Estimativa de biomassa e do carbono



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ESTIMATIVA DE BIOMASSA E DO CARBONO

EM FLORESTA OMBRÓFILA MISTA EM SISTEMA FAXINAL
Suelen Cristina Vanzetto – Acad. de Eng. Ambiental / Bolsista PIBIC/CNPq

Luciano Farinha Watzlawick - Prof. Dr. – Orientador/DEAGRO


Palavras-chave: Equações Alométricas; Protocolo de Kioto; Sistema Faxinal
Resumo:

As florestas naturais ou implantadas têm sido apontadas como drenos do gás carbono através do processo de fotossíntese, havendo posterior armazenamento em diferentes compartimentos do ecossistema. O interesse em relação ao “seqüestro de carbono” em florestas plantadas tem crescido, em razão de sua elevada taxa de crescimento e grande capacidade de fixar o dióxido de carbono da atmosfera. Diante do exposto o presente estudo teve como objetivo realizar estimativas de biomassa e carbono em Floresta Ombrófila Mista em Sistema Faxinal localizada na Região Centro-Sul do Paraná. Na quantidade da biomassa acima do solo da vegetação arbustiva dos indivíduos com DAP  10 cm, ocorreu um acumulo de 117,67 Mg ha-1, e os carbono 52,95 117,67 Mg ha-1. Conclui-se que os faxinais podem contribuir de maneira significativa para a fixação de carbono.


Introdução
Com o desequilíbrio do CO2 em nível global, as florestas desempenham fundamental importância, pois armazenam carbono na biomassa das árvores. Diferentes tipos de florestas armazenam diferentes quantidades de carbono na biomassa, em função dos diferentes estágios de sucessão, idade, regime de manejo, composição de espécies e teor de carbono nos componentes de cada espécie. Sendo assim, os ecossistemas florestais apresentam-se como a melhor fonte de “sumidouro” de carbono para o controle das mudanças climáticas, pois além de estocar parte do carbono seqüestrado da atmosfera em seus tecidos, devolvem parte ao solo por meio da queda das folhas, galhos, frutos e estruturas reprodutivas, com sua posterior decomposição (SCHUMACHER, KONIG E KLEINPAUL, 2004).

Apesar de constituir parte expressiva da realidade agrícola e ambiental do Estado em termos histórico, social e de produção econômica, o Sistema de Faxinal é pouco conhecido pela sociedade científica e pelos técnicos do setor. Na perspectiva local constata-se uma deficiência em termos de pesquisa, conhecimento e conservação do Sistema de Faxinal, principalmente relacionados ao conhecimento do real importância e contribuição do Sistema Faxinal no “seqüestro de carbono”, justificando-se assim a realização do presente estudo. O presente estudo teve como objetivo realizar estimativas de biomassa e carbono em Floresta Ombrófila Mista em Sistema Faxinal localizada na Região Centro-Sul do Paraná



Materiais e Métodos
Em uma Floresta Ombrófila Mista em Sistema Faxinal (Faxinal Marmeleiro de Baixo) localizada no município de Reboouças – PR, foi instalada uma de parcela permanente por WATZLAWICK (2007), possuindo 1 ha (100 m x 100 m) esta sub-dividida em 100 sub-unidades contíguas de 100 m² (10 m x 10 m). Foram realizadas medições do diâmetro a altura do peito (DAP), bem como a identificação das espécies.

No presente trabalho as alturas foram estimadas utilizando-se as equações hipsométricas, para estimar as alturas totais (HT) das espécies folhosas e da araucária.


Araucaria angustifolia: HT = -21,284 + 10,951 ln (DAP)

Espécies folhosas: HT = -2,231 + 4,750 ln (DAP)


Para a obtenção dos valores de biomassa, foi utilizada a equação ajustada por KOEHLER, WATZLAWICK e KIRCHNER (2002). A equação e utilizada para estimar a fitomassa individual das árvores.
Y= exp[-3,255172+0,93907 LN (DAP2HT)
Nas estimativas de carbono fixado foi utilizado os teores médios determinados por WATZLAWICK et al. (2004) para 39 espécies da Floresta Ombrófila Mista, vale ressaltar que os teores foram comparados pelo teste de Tukey ao nível de 95% de probabilidade de confiança.

Utilizando-se as informações anteriores foi calculada a quantidade de biomassa e carbono fixado para o floresta como um todo, bem como para cada espécie inventariada.


Resultados e Discussão
A floresta em estudo possui uma densidade de árvores de 352 indivíduos/ha, representando 18 famílias botânicas, 24 gêneros e 32 espécies arbóreas, conforme Tabela 1.

Tabela 1 – Relação de espécies ocorrentes no Faxinal Marmeleiro de Baixo.

Nome Vulgar

Nome Cientifico

Família

araçá do mato

Myrciaria delicatula (DC.) O. Berg

Myrtaceae

araucária

Araucaria angustifolia (Bert.) O. Ktze.

Araucariaceae

batinga

Eugenia hiemalis Cambess.

Myrtaceae

branquilho

Sebastiania commersoniana (Baill.) L.B. Sm. & Downs

Euphorbiaceae

cafezeiro de mato

Casearia sylvestris Sw.

Salicaceae

caingá

Calyptranthes grandifolia Berg.

Myrtaceae

canela

Ocotea indecora (Schott) Mez.

Lauraceae

canela guaica

Ocotea puberula (Rich.) Nees

Lauraceae

canela imbuia

Nectandra megapotamica (Spreng.) Mez

Lauraceae

canela sassafraz

Ocotea odorifera (Vellozo) Rohwer

Lauraceae

capororocão

Myrsine umbellata Mart.

Myrsinaceae

caúna

Ilex microdonta Reissek

Aquifoliaceae

cedro

Cedrela fissilis Vell.

Meliaceae

curvatã

Cupania vernalis Cambess.

Sapindaceae

erva mate

Ilex paraguariensis A. St.-Hil.

Aquifoliaceae

figueira

Ficus enormis (Mart. ex Miq.) Mart.

Moraceae

guabiroba

Campomanesia xanthocarpa O. Berg.

Myrtaceae

guaçatunga

Casearia decandra Jacq.

Salicaceae

guaçatunga branca

Casearia obliqua Spreng.

Salicaceae

guaçatunga graúda

Casearia lasiophylla Eichler

Salicaceae

imbuia

Ocotea porosa (Nees & C. Mart.) Barroso

Lauraceae

jacaranda

Dalbergia brasiliensis Vogel

Fabaceae

laranjeira do mato

Randia armata (Sw.) DC.

Rubiaceae

leiteiro

Sapium glandulatum (Vell.) Pax

Euphorbiaceae

leiterinho

Sebastiania brasiliensis Spreng.

Euphorbiaceae

miguel pintado

Matayba elaeagnoides Radlk.

Sapindaceae

murta

Blepharocalyx salicifolius (Kunth) Berg.

Myrtaceae

pessegueiro bravo

Prunus brasiliensis (Cham. & Schlecht.) D. Dietrish

Rosaceae

sapopema

Sloanea monosperma Vell.

Elaeocarpaceae

sapuva

Machaerium stipitatum (DC.) Vogel

Fabaceae

sete capote

Campomanesia guazumifolia (Cambess.) O. Berg

Myrtaceae

vacum

Allophylus edulis (A. St.-Hil., Cambess. & A. Juss.) Radlk.

Sapindaceae

A quantidade da biomassa acima do solo da vegetação arbustiva dos indivíduos com DAP  10 cm, ocorreu um acumulo de 117,67 Mg ha-1, e os carbono 52,95 117,67 Mg ha-1, valores estes que ao serem comparados ao estudos de WATZLAWICK et al. (2002) pode-se considerar que a floresta em estudo encontra-se no entre o estágio de regeneração inicial para médio de desenvolvimento.

Ao considerarmos as espécies isoladamente, das 32 espécies ocorrentes, 17 espécies contribuíram com 52,3 % da quantidade de biomassa e carbono fixado, sendo elas: murta (15,8%), guabiroba (10,8%), canela-imbuia (5,5%), guaçatunga (3,7%), cedro (3,3%), imbuia (2,3%), araucária (2,0%), erva mate (1,6%), miguel pintado (1,3%), canela guaica (1,3), guaçatunga branca (1,2%), caingá (1,1%), curvatã (1,1%), leiteiro (0,8%), canela sassafraz (0,4%), cafezeiro de mato (0,1) e capororocão (0,1%). Vale ressaltar que os indivíduos mortos representam 3,3 %.
Conclusões
As florestas nativas desempenham importante papel no processo de fixação de carbono, devido os tratos silviculturas serem efetuados em intervalos de tempo maiores que nas florestas plantadas, ocasionando fixação do carbono por mais tempo. A fixação de carbono somente ocorre enquanto as árvores e a floresta estão crescendo, tornando assim importante e atrativo a recuperação dos ecossistemas naturais em áreas degradadas, através de regeneração, adensamentos, aumentado consideravelmente a biomassa, conseqüentemente o estoque de carbono fixado. Com relação aos faxinais pode-se concluir que os mesmos contribuem de maneira significativa para a fixação de carbono.
Referências
KOEHLER, H.S.; WATZLAWICK, L.F.; KIRCHNER, F.F. Fontes e níveis de erros nas estimativas do potencial de fixação de carbono. In: SANQUETTA, C.R. et al. (Eds.) As florestas e o carbono. Curitiba, 2002. p.251-264.
SCHUMACHER, M.V; KONIG, F.G; KLEINPAUL J.J. Mudanças Climáticas e Mercado de Carbono. In: Quantificação de Carbono Orgânico na Serapilheira, Sub-Bosque e Solo de uma Floresta de Pinus elliottii Engelm. aos 36 anos em Santa Maria, RS. In: Fixação de Carbono: atualizações, projetos e pesquisas. Curitiba. 2004. 125-132p.

WATZLAWICK, L.F.; et al. Fixação de carbono em floresta ombrófila mista em diferentes estágios de regeneração. In: SANQUETTA, C.R. et al. (Eds.) As florestas e o carbono. Curitiba, 2002. p.153-173.



WATZLAWICK, L.F. et al. Teores de carbono em espécies da floresta ombrófila mista. In: SANQUETTA, C.R. et al. (Eds.) Fixação de Carbono: atualizações, projetos e pesquisas. Curitiba. 2004. 95-110p.
WATZLAWICK, L.F. Comparação e Análise Estrutural em Quatro Áreas da Floresta Ombrófila Mista em Sistema Faxinal, Bolsista Produtividade – CNPq (2007/09)
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