Estruturas e tectônica da zona de transiçÃo entre os blocos jequié e itabuna-salvador-curaçÁ, região de itatim, bahia, brasil judiron Santos Santiago1, Luiz César Corrêa Gomes23, Geraldo Marcelo Pereira Lima2



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ESTRUTURAS E TECTÔNICA DA ZONA DE TRANSIÇÃO ENTRE OS BLOCOS JEQUIÉ E ITABUNA-SALVADOR-CURAÇÁ, REGIÃO DE ITATIM, BAHIA, BRASIL
Judiron Santos Santiago1, Luiz César Corrêa Gomes23, Geraldo Marcelo Pereira Lima2

1 Instituto de Geociências, Campus Universitário Darcy Ribeiro, UnB, Brasília, Brasil. Curso de Pós-Graduação em Geologia. E-mail: judirongeo@yahoo.com.br

2 Departamento de Geologia, Instituto de Geociências – UFBA, Rua Barão de Geremoabo, 123, Campus de Ondina, Salvador, Bahia, Brasil.

3 Departamento de Ciências Aplicadas, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - DCA/IFBA, Rua Caetano Moura s/n, Barbalho, Salvador, Bahia, Brasil.
Resumo
A região de Itatim compreende uma zona de transição entre dois importantes segmentos crustais do estado da Bahia, o Bloco Jequié e o Orógeno Itabuna-Salvador-Curaçá. Associada a história metamórfica deformacional inserida na evolução do Cráton do São Francisco. Através da apreciação dos aspectos geométricos e cinemáticos obsevados nos litotipos da região, foi possível correlacionar as estruturas a quatro diferentes estágios de uma deformacão progressiva. Essa evolução vai desde os eventos compressionais até os extensionais, estes últimos normalmente relacionados a um colapso gravitacional. Ainda, baseado no estudo de estruturas dúcteis e indicadores de cinemáticos associados, utilizando método de inversão foram possível adquirir a orientação 3-D dos campos remotos de paleotensão para cada fase da evolução tectônica. Revelando uma evolução da colisão, localmente dextral, inserido em um cenário de evolutivo tectônico regional sinistral.
Palavras-chave: zona de colisão de blocos, deformação progressiva, análise estrutural, método de inversão, Itatim- Bahia.



  1. Introdução

A região de Itatim fica situada em uma mega-estrutura sigmoidal, em uma zona de transição entre dois importantes segmentos crustais do estado de Bahia, o Bloco Jequié (BJ) (Cordani, 1973) e o Orógeno Itabuna-Salvador-Curaçá (OISC), os quais normalmente associados a um regime tectônico regional sinistral (Barbosa & Sabaté 2002; 2004). Na tentativa de contribuir para o entendimento dos eventos geológicos que estruturaram esse limite tectônico, foi realizado uma análise estrutural da região próxima ao contato entre o BJ e o OISC. Como esses domínios se encontram nas fácies granulito e anfibolito essa apreciação possibilita a análise de segmentos profundos da crosta continental, hoje expostos, de modo a compreender os movimentos e as forças atuantes na evolução paleoproterozóica deformacional desta porção continental. Essa evolução vai desde os eventos compressionais até os extensionais, estes últimos normalmente relacionados a um colapso gravitacional.



  1. Evolução Tectônica Regional

O Cráton do São Francisco é formado por um conjunto de blocos antigos, suturados por sucessivos mecanismos tectônicos de acresções crustais e/ou colisões continentais no final do Paleoproterozóico (Barbosa, 2003). A colisão teria ocorrido com movimento de quatro blocos no sentido NW-SE, identificado pela presença de falhas de empurrão e zonas de cisalhamento pós-colisionais (Barbosa, op cit.). Este modelo tectônico atribui que a origem do Orógeno Itabuna-Salvador-Curaçá está relacionada ao estágio final da colisão continente-continente, resultante da edificação de um arco continental e geração da cadeia de montanha, hoje exposta sua raiz devido a processos erosivos. Entre o Bloco Jequié e o Bloco Itabuna-Salvador-Curaçá, as condições físico-químicas refletem condições uniformes do metamorfismo em fácies granulito (Barbosa & Fonteilles 1991). Os mesmos autores, através de análises termométricas, indicam temperaturas máximas alcançadas de 830ºC a 850ºC, com pressões médias situadas entre 5 e 7 Kbar.




  1. Método de Trabalho

Coleta de dados de estruturas planares e lineares, tais como: foliações, lineações de crescimento/estiramento mineral e zonas de cisalhamento. Posteriormente, hierarquização destas estruturas com base na relação de truncamento, além da dedução das cinemáticas associadas a esses planos por meio do estudo de marcadores cinemáticos, tais como: relação S/C, dobras assimétricas. Para o tratamento estatístico em diagramas estereográficos, foi utilizando o software Stereonett® (Duyster, 2000).

