentar, vai aumentar para tudo. Vão reduzir os impostos da comida. Será que os Estados do Nordeste vão perder os impostos de ICMS da alimentação, que são de 30% ou 40%?

Está garantido. Se precisar para os aposentados, a saúde e a assistência social, disse o Deputado Sandro Mabel, o Tesouro vai dar. O que é isso? Em seis meses, o que o constituinte trabalhou mais de um ano. Esta Casa trabalhou exclusivamente para montar a rede de proteção social aos pobres, aos desvalidos, às pessoas com fome, aos desempregados. Agora, colocar tudo em uma vala comum? Os Prefeitos irão disputar esse dinheiro. As construtoras, através de investimentos públicos, vão disputar esse dinheiro. As corporações públicas vão disputar esse dinheiro, junto com o doente, com o aposentado, com o deficiente e também com o aluno da educação básica, que o salário educação alimenta. Que triste!

Estamos colocando essa discussão agora. Um grupo de Parlamentares a está trazendo para a Casa, calcada em estudos de profissionais do próprio Governo, como o IPEA e a UNICAMP. São cabeças estudiosas da Seguridade brasileira e da tributação.

A saúde vai ficar bem? Como vai ficar bem? Já existe um desfinanciamento. O brilhante e corajoso Ministro Temporão diz que precisa mais recursos. O setor está anêmico. Temos de regulamentar a Emenda 29, votar a contribuição social para a saúde na Casa, porque o desfinanciamento está arranhando o Sistema Único de Saúde. O Deputado Pastor Manoel Ferreira falou das dificuldades da crise do sistema de saúde no Rio de Janeiro. As mulheres com câncer levam 166 dias, desde o toque na mama, quando apalpam um nódulo e confirmado o câncer, até chegar ao tratamento de fato. Mas aí o câncer já cresceu três vezes. Esse nosso sistema, que é maravilhoso, sofre com a falta de recursos.

Vai ficar na mesma vala comum. Nós vamos receber tudo que é gasto no ano anterior à saúde brasileira mais a variação nominal do PIB. Pode aumentar a arrecadação do Brasil, mas nós vamos ficar no que está na Constituinte, vamos continuar com esse dinheiro pouco da saúde, da educação. Isso fere o salário-educação.

E eu fico surpreso, extremamente surpreso: começou o desemprego no País e, há pouco, o Presidente Lula foi rápido e aumentou os meses do salário-desemprego. O Fundo do Amparo ao Trabalhador já sofre. É o PIS/PASEP que o alimenta, o PIS/PASEP desaparece. Fica na mesma vala comum. Ah! — vai dizer o Deputado Antonio Palocci — Mas vai ter lá 0,2 de tudo o que é arrecadado para o PIS/PASEP. Mas 0,2 na Constituição, engessado?

Agora o Senador Paulo Paim defende, grande defensor dos aposentados do Brasil — passou no Senado, aprovado por todos os Senadores e aqui está a revisão do fator previdenciário — , a extinção do fator previdenciário para corrigir uma injustiça. Já passou na Comissão de Seguridade e vai para a Comissão de Finanças a correção do reajuste dos aposentados pelo índice do salário mínimo para corrigir essa defasagem que o Governo tira do aposentado ao longo dos anos. São 40%, 50%, 60% por não corrigirem pelo índice do salário mínimo. Como nós vamos corrigir esse defeito, esse prejuízo dos aposentados, se ficar tudo numa vala comum?

Eu fico surpreso quando vejo discussões — ouço e vi aqui — que essa reforma vai proteger os pobres. Os bancos ganham. Eles ganham muito e eles têm que pagar mais impostos. Mas, pela reforma tributária, pasmem!, Sras. e Srs. Deputados, pasmem!, os bancos vão pagar menos Contribuição sobre o Lucro Líquido das Empresas porque desaparece da contribuição e fica tudo dentro do Imposto de Renda.

Esta é a proposta da reforma tributária que eu quero, que todos nós queremos, os empresários, os sindicatos? Queremos uma reforma tributária, mas com justiça social. Simplificação, sim, não engessamento. O que for possível fazer em leis infraconstitucionais e muito é possível, esta reforma está engessando para a eternidade, repito, engessando para a eternidade. A perspectiva de se resolver o grave financiamento da saúde, vai para o espaço. A perspectiva de resolver essas duas feridas no coração dos aposentados, fator previdenciário e defesagem, também vai para o espaço. Fica tudo numa vala comum. Por isso é que temos que refletir; esta Casa, por meio dos seus Parlamentares, precisa pensar.

Semana que vem, na próxima quarta-feira, às 15:30 horas, o nosso Presidente Michel Temer vai receber os Deputados envolvidos com a reforma tributária, com justiça social, e também os movimentos sociais, dezenas e dezenas de entidades que aqui estarão, na Capital Federal, entregando um documento ao Presidente desta Casa, alertando da fratura da proteção social que este Parlamento não pode assinar embaixo. As ruas nos vão cobrar.

E mais: esse grupo parlamentar e mais os movimentos sociais vão pedir ao Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Michel Temer, que a reforma não seja votada este ano, que haja mais discussão, que haja mais debate, que haja uma Comissão Geral nesta Casa, para analisá-la melhor.

Sra. Presidenta, Deputada Emília Fernandes, V.Exa. nunca trocou um pneu nas suas campanhas com o carro andando. É perigoso que se faça. Só vi em filme de guerra um avião abastecendo um outro avião. É muito perigoso. Não devemos fazer a reforma tributária num clima de insegurança mundial. Os Estados Unidos vão levar, no mínimo, dois anos para sair da recessão — e tomara que saia — , a Alemanha já está e o Japão está à beira de uma depressão. A Espanha, Alemanha e Itália já sofrem com o desemprego.

O mundo comprando menos de nós — nós vendendo menos para o mundo — , e nosso mercado interno, que o Presidente Lula reforçou — foi algo bom — , fluindo. Vamos vencer a crise, tomara ainda este ano. Mas isso muito depende também do mundo que compra — importação, exportação.
Então, fazer uma reforma tributária agora, que fere de morte, arranha, trinca, fratura a rede de proteção social?! Do outro lado, a crise mundial é trocar pneu com carro andando — o pneu vai dar na cara, rachar o cérebro, quebrar o braço ou uma perna; o macaco vai saltar — , não se consegue! Parece que é desejo de alguns sair esta reforma.

Devagar com o andor, o santo pode quebrar.

Por isso, Deputada Emília Fernandes, Sras. e Srs. Deputados, vamos refletir, pensar, estudar e fazer uma reforma fiscal com justiça. Esta, tenho certeza de que o Presidente Lula quer. Mas acho que ele não sabe os detalhes, o subterrâneo, o sub-reptício da reforma tributária.

Getúlio Vargas, pai dos pobres — sim, pai dos pobres; Lula, pai dos pobres, reforçou e protegeu essa rede de proteção social criada pelo Constituinte, ampliada por Fernando Henrique Cardoso, mas muito mais ampliada por ele próprio. Tenho certeza de que não recebeu com detalhe — com detalhe! — o que é reforma tributária sem justiça social.

O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que se reúne cada 30 dias, precisa ouvir os cérebros do País que melhor conhecem a seguridade, inclusive do próprio Governo. Isso é necessário, Presidente Lula. O senhor não pode ter em sua conta, em sua alma a marca do Presidente que fraturou quase de morte a rede de proteção social. O senhor é o pai dos pobres, o pai de quem mais precisa.

Vamos rever essa reforma tributária, ter mais calma. Que no fim do ano ou no ano que vem, possamos ter uma reforma tributária com justiça social, para proteger os pobres, os assalariados, os desfavorecidos, os doentes, os desempregados, as crianças, os idosos, as mães solteiras, os brasileiros que mais precisam.


Muito obrigado, Deputada Emília Fernandes.

Segue, abaixo, o pronunciamento, na íntegra, feito em 27 de fevereiro:
O tema eu abordei ontem e vou retomar hoje: Reforma Tributária com justiça. Reforma Tributária com justiça.

O que significa isso? É mudar, sim, o modelo tributário brasileiro. É o que todos nós queremos. Passos importantes nesse sentido foram dados no projeto aprovado pela Comissão Especial — não pela Casa, mas pela Comissão Especial — em dezembro. Entre eles, cito a simplificação das leis, que serão reduzidas de 27 para apenas uma; pagamento dos impostos no destino, e não na origem, o que é uma correção.

Esses mecanismos vão diminuir parcialmente a guerra fiscal. E a decisão final o Relator joga isso para daqui a oito anos. Daqui a oito anos é que vai acabar a guerra fiscal. Ainda abre espaços para outros... São os Estados mais pobres que se defendem.

Não é pecado a guerra fiscal, mas isso vai ser corrigido. Então, há caminhos. Os empresários, que não conseguem receber seus créditos ou os recebem tardiamente, receberão imediatamente seus créditos de impostos.


Portanto, passos importantes foram dados. Mas há dois graves defeitos. E não é o Deputado Darcísio Perondi que está dizendo isso, mas o grupo de Deputados que está estudando, que está trabalhando com um grupo de técnicos da UNICAMP, do Ministério da Saúde, do IPEA, do CONASS, do CONASEMS, da Associação Brasileira de Economia da Saúde, da ANFIP, os estudiosos e fiscais da seguridade.

