Estereótipos e preconceitos raciais na educação científica: uma análise da experiência do programa Oguntec na promoção da educação científica de jovens afro-descendentes na Bahia



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Estereótipos e preconceitos raciais na educação científica: uma análise da experiência do programa Oguntec na promoção da educação científica de jovens afro-descendentes na Bahia.
Lázaro Passos1

RESUMO
Este artigo trata da pesquisa qualitativa realizada no Programa Oguntec, uma iniciativa de fomento à ciência, destinada a jovens negros e negras baianos no Instituto Cultural Steve Biko. Tal pesquisa teve como perspectiva desvelar as estratégias empregadas por essa iniciativa para a superação das barreiras educacionais impostas pelos estereótipos e preconceitos raciais presentes na educação científica tradicional, de base eurocêntrica.
Palavras-chave: estereótipos, preconceito racial, eurocentrismo, educação científica.

"Todas as nossas políticas sociais são baseadas no fato de que a inteligência deles [dos negros] é igual à nossa, apesar de todos os testes dizerem que não. Pessoas que já lidaram com empregados negros não acreditam que isso [a igualdade de inteligência] seja verdade." James Watson 2

“O baixo QI dos baianos é hereditário e pode ser verificado por quem convive com pessoas nascidas na Bahia.” Antônio Dantas 3



Introdução

Pensar que as declarações preconceituosas como as do cientista James Watson e, mais recentemente, as do coordenador do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia, Antônio Dantas, são atos isolados, fora de lugar ou, como querem alguns, um “surto de imbecilidade”, é pensar de forma ingênua. As manifestações preconceituosas desses científicos fazem parte de um contexto histórico em que a ciência ocidental, sistematicamente, foi chamada a legitimar a superioridade do branco europeu e seus representantes nas colônias e ex-colônias frente aos não-brancos.

A Faculdade de Medicina da Bahia, por exemplo, possui um legado como locus de enunciações científicas que desqualificavam a população negra no Brasil. Um de seus mais celebrados professores, Nina Rodrigues, assim como o referido coordenador do curso de Medicina, também considerava a presença de negros no Brasil a nossa principal barreira ao desenvolvimento.

A raça negra no Brasil, por maiores que tenham sido os seus incontestáveis serviços à nossa civilização ... há de constituir sempre um dos fatores da nossa inferioridade como povo.(Rodrigues,1977, p.7).


“O baiano é uma pessoa igual a outra qualquer e talvez até tenha déficit em relação a outros povos; o que explica até o fato de nosso estado , embora tenha riquezas, digamos assim, de produtos naturais muito grandes, mas não tem assim... aquele desenvolvimento... não sei o que falhou” (Declaração do coordenador do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia, Antônio Dantas em abril de 2008).
É justamente esse ambiente de hostilidade quanto a sua cultura e à descrença em seu potencial com que, sistematicamente, o estudante negro tem de lidar ao se submeter à educação científica convencional (seja em escolas públicas ou privadas). Uma educação eurocêntrica, que consolida a cultura européia e euroamericana como referências da capacidade intelectual e da noção de progresso, além de invisibilizar e inferiorizar os saberes dos outros grupos humanos a partir de narrativas históricas que autocelebram a modernidade científica ocidental e omitem seu caráter excludente.

Carlos Henrique Araújo (2003) e Ubiratan Castro de Araújo (2003) ao analisarem os dados da SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica), entre 1995 e 2001, constataram que, mesmo em escolas particulares, o desempenho dos estudantes negros é inferior ao dos estudantes brancos4. Portanto, eles concluíram que:

Não há como reduzir o campo explicativo dessa desigualdade educacional às variáveis socioeconômicas. Certamente que elas são um componente importante do problema, mas não o explica totalmente. O que salta à vista é a reprodução de condições hostis aos alunos negros nas escolas brasileiras que atuam permanentemente para o agravamento das diferenças de desempenho escolar desse segmento. É preciso enfrentar, sem hipocrisia, a constatação de que a escola não é tão eficaz para os negros quanto é para os brancos. Essa evidência define os contornos de um problema a ser diagnosticado e resolvido: as desigualdades raciais são especificamente responsáveis pelas desigualdades educacionais.

(...) Para além de conteúdos e métodos, não podemos perder de vista as relações sociais dentro da escola e no seu entorno, nas quais se reproduzem práticas discriminatórias contra alunos negros, configurando um ambiente de hostilidade. É preciso investigar as relações entre professores e alunos, entre os alunos, entre as famílias e as escolas. Os estudos indicam que aí se reproduz um racismo difuso, silencioso e habitual, fundamentado na cristalização de representações negativas do estudante negro. Não é mais possível esconder que a expectativa do fracasso pesa como permanente suspeição contra o negro. Conclui-se, pois, que qualquer ação de enfrentamento da desigualdade educacional deve ser acompanhada de políticas eficazes de combate ao racismo5.



1. A questão

A constatação da incompatibilidade entre esse modelo educacional convencional e as aspirações por ambientes educacionais mais favoráveis ao desenvolvimento das potencialidades dos jovens negros e negras6 nos fez propor a seguinte questão: Como promover a educação científica dos jovens negros e negras brasileiros no contexto de uma ciência de referência eurocêntrica e cujas práticas e narrativas históricas contribuíram para o estabelecimento de preconceitos e estereótipos sociais contra esse público?

Tal questão tem um caráter paradigmático na medida em que gera a possibilidade de se ter um novo olhar acerca do desempenho dos diferentes grupos étnicos no Brasil no que se refere ao acesso à educação científica e à assimilação dos seus conteúdos. Essa nova percepção do problema é viabilizada pela inclusão do racismo – e seus desdobramentos – como fenômeno social importante para a compreensão das desigualdades sociais e, por extensão, as desigualdades dentro do campo da educação científica.

Nesse sentido, divergimos das propostas tradicionais desse campo do saber, que se posicionam de forma “neutra” diante dessas desigualdades, seguindo, dessa forma, as orientações universalistas das políticas públicas brasileiras. Essas,líticas públicas brasileiras, de um dos pesquisadores de campo:va disciplina e se tornou uma a pretexto de uma pseudo-imparcialidade no tratamento dos cidadãos, minimizam a problemática racial no Brasil, a ponto de considerá-la um “problema menor” (ou mesmo um “não-problema”), dispensando, assim, a adoção de ações específicas para a superação das desigualdades raciais. Sob essa perspectiva, acredita-se que o combate às desigualdades sociais, em que as desigualdades educacionais estão inseridas, pode ser realizado, com êxito, sem o recorte racial. Ou seja, não se levando em consideração, por exemplo, as peculiaridades do racismo enfrentado pelos estudantes afro-brasileiros na sua interação com a proposta da educação científica vigente - impregnada em suas bases por referenciais ideológicos eurocêntricos, que depreciam a capacidade desse segmento social em assimilar e produzir ciência.



2. O surgimento do objeto de pesquisa

É a partir do reconhecimento dessas práticas preconceituosas no campo da educação que se compreende a mobilização dos grupos excluídos em prol de uma educação libertadora, que contribua para a superação dessas práticas de dominação presentes no contexto da educação oficial.

O Oguntec7 – programa de fomento à ciência e tecnologia para jovens negros e negras –, é justamente uma dessas iniciativas educacionais emancipadoras. Trata-se de uma ação empreendida pelo Instituto Cultural Steve Biko (ICSB), uma organização do movimento negro baiano, que tem tradição na promoção de cursos preparatórios voltados ao ingresso universitário de jovens negros, sendo, inclusive, uma iniciativa pioneira no Brasil.

Segundo o portfolio apresentado pelo ICSB, o Oguntec é:

Uma iniciativa do Instituto Cultural Steve Biko e corresponde a um conjunto de ações de fomento à ciência e a tecnologia para jovens afrodescendentes, de forma a promover a incorporação desses saberes ao seu ambiente cultural, preparando-os para interagir com os novos desafios da “sociedade tecnológica” – marcadamente competitiva e lastreada em conteúdos científicos e tecnológicos - aumentando assim as possibilidades de superação das desigualdade raciais8 e de gênero, tão presente no contexto da distribuição de renda na cidade de Salvador.
Os eixos que direcionam o programa são: A Elevação da escolaridade (curso preparatório OGUNTEC), a Inclusão digital e a Popularização da ciência. A elevação da escolaridade é empreendida através do curso Preparatório OGUNTEC, que tem uma duração de três anos e disponibiliza 35 vagas para jovens afro-descendentes de escolas públicas possibilitando aos mesmos uma educação científica onde são desenvolvidas habilidades e competências necessárias ao ingresso nas áreas científicas e tecnológicas nas universidades. O eixo popularização da ciência é desenvolvido através da organização de palestras e eventos de divulgação científicas nas comunidades e escolas públicas de Salvador. As ações para a inclusão digital são efetivadas em nosso laboratório de informática dotado de 11 computadores em rede, adquirido em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia..
O Oguntec é desenvolvido na própria sede do ICSB. A seleção dos estudantes é feita mediante entrevistas, dinâmicas de grupo e testes objetivos. O curso tem uma duração de três anos, com uma carga horária semanal de 22h, para o ano I, e 26h para os anos II e III. Essas aulas são ministradas à tarde, em horário oposto ao das aulas regulares das escolas. O currículo tem um caráter modular9, constituído pelas seguintes disciplinas e atividades: Ciências da Natureza (Física, Química, Biologia); Matemática; Português; Introdução à Ciência e Tecnologia (ICT); Cidadania e Consciência Negra (CCN); Inglês; Informática; História e Geografia; oficinas (Informática, Robótica, Xadrez, empreendedorismo jovem); visitas institucionais (visitas a instituições científicas e empresas de tecnologia); aulas práticas (o uso dos laboratórios para as aulas práticas é viabilizado através de parcerias com universidades e centros de divulgação científica).

A perspectiva de contribuir com os debates acerca de políticas mais inclusivas para a educação científica nos lançou em uma pesquisa qualitativa sobre o referido programa. Nosso intento foi de desvelar elementos contidos em sua proposta pedagógica que nos indicassem caminhos para a superação de barreiras, como os preconceitos e estereótipos raciais, que, como mencionamos, estão presentes na proposta de educação científica convencional, de base eurocêntrica. É justamente o aprendizado dessa experiência a que nos propomos expor aqui.



3. O aprendizado

A pesquisa etnográfica realizada na referida iniciativa revelou que existe uma grande dicotomia na educação dos jovens em Salvador: de um lado, há um jovem que tem a necessidade de pensar na sua condição racial o tempo todo (seja de forma voluntária ou não); e, de outro, há jovens pertencentes a segmentos privilegiados da sociedade, que exercem sua condição de “ser humano”, sem marcadores raciais que controlem os seus movimentos, conferindo-lhes, assim, vantagens relativas em termos de auto-estima, desempenho educacional (vide a proporção desses nas carreiras científicas e tecnológicas), e social (eles não são preteridos por sua cor ou cultura).

Com efeito, o tratamento dessas seqüelas, principalmente de natureza psicológica vivenciada por esses jovens negros/as é precedente ou, pelo menos, deve ser tomado em paralelo ao processo de educação científica, dado que o elemento racial é de fato interveniente no âmbito educacional. A partir dos depoimentos dos jovens do Oguntec, inferimos que foi justamente o tratamento dessas seqüelas que os motivou a ter mudanças significativas em relação aos seus desempenhos educacionais e auto-imagem. Eles passaram a acreditar que podiam, sim, ser cientistas e engenheiros.

“Matemática pra mim era um bicho de oito, dez, vinte cabeças”. Perguntado por quê, ele responde: “Porque era a área de cálculo, e eu achava que não ia conseguir nunca aprender cálculo”.

(...) no colégio eu não tinha aquela (...) O professor chegava colocava o assunto, dava lá.... E aqui não. Tem aquela ajuda, tem aquela, ... a auto-estima da gente, (...) “você vai conseguir”. Os professores são ótimos, a coordenação, e aí me ajudou bastante a quebrar esse tabu das sete cabeças da matemática. (Depoimento do estudante do Oguntec, João Paulo de 18 anos)
“Eu poderia até pensar em fazer engenharia, mas eu optaria por um curso de menor escala por não ter a auto-estima suficiente pra ingressar”( Depoimento do estudante Francisco, 17 anos, quando perguntado sobre o papel do Oguntec em sua escolha de carreira profissional)

A estratégia, por exemplo, de ressignificação e descolonização da história da ciência foi uma importante via de aumento da auto-estima e criticidade dos educandos, que hoje já não mais aceitam a ciência e a tecnologia como uma concepção do “milagre europeu”. Diante disso, os estudantes passaram a considerar o histórico de contribuições africanas e diaspóricas para o conhecimento universal, afinal de contas, os protagonistas das primeiras civilizações não podiam ser tratados como simples coadjuvantes da celebração da modernidade científica da Europa. No projeto Oguntec, foi dada voz à “perspectiva da colonialidade” referida por Mignolo (2004)10 como sendo a perspectiva dos povos excluídos a partir da modernidade européia em sua ação colonial sobre o poder, o saber e o ser .

O problema, enorme problema, emerge da forma como a “revolução científica” foi concebida. Ela foi concebida como triunfo da modernidade na perspectiva da modernidade, uma autocelebração que correu em paralelo com a crença emergente da supremacia da “raça branca”. O problema estava na falta de consciência de que a celebração da revolução científica enquanto triunfo da humanidade negava ao resto da humanidade a capacidade de pensar. Isto é, o poder da modernidade ocultava, ao mesmo tempo, a colonialidade (do poder, do saber, do ser) (MIGNOLO, 2004, p. 670).
A dita perspectiva mostrou para os jovens do programa Oguntec que a Matemática, a Medicina e a Engenharia tiveram seu esplendor em um país africano chamado Egito, cuja importância simbólica para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia o converte em uma criação branca, a despeito dos testemunhos contrários de Heródoto11, o considerado “pai da história”.

De fato, esse foi um importante recurso para a desconstrução de estereótipos e preconceitos contra os povos africanos e da diáspora. Vejamos o depoimento do estudante Paulo Fábio, de 18 anos, em relação a suas percepções sobre o continente africano:


A África pra mim era o quê? Um safári, só tinha animais (...) aquelas pessoas despidas, e, depois, achei muito mais; um continente rico de conteúdo, rico de cultura, rico de tudo: povos, línguas, instrumentos. A mãe, a mãe do mundo a África é hoje.
Por outro lado, foi necessário também a essas vozes vindas da “perspectiva da colonialidade” explicar a condição de pobreza e o subdesenvolvimento contemporâneo dos povos africanos. Para tanto, essa voz da colonialidade lançou mão da vinculação entre a modernidade européia e seu lado nefasto, que foi a violência e a negação dos outros saberes pertencentes aos povos africanos e ameríndios. Essa importante tarefa de dar voz e vez a essa perspectiva da colonialidade foi propiciada pela proposta pedagógica inovadora do Oguntec, a qual tem como uma das principais estratégias a abordagem interdisciplinar, pois essas temáticas perpassam todo o currículo e ganham sua culminância na disciplina Cidadania e Consciência Negra-CCN. Essa disciplina foi criada pelo ICSB em 1992, e cujo principal objetivo é promover uma formação para o exercício da cidadania e elevar a auto-estima dos estudantes mediante a valorização de sua ancestralidade.

Esse modelo de abordagem do programa Oguntec leva em consideração uma preocupação já expressa por teóricos, como Franz Fanon ( 2002), qual seja:

O colonialismo não se satisfaz em prender o povo nas suas redes, em esvaziar o cérebro colonizado de toda forma e de todo conteúdo. Por uma espécie de perversão da lógica, ele se orienta para o passado do povo oprimido e o distorce, desfigura, aniquila. Esse empreendimento de desvalorização da história pré-colonial assume hoje a sua significação dialética.

Quando refletimos nos esforços que foram feitos para realizar a alienação cultural tão característica da época colonial, compreendemos que nada foi feito ao acaso e o resultado global procurado pela dominação colonial era realmente convencer os indígenas de que o colonialismo devia arrancá-los à noite em que viviam. (Fanon, 2002[1961], p.244)

Os ganhos qualitativos, principalmente em termos de auto-estima dos estudantes no programa Oguntec, são comprobatórios dessa necessidade de se investir em uma ruptura dos modelos convencionais de ensino de ciências, que exclui os legados do conhecimento africano e ameríndio do contexto de sala de aula. A disciplina CCN, bem como a abordagem interdisciplinar em torno dos temas ligados à cidadania, foram, de fato, experiências significativas para os jovens do Oguntec, de modo que, diferentemente do ensino não contextualizado das escolas tradicionais, os estudantes encontraram, nessa experiência, uma lição para o seu próprio cotidiano enquanto vítimas sistemáticas de preconceitos e subjugações. Nesse sentido, a disciplina CCN, por exemplo, ultrapassou a perspectiva tradicional de disciplina e se tornou um recurso para a vida desses educandos.
“Ela [a disciplina CCN]... vamos dizer assim, por ser uma matéria diferenciada, eu não a tenho como uma matéria escolar, eu tomo o CCN como uma filosofia de vida (...) por isso que a não englobei entre as matérias que eu mais gosto (...) porque o CCN não é matéria normal, ela é uma filosofia”( Depoimento do estudante Breno de 16 anos justificando por quê não relacionou a disciplina CCN entre as que mais gostava).
“ É o diferencial do Oguntec. (...) É mais que uma disciplina, eu acho que ela é uma coisa pra vida, entendeu? Você não tem que encarar como uma disciplina, é uma coisa que deve ser pra vida”( Depoimento da estudante Ana Maria de 19 anos).
Os referidos ganhos nos fazem pensar que uma transposição das experiências do Oguntec para o âmbito da escola pública ou privada é, de fato, desejável. Como ação complementar, o programa pode funcionar em turno oposto às aulas regulares e ter como objeto a popularização da ciência e tecnologia, além de ser uma ação mais direta e específica de preparação de jovens para as carreiras científicas e tecnológicas. Sob o ponto de vista pedagógico, essa proposta tende a contribuir para o estabelecimento de um ambiente mais respeitoso em sala de aula entre as diversas representações étnicas, na medida em que propõe uma descolonização do conhecimento a partir da inclusão de novas referências ao ensino de ciência, sobretudo, no que se refere à história das ciências. É digno de nota, nessa experiência com o Oguntec, como as contradições da história da ciência oficial e a invisibilidade pretendida aos não-brancos serviram para desenvolver nos estudantes o espírito crítico frente à estrutura educacional eurocêntrica, ainda predominantes em suas respectivas escolas. Ora, o que seria mais benéfico à educação científica do que desenvolver nos educandos a criticidade?
Vejamos, pois, o exemplo da estudante Ana Maria, que, quando perguntada se aprendeu sobre a história dos povos africanos em sua escola, responde:

“Aprendi, mas de uma forma diferente. É uma leitura de brancos, vamos dizer assim. Eles diziam que os negros lutaram, mas não explica direito, não entra em detalhes, você fica só no superficial, não aprofunda.”


