Escolha Perfeita (The Greek Tycoon's Virgin Wife) Helen Bianchin



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Escolha Perfeita

(The Greek Tycoon's Virgin Wife)

Helen Bianchin

Xandro Caramanis quer uma esposa, uma mulher de boa linhagem, disposta a lhe dar um herdeiro e aceitar um matrimônio sem amor, e Liana Girard parece a escolha perfeita. Bela e rica, ela tem tino para os negócios e entende que seu casamento será apenas um acordo e nada mais...

Mas Liana tem seus próprios motivos para aceitar uma união nessas condições. Ela precisa de proteção. E como jamais compartilhou a cama com um homem, está bastante relutante em aceitar uma das cláusulas do acordo de casamento com Xandro...

CONTO DE PRESENTE!
Marcas do Passado, de Kate Walker
Ao descobrir que Louise Browning, seu amar do passado, estava fingindo ser sua esposa, Alex Alcolar retorna para a Inglaterra decidido a confrontá-la. Mas a paixão entre eles pode mudar seus planos...


Digitalização: Simone Ribeiro

Revisão: Melissa


PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V./S.à.r.l.
Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, o armazenamento

ou a transmissão, no todo ou em parte.


Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com

pessoas vivas ou mortas terá sido mera coincidência.


Título original: THE GREEK TYCOON'S VIRGIN WIFE

Copyright © 2004 by Helen Bianchin


Originalmente publicado em 2007 por Mills & Boon Modem Romance

Titulo originai: WIFE FOR REAL


Copyright © 2003 by Harlequin Books S.A.

Originalmente publicado cm 2007 por Harlequin Internet Titles


Arte-final de capa: Isabelle Paiva
Editoração Eletrônica:

ABREU'S SYSTEM

Tel.: (55 XX 21) 2220-3654/2524-8037
Impressão:

RR DONNELLEY

Tel.: (55 XX 11)2148-3500

www.rrdonnelley.com.br
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Aos cuidados de Virgínia Rivera



virginia.rivera@harlequinbooks.com.br
CAPÍTULO UM
Xandro reduziu a velocidade de seu Bentley GT e entrou com cuidado na pista central da avenida congestionada, enquanto o tráfego se arrastava entre um cruzamento e outro num êxodo geral do centro de Sydney.

A iluminação da rua competia com o néon nos letreiros dos anúncios quando o sol se pôs no horizonte, colorindo o céu com um vermelho intenso, transformando sutilmente o entardecer em crepúsculo, e em seguida, em escuridão total.

Tinha sido um dia estafante, com duas reuniões importantes, uma teleconferência e inúmeras solicitações ocupando todo o seu tempo.

Poderia fazer uma boa massagem para relaxar... mas não havia tempo. Em menos de uma hora, era esperado em um importante jantar de caridade. Sozinho.

Ele conhecia diversas mulheres, todas fazendo o possível e o impossível para passar a noite ao seu lado, com suas conversas fúteis, esbanjando táticas para atrair sua atenção e convites sutis para compartilhar sua cama.

Mas Xandro não escalara nos negócios para se tornar o líder de um império financeiro entregando-se a prazeres infindáveis.

Teria herdado do pai aquela qualidade invejável? Se assim fosse, seria apenas uma virtude entre poucas. Yannis Caramanis se tornara mais conhecido como um patife sem escrúpulos, destituído de qualquer dose de misericórdia e extremamente rico. Teve nada menos que quatro esposas, a primeira das quais lhe dera um filho... Alexandro Cristóforo Caramanis.

Um filho destinado a ser único, já que Yannis se recusava a considerar ter um herdeiro e um substituto, evitando criar quaisquer rivalidades, ciúmes, divergências e rupturas em um império que lutara tanto para construir.

As esposas que se seguiram haviam almejado a fortuna e todos os prazeres infindáveis e status social que esta poderia trazer. Até ele as dispensar, substituindo-as pela próxima, mais jovem e mais bonita.