O primeiro defeito é a manutenção da regressividade — que nome difícil! É até difícil de explicar, não é Deputada? — no relatório aprovado pela Comissão Especial. A todos os que estão nos vendo — funcionários da Câmara, Deputados, taquígrafos, todos os que estão nos ouvindo nos gabinetes ou no Brasil inteiro, os assalariados — digo que quem ganha menos vai continuar pagando mais.


O modelo hoje é duro e injusto: quem ganha menos paga mais, proporcionalmente. E nisso não se mexe! E não adianta o Relator dizer que a reforma é para os pobres! De que forma, se a dona de casa, ao ligar a televisão, e o radialista que costuma fazer o seu programa assistindo à televisão, em especial à TV Câmara, continuarão a pagar bem mais ICMS e pelo telefone e pela luz do que quem ganha muito?

Nada contra o lucro! Nada contra o lucro! A riqueza gera empregos! Que haja lucro no País! Que haja empresas vigorosas! Que haja emprego! Mas não à custa da manutenção deste modelo segundo o qual paga mais quem ganha menos. E isso vai continuar.



Ah, mas vamos acabar com os impostos da cesta básica. Muitos Estados reduziram a alíquota da comida a zero. Meu Estado a reduziu pela metade. No Norte e Nordeste a alíquota é cheia, porque os Estados dependem do ICMS da alimentação. Mas não se reduziu o preço da comida. Não se reduziu! Não se reduziu! Os supermercados não reduziram o preço da comida, que gira muito em termos de sazonalidade: se chove muito ou se chove pouco, se sobe ou desce o preço do transporte.

Então, essa conversa não pega também. Quem ganha mais tem que pagar mais, como ocorre em todos os países cujo sistema tributário é justo. E nisso não se mexe. Não se mexe!

Esta Casa não pode fazer isso! Nós, Deputados, chefes de gabinetes, funcionários, assessores legislativos, brasileiros, temos que reagir! Queremos, sim, a Reforma Tributária. Todos nós queremos! O Presidente Lula também quer! Mas não esta!

E eu desconfio — eu desconfio! Eu tenho quase certeza, Deputada Vanessa Grazziotin — que o Presidente Lula não conhece a parte da reforma tributária que penaliza os pobres.

E a segunda parte, dolorosa, dura, triste — tenho vontade de chorar — é o fato de que por dois anos os Constituintes trabalharam exclusivamente para elaborar uma nova Carta. Foi Constituinte exclusiva. Constituinte original. Antes de 1988, trabalharam dois anos e criaram o Orçamento da Seguridade e o Orçamento Fiscal. Trabalharam dois anos só na elaboração da Constituição. E agora, com seis meses de trabalho, um grupo de Deputados, cuja decisão não foi unânime na Comissão Especial, rasga, risca os arts. 194 e 195, que estabeleceram a rede de proteção social.

Tenho certeza de que o PT e os seus Deputados, que agora estão estudando o tema, muito árido, sobre ele refletirão — no ano passado havia eleição, e ninguém conseguiu se debruçar sobre a matéria. O tempo passou muito rápido e passou a aprovação, embora a maioria dos Deputados não conheça o tema. Tenho lido, sei um pouco, mas tenho que saber muito mais sobre isso. Muito mais! A desinformação nossa é alta em relação à Reforma Tributária. O meu pronunciamento da semana passada surpreendeu uns 150 Deputados que aqui estavam. Não conseguimos acompanhar tudo. Os Deputados agora é que estão mergulhando.

Tenho certeza de que o PT vai revisar sua posição; o Partido Comunista vai querer uma Reforma Tributária com justiça; o meu PMDB, quando os Deputados começarem a estudar o tema, no seminário que faremos, vai revisar sua posição; o PSB vai revisar o seu posicionamento; a Oposição, que não quer a Reforma, mas tem uns membros a ela favoráveis, vai fechar também por uma Reforma Tributária com justiça social.

Nós não podemos, Deputada Vanessa Grazziotin reformar a Constituição em seis meses.

Constitucionalizar quer dizer cimentar, fazer estrutura de aço, escrever na Constituição para a eternidade. Ah, pode mudar! Mas é difícil. Questões tributárias podem ser mudadas por leis ordinárias e leis complementares, e ele está fazendo isso.