Para a análise dos campos de tensões locais associados com as estruturas dúcteis, foi utilizado o método de inversão proposto por Srivastava et al. 1995. Os paleocampos foram obtidos utilizando o programa FaultkinWin® (Allmendinger 2001, versão 1.1), onde foram obtidos os diedros T (extensão) e P (compressão) e os parâmetros de tensor momento, ou de Bingham, com os pontos de concentração 1, 2, 3 representando os melhores ajustes para os tensores principais, σ3, σ2 e σ1 respectivamente.


  1. Evolução Estrutural e Tectônica




    1. Fases Deformacionais

Os litotipos metamórficos de alto e médio grau encontram-se polideformadas no estado dúctil, interpretados em termos de evolução tectônica colisional em quatro fases deformacionais progressivas. A primeira fase do estágio inicial da colisão possui movimentação tectônica reversa, onde foi gerada uma foliação regional de baixo mergulho, de orientação principal N030º e uma lineação de crescimento mineral dip-slip, associada com o fácies granulito. A segunda fase representa um estágio mais avançado da colisão, onde se desenvolveu uma foliação de alto ângulo de orientação N120º e um sistema de zonas de cisalhamento transpressivo dextral, marcada pela presença de grandes alinhamentos estruturais no relevo em escala regional. A terceira fase é caracterizada por um par conjugado de cisalhamento transcorrente dúctil (N140º e N010º). A quarta fase está associada ao colapso gravitacional do orógeno, onde foi gerada uma foliação de baixo mergulho.




    1. Campos de tensão

A partir dos dados de foliação e lineação mineral contida no plano, e sabendo-se a cinemática associada às estruturas, foi possível adquirir a orientação 3-D dos campos remotos de paleotensão para as quatro fases da evolução tectônica (Figura 01). Para isso, foi empregado o método de inversão (Srivastava et al. 1995). Foram obtidos: (i) na fase inversa (Dn), 1 foi orientado a N120º e 3 a N317º; (ii) na fase de transpressiva (Dn+1), 1 N160º e 3 N252º; (iii) na terceira fase progressiva (Dn+3), 1 N000º e 3 N090º e; (iv) na fase de colapso (Dn+4), 1 N041º e 3 N082º.



Figura 01 - Orientações dos paleotensores locais, das fases deformacionais, obtidos pelo método de inversão (Srivastava et al. 1995). Os diedros cinza representam extensão e os branco compressão, os parâmetros de tensor momento ou de Bingham, com os pontos de concentração 1,2,3 representando os tensores principais, σ3, σ2 e σ1, representados, respectivamente pelas setas brancas, cinzas e pretas. São mostrados os tensores subhorizontais para facilitar a visualização, excluindo dessa representação os tensores com altos ângulos. Notar rotação do σ1, no sentido horário, durante as fases compressionais.



  1. Conclusões

A combinação dos dados sugere uma rotação do tensor principal de compressão (1) no sentido horário, durante a evolução da colisão dextral, inserido em um cenário de evolutivo tectônico regional sinistral. Isso pode ser explicado pela geometria de sigmoidal da zona de colisão, com orientação N-S para um cenário sinistral e N120º para o cenário dextral de expressão local.




  1. Referências

ALMENDINGER R. 2001. www.geo.cornell.edu/pub/rwa/windows.


BARBOSA, J.S.F., FONTEILLES, M., 1991. Síntese sobre o metamorfismo da região granulítica do sul da Bahia. Brasil. Rev. Bras. Geoc. v. 21, n.4, p. 328–341.
BARBOSA J.S.F. & SABATÉ P. 2002. Geological features and the Paleoproterozoic collision of four Archaean Crustal segments of the São Francisco Craton, Bahia, Brazil. A synthesis. Anais Acad. Bras. Ciências, 74(2):343-359.
BARBOSA, J. S. F. 2003. O Cráton do São Francisco na Bahia: Uma Síntese. Revista Brasileira de Geociências, v. 33, n. 1, p. 3-6.
BARBOSA J.S.F.; SABATÉ P. 2004. Archean and Paleoproterozoic crust of the São Francisco Cráton, Bahia, Brazil: geodynamic features. Prec. Res., 133:1-27.
CORDANI, U.G. 1973. Evolução geológica pré-cambriana da faixa costeira do Brasil, entre Salvador e Vitória. Tese de Livre Docência, Universidade de São Paulo, 312 p.
DUYSTER, J.(2000). StereoNettVersion 2.46. www.personal.umich.edu/~vdpluijm/stereo.zip
SRIVASTAVA D.C., LISLE R.J., VANDYKE S. 1995. Shear zones as a new type of palaeostress indicator. J. Struc. Geol., 17:663-676.
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