Já o estudante Breno considera que:
“O conhecimento científico, ele só pôde ser estudado e aprimorado depois que eles foram tirados dos negros, (...) foram os negros que desenvolveram esse conhecimento científico, então depois que foi tirado deles foram aprimorados, é...é vamos dizer assim, espalhado pelo mundo.”
As impressões de Breno quanto ao pioneirismo das nações negro-africanas são referendadas pelo aprendizado que teve sobre a história da África nas disciplinas Matemática, Introdução à Ciência e Tecnologia-ICT e, principalmente, pela disciplina CCN. Essa percepção de roubo de um legado identificado no discurso do estudante está relacionada às divergências quanto à perspectiva hegemônica da história da ciência eurocêntrica, que aponta a Grécia como matriz do conhecimento científico, em detrimento do legado do povo egípcio.

Ainda pensando na proposta de extensão da experiência pedagógica do Oguntec, há que se considerar que não se trata tão-somente de uma replicação de materiais didáticos ou metodologias. Antes de tudo, é preciso uma mudança de atitude mental dos vários segmentos da escola. A iniciativa enseja uma prática reflexiva sobre a racialização do sistema escolar, isto é, sobre o sistema pró-branco vigente na sociedade brasileira que, se, por um lado, beneficia os indivíduos brancos, de outro, condena negros, indígenas e mulheres (principalmente as não-brancas) à exclusão.

Dessa forma, deve-se compreender que as escolhas dentro da construção da proposta pedagógica das escolas devem ser encaradas, não só como uma escolha técnica, mas também política, dado que “além de um ato de conhecimento, a educação é também um ato político. É por isso que não há pedagogia neutra” (Freire; Shor, 1986; p.25).

Para Shor,

A estrutura do conhecimento oficial é também a estrutura da autoridade social. É por isso que predominam o programa, as bibliografias e as aulas expositivas como formas educacionais para conter os professores e os alunos nos limites do consenso oficial. O currículo passivo.... É o modelo de ensino mais compatível com a promoção da autoridade dominante na sociedade e com a desativação da potencialidade criativa dos alunos (Freire; Shor, 1986; p. 21).
É a partir do reconhecimento dessas implicações políticas que se estabelece o ambiente favorável para se empreender mudanças significativas no fazer pedagógico. É isso que explica as iniciativas dos professores e coordenadores do Oguntec quando propõem um rompimento com o currículo tradicional e a introdução de uma outra referência para o ensino de ciências coerente com a perspectiva de libertação do paradigma eurocêntrico, dentre outras coisas, responsável pela invisibilidade dos jovens negros.

“Eu olhava pro livro de Física, Química. Eu só via (...) o corpo humano branco... eu não me via ali... não só no livro como na mídia também” (Depoimento do estudante João Paulo de 18 anos).


“Quando a gente pega um livro, a gente só vê nome de pessoas brancas (...) a gente fica achando que só pessoas brancas e tal, só os europeus que contribuíram para o conhecimento que a gente tem hoje e aí quando a gente vê que uma pessoa assim parecida com a gente, uma pessoa da nossa cor, conseguiu um status, conseguiu assim... provar que é capaz, a gente fica mais motivado ( Depoimento da estudante Catarina de 16 anos).12
De fato, esse grau de liberdade de propor mudanças possibilitou ao programa, ao programa, criar e introduzir as disciplinas ICT e CCN , as quais se constituíram em importantes espaços para as discussões sobre a ciência, sua história e seu impacto social ( compatível com a proposta do campo da Ciência, Tecnologia e Sociedade- CTS), além de contribuir para encorajar o ingresso dos jovens negros nas carreiras científicas e tecnológicas a partir da elevação de sua auto-estima e reconhecimento do papel de sua ancestralidade.

Outro ponto importante a se considerar é a contribuição que essa iniciativa pode dar à aplicação efetiva da Lei 10.639/03, que versa sobre a obrigatoriedade do ensino da história da África e da cultura afro-brasileira nas escolas. Desse modo, a proposta pedagógica do Oguntec pode contribuir justamente para mobilizar um segmento ainda pouco ativo na proposição de metodologias e materiais didáticos para a aplicação dessa Lei. Referimos-nos aos professores das disciplinas de Ciências da Natureza e Matemática, áreas em que são recorrentes as queixas relativas às dificuldade da aplicação da Lei13. Isso ocorre porque é senso comum entre muitos professores que os povos africanos e afro-descendentes não possuem nenhuma tradição nesse campo de conhecimento digno de ser contemplada. Além disso, a suposta “objetividade” atribuída a essas disciplinas dificulta a penetração de discussões sobre as desigualdades raciais. Essa visão é típica dos professores formados dentro dos pressupostos do paradigma eurocêntrico.

No entanto, com as observações feitas nas aulas do referido programa, foi possível constatar como o professor de Matemática do Oguntec emprega a estatística das desigualdades raciais como material didático em sala, para explicar operações aritméticas e construção de gráficos. Foi possível também verificar, na aula interdisciplinar de CCN e Biologia, o DNA mitocondrial ser desvelado, para o estudante perceber a nossa conexão com a “Eva Africana”. Nesse sentido, pode-se assegurar que os argumentos que obstacularizam a aplicação da Lei 10.639/03 no âmbito das disciplinas de Ciências da Natureza e Matemática não são sustentáveis.