O Deputado Antonio Palocci e o Deputado Sandro Mabel são brilhantes, estudiosos, trabalhadores. Mas devagar, devagar! Não vamos eternizar a explosão das fontes exclusivas da aposentadoria, que é um pouco menos, da assistência social, da eficiente LOAS, e ficar sem financiamento. Até o Bolsa-Família pode ser machucado por isso.

Numa reunião na semana passada, o Relator disse: Não, para a saúde vamos dar 39%; vão ficar lá 39% da base ampliada. Vamos continuar na base de cálculo, no mínimo constitucional. Não mexe. Pelo contrário, piora, porque acaba com as fontes exclusivas da seguridade.

Eu disse ontem: desemprego, Fundo do Amparo ao Trabalhador. Acaba com o PIS/PASEP; acaba com o Salário-Educação. Ah, não, mas vai ficar um percentual. Vai ficar na mesma vala comum. A seguridade, a rede de proteção social está sob o fio da navalha. O Brasil não pode aceitar isso.

Os movimentos sociais e os Deputados — todos os Deputados estão sendo convidados — serão recebidos pelo Presidente Michel Temer quarta-feira da semana que vem, às 15h30min, quando será entregue um documento, elaborado por técnicos que já citei, com opiniões de Parlamentares, depois de um seminário de sete horas, dia três de fevereiro.

Deputada Emília Fernandes, querida colega que preside os trabalhos, hoje é um dia histórico porque foi lido o Ato da Presidência que cria a Comissão Especial destinada a proferir parecer à proposta de emenda constitucional que estabelece que as mulheres participarão obrigatoriamente das Mesas do Senado e da Câmara. Vamos apresentar uma emenda para que isso se repita nos parlamentos municipais e estaduais.

De volta ao que eu dizia, estão assinando o documento a ANFIP, a Auditoria Cidadã da Dívida, a Cáritas Brasileira, o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde, o Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho.
Aliás, CUT, Força Sindical, aquelas outras centrais sindicais brasileiras, acordem, por favor! O operário não tem plano de saúde; o operário precisa do SUS; o operário precisa de aposentadoria. Essas forças sindicais estão lentamente se envolvendo e estudando. Precisamos dessas forças sindicais na luta por reforma tributária com justiça.

Também assinaram o documento: o Centro Feminista de Estudos e Assessoria — CFEMEA; o Conselho Federal de Serviço Social; o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde — CONASEMS; o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde — CONASS; a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura — CONTAG; a Confederação das Misericórdias do Brasil, das Santas Casas; o Fórum Brasil do Orçamento; a Fundação ANFIP; o Instituto de Estudos Sociais; o Projeto de Justiça Econômica da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Ontem, conversei com o Deputado Pastor Manoel Ferreira. A bancada evangélica vai receber documentos para estudar; depois de analisar, certamente vai participar também desse movimento. A cada dia mais entidades nacionais estão assinando o documento.

O Brasil precisa reagir. O Brasil precisa de reforma tributária, mas precisa de reforma tributária com justiça social, feita em clima econômico melhor, não nesse clima econômico mundial difícil. O Brasil está vendendo menos. O Brasil está comprando menos. Já está começando a haver déficit na balança comercial. O PIB nosso não vai crescer 4%, como quer o Ministro Guido Mantega; vai crescer no máximo 2%, o que é terrível. Teremos desemprego neste ano.


Não dá para trocar pneu com carro andando ou atravessar a rua num temporal, sabendo que existe casca de banana no caminho. Essa casca de banana vai fraturar, vai machucar a rede proteção social. Temos tempo, sim, para fazer uma boa reforma tributária, com justiça social. Vamos todos os brasileiros nos mobilizar.

Para encerrar definitivamente o meu discurso, Sra. Presidenta, Deputada Emília Fernandes, que está sendo tolerante comigo e pelo que sou profundamente agradecido, quero registrar o que eu disse ontem ao Presidente Lula: O senhor é o segundo pai dos pobres. O primeiro foi Getúlio Vargas. Eu era criança, mas li a história de Getúlio Vargas. O segundo eu posso dizer, Presidente Lula, que o senhor o é agora, vivo, esperto, inteligente, um animal político com sensibilidade. Então, peça ao Ministro Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência da República, que convide os técnicos do IPEA e da ANFIP para fazerem um mergulho no projeto de reforma tributária da Comissão Especial aprovada em dezembro na Câmara dos Deputados. O senhor vai se assustar. O senhor precisa continuar sendo o pai dos pobres. Na sua história maravilhosa, não pode ficar esse risco, esse arranhão, essa fratura de que destruiu a rede de proteção social, o orçamento de seguridade, que o senhor ajudou a construir quando foi Constituinte.

Muito obrigado.
Assessoria de Imprensa: Fábio Paiva – (61) 9982-0070

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