Espaço Comportamental



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Espaço Comportamental

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A Evolução do Comportamento Verbal *
B. F. Skinner
A teoria evolucionária sempre foi prejudicada pela insuficiência de evidência. Nós vemos os produtos da evolução, mas não muito o processo. A maior parte da história aconteceu há muito tempo e pouco resta dos estágios iniciais. Especialmente, restam poucos traços de comportamento; só modernamente havia artefatos que poderiam resistir. O comportamento verbal não deixou artefatos até o surgimento da escrita e isso foi em um estágio mais tarde. Provavelmente, nós nunca saberemos precisamente o que aconteceu, mas nós devemos ser capazes de dizer o que pôde ter acontecido - isto é, quais tipos de variação e quais tipos de contingência de seleção puderam ter trazido o comportamento verbal à existência. A especulação sobre seleção natural é apoiada por pesquisa atual sobre genética; a evolução do ambiente social ou cultura é apoiada pela análise experimental do comportamento.

Falando estritamente, o comportamento verbal não evolui. Ele é o produto de um ambiente verbal, ou o que os lingüistas chamam de linguagem, e é o ambiente verbal que evolui. Devido ao ambiente verbal ser composto de ouvintes, é compreensível que os lingüistas enfatizem o ouvinte. (Uma pergunta freqüentemente formulada, por exemplo, é "Como é possível, para uma pessoa, compreender um número potencialmente infinito de sentenças?". Em contraste, um analista de comportamento pergunta: "Como é possível, para uma pessoa, dizer um número potencialmente infinito de sentenças?"). Este artigo, então, é sobre a evolução do ambiente verbal como a fonte do comportamento do falante.

A plausibilidade de uma reconstrução depende em parte da proporção das variações que são admitidas como tendo ocorrido. Quanto menores as variações, mais plausível a explicação. A construção de teia pela aranha, por exemplo, dificilmente pôde ter aparecido toda de uma só vez na sua forma atual como uma variação. Que ela evoluiu em uma série de pequenos passos é mais plausível. A excreção que eventualmente se tornou seda pode ter começado como uma cobertura para ovos. Ela funcionou melhor quando tomou forma de fibras com as quais os ovos podiam ser envolvidos ao invés de cobertos. As fibras ajudaram as aranhas a evitar quedas enquanto trabalhavam e, à medida que as fibras se desenvolveram mais fortes, elas puderam capacitar as aranhas a içarem-se e descerem. Os fios deixados para trás podiam capturar insetos que as aranhas comiam. Quanto mais fios eram deixados, mais insetos as aranhas capturavam. Alguns padrões de fios capturavam mais do que outros. E assim por diante. Isto pode não ser exatamente o que aconteceu, mas é mais fácil de se acreditar do que no surgimento da construção de teia como uma única e súbita variação.

A evolução do comportamento é também mais plausível se considerada como o produto de uma série de pequenas variações e seleções. O processo é particularmente parecido com a modelagem do comportamento operante através de pequenas mudanças nas contingências do reforçamento; e o que temos aprendido sobre o processo operante tem nos ajudado a compreender o processo genético, apesar das enormes diferenças entre eles.

"SINALIZAÇÃO" FILOGÊNICA
A palavra sinal não compromete seu usuário com qualquer teoria da linguagem. Fumaça é um sinal de fogo e, nuvens escuras, um sinal de chuva. O rosnar de um cão raivoso é um sinal de perigo. Organismos respondem a sinais através de processos comportamentais bem conhecidos. Sinalizar é fazer um sinal; nós responsabilizamos a sinalização por apontar as consequências que teriam se seguido. Fogo e chuva não sinalizam, mas cães sinalizam, se o que outros animais fizeram, quando cães rosnaram, tomou parte na seleção do rosnar. Existem dificuldades em explicar a evolução até deste exemplo, embora relativamente simples, e outros tipos de "sinalização" levantam outros problemas.

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* Texto originalmente publicado no JEAB, 45 (1986), 115-22 e reeditado em B. F. Skinner (1987), Upon Furher Reflection. New Jersey: Prentice-Hall. (Tradução do Profº Ildenor Mascarenhas Cerqueira, exclusivamente para uso no Estágio em Terapia Comportamental da UFBA).
Os organismos devem ter se beneficiado do comportamento de cada outro em um estágio muito inicial através da imitação. Imitar é mais do que fazer o que um outro organismo está fazendo. Pombos que forrageiam em um parque não estão imitando totalmente um ao outro; eles estão agindo independentemente sob contingências ambientais similares. Imitar é agir como outro organismo esta agindo porque conseqüências similares têm então ocorrido. A evolução do processo pode estar orientada para consequências seletivas plausíveis: as contingências responsáveis pelo comportamento imitado podem afetar outro organismo quando ele se comporta da mesma maneira. Assim, se um de dois animais pastando vê um predador e corre, o outro é mais provável de escapar se também correr, ainda que ele não tenha visto o predador. Correr sempre que outro organismo corre geralmente tem valor de sobrevivência.

