Estudo Cronológico do Fórum “o problema”



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Encontro30.07.2016
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Estudo Cronológico do Fórum “O Problema”

Prof. Mauricio A. P. Peixoto
Abaixo eu apresento um esboço de estudo qualitativo. Seu objetivo é apenas mostrar como se pode construir fazer um estudo sem usar números, como no caso dos estudos quantitativos.

O problema:


Eu não sei se o fórum está funcionando em termos de promover aprendizado. Sem isto não tenho como gerenciar o meu curso. Por hipótese e para simplificar o “curso” restringe-se a este único fórum.

O Objeto:


Preocupo-me com o aprendizado do método científico. Mais especificamente em capacitar os alunos a pensar cientificamente; definido como a capacidade de utilizar adequadamente conteúdos pertinentes à ciência em uma argumentação adequada.

Delimitação do objeto:


Não acesso o pensamento, mas por inferência observo-o pela sua expressão escrita. Não me preocupo primariamente nem com a quantidade nem com a correção dos conceitos científicos. Embora relevantes e corrigidos quando necessário foco é a capacidade de argumentar

Questões Norteadoras:


  1. A turma de alunos revela alguma capacidade de argumentação científica?

  2. Em caso positivo, como se expressou?

  3. Há alguma relação entre a capacidade eventualmente demonstrada e o uso do fórum?

Objetivos:

Geral:


  • Estudar o aprendizado do pensamento científico em alunos de PG.

Específicos:


No grupo estudado;

    1. Identificar processos de argumentação

    2. Em caso positivo, descrever as etapas do aprendizado dos processos de argumentação

    3. Em caso negativo, buscar explicações para tal.

    4. Explicitar as relações eventualmente existentes entre o aprendizado do processo de argumentação e a ferramenta utilizada.

Método:


Aqui apenas descrevo o conteúdo deste suposto artigo. O método utilizado consistiu em dois aspectos.

Primeiramente um conjunto de autores cujos conceitos construirão a minha visão de mundo; o que define a minha forma de construir o problema, analisá-lo e concluir.

Aqui eu discorreria inicialmente sobre minha noção sobre comportamento de grupos, e a qual escola de pensamento me filio, neste caso a fenomenologia. A seguir explicitaria visões de ciência, formas de argumentação, e relações entre pensamento e sua expressão escrita. Prosseguindo descreveria minha visão do processo de aprendizado, transitando entre o cognitivismo, construtivismo, aprendizagem cooperativa e colaborativa, metacognição e psicologia diferencial. Assim, do geral para o específico eu caminharia definindo para o leitor, de que ponto de vista eu estaria falando.

O segundo aspecto do método é o conjunto de procedimentos necessários para implementá-los. E aqui cabe uma descrição mais detalhada.

Inicialmente definiria meu procedimento metodológico como Análise de conteúdo, discutindo suas etapas, vantagens e limitações; sempre na perspectiva deste estudo. Do ponto vista deste texto, isto basta, mas “análise de conteúdo” é um termo genérico que inclui variados procedimentos. Aqui o utilizo para referir-me a um processo que produz um afloramento de significados em um conjunto de textos. O que se apresenta no estudo é uma aproximação do Método Fenomenológico de Giorgi. Ressalto o termo “aproximação”. Aqui trago apenas um exemplo com fins didáticos, cuja ênfase é menos ilustrar um método qualitativo e mais demonstrar que é possível trabalhar cientificamente sem usar números.

A etapa seguinte é descrever os passos do procedimento. Assim, no caso deste estudo, segue-se o que fiz (lembrar que esta etapa subordina-se à visão de mundo construída anteriormente):



  1. Leitura geral, em ordem cronológica, de todos os posts de modo a apreender o seu sentido geral.

  2. Releitura de cada post, respeitando a cronologia, buscando seu significado específico e subordinado ao geral.

  3. Extração das unidades de sentido, isto é, trechos do texto que expressam o significado apreendido no item 2.

  4. Construção de um texto único com todas as unidades de sentido, respeitando sua cronologia.

  5. No texto obtido em 4, leitura buscando verificar a propriedade das conclusões preliminares quanto ao sentido obtidas em 1 e 2.

