Entrevista wladimir antonio puggina



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Encontro24.07.2016
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Entrevista WLADIMIR ANTONIO PUGGINA

 O período em que presidi o Centro Acadêmico, foi a época da inserção do C.A. no âmbito da política estudantil. Até então, o Centro Acadêmico era voltado para atividades internas, sociais, culturais, não tinha nenhum viés político. Com isso, foi uma coincidência eu ter um irmão que era presidente do Centro Acadêmico de Economia da USP e, em função dele, passei a observar atentamente a política estudantil. Quando entrei na Fundação, na EAESP, eu logo me inseri nisso. Eu e o Eduardo Suplicy. Nós éramos os representantes dos alunos no início do movimento estudantil, neste período muito fértil para a política praticada pelos estudantes. A Escola se inseriu, se adaptou rapidamente a esse novo panorama.


 Naquela época, não havia muito debate político dentro da Faculdade, nem grandes linhas ideológicas. A Escola era razoavelmente formada por uma linha que era chamada de conservadora, mas que nós usávamos o termo independentes. Porque nessa época já havia no movimento estudantil externo à Escola a AP e um pessoal do PC ligados à política estudantil bastante ativos.

No início, nós não tínhamos grandes debates, mas já tínhamos a presença de alguns elementos da AP, não de uma forma bastante atuante como grupo, mas já existia.

Nós participávamos dos Congressos da UNE, teve o famoso Congresso de Quitandinha, foi um período agitadíssimo. E no âmbito da política estudantil estadual, foi a primeira vez que nós conseguimos colocar um estudante na vice-presidência da UEE, o Ronald de Carvalho, por indicação do grupo que participávamos no Centro Acadêmico.

 Após o movimento de 1964, a política estudantil se arrefeceu, só voltando, até com maior força, por volta de 1968.


- Foi na minha gestão que se inicio com peso a inserção do Centro Acadêmico na política estudantil.

- A luta do Centro Acadêmico era muito mais interna do que no a nível de política estudantil. Essa luta, que já vinha de outras gestões, era para tentar representação discente nos órgãos colegiados. E essa representação se deu em duas etapas, a primeira, como quase ouvintes, participando da Congregação, mas sem direito a voto. E depois com direito a voto. Esse era o grande pleito do alunos.


 Durante a minha gestão, o Eduardo Suplicy foi Diretor de Cultura. O vice-presidente era o Franco Fracaroli. E o Eduardo foi o meu sucessor na presidência, então foi durante sua gestão que se deu o episódio do primeiro semestre de 1964. No C.A., bem como em todo o país, acorreu um reflexo das mudanças generalizadas. Passou-se a questionar a esquerda.

 A Escola e os professores sempre tiveram uma mentalidade muito aberta. Uma mentalidade muito receptiva à participação dos alunos. Nunca foi uma relação de desgaste. Eles sempre estiveram ao lado dos estudantes e de seus representantes, ou seja, do C.A..


 A Escola era toda muito diferente, e não só fisicamente. As salas era pequenas, numericamente falando, os professores conheciam todos os alunos pelo nome, era um relacionamento mais próximo, pessoal mesmo. O C.A. tinha uma área muito pequena, só tínhamos uma mesa de pebolim. Mas esse fato de ser pequeno tinha suas vantagens. A gente interagia muito entre nós, entre a turma, éramos muito próximos. Falando nisso, a turma era composta por quase uma totalidade de homens, só havia uma mulher, uma!
 O C.A. era autônomo em relação à Escola. De início, montaram um cursinho pré-vestibular como forma de gerar receita. Quando entrei no C.A., o cursinho dava prejuízo, tivemos de sanar as dívidas, colocar as coisas no azul. A fonte de renda do Centro Acadêmico vinha d contribuição dos alunos.
 O relacionamento entre nosso C.A. e outros sempre foi muito cordial, mas nunca intenso. Nunca foi muito profundo porque, nessa época, as pessoas nem sabiam o que era Administração, além do pessoal da Economia não gostar da gente. Era um C.A. pequeno, com poucas pessoas, começando a crescer ainda, não tinha um peso relativo muito grande.
- O fato marcante foi essa inserção do CAAE no movimento estudantil, porque era uma época muito tumultuada, às vésperas da Revolução de 64.
- Se fizer uma comparação do movimento estudantil hoje perto do que ele foi, hoje ele não é nada.
 Aprendi demais com a experiência do C.A.. Primeiramente, porque aprendi a trabalhar em equipe, saber conciliar interesses, estabelecer metas. Foi um processo de amadurecimento político, de tomar partido das coisas. O relacionamento com os professores também foi impagável. Cresci muito profissionalmente, aprendi muito mesmo. Eu, para falar a verdade, sou um produto da Escola. Se existe alguém que é produto da Escola sou eu. Fui aluno, monitor, prestei concurso, cheguei ao cargo de professor titular, faz 40 anos que estou envolvido com a FGV.

Me ajudou muito na minha formação profissional, no cargo que eu vim a exercer posteriormente, como executivo de empresa. Eu diria que o amadurecimento político foi muito grande. Pessoas tinham que se posicionar e refletir sobre as coisas. Esse foi um aspecto relevante.



Minha vida profissional e pessoal é conseqüência direta da importância do que eu aprendi na Escola. E o Centro me propiciou uma interação muito maior com os professores.


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