Xandro deu de ombros, conduziu seu Bentley através das inúmeras vias até a estrada New South Hea para o bairro de Vaucluse.

Irritado com o rádio fora de sintonia, praguejou e desligou o aparelho.

O sucesso trazia responsabilidades... demasiadas, meditou, uma vez que a tecnologia moderna o obrigava a ficar todo o tempo atento e disponível.

E enquanto se deleitava com as vantagens de seu império de negócios altamente poderoso, outros desafios na vida precisavam ser explorados. Um em particular. Casamento. Família. Uma mulher honrada e sem artifícios, que ocupasse sua cama, transformasse sua casa em um lar, fosse uma anfitriã habilidosa e lhe desse filhos.

Alguém que tivesse poucas ilusões sobre o amor e estivesse preparada para considerar o casamento como um negócio, sem complicações emocionais.

Afeição, a exultação do ato sexual sim... mas amor !O que era aquilo?

Xandro amara sua mãe somente para que tal lhe fosse retirado. Quanto às madrastas... todas haviam tido o mesmo objetivo: o dinheiro de Yannis, os presentes e o estilo de vida.

Um filho representava um obstáculo que deveria ser man­dado para um internato de alto custo, com férias escolares em acampamentos exclusivos de recreação no exterior.

Ele aprendera muito cedo a chamar a atenção do pai. Conseqüentemente, se sobressaía em tudo.

E quando Yannis o encarregara de uma posição humilde nas empresas Caramanis, Xandro lutara arduamente para provar seu valor. O suficiente para não ter tempo de desfrutar das frivolidades sociais.

O esforço o compensara com o orgulho de Yannis, um posto no império paterno, status multimilionário... e a atenção imediata das mulheres.

Algumas mais espertas do que de hábito, e uma, em particular, que quase o convencera a colocar um anel no dedo. Felizmente, fora apenas quase, pois uma investigação preventiva revelara detalhes que sem tal artifício não viriam à tona.

Uma prática de que ele continuou se valendo sempre que decidia se tornar íntimo de uma mulher. Calculista, talvez... mas isso poupava surpresas inesperadas.

Xandro sorriu ironicamente quando seu Bentley entrou em uma rua de residências exclusivas.

Seu lar era uma mansão situada no alto de uma colina, com uma vista esplêndida do porto. Comprada cinco anos antes, ele mandara reformá-la e mobiliá-la, e contratara caseiros para cuidar da propriedade e dos jardins em volta... uma residência luxuosa onde ele dormia, trabalhava e se divertia.

Alexandro Caramanis. Um homem que possuía tudo.

Um sucessor valioso de seu pai. Duro, insensível, implacável... cobiçado pelas mulheres, mas sem compromisso com nenhuma.

Não era assim que as publicações sobre a intimidade das celebridades o descreviam?

Depois de tomar banho, se barbear e se vestir a rigor, Xandro se pôs ao volante do Bentley e seguiu para o centro.

O trânsito havia acalmado, amenizando a viagem para o hotel no centro da cidade, onde um evento para levantar fundos estava sendo realizado naquela noite.

Usou o serviço de manobristas para estacionar o carro, teve uma recepção diferenciada quando passou pelo elevador e pegou a escada rolante para o mezanino, onde convidados se misturavam, conversando e sorvendo champanhe.

Aperitivos antes do jantar eram uma excelente oportunidade para os membros da comissão se espalharem pelo salão, assegurando se todos os convidados estavam informados do próximo evento no calendário social.

A música fluía dos alto-falantes, posicionados estrategicamente pelo salão, sem que o som obstruísse a conversa reinante.

A noite prometia outro evento bem-sucedido de levantamento de fundos, que seriam destinados à crianças carentes.

Os olhos de Xandro percorreram a extensão da sala, observando os convidados de uma maneira desimpedida, cumprimentou e reconheceu diversos moradores de sua vizinhança, até que seu olhar se fixou no rosto de uma jovem.

