Entre os que são tidos por loucos, muitos há que apenas são subjugados; precisariam de um trata­mento moral, enquanto que com os tratamentos corpo­rais os tornam verdadeiros loucos



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Artigos Espíritas
Extraídos da obra

Divaldo Franco - Nos Bastidores da Obsessão

Examinando a obsessão
“Entre os que são tidos por loucos, muitos há que apenas são subjugados; precisariam de um trata­mento moral, enquanto que com os tratamentos corpo­rais os tornam verdadeiros loucos. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa dis­tinção e curarão mais doentes do que com as du­chas”. (2)

(2, 3 e 4) “O Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec, 24ª Edição da FEB. Página 263.

Ao tempo da publicação de “O Livro dos Médiuns” — 1861 — as duchas eram tidas como dos mais eficientes tratamentos para as enfermidades mentais. Daí a referência feita por Allan Kardec. — Nota do Autor espiritual.

Com muito acerto asseverou o Codificador que «o conhecimento do Espiritismo, longe de facilitar o pre­domínio dos maus Espíritos, há de ter como resultado, em tempo mais ou menos próximo e quando se achar propagado, destruir esse predomínio, o da obsessão, dan­do a cada um os meios de se pôr em guarda contra as sugestões deles». E o iluminado mestre, não poucas ve­zes, embora profundo conhecedor do Magnetismo, con­vocado a atender obsidiados de variado jaez, utilizou-se dos eficientes métodos da Doutrina Espírita para libertá-los com segurança, através da moralização do Espí­rito perturbador e do sensitivo perturbado.

«Obsessão — segundo Allan Kardec — é o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas.

Nunca é praticada senão pelos Espíritos inferio­res, que procuram dominar. Os bons Espíritos nenhum constrangimento infligem. Aconselham, combatem a in­fluência dos maus e, se não os ouvem, retiram-Se. Os maus, ao contrário, se agarram àqueles de quem podem fazer suas presas. Se chegam a dominar algum, identi­ficam-se com o Espírito deste e o conduzem como se fora verdadeira criança. » Ainda é o egrégio intérprete dos Espíritos da Luz que comenta:

«As causas da obses­são variam, de acordo com o caráter do Espírito. É, às vezes, uma vingança que este toma de um indivíduo de quem guarda queixas do tempo de outra existência. Muitas vezes, também, não há mais do que desejo de fazer mal: o Espírito, como sofre, entende de fazer que os outros sofram; encontra uma espécie de gozo em os atormentar, em os vexar, e a impaciência que por isso a vítima demonstra mais o exacerba, porque esse é o objetivo que colima, ao passo que a paciência o leva a cansar-se... »

E prossegue: «Há Espíritos obsessores sem malda­de, que alguma coisa mesma denotam de bom, mas do­minados pelo orgulho do falso saber. (3)

Obsidiados, sempre os houve em todas as épocas da Humanidade.

Repontando, vigoroso, o fenômeno mediúnico em todos os povos e em todos os tempos, oferecendo rotei­ros iluminativos para muitas Civilizações, foi, também, veículo de pungentes dramas de vultos que se celebri­zaram na História.

Nabucodonosor 2º, o Grande, rei da Caldéia, pertur­bado por Espíritos vingadores, experimentou tormentos inomináveis, obsidiado, descendo à misérrima condição de anormal...

Tibério, de mente dirigida por Espíritos impiedo­sos, atingiu alto índice de crueldade, pela desconfiança exacerbada, insuflada pelos adversários desencarnados...

Domício Nero, tristemente celebrizado, após uma existência de loucuras, avassalado por cruéis inimigos do Além-Túmulo, não poucas vezes em desdobramentos espirituais reencontrou a mãe Agripina e a esposa Otá­via, que foram assassinadas por sua ordem, pressagian­do-lhe o termo doloroso...

E, no entanto, na epopéia sublime do Evangelho, que desfilam ao lado de Jesus, em larga escala, os ator­mentados por Espíritos infelizes, que encontram nEle o Médico Divino que lhes lucila o íntimo e os liberta do sofrimento.

Os discípulos do Rabi Galileu, vezes sem conta, apli­caram o passe curativo nos inúmeros obsidiados que os buscavam, prosseguindo o ministério apostólico entre os atormentados da Terra e os perturbados do Mundo Es­piritual, como fizera o Mestre.

E depois deles os registros históricos apresentam loucos de nomenclatura variada, às voltas com Entidades atormentadoras, sofrendo na fogueira e no exílio, no poço das serpentes e nos Manicômios sombrios, o re­sultado da convivência psíquica com os que atravessa­ram o portal da Imortalidade e se demoram nas vicia­ções e nos sentimentos em que se compraziam...

Asseverou Allan Kardec: (Não foram os médiuns, nem os espíritas que criaram os Espíritos; ao contrá­rio, foram os Espíritos que fizeram haja espíritas e mé­diuns. Não sendo os Espíritos mais do que as almas dos homens, é claro que há Espíritos desde quando há homens; por conseguinte, desde todos os tempos eles exerceram influência salutar ou perniciosa sobre a Hu­manidade. A faculdade mediúnica não lhes é mais que um meio de se manifestarem. Em falta dessa faculdade, fazem-no por mil outras maneiras, mais ou menos ocul­tas.”

«Os meios de se combater a obsessão — esclarece o eminente Seareiro — variam de acordo com o cará­ter que ela reveste.» E elucida: «As imperfeições mo­rais do obsidiado constituem, freqüentemente, um obstáculo à sua libertação.» (4)

A obsessão, todavia, ainda hoje é um terrível es­colho à paz e à serenidade das criaturas.

Com origem nos refolhos do espírito encarnado, obsessões há em escala infinita e, conseqüentemente, obsidiados existem em infinita variedade, sendo a etio­patogenia de tais desequilíbrios, genericamente denomi­nada distúrbios mentais, mais ampla do que a clássica apresentada, merecendo destaque aquela denominação causa cármica.

Jornaleiro da Eternidade, o espírito conduz os ger­mens cármicos que facultam o convívio com os desafe­tos do pretérito, ensejando a comunhão nefasta.

Todavia, não apenas o ódio como se poderia pen­sar é o fator causal das Obsessões e nem somente na Terra se manifestam os tormentos obsessivos... Além da sepultura, nas regiões pungentes e aflitivas de rea­justamentos imperiosos e despertamentos inadiáveis das consciências, defrontam-se muitos verdugos e vítimas, co­meçando ou dando prosseguimento aos nefandos ban­quetes de subjugação psíquica, em luta intérmina de extermínio impossível...

Obsessores há milenarmente vinculados ao crime, em estruturas de desespero invulgar, em que se demoram voluntariamente, envergando indumentárias de perseguido­res de outros obsessores menos poderosos mentalmente que, perseguindo, são também escravos daqueles que se nutrem às suas expensas, imanados por forças vigorosas e crueis...

Na Terra, igualmente, é muito grande o número de encarnados que se convertem, por irresponsabilidade e invigilância, em obsessores de outros encarnados, esta­belecendo um consórcio de difícil erradicação e prolon­gada duração, quase sempre em forma de vampirismo inconsciente e pertinaz. São criaturas atormentadas, fe­ridas nos seus anseios, invariavelmente inferiores que, fixando aqueles que elegem gratuitamente como desafe­tos, os perseguem em corpo astral, através dos proces­sos de desdobramento inconsciente, prendendo, muitas vezes, nas malhas bem urdidas da sua rede de idiossin­crasia, esses desassisados morais, que, então, se trans­formam em vítimas portadoras de enfermidades complicadas e de origem clínica ignorada...

Outros, ainda, afervorados a esta ou àquela iniqüidade, fixam-se, mentalmente, a desencarnados que efetivamente se identificam e fazem-se obsessores destes, amargurando-os e retendo-os às lembranças da vida fí­sica, em lamentável comunhão espiritual degradante...

Além dessas formas diversificadas de obsessão, ou­tras há, inconscientes ou não, entre as quais, aquelas produzidas em nome do amor tiranizante aos que se de­moram nos invólucros carnais, atormentados por aque­les que partiram em estado doloroso de perturbação e egocentrismo... ou entre encarnados que mantém conúbio mental infeliz e demorado...


*
Obsessores, obsidiados!

A obsessão, sob qualquer modalidade que se apre­sente, é enfermidade de longo curso, exigindo terapia especializada de segura aplicação e de resultados que não se fazem sentir apressadamente.

Os tratamentos da obsessão, por conseguinte, são complexos, impondo alta dose de renúncia e abnegação àqueles que se oferecem e se dedicam a tal mister.

Uma força existe capaz de produzir resultados junto aos perseguidores encarnados ou desencarnados, cons­cientes ou inconscientes: a que se deriva da conduta mo­ral. A princípio, o obsessor dela não se apercebe; no en­tanto, com o decorrer do tempo, os testemunhos de elevação moral que enseja, confirmando a nobreza da fé, que professa como servidor do Cristo, colimam por con­vencer o algoz da elevação de princípios de que se revestem os atos do seu doutrinador, terminando por dei­xar livre, muitas vezes, aquele a quem afligia. Além da exemplificação cristã, a oração consegue lenir as úlce­ras morais dos assistidos, conduzindo benesses de har­monia que apaziguam o desequilibrado, reacendendo nele a sede e a necessidade da paz.

Nem sempre, porém, os resultados são imediatos. Para a maioria dos Espíritos, o tempo, conforme se conta na Terra, tem pouca significação. Demoram-se, obstina­dos, com tenacidade incomparável nos propósitos a que se entregam, anos a fio, sem que algo de positivo se con­siga fazer, prosseguindo a tarefa insana, em muitos ca­sos, até mesmo depois da morte... Isto porque do pa­ciente depende a maioria dos resultados nos tratamen­tos da obsessão. Iniciado o programa de recuperação, deve este esforçar-se de imediato para a modificação radical do comportamento, exercitando-se na prática das virtudes cristãs, e, principalmente, moralizando-se. A moralização do enfermo deve ter caráter prioritário, considerando-se que, através de uma renovação íntima bem encetada, ele demonstra para o seu desafeto a eficiên­cia das diretrizes que lhe oferecem como normativa de felicidade.

Merece considerar, neste particular, que o desgaste orgânico e psíquico do médium enfermo, mesmo depois do afastamento do Espírito malévolo, ocasiona um refazimento mais demorado, sendo necessária, às vezes, compreensivelmente, assistência médica prolongada.

Diante dos esforços que se conjugam entre o as­sistente e o assistido, os Espíritos Superiores interes­sados no progresso da Humanidade oferecem, também, valiosos recursos que constituem elementos salutares e preciosos.

Sem tal amparo, toda incursão que se intente no ministério da desobsessão será improfícua, senão peri­gosa, pelos resultados negativos que apresenta.

Um espírito lidador, devidamente preparado para as experiências de socorro aos obsidiados, é dínamo po­tente que gera energia eletromagnética, que, aplicada mediante os passes, produz distonia e desajustes emo­cionais no hóspede indesejável, afastando-o de momento e facultando, assim, ao hospedeiro a libertação mental necessária para assepsiar-se moralmente, reeducando a vontade, meditando em oração, num verdadeiro progra­ma evangélico bem disciplinado que, segura e lentamente, edifica uma cidadela moral de defesa em volta dele mesmo.

Por isso o Mestre, diante de determinados perseguidores desencarnados, afirmou: “contra esta casta de Es­píritos só a oração e o jejum”, e, após atender às aflições de cada atormentado que O buscava, prescrevia, invariável e incisivo: “Não voltes a pecar para que algo pior não te aconteça”.


*
Quando, você escute nos recessos da mente uma idéia torturante que teima por se fixar, interrompendo o curso dos pensamentos; quando constate, imperiosa, atuante força psíquica interferindo nos processos mentais; quan­do verifique a vontade sendo dominada por outra von­tade que parece dominar; quando experimente inquietação crescente, na intimidade mental, sem motivos reais; quando sinta o impacto do desalinho espiritual em franco desenvolvimento, acautele-se, porque você se encontra em processo imperioso e ultriz de obsessão pertinaz.

