Estudo Bíblico: I joão – o anticristo, os anticristos e a Unção de Deus



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Estudo Bíblico: I João – O anticristo, os anticristos e a Unção de Deus

I João 1.18-29



Paulo Lane – Dezembro 2006

Quem é o mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo?” I Jo 2.22a


Introdução


O apóstolo João trata os leitores de sua carta com muito carinho e amor. Repetidas vezes ele se os chama de “Filhinhos” (I João 2.1, 12, 14, 18, 28; 3.7, 18; 4.4; 5.21) ou ainda os chama de “Amados” (I João 2.7; 3.2, 21; 4.1) e pelo menos uma vez os trata como “Irmãos” (I João 3.13). O tratamento do Apóstolo João se utilizando desta forma demonstra o seu profundo relacionamento e preocupação que tinha com suas “ovelhas” e irmãos em Cristo. Ao mesmo tempo relembra o fato de Deus ter nos feito filhos dele (João 1.12-13, I João 3.1-2, Gálatas 4.3-7). Este jeito carinhoso de João contrasta com a sua personalidade forte como registrada na Bíblia. João – filho do trovão (Marcos 3.17), impulsivo (Lucas 9.54, Marcos 9.38), ambicioso (Marcos 10.35-37), mas também companheiro e participante do círculo íntimo de Jesus nos momentos difíceis (Marcos 5.37; 9.2; 13.3; 14.33). Por outro lado, João é chamado por Paulo como “coluna” da igreja primitiva juntamente com Pedro e Tiago (Gálatas 2.9-10).

João era líder ativo no início da igreja (Atos 1.13; 3.1; 8.14) e, portanto a sua preocupação com as suas “ovelhas” era muito grande, para que não se deixassem levar pelos falsos ensinos daqueles que negavam a Cristo e que ele nesta carta chama de anticristos. João escreveu para eles para que se lembrassem e das verdades aprendidas (I João 2.21) e permanecessem no ensino (I João 2.24) aprendido desde o princípio.

O verbo permanecer é uma das palavras preferidas de João nesta carta. Esta se repete 24 vezes em diferentes formas. No texto 2.18-29 ocorre 7 vezes. Este verbo tem o sentido de ficar, morar, habitar de forma firme e inabalável. João traz neste texto o sentido aprendido de Jesus na figura da videira (João 15.1-11). Outra vez o verbo permanecer se repete 10 vezes.

Os anticristos


A última hora” ou última era – pode se referir ao final dos tempos, porém o sentido mais correto deste termo usado por João se refere ao período entre a ressurreição e a segunda vinda de Cristo. Também chamado de “últimos dias” no NT (Atos 2.16, 17; II Timóteo 3.1); “fins dos séculos” (I Coríntios 10.11) ou “últimos tempos” (I Timóteo 4.1; Judas 1.18). Neste sentido não se refere a um tempo futuro, mas o tempo presente. Este é o tempo, pois após este não haverá mais tempo e espaço para arrependimento e conversão. Este é o tempo até o julgamento e a volta do Senhor em que será estabelecido “um novo céu e uma nova terra” (II Pedro 3.13).

No sentido original da palavra o anticristo é aquele se opõe a Cristo ou toma o seu lugar. O próprio Cristo se referiu a estes enganadores (Mateus 24.5, 11, 24). Seitas e heresias sempre estiveram presentes entre os crentes e não é diferente hoje. A artimanha de Satanás é confundir os filhos de Deus:

O Espírito diz claramente que nos últimos tempos, alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Tais ensinamentos vêm de homens hipócritas e mentirosos que tem consciências cauterizadas” (I Timóteo 4.1-2 - NVI)

Por outro lado o anticristo na Bíblia se refere também a um sinal da proximidade do fim. O apóstolo Paulo nos ensina sobre o anticristo (II Tessalonicenses 2.7-10) e em Apocalipse há uma descrição simbólica deste (Apocalipse 13.1-10). O apóstolo João por outro lado menciona mais do que apenas um anticristo, se refere também aos falsos mestres que estavam surgindo dentro da comunidade cristã (I João 2.19), que Paulo descreve como “lobos vorazes” (Atos 20.28-30). Estes anticristos possivelmente eram pessoas do círculo próximo dos apóstolos ou mestres que se deixaram levar pelos ensinos dos agnósticos. João acrescenta na sua exortação que além destes anticristos propagarem falsos ensinos eles possuíam uma característica fundamental – negavam que Jesus era o Cristo. Este é o teste doutrinário que João ensina para verificação das doutrinas. Aqueles falsos mestres que negam que Cristo veio de fato como homem também é mentiroso (4.2,3). Os cristãos deveriam se lembrar dos ensinos que já sabiam (I João 2.21) e que tinham a unção do Espírito Santo que proporciona o conhecimento e auxílio (I João 2.20).


A Unção do Espírito Santo


A unção se refere originalmente à aplicação de azeite no corpo ou objeto com o propósito de consagrá-lo para Deus. Se ungiam objetos do tabernáculo (Êxodo 40.9-15). Profetas (I Reis 19.16), sacerdotes (Êxodo 28.41) e reis (I Samuel 16.1, 12-13) também foram ungidos. O ungido do Senhor era o rei, por isso o VT se refere ao futuro libertador como Messias, que significa Ungido (Daniel 9.26).

A unção que o apóstolo João se refere neste texto é relacionado ao Espírito Santo. Jesus Cristo foi ungido no seu batismo no Jordão (Atos 10.37-38) pelo Espírito Santo. Esta mesma unção guia a auxilia o crente (João 15.26; 16.13) para o conhecimento da verdade. Os falsos mestres do gnosticismo propagavam a iniciação o caminho para salvação através do conhecimento.



João tinha certeza que os cristãos tinham o conhecimento, pois haviam aprendido. Tão somente deveriam permanecer nestes mesmos princípios aprendidos com os apóstolos (I João 2.27-28). Não significa que os cristãos não precisam de outros mestres para que os ensinem (Efésios 4.11, Romanos 12.7, I Timóteo 5.17, II Timóteo 2.24, Hebreus 13.7), mas sim que não precisam destes falsos mestres que aparecem.

Conclusão


Nos tempos atuais é muito difícil encontramos alguém que nega ou não acredita na pessoa de Jesus Cristo. Muitos os aceitam e acreditam que ele de fato existiu e pregou muitas verdades, entretanto estas mesmas pessoas não estão dispostas a aceitá-lo como o Filho de Deus e Salvador. Estas pessoas também não acreditam que os princípios de comportamento pregados por Cristo são aplicáveis no atual sociedade ou ainda impossíveis de serem cumpridos. Estes negam a Cristo e são anticristos. Ou mesmo ainda nós crentes, estamos negando-o também quando assumimos uma posição similar de não dar importância às verdades essenciais e necessárias para o nosso relacionamento com Deus e viver diário. Apenas aceitando-o como o Cristo de fato e através da ajuda da unção do Espírito Santo podemos verdadeiramente viver como filhos de Deus.

A ferramenta que o cristão tem para permanecer firme e lutar contra os falsos ensinos e as heresias é o convencimento e auxílio do Espírito Santo para relembrar das doutrinas da Palavra de Deus.


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