Foi somente após que uma tendência a imitar evoluísse para que existissem contingências para a evolução do processo recíproco de modelação. Um pássaro jovem que eventualmente aprenderia a voar sem ajuda aprende tão logo ele imite um pássaro voando. Seus pais podem acelerar o processo, voando por onde o jovem pássaro possa vê-los e de modos que sejam facilmente imitados. Dizer que seus pais estão "mostrando a seu jovem como voar" nada acrescenta como explicação e pode implicar mais do que está realmente envolvido.

A evolução de outros tipos de comportamento reciprocamente auxiliar não é tão facilmente explicada. Por exemplo, qual teria sido o valor de sobrevivência da dança da abelha que estava retornando de boa forragem antes que as demais abelhas respondessem à dança e como responder a ela teria evoluído antes das abelhas dançarem? (A questão não é levantada por imitação e modelação porque as contingências que explicam por imitação não requerem modelação.). Nós precisamos supor que a distância ou a direção nas quais as abelhas trafegavam tinham algum outro efeito sobre seu comportamento. Talvez sinais de fadiga variassem com a distância ou movimentos fototrópicos variassem de acordo com a posição do sol em seus retornos. Uma vez que o comportamento recíproco tenha evoluído, variações posteriores puderam torná-lo mais efetivo. Abelhas que retornavam podiam dançar de modos mais notáveis e outras abelhas podiam responder mais acuradamente aos aspectos da dança. Frequentemente se diz que as abelhas têm uma linguagem, que elas "contam uma às outras onde se encontra boa forragem", que a dança "conduz informação", e assim por diante. Tais expressões, bastante úteis no discurso casual, nada acrescentam para uma explicação em termos de seleção natural e podem obscurecer os processos em questão.
"SINALIZAÇÃO" ONTOGÊNICA
Contingências de reforçamento se assemelham a contingências de sobrevivência de várias maneiras. Animais aprendem a imitar quando, ao fazer o que outros estão fazendo, eles são afetados pelas mesmas contingências - de reforçamento ao invés de sobrevivência. Uma vez que tenham ocorrido, existem contingências nas quais outros aprendem a modelar - a se comportar de modos que possam ser mais facilmente imitados. Se, por exemplo, uma porta pode ser aberta apenas sendo deslizada por um lado, ao invés de empurrada ou puxada, uma pessoa deslizará ela após ver que uma outra pessoa fez assim, embora a outra pessoa não esteja necessariamente modelando o comportamento. Em tal exemplo, ambas as partes podem exibir indícios de imitação filogenética ou modelação, mas contingências operantes seriam suficientes. Um modelador não próximo à porta poderia fazer o tipo de movimento que a abriria, caso ela estivesse fechada, assim como um gesto. Novamente, dizer que o modelador está "mostrando ao outro como abrir a porta" é útil no discurso casual, mas potencialmente confuso numa explicação científica.

Quando um gesto não é um tipo de modelação, nós precisamos perguntar o que o teria reforçado, antes que alguém respondesse apropriadamente, e como alguém teria aprendido a responder, antes que ele viesse a existir como gesto. Por exemplo, como poderia o gesto com o qual um guarda de trânsito pára um carro que se aproxima ter sido adquirido, antes que a pessoa parasse em resposta a ele, e como poderia a pessoa ter aprendido a parar antes que alguém gesticulasse deste modo? Como no caso das abelhas, outras contingências relacionadas ao parar são necessárias e, certamente, elas não são difíceis de encontrar. Uma pessoa pode parar uma outra, colocando uma mão em seu peito; uma pessoa que encontra tal contato aversivo parará em ocasiões posteriores antes que o contado seja feito. O movimento de braço e mão muda de uma resposta prática a um gesto. Uma vez que tenha acontecido, a topografia pode mudar até que ela possa ter pouco ou nenhum efeito físico.

O gesto que significa "Venha cá" é um outro exemplo. Ele presumivelmente se originou como pratica de puxar, mas se tornou efetivo como um gesto quando as pessoas que eram puxadas moveram-se rapidamente para evitar o contato físico. A topografia do gesto varia ainda com a distância, possivelmente devido a sua visibilidade, mas também como se algum trabalho prático restou a ser feito: quando os participantes estão muito afastados, o braço inteiro é movido; quando eles estão bastante pertos, apenas o antebraço; e quando eles estão próximos, apenas a mão ou simplesmente um dedo.
COMPORTAMENTO VOCAL
A espécie humana deu um passo crucial para adiante quando sua musculatura vocal ficou sob controle operante na produção dos sons da fala. É deveras possível que todas as conquistas próprias da espécie possam ter se seguido a esta alteração genética. Outras espécies se comportam vocalmente, é claro, e o comportamento é algumas vezes modificado levemente durante o tempo de vida do indivíduo (como no canto dos pássaros, por exemplo), mas ali as principais contingências de seleção têm permanecido filogenéticas, seja física (como na locação ecóica) ou social. Papagaios e outros poucos pássaros imitam a fala humana, mas é difícil de se modificar este comportamento ou coloca-lo sob controle de estímulo através de condicionamento operante.

