Evidências Relação: Etnia e Literatura Infantil Ivanize Honorato Reflexão da semana 2 a leitura do livro diversidade



Baixar 24.17 Kb.
Encontro03.08.2016
Tamanho24.17 Kb.
Evidências

Relação: Etnia e Literatura Infantil

Ivanize Honorato

Reflexão da semana 2

A leitura do livro DIVERSIDADE proporcionou atividades bem interessantes. Alguns alunos já haviam participado de um projeto com essa temática, me chamou atenção, que logo após a leitura, quando eu perguntava sobre a história, uma aluna logo falou:

Cada um tem um jeito, e todos tem que respeitar! Todos são diferentes!

O texto foi construído a partir das falas, e o que cada aluno falava era registrado. Tentei construir uma idéia coletivamente, mas foi difícil. Eles opinavam, e "exigiam" que fosse transcrito. Era preciso questionar se havia relação com a proposta do livro.



Percebi que mesmo alguns alunos tendo trabalhado o tema DIVERSIDADE, e conversado sobre a importância de cada um, os alunos, ao recortarem pessoas de revistas, procuravam pessoas brancas, e as meninas, gostavam de recortar modelos altas e loiras. Após recortarem as figuras, solicitei que observassem com atenção todas as pessoas que tivessem características muito parecidas iriam ser retiradas.

Interessante que esta seleção de figuras não estava prevista, mas foi necessária a medida que ía observando que havia um grande número de figuras femininas com as mesmas características, retirados da revista CARAS:

Reflexão semana 3

A proposta a partir da história Menina Bonita do Laço de Fita foi bem interessante. Quando foram questionados de como seria uma menina bonita, a maioria disse que deveria ser loira e pele branca, quando mostrei o livro, não se surpreenderam muito pela menina bonita da história ser negra, pois já conheciam. Mesmo já conhecendo a história, os alunos pediram pra contar diversas vezes.

Como eu já imaginava que eles conhecessem esse livro, resolvi mostrá-la de outras formas: DVD e CD com áudio.

Ficaram encantados quando assistiram ao desenho do DVD do Projeto A Cor da Cultura da Menina Bonita do Laço de Fita. Esse DVD, antes da história, mostra uma professora fazendo brincadeiras e perguntas para um grupo de crianças, então os alunos interagiram com o filme, e me pedia para repetir as brincadeiras. Os alunos não tiveram dificuldades em ordenar a história.

As crianças sempre nos surpreendem. Ao pedir aos alunos que desenhassem "uma menina bonita", e em seguida mostrar o personagem do livro,  já contava com dois resultados, pois foi o que aconteceu em outra experiência:

1º: que todos, ou a maioria desenhassem meninas brancas e loiras;

2º: que se "espantassem" ao verem uma menina negra como personagem principal do livro, e fizessem algum tipo de comentário, para então abrir a discussão sobre racismo e preconceito.

Com essa turma do jardim, só aconteceu o 1º ítem. Tentei falar de preconceito, mas como não ocorreu a situação prevista por mim, faltou exemplos mais próximos da realidade. As crianças não sabiam o que era preconceito, e mesmo através de alguns exemplos não conseguiram compreender.

O planejamento deve ser feito sem contar com os resultados, ficar preso a uma única resposta dificulta o repensar  em outras possibilidades de aprendizagens, nesse caso, na possibilidade de discutir o tema racismo e preconceito.

Reflexão Semana 4

Trabalhei com a história Tipos de Família. Os alunos gostaram muito, eu lia a frase e eles tinham que encontrar a figura correspondente. Todas as figuras estavam espalhadas na mesa, então, logo que eu li, tentavam ser o mais rápido que seus colegas para pegar o desenho primeiro. Interessante que a escola não adota o uso de figuras prontas para colorir, mas assim que eles viram as imagens apenas com o contorno preto, pediram para colorir. E o fizeram com bastante capricho.



Também propus a "construção" de famílias a partir de recortes de figuras de pessoas de diferentes etnias. Pedi que um aluno de cada vez pegasse apenas uma figura, e depois, quando todos pegaram a primeira, que escolhessem uma segunda figura para compor a família, e assim sucessivamente. Alguns alunos comporam a família com 2 e até 8 pessoas. As famílias compostas eram de diferentes etnias, até porque, na primeira rodada, todos pegaram pessoas brancas, já na segunda rodada em diante já não haviam pessoas brancas suficientes para formar famílias de uma etnia apenas.

Reflexão da semana 5

Leitura do livro: “Que cor é a minha cor?”. A atividade do Gráfico das Cores foi bastante tranquila. Os alunos se identificaram com as cores apresentadas, e não tiveram nenhum receio ao afirmarem que eram brancos ou negros. Questionei se sabiam porque tinham aquela cor, e as explicações foram variadas, mas todos referiram-se a família. Tem um menino (de blusa verde, ao meu lado) que, embora afirme que a mãe é negra e o pai é branco, se considera branco, pois tem o tom da pele bastante claro.



Ao falar sobre escravidão no Brasil, eles ficaram bastante surpresos. Desconheciam essa parte da história, tentei exemplificar com o que acontece na novela da tarde, Sinha Moça, mas como passam o dia inteiro na escola, não sabiam do que se tratava. Ao verem imagens referntes ao tema, ficaram mais espantados ainda, portanto não dei muita ênfase ao assunto. Expliquei que as imagens retratavam momentos tristes, mas que haviam momentos que eles sentiam-se felizes. Questionei os alunos o que poderia deixá-los felizes, saiu respostas surpreendentes, desconexo com  a época, tempo que viviam: jogar video game, brincar, ganhar presentes, passear no shopping, ...

