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LIÇÕES DE SABEDORIA

MARLENE ROSSI SEVERINO NOBRE



ÍNDICE
Como Usar este Livro

Apresentação

Saudação

Vinte e Três Anos da Folha Espírita

Perfil Biográfico

Agradecimentos

Dedicatória
PRIMEIRA PARTE

CAPÍTULO 1 = A DOR E O BÁLSAMO

CAPÍTULO 2 = Como é o Dia de Chico Xavier: 300 Consultas Numa só Noite

CAPÍTULO 3 = Problemas de Toda a Gente

CAPÍTULO 4 = Paciência Franciscana

CAPÍTULO 5 = Imprensa Anuncia Morte Próxima


SEGUNDA PARTE - AMOR AO PRÓXIMO

CAPÍTULO 6 = Assistência Social e Paternalismo

CAPÍTULO 7 = Visita aos Presídios

CAPÍTULO 8 = Indiferença e Calor Humano

CAPÍTULO 9 = Espontaneidade na Prática do Bem

CAPÍTULO 10 = Madre Tereza e a Vara de Pescar

CAPÍTULO 11 = A Figura Veneranda de Jesus

CAPÍTULO 12 = Visita de Valéria


TERCEIRA PARTE - MORTE, VIDA NO ALÉM, MENSAGENS CONSOLADORAS

CAPÍTULO 13 = Expressão de Paz dos que Morrem

CAPÍTULO 14 = Cor da Pele no Além

CAPÍTULO 15 = Mãe Desesperada Ante o Suicídio do Filho

CAPÍTULO 16 = Pode-se Adiar o Desenlace?

CAPÍTULO 17 = Palavras em Hebraico

CAPÍTULO 18 = Valor Moral das Cartas Psicografadas

CAPÍTULO 19 = Poder da Palavra Reanimadora

CAPÍTULO 20 = Transformando Saudade em Caridade
QUARTA PARTE - CORPO NA TRANSIÇÃO, SUICÍDIO E REENCARNAÇÃO

CAPÍTULO 21 = Congelamento e Cremação de Corpos

CAPÍTULO 22 = Doação de Órgãos

CAPÍTULO 23 = Fatalidade da Vida

CAPÍTULO 24 = Crianças Deficientes

CAPÍTULO 25 = Fracasso do Auto-aniquilamento


QUINTA PARTE - ESPIRITISMO E OUTRAS RELIGIÕES

CAPÍTULO 26 = Missão do Consolador

CAPÍTULO 27 = Religião é Aspecto Fundamental do Espiritismo

CAPÍTULO 28 = Conselho Espírita Internacional (CEI)

CAPÍTULO 29 = Respeito a Todas as Religiões

CAPÍTULO 30 = Religiões que Prometem Ajuda Imediata

CAPÍTULO 31 = China, Índia, Japão

CAPÍTULO 32 = Ninguém Existe sem Fé


SEXTA PARTE - SEXO E RESPONSABILIDADE: ENERGIA SEXUAL

CAPÍTULO 33 = Desgaste e sustento

CAPÍTULO 34 = Monogamia e Felicidade Real

CAPÍTULO 35 = Impotência Masculina

CAPÍTULO 36 = Homossexualidade e Conduta

CAPÍTULO 37 = Cirurgia para Mudança de Sexo

CAPÍTULO 38 = Retorno dos Habitantes da Cidade Estranha
SÉTIMA PARTE – SEXO E RESPONSABILIDADE: CASAMENTO, ENCONTROS E DESENCONTROS

CAPÍTULO 39 = Lar e Família

CAPÍTULO 40 = Namoro e Noivado

CAPÍTULO 41 = Divórcio, Dificuldades no Relacionamento


OITAVA PARTE - SEXO E RESPONSABILIDADE: A EDUCAÇÃO E FAMÍLIA

CAPÍTULO 42 = Lenda Hindu

CAPÍTULO 43 = Diálogo de Amor

CAPÍTULO 44 = Kramer versus Kramer

CAPÍTULO 45 = Mais Assistência à Criança

CAPÍTULO 46 = Crianças Desequilibradas

CAPÍTULO 47 = Ensino da Religião

CAPÍTULO 48 = Uma Orientação sobre Filhos Adotivos

CAPÍTULO 49 = Ano Internacional da Criança
NONA PARTE - SEXO E RESPONSABILIDADE: PlANEJAMENTO FAMILIAR, ABORTO, BEBÊ DE PROVETA

