Enunciado da Prova Texto 2



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Encontro29.07.2016
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Enunciado da Prova

Texto 2


  1. Ouça com atenção a história que lhe vou contar.

Tome as notas que quiser durante a audição.

Para o ajudar a recordar, aqui lhe deixo uma lista de palavras que constituem outros tantos passos da história: plano, noite, manhã, carro, gás, pequeno-almoço, trânsito, almoço, paisagem, Porto, telegrama, noite, quinta, Artur.

Continue a história: O Artur, os Fonseca e os Crespo resolveram...
Introdução ao Texto 2
Vou contar-vos, em poucas palavras, um conto de um escritor português que viveu de 1901 até 1980 e que se chama José Rodrigues Miguéis. Como viveu muitos anos fora de Portugal era capaz de olhar os portugueses de uma forma bastante crítica.

O conto chama-se "Uma viagem na nossa terra", faz parte da colectânea Léah e outros contos e na edição da Estúdios Cor de 1968 ocupa 25 páginas do volume.

Espero que a versão, muito resumida, que dele vos vou dar vos abra o apetite para o lerem num futuro mais ou menos próximo.

Antes de mais, vou apresentar-vos as personagens:

O Artur - é o narrador, isto é, é ele que nos conta a história e de certo modo podemos identificá-lo com o próprio J. R. Miguéis.

A Umbelina - é a mulher dele. Ela fica em casa porque não tem lugar no carro e porque não gosta nada da D. Alzira.

Há mais dois casais: Os Fonseca - o Fonseca e a mulher, a D. Alzira.

e os Crespo - que são cunhados dos Fonseca.


Uma viagem na nossa terra
O Artur, os Fonseca e os Crespo resolveram aproveitar um feriado seguido de fim-de-semana e ir a uma quinta, nos arredores do Porto, visitar uma tia já de certa idade que fazia anos exactamente nesse dia.

No dia antes da partida à noite, reuniram-se em casa dos Fonseca para planearem a viagem. Estudaram os mapas, discutiram os horários e fumaram muitos cigarros.

A reunião acabou às 3 horas da manhã e a partida ficou combinada para as 7 horas da manhã. O plano era chegar às Caldas da Rainha às 9 horas, almoçar em Leiria ou em Coimbra, tomar chá no Porto e chegar à quinta para jantar, embora tarde.

O Artur voltou para casa, dormiu pouco e mal, acordou mal disposto já passava das 7, vestiu-se a correr, saiu para a rua e esperou o autocarro que nunca mais vinha.

Quando chegou à porta dos Fonseca, já eram 8 horas, verificou que as janelas ainda estavam fechadas e o carro continuava à porta com um pneu furado e, com certeza, sem gasolina.

Bateu à porta e percebeu que ainda estavam a dormir. Acordaram, arranjaram-se a correr, trataram do carro, foram buscar os Crespo mais o cesto com a comida e os cobertores, para o caso de fazer frio à noite, e, quando se meteram a caminho, já passava das 10 horas.

Ainda não tinham saído de Lisboa, quando a D. Alzira começou a dizer que não se lembrava se tinha fechado o gás. Depois de muitas discussões lá se lembrou finalmente que tinha bebido o café frio exactamente para não acender o gás outra vez.

Ficaram então mais calmos e, como os Crespo também não tinham tomado pequeno-almoço acharam melhor parar para tomarem um café e comerem um bolinho.

A viagem continuou com as habituais demoras provocadas pelo trânsito lento, com muito calor, com muito pó e com o Fonseca a mostrar que era o melhor condutor do mundo e a lembrar outras viagens, feitas a sós com a sua esposa, essas sim, óptimas e rápidas.

Quando iam a chegar a Alcobaça, o Fonseca sugeriu que almoçassem já ali, era um sítio bonito e, além disso, sempre podiam visitar o Mosteiro e ver os túmulos de D. Pedro e da D. Inês.

Comeram e beberam abundantemente, voltaram para o carro e agora com o estômago cheio ainda achavam a paisagem mais bonita: Comentaram a beleza do mar (fizeram discursos sobre "o nosso mar"...), a beleza dos monumentos e da paisagem e lá foram andando.

Chegaram ao Porto já a hora de jantar tinha passado há muito. Foi então decidido dormirem no Porto e mandarem um telegrama para a tia dizendo que só chegavam no dia seguinte porque tinham tido problemas com o carro.

Partiram no dia seguinte com destino à quinta, mas, como se tinham esquecido dos mapas em Lisboa, perderam-se e só lá chegaram à tarde.

Enquanto comiam os restos do jantar do dia anterior, contavam a viagem e, já esquecidos do telegrama, afirmavam que ela tinha sido óptima.



O Artur, fartou daquilo tudo, imaginava como teria sido bom o fim-de-semana se tivesse ficado com a mulher no conforto e na paz da sua casinha.


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