  6. Identificação das categorias empíricas, isto é, “rótulos” que sintetizam características de conjuntos de unidades de sentido. Diz-se que estas categorias “afloram” do texto.



Resultados


A seguir apresentam-se numeradas em ordem cronológica as unidades de sentido. Nominadas como Fases 1 a 5, as categorias empíricas, seguidas de pequena descrição do seu significado. Na lista numerada os extratos de mensagens que são mais ticos das idéias presentes na fase. Isto é, apresento o resultado da minha “extração das unidades de sentido”. Em um texto real eu explicaria em maior detalhe a fase, a categoria e o seu significado. Durante a explicação eu apresentaria extratos mais extensos das mensagens que fossem característicos dos conceitos ali apresentados.

Fase 1: O contato inicial - Angústia e adesão ao texto


  1. Pensar cientificamente pode no início ser muito difícil,

  2. alta complexidade

  3. A forma como este problema vai ser relatado ou delineado durante a pesquisa requer uma sagacidade , estudo , clareza e concisão de idéias

  4. o problema é o ponto de partida da pesquisa

  5. Como saber aonde vamos senão temos o início do caminho bem traçado? Se você não tem o foco de sua pesquisa?

  6. o meu problema precisa ser claro, preciso e exequível.

Fase 2: Transferência - aplicação ao individual.


  1. Comecei a pensar em todas as minhas variáveis, tentando fazer uma relação com o meu problema científico e percebi que várias delas não tem uma relação direta com o mesmo, porém servem para caracterizar o paciente clinicamente falando e através delas poder entender melhor as que se relacionam diretamente com o problema.

  2. Qual seria o meu problema?

  3. Pensar desta forma analítica ordena o meu pensamento. Primeiro, encontrar o problema, expô-lo de forma precisa, clara e objetiva, para que através de dados referenciados, coletados e ordenados, haja a formulação de hipóteses fundamentadas que então dissolveriam o meu problema inicial.

  4. Após algumas leituras interessantes pude, enfim, definir o meu problema:

Fase 3: Prescrições – Como fazer


  1. No caso da pesquisa clínica, esta questão se torna ainda mais delicada. Muitas vezes estamos lidando com problemas complexos, com um grande numero de dados e variáveis.

  2. Partiremos então para a busca de uma relação entre os dados, tentando formular uma hipótese, na tentativa de resposta para o nosso problema inicial.

  3. Hoje, entendo que tudo funciona como um feedback: um problema mais complexo gera um maior número de dados, que se apresentarem uma maior relação entre si, proporcionarão mais hipóteses, para responder o problema inicial

  4. Acredito que “O problema” deve ser levantado de forma interrogativa, instigando não só o pesquisador como quem vai examinar o processo científico em questão. Se essa não é uma característica obrigatória, deve ser pelo menos algo almejado por quem está iniciando este processo

  5. Ao mesmo tempo devemos afastar os problemas pessoais, que não se encaixam nos requerimentos do método científico, como também problemas que apenas sejam respondidos com sim e não, ou apenas números ou estatísticas.

  6. Para que isso ocorra são necessários ajustes, como delimitar o problema (deixar claro o que não se quer), definir os termos dissecando o problema, assumir uma posição dizendo como será feita a elucidação do trabalho e enfim gerar uma hipótese, isto é, uma explicação possível para o problema. Além disso, há referência a construção do texto – edição.

Fase 4: Segunda transferência: O Outro em cena


  1. infelizmente, não tive acesso à essas informações antes da elaboração do meu projeto.

  2. Depois da leitura arriscaria descrever meu problema da seguinte forma:

  3. mas ainda tenho várias questões a esclarecer.

  4. Penélope, eu creio que o problema seria somente a pergunta base da pesquisa e o objetivo o que você quer atingir com a resolução do problema, logo não caberia juntar as duas coisas.

  5. No entanto, conhecer "um" ou "o" problema não é suficiente, e assim encontra-se nossa colega Penélope, assim estou vendo-me e acredito que os demais estejam pensando de forma semelhante.