CAPÍTULO 50 = Direito de Planejar

CAPÍTULO 51 = Pílula, Anticoncepcional Aperfeiçoado

CAPÍTULO 52 = Vasectomia

CAPÍTULO 53 = Afronta à Vida

CAPÍTULO 54 = Bebê de Proveta, Escolha de Sexo e Útero de Empréstimo

CAPÍTULO 55 = Mãe de Aluguel
DÉCIMA PARTE

CAPÍTULO 56 = DOENÇAS, TERAPIA, MANIPULAÇÃO GENÉTICA, EUTANÁSIA, CIRURGIA PLÁSTICA

CAPÍTULO 57 = Reclassificação das Doenças Mentais

CAPÍTULO 58 = Esquizofrenias e Complexo de Culpa

CAPÍTULO 59 = Disritmias e Obsessão

CAPÍTULO 60 = Psicocirurgias

CAPÍTULO 61 = Câncer e Aids

CAPÍTULO 62 = Terapia Mental

CAPÍTULO 63 = Fronteira e Manipulação Genética

CAPÍTULO 64 = Eutanásia

CAPÍTULO 65 = Respeito Máximo pela Vida Humana

CAPÍTULO 66 = Cirurgia Plástica


DÉCIMA-PRIMEIRA PARTE - PSICANÁLISE E TERAPIA DE VIDAS PASSADAS

CAPÍTULO 67 = Sonhos, como Compreendê-los?

CAPÍTULO 68 = Complexo de Culpa e Sofrimento Mental

CAPÍTULO 69 = Pensamento de Nietzche

CAPÍTULO 70 = Cirurgia Psíquica

CAPÍTULO 71 = Restrições da TVP

CAPÍTULO 72 = Regressão da Memória
DÉCIMA-SEGUNDA PARTE - AUTO-AJUDA E TRABALHO CONSTRUTIVO

CAPÍTULO 73 = Esforço Próprio

CAPÍTULO 74 = Burilamento Interior

CAPÍTULO 75 = Trabalho Misturado com Aflição

CAPÍTULO 76 = Força Mental no Rumo Certo

CAPÍTULO 77 = Problema de Maturidade Espiritual

CAPÍTULO 78 = Concepções da Vida Tribal

CAPÍTULO 79 = Regra de Ouro


DÉCIMA-TERCEIRA PARTE - FUMO E DROGAS

CAPÍTULO 80 = Hábitos Prejudiciais no Além

CAPÍTULO 81 = Necessidade de Carinho

CAPÍTULO 82 = Difícil Erradicação do Vício nos Dois Planos da Vida

CAPÍTULO 83 = O Poder da Vontade

CAPÍTULO 84 = Fumo, Álcool e Drogas

CAPÍTULO 85 = Contra a Descriminação das Drogas
DÉCIMA-QUARTA PARTE - MÉDIUNS E MEDIUNIDADE

CAPÍTULO 86 = Que é Mediunidade?

CAPÍTULO 87 = Maior Incidência Hoje

CAPÍTULO 88 = Previsões do Futuro

CAPÍTULO 89 = Vaidade e Orgulho Prejudicam

CAPÍTULO 90 = Melindres, Abandono das Tarefas

CAPÍTULO 91 = Pensamentos Sonorizados e Obsessão

CAPÍTULO 92 = Cirurgias Espirituais

CAPÍTULO 93 = “Médium com Bisturi na Mão não me Opera”
DÉCIMA-QUINTA PARTE - CHICO XAVIER, PONTE ENTRE DOIS MUNDOS

CAPÍTULO 94 = Mensagem em Inglês

CAPÍTULO 95 = A Complicada Linguagem da Parapsicologia

CAPÍTULO 96 = Mensagem a um Padre

CAPÍTULO 97 = Para Além do Tempo

CAPÍTULO 98 = Editoras Espíritas

CAPÍTULO 99 = Lição de Vida no “Fantástico”
DÉCIMA-SEXTA PARTE - MÉDIUNS VISITANTES E DA CONVIVÊNCIA UBERABENSE

CAPÍTULO 100 = Balé de Gênios em Uberaba

CAPÍTULO 101 = Diálogo entre Toulouse Lautrcc e Chico Xavier

CAPÍTULO 102 = Revelações que Fazem Pensar

CAPÍTULO 103 = Uma Universidade do Espírito

CAPÍTULO 104 = No Convívio do Médium

CAPÍTULO 105 = O Homem e o Médium

CAPÍTULO 106 = Emoção de Bárbara Ivanova


DÉCIMA-SÉTIMA PARTE - TRANS COMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL (TCI)

CAPÍTULO 107 = Comunicação dos Espíritos por Meios Técnicos

CAPÍTULO 108 = Novo Chamamento Através da TCI

CAPÍTULO 109 = Saudação na Abertura do Congresso Internacional de TCI

CAPÍTULO 110 = Mensagem de Encerramento
DÉCIMA-OITAVA PARTE – SENSIBILIDADE ENTRE AS PLANTAS

CAPÍTULO 111 = Empatia em Todos os Domínios do Universo

CAPÍTULO 112 = Pensamento é Vida e Força Atuante

CAPÍTULO 113 = Consciência Rudimentar

CAPÍTULO 114 = Influência do Campo Magnético

CAPÍTULO 115 = Comunicação Extratemporal

CAPÍTULO 116 = Memória em Construção

CAPÍTULO 117 = Energia Elétrica das Plantas

CAPÍTULO 118 = Estímulo Musical

CAPÍTULO 119 = Darwin e Kardec

CAPÍTULO 120 = Reino Mineral
DÉCIMA-NONA PARTE - VIOLÊNCIAS, CATÁSTROFES NATURAIS, GUERRAS

CAPÍTULO 121 = Violência, Conseqüência do Desamor

CAPÍTULO 122 = Atitude Impiedosa para com os Animais

CAPÍTULO 123 = Agressão à Natureza

CAPÍTULO 124 = Carma com as Guerras

CAPÍTULO 125 = Rogativa de Castro Alves ante a Guerra do Golfo


VIGÉSIMA PARTE

CAPÍTULO 126 = A MISSÃO DO BRASIL

CAPÍTULO 127 = Gosto pela Oração

CAPÍTULO 128 = União e Trabalho

CAPÍTULO 129 = Nossa Bandeira Está Imaculada

CAPÍTULO 130 = Seremos Pátria do Evangelho na Grande Renovação

CAPÍTULO 131 = Abraçar Filhos de Outras Terras

CAPÍTULO 132 = Encontro em Brasília

CAPÍTULO 133 = Mensagem de Ruy Barbosa aos Constituintes
VIGÉSIMA-PRIMEIRA PARTE

CAPÍTULO 134 = VIDA EM OUTROS MUNDOS

CAPÍTULO 135 = Educandários na Lua

CAPÍTULO 136 = Extra-Terrestres e Investigação Científica

CAPÍTULO 137 = Humanidades de Outros Planetas

CAPÍTULO 138 = Obra Psicografada é Ficção?

CAPÍTULO 139 = Vida em Marte Contestada

CAPÍTULO 140 = Serenidade e Conquista

CAPÍTULO 141 = Lentes Baseadas no Olho Humano
VIGÉSIMA-SEGUNDA PARTE

CAPÍTULO 142 = DISSABORES

CAPÍTULO 143 = Defesa de Amigos e do Próprio Médium

CAPÍTULO 144 = Grupo Espírita Emmanuel (Carta Enviada à Revista Manchete)


VIGÉSIMA-TERCEIRA PARTE

CAPÍTULO 145 = CASOS PITORESCOS

CAPÍTULO 146 = O Insubornável

CAPÍTULO 147 = O Cãozinho e Chico Xavier

CAPÍTULO 148 = Irmão Beneficiado pelo Serviço ao Próximo

CAPÍTULO 149 = Rua dos Doze Apóstolos

CAPÍTULO 150 = A Pinguela
VIGÉSIMA-QUARTA PARTE - O MENOR DOS SERVIDORES E O NOBEL DA PAZ

CAPÍTULO 151 = Entrevista Coletiva no Rio de Janeiro

CAPÍTULO 152 = A Posição da FEB

CAPÍTULO 153 = Violência e Desamor

CAPÍTULO 154 = Sofrimento: A Didática da Própria Vida

CAPÍTULO 155 = O Menor dos Servidores


CAPÍTULO 156 = Glossário

Como Usar este Livro
Caro leitor, você pode ler este livro de duas maneiras distintas: 1) de ponta a ponta, na ordem em que está organizado; 2) abrindo-o aleatoriamente. Para maior facilidade, você conta também com um glossário depois do último capítulo deste livro.
Todas as vezes que Chico Xavier toma diretamente a palavra, neste livro, o texto está em itálico.