Alguns dos órgãos envolvidos na produção de sons da fala já foram submetidos ao condicionamento operante. O diafragma deve ter participado na respiração controlada, a língua e o maxilar na mastigação e deglutição, o maxilar e os dentes na mordição e dilaceração, e os lábios no bebericar e na sucção; tudo isso pôde ser modificado pelo condicionamento operante. Apenas as cordas vocais e a faringe parecem não ter servido a nenhuma função prévia à operante. Elas, presumivelmente, evoluíram como órgãos para produção de chamadas e gritos filogênicos. O passo crucial na evolução do comportamento verbal parece, então, ter sido a mudança genética que levou ao controle do condicionamento operante e tornou possível a coordenação de todos estes sistemas na produção dos sons da fala. Desde que outros primatas não tenham dado este passo, a mudança no homem foi, presumivelmente, recente. A possibilidade de que ela possa não estar ainda completa em todos os membros da espécie pode explicar porque existem tantas desordens da fala e talvez até tantas diferenças individuais no comportamento verbal complexo, assim como a matemática.

O comportamento vocal deve ter tido diversas vantagens na seleção natural. Os sons são efetivos no escuro, em torno de esquinas, quando ouvintes não estão olhando e podem ser feitos quando as mãos estão ocupadas com outras coisas. Existem vantagens especiais, contudo, em repertórios operantes amplos, especialmente a enorme variedade de sons de fala disponíveis. Os gestos não são tão notavelmente diferentes como os sons da fala e são então em menor número e os sons que alguém produz são mais semelhantes aos sons que alguém ouve do que os gestos que alguém faça sejam semelhantes aos gestos que alguém vê (porque eles são vistos de um ponto de vista diferente). Aprende-se a gesticular pela duplicação de movimento, mas fala-se pela duplicação de produto - o que é mais preciso.

É mais fácil explicar a evolução do condicionamento operante se admitirmos que as primeiras contingências de reforçamento se assemelhavam estreitamente às contingências da seleção natural, uma vez que apenas pequenas variações puderam ter sido efetivas, se as situações, topografias e conseqüências foram similares (¹). Isto poderia ter sido verdadeiro para operantes vocais. O choro de um bebê faminto, por exemplo, presumivelmente evoluiu como comportamento filogênico porque ele alertava os pais do bebê. Mas, quando através de uma mudança evolucionária, a atenção dos pais começou a atuar como um reforçador, o chorar se tornou um operante e, assim ocorrendo, trouxe vantagens adicionais ao bebê e à espécie. Uma vez ocorrendo como operante, contudo, o chorar podia ocorrer em circunstâncias bastante instáveis para figurar na seleção natural. Um bebê que não estava faminto, por exemplo, podia chorar de modo que os pais pudessem escapar fazendo coisas que não tinham vantagem necessária à espécie.

Uma similaridade entre contingências ontogênicas e filogênicas não é, claro, necessária. O tossir, por exemplo, presumivelmente evoluiu como um reflexo que limpava a garganta de irritantes. Mas, logo que a musculatura vocal ficou sob controle operante, o tossir pôde ser afetado por uma conseqüência diferente, tal como a atenção de um ouvinte. Se ouvintes continuavam a responder, a topografia podia mudar até que ela não tivesse efeito sobre a garganta. A tosse tornar-se-ia o operante verbal "Ahã!". Isto _____________________________________________________________________________________
¹ Ver Capítulo 5 (The Evolution of Behavior) de B. F. Skinner, Upon Further Reflection (New Jersey: Prentice-Hall, 1987).
poderia ter acontecido antes que as cordas vocais ficassem sob controle operante e algo semelhante pode ter sido o primeiro movimento do gesto ao comportamento vocal, mas não falado.

Embora os operantes vocais iniciais pudessem ter sido "preparados" deste modo pelo comportamento filogênico, a evolução do condicionamento operante parece ter sido acompanhada pela evolução de um agregado de comportamento que não tomava parte na seleção natural e estava, portanto, mais prontamente sujeito ao reforçamento operante (²). Um exemplo vocal óbvio é o balbucio de crianças pequenas - essencialmente sons fortuitos que se tornaram operantes quando selecionados por reforçadores. O comportamento verbal oriundo de um agregado de comportamento não-comprometido não tem conexão com chamadas ou gritos filogênicos e, em geral, não temos razão para denominá-lo como uma extensão de "sinalização" filogênica vocal.


UM EPISÓDIO VOCAL
Digamos que dois homens, A e B, estejam pescando juntos. Eles abaixam uma rede rasa, contendo isca, dentro da água; quando um peixe nada dentro da rede, ela é puxada rapidamente para cima. Digamos que A abaixa e levanta a rede e B toma uma posição da qual possa vê-la mais claramente. Qualquer coisa que B faça, quando um peixe entra na rede, serve como estímulo discriminativo para A, em presença do qual puxar a rede será mais frequentemente reforçado pelo aparecimento de um peixe na rede. B pode modelar o puxar, se ele já aprendeu a modelar, mas nada mais é necessário do que nós podemos chamar de um sinal de "excitamento" na presença de um peixe na rede ou um sinal de "aborrecimento", caso A falhe ao puxar. Qualquer que seja o comportamento, ele começa a funcionar como um gesto tão logo ele tenha sido reforçado pela resposta de A (e, presumivelmente, por uma quota do peixe). Os padrões de comportamento de ambas as partes então mudam lentamente, à medida que seus papéis se tornam mais acentuadamente definidos. B se torna mais claramente o observador, movendo-se na melhor posição para ver o peixe e gesticulando tão rapidamente quanto efetivamente possível, e A se torna mais claramente o ator, atentando a B estreitamente e puxando tão rapidamente quanto possível quando B responde.

Digamos que, à medida que A e B continuem a pescar cooperativamente, uma resposta vocal (talvez o indiferenciado "uh", não requerendo controle operante das cordas vocais) seja selecionada por sua conveniência para B e pela rapidez e consistência com as quais ela alcança A. Nós poderíamos então descrever o episódio de duas maneiras. Em termos tradicionais, nós poderíamos dizer que "quando B diz 'Uh', ele está informando A que existe um peixe na rede" e que ele usa "Uh" como uma palavra que "significa 'peixe' ou se refere a peixe". Ou nós poderíamos dizer que B está "informando A para puxar a rede" e, em qualquer caso, "Uh" significa "puxe".

A pesca cooperativa sugere que A e B dividem o peixe, mas os papéis de A e B ficam mais aclarados se um obtém o peixe e induz o outro a se comportar por outros meios. Se B obtém o peixe e arranja conseqüências reforçadoras para A, "Uh" seria classificada em diversas formas diferentes conforme o tipo de conseqüência arranjada. Se A puxa porque no passado B o puniu por não puxar, "Uh" é um comando. Se B pagou A, ela é uma ordem. Se os dois são amigos, dispostos a ajudar um ao outro, ela é um pedido. Por outro lado, se A obtém o peixe e de algum modo reforça a resposta de B, "Uh" seria chamada de um "relato" ou um "anúncio" da presença de um peixe na rede. Mas, embora estas expressões tradicionais possam ser úteis em discurso casual, elas não nos levam muito longe para uma explicação científica. O episódio não é nada mais do que um exemplo do comportamento recíproco de dois indivíduos e as contingências que o explicam estão claras.
TATOS E MANDOS
Nós não alcançamos ainda o ponto no qual nós possamos chamar a resposta de um mando ou um tato. Conforme esses termos são definidos em Verbal Behavior, as conseqüências devem ser generalizadas. A generalização necessária presumivelmente veio aproximadamente quando havia muitas atividades cooperativas nas quais um único objeto (tal como um peixe) ou uma única ação (tal como puxar) tomava parte. Peixes são manuseados, transportados, descarregados, limpados, cozinhados, comidos e assim por diante. Embora as coisas, às vezes, tenham, por assim dizer, "diferentes nomes de acordo o que se faz com elas", uma forma única deveria emergir através de generalização de estímulo. Um tato emerge, assim como a probabilidade de dizer "peixe" na presença de um peixe, quando diferentes ocorrências são

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² Idem.
seguidas por diferentes conseqüências reforçadoras, totalmente à parte de qualquer outra característica de uma situação particular. Talvez não haja então dano particular ao se usar palavras tradicionais e dizer que peixe "se refere a peixe" ou "significa 'peixe'", onde o significado ou referente seja simplesmente o peixe como a variável principal de controle. Dizer que o falante usa a palavra para significar "peixe" ou para se referir a um peixe é, contudo, voltar ao início de nossa estória.

A natureza de um tato como uma mera probabilidade de responder fica esclarecida se nós não falarmos de significado ou referência. Digamos que eu estou chamando alguém cuja parede do escritório tem um grande peixe-espada armado nela. Eu começo a procurar algo em minha pasta. Quando perguntado pelo que estou fazendo, eu digo "eu estou pescando uma carta que eu quero lhe mostrar". O peixe na parede forçou peixe como um tato e participou da escolha de um sinônimo. (Se, ao invés, lá estivesse uma amostra de revólveres na parede, eu podia mais provavelmente ter dito "eu estou caçando uma carta."). Em tal caso, nós não dizemos que pescando se refere ao peixe na parede, mesmo que tenha sido forçado por ele.