  6. Acho que deveria , cara colega Penélope, desmembrar o seu problema maior em vários pequenos problemas ,

  7. Acho que todos que aqui escreveram, ja demonstraram ter entendido "o problema" como a "alma" da pesquisa cientifica

  8. e sem duvida a frase que faz analogia do Problema a bussola do pesquisador e genial. Porem ainda enxergo alguns questionamentos que valem a pena serem abordados e isso fica claro em duas descricoes, ao meu ver antagonicas,

  9. Porem, acho que a mesma peca ao tentar explicitar seu problema, repetindo o mesmo engano apresentado la na nossa primeira aula.(Tatiana)

  10. Neste caso, vejo que ela (Penélope) tentou de fato responder todos os questionamentos na descricao de seu problema. E preocupou-se

  11. Penelope: vejo que voce ainda nao definiu um unico problema;

  12. Claudia, deixa ver se entendi: você vai estudar uma população neonatal com peso ao nascimento de até 2000g , numa mortalidade de alto risco materno, é isso? Não li em nenhum lugar sobre fragmentação do problema, isso é realmente viável? Alguém tem alguma informação complementar a nos dar?

  13. Realmente, após ler este texto, concluo que preciso sair da robótica da minha pesquisa científica e usufruir do ser ainda pensante que sou.

  14. Olá a todos! Gostaria de comentar o que a Camila escreveu no dia 8/9. Não sei se vocês irão concordar com a minha opinião, mas acho que primeiro se constrói um problema e após iremos para a coleta de dados, certo?

  15. Gostaria de comentar sobre o post do Guilherme, que achei muito interessante.

Fase 5: A síntese final


  1. Em primeiro lugar, gostaria de parabenizar toda a turma pela excelência na discussão do fórum. Ler estes depoimentos foi como enxergar as minhas aflições refletidas num espelho

  2. gostaria de citar o depoimento do César que diz que...

  3. Outro ponto interessante do fórum foi a comparação dos depoimentos da...

  4. Sobre a minha experiência no mestrado, posso dizer que ...

  5. Contudo, os textos e as aulas me ajudaram a compreender que...



Discussão e Conclusões:


Este tópico é aqui feito de maneira sintética e meramente ilustrativa.

Concluiria primeiro que houve um movimento de grupo e uma história desenvolvimental compatível com os meus pressupostos teóricos. Para fundamentar esta conclusão explicitaria as relações entre a teoria e os meus achados. Descreveria também a historia do grupo, dividida nas cinco fases. Assim:



  • Na fase 1 há o encontro com o novo e a angustia associada ao desconhecido. É uma fase onde não há muita discussão, a ênfase está na apreensão do conteúdo.

  • Na fase 2, o conteúdo relativamente dominado, os componentes do grupo debruçam-se sobre si mesmos. O desafio é a aplicação individual do conteúdo recém aprendido.

  • Na fase 3, inicia-se uma tentativa de generalização. Aqui , diferente da fase anterior, mais específica, surgem tentativas de recomendações mais abstratas, e portanto mais generalizáveis.

  • A fase 4, apresenta-se como extensão “natural” da 3. De forma semelhante à fase 2 busca-se a aplicação do conteúdo. Só que agora um conhecimento mais generalizável, e portanto, é o Outro, o objeto lógico da operação.

  • Na fase 5, finalmente, observa-se uma espécie de síntese. Debruçando-se sobre o recente passado do grupo, há uma preocupação didática, em rever e reforçar o que foi aprendido.

Prosseguindo explicitaria os limites do trabalho. Por exemplo citaria que questões aguardam resposta (4 principalmente). Discutira as razões para tal. Discutiria, explicando, a ausência da explicitação do papel do professor neste estudo. Discutiria ainda questões de validade interna e externa.

Poderia encerrar apresentando o significado deste trabalho à luz do conhecimento atual na área, explicitando no que ele contribuiu para ampliá-lo e em que pontos ele pode contribuir para novos avanços.


Outros tópicos:


Restam ainda, obviamente, filiação institucional, resumo, abstract, key-words, referências, agradecimentos, fontes de financiamento, anexos pertinentes e etc. Mas estes eu me eximo de produzir já que foge ao escopo desta simulação.


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