Apresentação
Este é o segundo volume da Coletânea Folha Espírita. Trata-se de um livro especial, indispensável à História do Espiritismo. Nele, estão enfeixadas todas as entrevistas concedidas ao nosso jornal, ao longo dos seus 23 anos de existência (abril de 1974 e março de 1997), pelo médium Francisco Cândido Xavier.

As lições de sabedoria deste homem simples das Minas Gerais foram catalogadas por assuntos e refletem, por si mesmas, a importância do autor, seu bom senso, sua bondade, seu conhecimento inato reintegrado a sua personalidade, ao longo do exercício da mediunidade.

Chico Xavier é um homem talhado para a nossa época. Ele faz o firme e sereno contraponto a vivência materialista, à competição agressiva, à busca do efêmero e transitório, valores tão estimados pela sociedade atual, firmando-se como o símbolo da paz, da humildade e do desapego aos bens terrenos.

O século 20 está profundamente marcado por um fato novo: a incrí­vel aceleração histórica que tornou realidade as revolucionárias desco­bertas da moderna tecnologia: o automóvel, o cinema, o avião, os eletro­domésticos, o rádio, a televisão, o fax, as fibras sintéticas, os computadores, as naves espaciais etc. Em aproximadamente oitocentas gerações — 50 mil anos de vida gregária — foi apenas na última delas, precisamente em nosso século, que as transformações se verificaram de forma vertiginosa. A velocidade com que nos locomovemos no Planeta retrata essa realida­de. Em 1600 a.C., o homem movia-se a uma velocidade máxima de 30km horários; no século passado, na década de 80, a locomotiva a vapor atin­giu 160km; já em 1938, o avião desenvolvia 640km e, finalmente, com as espaçonaves o homem circundou a Terra em vertiginosos 29 mil quilô­metros horários.

No plano das comunicações não tem sido diferente. Tomemos por base os dados existentes em todo o mundo e constataremos a mesma escalada vertiginosa: em 1854, a rede telegráfica se estendia por 37 mil quilômetros; em 1879, existiam 25 mil telefones; em 1949, um milhão de americanos assistiam tevê; já em 1980, 1.300.000.000 de aparelhos de rádio estavam funcionando; em 1985, 407 milhões de linhas telefônicas foram instaladas; em 1991, já funcionavam 810 milhões de aparelhos de tevê; em 1992, 25 milhões de fax; em 1993, 175 milhões de computado­res e, em 1995, 30 milhões já faziam uso da Internet, a rede mundial de computação. Sem dúvida, um passo gigantesco.

Há, todavia, um fato alarmante em meio a tantas transformações: as relações humanas, no plano do sentimento, continuam praticamente as mesmas da época tribal, permeadas de hostilidade, inveja, ambição e ódio.

Apesar de viajar a cerca de 30 mil quilômetros horários, alargando sua abertura para o Cosmos, o homem permanece egoísta, com dificuldades enormes no relacionamento interpessoal. Ainda que as sondas espaciais viajem levando sons e articulações humanas a departamentos longín­quos do universo, em busca de contato extraterrestre, o ser humano continua incapaz de se relacionar, maduramente, com o seu semelhante — o vizinho da porta ao lado ou o desafeto familiar.

O egoísmo feroz tem determinado preconceitos e violências de toda ordem, inclusive foi neste século que se conheceu as guerras mais san­grentas e no seu bojo as mais cruéis torturas e flagelações. A vivência materialista tem gerado distorções das leis naturais, entre outras, o au­mento de suicídios, sobretudo através do uso de drogas, a aplicação da pena de morte, a instituição do aborto delituoso e da eutanásia. Embora os meios de comunicação tenham se tornado extremamente rápidos, paradoxalmente, o gosto pelo isolamento tem se acentuado. O homem debruçado no trabalho solitário do computador é o mesmo que pode se comunicar, através dele, com uma rede de 30 milhões de pessoas. É sem­pre o velho dualismo: a busca do isolamento fustigado pelo chamamen­to daquilo que se passa além das fronteiras estreitas do individualismo.

