Estratégias empresariais e o teletrabalho um enfoque na realidade brasileira



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Escritórios Virtuais - Centros de Negócios


Face às novas demandas que estão surgindo no mercado de trabalho e de negócios e, visando satisfazer essas necessidades, já existem nas principais cidades do país, os Escritórios Virtuais, também conhecidos como Centros de Negócios que prestam os seguintes serviços para os profissionais que trabalham em casa, sejam teletrabalhadores ou empreendedores homebased:

  • - locação temporária de salas para escritório, reuniões, cursos, palestras e atividades congêneres;

  • - endereço comercial e aluguel de caixas postais (particulares ou para empresa);

  • - serviços de secretariado e digitação, fax e cópias xerográficas, encadernação, consultoria em gestão empresarial e planejamento tributário, assessoria contábil, fiscal e trabalhista, preparação de imposto de renda (pessoa física e jurídica).

Nos Estados Unidos, atuam em torno de 3500 destes centros de negócios, que movimentam em torno de US$ 2 bilhões por ano.

No Brasil, destacam-se os Centros de Negócios filiados a ANCN – Associação Nacional de Centros de Negócios, o grupo HQ e a franquia Postnet, com 8 franqueados.

Também, por conta desta tendência, já existem no nosso país redes de lojas de informática e de material de escritório, que atendem a pequenos usuários, no mercado SOHO (Small Office Home Office) e estima-se que em 5 anos, este segmento responderá por 40% do mercado nacional de informática.

Estas são considerações que indicam sem dúvida, que está havendo uma transformação radical no conceito de trabalho/escritório como estrutura física para o exercício de atividades profissionais exercidas por pessoas de diferentes atividades em virtude, principalmente, da evolução da informática e das telecomunicações e que estão diretamente relacionados à evolução do Escritório em Casa e do Teletrabalho no Brasil.

A seguir são feitas algumas sugestões para tornar o “home office” de um Teletrabalhador mais eficaz:



  • - o ideal é a instalação em casa, especialmente quando há possibilidade de entrada independente, o que permite maior privacidade no trabalho e que seja reservado só para “home office”;

  • - a instalação em apartamento também é usual, mas pode haver algum tipo de embaraço na recepção de clientes, por exemplo, já que os condomínios costumam ter normas rígidas de segurança e muitos deles não permitem atividades comerciais no local;

  • - se o imóvel for uma casa, é recomendado o reaproveitamento de áreas disponíveis e com espaço razoável, como edícula, garagem, área de serviço ou terraço;

  • - dar preferência por local com luminosidade indireta, evitando-se reflexos na tela do microcomputador;

  • - o mobiliário deve ser funcional, confortável e adequado para pequenos escritórios;

  • - pode haver o reaproveitamento de móveis da casa, como poltrona, cadeira, estante, mesa, prancheta etc.;

  • - os equipamentos necessários são microcomputador com placa de fax-modem, impressora, duas ou três linhas telefônicas fixas, telefone celular, secretária eletrônica, pager, etc.;

  • - o teletrabalhador deve ter objetivos claros sobre o trabalho a ser executado, para que o “Home Office” não se transforme em local de execução apenas de “bicos”;

  • - é necessário ter iniciativa, oferecer serviço de qualidade e ter disciplina para evitar a interferência da família ou moradores do imóvel na atividade profissional;

  • - a despesa do escritório também deve ser separada da doméstica, por meio de uma contabilidade à parte, que deve incluir gastos com material de escritório, contas telefônicas, energia elétrica e assinatura e mensalidade devida ao provedor de acesso à Internet, entre outros.

No tocante aos teletrabalhadores, suas atitudes e comportamentos ideais deverão envolver os seguintes aspectos:



  • - ter mais de três anos na função que executa na empresa;

  • - ser disciplinado, responsável e bem relacionado com seu chefe, colegas e os integrantes de outros departamentos na empresa;

  • - participar em reuniões da empresa;

  • - obedecer os prazos (projetos, compromissos);

  • - checar diariamente as correspondências e o e-mail;

  • - estabelecer uma rotina diária;

  • - deixar claro para a família que não deve ser interrompido enquanto trabalha;

  • - não trabalhar demais, folgar nos finais de semana e feriados e tirar férias;

  • - propor encontros sociais com os colegas de trabalho e com os amigos do bairro.

Muito embora a estatística oficial brasileira estime ao redor de 2 milhões de PCs em funcionamento no país, pode-se chegar aos 4 milhões se incluídos os equipamentos ilegais e contrabandeados. Hoje no Brasil, são mais de 1,66 milhões de usuários de e-mail, 2,57 milhões de usuários da Internet, movimentando R$400 milhões só com serviços de acesso à Web.

Estas são constatações refletem diretamente no mercado SOHO (Small Office Home Office) e está se tornando uma nova modalidade de gestão empreendedora no país, haja vista que 79% dos acessos à Internet é feito de casa.

Nos Estados Unidos, o SOHO movimenta em torno de US$ 427 bilhões, por 14 milhões de americanos que trabalham em casa “full time” e por outros 13,1 milhões que trabalham “part time” em casa. No tocante aos teletrabalhadores existentes estima-se que hoje sejam em torno de 11 milhões em 300 das 500 maiores companhias neste país.

No Brasil, estima-se que este segmento seja responsável por 15% das vendas de equipamentos de informática e estima-se que em 5 anos, responderá por 40% do mercado nacional.
O arquiteto William J. Mitchell do Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), Cambridge (Estados Unidos) em seu último livro “City of Bits”, afirma que a residência já adquire um novo sentido, tendo a sala de estar um computador para trabalho, diversão e educação.

Assim, uma nova realidade mundial chega ao nosso país, e cada dia que passa, aumenta o número de pessoas que começam a ter a sua base profissional, com relação direta de emprego (“teletrabalhador”) ou não (home office), na própria residência ou em pequenos escritórios (small office).

A este respeito, recente pesquisa realizada pela Link Resources nos Estados Unidos, indicou que de cada seis norte-americanos, um exerce suas atividades profissionais em casa. Este universo, que vem crescendo 12% ao ano, desde 1992, 31% trabalham por conta própria, mas em tempo parcial, podendo utilizar o restante do tempo com a família, estudar, divertir-se entre outras coisas, exceto trabalhar; 17% trabalham como “teletrabalhadores”, ou seja, estão empregados, mas exercem suas atividades profissionais tendo a residência como base profissional interligando-se com suas empresas via telefone, pager, modem e/ou computador, e, 22% tem um emprego tradicional e fora do horário funcional, trabalham por conta própria na própria residência.

No Brasil, de acordo com IBGE, um em cada quatro brasileiros trabalha por conta própria e segundo um estudo da Fundação SEADE (Sistema Estadual de Análise de Dados do Governo do Estado de São Paulo) e do DIEESE, uma pessoa em cada 20 que trabalham na Grande São Paulo usa a própria residência para o negócio próprio ou como empregado.

De acordo com o Wall Street Journal cada vez mais mulheres norte-americanas estão deixando empregos bem remunerados para trabalhar por conta própria, tocando negócios com renda menor, mas com mais tempo para a família, principalmente para os filhos. Desta forma, executivas com altíssima qualificação estão trocando os empregos nas grandes empresas para começarem seus próprios negócios, principalmente, pelo fato de sentirem que isso lhes dá um maior controle sobre suas vidas, pois têm a residência ou pequenos escritórios próximos ao lar e contam com o apoio de bases virtuais, as empresas de prestação de serviço e os centros de negócios. Sabe-se que ao redor de um terço das empresas de pequeno porte nos Estados Unidos são de empreendedoras que nos últimos 9 anos tiveram um crescimento de 43%, enquanto o número total de pequenos negócios cresceu 26%, incluídos os empreendedores masculinos.

Parte destas empresas capitaneadas por mulheres se utilizam de incentivos governamentais, inclusive a lei de minorias, cuja legislação inclui as mulheres. Já no nosso país, as mulheres (quase a metade da força de trabalho) foram as primeiras a lucrar com um negócio em casa e de acordo com os dados do SEADE, 6% das empreendedoras atuam no próprio lar como autônomas e exploram principalmente atividades domésticas atuando em negócios relacionados com a arte plástica, alimentação, costura, tricô e atividades assemelhadas. Ainda de acordo com recente pesquisa do SEADE (1998), houve um crescimento de 35% no número de autônomos na última década, o que já corresponde a 20,5% da população ocupada na Grande São Paulo. Esta tendência observada nos Estados Unidos começa a materializar-se no Brasil com executivas e profissionais liberais, trocando a condição de trabalhar na sede de uma empresa, pelo trabalho em casa ou em pequenos escritórios próximos ao lar, seja como teletrabalhadores ou como donas do próprio negócio, em busca de maior independência e melhor qualidade de vida, semelhante ao que já vinha ocorrendo com os profissionais masculinos.

Conciliar casa e trabalho exige um elevado grau de organização e reavaliação do significado pessoal para o tempo. Significa também saber planejar o seu negócio ou trabalho em casa e monitorar continuamente o seu grau de produtividade pessoal, ou seja, a capacidade profissional de realizar bons serviços para o mercado, sem haver a necessidade de ser empregado ou, no caso de empregado, exercer adequadamente suas atividades em quaisquer locais, sendo consideradas as características de empreendedor ou intraempreendedor. O equacionamento deste sistema gravita em torno da busca de qualidade de vida, a administração de tempo e eficácia empresarial.

As pessoas estão constatando a duras penas que o tempo é um dos bens mais preciosos e é um tesouro a ser preservado com unhas e dentes. O tempo que dedicamos a nós mesmos, aos nossos relacionamentos, à sociedade, acaba dependendo do tempo consagrado ao trabalho e este será uma atividade prazeirosa ou desagradável, dependendo do significado pessoal que cada um de nós atribui ao tempo alocado ao trabalho.

Logo, na medida em que este mercado SOHO for evoluindo, por exemplo, através do acesso às vídeo-conferências ou o videofone e as pessoas poderem se ver umas as outras enquanto “conversam” através do PC, as condições de trabalho serão otimizadas dentro da filosofia do escritório virtual.

Neste sentido sobressai-se o caso da Compaq nos EUA que, desenvolve experiências de teletrabalho na qual seus empregados, cujas funções não exigiriam a presença diária no recinto do trabalho, poderiam ficar compartilhando o tempo existente entre visitas a clientes, fornecedores ou com a família.

De acordo com o renomado consultor norte-americano em teletrabalho Gil Gordon na sua publicação “Telecommuting Review”, nos próximos dez anos, toda empresa americana terá pelo menos um pequeno grupo trabalhando em casa, ainda que apenas um ou dois dias na semana.

Estes dados indicam, sem dúvidas, que está havendo uma transformação radical no conceito de escritório como estrutura física para o exercício de atividades profissionais exercidas por pessoas de diferentes atividades, em virtude principalmente da evolução da informática e das telecomunicações.

A empresa de consultoria Brasil Entrepreneur, face a estas considerações, e visando contribuir para aperfeiçoar os profissionais desta categoria, para obter o máximo desempenho trabalhando em casa, e evitando as armadilhas de confundir comportamentos familiar e profissional, está desenvolvendo uma série de atividades com parceiros, sendo umas delas workshops sobre práticas do teletrabalho, ao abordar os seguintes temas:


  • - teletrabalho: uma tendência crescente no mercado de trabalho e de negócios;

  • - a mudança de paradigma: novas possibilidades de trabalho também em casa;

  • - vantagens e desvantagens do trabalho em casa;

  • - os ajustes necessários na vida profissional e familiar no trabalho em casa;

  • - teletrabalhador X intraempreendedor : o dilema na gestão do trabalho em casa;

  • - o planejamento do trabalho em casa;

  • - o escritório virtual e a prestação de serviços em casa: equipamentos eletrônicos e de informática necessários, mobiliário, instalações físicas;

  • - as oportunidades de negócios e atividades profissionais adequados ao teletrabalho ;

  • - o teletrabalho passo a passo;

  • - as armadilhas do teletrabalho;

  • - o teletrabalho: mitos e concepções erradas;

  • - space planning e o teletrabalho;

  • - facility management e sua relação com o teletrabalho;

  • - a nova organização no trabalho: cenários contratual e legal;

  • - a integração de deficientes no mercado de trabalho através do teletrabalho.

A seguir, a título de contribuição para um melhor desempenho do trabalho à distância, são apresentadas as 12 regras do teletrabalhador:



  1. - forte automotivação : o teletrabalhador é mais sensível as distrações e dispersão. Por outro lado, o isolamento pode afetá-lo psicologicamente. Logo, é necessário automotivação;

  2. - autodisciplina : como o ambiente do teletrabalho não está sujeito ao controle físico e visual do ambiente tradicional do escritório, a autodisciplina é fundamental;

  3. - competências e preparação : o teletrabalhador tem de ter as competências para a atividade em causa e, além disso, tem de aprender a funcionar neste sistema;

  4. - flexibilidade e espírito de inovação : quem tenha dificuldades em se adaptar a novas situações, não é bom candidato ao teletrabalho;

  5. - formas de socialização : o teletrabalho coloca restrições à socialização. Soluções mistas de tempo parcial em casa e no escritório, a utilização de Escritórios Virtuais, ou o incentivo aos encontros entre teletrabalhadores e clientes, são aconselháveis;

  6. - regime de voluntariado : nunca deve ser feita a seleção de teletrabalhadores por escolha administrativa; todos os candidatos devem ser voluntários e escolhidos segundo critérios objetivos;

  7. - ambiente familiar : a família tem de ser considerada na análise. Mas o Teletrabalho não deve ser mero recurso para resolver problemas domésticos;

  8. - combate aos exageros : o ambiente de isolamento pode gerar a dependência em relação à gula, alcoolismo e drogas. Há que levar estes perigos em consideração;

  9. - ambiente adequado : tem de haver um espaço claramente demarcado no lar para o teletrabalho. A separação em relação às atividades familiares é crucial;

  10. - formação : treine os candidatos ao teletrabalho, os seus gerentes nas empresas e suas famílias;

  11. - sistema experimental : comece com uma equipe de voluntários, crie um sistema experimental e ensaie alternativas mistas. Os testes á funcionalidade do sistema devem ter, pelo menos, a duração de um ano;

  12. - regra número um : o teletrabalho não é nem um prêmio, nem sequer uma punição. É apenas uma forma diferente de trabalhar.

Capítulo 2

O Teletrabalho veio para Ficar

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Nos dias atuais, as empresas para se tornarem competitivas, têm que se concentrar no essencial, pois dentro de uma perspectiva moderna acabou-se a época da organização, seja pública ou privada, que “faz tudo”.

No tocante a modernidade nas gestões das organizações, só recentemente as empresas brasileiras começaram a despertar para o teletrabalho como instrumento para obter competitividade no mundo globalizado. Na realidade, esta já é uma tendência mundial, que preocupa algumas empresas nacionais e estrangeiras como é o caso da Natura no Brasil, que em um dado momento chegou a manter mais de cem vendedores, representantes técnicos de vendas e especialistas de produtos, trabalhando em casa.

Ao adotar o teletrabalho, a função profissional é exercida a partir da residência do funcionário, que assim, pode reduzir custos, aumentar a produtividade, obter mais satisfação pessoal e, conseqüentemente, economizar espaço interno do escritório da empresa.

Contudo, a adoção do teletrabalho no nosso país, encontra algumas barreiras, em virtude basicamente da cultura da “exigência da presença física no local de trabalho”, como também, do hábito do funcionário de ser tratado de forma paternalista e ter dificuldades para administrar o seu tempo.

Por outro lado constata-se que algumas organizações que estão adotando o teletrabalho, treinam seu pessoal, e, em alguns casos transferem tecnologias e instalam nas residências os equipamentos básicos, tais como, PC, celular, pagers etc., onde o “teletrabalhador” tem que ter desempenho em qualidade igual ou melhor, como se o trabalho fosse realizado nos escritórios da empresa.

É importante frisar, que não faz muito tempo, a auto-suficiência nas organizações era considerada uma meta suprema, até que na medida em que, forçada pela competição muitas delas reduziram suas estruturas, através dos “downsizings” e das “reengenharias”, buscando se especializar no “seu negócio” e visando atender melhor o cliente.

No entanto, vale a pena alertar para o fato de que algumas empresas imaginam estar aplicando o teletrabalho em sua gestão, quando na verdade estão apenas usando artifícios para reduzir custos, ou simplesmente, contratando serviços, de onde poderão surgir questões legais e trabalhistas, que comprometerão o real significado do Teletrabalho. Por exemplo, pode ocorrer se mal administrado, o caso em que o funcionário que trabalha em casa, move uma ação na Justiça, demonstrando que trabalhava até a meia noite, e sem horas extras e ter grandes possibilidades de ganhar a causa com seu empregador.

Quando se observa os congestionamentos diários de trânsito em São Paulo, imediatamente se indaga se um dia isso vai acabar. Os pessimistas por um lado, acham que será inevitável limitar a entrada de automóveis na cidade ao adotar definitivamente o “rodízio de carros”, ou outra medida restritiva à circulação dos veículos. A este respeito, de acordo com recente estudo do IPEA, São Paulo tem um prejuízo anual de R$346 milhões em virtude dos congestionamentos. Contudo, os mais otimistas dizem que o problema em um futuro não muito distante poderá ser eliminado pela silenciosa revolução da informática e das telecomunicações.

A este respeito, no Instituto para o Futuro, sediado na Califórnia (Estados Unidos), há algum tempo existe um grupo de cientistas sociais dedicados a avaliar o impacto que o computador está provocando nas relações sociais e no trabalho. Uma das conclusões que esta instituição chegou nos seus estudos foi que, particularmente nos Estados Unidos, homens e mulheres viverão socialmente ainda mais isolados, “conversando” por fax, telefone ou trocando mensagens pela Internet (e-mail).

Porém, o que é que tudo isso tem a ver, por exemplo, com o caótico trânsito das principais cidades brasileiras? É simples. Deixando a filosofia de lado, os analistas identificam que o acesso à informática está levando um número cada vez maior de pessoas a passar mais tempo em casa, para trabalhar, se divertir, fazer exercícios físicos, fazer refeições, tratar da saúde etc. Por exemplo, o executivo paulistano profissional, que hoje sai de casa para trabalhar e “viaja” em média uma hora e meia a duas de automóvel para chegar à Av. Paulista, pode ser um animal em via de extinção. Por pior que isso contribua para a determinação da qualidade das relações sociais, estima-se que o trânsito em São Paulo tenha muito breve possibilidades de melhorar, em comparação com o que é hoje.

Nos Estados Unidos, como já foi comentado em capítulo anterior, existe o termo “commuter”, nome dado aos profissionais que se deslocam de casa para o trabalho todo dia na rotina de “9 às 5”, que são os horários de entrada e saída na maioria das empresas neste país. A expressão “teletrabalho” derivado do termo “commuter”, é uma palavra recente, que define os funcionários que vão para o trabalho sem sair de casa, usando os recursos tecnológicos disponíveis, tais como PC, celular, pagers etc.

Desta forma, usando computador doméstico, modem, pagers, e uma linha telefônica, já se pode comunicar com as empresas à distância e cumprir em casa ou em local virtual, a maioria das tarefas rotineiras, como ler e preparar relatórios, conversar com clientes por telefone e assim por diante, indo ao escritório da empresa somente para reuniões importantes, ou então para manter contatos sociais com os colegas de trabalho.

Por esta razão, sabe-se que já há colaboradores selecionados em empresas brasileiras que podem pelos menos realizar parte de suas tarefas num escritório doméstico e que incluem profissionais que se beneficiam do teletrabalho tais como engenheiros e analistas de sistemas, jornalistas, vendedores, projetistas, arquitetos etc.

Por outro lado, as grandes empresas já oferecem a seus funcionários a opção de trabalhar também em casa, e dentre elas destacam-se as empresas tais como a ITT, Nortel, Boeing. Mas, esta proposta revolucionária ainda enfrenta resistências dos chefes que não querem perder o controle de seus funcionários, o que dificulta assim a sua implantação, particularmente em empresas nacionais, pelo fato de não estarem habituadas ao controle remoto de seu pessoal.

Portanto, o que se busca, na realidade, e que não é simples, é repensar o papel do escritório (work place), ao torná-lo cada vez mais um centro para administrar os funcionários localizados fora da empresa, às vezes a centenas de quilômetros de distância, em outras cidades, estados e até continentes. A este respeito, o escritório muda o seu papel tradicional, ao se transformar num eventual centro de conveniência e de reuniões periódicas dos funcionários geograficamente distantes. Como afirmou Kugelmass, os apertos de mãos, cada vez menos freqüentes, ainda são interdigitais, mas os dígitos, com freqüência cada vez maior, são eletrônicos.

Esta é a realidade atual: os constantes avanços das telecomunicações no nosso país, e a correspondente economia de escala, tornam o “teletrabalho” uma necessidade para a empresa que planeja continuar competitiva e lucrativa. Desta forma, diante da perplexidade que ora se vive, com a crescente turbulência social, econômica e política, surge o teletrabalho como um dos meios para conquistar a eficiência sendo, portanto, uma das soluções para as empresas brasileiras conviveram com a globalização da economia e da concorrência.

Ademais, percebe-se que as pessoas de uma maneira geral tendem a aceitar a necessidade de ficar em casa. Neste sentido, em recente pesquisa realizada com 18 teletrabalhadores por Robert Burenn, do Departamento de Sociologia da Universidade de Victoria, no Canadá, mostrou que eles não querem mudar de rotina, apesar da imensa maioria trabalhar bem mais em casa do que na época dos tempos no escritório. Assim, ficou demonstrado neste estudo que 80% dos pesquisados preferem o teletrabalho à antiga rotina e que 67% gostariam de trabalhar assim pelo resto de suas vidas…

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