Com feições delicadas, uma boca bonita... Ele gostou da maneira como ela inclinava a cabeça, o expressivo movimento das mãos. Os cabelos louro-acinzentados estavam presos no alto da cabeça num estilo que fez seus dedos cocarem para liberar a fivela que os prendia num coque clássico.

A elegância refinada em pessoa, do alto da cabeça até as pontas dos pés delicados.

E levemente nervosa, percebeu ele, sob o sorriso ensaiado... e se perguntou por quê, quando ela era tão hábil num ambiente social, Liana... filha da socialite Liliana e do fale­cido Henri Girard.

Atraente, delgada e pequena, nos seus quase 30 anos, ela exibia uma personalidade reservada na companhia de homens... uma qualidade que lhe dera o apelido de donzela de gelo. Com razão, assim diziam os rumores... embora o único fato conhecido fosse seu noivado com Grant Baxter, cancelado repentinamente na véspera do casamento.

Passados dois anos, ela voltara a freqüentar a alta sociedade na companhia de sua mãe viúva.

Muitos homens haviam tentado namorá-la, mas, pelo que Xandro sabia, nenhum tivera sucesso.

Com uma reputação impecável, charmosa e conceituada na alta sociedade, Liana Girard, imaginou ele, seria uma esposa eminentemente adequada.

Tudo que lhe faltava era um ponto de partida para cortejá-la... e seguir em frente até o pedido em casamento.

Os olhos de Xandro se estreitaram levemente quando Liliana Girard se afastou da filha e começou a vir em sua direção.

— Xandro. Que bom vê-lo aqui.

— Liliana. — Ele tomou-lhe as mãos estendidas, depois curvou a cabeça e roçou levemente seus lábios no rosto dela.

— Se você está sozinho esta noite, talvez queira se juntar a mim e a Liana.

Xandro inclinou a cabeça numa aquiescência silenciosa.

— Obrigado. Eu adoraria.

Ele permitiu que Liliana o precedesse, e seu olhar se tornou deliberadamente enigmático quando viu o momento em que Liana sentiu sua aproximação, revelada pela postura imóvel, na leve erguida da cabeça, como uma gazela frágil prevendo perigo.

Então, este momento desapareceu, sendo logo substituído por um sorriso forçado quando ele se aproximou.

Observar as pessoas era uma forma de arte, a linguagem corporal, uma habilidade que requeria prática... e Xandro era um mestre em ambas.

— Xandro — conseguiu dizer Liana, com educação, enquanto silenciosamente maldizia a forma como sua pulsação acelerava. Havia algo nele, uma qualidade indefinida que fazia os pêlos de sua nuca se arrepiarem num alerta silencioso, uma espécie de premonição... de quê?

Ele era alto como uma torre imponente. Era necessário erguer a cabeça para olhá-lo.

Atraente, pensou Liana, observando que a iluminação do ambiente acentuava suas feições como se fossem esculpidas, a linha do maxilar forte e a expressão enigmática nos olhos escuros.

O traje de Xandro era impecável, confeccionado sob medida, amenizando, em vez de destacar, a impressionante largura dos ombros.

Intensamente másculo, possuía uma aura de poder incontestável, embora somente um tolo não detectasse a insensibilidade sob a aparência arrasadora.

— Liana.


Ele não fez qualquer tentativa de tocá-la... então, por que ela não conseguia evitar a sensação instintiva de que ele estava apenas aguardando uma oportunidade? Não fazia sentido.

— Suponho que vá compartilhar de nossa mesa esta noite. Ela era articulada na arte da conversação e podia falar tanto em italiano fluente quando em francês, graças a um ano passado em cada um desses países estudando moda.

Entretanto, na presença daquele homem, precisava se esforçar para manter uma fachada socialmente apresentável. Sabia, de alguma forma, que ele via através dela. O olhar dele permaneceu fixo e sereno.

— Algum problema quanto a isso?

O que ele faria se ela dissesse... sim! Liana retribuiu com um sorriso educado.

— Será um prazer tê-lo conosco — mentiu.

— Um dos membros do comitê acabou de acenar para mim — disse Liliana. — Não me demoro.

Por um momento Liana se sentiu desolada e incrivelmente vulnerável. Podia escapar, inventar uma desculpa... se encaminhar para outro grupo de convidados. Porém, seria um esforço infrutífero, pois duvidava que qualquer coisa do gênero pudesse enganar Xandro.

Era inevitável que eles cruzassem seus caminhos. O império Caramanis era um benfeitor conhecido de instituições de caridade, e eventos como o daquela noite asseguravam a presença de Xandro, geralmente acompanhado de alguma bela mulher.

Entretanto, esta era a terceira vez nas últimas semanas em que ele aparecia em tais eventos sozinho.

Poderia estar deliberadamente procurando por ela? Não, a idéia era ridícula. Eles tinham personalidades opostas. Além disso, Liana não queria saber de homens. Já havia passado mais de dois anos, mas, uma vez ferida...

Um leve tremor percorreu-lhe a espinha ao se lembrar daquela noite trágica quando suas esperanças e sonhos tinham sido tão cruelmente despedaçados.

Havia sobrevivido e mudado, se entregando à vida profissional em tal extensão que ela consumia quase todo o seu tempo.

Havia pouco que quisesse ou precisasse. Nada de sonhos não realizados.

— Querido. — A voz feminina era puramente felina e combinava com a loura alta e esbelta que apareceu ao lado de Xandro. — Não esperava vê-lo essa noite.

— Danika — cumprimentou Xandro, sem que o sorriso educado lhe alcançasse os olhos.

A modelo australiana trilhava as passarelas internacionais e era muito assediada pelos estilistas, a despeito de seu mau humor e acessos infundados de raiva nos bastidores.

Trabalhar com ela era um transtorno, mas a mulher possuía uma habilidade mágica de realçar as roupas que usava nos desfiles, o que a colocava incontestávelmente na elite.

— Você já conhece Liana?

Os olhos azuis brilhantes a fitaram com ar de superioridade.

— Deveria conhecer?

A resposta mordaz foi suavizada com uma ingênua e maliciosa contração daquela boca perfeitamente pintada.

— Liana é estilista.

— Verdade?

Seria impossível fingir com mais maestria o desinteresse e a apatia daquele comentário. Aquela era uma ocasião festiva, e, negócios à parte, a glamourosa modelo tinha apenas um objetivo em mente... Xandro Caramanis. E quem poderia culpá-la? O homem era o melhor partido da década!

— Não estou familiarizada com seu nome. Liana... do quê!

— Girard — informou Xandro suavemente.

Liana chegou à conclusão de que não haveria momento mais adequado.

— Da Arabelle. — Ela esperou um pouco. —- Você está usando um. — Líana também estava, claro, um modelo maravilhoso e seda cor-de-rosa, com um decote generoso.

Os olhos de Danika se estreitaram.

— Foi vendido como original.

— É um exemplar de cortesia — corrigiu liana, e viu a modelo erguer uma das mãos.

— Minha agente é quem lida com os detalhes.

— Ela segue as suas instruções. — Era parte do acordo, parte do jogo que Danika fazia. Os estilistas adoravam sua vaidade exacerbada e fechavam os olhos para qualquer inconveniente. A cortesia de um de seus modelos originais era insignificante diante do grande esquema. Não passava de marketing... propaganda... e vendas.

Danika colocou uma unha pintada em vermelho berrante na lapela do traje de Xandro e ofereceu um sorriso sedutor.

— Providenciarei para que compartilhemos a mesma mesa.

Com um movimento lento, ele removeu a mão de Danika.

— Não.


Apenas... não? Liana vislumbrou a frieza nos olhos azuis espantados de Danika quando seus lábios formaram um beicinho deliberado.

— Pobrezinho, você perderá uma diversão garantida, querido. Estou disponível, caso mude de idéia.

Danika moveu os dedos num adeus silencioso antes de retornar para a multidão de convidados.

Foi quando as portas do salão de baile se abriram e os convidados se encaminharam para tomar seus lugares.

Liana se espantou quando Xandro a conduziu pelo braço para dentro do vasto salão com centenas de mesas.

O toque era quente em sua pele nua, ardente como brasa, e a fez tremer por dentro, ameaçando seu equilíbrio.

Não era um sentimento que ela cobiçasse, e Liana lutou contra uma necessidade instintiva de se libertar.

— Alguma razão para aparentar tanta intimidade? — perguntou calmamente, e viu uma das sobrancelhas dele erguer-se numa demonstração de divertimento.

— Gostar da sua companhia? Ela o fitou cuidadosamente.

— Ajudaria muito se você pudesse me esclarecer qual é o seu jogo.

— Você acreditaria que... nenhum?

— Devo me sentir lisonjeada? — indagou Liana docemente e ouviu uma gargalhada rouca.

— Você não está?

— Detestaria fazer seu mundo cair — disse Liana quando uma jovem e bonita recepcionista os conduziu para uma mesa junto ao palco.

Cartões com nomes designavam a reserva dos lugares, e não foi uma surpresa achar o de Xandro posicionado junto ao seu.

Quão difícil seria conversar, sorrir e fazer todo aquele jogo social?



Finja, repetia uma voz minúscula junto ao seu ouvido. Você é boa nisso.

-— O que você gostaria de beber?

Havia vinho sobre a mesa, mas, como ela não almoçara, o álcool em qualquer forma ou quantidade subiria direto à sua cabeça.

— Apenas água, obrigada.

Xandro lhe serviu um cálice de água gelada, e depois encheu o seu próprio.

— Muita saúde e muito dinheiro. — Ele tocou a borda do cálice dela, tilintando um brinde.

Liliana se uniu a eles, a mesa se completou e as apresentações se seguiram. A noite começou com o discurso habitual de abertura pelo atual presidente da associação de caridade.

As luzes diminuíram e as garçons começaram a servir o jantar, enquanto o orador convidado assumia seu lugar no púlpito.

Liana estava completamente consciente do homem ao seu lado... a fragrância exclusiva de sua colônia, o perfume de roupa lavada recentemente misturado com um destacado aroma masculino.

Havia algo de perigoso em Xandro, que ameaçava romper a armadura que ela cuidadosamente colocara ao seu redor em sua necessidade de autopreservação.

Esta sensação a deixou cautelosa, quase como se tivesse de juntar toda sua sabedoria e permanecer em constante alerta na presença dele.

Pelo amor de Deus, uma voz interior a censurou. Xandro Caramanis não é nada para você. Ademais, você não quer que seja. Portanto supere isso!

Por outro lado, o sentimento persistiu, dificultando que pudesse relaxar.

Liana comeu mecanicamente, levando com o garfo pequenas porções de comida até a boca, sem que realmente estivesse saboreando qualquer coisa.

Não adiantava a certeza de que sua aparente ligação com Xandro atraía atenções e especulações indesejadas. Ou ainda que Xandro era o foco da total atenção de Danika.

Estaria ele empenhado em tornar público o relacionamento que tinha... de qualquer espécie que fosse... com a glamourosa modelo?

— Não.

A negação de Xandro, dita como se houvesse lido seu pensamento, a espantou, e Liana não se fez de desentendida quando lhe encontrou o olhar enigmático.



— Mesmo? — Ela arqueou uma sobrancelha expressiva.

— Não.


A confirmação era tão inflexível que ela não podia ignorar, e detestou a tensão que comprimia seu peito. Queria perguntar: o que você está fazendo?

Mas as palavras permaneceram não ditas, e ela deliberadamente voltou sua atenção para o convidado ao lado, engajando-se em uma conversa repleta de banalidades.