Transmissão mental de cérebro a cérebro, a obses­são é síndrome alarmante que denuncia enfermidade grave de erradicação difícil.

A princípio se manifesta como inspiração sutil, de­pois intempestivamente, para com o tempo fazer-se in­terferência da mente obsessora na mente encarnada, com vigor que alcança o clímax na possessão lamentável.

Idéia negativa que se fixa, campo mental que se en­fraquece, dando ensejo a idéias negativas que virão.

Da mesma forma que as enfermidades orgânicas se manifestam onde há carência, o campo obsessivo se des­loca da mente para o departamento somático onde as imperfeições morais do pretérito deixaram marcas profundas no perispírito.

Tabagismo — O fumo, pelos danos que ocasiona ao organismo, é, por isso mesmo, perigo para o corpo e para a mente.

Hábito vicioso, facilita a interferência de mentes de­sencarnadas também viciadas, que se ligam em intercâmbio obsessivo simples a caminho de dolorosas desarmonias...

Alcoolofilia — Embora necessário para o organis­mo sujeito a climas frios, o álcool em dosagens míni­mas acelera a digestão, facilitando a diurese (5). No entanto, pelas conseqüências sócio-morais que acarreta, quando se perverte em viciação criminosa, simples em começo e depois aberrante, é veículo de obsessores cruéis, ensejando, a alcoólatras desencarnados, vampirismo im­piedoso, com conseqüentes lesões do aparelho fisiopsí­quico.

(5) Alguns médicos falam sobre a desnecessidade do uso de alcoólicos mesmo nos climas frios. — Nota do Autor espi­ritual.

Sexualidade — Sendo porta de santificação para a vida, altar de preservação da espécie, é, também, veículo de alucinantes manifestações de mentes atormentadas, em estado de angústia pertinaz. Através dele, sintoni­zam consciências desencarnadas em indescritível aflição, mergulhando, em hospedagem violenta nas mentes en­carnadas, para se demorarem em absorções destruido­ras do plasma nervoso, gerando obsessões degradantes...

Estupefacientes — Á frente da ação deprimente de certas drogas que atuam nos centros nervosos, desbor­dam-se os registros da subconsciência, e impressões do pretérito ressurgem, misturadas às frustrações do pre­sente, já em depósito, realizando conúbio desequilibrante, através do qual desencarnados em desespero emocional se locupletam, ligando-se aos atormentados da Terra, conjugando à sua a loucura deles, em possessão sel­vagem...

Alienação mental — Sendo todo alienado, conforme o próprio verbete denuncia, um ausente, a alienação men­tal começa, muitas vezes, quando o espírito retoma o corpo pela reencarnação em forma de limitação puni­tiva ou de corrigenda, ligado a credores dantanho, em marcha inexorável para o aniquilamento da razão, quan­do não se afirma nas linhas do equilíbrio moral...

Glutoneria, maledicência, ira, ciúme, inveja, soberba, avareza, medo, egoísmo, são estradas de acesso para mentes desatreladas do carro somático em tormentosa e vigilante busca na Erraticidade, sedentas de comen­sais, com os quais, em conexão segura, continuam o en­ganoso banquete do prazer fugido...

Por essa razão, a Doutrina Espírita, em convocando o homem ao amor e ao estudo, prescreve como norma de conduta o Evangelho vivo e atuante — nobre Tra­tado de Higiene Mental — através de cujas lições haure o espírito vitalidade e renovação, firmeza e dignidade, ensinando a oração que enseja comunhão com Deus, prescrevendo jejum, ao crime e continência em rela­ção ao erro, num vade-mecum salvador para uma exis­tência sadia na Terra, com as vistas voltadas para uma vida espiritual perfeita.


*
O problema da obsessão, sob qualquer aspecto con­siderado, é também problema do próprio obsidiado.

Atormentada por evocações fixadas nas telas sen­síveis do pretérito, a mente encarnada se encontra li­gada à desencarnada, sofrendo, a princípio, sutis dese­quilíbrios que depois se assenhoreiam da organização ce­rebral, gerando deplorável estágio de vampirização, no qual vítima e verdugo se completam em conjugação do­lorosa e prolongada.

A etiologia das obsessões é complexa e profunda, pois que se origina nos processos morais lamentáveis, em que ambos os comparsas da aflição dementante se deixaram consumir pelas vibrações degenerescentes da criminalidade que passou, invariavelmente, ignorada da coletividade onde viveram como protagonistas do drama ou da tragicomédia em que se consumiram.

Reencontrando-se, porém, sob o impositivo da Lei inexorável da Divina Justiça, que estabelece esteja o verdugo jugulado à vítima, pouco importando o tempo e a indumentária que os distancia ou caracteriza, tem Início o comércio mental, às vezes aos primeiros dias da concepção fetal, para crescer em comunhão acérrima no dia-a-dia da caminhada carnal, quando não precede à própria concepção...

Simples, de fascinação e de subjugação, consoante a classificação do Codificador do Espiritismo, é sempre de difícil extirpação, porquanto o obsidiado, em si mes­mo, é um enfermo do espírito.

Vivendo a inquietação íntima que, lenta e segura­mente, o desarvora, procede, de início, na vida em comum, como se se encontrasse equilibrado, para, nos ins­tantes de soledade, deixar-se arrastar a estados anôma­los sob as fortes tenazes do perseguidor desencarnado.

Ouvindo a mensagem em caráter telepático transmi­tida pela mente livre, começa por aceder ao apelo que lhe chega, transformando-se, por fim, em diálogos nos quais se deixa vencer pela pertinácia do tenaz vingador.

Justapondo-se sutilmente cérebro a cérebro, mente a mente, vontade dominante sobre vontade que se deixa dominar, órgão a órgão, através do perispírito pelo qual se identifica com o encarnado, a cada cessão feita pelo hospedeiro, mais coercitiva se faz a presença do hóspede, que se transforma em parasita insidioso, estabelecendo, depois, e muitas vezes em definitivo enquanto na luta carnal, a simbiose esdrúxula, em que o poder da fixação da vontade dominadora consegue extinguir a lucidez do dominado, que se deixa apagar...

Em toda obsessão, mesmo nos casos mais simples, o encarnado conduz em si mesmo os fatores predisponentes e preponderantes — os débitos morais a resga­tar — que facultam a alienação.

Descuidado quase sempre dos valores morais e es­pirituais — defesas respeitáveis que constroem na alma um baluarte de difícil transposição —, o candidato ao processo obsessivo é irritável, quando não nostálgico, ensejando pelo caráter impressionável o intercâmbio, que também pode começar nos instantes de parcial despren­dimento pelo sono, quando, então, encontrando o desa­feto ou a sua vítima dantanho, sente o espicaçar do remorso ou o remorder da cólera, abrindo as comportas do pensamento aos comunicados que logo advirão, sem que se possa prever quando terminará a obsessão, que pode alongar-se até mesmo depois da morte...

Estabelecido o contacto mental em que o encar­nado registra a interferência do pensamento invasor, soa o sinal alarmante da obsessão em pleno desenvolvimento...

Nesse particular, o Espiritismo, e somente ele, por tratar do estudo da natureza dos Espíritos, possui os anticorpos e sucedâneos eficazes para operar a liberta­ção do enfermo, libertação que, no entanto, muito de­pende do próprio paciente, como em todos os processos patológicos atendidos pelas diversas terapêuticas médicas.

Sendo o obsidiado um calceta, um devedor, é im­prescindível que se disponha ao labor operoso pelo res­gate perante a Consciência Universal, agindo de modo positivo, para atender às sagradas imposições da har­monia estabelecida pelo Excelso legislador.

Muito embora os desejos de refazimento moral por parte do paciente espiritual, é imperioso que a renova­ção íntima com sincero devotamento ao bem lhe confira os títulos do amor e do trabalho, de forma a atestar a sua real modificação em relação à conduta passada, en­sejando ao acompanhante desencarnado, igualmente, a própria iluminação.

Nesse sentido, a interferência do auxílio fraterno, por outros corações afervorados à prática da caridade, é muito valiosa, favorecendo ao desencarnado a oportu­nidade de adquirir conhecimentos através da psicofonia atormentada, na qual pode haurir força e alento novo para aprender, meditar, perdoar, esquecer...

No entanto, tal empreendimento, nos moldes em que se fazem necessários, não é fácil.

Somente poucos Núcleos, dentre os que se dedicam a tal mister — o da desobsessão —, se encontram apa­relhados, tendo-se em vista a tarefa que lhes cabe nos seus quadros complexos...

Na desobsessão, a cirurgia espiritual se faz neces­sária, senão imprescindível, muitas vezes, para que os resultados a colimar sejam conseguidos. Além desses, trabalhos especiais requisitam abnegação e sacrifício dos cooperadores encarnados, com natural doação em larga escala de esforço moral valioso, para a manipulação das condições mínimas psicoterápicas, no recinto do socorro, em favor dos desvairados a atender...

Nesse particular, a prece, igualmente, conforme pre­coniza Allan Kardec, «é o mais poderoso meio de que se dispõe para demover de seus propósitos maléficos o obsessor».

Por isso, em qualquer operação socorrista a que você seja chamado, observe a disposição moral do seu pró­prio espírito e ore, alçando-se a Jesus, a Ele pedindo torná-lo alvo dos Espíritos Puros, por meio dos quais, e somente assim, você poderá oferecer algo em favor de uns e outros: obsessores e obsidiados.

Examine, desse modo, e sonde o mundo íntimo cons­tantemente para que se não surpreenda de um momento para outro com a mente em desalinho, atendendo aos apelos dos desencarnados que o seguem desde ontem, perturbados e infelizes, procurando, enlouquecidos, «com as próprias mãos fazer justiça», transformados em ver­dugos da sua serenidade.

Opere no bem com esforço e perseverança para que o seu exemplo e a sua luta solvam-sarando a dívida-en­fermidade que o assinala, libertando-o da áspera prova antes de você caminhar, aflito, pela senda dolorosa... e purificadora.

Em qualquer circunstância, ao exercício nobre da mediunidade com Jesus, tanto quanto ao sublime labor desenvolvido pelas sessões sérias de desobsessão, com­pete o indeclinável ministério de socorro aos padecentes da obsessão no sentido de modificarem as expressões de dor e angústia que vigem na Terra sofrida dos nossos dias.

a) Obsessões especiais

Ninguém se equivoque! Obsessores há desencarna­dos, exercendo maléfica ínfluenciação sobre os homens, e encarnados, de mente vigorosa, exercendo pressão de­primente sobre os deambulantes da Erraticidade.

O comércio existente entre os Espíritos e as cria­turas da Terra, em regime de perseguição, é paralelo ao vigente entre os homens e os que perderam a indumen­tária física.

Obsessões especiais também identificamos, que são produzidas por encarnados sobre encarnados.

O pensamento é sempre o dínamo vigoroso que emite ondas e que registra vibrações, em intercâmbio ininterrupto nas diversas faixas que circulam a Terra.

Mentes viciadas e em tormento, não poucas vezes escravas da monoidéia obsessiva, sincronizam com outras mentes desprevenidas e ociosas, gerando pressão devas­tadora.

Aguilhões frequentes perturbam o comportamento de muitas criaturas que se sentem vinculadas ou diri­gidas por fortes constrições nos painéis mentais, inquie­tantes e afligentes... Muitos processos graves de alie­nação mental têm início quando os seres constrangidos por essa força possuidora, ao invés de a repelirem, aca­lentam-lhe os miasmas pertinazes que terminam por as-senhorear-se do campo em que se espalham.

Em casos dessa natureza, o agente opressor influen­cia de tal forma o paciente perturbado que não é raro originar-se o grave problema do vampirismo espiritual por processo de absorção do plasma mental. Quando em parcial desprendimento pelo sono, o espírito parasita busca a sua vítima, irresponsável ou coagida, prosse­guindo no nefando consórcio nessas horas que são re­servadas para edificação espiritual e renovação da pai­sagem orgânica. Produzida a sintonia deletéria mui di­ficilmente aqueles que alojam os pensamentos infelizes conseguem libertar-se.

Nos diversos problemas obsessivos, há que exami­ná-los para selecionar os que procedem do continente da alma encarnada e os que se vinculam aos quadros aflitivos do mundo espiritual.

O ódio tanto quanto o amor desvairado constituem elementos matrizes dessas obsessões especiais. O ódio, pela fixação demorada acerca da vindita, cria um con­dicionamento psíquico que emite ondas em direção se­gura, envolvendo o ser almejado que, se não se encon­tra devidamente amparado nos princípios superiores da vida, capazes de destruírem as ondas invasoras, termina por se deixar algemar. E o amor tresloucado que se con­verte em paixão acerba, devido ao tormento que se im­põe quanto à posse física do objeto requestado, conduz o espírito que está atormentado à visitação, a princípio de alma nos períodos do sono reparador, até criar a in­tercomunicação que degenera em aflitivo quadro de des­gaste orgânico e psíquico, não somente do vampirizado, como também mediante a alucinação do vampirizador.

Em qualquer hipótese, no entanto, as diretivas cla­rificantes da mensagem de Jesus são rotas e veículos de luz libertadora para ensejar a uns e outros, obsidiados e obsessores, os meios de superação.

Nesse sentido, a exortação de Allan Kardec em torno do trabalho é de uma eficácia incomum, porque o tra­balho edificante é mecanismo de oração transcendental e a mente que trabalha situa-se na defensiva. A solida­riedade é como uma usina que produz a força positiva do amor, e, como o amor é a causa motriz do Universo, aquele que se afervora à mecânica da solidariedade sin­toniza com os Instrutores da ordem, que dirigem o Orbe. E a tolerância, que é a manifestação desse mesmo amor em forma de piedade edificante, transforma-se em couraça de luz, vigorosa e maleável, capaz de destruir os petardos do ódio ultriz ou os projéteis do desejo de­sordenado, porqüanto, na tolerância fraternal, se anulam as vibrações negativas desta ou daquela proce­dência.

Assim sendo, a tríade recomendada pelo Egrégio Codificador reflete a ação, a oração e a vigilância pre­conizadas por Jesus — processos edificantes de saúde espiritual e ponte que alça o viandante sofredor da Terra ao planalto redentor das Esferas Espirituais, livre de toda a constrição e angústia.

b) Perante obsessores
Para que você atinja a plenitude da harmonia ín­tima, cultive a oração com carinho e o devotamento com que a mãe atende ao sagrado dever de amamentar o filho.

A prece é uma lâmpada acesa no coração, da­reando os escaninhos da alma.

Encarcerado na indumentária carnal, o espírito tem necessidade de comunhão com Deus através da prece, tanto quanto o corpo necessita de ar puro para pros­seguir na jornada.

Muitos cristãos modernos, todavia, descurando do serviço da prece, justificam a negligência com aparente cansaço, como se a oração não se constituísse igualmente em repouso e refazimento, oferecendo clima de paz e ensejo de renovação interior.

Mente em vibração frequente com outras mentes em vibração produz, nos centros pensantes de quem não está afeito ao cultivo das experiências psíquicas de or­dem superior, lamentáveis processos de obsessão que, lentamente, se transformam em soezes enfermidades que minam o organismo até ao aniquilamento.

A princípio, como mensagem invasora, a influência sobre as telas mentais do incauto é a idéia negativa não percebida. Só mais tarde, quando as impressões vigo­rosas se fixam como panoramas íntimos de difícil eli­minação, é que o invigilante procura o benefício dos me­dicamentos de resultados inócuos.

Atribulado com as necessidades imperiosas do «dia-

-a-dia», o homem desatento deixa-se empolgar pela ins­tabilidade emocional, franqueando as resistências fisio­psíquicas às vergastadas da perturbação espiritual.

Vivemos cercados, na Terra, daqueles que nos pre­cederam na grande jornada da desencarnação.

Em razão disso, somos o que pensamos, permu­tando vibrações que se harmonizam com outras vibra­ções afins.

Como é natural, graças às injunções do renasci­mento, o homem é impelido à depressão ou ao exalta­mento, vinculando-se aos pensamentos vulgares compa­tíveis às circunstâncias do meio, situação e progresso.

Assim, faz-se imprescindível o exercício da prece mental e habitual para fortalecer as fulgurações psíqui­cas que visitam o cérebro, constituindo a vida normal propícia à propagação do pensamento excelso.

Enquanto o homem se descuida da preservação do patrimônio divino em si mesmo, verdugos da paz acer­cam-se da residência carnal, ameaçando-lhe a felicidade.

Endividado para com eles, faz-se mister ajudá-los com os recursos valiosos da virtude, palmilhando as sen­das honradas, mesmo que urzes e cardos espalhados lhe sangrem os pés.

Todos renascemos para libertar-nos do pretérito culposo em cujos empreendimentos fracassamos.

E como a dívida se nutre do devedor, enquanto não nos liberamos do compromisso, ficamos detidos na re­taguarda...

É por esse motivo que o Apóstolo dos gentios nos adverte quanto à «nuvem) que nos acompanha, revelan­do-nos a continuada companhia dos desafetos desencar­nados.
*
Exercite-se, assim, no ministério da oração, medi­tando quanto às inadiáveis necessidades de libertação e progresso.

Cultive a bondade, desdobrando os braços da indul­gência de modo a alcançar os que seguem desatentos e infelizes, espalhando desconforto e disseminando a lou­cura.

Renove as disposições íntimas e, quando aquinhoado com os ensejos de falar com esses seres de mente em desalinho, perturbados no Mundo Espiritual, una-se de amor e compreenda-os, ajudando quanto lhe seja pos­sível com a humildade e a renúncia.

E recorde que o Mestre, antes de visitado pelos ver­dugos espirituais das Zonas Trevosas, recolhia-se à ora­ção, recebendo-os com caridade fraternal, como Rei de todos os Espíritos e Senhor do Mundo.

Você não ficará indene à agressão deles...

Resguarde-se, portanto, e, firmado no ideal sublime com que o Espiritismo honra os seus dias, alce-se ao amor, trabalhando infatigàvelmente pelo bem de todos, com o coração no socorro e a mente em Jesus-Cristo, co­mungando com as Esferas Mais Altas, onde você sor­verá forças para vencer todas as agressões de que for vítima, e sentirá que, orando e ajudando, a paz con­tinuará com você.

c) Perante obsidiados

Sempre que há obsessão convém analisar em pro­fundidade a questão da perfeita sintonia que mantém o obsidiado com a entidade obsidente.

Todo problema obsessivo procede sempre da neces­sidade de ambos os espíritos em luta aflitiva, vítima e algoz, criarem condições de superação das próprias infe­rioridades para mudar de clima psíquico, transferindo-se emocionalmente para outras faixas do pensamento.

O obsessor não é somente o instrumento da justiça superior que dele se utiliza, mas também espírito pro­fundamente enfermo e infeliz, carecente da terapêutica do amor e do esclarecimento para sublimação de si mesmo.

O obsidiado, por sua vez, vinculado vigorosamente à retaguarda — assaltado, quase sempre, pelos fantas­mas do remorso inconsciente ou do medo cristalizado, a se manifestarem como complexos de inferioridade e culpa - conduz o fardo das dívidas para necessário reajusta­mento, através do abençoado roteiro carnal.

Quando jungido à expiação inadiável, por acentuada rebeldia em muitos avatares, renasce sob o estigma da emoção torturada, apresentando desde o berço os tra­ços profundos das ligações com os comensais que se lhe imantam em intercâmbio fluídico de consequências im­previsíveis.

Atendido, porém, desde o ventre materno com me­dicação salutar, traz no perispírito as condições próprias à «hospedagem», na ocasião oportuna, que se encarrega de disciplinar o verdugo não esquecido pela vida.

Outras vezes, se durante longa jornada física não reparou o carma por meio de ações edificantes, não raro é surpreendido na ancianidade pela presença incômoda daqueles a quem prejudicou, experimentando enfermida­des complicadas, difíceis de serem identificadas, ou distúrbios psíquicos que se alongarão mesmo após o decesso or­gânico.

Em qualquer hipótese, no entanto, acenda a luz do conhecimento espiritual na mente que esteja em turva­ção, nesse íntimo conturbado.

Nem piedade inoperante.

Nem palavrório sem a tônica do amor.

A terapia espírita, em casos que tais, é a do con­vite ao enfermo para a responsabilidade, conclamando-o a uma auto-análise honesta, de modo a que ele possa romper em definitivo com as imperfeições, reformulando propósitos de saúde moral e mergulhando nos rios cla­ros da meditação para prosseguir revigorado, senda a fora... Diante de um programa de melhoria íntima de­satam-se os liames da vinculação entre os dois espíritos — o encarnado e o desencarnado, e o perturbador, per­cebendo tão sincero esforço, se toca, deixando-se per­mear pelas vibrações emanadas da sua vítima, agora pensando em nova esfera mental.

Só excepcionalmente não se sensibilizam os sicários da mente melhorada. Nesse caso, a palavra esclarece­dora do evangelizador nos serviços especializados da de­sobsessão, os círculos de prece, os agrupamentos da ca­ridade fraternal, sob carinhosa e sábia administração de Instrutores Abnegados, se encarregam de consolidar ou libertar em definitivo os que antes se batiam nas liças do duelo psíquico, ou físico quando a constrição obsi­dente é dirigida à organização somática.

Quando se observam os sinais externos dessa ano­malia, já se encontra instalada a afecção dolorosa.

Assim considerando, use sempre a Doutrina Espí­rita como medida profilática, mesmo porque, se até hoje não foi afetada a sua organização fisiopsíquica, isto não isenta de, no futuro — tendo em vista que, apren­dendo e refazendo lições como é do programa da reencarnação para nós todos —, o seu «ontem» poder re­pontar rigoroso, «hoje» ou «amanhã», chamando-o ao ajuste de contas com a consciência cósmica que nos di­rige.

Perante obsidiados aplique a paciência e a compre­ensão, a caridade da boa palavra e do passe, o gesto de simpatia e cordialidade; todavia, a pretexto de bondade não concorde com o erro a que ele se afervora, nem com a preguiça mental em que se compraz ou mesmo com a rebeldia constante em que se encarcera. Ajude-o quanto possa; no entanto, insista para que ele se ajude, con­tribuindo para com a ascensão do seu próprio espírito auxiliar aquele outro ser que, ligado a ele por imposi­ção da justiça divina, tem imperiosa necessidade de evo­luir também.

d) Porta de luz

Imagine um dédalo em sombras, imensurável, hór­rido, onde se demoram emanações morbíficas provenien­tes de células em disjunção; charco miasmático carre­gado de lodo instável, tendo por céu nimbos borrascosos sacudidos por descargas elétricas; paul sombrio que aga­salha batráquios e ofídios, répteis e toda a fauna as­querosa; região varrida por ventos ululantes, longe da esperança onde uma tênue e célere perspectiva de paz não tremelha...

Considere-se relegado a esse labirinto nefasto, lon­ge de qualquer amparo, a mergulhar a mente em febre nos abismos do remorso que, fantasma incansável, as­sume proporçôes inimagináveis; sob o estrugir de recor­dações vigorosas das quais não se consegue furtar, res­sumando erros propositais e casuais com que se distan­ciou da paz; malgrado necessite de esperança ou refa­zimento, silêncio para meditar ou uma aragem fresca para renovação, escute, inerme, outros companheiros de desdita em imprecaçôes e lamentos, dominados pela pró­pria sandice; onde a razão se fez sicário impiedoso, sem entranhas, e se encarrega, ela mesma, de justiçar com azorragues em forma de cilícios que lhe são involuntá­rios; sem equilíbrio para uma evocação suave, um pai­nel de ternura, amor ou prece...

Avalie o significado de uma porta libertadora, que sübitamente se abrisse, convidativa, banhada que fosse de fraca mas significativa luz, através da qual, trans­posta a mínima distância entre você e ela, poderia ouvir consolo, chorar sem desespero, lenindo as próprias an­gústias, e repousar; além da qual, doce canto embalante ciciasse uma melopeia conhecida ou uma berceuse recon­fortante; após vencida, revisse paisagem esquecida e agradável e, dilatados os ouvidos, escutasse a pronún­cia de um terno nome, em relação a você: irmão! —depois do que, roteiro e medicamento chegassem salva­dores, inaugurando experiência feliz, transpassada a ex­piação inominável...

Você bendiria, certamente, mil vezes, esse portal de acesso.

Tal região, não muito longe de nós, entre os de­sencarnados e os encarnados, são os vales purgatoriais para os que transpõem o umbral da morte narcotiza­dos pela insânia e pelo crime.

Tal porta fascinante é a mediunidade socorrista de que você se encontra investido na tessitura física, ao alcance de um pouco de disciplina e abnegação.

Examinando quanto você gostaria de receber auxí­lio se ali estivesse, pense nos que lá estão e não demore mais em discussões inócuas ou em desculpismo injusti­ficável.

Corra ao socorro deles, os nossos companheiros na dor, iludidos em si mesmos, e abra-lhes a porta de luz da oportunidade consoladora.

Mergulhe o pensamento nos exórdios do amor do Cristo e, mesmo sofrendo, atenda a estes que sofrem mais.

Não lhe perguntarão quem você é, donde vem, como se apresenta, pois não lhes importa; antes, sim, dese­jarão saber o que você tem em nome de Jesus para lhes dar. Compreenderão mais tarde a excelência da sua fé, o valor do seu devotamento, a expressão da sua bon­dade, a extensão das suas necessidades e também es­tenderão braços na direção do seu espírito.

Agora, necessitam de paz e libertação, e Jesus pre­cisa de você para tal mister.

Não lhes atrase o socorro, nem demore sua doação. Possivelmente você já esteve ali antes, talvez seja ne­cessário estagiar por lá..

Se você conceber que o seu esforço é muito, para os ajudar, mentalize Jesus transferindo-se dos Cimos da Vida para demorar-se no Vale de Sombras por vários anos e prosseguir até agora conosco...

O Espiritismo que lhe corrige a mediunidade em nome do Cristo — Espiritismo que lhe consola e escla­rece — ensina-lhe que felicidade é moeda cujo sonido somente produz festa íntima quando retorna daquele a quem se oferece e vem na direção do doador.

Doando-se, em silêncio, longe dos que aplaudem fa­culdades mediúnicas, coloque suas possibilidades a be­nefício dos sofredores, nas sessões especializadas, e gran­jeará um crédito de bênçãos que lhe ensejará, também, liberdade e iluminação, à semelhança dAquele que, Mé­dium do Pai, se fez o doce irmão de nós todos, milê­nios a fora.

e) Reuniões sérias

As reuniões espíritas de qualquer natureza devem revestir-se do caráter elevado da seriedade.

«Não sendo os Espíritos seres outros que não as almas dos homens» que viveram na Terra, não podem eles isentar-se da comunhão imperiosa, resultante das leis da afinidade. Nesse particular, convém não esque­cer que os Espíritos desencarnados, pelo simples fato de estarem despidos da indumentária carnal, não são melhores nem piores que os homens, mas continuação destes, plasmados pelo que cultivaram, fizeram e se apra­zeram.

Elegendo como santuário qualquer lugar onde se vivam as lições incorruptíveis de Jesus, o Espiritismo ensina que o êxito das sessões se encontra na depen­dência dos fatores-objetivos que as produzem, das pes­soas que as compõem e do programa estabelecido.

Como requisitos essenciais para uma reunião séria consideremos, pois, as intenções, o ambiente, os mem­bros componentes, os médiuns, os doutrinadores.

As intenções, fundamentadas nos preceitos evangé­licos do amor e da caridade, do estudo e da aprendiza­gem, são as que realmente atraem os Espíritos Supe­riores, sem cuja contribuição valiosa os resultados decaem para a frivolidade, a monotonia e não raro para a obsessão.

Não sendo apenas o de construção material, o am­biente deve ser elaborado e mantido por meio da lei­tura edificante e da oração, debatendo-se os princípios morais capazes de criar uma atmosfera pacificadora, otimista e refazente.

Os membros componentes devem esforçar-se por manter os requisitos mínimos de conseguirem instruir-se, elevando-se moral, mental e espiritualmente, através do devotamento contínuo, incessante, para a fixação da idéia espírita de elevação que lhes deve tornar pauta de conduta diária.

Os médiuns, semelhantemente aos demais participan­tes, são convidados ao policiamento interior das emoções, dos pensamentos, das palavras e da conduta, para se tornarem maleáveis às instruções de que porventura po­derão ser instrumento. A faculdade mediúnica não os isenta das responsabilidades morais imprescindíveis àprópria renovação e esclarecimento, pois que, mais fa­cilmente, os Espíritos Puros se aprazem de utilizar aque­les instrumentos dóceis e esclarecidos, capazes de lhes facilitarem as tarefas a que se propõem.

Os doutrinadores têm igualmente a obrigação de se evangelizar, estudando a Doutrina e capacitando-se para entender e colaborar nos diversos misteres do ser­viço em elaboração. Na mesma linha de deveres dos médiuns, não se podem descurar do problema psíquico da sintonia, a fim de estabelecerem contacto com os Di­retores do Plano Espiritual que supervisionam os em­preendimentos de tal natureza.

