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HISTÓRIA

Futurismo

(Pinto, A. L.; Meireles, F.; Cambotas, M. C. Cadernos de História de Arte, n.º 9. Porto: Porto Editora.)

O Futurismo nasceu em Itália e foi um movimento que se manifestou primeiramente na literatura para, mais tarde, se estender às artes plásticas, à arquitectura, à música, ao cinema, etc. O seu surgimento, datado de 20 de Fevereiro de 1909, foi marcado pelo Manifesto Futurista do poeta Marinetti, publicado no jornal Le Figaro, em Paris. Nesse texto profético e polémico, o seu autor propôs uma nova poética que combatia qualquer forma ligada à tradição e fazia a exaltação da civilização industrial com tudo o que ela comportava - o movimento da máquina e da velocidade -, fazendo uma total assunção da sociedade moderna e industrial. No Manifesto Futurista afirmava-se: "Um automóvel de corrida com o seu adorno de grossos tubos semelhantes a serpentes de hálito explosivo..., um automóvel rugidor que parece correr sobre metralha, é mais belo que a Vitória de Samotrácia".

Em 1910, surgiu o Manifesto dos Pintores Futuristas, subscrito pelos pintores Umberto Boccioni, Carlo Carrá, Gino Severini, Giacomo BaIla e Luigi Russolo. Estes artistas propunham-se, também, lutar contra qualquer forma de tradição, inclusive contra os movimentos anteriores, como o Cubismo, fazendo a apologia da máquina, da velocidade, da luz e da própria sensação dinâmica.

Pretenderam:



  • a libertação e a exaltação de energias;

  • a exaltação do presente, da velocidade e das formas mecânicas produzidas pela civilização, reflectindo sobre a vida moderna, à qual aderiram entusiasticamente;

  • expressar a "simultaneidade dos estados de alma na obra de arte.

No dizer dos próprios futuristas, "o gesto que queremos reproduzir ([...) não será mais um determinado instante da dinâmica universal. Será (…) a própria sensação dinâmica [.. .]". O mais importante "é descobrir a sensação dinâmica e eternizá-la como tal. Estamos na ponta extrema do promontório dos séculos: porquê olhar para trás? O tempo e o espaço morreram ontem. Os elementos essenciais da nossa arte serão a coragem, a ousadia, a revolta. "

O Futurismo constituiu-se, portanto, como um movimento de rebelião activa e de afirmação das novas e modernas energias da existência, aproximando-se, em termos emocionais, dos expressionistas mas, em termos visuais e plásticos, assemelhando-se ao Cubismo que combateu, devido ao seu estatismo.

Por isso a sua plástica esteve contida na noção de mudança e os temas recorreram a qualquer assunto que implicasse velocidade e dinamismo.

Para tal utilizaram:



  • os recursos da fotografia e do cinema na alternância de planos, na sobreposição de imagens, ora fundidas ora encadeadas;

  • a mobilidade no contorno das formas que aparecem e desaparecem, sendo o observador transportado para o meio do quadro.

A nível formal predominam:

  • os arabescos contorcidos, as linhas circulares emaranhadas, as espirais e as elipses, a geometrização dos planos em ângulo agudo, mais dinâmico, abolindo totalmente os ângulos rectos cubistas na organização espacial, permitindo a sugestão da fragmentação da luz.

  • as cores muito contrastadas, oscilando entre os vermelhos estridentes, os verdes intensos, os amarelos e os laranjas-vivos, em composições violentas e chocantes.

As ideias da Vanguarda Futurista disseminaram-se por vários países da Europa, com particular destaque para a Rússia, onde também já tinha chegado o Cubismo, e têm em Malevitch um dos seus representantes. Apesar disso, a primeira fase futurista terminou por volta de 1916, reaparecendo no pós-guerra quando a sua força e energia criadoras foram aproveitadas pela propaganda de Mussolini. Daí vigorar, ainda hoje, um certo desagrado pela atitude estética tomada, então, pelos futuristas italianos.

Manifesto Futurista, Milão, 1910



Nós declaramos:

1. Que é preciso desprezar todas as formas de imitação e glorificar todas as formas de originalidade;

2. Que temos de nos revoltar contra a tirania das palavras «harmonia» e «bom gosto» (…).

3. Que as críticas de arte são inúteis ou nocivas;

4. Que é preciso varrer todos os assuntos já usados para exprimir a nossa turbilhante vida de aço, de orgulho, de febre e de velocidade;

5. Que é preciso considerar como um título de honra a denominação de “loucos» com a qual insistem em amordaçar os inovadores; (…).

Nós combatemos:

1. Contra as tintas betuminosas através das quais se esforçam por obter a patine do tempo em quadros modernos;

2. Contra o arcaísmo superficial e elementar fundado nas tintas lisas, e que imitando a técnica linear dos egípcios reduz a pintura a uma síntese impotente, pueril e grotesca; (…)

4. Contra o Nu em pintura, (…).


ESAM - História – 2011/2012 /


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