Mas a presença de Xandro tão próximo, era inescapável, e isso a aborrecia muito, pelo poder de desestabilizar seu equilíbrio emocional.

Ele saberia disso? Deus adorado, ela esperava com todo fervor que não!

O jantar parecia interminável, concluído com café e novo discurso prolixo.

A música ambiente proporcionava uma razão para que os convidados se movessem livremente entre as mesas, e conversassem... o que, para muitos, isso sinalizava o fim de uma noite prazerosa.

Dentro em breve, Liliana se levantaria, agradeceria aos convidados da mesa pelo patrocínio deles, lhes desejaria boa-noite... e Liana estaria enfim livre da presença perturbadora de Xandro.

Porém, seu alívio foi breve, pois Xandro manifestou sua intenção de acompanhá-las até o saguão.

— Não é necessário.

—Ao contrário. — Ele a segurou pelo cotovelo, causando-lhe uma leve aceleração do pulso. Não, ela quis protestar.

— Pretendo organizar um leilão em benefício da Fundação e Leucemia e apreciaria muito os conselhos de Liliana.

Sua mãe se demonstrou genuinamente interessada.

— Quanta generosidade de sua parte. É claro que terei muito prazer em ajudá-lo do modo que me for possível.

— Ótimo — disse Xandro. — Talvez vocês duas aceitem um convite para jantar comigo, para discutirmos os detalhes. Digamos... Quinta-feira da próxima semana?

— Obrigada.

Liliana aceitaria, Liana sabia, e reorganizaria sua agenda social num piscar de olhos para prestar qualquer favor a Xandro Caramanis.

Chegando ao saguão, Xandro acenou para que o recepcionista mandasse buscar o carro delas e o seu.

Em poucos minutos, um Bentley GT prateado parou do lado de fora da entrada principal.

— Sete horas — indicou Xandro, retirando um cartão de sua carteira e escrevendo algumas linhas no verso. — Minha casa.

Num movimento quase imperceptível, deu uma gorjeta ao manobrista do hotel, depois sentou-se ao volante e dirigiu através do tráfego que fluía.

Segundos depois, o BMW azul-marinho de Liana chegou e Liliana esperou somente que a filha se afastasse dos convidados que se avolumavam na frente do hotel, antes de dizer:

— Que convite mais encantador, querida! E que maravilha ter Alexandro pedindo minha ajuda.

O que Liana poderia dizer?

— Vamos ver o que acontece.

— Você tem alguma restrição? Diversas. Mas ela não apontou nenhuma.

— Você precisa ir, é claro.

Nós precisamos, querida. Ambas, Liana parou o carro num cruzamento.

Mamãe, não — disse ela gentilmente. Liliana lhe ofereceu um olhar lamentando a recusa.

— Você não mudará de idéia?

Não nesse século, jurou ela em silêncio. Quanto menos contato tivesse com Alexandro Caramanis, melhor.

CAPÍTULO DOIS
Os preparativos para o Fashion Design Awards exigiram que Liana passasse a maior parte do fim de semana em seu estúdio, enquanto checava inúmeras vezes a seleção das peças que tanto ela quanto sua sócia, Micki, haviam escolhido para compor os vários desfiles.

O processo seletivo constituía em exame do tecido, costura e acabamento por uma equipe de especialistas que proporcionava uma classificação antes do julgamento final na passarela. O que significava garantir a perfeição em todos os detalhes... ou tão perto da perfeição quanto possível.

A premiação em qualquer categoria acrescentava ao currículo do estilista garantia de interesse crescente e vendas. Contudo, para Liana, o foco estava em transformar um tecido de qualidade em modelo de estilo perfeito.

Desde criança, adorava vestir suas bonecas e, com ajuda da mãe, tinha criado modelos e feito sua própria série de roupas em miniatura, passando mais tarde a desenhar e confeccionar suas próprias roupas.

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