As reuniões espíritas são compromissos graves as­sumidos perante a consciência de cada um, regulamen­tados pelo esforço, pontualidade, sacrifício e perseve­rança dos seus membros.

Somente áqueles que sabem perseverar, sem poster­garem o trabalho de edificação interior, se fazem cre­dores da assistência dos Espíritos interessados na se­menteira da esperança e da felicidade na Terra — pro­grama sublime presidido por Jesus, das Altas Esferas.

Nas reuniões sérias, os seus membros não podem compactuar com a negligência aos deveres estabeleci­dos em prol da ordem geral e da harmonia, para que a infiltração dos Espíritos infelizes não as transformem em celeiros de balbúrdia, em perfeita conexão com a desordem e o caos.

Invariàvelmente, as reuniões sérias de estudo ou so­corro mediúnico se convertem em educandários para desencarnados que são trazidos por seus mentores. São atraídos pela própria curiosidade ou interessados na sua destruição...

Sendo a sociedade do Mundo Espiritual constituída daqueles que viveram na Terra, ou como aí, não faltam os ociosos, os de mente viciada, os parasitas, os perse­guidores inveterados, os obsessores cruéis, os infelizes de todo o jaez que deambulam solitários ou em mago­tes, isolados em si mesmos ou em colônias perniciosas, buscando presas irresponsáveis e inconscientes para o comércio da vampirização...

Conseguintemente, necessárias se fazem muita vi­gilância e observação, mesmo porque grande parte desses visitadores é trazida para que o exemplo dos encarnados lhes constitua lição viva de despertamento, mudando-lhes a direção mental e interessando-os na solução dos afli­gentes problemas que os infelicitam e maceram, mesmo quando disso não se apercebem ou fingem não os expe­rimentar...

Para que uma sessão espírita possa interessar os Instrutores Espirituais, não pode abstrair do elevado pa­drão moral de que se devem revestir todos os participantes, pois que se o cenho carregado e sisudo na Terra pode apresentar um homem como sendo de bem, em ver­dade, só a exteriorização dos seus fluídos — isto é, a vibração do seu próprio espírito, que é resultante dos atos morais praticados — o distingue das diversas cria­turas, oferecendo material específico aos Instrutores De­sencarnados para as múltiplas operações que se reali­zam nos abençoados núcleos espiritistas sérios, que têm em vista o santificante programa da desobsessão espi­ritual.

f) Em oração

Senhor: — ensina-nos a respeitar a força do di­reito alheio na estrada do nosso dever.

Ante as vicissitudes do caminho, recorda-nos de que no supremo sacrifício da Cruz, entre o escárnio da mul­tidão e o desprezo da Lei, erigiste um monumento à jus­tiça, na grandeza do amor.

Ajuda-nos, assim, a esquecer todo o mal, cultivando a árvore generosa do perdão.

Estimula-nos à claridade do bem sem limites, para que o nosso entusiasmo na fé não seja igual a ligeiro meteoro riscando o céu de nossas esperanças, para apa­gar-se depois...

Concede-nos a felicidade ímpar de caminhar na tri­lha do auxílio porque, só aí, através do socorro aos nos­sos irmãos, aprendemos a cultivar a própria felicidade.

Tu que nos ensinaste sem palavras no testemunho glorioso da crucificação, ajuda-nos a desculpar incessan­temente, trabalhando dentro de nós mesmos pela trans­formação do nosso espírito, na sucessão do tempo, dia a dia, noite a noite, a fim de que, lapidado, possamos apresentá-lo a Ti no termo da nossa jornada.

Ensina-nos a enxergar a Tua Ressurreição subli­me, mas permite também que recordemos o suplício da Tua solidão, a coroa de espinhos, a cruz infamante e o silêncio tumular que a precederam, como lições incom­paráveis para nós, na hora do sofrimento, quando nos chegue.

Favorece-nos com a segurança da ascensão aos Altos Cimos, porém não nos deixes olvidar que após a jor­nada silenciosa durante quarenta dias e quarenta noi­tes, entre jejum e meditação, experimentaste a pertur­bação do mundo e dos homens, em tentações implacá­veis que, naturalmente, atravessarão também nossos ca­minhos...

Dá-nos a certeza do Reino dos Céus, todavia não nos deixes esquecer que na Terra, por enquanto, não há lugar para os que te servem, tanto quanto não o houve para Ti mesmo, auxiliando-nos, entretanto, a viver no mundo, até à conclusão da nossa tarefa redentora.

Ajuda-nos, Divino Companheiro, a pisar os espinhos sem reclamação, vencendo as dificuldades sem queixas, porque é vivendo nobremente que fazemos jus a uma desencarnação honrada como pórtico de uma ressurrei­ção gloriosa.

Senhor Jesus, ensina-nos a perdoar, ajudando-nos a esquecer todo o mal, para sermos dignos de Ti!
*
Não nos animaram a presunção e a veleidade de examinar, nos estudos do presente livro, as enfermida­des psíquicas clássicas, tais como, as esquizofrenias e as parafrenias, as psicoses e neuroses, as oligofrenias e a paranóia de multíplice manifestação, tanto quanto não cuidaremos das personalidades psicopáticas, as dos de­mentes senis e outras de que cuida a Psiquiatria, embora sem o conhecimento das causas anteriores das mes­mas e que dizem respeito, invariàvelmente, às vidas pre­gressas de tais pacientes.

Cuidaremos de convidar os interessados nos pro­blemas da obsessão e no ministério da desobsessão ao estudo paciente do Espiritismo, apresentando algumas experiências e conotações nossas ao valioso material já existente, embora ainda não suficiente para a rápida equação de tão importante questão.



Não pretendemos elaborar um tratado para a análise e a prática da desobsessão espiritual. Estes são apontamentos singelos e despretenciosos, mediante os quais trazemos o nosso pouco de fermento na espe­rança de conseguir levedar parte da massa», con­forme a autorizada palavra de Nosso Senhor Jesus-Cristo, a Quem rogamos abençoar-nos o esforço e nos so­correr pela rota da própria iluminação.Fim


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