Reflexão da semana 6

A contação da história "O cabelo de Lelê" abriu uma discussão que não estava previsto no meu planejamento: o sexo da presonagem. A turma ficou dividida se Lelê era menina ou menino, enão, a medida que cada página era lida, eles tentavam analisar detalhes (roupa, cabelo, sapato, ...) para tentar descobrir. Para mim, era muito claro que era uma menina, não imaginei que fosse surgir essa discussão. Então, após ler um trecho questionava-os quanto aos detalhes até ter a certeza de que era uma menina. Também conversamos sobre "coisas de menino, e coisas de menina".

 A página abaixo da história também casou bastante empolgação. Todos queriam ser uma das figuras apresentadas, e se alguém escolhesse o mesmo  que o seu, brigavam. Considero essa atitude como demonstração de êxito dos objetivos, os alunos não apresentaram nenhum tipo de preconceito ao se identificarem com algum dos personagens, e fizeram isto de forma espontânea. Não estava previsto, apenas dei o espaço quando surgiu o primeiro comentário: "Eu sou essa !"

A página a cima serviu de motivação para cada um "construir o seu cabelo" com colagem de massa parafuso numa foto. A idéia do uso deste tipo de massa era para se parecer com um "cacho", mas foi difícil a colagem, demorou muito a secar, e os alunos só puderam pintar no outro dia. Além de se divertirem com a criação dos cabelos, eles gostaram de pisar sobre as massas que estavam no chão, porque dava um "barulhinho" diferente. Na tentativa de não sujar a sala com os farelos, perdi a oportunidade de explorar a descoberta desse som com a turma.



Reflexão da semana 7

Trabalho a partir do livro O menino Mestre e o Rei Zumbi.

Sobre a capoeira ...

nem bem comecei a contar a origem, no tempo da escravidão, nas senzalas, ... e um aluno falou:

"Profe, de novo sobre os negros? ... É toda hora"

Achei engraçada a espontaneidade dele, me questionei na hora quanto ao projeto de estágio, se os alunos estavam ou não gostando das atividades. Expliquei para os alunos que sempre temos o que aprender, e que a cada dia aprendíamos coisas diferentes, mesmo tratando-se do mesmo tema. Então, em vez de falar sobre a história da capoeira, ainda na rodinha, coloquei a música, comecei a acompanhar com as palmas, até que todos estivessem participando. Então propus que fizéssemos alguns movimentos,eles concordaram, e, livremente, fizeram alguns gestos. Enquanto aguardavam a troca do CD, fui perguntando o que sabiam sobre a capoeira, se já tinham visto uma roda. Após alguns comentários, pude explicar sobre a origem e iniciar a seqüência de atividades que tinha me proposto.

Quando o menino fez a pergunta, logo imaginei que não fossem gostar da vivência de capoeira, mas me enganei: eles adoraram "jogar".

O trabalho com capoeira durou mais que un dia, e eles não se queixaram da repetição do assunto.  Na quarta feira, realizamos a roda de capoeira no pátio dos fundos, onde todos puderam participar, com bastante espaço para as "acrobacias".Eles experimentaram tocar alguns instrumentos de origem africana, (agê. agogô, caxixi, pandeiro), o berimbau eles só viram, porque acabou quebrando.

O legal deste jogo é que frisei bem para os alunos que não podia se tocar durante o jogo, somente no início para cumprimentar. Então, quando a dupla estava no meio da roda, eles combinavam o que íam fazer:

- agora tu se abaixa, e eu passo a perna por cima.

 Depois que realizavam, combinavam de novo, nem sempre entravam num acordo logo. O barulho no pátio despertou curiosidade nas outras turmas e demais funcionários da escola, que acabaram participando.



Reflexão Semana 8

Reflexão Semana 9

Retirado do Blog Portfólio de Aprendizagens

Cinderela negra

Durante 9 semanas desenvolvi no Estágio Curricular o Projeto: Viva as Diferenças, que tinha como objetivo: Conhecer e valorizar, através da ludicidade, a história e cultura afro brasileira. Nesse período, foram feitas inúmeras atividades envolvendo os temas



DIVERSIDADE e CONTRIBUIÇÕES DOS NEGROS NA NOSSA CULTURA.

Percebi participação e aprendizagem em todas atividades propostas. Na última semana, os alunos ensaiaram com a professora titular um teatro a partir da história O carteiro chegou, para apresentar na escola. Tal texto envolvia diversos personagens dos contos de fada, entre eles, a Cinderela. A professora titular escolheu os personagens, e a B. (uma menina negra) foi escolhida para ser a Cinderela. Uma outra aluna, também desejando este papel, questionou:



ela não pode ser a Cinderela, ela é negra!

Na mesma hora falei que qualquer pessoa poderia interpretar qualquer papel, e que todos tinham direitos iguais. Antes de seguir com meu discurso fiquei pensando: o questionamento da aluna até pode ser cabível, pois por toda sua vida conheceu livros que representam a Cinderela como uma moça bonita, magra e loira; do que adiantou trabalhar essa temática, se ao final das 9 semanas ouvi um comentário preconceituoso? Ops.... será que foi um comentário preconceituoso? Trabalhar a lei 10639 na sala de aula não é tarefa fácil. É muito mais que propor atividades de conhecimento da herança negra na nossa cultura.



É estar atento aos olhares, às falas, aos comentários (com ou sem intenção racista), é interferir de forma objetiva e clara quando o aluno diz que menina bonita precisa ser loira, que cinderela não pode ser negra ou pede um lápis cor de pele. A criança aprende aquilo vive, o preconceito não nasce da criança, mas é uma construção histórica social, passado pelos pais, e demais adultos que ela convive.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal