Estudo sobre Economia Hídrica em um Campus Universitário Baseado nos Princípios de Redução na Fonte



Baixar 31.59 Kb.
Encontro20.07.2016
Tamanho31.59 Kb.




Estudo sobre Economia Hídrica em um Campus Universitário Baseado nos Princípios de Redução na Fonte.

Jorge Wilson Pereira da Silva a, Mara Rúbia da Silva b, Marlos Ferreira Silva c, Rômulo Rondinelly Mendes Freitas d, Samuel Batista de Almeida e.



a. Uniminas, Uberlândia, jwps@uniminas.br

b. Uniminas, Uberlândia, mararubia@ep.uniminas.br

c. Uniminas, Uberlândia, marlosfs@hotmail.com

d. Uniminas, Uberlândia, romuloengt@yahoo.com.br

e. Uniminas, Uberlândia, batistalmeida1@yahoo.com.br

Resumo

O objetivo do trabalho é identificar as fontes de consumo de água em um campus universitário caracterizando-as quantitativamente, e a partir destes levantamentos, propor medidas para diminuição do consumo deste recurso natural.

Neste contexto serão propostas ações de educação ambiental envolvendo toda a população do campus. Além dessas ações serão propostas ações corretivas no sentido de aperfeiçoar os processos internos que utilizam água. Espera-se com este projeto a redução de aproximadamente 30% dos custos causados pelo alto consumo de água dentro do campus.

Palavras-chave: Campus Universitário, Economia Hídrica, Redução.

1 Introdução

A água é o elemento fundamental da vida. Seus múltiplos usos são indispensáveis a um largo espectro das atividades humanas, onde se destacam, entre outros, o abastecimento público e industrial, a irrigação agrícola, a produção de energia elétrica e as atividades de lazer e recreação, bem como a preservação da vida aquática.

A crescente expansão demográfica e industrial observada nas últimas décadas trouxe como conseqüência o comprometimento das águas dos rios, lagos e reservatórios. A falta de recursos financeiros nos países em desenvolvimento tem agravado esse problema, pela impossibilidade da aplicação de medidas corretivas para reverter a situação.


As disponibilidades de água doce na natureza são limitadas pelo alto custo da sua obtenção nas formas menos convencionais, como é o caso da água do mar e das águas subterrâneas. Deve ser, portanto, dar maior prioridade, a preservação, ao controle e a utilização racional das águas doces superficiais fazendo uma boa gestão da água.

2 Metodologia


As metodologias utilizadas para a realização do trabalho foram:

  • Investigativa com levantamentos de dados dentro da UNIMINAS que é uma faculdade particular que se encontra na cidade de Uberlândia-MG;

  • Fontes Bibliográficas com ações de implantação de redução do consumo de água.

3 Desenvolvimento Sustentável

3.1 A questão ambiental e a economia

Segundo Braga et al. (2002), na tentativa de subordinar os bens e serviços ambientais à economia, vários têm sido os caminhos percorridos, configurando no mínimo duas linhas de pensamento radicalmente distintas. A Economia Ecológica constitui uma reação àquilo que considera como insuficiências dos princípios-base da ecomonia tradicional, em face da natureza dos processos ecológicos nos ecossistemas e na biosfera, que são determinantes do equilíbrio e da qualidade do ambiente. Na sua visão a economia deve ser entendida como um subsistema (o sistema econômico) originado da atividade humana, mas subordinado às leis fundamentais que regem os ecossistemas da biosfera.


Para Braga et al. (2002) uma política ambiental, seja por meio de regulamentação que estabeleça padrões (de emissão, de lançamento, de ocupação e uso do solo e de uso dos recursos em geral), seja por meio de mecanismos econômicos (como a taxação das cargas poluidoras), deve ter como resultado mínimo uma redução da deterioração da qualidade ambiental, quando comparada com a que ocorreria caso essa política não fosse implantada. Pode ainda promover melhorias da qualidade ambiental pela recuperação de um nível maior de qualidade, a partir do progressivo atendimento aos padrões de qualidade ambiental impostos.
4 Esgoto Sanitário

4.1 Origem e Destino

Segundo a definição da norma brasileira NBR 9648 (ABNT, 1986), é o “despejo líquido constituído de esgotos doméstico e industrial, água de infiltração e a contribuição pluvial parasitária”.

De acordo com Nuvolari et al. (2003), o esgoto doméstico é gerado a partir da água de abastecimento e, portanto, sua medida resulta da quantidade de água consumida. Quanto ao destino, na maioria das vezes, são coleções de água natural – cursos de água, lagos ou mesmo o oceano, mas também pode ser o solo convenientemente preparado para receber a descarga efluente do sistema.
Este trabalho tem a princípio determinar fatores que interferem no alto consumo do Campus Universitário, bem como ser o ínicio de um projeto que encontre soluções para as consequências ecológicas no destino final do esgoto também chamado de corpo receptor.
5 Descrição Geral das Etapas do Projeto

5.1 Etapa 1: Levantamento dos pontos de consumo de água no Campus UNIMINAS.

O ponto de partida do levantamento investigativo deu-se em uma reunião entre a equipe de pesquisa e uma representante da direção. Neste encontro, além de uma explanação geral sobre o trabalho a ser desenvolvido, foram feitas algumas perguntas referentes aos custos atuais com água e esgoto, forma de obtenção da água, drenagem pluvial, esgotamento sanitário e, o mais importante, o interesse da direção em apoiar um projeto como o exposto. Em seguida teve-se a aprovação por parte da direção e as demais respostas foram obtidas.

Através de um minucioso trabalho de levantamento de dados, envolvendo funcionários da UNIMINAS, observou-se que 6 processos são significativos no que diz respeito ao consumo de água na UNIMINAS. E são eles:


  1. Uso em banheiros (vasos sanitários e torneiras);

  2. Irrigação de áreas verdes;

  3. Limpeza Geral do Campus;

  4. Uso em laboratórios de química e física;

  5. Bebedouros;

  6. Cozinhas das Lanchonetes.

O desafio seguinte consistia em se elaborar um cronograma de execução dos levantamentos preliminares. E além deste cronograma descobrir formas para quantificar-se cada item de consumo de água.

A coleta de dados consistiu nas seguintes etapas:



  • Medição da vazão média do consumo geral

  • Medição da vazão média das descargas dos sanitários

  • Medição da vazão média das torneiras dos banheiros

  • Medição do consumo de água na irrigação

  • Medição de outros gastos com água

  • Pesquisa sobre perfil de utilização dos Sanitários

5.2 Etapa 2: Determinação da Vazão Média do Consumo Geral de Água na UNIMINAS

Esta medição consistiu em se realizar uma medição diária no hidrômetro. Para padronizar e ter representatividade optou-se por executar a leitura sempre no mesmo horário (18:00h). Vale ressaltar que no primeiro dia antes de se ler garantiu-se que o reservatório estivesse em seu nível máximo. A amostragem consistiu em 9 medições. Desta forma pôde-se calcular uma vazão média de 60 m3/dia.

A população da UNIMINAS é constituída por aproximadamente 2500 pessoas onde podemos indicar uma vazão média de 24 litros/pessoa x dia.

A concessionária DMAE (Departamento Municipal de Água e Esgoto) tem como base de cálculo o valor de 50 litros/pessoa x dia que consiste em quase o dobro do valor encontrado.



5.3 Etapa 3: Determinação da Vazão Média da Descarga dos Sanitários Masculinos e Femininos

Para o cálculo da vazão média foram realizados os seguintes procedimentos:



  1. Inicialmente certificou-se que nenhuma outra fonte de água estivesse sendo usada e que o reservatório estivesse totalmente cheio. Então marcou-se o valor do hidrômetro antes de iniciar os procedimentos;

  2. O executor do procedimento dirigiu-se a cada banheiro (masculino e feminino) e apertou a válvula, até o fim de curso, e a soltou imediatamente;

  3. Em seguida ele passou para a próxima descarga deixando com que a válvula anterior voltasse ao seu ponto de origem. Ao terminar a segunda ele passou para a terceira descarga, e assim por diante.

  4. Ao se executar os procedimentos anteriores em todas as descargas voltava-se para a primeira começando todo o procedimento novamente;

  5. Este procedimento foi feito três vezes (para cada válvula de descarga existente) para a obtenção de melhores resultados.

  6. No final do último acionamento o executor dirigiu-se ao tanque de depósito de água aguardando ele se encher totalmente e então se anotou o valor indicado no fim do procedimento.

A seguir foi observada a diferença de valor após a execução desta medição, e como resultado teve-se um a valor médio de 18,52 litros/descarga. Vale ressaltar que este resultado nos relata um valor de vazão para uma descarga simples do tipo “aperta e solta”. As descargas geralmente são feitas se segurando por alguns segundos a válvula de descarga antes de soltá-la. Observou-se também que em algumas descargas dos andares inferiores apresentava-se nitidamente uma excessiva quantidade de água ao ponto de quase transbordar as bacias sanitárias. E que nos andares superiores a vazão diminuía conforme se subia em direção o 3º e último andar.

5.4 Etapa 4: Determinação da Vazão Média das Torneiras

Para a determinação das vazões médias das torneiras optou-se por usar uma amostragem mais focalizada, ou seja, optou-se por uma amostragem em torneiras em blocos diferentes e em andares diferentes num total de 9 torneiras em um universo de 49 torneiras situadas nos 12 banheiros dos 3 blocos do campus. A medição consistiu nos seguintes procedimentos:



  1. Estabeleceu-se uma abertura mediana na torneira, simulando um caso normal de higienização;

  2. Com um cronômetro em mãos e com uma proveta duas pessoas mediram o volume escoado e o tempo de escoamento.

Com os valores de volume e tempo determinou-se a vazão como a razão entre as duas grandezas. Desta forma encontrou-se a vazão média das torneiras de 0,267 litros/segundo.

5.5 Etapa 5: Vazão da Irrigação

A irrigação regularmente é feita da seguinte forma: os aspersores começam a ser ligados na entrada da Uniminas, ao lado do anfiteatro até o bloco A; nesta parte são ligados 7 aspersores; em seguida, são ligados 3 aspersores na área próxima a lanchonete “Ambiente e Sabor”; logo depois, 5 no campo de futebol, 3 em frente a biblioteca, 1 em frente ao setor administrativo, e 1 próximo ao anfiteatro; as demais áreas são irrigadas com mangueiras ou com a tripa (nome dado a um tipo de mangueira específica para a irrigação); no pomar a irrigação é feita 3 vezes por semana. A irrigação é feita todos os dias, menos aos sábados, domingos e feriados.

A medição relacionada á irrigação teve início às 08h09min, com hidrômetro medindo 6036 m3, reservatório completamente cheio e nenhuma outra fonte de consumo de água acionada. Às 08h49min com hidrômetro medindo 6039 m3, colocou o último aspersor, a partir desse momento, o consumo de água é máximo e linear, pois os aspersores somente serão mudados de posição. Ás 9h58min começou a desligar as torneiras e retirar os aspersores. Às 09h49min o hidrômetro mediu 6046 m³. Às 10h19min foram retirados todos os aspersores e o hidrômetro mediu 6050 m3 após o enchimento do reservatório de água. Teve-se como resultado deste experimento um volume de 38 m3/irrigação que se pensarmos em uma irrigação média por dia temos uma vazão média de 27 m3/dia para irrigação.

6 Resultados

Através das etapas mencionadas no item 5 deste trabalho foi possível observar nitidamente no gráfico 1 a porcentagem de cada fator que influenciaria no alto consumo de água no campus universitário.

Teve-se como resultado que os banheiros possuem a maior porcentagem no que diz respeito ao consumo de água da UNIMINAS. Em segundo lugar vem a irrigação e por último a soma dos gastos de água na limpeza e outros fatores.

Fig. 1. Porcentagem dos fatores contribuintes para o consumo de água dentro da UNIMINAS.

Figura criada pelos autores.

7 Conclusão

No decorrer do trabalho foi possível observar que a justificativa para um alto índice do consumo de água na UNIMINAS é o fato da mesma possuir torneiras que ajudam no aumento do consumo de água gradativamente. O que se propõe para a minimização deste problema é a troca de torneiras para aquelas que não possuem um redutor instalado nas mesmas e outra sugestão seria adquirir mais torneiras na área verde da UNIMINAS para que o consumo de água na irrigação possa ser diminuído, já que este tem sido o segundo fator de maior contribuição para o aumento de consumo de água. Além disso, sendo os banheiros o primeiro colocado pode-se destacar o fato de que as válvulas devem ser reguladas para o controle das descargas.

Aqui é importante ressaltar que a contribuição que este trabalho obteve foi a de comprovar que a DMAE precisa quantificar melhor suas médias em certos parâmetros, lembrando que estas proporcionam um valor muito alto de consumo de água da UNIMINAS no final da leitura, sendo que a mesma é prejudicada quando vai pagar no final do mês. Isto pode ser comprovado quando fizemos a etapa 2 e comparamos o consumo de água por pessoa adotado pela DMAE e o consumo de água por pessoa que obtivemos em nossos cálculos.

Além das contribuições mencionadas anteriormente deve-se lembrar que o objetivo central de propor educação ambiental a toda população da UNIMINAS e de aperfeiçoar os processos internos no que diz respeito à água serão adotados pela mesma já que o trabalho quantificou e demonstrou resultados condizentes a sua realidade. Assim, espera-se a redução de aproximadamente 30% dos custos do consumo de água através das justificativas citadas acima.

Contudo pode-se concluir que os objetivos do trabalho foram alcançados e que os mesmos foram vistos pela UNIMINAS como o início de um projeto que terá como foco a reutilização dos efluentes líquidos, bem como a conscientização das pessoas para a minimização dos gastos excessivos de água através de uma educação ambiental para que um dia possamos alcançar uma Produção Mais Limpa e futuramente um bom Desenvolvimento Sustentável.

8 Referência

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. – NBR-9648 – Estudo de Concepção de sistemas de esgoto sanitário – Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 1986.

Nuvolari, A., Telles, Dirceu D’A., Ribeiro, J.T., Miyashita, N.J., Rodrigues, R.B, Araújo, R.,2003 Esgoto Sanitário. Coleta, Transporte, Tratamento e Reuso Agrícola. São Paulo. FATEC-SP.

Braga, B., Hespanhol, I., Conejo, J.G.L., Barros, M.T.L., Júnior, M.S.V., Porto, M.F.A., Nucci, Nelson L.R., Juliano, N.M.A., Eiger, S., 2002. Introdução á Engenharia Ambiental. São Paulo. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária.





©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal