Entrega do Prémio Fundação Ilídio Pinho de Jornalismo Científico



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Entrega do Prémio Fundação Ilídio Pinho de Jornalismo Científico
Porto, 9 de Julho de 2007

Intervenção de Alfredo Maia, presidente da Direcção do Sindicato dos Jornalistas
Cabe-me a honra de dirigir-vos novamente algumas palavras, um ano depois da apresentação, nesta Fundação, do que é o maior prémio de Jornalismo no país e um dos maiores a nível internacional, iniciativa pioneira da Fundação Ilídio Pinho que saúdo, em particular na pessoa do seu fundador, Eng.º Ilídio Pinho.

Esta iniciativa merece justo relevo e apreço – e por isso teve desde a primeira hora o apoio (certamente modesto) do Sindicato dos Jornalistas – sobretudo pela contribuição decisiva que veio dar para que os jornalistas se empenhem mais e com mais qualidade na sua missão profissional, aliás cada vez mais exigente e com novos e cada vez mais complexos desafios, especialmente em domínios como a informação e a divulgação científica.

Já pertence à pré-história do Jornalismo a notícia da descoberta científica ou da inovação tecnológica como se de uma curiosidade de circo se tratasse, pois é manifesto que os média e os jornalistas têm prestado um papel insubstituível na disseminação do conhecimento científico e tecnológico, na informação sobre o conteúdo e as vantagens de inúmeras descobertas e suas aplicações nos processos industriais e na vida prática dos cidadãos.

Os média e os jornalistas apresentam-se também como mediadores de importantes debates e reflexões sobre a natureza e o alcance das descobertas e inovações, os seus riscos potenciais, bem como os problemas que levantam em domínios como a ética, sem esquecer a contribuição para a democratização desse debate e para levar à incomensurável e profundamente heterogénea comunidade dos cidadãos o esclarecimento que a torne mais consciente tanto dos proveitos como da complexidade das suas consequências.

Um conjunto cada mais significativo de jornalistas tem evidenciado uma grande capacidade para assumir essa responsabilidade de mediação entre a comunidade científica e o público. Muitos profissionais constituem-se testemunhas da inovação e da transferência de conhecimentos e de métodos, ao mesmo tempo que desempenham um relevante papel de agentes de educação para a Ciência, sem perder o sentido da sua missão de escrutínio dos problemas da aplicação das descobertas.

Por conseguinte, tanto o público (crescentemente mais qualificado e informado, em função do aumento da escolarização e da oferta de informação especializada), como a comunidade científica (mais aberta à divulgação dos seus saberes e mais exposta à curiosidade e interesse dos cidadãos) passaram a encarar com maior exigência – e seguramente com menor benevolência – o trabalho dos jornalistas nesta área.

Porém, nem sempre os profissionais dos média estão à altura dos extraordinários desafios colocados pelo ritmo, pela intensidade e pela complexidade da divulgação das “novidades científicas”, sobretudo num sistema comunicacional que tem vindo a acentuar a tendência mercantil para a precipitação noticiosa e a cair nas armadilhas de alguma superficialidade e mesmo de menor cuidado na descodificação do material informativo original.

Trata-se de um exercício arriscado, sobretudo quando os jornalistas dispõem de escassas horas para interpretar a natureza e o alcance desta ou daquela descoberta e para as tornar compreensíveis para o público que servem – por definição heterogéneo – e sem traírem as expectativas dos destinatários mais qualificados e até especializados.

De facto, os jornalistas são frequentemente convocados a decifrar e tornar explícita em poucas horas para o comum dos mortais elementos de novidade científica que só académicos com longo estudo e empenhada perseverança estão capazes de descodificar em tempo útil, embora isso não signifique que sejam sempre capazes de a tornar compreensível para a generalidade dos cidadãos.

Estes problemas acentuam a urgência de tornar o jornalismo mais capaz de responder a tais desafios, o que implica uma reflexão acerca das práticas profissionais e até das próprias opções editoriais – por exemplo, evitando a precipitação noticiosa e a obsessão da concorrência e privilegiando o tratamento mais aprofundado e cuidado dos temas.

O Prémio que hoje voltamos a celebrar, pelo elevado padrão de exigência colocado na avaliação dos trabalhos concorrentes, é uma contribuição muito positiva nesse mesmo sentido, por mostrar que vale a pena apostar no tratamento cuidado dos assuntos, ao mesmo tempo que evidencia a vantagem da especialização – pelo menos progressiva – dos jornalistas.

É aliás nesse sentido que o Sindicato dos Jornalistas, directamente, ou através do Cenjor – Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas, ou através de parcerias com instituições de ensino superior e de especialistas reputados em várias áreas, tem procurado estimular a formação especializada, inclusivamente pós-graduada, contribuindo para que os jornalistas sejam interlocutores mais competentes e capazes junto das suas fontes e mediadores mais eficazes junto do público,

Este desafio permanente para o Sindicato dos Jornalistas e as ideias e acções que tem em preparação não terão êxito se continuarem a suportar-se quase exclusivamente no esforço individual dos jornalistas, que tantas vezes enfrentam dificuldades nas suas redacções para frequentar acções de formação, cursos de especialização ou formação pós-graduada.

Nesse sentido, é imperiosa uma aposta participada – pelos jornalistas, é certo, mas também pelas empresas jornalísticas e pelas instituições de ensino – no sentido da formação dos jornalistas ao longo da vida e da especial capacitação em certas áreas vitais, nomeadamente as relacionadas com a cultura científica.

De facto, a Ciência é uma das áreas nas quais o SJ está a intensificar a sua colaboração com o Cenjor, desenvolvendo um programa ambicioso que passa também pela Cultura, Justiça, Saúde, Economia e Finanças, Desporto, Educação e Defesa e Segurança, entre outras.

Trata-se de uma contribuição a que nos obrigamos, contribuindo para tornar os jornalistas cada vez mais capazes de assumirem as suas complexas responsabilidades perante a comunidade que servem.



Disse.



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