Escola de engenharia departamento de engenharia civil disciplina metodologia cient



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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

CENTRO TECNOLÓGICO

ESCOLA DE ENGENHARIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

DISCIPLINA METODOLOGIA CIENTÍFICA APLICADA À ENGENHARIA

SUSTENTABILIDADE

A CONSTRUÇÃO DE UM CONCEITO

INTEGRANTES DA EQUIPE:

ANAIRES PEREIRA DE ABREU

CARLOS MURILO DE FIGUEIREDO CAMPOS

HELLEM BARBOZA TAVARES

LAIZ ALEXANDRE DE MUROS

RENATA PESSOA SILVA

SUELLEM VASCONCELLOS VALENÇA DA SILVA

VINICIUS SILVA CARRILHO

PROFESSORAS ORIENTADORAS:


MARIA ANDRÉIA DE JESUS SARMENTO

LOURDES BRAZIL

RIO DE JANEIRO

2008


SUSTENTABILIDADE

A CONSTRUÇÃO DE UM CONCEITO

EQUIPE:
ANAIRES PEREIRA DE ABREU

CARLOS MURILO DE FIGUEIREDO CAMPOS

HELLEM BARBOZA TAVARES

LAIZ ALEXANDRE DE MUROS

RENATA PESSOA SILVA

SUELLEM VASCONCELLOS VALENÇA DA SILVA

VINÍCIUS SILVA CARRILHO

Trabalho submetido ao Departamento de Engenharia Civil, como parte dos requisitos necessários para aprovação na disciplina de Metodologia Cientifica.


Aprovado por:


MARIA ANDRÉIA DE JESUS SARMENTO

LOURDES BRAZIL


Rio de Janeiro

2008


Anaires Pereira de Abreu

Carlos Murilo de Figueiredo Campos

Hellem Barboza Tavares

Laiz Alexandre de Muros

Renata Pessoa Silva

Suellem Vasconcellos Valença da Silva

Vinicius Silva Carrilho
Sustentabilidade – A Construção de um Conceito
Trabalho de conclusão de disciplina de metodologia científica
Palavras-chave:
Sustentabilidade

Desenvolvimento Sustentável

Ecodesenvolvimento

Orientadora: professora Lourdes Brazil

UFF Escola de Engenharia

AGRADECIMENTOS

Á todos aqueles que colaboraram direta ou indiretamente para a conclusão deste trabalho.


Ás nossas orientadoras, Maria Andréia de Jesus Sarmento e Lourdes Brazil, por sua atenção, sugestões e valiosas orientações prestadas ao longo da execução deste trabalho.
Aos colegas de curso, com os quais nos relacionamos e cujo convívio será, sem dúvida, inesquecível.
Aos palestrantes e professores, de dentro e fora da UFF, que ministraram diversas palestras, estas essenciais para a construção não só deste trabalho, mas como de todo um pensamento no futuro.

DEDICATÓRIA

Dedicamos este trabalho a todos os alunos, professores, palestrantes e funcionários, que participaram direta ou indiretamente desta jornada de aprendizagem e descoberta.

E a todos aqueles que conseguem ser otimistas e acreditam que algo ainda pode ser feito.
RESUMO
O termo desenvolvimento sustentável foi utilizado pela primeira vez, com seu significado conhecido hoje, em 1983, no relatório intitulado “Nosso futuro comum”, feito pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente, presidida por Gro Harlem Brundtland. No entanto, a preocupação com esta questão teve origem muito antes, com a decisão da ONU de promover a I Conferência sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo, no ano de 1972. As pessoas começavam então a preocupar-se com o futuro do planeta, e se conscientizavam de que nada poderia ser feito sem a colaboração de todos.

Esse pensamento serviu como base para a formulação da Agenda 21, com a qual mais de cento e setenta países se comprometeram, entre outros protocolos e leis que a sucederam, como o Protocolo de Kyoto.

Essa busca por equilíbrio ambiental e desenvolvimento econômico, um ecodesenvolvimento, tem se apresentado de inúmeras maneiras, em todas as áreas. Seja ela no âmbito ecológico, por meio dessas novas legislações e ações de conscientização da população, como no âmbito econômico e social, que abrangem uma distribuição justa de riqueza e propriedade produtiva. Desse modo, se poderia assegurar ás pessoas a condição de cidadania com garantia de acesso aos bens e serviços essenciais a todos.

No campo da construção civil, o que mais consome matéria-prima e recursos naturais no planeta, a sustentabilidade também pode se fazer presente por mais que se pareça o contrário. As chamadas “construções sustentáveis” têm ganhado cada vez mais espaço no cenário mundial, com soluções inteligentes e inovadoras aliadas á preservação do meio ambiente. A água já pode ser reutilizada, assim como resíduos de demolições podem ser reaproveitados.

Para ser alcançado, o desenvolvimento sustentável depende de planejamento e do reconhecimento de que os recursos naturais são finitos e que é possível suprir as necessidades atuais da população, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. O momento é decisivo. Alternativas não faltam, mas cabe apenas a cada um a escolha correta para o futuro do planeta.
EQUIPE:

Anaires Pereira de Abreu, Carlos Murilo de Figueiredo Campos, Hellem Barboza Tavares, Laiz Alexandre de Muros, Renata Pessoa Silva, Suellem Vasconcellos Valença da Silva, Vinícius Silva Carrilho. Sustentabilidade – A Construção de um Conceito. Maria Andréia de Jesus Sarmento e Lourdes Brazil. UFF – Universidade Federal Fluminense. Departamento de Engenharia Civil, 2008. Trabalho da disciplina de Metodologia Científica.


Palavras-chave: Sustentabilidade

Desenvolvimento Sustentável

Ecodesenvolvimento



SUMÁRIO


  1. INTRODUÇÃO 09

1. CAPÍTULO 1: A CONSTRUÇÃO DE UM CONCEITO 11

1.1 HISTÓRICO 11

1.2 DEFINIÇÃO 14

1.3 METAS 15

2. CAPÍTULO 2: AS FACES DA SUSTENTABILIDADE 17


    1. SUSTENTABILIDADE ECOLÓGICA 17

2.1.1 Aquecimento Global 17

2.1.1.1 - Impactos Ambientais Urbanos 19

2.1.2 Protocolo de Kyoto 21

2.1.3 O Futuro da Água 21

2.1.4 Energia 22

2.1.5 Créditos de Carbono 25



    1. SUSTENTABILIDADE ECONÔMICA 25

      1. SUSTENTABILIDADE SOCIAL 27

2.3.1 Estabelecimento de parcerias 28

2.3.2 Trabalho social na comunidade 28

2.3.3 Papel das Universidades 29


  1. CAPÍTULO 3: GREEN BUILDING 31

3.1 PROJETOS SUSTENTÁVEIS 32

3.1.1 Características e conquistas 33



    1. REUTILIZAÇÃO E APROVEITAMENTO DE RESÍDUOS 34

3.2.1 Resíduos de demolição 36

3.2.2 Reuso de Água 36



    1. CUSTOS E ORÇAMENTO 37

4. CONCLUSÃO 41

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 43

6. ANEXOS 44

ANEXO I 44

ANEXO II 45

ANEXO III 48



INTRODUÇÃO

Este trabalho foi desenvolvido como projeto final da disciplina de Metodologia Científica Aplicada à Engenharia, tendo como professoras orientadoras Maria Andréia de Jesus Sarmento e Lourdes Brazil. Seus autores são alunos do curso de graduação de Engenharia Civil, sendo eles: Anaires Pereira de Abreu, Carlos Murilo de Figueiredo Campos, Hellem Barboza Tavares, Laiz Alexandre de Muros, Renata Pessoa Silva, Suellem Vasconcelos Valença da Silva e Vinicius Silva Carrilho.

O tema abordado nesse projeto é o “Desenvolvimento Sustentável”. Este assunto está muito em foco hoje em dia, já que se chegou à conclusão de que o antigo sistema de desenvolvimento já era insuportável. Grandes empresas, todas as esferas do governo e até mesmo a sociedade civil perceberam que é necessário um novo caminho para o crescimento.

Como futuros engenheiros civis é preciso que estejamos inteirados sobre o tema, pois a nossa futura atividade tem grande impacto sobre a sociedade e o meio ambiente. Queremos ser profissionais do futuro, para isso devemos estar preparados para “construí-lo”.

O nosso objetivo através deste é esclarecer um tema muito comentado, porém pouco conhecido verdadeiramente. Conceitos serão introduzidos e ampliados, além disso, será abordada a sustentabilidade na construção civil, mostrando que é possível sim aliar uma a outra.

Toda a pesquisa foi feita através da leitura de revistas da área, livros sobre o assunto, trabalhos já realizados sobre o tema, além de alguns sites confiáveis para informações adicionais.

O capítulo 1, intitulado “A Construção de um Conceito”, aborda justamente a origem deste conceito. Ele inicia tratando do considerável crescimento econômico ocorrido com o bloco capitalista durante a Guerra Fria, quando os países mais ricos agregaram os países do Terceiro Mundo usando deles sua mão-de-obra barata e seus recursos naturais de forma insensata, gerando críticas e a percepção da necessidade de uma mudança. É quando surge o ecodesenvolvimento, precursor do desenvolvimento sustentável, criado por Maurice Strong e conceituado por Ignacy Sachs. Em 1983 aparece pela primeira vez o termo desenvolvimento sustentável no Relatório de Brundtland e em 1992 aconteceu no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, onde ocorriam as convenções do clima e da biodiversidade, sendo que da primeira surgiu em 1997 o protocolo de Kyoto. Além disso, foi assinado um protocolo chamado Agenda 21. Hoje, o desenvolvimento sustentável entende que é preciso atender as necessidades da geração atual sem comprometer as gerações futuras e como metas temos, por exemplo, a satisfação das necessidades básicas da população, não se preocupando somente com a geração de riquezas, mas também com a sua distribuição.

O capítulo 2, “As faces da Sustentabilidade”, explica os três principais tipos de sustentabilidade: a econômica, a social e a ecológica. A sustentabilidade econômica pode ser definida como o crescimento associado ao desenvolvimento. Isso estabelece que os verdadeiros países desenvolvidos são aqueles que procuram manter uma taxa positiva de aumento entre o crescimento econômico e o desenvolvimento humano e social de sua população. Já a sustentabilidade social pressupõe assegurar às pessoas justamente a condição de cidadania com garantia de acesso aos bens e serviços essenciais. Por último, a sustentabilidade ecológica, que corresponde diretamente pela preservação e conservação do ambiente de forma que o desenvolvimento não agrida o meio natural.

“Construções Sustentáveis” é o título do capítulo 3. Esse conceito é baseado em modelos que permitam a construção civil enfrentar e propor soluções para os principais problemas ambientais existentes hoje. É claro que não se pode deixar de lado a tecnologia e a modernidade das construções e o atendimento às necessidades de seus usuários, preservando o meio ambiente e os recursos naturais garantindo a qualidade de vida no presente e no futuro.

CAPÍTULO 1: A CONSTRUÇÃO DE UM CONCEITO


    1. HISTÓRICO

Com o fim da 2ª Guerra Mundial, a maioria dos países estava com a economia arrasada devido aos gastos com o conflito. Com o início da Guerra Fria definiu-se um quadro de poder bipolar, sendo o capitalismo de um lado, liderado pelos Estados Unidos da América (EUA) e apoiado pela Europa capitalista, e o socialismo do outro, sob o comando da ex-União Soviética (URSS). O bloco dirigido pelos EUA agregou a maioria dos países do chamado “Terceiro Mundo”, implantando ali um modelo de consumo e desenvolvimento inspirado no seu país-líder.

A ideologia do rápido desenvolvimento tornou-se o alvo de todo o mundo, significando, ao menos teoricamente, crescimento econômico, tecnológico, urbano e a internacionalização da lógica da acumulação e da produção capitalista em todas as esferas da vida social. Sendo assim, a própria Organização das Nações Unidas (ONU) se dedicou durante a década de 60 a introduzir este modelo nos países menos desenvolvidos, com projetos de cooperação e transferência de recursos financeiros e tecnológicos, da mesma forma que outros organismos internacionais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Acreditava-se que com a rápida implementação desse padrão os países subdesenvolvidos conseguiriam alcançar o ideal de progresso. O almejado “crescimento” custou muitos sacrifícios a estes, como o aumento da dívida externa, evidenciando a dominação econômica a que foram submetidos, a desvalorização e a marginalização de costumes nativos de cada país, acarretando inclusive no definhamento das sociedades indígenas na América Latina. Com a inclusão do Terceiro Mundo no cenário do comércio internacional, foi criada a Divisão Internacional do Trabalho. Multinacionais se instalaram nos países em desenvolvimento (termo que substituiu subdesenvolvidos) e fizeram uso de sua mão-de-obra barata e de seus recursos naturais abundantes. Porém as nações hospedeiras pouco se beneficiaram das tecnologias utilizadas, e essas empresas não obedeceram às necessidades desses países, mas sim à lógica do mercado.

É nesse cenário que se deflagra a ilusão do desenvolvimento sob a ótica de um único caminho. Críticas a esse modelo já estavam surgindo desde a década de 60, com os movimentos contra culturais e ecológicos, inconformados com o modelo materialista, bélico, individualista, competitivo e degradador do meio ambiente da sociedade de consumo.

Um crescimento quantitativo da economia não se traduz em bem-estar para a população. Essas preocupações indicam a crise do modelo desenvolvimentista, que prometeu o atendimento das necessidades humanas pela via do crescimento econômico e da modernização tecnológica e não o fez.

Toda a exploração dos recursos naturais de forma desordenada e sem precedentes para alimentar as atividades econômicas acabou induzindo a uma crise ecológica nos anos 70. Houve repercussão principalmente sobre os grandes componentes da biosfera – a atmosfera, os oceanos, a cobertura dos solos, o sistema climático e as espécies animais e vegetais. Os problemas gerados passaram a atingir todo o globo, às vezes com mais de um responsável. Destacam-se a destruição da Camada de Ozônio, a mudança climática global (efeito estufa), a poluição dos ambientes marítimos, a destruição das florestas e a ameaça à biodiversidade.

A preocupação com esta questão teve origem na decisão da ONU de promover a I Conferência sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo, no ano de 1972. Em junho de 1973 surgiu o conceito do ecodesenvolvimento, apresentado por Maurice Strong, precursor do Desenvolvimento Sustentável. Ele definia um estilo de desenvolvimento adaptado às áreas rurais do Terceiro Mundo. Na década de 80, esse conceito foi ampliado pelo economista Ignacy Sachs, criando um quadro de estratégias ao ecodesenvolvimento. Este buscava superar a polarização do debate, que oscilava entre a defesa do desenvolvimento sem limites e uma visão completamente pessimista sobre os limites do crescimento.

A primeira vez que o termo desenvolvimento sustentável foi utilizado com seu significado próprio foi em 1983, no relatório intitulado “Nosso futuro comum” (Our commom future), feito pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente, presidida por Gro Harlem Brundtland. Percebendo que o mundo é um só e finito, existiriam preocupações e desafios comuns à humanidade, que demandariam esforços também comuns a todos.

A partir deste relatório e de suas conclusões, foram tomadas uma série de atitudes e medidas no sentido de implantar o desenvolvimento sustentável. Foi então que em 1992 foi realizada a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), 20 anos após a Conferência em Estocolmo. Esta conferência também é conhecida como RIO-92, já que foi realizada no Rio de Janeiro, estimulando o debate ambiental no Brasil.

A Convenção do Clima foi um dos acordos assinados na CNUMAD. Ele visa estabilizar as concentrações de gases do efeito estufa na atmosfera. Este documento foi um dos que tiveram maior dificuldade de serem ratificados, pois sofreu muita resistência por parte dos EUA principalmente.

Ainda cinco anos depois, foi estabelecido no Japão o Protocolo de Kyoto. Tendo como base os níveis de emissão de 1990, ele prevê uma redução de 5% nas emissões globais de gás carbônico por parte dos países desenvolvidos, entre os anos de 2008 e 2012. Tem ocorrido a negociação de bens (ar limpo, água potável, pro exemplo) e práticas ambientais como mercadorias, segundo os princípios da lógica de mercado, como ocorre com os créditos de carbono, mecanismos criados e negociados para que países possam atingir a sua meta de emissão anual de gás carbônico. Porém, da mesma forma que a convenção, os EUA se recusaram a ser um de seus signatários, apesar de ser o maior emissor de gases em escala mundial.

Além da Convenção do Clima, ocorreu também a Convenção da Biodiversidade, que busca o equilíbrio entre a proteção dos recursos biológicos e o desenvolvimento social e econômico. Ambas foram assinadas por 154 países e sofreram forte resistência dos EUA.

A Agenda 21 foi um protocolo assinado pó 179 países, com 40 capítulos divididos em 4 seções: a questão do desenvolvimento, com suas dimensões econômicas e sociais; os desafios ambientais que tratam da conservação e gestão de recursos naturais; o fortalecimento de grupos, e por fim, meios de implantá-la. Esta visa integrar no marco da sustentabilidade setores da sociedade civil, setor produtivo e governamental, e os níveis locais, estaduais e nacionais.

Paralelamente à RIO-92, ocorreu o Fórum Global, dedicado á reunião da sociedade civil internacional, onde se buscou uma coordenação de esforços para redigir e assinar acordos e tratados ambientais com apoio das ONG’s e movimentos da sociedade civil de todo o mundo. Este evento reuniu 1300 ONG’s de 108 países e 1180 ativistas. Foram produzidos alguns documentos no Fórum Global, como a Carta da Terra, 36 tratados acordados entre as ONG’s recomendando políticas e ações sobre diversos temas sociais e ambientais, além de outros.