Como uma mera probabilidade de responder, um tato tem o mesmo estatuto de três outros tipos de operante verbal que também não são ditos significar ou se referir às suas variáveis controladoras. Um é o ecóico (nós estaríamos com mais probabilidade de dizer "pescando" se alguém tivesse dito apenas "peixe"). Outro é textual (nós estaríamos com mais probabilidade de dizer "pescando" se houvesse um sinal na parede que se lesse PEIXE); e um terceiro é o intraverbal (nós estaríamos com mais probabilidade de dizer "pescando" se tivéssemos lido ou ouvido uma palavra que ocorresse em proximidade com peixe). Nós não dizemos que peixe significa ou se refere a peixe quando é uma resposta ecóica, textual ou intraverbal. Se nós tendemos a dizer assim quando é um tato, não é porque existe um tipo diferente de relação controladora entre o estímulo e a resposta, mas preferivelmente porque o ouvinte responde de maneiras mais proveitosas ao estímulo controlador.

Como mera probabilidade de responder sob controle de um estímulo, um tato evolui como um produto de muitas instâncias nas quais uma resposta de uma dada forma tem sido reforçada na presença de um dado estímulo em muitos diferentes estados de privação ou estimulação aversiva. Quando tatos são ensinados com "os nomes das coisas", professores usam um reforçador generalizado - tal como "Bom!" ou algum outro reforçador social.

Um mando é também um subproduto de muitas instâncias, nas quais a variável controladora é um estado de privação ou estimulação aversiva. O mando puxe evoluiu quando respostas que têm esta forma foram reforçadas, quando ouvintes puxaram diferentes coisas, de diferentes maneiras, em diferentes ocasiões. É possível que mandos tenham evoluído primeiro e que eles contribuíram para a evolução dos tatos.

Existem dois tipos de mando. Puxe é um mando-ação, reforçado quando o ouvinte faz algo. Fish, como encurtamento de "Dê-me o peixe, por favor", é um mando-objeto, reforçado pelo recebimento do peixe. Um mando-objeto é mais provável de ocorrer em presença do objeto, porque ele foi mais frequentemente reforçado na presença deste objeto. Nós somos muito mais propensos a perguntar sobre as coisas que nós vemos numa loja, porque perguntar por objetos presentemente disponíveis foi mais frequentemente reforçado. (Esta é uma razão pela qual as lojas exibem seus artigos). O controle exercido pelo estímulo num mando-objeto não faz da resposta um tato enquanto as contingências reforçadoras permanecerem aquelas de um mando - enquanto dizer "peixe" for reforçado apenas pelo recebimento de um peixe - mas, mandos-objetos puderam fazer alguma contribuição à evolução do tato, da mesma forma. (Daí não se depreende que um falante que diz "peixe" como um tato estaria, então, dizendo-o como um mando-objeto ou vice versa) (³).


A EVOLUÇÃO DE AUTOCLÍTICOS
Se a ocasião, na qual um mando ou tato foi reforçado, re-ocorre essencialmente inalterada, o comportamento não precisa de uma outra explicação. O reforçamento teve seu efeito usual. A questão

crucial é o que acontece quando uma pessoa diz algo que nunca disse antes. Comportamento novo ocorre em novas ocasiões, e uma ocasião é nova no sentido de que suas características não apareceram juntas _____________________________________________________________________________________



³ Ver B. F. Skinner, Verbal behavior (New York: Appleton, 1957).

antes num mesmo arranjo. Algumas características de uma ocasião fortalecem uma resposta, outras fortalecem outra. Por exemplo, se duas pessoas estão caminhando juntas e uma delas sente alguns pingosde chuva, ela pode estar inclinada a dizer "Chuva". O ouvinte presente ou outros como ele reagem a esta resposta de maneiras reforçadoras. Ele ou outros como ele reagem também de outras maneiras a outros aspectos da situação - quando, por exemplo, o falante evidencia surpresa ou desapontamento. Nesta ocasião, o falante pode então dizer "Chuva" com um tom de voz de surpresa ou desapontamento. Algo foi acrescentado ao tato. Algo que foi acrescentado a outras respostas no passado com conseqüências reforçadoras, mas nunca antes à "Chuva". A possibilidade de recombinar os elementos de respostas vocais deste modo esclarece muito da extensão e do poder do comportamento verbal.

Efeitos colaterais particularmente mais importantes sobre o ouvinte levam-nos à evolução dos autoclíticos, ou - em termos tradicionais - à gramática. Uma importante consideração para o ouvinte é como ele pode reagir efetivamente a uma resposta-tato. O falante pode ajudar pela indicação da natureza e força do estímulo que controla seu comportamento. Se ele sentiu apenas uns poucos pingos de chuva, ele pode falar no tom de voz como a transcrita com o sinal de interrogação: "Chuva?". Não é para o ouvinte responder ao tato sem reserva. Outras elaborações da resposta são necessárias se for para o ouvinte responder tanto como ele responderia à própria chuva ou não responder a nada.

