Estrutura básica de um projeto técnico



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TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO, MONITORIA E AVALIAÇÃO DE PROJETOS

AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO ALTO URUGUAI CATARINENSE

ENTIDADES PARTICIPANTES: SDR; AMAUC; UnC; EAFC; EPAGRI; PREFEITURAS MUNICIPAIS; SEBRAE.



Cladecir A. Schenkel – UnC Concórdia – Jun/2005


ESTRUTURA BÁSICA DE UM PROJETO TÉCNICO
A redação técnica de um projeto será fundamental para a sua aprovação. A seguir, descreve-se uma estrutura básica que poderá servir como guia quando da elaboração de um projeto técnico ou, como quiser, um projeto de ação. Trata-se da descrição de um roteiro completo, seguindo mais ou menos as exigências dos agentes financiadores, embora, cada uma destas agências tenha modelo ou formulário próprio.
Estrutura básica
1. Folha de apresentação

  • Deverá conter:

  • Nome do projeto;

  • Instituição responsável e sua logomarca;

  • Instituições envolvidas e suas logomarcas;

  • Equipe responsável;

  • Local e data.


2. Título

  • Ter presente que o título será muito importante para vender o projeto e deve provocar aquele primeiro interesse pelo mesmo;

  • Ter uma sigla - sonora, concisa, objetiva e que reflita a idéia geral do projeto;

  • Não deve ser extenso em demasia; porém, claro, coerente e consistente.


3. Introdução

  • Deverá dar uma idéia sucinta do conjunto do projeto (de onde surgiu a idéia, quais as intenções do trabalho, como foi organizado ...);

  • Evitar textos maiores que uma ou duas páginas;

  • Assegurar que seja uma espécie de “cartão de apresentação”;

  • Deverá suscitar interesse para que o leitor (consultor) analise o restante do projeto.


4. Proponente

  • Descrever a instituição, empresa ou organização responsável pelo projeto;

  • Fornecer os dados técnicos da mesma, tais como: nome, endereço completo, dados jurídicos (CNPJ, Inscrição Estadual, Municipal);

  • Inserir a logo, se existir;

  • Indicar as parcerias envolvidas com o projeto (reais e não as prováveis); se existirem, colocar os dados e logomarcas das respectivas organizações parceiras.


5. Equipe do projeto

  • Descrever, objetivamente, a equipe que elaborou o projeto e a equipe que deverá acompanhar o processo: equipe técnica, operacional e de apoio disponível;

  • Inserir um currículo resumido de cada profissional envolvido (será importante para dar fundamentação técnica e segurança aos financiadores). Pode-se utilizar o currículo da base Lattes na forma resumida - modelo exigido em instituições como Capes e CNPq;

  • Indicar o coordenador ou responsável pelo projeto, sendo importante ter um “regra dois” para a coordenação – indicar quem assume se o coordenador/responsável sair;

  • Ter uma coordenação “de peso” é importante (profissional reconhecido);

  • Descrever a estrutura disponível e a capacidade institucional para abrigar o projeto;

  • Descrever a capacidade técnica, física e operacional (instalada) do proponente, sua organização, planejamento, logística e recursos a serem utilizados;

  • Prever todos os recursos técnicos, materiais e físicos necessários à execução, porém, não comprometer recursos indisponíveis.


6. Contexto do projeto

  • Elaborar um diagnóstico da situação envolvida, de forma focada e sucinta;

  • Assegurar que o projeto parta de uma realidade e necessidade comprovada;

  • Ter dados reais da situação, com um retrato histórico e atual;

  • Descrever a contribuição dos beneficiários na elaboração do projeto.


7. Objetivos
7.1. Geral

  • O objetivo deve ser claro, coerente e sucinto para dizer o que o projeto quer;

  • Deve refletir a razão de ser do projeto, podendo ser abrangente;

  • Deve estar ajustado às normas dos financiadores - muitas instituições buscam palavras-chaves no texto do projeto (sustentabilidade, desenvolvimento social, impacto ambiental / social, geração de emprego, taxa de retorno financeiro, etc).


7.2. Específicos

  • Os objetivos específicos devem estar bem relacionados com o título, com o contexto do projeto e com o objetivo geral, mantendo o foco;

  • Utilizar verbos de acordo com a linguagem do financiador – infinitivo, particípio passado, gerúndio;

  • Redigir de forma clara o que se quer atingir, indicando os benefícios desejados para o público e área envolvida.


7.3. Resultados desejados

  • Indicar quais os resultados que se quer alcançar, concretamente, ao final do projeto;

  • Descrever os possíveis efeitos e impactos que o projeto pretende produzir;

  • Quantificar os objetivos tentando dar uma dimensão para os mesmos – apresentar os indicadores que podem ser uma boa medida para considerar que os objetivos foram alcançados;

  • Ser realista e manter coerência com os objetivos propostos.



8. Justificativas

  • O projeto deve estar baseado em uma justificativa absolutamente coerente, que fundamente a sua razão de ser;

  • Não deverá haver dúvida do por quê do projeto, o fim a que se destina, devendo convencer da necessidade e relevância dos objetivos propostos;

  • Deixar clara a sua contribuição social, ambiental, cultural, etc.;

  • Projetos sem uma boa justificativa geralmente são rejeitados - uma análise objetiva do contexto geral e específico poderá ser útil nesta fundamentação.


9. Revisão Bibliográfica

  • Procurar fundamentar teórica e tecnicamente o projeto;

  • Atenção às normas técnicas para as citações e referências, organização de quadros e tabelas, inserção de notas;

  • O número de páginas depende das possíveis regras da instituição financiadora, da amplitude do tema e da objetividade;

  • Cuidado para não ser longa demais e conter informações que pouco interessam aos objetivos do projeto;

  • Eventualmente, de acordo com as orientações do agente financiador, a revisão de literatura poderá ter outro título (fundamentação teórica, marco teórico, marco técnico ou outro) ou fazer parte de outra seção do trabalho.


10. Público-alvo

  • Delimitar o público envolvido e descrever os beneficiários diretos e indiretos, indicando-os também quantitativamente, se possível (comunidades, grupos, pessoas, etc);

  • Essa descrição deve ser realista e coerente com a proposta e estratégia do projeto.


11. Estratégia do projeto (atividades)

  • Descrever os meios e as ações que serão utilizados para assegurar o êxito do projeto;

  • Relacionar uma ou mais ações (o que fazer?) para cada objetivo específico com suas respectivas metodologias (como será realizado?);

  • Podem ser descritas a partir de um plano operacional (marco operacional) do projeto;

  • Estabelecer parcerias e políticas de atuação, com as possíveis alianças para a viabilização do processo;

  • Adequar a estratégia do projeto às linhas do financiador;

  • Não queimar etapas – as ações devem ser necessárias e suficientes para assegurar os objetivos pretendidos, mostrando coerência no texto;

  • Prever ações para minimizar possíveis resistências ao projeto.


12. Metodologia

  • Definir uma proposta metodológica a ser utilizada pelo projeto, descrevendo:

  • Como o projeto será desenvolvido;

  • Qual a dinâmica de implementação;

  • Como ele será operacionalizado;

  • Quais os instrumentos de execução;

  • Qual a forma de condução;

  • Utilizar uma metodologia adequada ao público beneficiário, à instituição proponente e às instituições apoiadoras;

  • Descrever, seqüencialmente, o passo a passo do desenvolvimento do projeto.


13. Premissas e análise de risco

  • Analisar os riscos para o desenvolvimento do projeto, fazendo a sua previsão e observando as ameaças internas e externas.


13.1. Análise de viabilidade – fatores de controle interno

  • Descrever os elementos que asseguram a viabilidade do projeto;

  • Realizar uma análise dos fatores de risco internos do projeto.


Viabilidade política

  • Assegurar que o projeto esteja inserido nas políticas e programas governamentais e institucionais;

  • Assegurar que o mesmo obedeça aos aspectos legais vigentes.


Viabilidade financeira

  • Descrever:

  • Quanto vai custar;

  • Quem vai financiar;

  • Como será o financiamento.

Obs.: quando se pleitear um financiamento com o projeto, demonstrar claramente a viabilidade financeira da ação a ser financiada; mas, também claramente, demonstrar a viabilidade financeira das demais atividades desenvolvidas que não são objeto de tal financiamento – isto demonstra que, independentemente da aprovação ou não do projeto, a instituição será capaz de dar continuidade aos seus trabalhos. Se tal questão não ficar esclarecida, normalmente os projetos são reprovados – nenhum agente financiador aposta em uma instituição que só desenvolve uma ação ou que todas as ações dependam de um único agente financiador (dá a impressão que só está interessada no dinheiro).
Viabilidade técnica

  • Descrever:

  • Quem vai dar o suporte técnico;

  • Quanto vai custar tal suporte.


Viabilidade econômica

  • Analisar se o projeto garante o retorno dos investimentos;

  • Verificar se pode ser garantida a sua auto-sustentabilidade.

Obs.: o retorno do investimento não é medido em termos de cálculo financeiro-contábil (benefício-custo); mas em termos de eficácia (resultados da ação), eficiência (custo da ação) e efetividade (solução definitiva do problema). A auto-sustentabilidade está relacionada à possibilidade de garantir a continuidade da ação com recursos próprios, independentemente da renovação do financiamento.
Viabilidade social

  • Verificar se os beneficiários e envolvidos aceitam o projeto;

  • Analisar se há sustentabilidade social.


Viabilidade ambiental

  • Assegurar o respeito aos princípios de sustentabilidade ambiental.


13.2. Análise das premissas – fatores externos ao projeto

  • Analisar os fatores que estão fora do controle do projeto, mas que são importantes para o seu êxito;

  • As premissas podem ser definidas a partir da hierarquia de objetivos;

  • Formular as premissas com um enfoque positivo (como superá-las);

  • Verificar o grau de importância e qual a probabilidade de ocorrer;

  • Examinar se as atividades descritas conduzem diretamente aos objetivos específicos, ou se para isto acontecer, deverá haver um acontecimento adicional externo ao projeto;

  • Examinar se os objetivos específicos conduzem diretamente ao objetivo do projeto, verificando se existem algum fator externo ao projeto que possa contribuir ou impedir de se chegar a este fim.


14. Cronograma de execução

  • Descrever o período de execução, por fases e ações, especificando o responsável;

  • Ajustar o cronograma observando características regionais, para não ter imprevistos – colheita, chuva, festas, etc.;

  • Definir o calendário sempre com uma margem de segurança, respeitando a capacidade física, organizacional e financeira da organização;

  • Desenvolver um quadro sintético e de fácil visualização para facilitar a compreensão das etapas do projeto.


15. Orçamento físico e financeiro

  • Detalhar os custos e gastos do projeto, mantendo coerência com todas as etapas, com maior ou menor detalhamento, segundo as exigências do agente financiador;

  • Fazer o orçamento com valores realistas, segundo sua realidade operacional, sem superestimar nem subestimar, segundo pesquisa de mercado;

  • Definir com clareza a contrapartida da instituição proponente (geralmente salário não é aceito como contrapartida);

  • Elaborar o cronograma de desembolso (bimestral ou trimestral, para projetos curtos de 1 ou 2 anos; semestral ou anual, para projetos de 2 anos ou mais);

  • Especificar as necessidades materiais e de recursos humanos;

  • Organizar as planilhas de custos e apresentar a memória de cálculo, se solicitado pelo agente financiador;

  • Conhecer os itens financiáveis por instituição.


16. Controle e avaliação

  • Descrever o sistema de monitoria e avaliação do projeto, demostrando a forma de controle e ações corretivas;

  • Definir pontos de observação, fontes de verificação, indicadores e a periodicidade da avaliação.



17. Documentação


  • Prever um sistema de documentação para o projeto;

  • Definir formas de socializar as informações do projeto com as instituições cooperantes e envolvidos em geral.


18. Referências Bibliográficas

  • Relacionar apenas as citadas no projeto, seguindo as normas da ABNT;

  • Evitar referências não disponíveis (xerox, textos, etc).


19. Resumo do projeto

  • Elaborar uma síntese do projeto buscando dar uma idéia geral do mesmo ao leitor, antes de uma leitura mais detalhada.


20. Apresentação geral

  • Providenciar uma apresentação com uma formatação, layout e configuração básica seguindo as orientações dos financiadores;

  • Ter profissionalismo na redação e apresentação (confiabilidade, correção de linguagem, impessoalidade e bom visual);

  • Priorizar textos objetivos e sucintos e, em alguns casos, um resumo executivo, o que poderá facilitar o trabalho dos analistas.




MODERADOR: Sérgio Cordioli cordioli@portoweb.com.br fone/fax 51. 3325.2122 Porto Alegre - RS



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