Pode-se perceber que ao longo da história desse conceito, que ainda está sendo formado, foi crescendo a quantidade de grupos que se preocuparam com esta questão, desde Maurice Strong, com o ecodesenvolvimento, até o Fórum Global.


    1. - DEFINIÇÃO

Para que o conceito de desenvolvimento sustentável seja definido, é necessário que voltemos ao seu precursor, o ecodesenvolvimento, lançado por Maurice Strong, mas o economista Ignacy Sachs se apropriou do termo e o desenvolve conceitualmente, estabelecendo três pilares: eficiência econômica, justiça social e prudência ecológica.

Este conceito entende que é preciso atender às necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem também às suas. Ele percebe também que cada região possui uma solução única e própria para seus problemas particulares.

O ecodesenvolvimento buscava, portanto uma via intermediária entre o que Sachs denominava de “ecologismo absoluto” e o “economicismo arrogante”.

O termo desenvolvimento sustentável apareceu pela primeira vez no relatório de Brundtland. A premissa básica defendida neste relatório é a de que independente dos causadores da degradação ambiental, a busca de soluções seria uma responsabilidade de todos.

Para os autores do relatório, a maneira que esta tarefa será feita é atendendo às necessidades básicas de todos e dando a oportunidade de realizar suas aspirações de uma vida melhor, e não ignorando a pobreza como se ela não existisse.

Tanto o ecodesenvolvimento quanto o desenvolvimento sustentável consideram o direito das gerações futuras como um princípio ético básico, ambos afirmam que o componente ambiental deve entrar juntamente com critério econômico no processo de decisão, com o aval das comunidades envolvidas. A meta em ambas é uma sociedade sustentável, mas as maneiras de se chegar a elas se diferenciavam um pouco.

A principal contradição era de que o desenvolvimento sustentável buscava conciliar a economia e a ecologia sem romper com os pressupostos do modelo de desenvolvimento que estava na origem da crise social e ambiental.

A sociedade civil criticou o acento ainda desenvolvimentista do conceito e buscando uma posição diferente, apontavam para o sujeito social da sustentabilidade e não apenas para a duração do desenvolvimento.

Enquanto o ecodesenvolvimento denuncia o perigo da crença ilimitada na tecnologia moderna, e incentiva a criação de tecnologias que atendam as necessidades de cada país, o desenvolvimento sustentável ainda acredita no potencial da tecnologia moderna, propondo ainda um intercâmbio como forma de “ajuda” aos países em desenvolvimento. É necessário que haja uma compreensão correta desse conceito, para que ele seja bem implementado e efetivamente seja alcançada uma sociedade sustentável.

1.3 - METAS

O Desenvolvimento Sustentável busca o equilíbrio entre proteção ambiental e desenvolvimento econômico e serviu como base para a formulação da Agenda 21, com a qual mais de 170 países se comprometeram, por ocasião da Conferência. Trata-se de um abrangente conjunto de metas para a criação de um mundo, enfim, equilibrado. O atual modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios; se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam dia-a-dia. Diante desta constatação, surge a idéia do Desenvolvimento Sustentável (DS), buscando conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e, ainda, o fim da pobreza no mundo.

O DS tem seis aspectos principais que devem ser entendidos como metas:



  • A satisfação das necessidades básicas da população (educação, alimentação, saúde, lazer, etc);

  • A solidariedade para com as gerações futuras (preservar o ambiente de modo que elas tenham chance de viver);

  • A participação da população envolvida (todos devem se conscientizar da necessidade de conservar o ambiente e fazer cada um a parte que lhe cabe para tal);

  • A preservação dos recursos naturais (água, oxigênio, etc);

  • A elaboração de um sistema social garantindo emprego, segurança social e respeito a outras culturas (erradicação da miséria, do preconceito e do massacre de populações oprimidas, como por exemplo, os índios);

  • A efetivação dos programas educativos.

Na tentativa de chegar ao DS, sabemos que a Educação Ambiental é parte vital e indispensável, pois é a maneira mais direta e funcional de se atingir pelo menos uma de suas metas: a participação da população.

Em seu sentido mais amplo, visa promover a harmonia entre os seres humanos e entre a humanidade e a natureza. No contexto específico das crises do desenvolvimento e do meio ambiente surgidas nos anos 80, a busca do desenvolvimento sustentável requer:



  1. Um sistema econômico capaz de gerar excedentes e know-how técnico em bases confiáveis e constantes;

  2. Um sistema social que possa resolver as tensões causadas por um desenvolvimento não-equilibrado;

  3. Um sistema tecnológico que busque constantemente novas soluções;

  4. Um sistema internacional que estimule padrões sustentáveis de comércio e financiamento;

  5. Um sistema administrativo flexível e capaz de autocorrigir-se.


CAPÍTULO 2: AS FACES DA SUSTENTABILIDADE

No âmbito da sustentabilidade a questão ecológica é a mais predominante e a mais discutida nas últimas décadas. Com a convivência real do Aquecimento Global fez-se necessário acordos internacionais para a diminuição dos gases causadores do efeito estufa. Este aquecimento é um processo natural, mas que é acelerado pelo homem em escala de proporções geométricas.

Com o mundo vivenciando a cada dia um possível futuro que poderá ser sua extinção, a população procura achar alternativas para usufruir do mundo sem degradá-lo. Uma das alternativas inventadas foi à produção de energia e aquecimento pela luz do sol e outra, desde muito tempo utilizada, com auxílio do vento para produzir energia mecânica e nos dias atuais, energia elétrica.

A emissão de lixos e esgotos não tratados em águas potáveis agrava o índice de problemas relacionados à saúde, além de tornar mais escasso este bem tão indispensável à vida humana, o qual é considerado não renovável.

Com a globalização cada vez mais presente, o índice de desenvolvimento humano tende a aumentar. Destaca-se a qualidade vida e a diminuição da desigualdade social, contudo auxiliado pela própria população que estabelecem parcerias sócio-econômicas. Economia esta que cresce associado ao desenvolvimento.

2.1 - SUSTENTABILIDADE ECOLÓGICA



2.1.1 – Aquecimento Global

O efeito estufa é um mecanismo conhecido desde o final do século XIX. Já naquela época, alguns cientistas se preocupavam com a interferência das atividades humanas no equilíbrio térmico atmosférico, apontando os riscos associados às emissões de dióxido de carbono (CO2) (anexo I) e outros gases como metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). O aumento das concentrações desses gases na atmosfera, provocado pela combustão de carvão e petróleo, teria por conseqüência o aumento paralelo da retenção de calor e, portanto, a elevação das médias térmicas globais.

O efeito mais dramático desse aquecimento seria o derretimento parcial das calotas polares, provocando transgressões marinhas e devastadoras inundações em cidades costeiras, como Nova York, Londres, Rio de janeiro e Buenos Aires.

Na natureza há um equilíbrio dinâmico entre os processos de formação e destruição de ozônio: permanentemente as radiações solares quebram suas moléculas, enquanto outras são formadas. A camada de ozônio tem importância vital, pois absorve grande parte da radiação ultravioleta. Os raios ultravioletas são, em alguns comprimentos de onda, prejudiciais para quase todas as formas de vida. Nas plantas cultivadas, como arroz e soja, quando em níveis elevados eles produzem alterações químicas que reduzem o valor nutritivo e aumentam a toxicidade. Nos mares, eles reduzem o ritmo de reprodução do fitoplâncton e do zooplâncton. Nos seres humanos, radiações ultravioletas intensas podem provocar câncer de pele, inflamação da córnea e redução das defesas imunológicas.

Contudo, certos compostos químicos de origem artificial são capazes de acelerar a destruição das moléculas de ozônio, rompendo o equilíbrio natural que mantém a camada protetora. Os principais são os CFCs, que podem permanecer ativos na atmosfera por mais de um século. Tais gases são muito estáveis e, por isso, não reagem com os gases atmosféricos e atingem elevadas altitudes. Na estratosfera, porém, submetidos à intensa radiação solar, liberam átomos de cloro e bromo, que reagem com as moléculas de ozônio, rompendo-as e liberando um átomo de oxigênio. Assim, formam-se moléculas de oxigênio e átomos livres, enquanto se reduz a concentração de ozônio. O crescimento populacional dos países pobres do mundo tropical provoca uma demanda crescente de alimentos e a expansão das fronteiras demográficas para o interior dos ecossistemas de florestas pluviais. A extração de madeira é feita por grandes empresas concessionárias e as madeiras nobres são exportadas em larga escala. A retirada predatória das madeiras selecionadas provoca danos irrecuperáveis na floresta.

Normalmente pastagens extensivas ou monoculturas em grandes fazendas substituem a cobertura vegetal original, após a retirada da madeira. Esses empreendimentos conduzem ao rápido esgotamento dos solos, impróprios para as práticas agropecuárias adotadas. Muitas vezes, a extração da madeira causa danos apenas superficiais às matas, pois seus focos são as raras e dispersas espécies de alto valor comercial. Mas as estradas abertas para a extração da madeira atraem a caça comercial, voltada para o mercado consumidor urbano de carne. A caça predatória elimina seletivamente determinadas espécies, que desempenham papéis estabilizadores nas cadeias alimentares.

A retirada extensiva da cobertura de matas pode gerar conseqüências negativas para o fluxo de água e da energia solar em todo ecossistema. Tais conseqüências são ainda pouco conhecidas, mas é possível projetar duas séries de acontecimentos:


  • Modificação no tempo de permanência da água na bacia, pois a permeabilidade do solo seria reduzida e a evaporação ampliada. Os meses chuvosos conheceriam um aumento das precipitações, com fortes inundações, enquanto os meses menos chuvosos se transformariam em períodos de estiagem. Surgiria uma estação seca.

  • Modificações no balanço da energia solar no sistema, pois parte da energia necessária para a evapotranspiração seria menos. O aquecimento geral da atmosfera sobre a região aumentaria, com temperaturas médias elevadas no conjunto do ecossistema.

O quadro de alterações climáticas apontado deflagraria uma sucessão incontrolável de mudanças na fauna e na flora, numa reação em cadeia cujo resultado seria o empobrecimento geral do ecossistema. O novo equilíbrio ecológico que emergiria certamente não seria capaz de abrigar a atual floresta pluvial. Teria sido percorrido um caminho sem volta.

2.1.1.1 - Impactos Ambientais Urbanos

As metrópoles são as mais profundas intervenções humanas na Terra. Nelas, a retirada da vegetação, as construções, a produção de calor e o lançamento de poluentes na atmosfera produzem inúmeros efeitos sobre todos os aspectos do ambiente natural, como o clima, a hidrografia, o relevo, a vegetação e a fauna. Além disso, as alterações ambientais causadas pelas atividades urbanas se espalham para muito além do dos limites de uma cidade. A poluição da água (anexo I) de um rio que passa através de uma área urbana, por exemplo, pode afetar uma bacia hidrográfica inteira. O vento pode levar a poluição do ar para lugares muito distantes das indústrias e dos automóveis que a geram. O bombeamento da água subterrânea pode causar alterações no nível do lençol freático em vastas extensões.

A concentração elevada de gases e material particulado na atmosfera urbana aumenta a quantidade de microrganismos patogênicos na atmosfera. A incidência de asma, enfisema pulmonar, bronquite e irritação nos olhos aumenta com a poluição.

