Estudo Bíblico: I joão – Encarnação, anúncio e comunhão



Baixar 14.23 Kb.
Encontro06.08.2016
Tamanho14.23 Kb.
Estudo Bíblico: I João – Encarnação, anúncio e comunhão

I João 1.1-4



Paulo Lane – Novembro 2006

A vida se manifestou; nós a vimos e dela testemunhamos, e proclamamos a vocês a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada” I Jo 1.2


Introdução


O apóstolo João escreveu a carta com o propósito principal de combater os falsos mestres, que estavam propagando ensinos distorcidos entre os cristãos. Os falsos ensinos eram formas incipientes de Gnosticismo, que se solidificou e se propagou no 2º século.O Gnosticismo vem da palavra “gnosis” conhecimento. Acreditavam que tudo o que é espírito é bom e o que é matéria é ruim. Deste modo, criam que o homem estava preso à matéria e precisava do conhecimento para se libertar.

O apóstolo João recomenda um método para denunciar os erros dos falsos mestres. O método consiste em fazer alguns testesA do verdadeiro cristianismo para que se possa distinguir entre o verdadeiro e o falso:



  1. O teste da vida santa (teste moral). Quem diz que tem comunhão, mas anda nas trevas (1.5-10) na verdade não tem comunhão com Deus; quem conhece a Cristo, guarda seus mandamentos (2.3-6); o amor ao mundo é incompatível com o amor a Deus (2.15-17); quem vive na prática do pecado não permanece em Cristo (3.2-6) e não é filho de Deus, mas do diabo (3.7-10).

  2. O teste do amor cristão (teste social); A vida do verdadeiro cristão reflete um amor. Amor em ação e não de palavras (3.11-18); a resposta ao amor de Deus que mandou o seu filho para salvar os homens (4.9-10) se reflete na obediência aos seus mandamentos (2.2-5, 5.3); o amor resulta na ajuda aos necessitados (3.17-18); quem é de Deus ama seu irmão (2.7-11), quem não o ama não é (4.7-8), quem o odeia continua nas trevas (2.7-11).

  3. O teste da verdade sobre a pessoa de Jesus (teste doutrinário). O teste da pessoa de Cristo demonstra a sua crença. Aquele que não crê em Cristo, como o Messias e enviado por Deus é mentiroso e o anti-cristo (2.22-23); aqueles falsos mestres que negam que Cristo veio de fato como homem também é mentiroso (4.2,3); aquele que confessa que Jesus é Filho de Deus permanece Nele e é nascido Dele (4.14, 15, 5.1).


A - ref. Comentário Bíblico - Primeira Carta de João - Rev Augustus Nicodemus Lopes, pg 14-16.

O prólogo da carta


Há um paralelo entre os prólogos da carta de I João e do evangelho de João. Ambos tem a mesma preocupação em reforçar a identificação de Jesus com a Palavra de Deus. Enquanto o evangelho mostra a eternidade de Cristo e sua presença na criação, como também instrumento na mão de Deus “... o mundo foi feito por intermédio dele...” (João 1.10), a carta de João dá uma ênfase na presença de Cristo entre os homens e na necessidade da comunhão com Ele.

1O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam – isto proclamamos a respeito da Palavra da Vida. 2A vida se manifestou; nós a vimos e dela testemunhamos, e proclamamos a vocês a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada. 3Nós lhes proclamamos o que vimos e ouvimos para que vocês também tenham comunhão conosco. Nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo. 4Escrevemos estas coisas para que a nossa alegria seja completa.” I João 1-1-4 (NVI).


1No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. 2Ele estava com Deus no princípio. 3Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, sem ele, nada do que existe teria sido feito. 4Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. 5A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram.” João 1.1-5 (NVI)

A Palavra da Vida


O apóstolo João reforça nas suas palavras a experiência real de contato com Jesus Cristo, que os falsos mestres alegavam que não era real. O testemunho de João se baseava numa experiência de quem viu, ouviu, tocou e sentiu a presença de uma pessoa real em sua vida. Não foi um relato de alguém que ouviu dizer. É o relato de alguém que tinha um contato muito próximo (João 13.25, Lucas 24.39).

O que era desde o princípio” na abertura da carta se refere os Jesus Cristo presente desde a fundação do mundo. Jesus estava presente na criação e Deus criou o mundo através de sua palavra. Jesus foi o agente de Deus (João 1.3, 15, 17.5, 24). Os Gnósticos diziam que Jesus não estava presente na criação com Deus. Afirmavam que apenas durante o seu ministério terreno, ele era Jesus o Cristo. Além disto o pensamento corrente e combatido por João, era que Cristo não poderia ser Deus e homem ao mesmo tempo, ou ainda que toda a matéria era impura, e portanto Deus não podia habitar num corpo humano. O esforço de João era no sentido de compartilhar com os crentes a sua experiência pessoal e fundamentar os princípios do evangelho de Cristo. Aquele que não compreende a dimensão e crê me Cristo como o Messias de Deus, não procede de Deus e o Apóstolo chama estes de “anticristo” (I João 4.1-13).

O Jesus, que procede de Deus (I João 4.3) se manifestou aos homens para trazer vida. O termo “manifestou” é muito repetido por João, com o sentido da vinda de Cristo ao mundo (I João 3.5-8, 4.9).

A outra grande preocupação e propósito de João na carta era fundamentar a relação entre a comunhão dos irmãos e a comunhão com o Pai. João não exalta a sua própria figura de autoridade de Apóstolo, porém mostra através do texto, que a comunhão cristã além da dimensão humana se dá também com o Pai e Jesus (I João 1.3, João 14.20-23).



Conclusão


Do texto de I João alguns pontos se pode concluir: A Bíblia é a fonte de ensino e instrução para o crescimento dos crentes. A carta de João foi endereçada para pessoas que estavam sofrendo um “bombardeio” de falsos ensinos, mas também estavam passando por perseguições religiosas. Ao mesmo tempo em que a carta encoraja, também instrui, e procura mostrar aos crentes que O Cristo que criam era real e vivo e eles deviam manter a confiança apesar de os falsos mestres estavam dizendo propagando.

O estudo da doutrina e princípios é essencial para enfrentar a grande propagação de falsos ensinos no mundo. Rever estes ensinos à luz da doutrina bíblica é o modo de comprovar se são falsos ou verdadeiros.



A autoridade Apostólica na carta de João é indiscutível. João fala com autoridade pois viveu e experimentou intensamente todas as alegrias, provações, dificuldades, bênçãos juntamente com Cristo, e este ensino é que João quer transmitir e assegurar que os crentes também tenham a mesma experiência.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal