Estudo do meio



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ESTUDO DO MEIO

PRINCÍPIOS ORIENTADORES

Todas as crianças possuem um conjunto de experiências e saberes que foram acumulando ao longo da sua vida, no contacto com o meio que as rodeia.

Cabe à escola valorizar, reforçar, ampliar e iniciar a sistematização dessas experiências e saberes, de modo a permitir, aos alunos, a realização de aprendizagens posteriores mais complexas.

O meio local, espaço vivido, deverá ser o objeto privilegiado de uma primeira aprendizagem metódica e sistemática da criança já que, nestas idades, o pensamento está voltado para a aprendizagem concreta.

No entanto, há que ter em conta que as crianças têm acesso a outros espaços que, podendo estar geograficamente distantes, lhes chegam, por exemplo, através dos meios de comunicação social. O interesse das crianças torna estes espaços afetivamente próximos, mas a compreensão de realidades que elas não conhecem diretamente, só será possível a partir das referências que o conhecimento do meio próximo lhes fornece.

As crianças deste nível etário apercebem-se da realidade como um todo globalizado. Por esta razão, o Estudo do Meio é apresentado como uma área para a qual concorrem conceitos e métodos de várias disciplinas científicas como a História, a Geografia, as Ciências da Natureza, a Etnografia, entre outras, procurando-se, assim, contribuir para a compreensão progressiva das inter-relações entre a Natureza e a Sociedade.

Por outro lado, o Estudo do Meio está na intersecção de todas as outras áreas do programa, podendo ser motivo e motor para a aprendizagem nessas áreas.

O programa de Estudo do Meio apresenta-se organizado em blocos de conteúdos antecedidos de um texto introdutório onde é definida a sua natureza e são dadas algumas indicações de carácter metodológico.

A ordem pela qual os blocos e os conteúdos são apresentados obedece a uma lógica, mas não significa que eles sejam abordados, com essa sequência, na sala de aula.

Assim, procurou-se que a estrutura do programa fosse aberta e flexível. Os professores deverão recriar o programa, de modo a atender aos diversificados pontos de partida e ritmos de aprendizagem dos alunos, aos seus interesses e necessidades e às características do meio local. Deste modo, podem alterar a ordem dos conteúdos, associá-los a diferentes formas, variar o seu grau de aprofundamento ou mesmo acrescentar outros.

Para atingir o domínio dos conceitos não é necessário que todos os alunos tenham de percorrer os mesmos caminhos. No entanto, pretende-se que todos se vão tornando observadores ativos com capacidade para descobrir, investigar, experimentar e aprender. Com o Estudo do Meio os alunos irão aprofundar o seu conhecimento da Natureza e da Sociedade, cabendo aos professores proporcionar-lhes os instrumentos e as técnicas necessárias para que eles possam construir o seu próprio saber de forma sistematizada.

Assim, será através de situações diversificadas de aprendizagem que incluam o contacto direto com o meio envolvente, da realização de pequenas investigações e experiências reais na escola e na comunidade, bem como através do aproveitamento da informação vinda de meios mais longínquos, que os alunos irão apreendendo e integrando, progressivamente, o significado dos conceitos.

É ainda no confronto com os problemas concretos da sua comunidade e com a pluralidade das opiniões nela existentes que os alunos vão adquirindo a noção da responsabilidade perante o ambiente, a sociedade e a cultura em que se inserem, compreendendo, gradualmente, o seu papel de agentes dinâmicos nas transformações da realidade que os cerca.

Ao professor cabe a orientação de todo este processo, constituindo, também, ele próprio, mais uma fonte de informação em conjunto com os outros recursos da comunidade, os livros, os meios de comunicação social e toda uma série de materiais e documentação indispensáveis na sala.

Os alunos serão ajudados a aprender a organizar a informação e a estruturá-la de forma que ela se constitua em conhecimento, facilitando o professor, de seguida, a sua comunicação e partilha.
NOTA: Os pontos do programa que aparecem assinalados:

NOTA: — com um asterisco (*), só deverão ser apresentados quando a realidade local o justifique;

NOTA: — com dois asteriscos (**), só deverão ser abordados se houver manifesto interesse por parte dos alunos.

OBJECTIVOS GERAIS
1 — Estruturar o conhecimento de si próprio, desenvolvendo atitudes de autoestima e de autoconfiança e valorizando a sua identidade e raízes.

2. — Identificar elementos básicos do Meio Físico envolvente (relevo, rios, fauna, flora, tempo atmosférico… etc.).

3 — Identificar os principais elementos do Meio Social envolvente (família, escola, comunidade e suas formas de organização e atividades humanas) comparando e relacionando as suas principais características.

4 — Identificar problemas concretos relativos ao seu meio e colaborar em ações ligadas à melhoria do seu quadro de vida.

5 — Desenvolver e estruturar noções de espaço e de tempo e identificar alguns elementos relativos à História e à Geografia de Portugal.

6 — Utilizar alguns processos simples de conhecimento da realidade envolvente (observar, descrever, formular questões e problemas, avançar possíveis respostas, ensaiar, verificar), assumindo uma atitude de permanente pesquisa e experimentação.

7 — Selecionar diferentes fontes de informação (orais, escritas, observação… etc.) e utilizar diversas formas de recolha e de tratamento de dados simples (entrevistas, inquéritos, cartazes, gráficos, tabelas).

8 — Utilizar diferentes modalidades para comunicar a informação recolhida.

9 — Desenvolver hábitos de higiene pessoal e de vida saudável utilizando regras básicas de segurança e assumindo uma atitude atenta em relação ao consumo.

10 — Reconhecer e valorizar o seu património histórico e cultural e desenvolver o respeito por outros povos e culturas, rejeitando qualquer tipo de discriminação.


BLOCO 1 — À DESCOBERTA DE SI MESMO
Com este bloco pretende-se que os alunos estruturem o conhecimento de si próprios, desenvolvendo, ao mesmo tempo, atitudes de autoestima e autoconfiança e de valorização da sua identidade e das suas raízes.

O estudo da história pessoal será um bom ponto de partida para que os alunos vão estruturando a noção de tempo. Para isso deve iniciar-se a localização de acontecimentos da vida das crianças numa linha de tempo, que terá a mesma função dos mapas para as localizações no espaço.

As crianças desta faixa etária fantasiam muitas vezes sobre situações reais.

Estas fantasias, fruto da sua imaginação, são importantes para o desenvolvimento equilibrado do ser humano, pelo que devem ser respeitadas e estimuladas.

É importante, ainda, realçar o cuidado e o bom senso que deverá existir no tratamento de todos os aspetos que, de algum modo, se relacionem com a vida privada dos alunos.
1.o ANO
1. A SUA IDENTIFICAÇÃO

• Conhecer:

• — nome(s), próprio(s), nome de família/apelido(s);

• — sexo, idade;

• — endereço.
2. OS SEUS GOSTOS E PREFERÊNCIAS

• Selecionar jogos e brincadeiras, músicas, frutos, cores, animais…

Descrever lugares, atividades e momentos passados com amigos, com familiares, nos seus tempos livres…
3. O SEU CORPO

• Identificar características familiares (parecenças com o pai e com a mãe, cor do cabelo, dos olhos…).

• Reconhecer modificações do seu corpo (peso, altura…).

• Reconhecer a sua identidade sexual.

• Reconhecer partes constituintes do seu corpo (cabeça, tronco e membros).

• Representar o seu corpo (desenhos, pinturas, modelagem…).

• Comparar-se com os outros:

• — com os colegas da escola (mais novo/mais velho, mais alto/mais baixo, louro/moreno…);

• — com os pais e irmãos.
4. A SAÚDE DO SEU CORPO

• Reconhecer e aplicar normas de higiene do corpo (lavar as mãos antes de comer, lavar os dentes…).

• Conhecer normas de higiene alimentar (importância de uma alimentação variada, lavar bem os alimentos que se consomem crus, desvantagem do consumo excessivo de doces, refrigerantes…).

• Reconhecer a importância de posturas corretas do exercício físico e do repouso para a saúde (estar bem sentado, brincar ao ar livre, deitar cedo…).

• Conhecer e aplicar normas de vigilância da sua saúde (idas periódicas ao médico, boletim individual de saúde).
5. A SEGURANÇA DO SEU CORPO

• Conhecer e aplicar normas de prevenção rodoviária (caminhar pela esquerda nas estradas, atravessar nas passadeiras, respeitar os semáforos…).

• Conhecer e aplicar normas de prevenção de acidentes domésticos:

• — cuidados a ter com objetos e produtos perigosos (cortantes, contundentes, inflamáveis, corrosivos, tóxicos…);

• — cuidados a ter com a eletricidade;

• — sinalização relativa à segurança (venenos, eletricidade…).


6. O SEU PASSADO PRÓXIMO

• Descrever a sucessão de atos praticados ao longo do dia, da semana…:

• — localizar no espaço;

• — localizar numa linha de tempo;

• — estabelecer relações de anterioridade, posteridade e simultaneidade (antes de, depois de, ao mesmo tempo que);

• — reconhecer unidades de tempo: dia e semana;

• — nomear os dias da semana.
7. AS SUAS PERSPECTIVAS PARA O FUTURO PRÓXIMO

• O que irá fazer amanhã, no fim-de-semana, nas férias que estão próximas…:

• — exprimir aspirações;

• — enunciar projetos.



BLOCO 2 — À DESCOBERTA DOS OUTROS

E DAS INSTITUIÇÕES
O âmbito de estudo da criança vai alargar-se aos outros, primeiramente aos que lhe estão mais próximos e depois, progressivamente, aos mais distantes no tempo e no espaço.

Os alunos iniciar-se-ão no modo de funcionamento e nas regras dos grupos sociais, ao mesmo tempo que deverão desenvolver atitudes e valores relacionados com a responsabilidade, tolerância, solidariedade, cooperação, respeito pelas diferenças, comportamento não sexista, etc.

A escola, como instituição em que os alunos participam, é o lugar privilegiado para a vivência e aprendizagem do modo de viver em sociedade.

É através da participação, direta e gradual, na organização da vida da classe e da escola que eles irão interiorizando os valores democráticos e de cidadania.

Embora as noções relativas ao tempo atravessem todo o programa, é fundamentalmente neste bloco que se agrupam os conteúdos referentes ao tempo histórico, partindo da história da família da criança para se alargar à história do meio local e às suas ligações com a história nacional.

Os factos da sua história familiar deverão ser assinalados em linhas de tempo (construídas pelos alunos e pelo professor). No que se refere à história local e nacional, os registos serão efetuados num friso cronológico da História de Portugal.

É importante que os alunos reconheçam que os vestígios de outras épocas (sejam eles monumentos, fotografias, documentos escritos, tradições, etc.) constituem fontes de informação que eles podem utilizar, de uma forma elementar, na reconstituição do passado. Pretende-se, assim, contribuir para o desenvolvimento de atitudes de respeito pelo património histórico, sua conservação e valorização.
1.o ANO

1. OS MEMBROS DA SUA FAMÍLIA

• Conhecer os nomes próprios, apelidos, sexo, idade.

• Estabelecer relações de parentesco (pai, mãe, irmãos, avós).

• Representar a sua família (pinturas, desenhos…).


2. OUTRAS PESSOAS COM QUEM MANTÉM RELAÇÕES PRÓXIMAS

• Conhecer os nomes, idades, sexo de:

• — amigos da escola e de fora da escola;

• — vizinhos;

• — o(a) professor(a);

• — outros elementos da escola.


3. A SUA ESCOLA

• A sua classe:

• — conhecer o número de alunos, horários, regras de funcionamento, funções dos vários elementos da classe;

• — participar na organização do trabalho da sala (planificação, avaliação…);

• — participar na arrumação, arranjo e conservação da sala, do mobiliário e dos materiais;

• — participar na dinâmica do trabalho em grupo e nas responsabilidades da turma.

• O funcionamento da sua escola:

• — participar na elaboração de regras;

• — conhecer direitos e deveres dos alunos, professores e pessoal auxiliar.

BLOCO 3 — À DESCOBERTA DO AMBIENTE NATURAL
Este bloco compreende os conteúdos relacionados com os elementos básicos do meio físico (o ar, a água, as rochas, o solo), os seres vivos que nele vivem, o clima, o relevo e os astros.

A curiosidade infantil pelos fenómenos naturais deve ser estimulada e os alunos encorajados a levantar questões e a procurar respostas para eles através de experiências e pesquisas simples.

Os estudos a realizar terão por base a observação direta, utilizando todos os sentidos, a recolha de amostras, sem prejudicar o ambiente, assim como a experimentação.

Os alunos deverão utilizar, em situações concretas, instrumentos de observação e medida como, por exemplo, o termómetro, a bússola, a lupa, os binóculos…

É importante que, desde o início, os alunos façam registos daquilo que observam.

O professor deve fomentar nos alunos atitudes de respeito pela vida e pela Natureza, assim como sensibilizá-los para os aspetos estéticos do ambiente.
1.o ANO
1. OS SERES VIVOS DO SEU AMBIENTE

• Criar animais e cultivar plantas na sala de aula ou no recinto da escola.

• Reconhecer alguns cuidados a ter com as plantas e os animais.

• Reconhecer manifestações da vida vegetal e animal (observar plantas e animais em diferentes fases da sua vida).


2. OS ASPECTOS FÍSICOS DO MEIO LOCAL

• O tempo que faz (registar, de forma elementar e simbólica, as condições atmosféricas diárias).

• A noite e o dia (comparar a duração do dia e da noite ao longo do ano…).

• Reconhecer diferentes formas sob as quais a água se encontra na natureza (rios, ribeiros, poços…).


3. IDENTIFICAR CORES, SONS E CHEIROS DA NATUREZA

(das plantas, do solo, do mar, dos cursos de água, dos animais, do vento…)



BLOCO 4 — À DESCOBERTA DAS INTER-RELAÇÕES ENTRE ESPAÇOS
Embora as referências espaciais devam estar presentes ao longo de todo o programa (qualquer facto estudado deve ser sempre localizado no espaço), é fundamentalmente neste bloco que se agrupam os conteúdos relativos ao espaço.

A criança tem uma perceção subjetiva do espaço que foi adquirido ao longo da sua vida através das relações que estabeleceu com os objetos.

É importante sublinhar que as noções de espaço se constroem através da acumulação de experiências práticas em todas as situações que envolvam deslocações, localizações, distâncias…

Desde o início da escolaridade o professor deverá programar atividades que permitam a objetivação e alargamento dessas noções.

O conhecimento dos espaços familiares permitirá à criança, por associação e comparação, compreender outros espaços mais longínquos.

Assim, é importante que os alunos representem os espaços que conhecem ou vão explorando, através de desenhos, plantas, maquetas, traçando itinerários…

Progressivamente deverão tomar contacto com diferentes tipos de plantas e mapas convencionais.

Pretende-se, igualmente, que os alunos tomem consciência de que não existem espaços isolados mas, pelo contrário, se estabelecem ligações e fluxos de vária ordem que vão desde a circulação de pessoas e bens à troca de ideias e informação.

1.o ANO
1. A CASA

• Reconhecer os diferentes espaços da casa (salas, quartos, cozinha…).

• Reconhecer as funções desses espaços.

• Representar a sua casa (desenhos, pinturas…).


2. O ESPAÇO DA SUA ESCOLA

• Reconhecer os diferentes espaços da sua escola (salas de aula, cantina, recreio, outras dependências).

• Reconhecer as funções desses espaços.

• Representar a sua escola (desenhos, pinturas…).


3. OS SEUS ITINERÁRIOS

• Descrever os seus itinerários diários (casa/escola, lojas, tempos livres…).

• Representar os seus itinerários (desenhos, pinturas…).
4. LOCALIZAR ESPAÇOS EM RELAÇÃO A UM PONTO DE REFERÊNCIA

(perto de/longe de; em frente de/atrás de; dentro de/fora de; entre; ao lado

de; à esquerda de/à direita de…)

BLOCO 5 — À DESCOBERTA DOS MATERIAIS E OBJECTOS
Apesar da atitude experimental estar sempre presente na abordagem dos conteúdos de outros blocos (conforme é referido), pretende-se fundamentalmente com este bloco desenvolver nos alunos uma atitude de permanente experimentação com tudo o que isso implica: observação, introdução de modificações, apreciação dos efeitos e resultados, conclusões.

A exploração de materiais de uso corrente deverá assentar essencialmente na observação das suas propriedades e em experiências elementares que as destaquem.

A manipulação de objetos e de instrumentos, os cuidados a ter na sua utilização e conservação, assim como a valorização do trabalho manual, são aspetos importantes deste bloco.

Os registos que ocorrem, a propósito das experiências realizadas, deverão ser adequados à idade dos alunos e ter em vista apenas a comunicação das descobertas por eles feitas.
1.o ANO
1. REALIZAR EXPERIÊNCIAS COM ALGUNS MATERIAIS E OBJECTOS DE USO CORRENTE

(sal, açúcar, leite, madeira, barro, cortiça, areia, papel, cera, objectos variados…)

• Comparar alguns materiais segundo propriedades simples (forma, textura, cor, sabor, cheiro…).

• Agrupar materiais segundo essas propriedades.


2. REALIZAR EXPERIÊNCIAS COM A ÁGUA

• Realizar experiências que conduzem à conservação da capacidade/volume, independentemente da forma do objeto.

• Identificar algumas propriedades físicas da água (incolor, inodora, insípida).

• Reconhecer materiais que flutuam e não flutuam.

• Verificar experimentalmente o efeito da água nas substâncias (molhar, dissolver, tornar moldável…).
3. REALIZAR EXPERIÊNCIAS COM O SOM

• Identificar sons do seu ambiente imediato.

• Produzir sons (percutindo, soprando, abanando objetos e utilizando instrumentos musicais simples).

4. MANUSEAR OBJECTOS EM SITUAÇÕES CONCRETAS

(tesoura, martelo, sacho, máquina de escrever, gravador, lupa, agrafador, furador…)



• Conhecer e aplicar alguns cuidados na sua utilização e conservação.


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