Esculturas no Parque



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Esculturas no Parque”:

Claes Oldenburg & Coosje van Bruggen
No parque da Fundação de Serralves, no Porto, está patente, desde 2001, uma exposição de obras do casal Claes Oldenburg e Coosje van Bruggen. Inicialmente, a exposição era composta por sete esculturas e ainda por desenhos e maquetas de várias peças, todas elas de grandes proporções. Actualmente, a única obra exposta é uma escultura gigante de uma colher de jardineiro, com cerca de 21 pés de altura (aproximadamente 6,40 metros), que se intitula precisamente “Plantoir” (“Colher de Jardineiro”).
Claes Oldenburg é um escultor sueco que foi para os Estados Unidos ainda criança. Nascido em 1929, Oldenburg é um dos nomes fundamentais da “Pop Art”, ao lado dos de Andy Warhol, Richard Hamilton e Jim Dine, entre outros. O artista afirma, no entanto, que não teve “grande coisa a ver com a invenção da Pop” e apenas fez parte de um grupo de artistas que “começou a usar objectos comerciais”. Mas o escultor não se ficou por aí. O encontro com Allan Kaprow, em 1958, proporcionou-lhe tomar parte nos “Happenings” deste. Desde então, Oldenburg tem criado vários “environments”, de entre os quais se destacam “The Street” (Reuben Gallery, 1960) e “The Store” (107 East 2nd Street, 1961). Por esta altura, começou também a fazer réplicas de objectos de consumo (hambúrgueres, gelados, bolos), que abriram caminho para a realização das “esculturas moles” (“soft sculptures”), de que é exemplo “O Hambúrguer Gigante” (1967).
Coosje van Bruggen, nascida em 1942, é especialista em História de Arte. A artista holandesa, naturalizada norte-americana em 1993, divide a sua actividade entre o ensaísmo e a criação de objectos artísticos. De 1967 a 1971, foi membro da equipa curatorial do Stedelijk Museum, em Amesterdão e, em 1982, fez parte do comité de selecção da Documenta 7, em Kassel (Alemanha). Colaborou com a revista Artforum, de 1983 1988, e publicou livros sobre vários artistas, entre eles, Bruce Nauman, Claes Oldenburg, John Baldessari, Frank O. Ghery e Hanne Darboven.
Os dois artistas começaram a trabalhar juntos em 1976 e casaram em 1977. Desde então têm concretizado vários projectos, entre esculturas e “performances”. Os mais conhecidos são “Spoonbridge and Cherry” (1988), uma ponte em forma de colher encimada por uma cereja, situada num jardim público de Minneapolis (Minnesota, E.U.A.) e “Binoculars” (1991), um edifício construído em colaboração com o arquitecto Frank O. Ghery, em Venice, Califórnia, que tem como peça central uns binóculos gigantes.
Aquando do seu início, a exposição de Serralves foi dividida em duas partes: por um lado, existia uma mostra retrospectiva de modelos para peças de exterior e no parque estavam instaladas as sete esculturas, entre as quais “Valentine Perfume”, “The Flying Blueberry Pie” (“Tarte de Mirtilos”) e “Pantoir” (“Colher de Jardineiro”). A única obra que, actualmente, é referida pela fundação nos roteiros do parque é “Plantoir”. Foi, portanto, essa a peça que o grupo que foi a Serralves no passado dia 5 de Janeiro, do qual fiz parte, teve oportunidade de observar. Creio que as esculturas não foram todas instaladas simultaneamente, mas sim que foram expostas uma seguida à outra. Contudo não consegui encontrar documentos que comprovem a minha dedução. De qualquer modo, só assim se explicaria o facto de apenas uma obra figurar no itinerário do passeio pelo parque.
Como o próprio Oldenburg admite, os temas que utiliza mantêm-se os mesmos desde o princípio da sua carreira: “o uso de objectos comerciais” e da vida quotidiana. Van Bruggen refere que ela e o marido, ao darem uma interpretação pessoal aos objectos, pretendem atingir o “inconsciente colectivo de muitas pessoas” e, assim, transformar, se possível, as suas obras “numa referência”, “num signo do nosso tempo”. O casal pretende que o público contemple as suas obras pois, segundo Coosje van Bruggen, “Essa experiência é cada vez mais rara nos nossos dias, quando estamos quer habituados a saltar de canal em canal televisivo, quer distantes das experiências estéticas.”.
Vista por esse prisma, “Plantoir” pode ser compreendida como um símbolo do mundo actual, uma metáfora da estandardização, da massificação e da trivialização, à semelhança do que acontece com grande parte das criações destes artistas. Por outro lado, a obra pode ser entendida numa perspectiva quase antagónica à anterior na medida em que se pode considerar uma tentativa, da parte dos autores, de pôr entraves ao juízo crítico dos espectadores e à compreensão da obra e da intenção do seu autor, ou seja, o objectivo dos artistas não seria que o público reflectisse sobre o que via, mas que apenas desfrutasse do prazer de observar.
Quanto à monumentalidade desta peça, em particular, e dos outros trabalhos destes artistas, em geral, van Bruggen explica que “Não aumentamos os objectos: tomamos-lhe a essência e criamos uma escultura que oscila entre um objecto e uma abstracção. Neste sentido, ao criar-se uma imagem mnemónica maior do que a vida e ao incorporá-la fisicamente, tem-se a oportunidade de criar algo que vá para além do lugar onde a escultura foi instalada.”, isto é, a obra pode tornar-se uma referência, um símbolo.
As obras deste casal de artistas têm uma dimensão humorística muito particular que se relaciona com o seu simbolismo. Sobre isto, Oldenburg sublinha “Na verdade, não posso imaginar criar alguma coisa sem, pelo, menos, pensar que ela pode ter humor. Algumas vezes, o humor é mais ironia, sarcasmo ou sátira; noutras, surge por acaso. Este é um ingrediente da arte de viver.”.
Termino este pequeno trabalho destacando as palavras de Claes Oldenburg em relação ao humor das suas criações “Este é um ingrediente da arte de viver.”, estendendo-as a toda a dimensão metafórica e satírica das mesmas, pois estes são, igualmente, ingredientes da arte de viver.
Lília Carina Duarte de Abreu

Estudos Artísticos – 1º ano

Estética

Janeiro de 2005



Bibliografia:

Faria, Óscar, “Claes Oldenburg e Coosje Van Bruggen: metáforas do quotidiano”, Mil Folhas, 19 de Maio de 2001, <http://lazer.publico.pt/porto2001/entrevistas/entrevista0015.html> (16 de Janeiro de 2005).

Carvalhal, António e Soares, Leonor, “Correntes artísticas contemporâneas”, Sépia*arte e estética artes plásticas textos 2, 1 de Março de 2001, <http://sepia.no.sapo.pt/sepiaapcxx.html> (16 de Janeiro de 2005).

(autor desconhecido), “Claes Oldenburg”, (s/d), <http://www.fi.muni.cz/~toms/PopArt/Biographies/oldenburg.html> (2 de Janeiro de 2005).


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