As doenças, os desajustes familiares, as lutas morais, as mortes prema­turas, as obsessões, neuroses e psicoses, os problemas do sexo, a carência de afeto, o alcoolismo, as drogas etc. continuam a desafiar o homem deste século, despreparado para o cultivo dos valores espirituais. E sem amor, alimento básico da alma, seu elemento primordial, nenhuma solu­ção será definitiva.

A vida e a obra de Chico Xavier têm sido dedicadas ao homem angus­tiado do século XX. A ênfase dada por ele e pelos Espíritos Superiores, responsáveis pela obra psicografada, ao aspecto religioso da Doutrina Espírita, foi absolutamente correta. Se é verdade que o ar e o pão são indispensáveis à higidez do corpo, sem amor não existe futuro para ninguém. O desenvolvimento tecnológico exacerbado de nossos tem­pos, sem a necessária expansão da fraternidade entre as criaturas, vem colocando em risco permanente a vida no planeta. Emmanuel, retoman­do o ensinamento de Jesus à mulher samaritana, afirma que “a religião éo sentimento divino que prende o homem ao Criador”.

E Chico Xavier tem dado testemunho desse amor, exatamente como os apóstolos do Cristianismo Nascente. Ao longo de sua vida missionária, além dos ensinamentos recebidos por seu intermédio e registrados nos 402 livros publicados até aqui, tem desenvolvido um trabalho anônimo e sacrificial, atendendo as pessoas simples, auxiliando-as com palavras de bom ânimo, consolando os desolados ante a perda de entes queridos, através do recebimento de mensagens psicográficas.

Com sua tarefa de abnegação, tem levado alegria e esperança à gente humil­de de nossa pátria.

Sem alarde, sem nenhuma preocupação em aparecer.

Sua liderança natural e indiscutível emerge desse trabalho. Nele refle­te-se sua ascendência espiritual, calcada no exemplo.

Na verdade, ele seria o anti-carisma: não tem beleza física, é estrábico, veste-se simplesmente, sem os apuros da moda, não ostenta barbas lon­gas, não busca prestígio político, nem financeiro, enfim, não tem qual­quer traço de pompa, circunstância ou formalidade e, mau grado tudo isso, tem poder de comunicação e empatia com o povo de seu país. Ele fala a linguagem que toca o modo de sentir do homem brasileiro.

O objetivo deste livro é facilitar o acesso do leitor ao mundo das idéias de Chico Xavier, e, conseqüentemente, ao de Emmanuel, seu professor e guia.

Ele foi montado principalmente com as entrevistas realizadas por Fernando Worm e por mim mesma. Outros repórteres também contri­buíram para o enriquecimento deste trabalho. É inegável a paciência franciscana do médium com os entrevistadores, ponto essencial para a realização deste registro histórico.

Foi um longo caminho percorrido até chegarmos à forma definitiva desta obra. Uma equipe fraterna de amigos diletos deu o melhor de si para a sua realização. Partimos, inicialmente, de três volumes — 750 pági­nas — para chegarmos a este único. Agrupamos os textos segundo os te­mas escolhidos e selecionamos algumas matérias de nossos articulistas que contivessem ensinamentos do médium, procurando dar maior am­plitude à exposição do seu pensamento.

A data de publicação dos textos na Folha Espírita permanece ao lado dos extratos, tornando possível a consulta do original a qualquer tempo.

Enfim chegamos à forma definitiva. Chico Xavier, o apóstolo da Re­novação Humana, legítimo construtor da Era do Espírito, está presente aqui com suas Lições de Sabedoria. A excelência dos ensinamentos fala por si mesma. Ressaltar seria redundância.


Marlene Rossi Severino Nobre

Embu, verão de 1997


* Para entender as siglas deste livro: FW: Fernando Worm ; MN: Marlene Nobre; FN: Freitas Nobre; ME: Márcia Elizabeth; WAC: Waldenir Aparecido Cuin; CAB: Carlos Alberto Baccelli; MB: Márcia Baccelli; GLN: Geraldo Lemos Neto; MJ: Maria Júlia P. Peres. Foram utilizadas reportagens de O Espírita Mineiro (GLN), de A Flama Espírita (pátina 126), do jornal Lavoura e Comércio (MC), parte de entrevista de O Estado de Minas e do Diário Popular.

