Entusiasmo tardio (a história do primeiro ginásio público de sorocaba no contexto da educaçÃo brasileira)



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ENTUSIASMO TARDIO (A HISTÓRIA DO PRIMEIRO GINÁSIO PÚBLICO DE SOROCABA NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA)
Julio Cesar Gonçalves - Universidade de Sorocaba (Uniso)
Resumo: O objeto desta pesquisa é o primeiro ginásio estadual de Sorocaba, Instituto de Educação Dr. Júlio Prestes de Albuquerque, no contexto das transformações pelas quais passa o país durante a Primeira República (1891-1930). O Estadão, como a escola é conhecida, poderia ser descrito como fruto do entusiasmo pela educação, uma das duas manifestações que marcaram os debates sobre a instrução escolar brasileira nesse período e caracterizada pela crença de que somente com a disseminação de escolas seria possível incorporar mais camadas da população ao progresso nacional. Entretanto, a escola é de 1927, quando a outra manifestação, o otimismo pedagógico, iniciava seu apogeu. A convicção de que com determinadas formulações doutrinárias sobre a escolarização seria possível formar o novo homem brasileiro, uma necessidade do emergente modelo econômico, ganhava o centro dos debates nacionais, enquanto Sorocaba, um núcleo urbano industrializado, ainda debatia a demanda por um ginásio público.

O objetivo deste estudo, assim, é compreender essa contradição a partir do estudo das transformações operadas no modo de produção da sociedade sorocabana com o início da industrialização, bem como das ingerências políticas que permearam a origem daquela escola.


1. INTRODUÇÃO

Fundada em 1928, a atual Escola Estadual Júlio Prestes de Albuquerque, primeiro ginásio público de Sorocaba, surgiu quando a educação brasileira começava a viver o apogeu do chamado otimismo pedagógico, período em que ganha força a convicção de ser possível formar o novo homem brasileiro a partir de uma nova doutrinação nos bancos escolares. Essa possibilidade vinha ao encontro das necessidades geradas pelas idéias urbano-industriais que ganhavam terreno na política e na economia, colocando em xeque o modelo agrícola-exportador que a República café com leite – alusão à alternância de paulistas e mineiros no poder republicano – representava muito bem.

Contudo, a fundação do “Estadão”, como a instituição é popularmente conhecida na cidade, é obra típica de outro ideal que marcou os primórdios da educação escolar brasileira no início do período republicano: o entusiasmo pela educação, crença de que somente com a disseminação de escolas seria possível incorporar mais camadas da população ao progresso nacional e que vivera seu apogeu quase uma década antes.

Esse mesmo descompasso é perceptível também no campo socioeconômico: quando a Escola Estadual Julio Prestes de Albuquerque foi implantada, o sistema de produção na economia sorocabana tinha assimilado, num processo iniciado anos antes, quase que plenamente a nova face que o capitalismo estava assumindo nos países periféricos: Sorocaba já era uma cidade industrial, com uma população expressiva, urbana, com uma burguesia estruturada, operariado organizado; enfim, reproduzia o contexto econômico sob o qual aflorou o ideário escolanovista no Brasil no início da década de 30 “A clarinada liberal precisa ser combinada com duas ordens de ocorrências. De um lado, com a passagem do sistema agrário-comercial para o sistema urbano-industrial, que se vai processando no tempo; de outro lado, rompem-se os alicerces da sociedade estamental e estruturam-se as bases de uma sociedade de classes”, observa Jorge Nagle ao analisar as correntes de idéias que caracterizaram a educação na Primeira República (Nagle, 1976: 97).

Teria a cidade que antecipou o modelo econômico assumido pelo país ficado à reboque dos debates nacionais para que a escola formasse o homem ideal para o novo modelo? Essa é a questão que se tentará responder.
2. ECONOMIA

Pioneira na industrialização de São Paulo – foi na cidade que se implantou a primeira fábrica de tecidos no Estado, em 1851 – Sorocaba entrou na década de 20 como um dos maiores redutos da indústria têxtil paulista. E foi por aí que a nova face do capital tornou-se mais visível. “A instalação da indústria têxtil envolve, portanto, uma nova rearticulação do capitalismo a nível internacional, significando que nas economias capitalistas desenvolvidas as indústrias de bens de produção mecânica e siderúrgica assumiam a dianteira no processo de acumulação, redefinindo assim uma nova divisão internacional do trabalho”, afirma Maria Alice Rosa Ribeiro (Ribeiro, 1986:15/16 ).