Destarte, verifica-se que as capacitações dos professores devem ser motivadoras à aquisição ou proposição de metodologias e materiais didáticos que tornem o ensino da história da África um aprendizado significativo, tanto para os estudantes brancos – que assim deixariam de se sentir parte entre os “povos escolhidos” –, como para os estudantes negros – que deixariam de se sentir como invisíveis ou preteridos pela história da humanidade. Essa também é a oportunidade para uma maior difusão da proposta de abordagem contextual do ensino de ciências, reivindicada por autores como o físico E. Mach (1895/1943) e Metthews (1995), que dão destaque ao uso da História e da Filosofia no ensino de ciências.

De fato, o emprego da história da ciência em prol de uma abordagem contextualizada nesse campo se constitui em uma importante porta de entrada para essas discussões sobre a história da África e dos afrodescendentes. Por exemplo, o racismo científico do século XIX e início do século XX pode ser um importante substrato para a análise filosófica sobre a natureza da ciência. Assim, pode-se discutir como a ciência teve um papel estratégico na subalternização dos não-europeus. Essa é uma alternativa mais pertinente e digna em relação às tradicionais aulas em que a história das ciências é evocada a celebrar as conquistas européias e silenciar o legado dos povos não-europeus – para desespero da própria proposta de objetividade científica, uma vez que, essa ratifica a existência de milagres ( tipo o “milagre grego”) e a existência de povos escolhidos, os europeus.

Outro aspecto importante a ser considerado no programa Oguntec é que os coordenadores, e principalmente os professores envolvidos no projeto, possuem um grande ativismo político e uma conseqüente predisposição para a promoção de mobilizações sociais. A explicação para esse engajamento pode ser encontrada no processo dialético de formação desses indivíduos, a partir de sua imersão no contexto do movimento social negro, seja essa experiência iniciada no próprio ICSB ou em outras organizações. É digno de nota que 54% dos professores do projeto são ex-estudantes do próprio ICSB; 27% não são ex-alunos, mas ingressaram no programa com a experiência de participações em outros projetos do próprio ICSB. De fato, o acúmulo dessa experiência dentro do próprio Instituto teve, pelo menos, duas conseqüências importantes: facilitou o alinhamento político da equipe na busca comum de uma proposta de emancipação em relação ao racismo predominante na educação; e, além disso, possibilitou uma importante relação identitária, principalmente entre o aluno e a figura do ex-aluno/professor. Percebe-se, no projeto, que esse último aspecto é de grande valia para que haja, por parte do professor, uma maior consciência de alteridade, já que as possibilidades e limitações do outro ( o aluno) é percebida, compreendida e explorada na elaboração pedagógica, de sorte que a identidade entre esses pares ( aluno- ex-aluno/professor) desdobrou-se ao longo do curso em acolhimento, motivação e solidariedade, sendo, pois, o programa Oguntec o espaço catalisador dessa interação.

O depoimento do ex-aluno e professor de Matemática Antônio Francisco ilustra bem como o uso dessa identidade entre o corpo docente e o corpo discente pode se converter em importante trunfo motivacional para a superação das limitações dos educandos.

“O que eu sempre busco é... é trabalhar com os estudantes é a relação de [da] história de pessoas que estão próximas a eles e que vieram também dessa mesma realidade, e uma dessas histórias dentro desse contexto é a minha, né?, que fui um estudante oriundo de escola pública e que passei pelas mesmas dificuldades que esses alunos passaram...eu sempre conto também a eles, que é interessante, que com a ajuda da própria Instituição Steve Biko foi que eu vim me reerguer, né?, é ..é dentro dessa sociedade tão racista, foi onde eu pude me encontrar e obter forças. Então usando essas histórias, né?, de pessoas que estão próximas a eles como as próprias pessoas da coordenação os professores que tiveram histórias parecidas e que conseguiram...”(Entrevista com o ex-aluno e professor de Matemática do Oguntec Antônio Francisco)


Por outro lado essa ação dos professores é percebida pelos estudantes:

A gente, aqui discute com os professores, tem espaço aberto pra a gente tá crescendo junto com eles e eles crescendo com a gente ao mesmo tempo. (...) o ambiente que a gente se sente bastante à-vontade não é aquela questão do colégio que é bem preso a sala, quadro, a gente não pode assim... conversar mesmo, expor nossas dúvidas. (...) a gente se identifica com os professores ... (Depoimento de Fábio Oliveira, 17 anos, estudante do Programa Oguntec).


Eu, pra falar em público, apresentar palestras, cálculos, eu sempre me retraía, não fazia apresentações, eu ficava retraído, eu preferia entregar a parte escrita pra não apresentar, eu sempre era um cara assim retraído e aqui eu aprendi o hábito de falar. ( Depoimento do estudante Paulo Fábio, 18 anos).
Verifica-se, a partir desses depoimentos dos jovens, que esses esforços em busca de um tratamento mais digno dos estudantes negros têm, de fato, incentivado a criatividade e a superação de barreiras psicológicas advindas das iniqüidades, constantemente vistas nos ambientes escolares.

Conclusões
É importante salientar que, apesar de já apresentar resultados significativos, a proposta pedagógica do Oguntec ainda está em fase de construção, de reflexão e ressiginificação. É uma fase típica de transição, em que a certeza está na vontade de se distanciar ao máximo de modelos pedagógicos que reforçam estereótipos e preconceitos contra os jovens negros.

A despeito dessa etapa de maturação, podemos considerar a experiência do Oguntec uma importante possibilidade para o desenho de políticas educacionais mais inclusivas que, de fato, reduzam o desperdício de talentos dos jovens brasileiros a partir, justamente, da superação das barreiras do eurocentrismo e do racismo, que, em última instância, retiram a auto-confiança dos jovens e cerceiam suas aspirações de serem engenheiros, como André Rebouças; médicos, como Juliano Moreira; ou astronautas, como Mae Jemison, referências negras que brilharam em meio a um ambiente científico hostil.



REFERÊNCIAS
FANON, Franz. Os condenados da Terra/ Frantz Fanon /Enilce Albergaria Rocha, Lucy Magalhães – Juiz de Fora:Ed. UFJF, 2005

FREIRE, Paulo; SHOR, Ira. Medo e Ousadia- O Cotidiano do Professor.Rio de Janeriro: Paz e Terra, 1986.

GROSFOGUEL, Ramón. Dilemas dos Estudos Étnicos Norte-Americanos: Multiculturalismo Identitário, Colonização Disciplinar E Epistemologias Descoloniais. Tradução Angela Figueiredo.

MATTHEWS, M.R. História, Filosofia e ensino de Ciências: a tendência atual de reaproximação. In: Caderno catarinense de ensino de física, v.12, n.3: p.164-214, dez. 1995.

MIGNOLO, W.D.. Os esplendores e as misérias da “ciência”: colonialidade, geopolítica do conhecimento e pluri-versalidade epistémica. In: Boaventura de Sousa Santos, (org.) Conhecimento Prudente para uma vida decente:um discurso sobre as ciências revisto.- São Paulo: Cortez, 2004.;

RODRIGUES, Nina, 1862-1906. Os africanos no Brasil; revisão e prefácio de Homero Pires; notas bibliográficas de Fernando Sales, 5. Ed. São Paulo, Ed. Nacional.;p.XV, 05,20

__________, As Raças Humanas E A Responsabilidade Penal No Brazil com um Estudo do Professor Afrânio Peixoto; Editora Guanabara, Waissman Koogan, Ltda. Rua Dos Ouriveis, 95.


SITES:
http://www.inep.gov.br/imprensa/artigos/araujo_ubiratan.htm

http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252007000200015&lng=pt&nrm=iso

http://bdjur.stj.gov.br/dspace/bitstream/2011/9989/1/As_Racas_Humanas_e_a_Responsabilidade.pdf.

ANEXOS


Tabela – Número de Formandos por Cor na Universidade - 2000 (em %)

CURSOS

BRANCOS

NEGROS

PARDOS

Administração

83.3

1.3

10.9

Direito

84.1

2.0

10.8

Engenharia Civil

81.2

1.8

12.4

Engenharia Química

82.8

1.8

11.0

Medicina Veterinária

84.9

1.1

9.5

Odontologia

85.8

0.7

8.4

Matemática

73.4

3.5

20.0

Jornalismo

81.5

2.9

11.5

Letras

70.9

3.9

21.6

Engenharia Elétrica

79.8

1.5

12.0

Engenharia Mecânica

81.0

1.9

11.6

Medicina

81.6

1.0

12.3

Economia

77.9

2.9

15.7

Física

72.8

3.5

18.5

Química

75.0

3.6

17.9

Biologia

74.9

2.5

19.2

Agronomia

83.3

1.6

11.8

Fonte: INEP, DIEESE, 2000. Em destaque (cor cinza) as carreiras científicas e tecnológicas.



Ilustração 1- Atividade de popularização da ciência e tecnologia: seminário de Matemática e Física cujo tema foi "A Origem do Universo" .


Ilustração 2- Estudantes nas atividades de inclusão digital.



Ilustração 3- Estudantes em visita institucional em uma fábrica de plásticos.



Ilustração 4- Visita ao Laboratório de Física da Universidade da Criança e do Adolescente –ÚNICA.



Ilustração 5- Fotos de referências negras das áreas de ciência e tecnologia, que são expostas em sala de aula para elevar a auto-estima dos jovens e encorajar seu ingresso nessas áreas.



Ilustração 6-Práticas de dinâmica de grupo nas aulas de Cidadania e Consciência Negra- CCN.




Ilustração 7 – Alguns dos filmes trabalhados no programa Oguntec para falar sobre o legado do povo africano e da diáspora e compreender o processo de exclusão: Treinador Carter, A Origem do Homem, Faça a Coisa Certa, Malcom X, Quilombo, Hotel Rwanda, Quase Deuses, Heróis de Todo Mundo, A negação do Brasil).



Ilustração 8-Exemplo de materiais didáticos usados no Oguntec : Livro Black inventors from África to América de C.R. Gibbs e o Livro Sankofa: resgate da Cultura Afro-brasileira, de Elisa Nascimento.

1 Estudante do Mestrado em Ensino, Filosofia e História das Ciências - UFBA.

2 Declarações do prêmio Nobel de medicina, James Watson, no Jornal The Sunday Times, em outubro de 2007. Trecho retirado do site http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u337682.shtml acessado em 07/05/2008.

3 Coordenador do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia, Antônio Dantas, em abril de 2008. Essas declarações foram feitas em justificativa ao baixo rendimento dos estudantes da Escola de Medicina da Universidade Federal da Bahia no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes - ENADE.

4 Segundo os dados da SAEB apresentados pelos autores no artigo de título “Desigualdade racial e desempenho escolar”, alunos brancos, matriculados na 4a série (rede pública e particular) – filhos de mães com escolaridade até a 8a série do ensino fundamental – obtiveram média de desempenho de 175 pontos em Matemática, contra uma média de 160 de estudantes negros, filhos de mães com a mesma escolaridade. Essa diferença de 15 pontos entre as médias de desempenho aumenta para 38 quando comparamos brancos, com mães de escolaridade média ou superior, com alunos negros, com mães de mesma escolaridade. Texto disponível no site http://www.inep.gov.br/imprensa/artigos/araujo_ubiratan.htm

5 Ver artigo “Desigualdade racial e desempenho escolar” no site http://www.inep.gov.br/imprensa/artigos/araujo_ubiratan.htm do Instituto de pesquisas educacionais Anísio Teixeira.

6 Os termos afro-brasileiros e negros serão empregados sem distinção. Os referidos termos contemplam as categorias pretos e pardos.

7 O nome faz referência ao Orixá Ogum, que, no Candomblé, é responsável pela manipulação dos metais e que para Maria de Lourdes Siqueira, pode ser ‘ considerado o único guerreiro propriamente dito, enquanto divindade telúrica, tem domínio sobre os metais contidos nas entranhas da terra[...]. E a divindade que compartilha o domínio sobre as ferramentas, os minerais, as montanhas, os pedregulhos. É o patrono dos engenheiros, dos mecânicos, dos físicos e químicos [...] (Siqueira, apud Aguiar, 2006, p.135).

8 Na Região metropolitana de Salvador o homem negro ganha 47% do rendimento de um homem branco e cerca de 80% de uma mulher branca. Já a mulher negra ganha 28,2% do rendimento de um homem branco e 45,9% do rendimento de uma mulher branca, sofrendo portanto o efeito cumulativo (Fonte: DIEESE). Salvador apresenta o maior diferencial do Brasil entre brancos e pretos segundo a PNAD/2002 , cerca de 228%.

9 As disciplinas Geografia e História só são oferecidas no último ano. A perspectiva é de disponibilizar uma maior carga horária para as disciplinas que, de forma recorrente, os alunos apresentam mais dificuldades.

10 Mignolo(2004) considera que o binômio modernidade/colonialidade são termos indissociáveis a explicação da modernidade científica européia, uma vez que essa ocorreu a partir da colonialidade do saber, ou seja, da negação de outras formas de saber a partir do que ele caracteriza como uma opressão epistémica.

11 Ver referência: Heródoto, 484 a.c.- 425 a.c. . História/ Heródoto; estudo crítico por Vitor de Azevedo; tradução de J. Brito Broca. – 2. ed. Reform. – São Paulo: Ediouro, 2001.


12 Na pesquisa, “Relações raciais na escola: reprodução de desigualdades em nome da Igualdade”, coordenada por ABRAMOVARY & CASTRO ( 2006) foi registrado o seguinte depoimento de um dos pesquisadores de campo: Olho o livro de ciências e percebo que as gravuras, fotos e desenhos só apresentam brancos. Aparece apenas uma figura, em cerca de quinze outras, onde há um menino negro, e, coincidência, ele está jogando bola (roteiro de observação de sala de aula, escola pública, Salvador). Essa invisibilidade e a presença de estereótipos raciais nos livros didáticos, foi também objeto de pesquisa de Ana Célia da Silva(2004) em sua obra A discriminação do negro no livro didático.

13 Mesmo para as propostas de implantação de história das ciências ou abordagem contextual do ensino de ciências isso já é complexo vide obra de autores como Metthews(1994): “Science teaching: The Role of History and Philosophy of Science”.

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