O material particulado em suspensão causa nevoeiros constantes, reduzindo a visibilidade nas áreas urbanizadas. A velocidade de dispersão dos poluentes atmosféricos depende da velocidade dos ventos e da possibilidade de ocorrência de inversões térmicas. Este último é um fenômeno climático que provoca o agravamento da poluição. Em geral, nas camadas inferiores da troposfera, a temperatura da atmosfera diminui de baixo para cima, isto é, as camadas de ar frio encobrem as de ar quente. Nessas condições, há um movimento ascendente do ar, pois o ar quente, mais leve, tende a subir. A inversão ocorre geralmente durante o inverno, quando uma camada de ar quente se forma sobre uma de ar frio. Nesse caso, a concentração de poluentes aumenta nas proximidades do solo, pois a camada de inversão interrompe a corrente ascendente e bloqueia a dispersão dos poluentes.

A emissão de poluentes industriais na atmosfera pode ocasionar a ocorrência de chuvas ácidas (anexo I). Usinas termelétricas, refinarias de petróleo e metalúrgicas são grandes produtoras de dióxido de enxofre, os motores soltam quantidades significativas de óxido de nitrogênio. Em contato com a água, esse dois elementos se dissolvem e precipitam. O aumento da acidez das chuvas causa danos à saúde humana, além de acelerar a corrosão dos edifícios e afetar várias espécies vegetais e animais. Nos ecossistemas aquáticos, níveis elevados de acidez nas precipitações podem ocasionar alterações na cadeia alimentar, com a morte dos peixes.

As cidades apresentam temperaturas médias maiores do que as zonas rurais. Dentro delas, as temperaturas aumentam da periferia em direção ao centro. Em casos extremos, a diferença de temperatura entre as zonas periféricas e o centro pode chegar até 10ºC. Esse fenômeno, conhecido com ilha de calor, também resulta de intervenções humanas no meio ambiente. O consumo intensivo de combustíveis fósseis em aquecedores, automóveis e indústria transformam a cidade em uma fonte inesgotável de calor.

Os materiais usados nas construções elevam o índice de albedo, pois servem de refletores para o calor produzido na cidade e para o calor solar. De dia, os edifícios funcionam como um labirinto de reflexão nas camadas mais altas de ar aquecido. À noite, a poluição do ar impede a dispersão do calor.

As áreas centrais de uma cidade concentram a mais alta densidade de construções, bem como de atividades emissoras de poluentes, A massa de ar quente carregada de material particulado, que se forma sobre essas áreas, tende a subir até se resfriar. Quando se resfria, retorna à superfície, dando origem a intensos nevoeiros na periferia da mancha urbana. Daí, volta à região central. É um verdadeiro círculo vicioso de fuligem e poeira.

2.1.2 – Protocolo de Kyoto

Antes da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, a ECO - 92, os registros das medições de temperatura indicavam que os anos da década de 1980 foram os mais quentes desde que se iniciaram as medições de temperatura. A década seguinte trouxe os anos mais quentes da história dos registros térmicos até então. Essas informações conferiram urgência às negociações para um novo tratado sobre o clima, que foi finalizado na Conferência de Kyoto, em 1997.

O Protocolo de Kyoto representou uma interessante inovação nas políticas globais para o meio ambiente. De um lado, fixou a meta de redução de 5% sobre os níveis de emissões de 1990 a ser atingida entre 2008 e 2012. Do outro, criou um sistema de comércio de créditos de emissões de gases entre os países. A meta de emissões é válida apenas para os países desenvolvidos, que passaram a ter duas opções: ou investem na redução das emissões ou compram de outros países os créditos de emissão. Esses créditos seriam comprados de países susdesenvolvidos ou de países desenvolvidos que tenham mais facilidade para reduzir suas próprias emissões.

Dificilmente as emissões de gases de estufa serão reduzidas em futuro próximo. Mesmo que os países desenvolvidos alcancem a meta de Kyoto, a perspectiva é de significativo aumento das emissões nos países subdesenvolvidos. Nessas nações, o crescimento econômico trará forte aumento do consumo de energia e, portanto, maiores emissões de gases de estufa.

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2.1.3 – O Futuro da Água

A água, um recurso vital para o ser humano, está se tornando cada vez mais escassa. As pessoas fazem mal uso deste insumo, como se ele fosse inesgotável. Sua contaminação e uso irracional tornam-se cada vez maior devido ao crescimento demográfico, a mudança na intensidade de consumo e o desenvolvimento das atividades humanas.

O cultivo e a produção de alimentos acompanham o crescente aumento populacional. Com isso o uso de produtos químicos como fertilizantes e pesticidas torna-se mais freqüente. A infiltração desses artifícios químicos é quase inevitável, provocando com isso a contaminação de águas subterrâneas, lençóis freáticos e aqüíferos.

A contribuição provocada pelo lançamento de esgoto doméstico sem tratamento nos rios também pode causar sérios danos ao meio ambiente, comprometendo seriamente a qualidade das águas, propiciando a incidência de doenças de veiculação hídrica. O tratamento de esgotos é um processo fundamental para o controle da poluição das águas, recuperação da qualidade das águas servidas e diminuição da poluição ambiental.

Ressalta-se também o desmatamento das margens dos rios. Este faz com que o solo fique desprotegido e sem árvores, a água das chuvas escoa rapidamente para os rios, causando enchentes e arrastando detritos que podem obstruir o leito dos rios. Favelas e loteamentos clandestinos que crescem às margens dos rios e represas também poluem os reservatórios e ameaçam a saúde da população.

É preciso que haja uma conscientização por parte da população mundial e uma implementação de medidas que minimizem esses danos, tais como: a sensibilização para a utilização, nas economias domésticas, de produtos inofensivos para o ambiente, campanhas para o uso racional de água de forma a evitar o desperdício, implementação de uma agricultura biológica ou de menor uso de químicos, adoção de tecnologias alternativas, de modo a reduzir os efluentes, implementação, nos centros industriais, de sistemas de reciclagem da água utilizada e do lixo produzido, construção de estações de tratamentos de águas residuais, que recebam as águas que necessitam de tratamentos evitando assim o seu lançamento nos cursos de água.


2.1.4 – Energia ( Solar e Eólica)

O sol é fonte de energia renovável, o aproveitamento desta energia tanto como fonte de calor quanto de luz, é uma das alternativas energéticas mais promissoras. A energia solar é abundante e permanente, renovável a cada dia, não polui e nem prejudica o ecossistema. A energia solar é a solução ideal para áreas afastadas e ainda não eletrificadas, especialmente num país como o Brasil onde se encontram bons índices de insolação em qualquer parte do território.

A energia solar soma características vantajosamente positivas para o sistema ambiental, pois o Sol, trabalhando como um imenso reator à fusão, irradia na terra todos os dias um potencial energético extremamente elevado e incomparável a qualquer outro sistema de energia, sendo a fonte básica e indispensável para praticamente todas as fontes energéticas utilizadas pelo homem.

O sol irradia anualmente o equivalente a 10.000 vezes a energia consumida pela população mundial neste mesmo período. Para medir a potência é usada uma unidade chamada quilowatt. O sol produz continuamente 390 sextilhões (390x1021) de quilowatts de potência. Como o Sol emite energia em todas as direções, um pouco desta energia é desprendida, mas mesmo assim, a Terra recebe mais de 1.500 quatrilhões (1,5x1018) de quilowatts-hora de potência por ano.



A energia solar é importante na preservação do meio ambiente, pois tem muitas vantagens sobre as outras formas de obtenção de energia, como: não ser poluente, não influir no efeito estufa, não precisar de turbinas ou geradores para a produção de energia elétrica, mas tem como desvantagem a exigência de altos investimentos para o seu aproveitamento. Para cada um metro quadrado de coletor solar instalado evita-se a inundação de 56 metros quadrados de terras férteis, na construção de novas usinas hidrelétricas. O aproveitamento térmico para aquecimento de fluidos é feito com o uso de coletores ou concentradores solares. Os coletores solares são mais usados em aplicações residenciais e comerciais (hotéis, restaurantes, clubes, hospitais etc.) para o aquecimento de água (higiene pessoal e lavagem de utensílios e ambientes). Os concentradores solares destinam-se a aplicações que requerem temperaturas mais elevadas, como a secagem de grãos e a produção de vapor. Neste último caso, pode-se gerar energia mecânica com o auxílio de uma turbina a vapor, e, posteriormente, eletricidade, por meio de um gerador. A conversão direta da energia solar em energia elétrica ocorre pelos efeitos da radiação (calor e luz) sobre determinados materiais, particularmente os semicondutores. Entre esses, destacam-se os efeitos termoelétrico e fotovoltaico. O primeiro caracteriza-se pelo surgimento de uma diferença de potencial, provocada pela junção de dois metais, em condições específicas. No segundo, os fótonscontidos na luz solar são convertidos em energia elétrica, por meio do uso de células solares. Assim como a energia solar, a eólica é sustentavelmente recomendada. Ela é considerada a energia mais limpa do planeta, disponível em diversos lugares e em diferentes intensidades, uma boa alternativa às energias não-renováveis e é obtida pelo movimento do ar (vento). É uma abundante fonte de energia, renovável, limpa e disponível em todos os lugares. Os moinhos de vento foram inventados na Pérsia no séc. V. Eles foram usados para bombear água para irrigação. Os mecanismos básicos de um moinho de vento não mudaram desde então: o vento atinge uma hélice que ao movimentar-se gira um eixo que impulsiona uma bomba (gerador de eletricidade). Apesar de não queimarem combustíveis fósseis e não emitirem poluentes, fazendas eólicas não são totalmente desprovidas de impactos. Elas alteram paisagens com suas torres e hélices e podem ameaçar pássaros se forem instaladas em rotas de migração. Emitem um certo nível de ruído (de baixa freqüência), que pode causar algum incômodo. Além disso, podem causar interferência na transmissão de televisão. O custo dos geradores eólicos é elevado, porém o vento é uma fonte inesgotável de energia. E as plantas eólicas têm um retorno financeiro a um curto prazo. Outro problema que pode ser citado é que em regiões onde o vento não é constante, ou a intensidade é muito fraca, obtêm-se pouca energia e quando ocorrem chuvas muito fortes, há desperdício de energia. Embora ainda haja divergências entre especialistas e instituições na estimativa do potencial eólico brasileiro, vários estudos indicam valores extremamente consideráveis. Até poucos anos, as estimativas eram da ordem de 20.000 MW. Hoje a maioria dos estudos indica valores maiores que 60.000 MW. Essas divergências decorrem principalmente da falta de informações (dados de superfície) e das diferentes metodologias empregadas. No Brasil, a energia eólica é bastante utilizada para o bombeamento de água na irrigação, mas quase não existem usinas eólicas produtoras de energia elétrica. No final de 2007 o Brasil possuía uma capacidade de produção de 247 MW, dos quais 208 MW foram instalados no decorrer de 2006. O Brasil é o país da América Latina e Caribe com maior capacidade de produção de energia eólica. Quase todo o território nacional possui boas condições de vento para instalação de aerogeradores. A energia eólica brasileira teve um grande impulso com o programa do Governo Federal, o Proinfa, que possibilitará a instalação de novas usinas em diversas localidades brasileiras, principalmente no litoral nordestino e no litoral sul do Brasil. Desde 2000 foram instaladas as usinas de Mucuripe (Fortaleza-CE), Prainha (CE), e as maiores são o Parque Eólico de Osório (RS), que produz 150 MW e a de Rio do Fogo (Rio do Fogo-RN).

2.1.5 - Créditos de Carbono

Uma forma de diminuição de impactos ambientais foi a criação dos créditos de carbono.

Os Créditos de Carbono são certificados que autorizam o direito de poluir. O princípio é simples, as agências de proteção ambiental reguladoras emitem certificados autorizando emissões de toneladas de dióxido de enxofre, monóxido de carbono e outros gases poluentes. Inicialmente, selecionam-se indústrias que mais poluem no país e a partir daí são estabelecidas metas para a redução de suas emissões. A empresas recebem bônus negociáveis na proporção de suas responsabilidades. Cada bônus, cotado em dólares, equivale a uma tonelada de poluentes. Quem não cumpre as metas de redução progressiva estabelecidas por lei, tem que comprar certificados das empresas mais bem sucedidas. O sistema tem a vantagem de permitir que cada empresa estabeleça seu próprio ritmo de adequação às leis ambientais. Estes certificados podem ser comercializados através das Bolsas de Valores e de Mercadorias.