Mesmo autores que não abraçam completamente a tese de substituição de uma elite agrícola por uma burguesia industrial, como é o caso de Sergio Silva – a acumulação de capital obtida com o café, diz ele, tornou os próprios cafeicultores, sobretudo imigrantes, os principais beneficiários do novo modelo - concordam com a predominância do setor têxtil nos primórdios da industrialização nacional. “A especialização do capital industrial brasileiro aparece de modo mais preciso quando consideramos as empresas mais importantes. Em 1907, todas as empresas com mil contos de capital estavam no setor de bens de consumo, em particular nos setores de fiação e tecelagem” (Silva, 1986: 107). Em 1920, mais de 85% do valor da produção industrial estavam nesse setor, sendo que a indústria têxtil ocupava o segundo posto, com 27% do total, perdendo apenas para os produtos alimentares, que abocanhavam 32,9%, mas estavam capilarizados pelo país.

Mais do que isso, estava se iniciando o processo de transferência da dependência brasileira para outro país do capitalismo central: “A partir de 1920, o Brasil se surpreendeu com o próprio perfil. A antiga predominância do capital inglês na economia brasileira – embora se mantivesse no campo financeiro – dera lugar ao poderio dos Estados Unidos, agora fornecedor de 28% das importações brasileiras e investidor em novos setores econômicos, como o de derivados de petróleo e de montagem de veículos” (Rodrigues, 1977: 21)

Além de evidenciar a transição pela qual passava o capitalismo brasileiro, a indústria têxtil exibia outras peculiaridades: estava concentrada em algumas regiões do país – São Paulo e Rio de Janeiro, sobretudo. E sua produção igualmente concentrava-se em poucas empresas: com base em uma estatística que começou a ser divulgada no final dos anos 20 pela Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio do Estado, Rosa Ribeiro (1986) aponta que, entre 1928 e 1930, 82,67% do operariado e 78,31% do capital estavam em grandes empresas, assim considerados os estabelecimentos que empregavam mais de 100 pessoas e tinham capital superior a mil contos.

Nesse processo, Sorocaba ocupa lugar de destaque. Somente em três fábricas - Estamparia, Santa Rosália e Santa Maria - nas quais tinha alguma participação o inglês John Kenworthy, que veio ao Brasil em 1878 montar uma indústria em Minas Gerais e acabou ficando por aqui, empregava-se 8% do operariado em fiação e tecelagem de todo o Estado. Dos fusos e teares elas detinham, respectivamente, 12% e 11% do que havia em São Paulo, segundo Rosa Ribeiro.

As condições naturais também facilitaram a industrialização em sua fase inicial. Como constata a mesma autora, observando a predominância de fazendeiros de algodão ou café entre os fundadores das primeiras indústrias, as fábricas localizavam-se predominantemente nas zonas produtoras de algodão do interior do Estado, em cidades como Sorocaba, Salto, Itu, Tatuí, etc. “A grande disponibilidade de recursos hídricos e de quedas d’água na região sorocabana exerceu, por sua vez, forte influência na localização das primeiras fábricas, por facilitarem a obtenção de energia, através da construção de usina hidroelétrica” (Ribeiro, 1986: 41).

A singularidade da economia local manifestara-se já no Império, quando a cidade notabilizou-se pelo seu mercantilismo, tendo ganho fama por suas “Feiras de Muares”, que fizeram dela um centro de referência para a compra e venda de animais transportados por tropeiros do Sul para o Centro do País. “De uma maneira geral, as atividades mercantis de fazendas secas e de gados estavam nas origens das principais fortunas sorocabanas. (...) À diferença de outras vilas do oeste paulista, Sorocaba dispunha de um rentabilíssimo Registro (de animais) que seria fruto de intensas disputas entre grupos rivais de comerciantes locais”, pondera Carlos de Almeida Prado Bacellar em uma obra na qual procura retratar a vida na Sorocaba colonial, entre os séculos XVIII e XIX (Bacellar, 2001: 121).

Por volta de 1820, observa ele, sem abrir mão de suas atividades, os negociantes buscavam vínculos com a lavoura açucareira. No final daquele século, era a ligação do comércio com a produção de algodão a principal atividade de acumulação de capital. “A economia mercantil sorocabana expande-se de um mercado interno (nacional) com os negócios das feiras de muares, para a exportação do algodão, conseguindo, assim, a ascendência de uma burguesia comercial ou mesmo agrário-comercial que não havia se destacado anteriormente dentro do tropeirismo”, constata Paulo Celso da Silva em estudo sobre o período (Silva, 2000: 58).