Respostas que têm tais efeitos são "Sim" e "Não". Elas frequentemente aparecem como mandos que têm o efeito de "Continue" e "Pare", respectivamente. Assim, nós encorajamos um falante que tenha pausado, dizendo-lhe "Sim?" ou, interrompemo-lo, dizendo-lhe "Não!". Ao ouvir "Chuva? Sim!", é mais provável a um ouvinte agir como se ele próprio tivesse sentido a chuva. Ouvindo "Chuva? Não!", ele é menos propenso a agir assim. Em termos tradicionais, o falante afirma ou nega a presença de chuva.

Uma alternativa mais comum seria "Está chovendo" ou "Não está chovendo". "Chuva? Sim" e "Chuva? Não" não têm exatamente o mesmo efeito porque elas sugerem questões e réplicas, apesar de que algo do impulso de "Sim" e "Não" permanece. O efeito de "Sim" pode ser obtido, enfatizando-se a palavra está. O falante está dizendo "Você pode reagir seguramente à minha resposta 'Chuva'". Por outro lado, como uma resposta que induz a um término de algo que o ouvinte está fazendo (como ao dizer "Assim não" ("No") a alguém que segue de modo errado), "Assim não" ("No") é obviamente próximo de não (not). "Não está chovendo" ("It is not raining") tem o efeito de "Existem razões pelas quais eu me inclino a dizer 'Chuva', mas não reaja com base em minha resposta".

As etapas pelas quais autoclíticos particulares podem ter evoluído são usualmente mais obscuras do que as etapas pelas quais mandos e tatos possam ter evoluído. A tentativa inicial de John Horne Tooke em The Diversions of Purley (1786) não foi inteiramente entendida. Que Tooke não estivesse sempre certo, enquanto etimologista, não era tão importante quanto seus esforços para explicar como falantes ingleses puderam chegar a dizer palavras tais como se, exceto e e (if, but, and e). "Nós iremos amanhã caso (given) não chova" é uma pista para a origem de se (if). Que o garoto, que ficou no convés em chamas, devia ser deixado fora (be left out), em atenção a "De onde todos, fora ele (be out him), escaparam", é uma pista para exceto (but). (Que a Sra. Hemans escreveu todos exceto ele (all but he) ao invés de todos à exceção dele (all but him) é lamentável, mas irrelevante). E, quando nós dizemos e (and), nós estamos muitas vezes simplesmente adicionando (adding):


Of shoes-add ships-add sealing wax

Of cabbages-add kings
Como nós podemos propor hoje, autoclíticos evoluíram como instruções ao ouvinte que o ajudam a comportar-se de modos mais prováveis de ter conseqüências reforçadoras e, por conseguinte, mais prováveis de promover reciprocamente conseqüências reforçadoras para o falante.
A EVOLUÇÃO DE SENTENÇAS
É fácil entender a visão primitiva de que o comportamento está dentro do organismo antes dele vir para fora. Talvez exista um toque de primitivo ao dizermos que o comportamento é "emitido", mas nós falamos de emissão da luz de um filamento quente, apesar de que a luz não está no filamento. O reforçamento que fortalece uma resposta não coloca a resposta dentro do organismo; ele simplesmente modifica o organismo de modo que este fica mais provável de responder de um determinado modo. É vantajoso que se faça uma distinção entre um operante como uma probabilidade de responder e uma resposta como uma instância. É o operante que está "no" organismo, mas apenas no mesmo sentido que a elasticidade está "na" fita de borracha.

O que é reforçado no sentido de ser seguido por um dado tipo de conseqüência é uma resposta; é o operante que é reforçado no sentido absolutamente diferente de ser fortalecido (4). No campo do comportamento verbal esta distinção é próxima àquela entre o sentido do que é dito e o dizê-lo. O sentido de um tato é a variável controladora - tradicionalmente, o que o tato significa. O dizer é uma ocorrência em uma dada ocasião.

Em termos tradicionais a distinção é próxima àquela entre palavra e sentença. Sentença vem do latim sentire, "sentir ou pensar" ("to feel or think"). Nós perguntamos por uma sentença quando dizemos "Como você se sente quanto a isto?" ou "O que você pensa disso?". (Uma definição de dicionário de sentença é "uma série de palavras que expressa um pensamento". Isto é uma alusão, é claro, a outro tipo de armazenagem. Dizemos que possuímos pensamentos e os pomos para fora ou os "expressamos" pondo-os em palavras). Como eu tenho argumentado em Verbal Behavior, pensar pode ser formulado simplesmente como comportar-se. Uma sentença não é a expressão de um pensamento, ela é o pensamento. Quando nos dizemos "Ocorreu-me olhar em minha mesa", entendemos que o comportamento de olhar na mesa estava fortalecido, mesmo que ele não fosse executado. Quando dizemos "Ocorreu-me a idéia (thought) de que ele estava em dificuldades", entendemos que o comportamento verbal "Ele está em dificuldades" nos ocorreu talvez encobertamente. Olhar na mesa é comportamento; dizer "Ele está em dificuldades" é comportamento. Nós somos especialmente propensos a chamá-los de pensamento quando eles não são executados abertamente.
A EVOLUÇÃO DE FATOS
Quando nós falamos da evolução do automóvel, não queremos dizer algo como a evolução do cavalo. Queremos nos referir à evolução de certas práticas culturais pelas quais novos meios de se fazer automóveis, como variações, foram selecionados por suas contribuições a um produto reforçador de comportamento humano. Alguns produtos de comportamento verbal podem ser tratados da mesma maneira. Fatos, por exemplo.

Um fato é uma afirmação acerca do mundo. Quando dizemos "O fato de importância é que eu não assisti a reunião", nós colocamos o ouvinte na posição de alguém que assistiu a reunião e observou que o falante não estava lá. Aquele que foi informado dos "fatos da vida" age efetivamente, em certos aspectos da existência diária sem passar por uma série de contingências instrucionais. Fatos acerca do que aconteceu (os fatos da história) podem ser vantajosos, neste sentido, apenas até ao ponto que as condições descritas são prováveis de re-ocorrer. Os fatos da ciência são mais vantajosos do que aqueles da história porque as condições relevantes são repetidas mais frequentemente.

Nós podemos falar, então, da evolução de fatos - fatos da vida diária, da história ou da ciência. Tais fatos são frequentemente chamados de conhecimento. Não está em questão, contudo, a evolução de conhecimento ou de instrução de pessoas ou de algum órgão de tais pessoas ou de qualquer condição de tal órgão; o que está em questão é um ambiente verbal ou cultura. As pessoas entram em contato com tal ambiente quando elas ouvem os falantes ou lêem livros. As gravações que elas ouvem e os registros que vêem as afetam como ouvintes e leitores do mesmo modo que o comportamento original dos falantes ou escritores afetou seus ouvintes ou leitores.

Nós dizemos conhecer um fato se nós já fomos afetados pelas contingências ou porque fomos "informados do fato". Assim, nós dizemos "Ele precisava saber que a porta estava trancada; ele mesmo teria verificado ou alguém teria dito a ele". Mas, também faz sentido nós podermos "conhecer" um fato, simplesmente enquanto comportamento verbal, seja ele desempenhado ou não. O comportamento é intraverbal. Os fatos de história são exemplos.

Existe uma importante diferença entre os intraverbais que resultam da convivência (situações domésticas) e os intraverbais mais abundantes que são aprendidos como tais (fatos históricos memorizados ou poesia, por exemplo). Pela recitação de fatos como cadeias de respostas verbais, nós avisamos ou informamos a nós mesmos, assim como os falantes ou escritores originais avisam ou informam seus ouvintes ou leitores.

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  1. C. B. Ferster e eu fizemos esta distinção no glossário de nosso Schedules of reinforcement (New York: Applenton-Century, 1957).

COMENTÁRIOS


É inevitável que um processo contínuo tal como a evolução produzisse a questão de limites. Sistemas para

classificação de espécies são esforços para solucionar problema deste tipo. A partir de que ponto nós podemos dizer que os primeiros seres humanos surgiram no mundo? Pode ser útil escolher um determinado ponto para aprimorar nosso uso do termo Homo sapiens, mas não existiu presumivelmente um ponto no qual uma essência da humanidade veio a existir. Similarmente, é apenas por motivo de consistência que nós tentaríamos dizer quando o comportamento, a princípio, se tornou verbal. Tomando o episódio de pesca como um exemplo, nós podíamos dizer que a resposta de B se tornou verbal (1) quando ela foi fortalecida pela ação de A ao puxar a rede (isto é, quando ela se tornou um operante vocal); (2) quando a mesma resposta foi feita em outras situações com outras consequências e ficou sob o controle exclusivo de um peixe como estímulo discriminativo, independente de qualquer estado particular de privação ou estimulação aversiva (quando ela emergiu como um tato); ou (3) quando ela foi modelada e mantida por um ambiente verbal transmitido de uma geração a outra (quando ela se tornou parte de uma "linguagem"). Estes são todos os passos distinguíveis na evolução do comportamento verbal e, se temos que escolher um deles, o mais vantajoso parece ser o terceiro. Comportamento verbal é comportamento que é reforçado pela mediação de outra pessoa, mas apenas quando a outra pessoa está se comportando de modo que tenha sido modelado e mantido por um ambiente verbal evoluído ou linguagem. No nível 3 nós pudemos dizer que outros primatas têm se engajado em comportamento verbal em ambientes verbais artificiais criados por cientistas, mas eles não desenvolveram sua própria linguagem.


RIR E CHORAR
Duas outras funções da musculatura vocal - rir e chorar - são, senão exclusivamente humanas, pelo menos, altamente características da espécie. Existe uma boa chance de que elas evoluíram aproximadamente ao mesmo tempo que o comportamento vocal, mas elas não são operantes, embora elas possam ser simuladas como tal - como no chorar para obter atenção, por exemplo, ou rir cortesmente de uma piada sem graça. Como comportamento filogênico, elas são eliciadas por reforçadores positivo e negativo, respectivamente; frequentemente, o reforçador é súbito. Mas, se existir alguma conseqüência imediata para aqueles que choram ou riem, isto é obscuro. Rir e chorar podem ter evoluído devido a seus efeitos sobre os outros. Existem aqueles para os quais sinais de dano infligido modelam e mantêm agressão, tanto não-verbal (uma bofetada) como verbal (dizer um insulto), e existem aqueles para os quais sinais de alívio de dano modelam ajudar os outros. Outras espécies cuidam de seus jovens e cada um do outro, mas, presumivelmente, não em alguma grande extensão como comportamento operante. A espécie humana pode ter obtido vantagens importantes quando a cessação de chorar começou a reforçar o comportamento que chamamos de cuidar.

Rir, por outro lado, muito obviamente reforça fazer a pessoa rir, e fazer a pessoa rir está associado ao cuidar, visto que, em geral, a pessoa ri quando as coisas vão bem. Exatamente como uma dança de cortejamento pode ter evoluído devido aos seus efeitos sobre outros membros de uma espécie ao invés de sobre o dançarino, assim rir e chorar podem ter evoluído devido a seus efeitos sobre outros ao invés de sobre quem ri e chora.


TOPOGRAFIA
Teóricos da origem da linguagem têm frequentemente procurado explicar a forma. A onomatopéia, por exemplo, tem sido considerada para explicar porque um cão é chamado "au-au" (bow-wow) e porque o bacon "chia" (sisses or sizzles) na frigideira. O gesto para "Pare" é um tipo de onomatopéia e Sir Richard Paget propôs que a gesticulação com a língua pode ter modificado as formas de emitir sons de um modo útil (5). Mas, a onomatopéia não nos leva muito longe e pode não valer a pena seguir adiante. As formas das palavras podem ser rastreadas historicamente, mas raramente voltam às suas origens, e as linguagens do mundo são tão diversas que as fontes devem ter sido amplamente adventícias. Crianças inventam novas formas prontamente e quando duas ou mais estão vivendo em relativo isolamento elas podem desenvolver regularmente vocabulários extensivos. Provavelmente, existe uma razão para a forma de cada

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5 R. A. Paget, Human speech (New York: 1930)
palavra, como provavelmente existe para a cor de cada pássaro ou flor, mas tampouco pode valer a pena pesquisar como um fato singular.

Quando as pessoas começaram a descrever as contingências de reforçamento no mundo em torno delas, palavras podem ter sido inventadas como nomes de coisas. A sentença "Isto se chama rosa" descreve uma contingência de reforçamento num ambiente verbal. "Chame isto de rosa" é um conselho a ser seguido, se alguém deve se comportar com sucesso em tal ambiente. As crianças logo aprendem a perguntar os nomes das coisas, assim como perguntam pelos meios necessários para fazer as coisas e precisa-se de um curto passo para a invenção de um nome ("Vamos chamar isto de rosa"). O passo é dado sempre que os pais nomeiam um filho, ainda que muito frequentemente a forma escolhida tenha fontes óbvias.


CONCLUSÃO
Repetindo-se uma advertência necessária, eu não tentei dizer como um ambiente verbal, ou o comportamento verbal gerado por tal ambiente, realmente evoluiu. Eu apenas tentei dizer como ele poderia ter evoluído, dado os processos comportamentais que devem já ter sido exibidos pelas espécies. O capítulo é especulativo, mas a especulação está sob restrição imposta por uma concomitância em estabelecer princípios de uma análise operante. Sob este aspecto, ele pode ser contrastado com as correntes abordagens dos linguistas. Uma revisão recente de um livro, essencialmente sobre o presente assunto, lista diversos princípios explicativos ou entidades, entre eles, "órgãos de linguagem inata", "mecanismos de percepção de fala", "competências gramaticais", "substratos neurais cognitivos" e "funções de decodificação e produção da linguagem falada". É muito duvidoso que qualquer deles possa ser adequadamente definido sem apelar às observações que eles dizem explicar e sem considerar o comportamento verbal em si mesmo.

Eu me beneficiei amplamente com as discussões com Pere Julià a respeito da posição adotada neste capítulo.



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