** Articulistas da FE: Carlos Baccelli, Hernani Guimarães Andrade, Mário B. Tamassia, coronel Edynardo Weyne.

** Todas as expressões de Chico neste livro estão em itálico.

SAUDAÇÃO
Diante do 1994, usufruindo a visita pessoal da Doutora Marlene Rossi Severino Nobre e do Senhor Paulo Rossi Severino, eminentes Diretores de “Folha Espírita” de São Paulo, o órgão da imprensa espírita, mensageiro, não apenas do noticiário das atualidades do progresso de nosso tempo, mas também o emissário de abençoadas lições de espiritualidade, repletas de consolações e esperanças para nós todos, os seus leitores agradecidos e felizes, formulamos votos pelo Brasil melhor, com a paz e a conciliação, com o progresso e a elevação que sempre foram os mais iluminados dos nossos destinos.

Que nos irmanemos todos no trabalho e na solidariedade, na confraternização e no respeito mútuo sustentando a nossa vocação cristã e a nossa confiança em Deus, são os nossos votos.


Chico Xavier, Uberaba, 08/1/1994
Saudação de Chico Xavier ao jornal Folha Espírita

Vinte e Três Anos da Folha Espírita
O jornal Folha Espírita foi lançado no dia 18 de abril de 1974, nas dependências da livraria espírita Humberto de Campos, à rua Maria Paula, 198, de propriedade da Federação Espírita do Estado de São Paulo, em cerimônia simples que reuniu muitos amigos e diretores de várias entidades espíritas.

“A data foi escolhida exatamente porque lembrava a todos nós o dia histórico do lançamento de O Livro dos Espíritos, em 1857, em Paris, por Allan Kardec”, ressaltou Freitas Nobre, em seu discurso, durante a solenidade na noite de lançamento do primeiro número.

Alguns meses antes, Jamil Nagib Salomão visitou Francisco Cândido Xavier e consultou-o sobre a possibilidade de fundação de um jornal espírita para ser vendido em banca de jornal. O médium afirmou-lhe que a publicação de um jornal espírita com essas características era compromisso do Grupo Espírita Cairbar Schutel, de Diadema, e do dr. José Freitas Nobre.

“Chico Xavier foi um dos maiores incentivadores para que a Folha Espírita fosse produzida e por diversas vezes ressaltou a importância de o jornal contar com a direção de Freitas Nobre, cuja inteligência, compe­tência, certamente seriam a viga mestra desse empreendimento, de difícil suporte, pelos inúmeros tropeços comuns à imprensa espírita no Brasil de uma maneira geral”, relembrou Jamil, 17 anos depois, em artigo de homenagem a Freitas Nobre, logo após o seu desenlace, ocorrido em 19 de novembro de 1990.

O fato é que o desafio foi aceito e a primeira diretoria formada: Freitas Nobre, Jamil N. Salomão, Paulo Rossi Severino e Marlene Rossi Severino Nobre. Alguns anos mais tarde, ao transferir residência para Americana, interior do Estado de São Paulo, Jamil desligou-se da direção, permane­cendo conosco pelos laços imperecíveis da amizade e do ideal maior.

“Folha Espírita não pretende ser apenas o veículo de divulgação das atividades espíritas em nosso país, sintetizando também os acontecimen­tos internacionais que interessam à Doutrina ou dando a interpretação para os fatos diversos e a projeção explicativa do Espiritismo à história contemporânea. Assim, também, nas manifestações artísticas, procuran­do penetrar o mais intimo da representação, seja a obra teatral ou cine­matográfica”, afirmava Freitas Nobre em Nosso Objetivo, o editorial do primeiro número.

Ele costumava dizer que a Folha Espírita deveria interessar também ao simpatizante do Espiritismo, ao desprevenido que passa pela banca de jornal e procura explicações mais convincentes sobre os enigmas da vida e da morte, do ser, do destino e da dor.

Este livro é um testemunho eloqüente de que esses objetivos foram perseguidos e alcançados.

O médium Chico Xavier foi inquirido pelos repórteres do jornal, pre­ferencialmente sobre assuntos veiculados pela mídia impressa e eletrôni­ca, do Brasil e do mundo, possibilitando um diálogo atual, sem medo de responder aos assuntos momentosos concernentes à vida moderna. Dis­cutiu-se congelamento e cremação de corpos, divórcio, eutanásia, abor­to, bebê de proveta, homossexualismo, Constituição do País, sensibili­dade das plantas, enfim, um leque enorme de assuntos, possibilitando a ampla divulgação da interpretação espírita.