Uma certa mentalidade urbana e industrial, ancorada segundo Cássia Maria Baddini em uma política municipal pautada na garantia de privilégios aos residentes no município e na obtenção de renda sobre o comércio especulativo de comerciantes não domiciliados na região – donos das tropas negociadas nas feiras, submetidos a fortes taxações - marcou a economia sorocabana desde meados do século XIX:

A regularização do espaço urbano nas últimas décadas, inclusive para condicionar a passagem e parada de tropas, as melhorias implementadas e a regulamentação dos usos da cidade apontavam para um modelo racional de vida urbana. A ferrovia era o grande símbolo dessa perspectiva, estimulando iniciativas ousadas de setores urbanos no caminho da industrialização. Não foi por acaso que o mesmo grupo que instalou a Companhia Sorocabana em 1870 organizou, no ano seguinte, uma sociedade anônima denominada “Indústria Sorocabana” para criação de uma grande fábrica de tecidos” (Baddini, 2002: 269).
Também não por acaso, em 1904, durante uma festa pela construção da barragem do Rio Sorocaba para a usina de energia elétrica, a cidade ganha o apelido de Manchester Paulista, numa alusão à cidade têxtil inglesa, pois além de concentrar quatro fábricas de grande porte, Sorocaba era expressiva importadora de maquinário da Inglaterra.

Por tudo isso, constata-se que a implantação do primeiro ginásio público sorocabano encontra, sob a ótica da economia, já reproduzidas as condições do capitalismo com um novo perfil, com seus antagonismos e contradições. Não só quanto às forças produtivas, mas também no que diz respeito às relações de produção: se no início do século XX Sorocaba era chamada de Manchester Paulista, em meados da década de 20 do mesmo século, o imaginário fabril, segundo Paulo Celso da Silva, a reconstruía como uma Moscou Brasileira: a organização operária chega a ser acusada, por alguns historiadores, como responsável pelo ligeiro declínio da economia têxtil local nos primeiros anos do século XX.

A oposição capital e trabalho, portanto, também fica explícita nesse período. Em 1919, o Centro de Industrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo passa a adotar uma medida de controle do operariado já empregada em Sorocaba. “Nas fábricas sorocabanas todos os operários antes de se apresentarem ao emprego passavam pela Delegacia Regional de Polícia para a elaboração de sua ficha”, relata Maria Alice Ribeiro, observando que em telegrama enviado à redação do jornal d’A Plebe, um grupo de operários denunciava a prática, protestando porque “até o final do mês estarão concluídas 6 mil fichas que serão encaminhadas ao Gabinete de Investigação da Capital que, por sua vez, dirá se há alguma coisa que abone o identificado” (Ribeiro, 1986: 89).

Essa situação era facilitada pela característica urbana de Sorocaba, uma das 265 cidades brasileiras que na época contabilizavam mais de 30 mil habitantes 1 Como mostra Elina O. Santos, se em 1920 a população rural e urbana estavam em equilíbrio, pouco mais de uma década depois o total de moradores na cidade passava já dos 57%2 Essa crescimento demográfico e crescente urbanização também dirigiram as transformações das instituições, de acordo com análise de Florestan Fernandes:

Os novos habitantes traziam consigo outros estilos de vida, transplantados de diferentes regiões do país ou de terras estrangeiras. Contudo, os antigos moradores ou grupos leais a seus interesses e a seus valores sociais conseguiam manter as posições dominantes na estrutura do poder. (...) O sistema institucional se renova sob a interferência persistente de forças conservantistas, que operavam principalmente através da família, da igreja e do governo. No entanto, a proletarização dos moradores pobres, nativos ou estrangeiros, concorria para intensificar os efeitos da urbanização na desintegração cultural (Fernandes, 1975: 304).
3. OTIMISMO E ENTUSIASMO

É nesse contexto sócioeconômico, portanto, que surge o primeiro ginásio público sorocabano. Trata-se de uma época em que a escolarização ainda era concebida, segundo Jorge Nagle, como a mais eficaz das alavancas da História brasileira. E esse processo, observa ele, comporta dois momentos distintos.

Enquanto o tema da escolarização era proposto e analisado de acordo com um amplo programa desta ou daquela corrente ou movimento, ele servia a propósitos extracurriculares ou extra-pedagógicos; era uma peça entre outras, peça importante, sem duvida, mas uma peça importante justamente pelas suas ligações com problemas de outra ordem, geralmente problemas de natureza política. Nesse momento, a escolarização era tratada por homens públicos e por intelectuais que, ao mesmo tempo, eram “educadores”, num tempo em que os assuntos educacionais não constituíam, ainda, uma atividade suficientemente profissionalizada. Apenas na década final da Primeira República a situação vai ser alterada, com o aparecimento do “técnico” em escolarização, a nova categoria profissional; este é que vai daí por diante tratar, com quase exclusividade, dos assuntos educacionais” (Nagle, 1976: 101/102).
Ocorre que em Sorocaba, a implantação do ginásio não foi fruto de um debate entre técnicos e, sim, resultado de uma disputa política. Manifesta-se, também aí, o entusiasmo tardio que fez nascer essa instituição escolar.

Ainda que seja impossível precisar, cronologicamente, quando um momento começa e outro termina – mesmo porque, é possível observar simultaneidade entre ambos - há entre os historiadores da Educação um certo consenso de que nos anos finais da República Velha o otimismo pedagógico prevalece nos debates sobre escolarização. Nagle resume bem o que sejam esses dois movimentos:

Enquanto o entusiasmo pela educação se manifesta pela alteração de um ou outro aspecto do processo e, especialmente, pelo esforço em difundir a escola (modelo) existente, no otimismo pedagógico pretende-se a substituição de um modelo pelo outro. Por essa razão, o entusiasmo pela educação se realiza com os movimentos reformistas e o otimismo pedagógico realiza-se com os de remodelação” (Nagle, 1977: 264).
Pedagogicamente, também é possível fazer distinção entre os dois momentos. Conforme Paulo Ghiraldelli Jr., até meados dos anos 20 do século retrasado, reinou a Pedagogia Tradicional, compostas das teorias pedagógicas modernas americanas e alemãs embasadas no herbartismo, pedagogia do filósofo alemão Johann Friedrich Herbart, cujo método eram os cinco passos formais de instrução, rapidamente transformados num método natural de dar aulas. Ela partia do princípio da indissolubilidade entre educação e instrução e foi paradigma da Pedagogia Laica. O segundo se caracteriza pela Pedagogia Nova, resultado de experiências em solos educacionais europeus e norte-americanos. Ela teve em John Dewey seu principal expoente e enfatizou os métodos ativos de ensino-aprendizagem, que adotava trabalhos em grupo e incentivava a prática de trabalhos manuais nas escolas.

O que permeia ambos, ainda que não explicitamente, é a utilização da escola como instrumento à serviço do capital, como nota Lúcia Maria Wanderley Neves,

A grande indústria passa a impor, dessa maneira, a formação de um novo tipo de homem. A ela não mais interessa aquele intelectual contemplativo das elites ou mesmo o artífice já mutilado pela manufatura. (...) Nesse sentido, pode-se afirmar que o século XX já se inicia com a necessidade de requalificação da força de trabalho, especializada ou não, uma vez que, na produção de base científica, a habilidade do trabalhador-artífice, ao ser incorporada ao instrumento de trabalho, passa a demandar do trabalhador urbano-industrial novas capacidades de trabalho (Neves, 1999: 18).
4. A DISPUTA POLÍTICA
Na Sorocaba de fins dos anos 20 a política estava polarizada entre os apoiadores do senador Luiz Vergueiro e um grupo de oposicionistas que clamava pela renovação de quadros do Partido Republicano Paulista, o PRP, e, conseqüentemente, do poder político local, já que a democracia da época estava assentada num único partido, cujos interesses se fragmentavam. E Sorocaba reproduzia fielmente o que acontecia no país.

Como relata Rodrigo Prado Sá Motta, a República encontrou o Partido Republicano, que já não havia tido participação determinante em sua implantação, tão desestruturado como estava durante o tempo do Império. “Desta forma, acabou por se consolidar uma estrutura partidária absolutamente regional, cada estado da Federação tendo o seu PR (Partido Republicano) próprio. Porém, o regionalismo extremado não foi a única característica negativa dos partidos republicanos, nem a pior. Eles se transformaram em verdadeiras oligarquias, dominando o poder sem deixar qualquer espaço para outras forças. Surgiu um sistema de partido único em todos os estados, caracterizado pela ausência quase absoluta da competição partidária. O partido oficial sempre ganhava as eleições, mesmo porque dificilmente apareciam concorrentes dispostos a disputar. A competição real ocorria no interior dos PRs, entre facções disputando o controle da “máquina” partidária. Ser indicado pelo partido como candidato a presidente estadual significava já estar eleito e, portanto, a luta efetiva era travada antes das eleições” (Motta, 1999: 52/53).

No final dos anos 20, o vergueirismo – como se chamava a corrente formada em torno de Luis Pereira de Campos Vergueiro – descendente de uma família fortemente identificada com os interesses da oligarquia rural - completava quase duas décadas de mando no poder político local. Como relata o historiador sorocabano Aluisio de Almeida, a ascensão dessa corrente foi uma continuidade ao grupo político que iniciou o século XX no poder local. “Residindo em São Paulo, o deputado e logo senador Nogueira Martins tinha um secretário aqui, feito intermediário. Aos poucos foi abandonando a direção a Vergueiro, Pires, José de Barros e outros. Vergueiro foi chefe principalmente desde que em 1911 se elegeu deputado, até 1926” (Almeida, 2002 369). Na verdade, os vergueiristas só foram apeados do poder nas eleições de 1928.

Luiz Pereira de Campos Vergueiro pertencia à terceira geração de descendentes do imigrante português Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, que teve uma importante participação na política durante o Império. Segundo Nelson Werneck Sodré, ele foi “um dos próceres da Independência do Brasil e da Revolução de 1831, foi desde a primeira metade do século XIX, em condições adversas, uma das figuras eminentes entre as que, aqui, possuíam um pouco daquele espírito do capitalismo, que caracteriza o burguês...” (Sodré, 1976: 91).

Por sua vez, o grupo antivergueirista era formado principalmente por comerciantes e pequenos empresários, tendo o farmacêutico João Machado de Araújo como a principal liderança, que se aliaram a Julio Prestes de Albuquerque, então presidente da Província, para desalojar o vergueirismo. Prestes apoiava tão abertamente os antivergueiristas que, segundo efeméride publicada em um jornal local, pedia-lhes “que combatessem o vergueirismo, prometendo que nos daria um ginásio, uma escola normal e uma escola profissional” 3 De fato, um ano depois de implantado o Ginásio Municipal – então como escola privada - começa a funcionar em Sorocaba a Escola Profissional Fernando Prestes, que ganha força atuando em cooperação com a Estrada de Ferro Sorocabana. Segundo estudiosos locais, teria sido o embrião do Senai, pois deu sustentação à Roberto Mange na implantação, em 1934, do Centro Ferroviário, de quem a escola profissionalizante mantida pelas indústrias herdaria “conceitos, técnicas e métodos, além dos valores humanos incorporados a seu quadro pessoal”4
5. SOROCABA E A EDUCAÇÃO

Até a fundação do Ginásio Municipal Sorocabano, em 13 de janeiro de 1928, Sorocaba teve muitos ginásios. Mas todos abriam e fechavam com certa rapidez. Em 1887, a Câmara Municipal chegou a implantar um Liceu Municipal, que durou pouco. Outra tentativa, esta já sob o período dominado pelos vergueiristas, foi feita em 1909, com a criação do Ginásio Sorocabano, fechado três anos depois, em virtude da Lei Rivadávia que, conforme observa Otaiza de Oliveira Romanelli, significou um verdadeiro retrocesso. “Outras reformas se seguiram a essa”, diz ela em referência à proposta por Benjamin Constant que nem chegou a ser implementada, “mas não lograram acarretar nenhuma mudança substancial no sistema. Algumas delas, como a Lei Orgânica Rivadávia Corrêa, no governo do Marechal Hermes da Fonseca, em 1911, chegaram até a ocasionar um retrocesso na evolução do sistema, em virtude de facultar total liberdade e autonomia aos estabelecimentos e suprimir o caráter oficial do ensino, o que trouxe resultados desastrosos” (Romanelli, 1997: 42). Teria sido aquela escola, fechada por uma decisão do governo central, a única ação dos situacionistas pela educação local, como acusaria a oposição anos mais tarde.