Há várias empresas especializadas no desenvolvimento de projetos que reduzem o nível de gás carbônico na atmosfera e na negociação de certificados de emissão do gás espalhadas pelo mundo se preparando para vender cotas dos países subdesenvolvidos e países em desenvolvimento, que em geral emitem menos poluentes, para os que poluem mais. Enfim, preparam-se para negociar contratos de compra e venda de certificados que conferem aos países desenvolvidos o direito de poluir.

2.2 - SUSTENTABILIDADE ECONÔMICA

A sustentabilidade econômica pressupõe a construção de uma infra-estrutura básica e está vinculada ao acesso democrático da distribuição de riqueza e a propriedade produtiva. Pode haver crescimento econômico, mas se não houver distribuição justa, não há desenvolvimento. O desenvolvimento, isto é, a melhoria nas condições de vida da população depende também do aumento de produtividade, o que ocorre a partir de investimentos na área de ciência e tecnologia, incrementando o crescimento econômico. Com o aumento da produtividade influenciado pelo avanço tecnológico, melhora-se o nível de vida da população, inclusive na área educacional.

O ser humano, já nas primeiras civilizações, teve como objetivo principal na vida, prosperar e possuir uma quantidade cada vez maior de riqueza e de bens. A cultura do acúmulo de riqueza e de um consumo cada vez maior de bens e serviços faz parte então dos costumes de qualquer sociedade e economia no mundo. O crescimento econômico é objetivo para qualquer economia ao redor do planeta e logicamente do Brasil. Atualmente conceituado com um aumento da produção, este crescimento econômico gera uma série de impactos negativos (degradação) sobre os recursos naturais e ambientais. No longo prazo, estes impactos negativos levam a uma deterioração irreversível das reservas destes recursos, prejudicando desta forma o desempenho e a prosperidade das economias. O estudo do nível de degradação dos recursos naturais e ambientais e sua relação com o nível de crescimento econômico de uma nação, são desta forma, de grande importância.

Em zonas rurais uma das maiores dificuldades dos governantes atualmente é supri-las dos conhecimentos técnicos que proporcionem a criação de novas oportunidades e outras formas de desenvolver a renda familiar, abrindo especialmente espaço para a inserção da mulher e do jovem no mercado de trabalho. Desta forma, surge a necessidade de criação de novas oportunidades econômicas e a melhoria da qualidade de vida no campo, como estratégia de atenuar o êxodo rural.

Toda localidade é única, singular com identidade própria, vocações, problemas e limites. A partir da identificação das potencialidades são elaborados planos que possam desenvolver, dinamizar tais potencialidades. Por potencialidades compreendemos os recursos disponíveis ou com possibilidade de serem disponibilizados em uma determinada localidade.

A agricultura tem um papel preponderante na promoção do desenvolvimento econômico nacional e no aumento qualitativo das condições de vida da população possibilitando a redução das desigualdades sociais; desconcentrando a geração de renda; reduzindo o êxodo rural; gerando divisas.  Estudos sobre a agricultura familiar demonstram que as agroindústrias podem ser umas excelentes estratégias para o desenvolvimento agrário, especialmente quando os agricultores se apropriam do valor agregado. 

O Brasil vem crescendo economicamente, dispõe de um Produto Interno Bruto (PIB) situado entre os 15 países mais ricos do mundo, mas não apresenta adequado grau de desenvolvimento social e econômico. Nos índices de qualidade de vida, de nível de renda, de inclusão social, enfim, de indicadores sociais, o Brasil situa-se na posição que passa dos 100 piores do mundo.

O aumento do PIB não significa desenvolvimento humano ou desenvolvimento sustentável. Para alguns estudiosos o Produto Interno Bruto é um falso indicador de riqueza, pois como o cálculo não inclui a perda de importantes ativos, não existe maneira mais fácil de aumentar o PIB do que abusar de recursos humanos e naturais.

Com o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em 28 de janeiro de 2007 pelo Governo Federal, aumenta as chances do Brasil tornar-se um país de maior competitividade comercial no exterior ou até mesmo chegar ao patamar de "país desenvolvido", o que não implicaria necessariamente um desenvolvimento humano pra sua população.

Um dos países que mais tem crescido nas últimas décadas, de forma pouco sustentada e é sempre olhado com inveja pelos demais, é a China, que manteve uma taxa de crescimento médio de seu PIB de 11,45% a.a. entre 1991 e 2003. No mesmo período o mundo cresceu, em média, 4,41% a.a. e o Brasil apenas 1,98% a.a.. Entretando a China é classificada pela ONU com o nível intermediário no que diz respeito aos direitos humanos, o que acarreta dizer um baixo desenvolvimento apesar do alto crescimento.

2.3 - SUSTENTABILIDADE SOCIAL

A experiência mundial mostra que o crescimento econômico não garante, necessariamente, a redução das desigualdades sociais nem da pobreza em níveis aceitáveis. A Sustentabilidade Social pressupõe assegurar às pessoas a condição de cidadania com garantia de acesso aos bens e serviços essenciais.

O desenvolvimento social se dá quando são recuperadas, ou ainda, renovadas as estruturas sociais como associações, cooperativas, representações municipais, estaduais e organizações não governamentais cuja ação repercuta diretamente em proveito, principalmente, dos problemas locais.
A noção de desenvolvimento social potencializa a participação dos agentes de desenvolvimento inseridos na comunidade, assim como amplia o poder de suas ações e das organizações sociais no processo de decisão. Sem a base de confiança fornecida pela cooperação ampliada, acumulada e reproduzida socialmente, dificilmente será possível promover o desenvolvimento, como mostram numerosas evidências registradas em todas as partes do mundo.




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