A seção Espiritismo e Ciência, sob a direção de Hernani Guimarães Andrade, com o pseudônimo de Karl W. Goldstein ou ainda Sergivan Du Marrik, sempre brilhante, tem procurado informar ao leitor o que existe de mais moderno no campo da Ciência e quais os pontos de lnterligação com os ensinamentos espíritas.

Paulo Rossi Severino pôde realizar seu trabalho de pesquisa sobre a mediunidade de Chico Xavier e que redundou na publicação do livro A Vida Triunfa, em 1990, apresentando a cada número do jornal uma entrevista com os familiares e a carta-mensagem recebida pelo médium. São mais de 160 casos pesquisados.

A divulgação da obra social espírita tem sido também uma constante, ao lado de entrevistas com personalidades de destaque do mundo artís­tico e social.

“Não desejamos firmar posições dogmáticas, mesmo porque a Doutri­na Espírita é a doutrina da razão, do raciocínio, da convicção e é preferí­vel, como dizia Allan Kardec, rejeitar cem verdades do que aceitar uma mentira. Mas em questão da fidelidade doutrinária não podemos tergi­versar, porque a Codificação de Kardec traçou, com a assistência do Mundo Espiritual, os rumos filosóficos, científicos e religiosos do Espi­ritismo. Por isso mesmo, a redação se responsabiliza pelos conceitos emitidos pelos seus colaboradores quanto à orientação doutrinária, mes­mo porque a matéria não seria divulgada se não estivesse fiel aos princípi­os kardequianos”, prossegue o fundador em Nosso Objetivo.

Realmente nosso jornal tem uma linha editorial muito clara: responsa­biliza-se pelos conceitos emitidos e não perde tempo com polêmicas inú­teis e estéreis.

“A peça teatral, o filme de atualidade, o livro do momento, o aconteci­mento importante terão a interpretação à luz do Espiritismo... Uma entrevista de atualidade em cada número, o resumo de um livro espírita, a colaboração de vários dos nossos mais destacados confrades, permiti­rão ao nosso jornal preparar-se para o amplo plano de circulação diária, em prazo que não vamos fixar, porque vai depender mais de nossos companheiros e das entidades espíritas de todo o País”, acentua Freitas Nobre.

Nessa linha editorial temos nos firmado, mesmo depois da desen­carnação do fundador. O seu sonho de fazer da Folha Espírita um diá­rio ainda não foi realizado, mas confiamos que o grande futuro nos re­serva a concretização do nosso ideal, através daqueles que nos sucederão.

«Conhecemos os percalços de nossa caminhada mas estamos seguros de que a Providência não faltará nos nossos momentos de dificuldades e que as bênçãos do Divino Mestre serão o estimulo para as tarefas que nos foram confiadas na área da comunicação e da divulgação da Doutrina Espírita”, concluiu Freitas Nobre.

Os diretores nunca retiraram e nem retiram financeiramente nada do jornal, pelo contrário. Freitas Nobre sabia dos percalços e assumiu com coragem, durante muito tempo, o ônus financeiro da publicação.

O compromisso permanece o mesmo, tudo o que é arrecadado redun­da em benefício do próprio jornal e da editora.

Folha Espírita participou de campanhas memoráveis. Em 1980 e 1981, foi inesquecível a campanha em prol do Prêmio Nobel da Paz para Chico Xavier; em julho de 1983, promoveu o Encontro pela Paz, no Centro de Convenções Anhembi que reuniu 3.500 pessoas, durante três dias, com a apresentação da peça Além da Vida, sob a direção de Augusto César Vanucci. Participou também de conferências e debates; em 1992, pro­moveu o Congresso Internacional de Transcomunicação, em parceria com a Associação Médico-Espírita de São Paulo, que reuniu 2.000 parti­cipantes; em 1993, do alerta contra a legalização do aborto em nosso país, em trabalho conjunto com a Federação Espírita e a União das Sociedades Espíritas de São Paulo.

Enfim, a Folha Espírita tem cumprido seu papel histórico: registra para as próximas gerações os fatos e assuntos importantes do século pre­sente e ao mesmo tempo é contemporânea do futuro porque aponta para as grandes transformações do próximo milênio, à luz do otimismo que a fé proporciona. Graças ao cumprimento de sua missão, este livro pôde ser produzido.
Marlene Rossi Severino Nobre

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