“O ensino secundário em Sorocaba foi sempre deficiente até a década de 1930”, acentua Rogich Vieira no prólogo de uma série de artigos sobre a implantação do Ginásio Municipal5 . As causas podem ser encontradas na tese de Og Natal Menon: “Após a equiparação, em 1895, das Escolas Complementares às Escolas Normais Primárias, houve enorme proliferação daquelas no interior. As primeiras cidades a serem beneficiadas foram Itapetininga e Piracicaba e, tempos depois, São Carlos, Pirassununga, Botucatu e Campinas. Ocorre que o critério para instalação de escolas nas cidades do Interior obedecia, sempre, aos interesses políticos. Em Sorocaba, existiam duas grandes famílias oligárquicas (Machados e Vergueiros) que lutavam entre si pelo domínio político e econômico. 6

Em agosto de 1927, o governo estadual envia o deputado Bernardo Junior para apaziguar as facções do PRP na cidade. Na reorganização partidária feita então, apenas dois vergueiristas conservaram assento na cúpula. Durante a saudação feita ao enviado do governador Júlio Prestes, o vice-presidente empossado na direção local do partido faz, segundo o jornal Correio, um discurso no qual reitera a reivindicação anteriormente feita: “Falou o sr. cel. João Padilha sobre a necessidade que se apresenta, desde há muito tempo em Sorocaba, da criação de uma escola secundária. (...) A fundação em Sorocaba de um ginásio, uma escola normal ou uma instituição profissional é velha e justa aspiração do nosso povo”. Devemos considerar que é um dos problemas mais difíceis para os pais a educação dos seus filhos nesta cidade. Se a família tem recursos e pode mandá-los para fora, as despesas que faz para o custeio dele é considerável, além das preocupações naturais que a separação lhes dá. Muitas famílias sorocabanas têm sido obrigadas a se mudar para outras cidades por esse motivo. Aqui em Sorocaba só há instrução primária e as tentativas particulares para a organização de um curso secundário encontram, como é óbvio, vários empecilhos de ordem material...”. O pedido de uma escola secundária pública foi, portanto, uma das primeiras reivindicações feitas pela nova direção do PRP. E pela justificativa apresentada pelo orador, o estabelecimento seria dirigido às famílias em condições de arcar com custos para os filhos estudarem fora e que, por causa disso, estavam se mudando da cidade.



6. O GINÁSIO MUNICIPAL

Foi ainda sob o período vergueirista que se criou o Ginásio Municipal de Sorocaba. Um projeto apresentado em 1927 pelo vereador Gustavo Schereppel (oposicionista que havia sido eleito dois anos antes, o que se configurou na primeira derrota do vergueirismo na cidade) foi aprovado. Em dezembro, era assinada pelo prefeito Jorge Moyses Betti, ligado ao grupo do Senador Vergueiro, a lei municipal 204 que, em seu artigo 1°, estabelecia: “Fica criado nesta cidade de Sorocaba, um Ginásio Municipal de Sorocaba, mantido pelos cofres municipais, assim como pelos donativos e subvenções que porventura venham a se lhe fazer”. A lei nada fala sobre gratuidade ou não das mensalidades e estabelece o salário dos professores, mas deixa o funcionamento da escola por conta de um regulamento interno a ser elaborado posteriormente. Exige, contudo, que o ginásio adote o programa do Colégio Pedro II. O município disponibiliza no orçamento uma verba de sessenta contos de réis para a manutenção do estabelecimento15 

No início de janeiro de 1928, o Correio traz um comunicado do diretório do Partido Republicano anunciando a instalação do ginásio no mês de fevereiro e antecipando que ele seria oficializado, “isto é, equiparado”, ao Colégio Pedro II. E, em uma nota, alfinetava as “autoridades sorocabanas que não queriam o ginásio”.

A resposta veio no final do mês: em 25 de janeiro, a Câmara Municipal aprova resolução assinada pelo vereador Luiz P. de Campos Vergueiro e outros decidindo suspender a execução da lei 204, ponderando que a dotação orçamentária do município para a manutenção da escola somente poderia cumprir tal finalidade caso houvesse a prometida consignação de uma verba no Orçamento do Estado para auxiliar nas despesas, que deveriam montar a casa dos cem contos anuais, o que não aconteceu. “A verba estabelecida na lei 204 é de sessenta contos de réis, de maneira que ou se verificaria um déficit provável de quarenta contos, que a receita do corrente exercício francamente não pode suportar, ou faria a municipalidade obra incompleta, com inteira probabilidade de não gozar dos indispensáveis favores da lei federal e sujeita a, durante o ano, ficar com seu funcionamento suspenso” 16 

Ainda assim, em fevereiro daquele ano o ginásio abre as inscrições para a primeira turma. Financiado pela oposição, tendo como diretor o farmacêutico João Machado de Araújo e instalado no prédio em que funcionavam as escolas noturnas mantidas pela loja maçônica Perseverança III, o estabelecimento era a resposta da facção oposicionista à atitude da situação. E tinha o apoio de outras instituições, como o Gabinete de Leitura Sorocabano que, tendo em vista o alto preço do material escolar, comprou os livros das principais matérias e os manteve em seu acervo para serem consultados pelos alunos. E ainda criou um prêmio de cinqüenta contos de réis para o aluno pobre que obtivesse a melhor nota.

Os estudantes, além de Aritmética e Português, aprendiam até mesmo Anatomia e Fisiologia Humana. E da primeira turma, composta de 54 estudantes, saíram principalmente futuros médicos, dentistas, advogados, professores, engenheiros...

No dia 30 de outubro de 28, com a realização das eleições municipais, a oposição assume o poder. Os correligionários de Vergueiro, já sabendo de antemão o resultado, vão para um piquenique na represa de Itupararanga, enquanto os antigos oposicionistas fazem festa.

Eleito prefeito, João Machado de Araújo toma posse em janeiro do ano seguinte. E seu primeiro ato foi a lei 209, que estabelece, logo em seu artigo 1°: “É municipalizado o atual estabelecimento de ensino secundário denominado Ginásio Municipal Sorocabano, digo de Sorocaba, que passa, sob a mesma denominação, a ser mantido pelos cofres municipais, assim como pelos donativos e subvenções que porventura venha a ser lhe feita e ainda pelo produto das taxas que forem cobradas nos termos desta lei”. A lei, na verdade, não estipula taxa alguma, e isso mais tarde acabará servindo de pretexto para que o interventor nomeado por Vargas tome medidas consideradas impopulares pelos defensores da escola. Mas deixa claro que o ginásio “adotará o programa do Colégio Pedro II” e que seus diretores serão nomeados pelo prefeito municipal, “podendo a escolha recair num dos membros do corpo docente ou sobre pessoa mesmo estranha, desde que seja de notória competência”18 . Aos docentes fica assegurada a autonomia didática, “dentro dos limites do programa do Colégio Pedro II e das leis que regulam o ensino secundário”. O mesmo decreto cria, anexo ao ginásio, a Escola Normal Livre de Sorocaba, com base em uma lei estadual – 2.269, de 31/12/27 – que reforma a instrução pública no Estado de São Paulo.

Instalado, funcionando e municipalizado, o Ginásio Estadual de Sorocaba e a Escola Normal Pública continuaram no centro dos debates políticos. Em 30, a Prefeitura aluga outro imóvel no centro da cidade – onde hoje funciona um clube social - e inicia um movimento para a construção de um prédio próprio para abrigar as escolas. Escolhe como local o “Jardim dos Bichos”, considerado a principal área de lazer da cidade, e cria nova polêmica. Os alicerces da obra chegam a ser implantados, mas nesse mesmo ano ocorre a Revolução da Aliança Liberal, com Getúlio Vargas assumindo a presidência da República em lugar do eleito Júlio Prestes, os prestistas são afastados e uma junta assume o poder municipal até a nomeação do interventor.7

Nos seis anos decorridos entre a Revolução de 30 e a transferência da escola para o governo estadual, em 1936, a cidade passou por turbulências políticas e o ginásio, com maior ou menor ênfase, sempre esteve envolvido no meio da disputa política.



7. CONCLUSÃO

Como se pode deduzir, embora reproduzisse antecipadamente a nova face do capitalismo no país, a educação escolar sorocabana não acompanhou o ritmo do que ocorria no Brasil. Quando o Ginásio Municipal foi implantado, segundo informação publicada em uma coleção sobre o centenário da República, “o Brasil tinha cerca de 37 milhões de habitantes e só 83.190 desfrutavam do privilégio de seguir o curso secundário. Esses alunos se distribuem por 1.130 escolas, das quais seis são federais, 24 estaduais, dez municipais e 1.090 particulares. O total não inclui os estabelecimentos profissionais, como, por exemplo, o tradicional Liceu de Artes e Ofício”8

O atraso na implantação do ginásio em Sorocaba, que não acompanhou o cronograma de outras cidades do interior menos expressivas economicamente, tem muito a ver com as contradições presentes nas forças políticas locais. Elas não conseguiam se impor pelo que tinham de novo (a antecipação do nascente capitalismo industrial), nem pelo conservadorismo, ainda que sob o domínio de alas ligadas à oligarquia no poder regional. Contraditoriamente, o vergueirismo foi perdendo quadros na cidade exatamente pela reticência em implantar a escola secundária oficial, mediação necessária para o acesso ao ensino superior, pois muitas famílias mais ligadas à ala conservadora deixaram a cidade para que os filhos pudessem estudar. Como atesta o historiador Rogich Vieira, depois de relembrar que a leitura da polêmica sobre o assunto levou-o a concluir que todos na cidade eram favoráveis à escola:

Os sorocabanos que desejassem ver seus filhos formados, precisavam enviá-los para fora para cursar o ginásio, a escola normal ou as escolas superiores. Assim é que o vergueirista João Clímaco de Camargo Pires em 1915, foi obrigado a mudar-se para Itapetininga; em 1916, Carlos Malheiros Oetterer mudou-se para Campinas pelo mesmo motivo e, em 1926, foi a vez do vergueirista Joaquim Firmiano de Camargo Pires, fundador do Cruzeiro do Sul. Ele vendeu o jornal e mudou-se para São Paulo. Alguns, como o primeiro, após as formaturas, retornaram. Outros como Nhô Quim Pires, nunca mais voltaram.

Essas contradições são próprias da forma contraditória como se manifesta a transição do modelo capitalista brasileiro de agrário-exportador para industrial-urbano na Primeira República. A passagem de um para o outro não ocorre de forma sincrônica no tempo e no espaço. E cada um desses modelos traz consigo suas próprias contradições, como a implantação do primeiro ginásio sorocabano parece evidenciar.

A educação exigida para atender ao perfil de uma cidade que industrialmente saiu na frente acabou emperrada pela ingerência política em uma época em que se procurava justamente dissociar as coisas: “Na passagem do entusiasmo para o otimismo se teria produzido no movimento uma crescente dissociação entre problemas sociais, políticos e econômicos e problemas pedagógicos”, afirma Marta M. Chagas de Carvalho (Carvalho, 1949: 48). Não foi o que aconteceu em Sorocaba.

Ao colocar uma instituição escolar no centro do debate político durante quase toda a Primeira República, a sociedade que projetava um novo Brasil estava, simultaneamente, caminhando para trás.




8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



ALMEIDA, Aluisio de. História de Sorocaba. Sorocaba, IHGGS, 1996

___________________ Sorocaba, 3 séculos de história. Itu: Ottoni, 2002



BACELLAR, Carlos de Almeida Prado. Viver e sobreviver em uma vila colonial. Sorocaba, seculos XVIII e XIX. São Paulo: Anablume/Fapesp, 2001

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CARVALHO, Marta M. Chagas de. A Escola e a República. Coleção Tudo é História. São Paulo: Brasiliense, 1989

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JORNAIS


Arquivo do Cruzeiro do Sul

Arquivo do Gabinete de Leitura Sorocabano

Biblioteca Pública Municipal

Biblioteca Aluisio de Almeida

Casa de Aluísio de Almeida

REVISTAS


100 Anos de República – Um Retrato Ilustrado do Brasil. Volume III. 1919-1930. Nova Cultural

São Paulo 110 Anos de Industrialização – volume 1 – 1880-1913. Editora Três




1 Rodrigues, Marly – O Brasil na década de 1920, pág 22

2 Santos, O. Elina – A Industrialização de Sorocaba, bases geográficas. Págs 105/106

3 Cruzeiro do Sul, 29/10/1989, sob o título “A derrota total do vergueirismo”

4 De um discurso pronunciado pelo então diretor do Conselho Nacional da Indústria, Fernando Fagundes Neto, nas comemorações feitas pelo jubileu de prata do Senai, reproduzido no livreto “Tudo começou na escola profissional”, de Afonso Celso de Oliveira.

5 Cruzeiro do Sul, 2/2/86, página 24, Rogick Viera “Primórdios do ensino secundário em Sorocaba

6 Revista de Estudos Universitários, Uniso, volume 23, página 39

7 Rogick Vieira, jornal Cruzeiro do Sul, 20/04/1986, “Prédio das Escolas”



8 100 Anos de República – Um Retrato Ilustrado da História do Brasil, volume III, pág 50, Editora Nova Cultural


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