Entrevista hans joesting



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Encontro24.07.2016
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Entrevista HANS JOESTING
- A nossa escola sempre teve uma posição muito conservadora, ela era vista como um Escola de filhos de papai, etc. Mas desde a gestão do Puggina começou a haver uma ebulição e inserção maior na política universitária. Desde então houve um grupo representativo da Escola, bem ativo. Tivera pessoas, inclusive da minha sala, que fizeram parte dos quadros da UEE. Da UNE não teve ninguém que eu me lembre, até pelo regime da Escola ser muito puxado, não havia condições para participar das atividades estudantis no âmbito da UNE.

Depois, na seqüência, veio a gestão do Eduardo Suplicy, em que nós seguimos uma linha muito bacana, porque nós participávamos ativamente, sem se engajar em nenhuma corrente partidária. Nós lideramos uma corrente, bem forte, chamada a Corrente dos Independentes.


- Na gestão do Suplicy nós continuamos com um movimento muito bacana, porque nós nos engajamos, mas não nos aliamos nenhuma corrente política. Nós formamos, junto a outras Faculdades uma corrente chamada corrente dos independentes. Era uma corrente bem forte, da qual faziam parte Escolas bem representativas e que foi liderada pela EAESP”
- O Golpe esvaziou o movimento universitário. E quando eu assumi a gestão do Centro Acadêmico, o que houve foi um igual esvaziamento da entidade. Nós ainda participávamos de reuniões da UEE, que à época eram escondidas. Elas aconteciam ora na USP, ora na casa de alguém e nelas nós produzíamos manifestos para serem publicados em jornal”
- A política do ministro da Educação, Suplicy de Lacerda conseguiu esvaziar o movimento estudantil. Nada mais restava. Na gestão do Suplicy houve um movimento cultural muito forte, com muitas peças de teatro. Até isso foi esvaziado posteriormente, na minha gestão. Não havia interesse dos alunos, assim como o engajamento político da Escola passou a ser muito pequeno, ninguém mais se interessava por política universitária.

É justamente nessa época que entra em vigor a lei Suplicy de Lacerda, que impõe a conversão dos Centros Acadêmicos em Diretórios Acadêmicos. Mas nós não mudamos não. A minha gestão não acatou a lei e eu não sei quanto tempo depois se deu a conversão”


- Àquela época realmente não havia condições de se fazer passeatas, grandes mobilizações, o que era possível, que nós fazíamos, mas que depois morreu também, eram os manifestos contra a política do então ministro da educação. E foi feito um manifesto muito forte, eu me lembro, que até o Estadão publicou. Mas publicou cortando pedaços e nos chamando de comunistas”
- Havia um grupo na Escola de extrema direita, pró-Mackenzie, eu não me lembro o nome. Mas, embora fosse um grupo forte, nas urnas nós ganhávamos. Mas nesse sentido, havia sim uma polarização política bem clara entre os estudantes da Escola.

- Uma das coisas marcantes foi que a Escola nunca pressionou coisa alguma em relação ao Centro Acadêmico, nem na época do Golpe, nem quando o Ignacinho realizou o plebiscito, enfim, nós sempre desfrutamos de muita liberdade. O relacionamento entre o Centro Acadêmico e a direção e corpo docente da Escola sempre foi muito boa.


- Na minha gestão nós fizemos uma pesquisa entre o corpo discente para mostrar a opinião dos alunos em relação à qualidade do corpo docente da EAESP.
- A grande fonte de renda do Centro Acadêmico era o CPV, o cursinho pré-vestibular. Esse foi o grande manancial durante algumas gestões.
- A política do CAAE em relação ao corpo discente era focada nos eventos culturais, com peças de teatro, nós procurávamos também organizar festas, mas isso também foi esvaziado pela falta de interesse dos alunos no pós-Golpe. Nós entrávamos em contato com o teatro, que nos disponibilizava uma cota dos ingressos, e nós éramos responsáveis por vendê-los. Nós os vendíamos por preço promocionais para incentivar a participação dos alunos. No tempo do Eduardo havia debates depois das peças, dos shows. Depois na minha gestão isso sumiu.

- O foco durante a minha gestão foi interno, investimos no relacionamento entre corpo discente e docente. O Golpe conseguiu tirar a força dos estudantes e o esvaziamento foi total. Nós não tínhamos sede da UEE, não havia condições para isso, nem sentido. A repressão era forte, de que forma você levantaria uma bandeira a favor da democracia e das liberdades, de que forma você organizaria uma marcha?


- Eu me formei mais tarde do previsto, tive alguns probleminhas na Escola, alguns, acredito eu, em função daquele seminário que nós organizamos consultando os alunos sobre os professores. Toda Escola tem os professores mais queridos, e os menos queridos, os melhores e os não tão bons.

Quem foi o cabeça da organização do seminário, que quis apresentá-lo comigo foi o Zé Carlos, que era u dos diretores do Centro Acadêmico, que depois foi para a França.

Um dos professores que foram avaliados, não vou dizer o nome, não gostou do resultado da avaliação, porque ele não se saiu bem, embora ele fosse muito querido entre os alunos. E ele não teve dúvidas, se levantou durante o seminário e disse que até aquela data ele se considerava amigo meu, amigo do Zé Paulo, e depois do seminário ele não nos dirijia mais a palavra. E a avaliação dele não tinha sido muito ruim, não tinha sido brilhante, mas não foi tão ruim.
- Tinha principalmente um professor que era muito fraco. Eu acho que depois disso ele até melhorou, mas eu fui prejudicado por causa dele, eu não tenho a menor dúvida. Porque para me formar no semestre seguinte, eu estava dependendo de uma matéria optativa. E eu tive um atrito com esse professor em sala de aula e acabei abandonando o curso no meio e refazendo essa matéria. Mas por amigos meus que continuaram fazendo essa matéria, me disseram que houve sim uma melhora do professor em função do seminário.
- O diretor da Escola durante a minha gestão era o Gustavo de Sá e Silva, uma pessoa que tinha muita consideração com os alunos.

Até então as mensalidades da EAESP eram muito baratas, e nesse ano a Fundação Getulio Vargas resolveu dar uma alavancada no valor das mensalidades. E eu tive uma reunião com o prof Gustavo e ele me disse, me assegurou que quem não pudesse arcar com a aumento, teria bolsa,. Que ninguém ali ficaria sem estudar. Então teve uma assembléia, nós concordamos com o corpo docente, e aconteceu justamente o que o professor disse que aconteceria, ninguém ficou de fora.


- A experiência foi muito boa. Ter ficado a frente de um Centro Acadêmico, mesmo que esvaziado, foi um desafio no sentido de incentivar as pessoas e fazer aquilo a que você se propôs.

Mas a experiência maior foi de saber lidar comas pessoas, de ser mediador, sentir os dois lados e buscar o equilíbrio.


- O seminário que foi realizado avaliando os professores foi marcante, porque foi a primeira vez que isso aconteceu. E eu sei que essa pesquisa permaneceu, não sei se nos mesmos moldes, mas a partir daí passou a ter consulta dos alunos em relação aos professores. De imediato alguns professores ficaram retraídos, outros melhoraram, os bons continuaram cada vez melhores. A médio prazo.
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