EvoluçÃo dos paradigmas de proteçÃo radiológica paradigmas iniciais de proteçÃo radiológica bibliografia



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EVOLUÇÃO DOS PARADIGMAS DE PROTEÇÃO RADIOLÓGICA
1. PARADIGMAS INICIAIS DE PROTEÇÃO RADIOLÓGICA

1.1. BIBLIOGRAFIA

Consideramos como paradigmas iniciais de Proteção Radiológica aqueles que se tornaram vigentes após a liberação da energia atômica para usos pacíficos em 1955.


Estes paradigmas foram enunciados pela Comissão Internacional de Proteção Radiológica, CIPR em 1958, publicação 1(1), 1959 publicação 2 (2) e quando já se encontravam com certo comprometimento em 1966 pela publicação 9 (3).
O Organismo Internacional de Energia Atômica, OIEA, enunciou os paradigmas em apreço em 1967 na publicação 9(4) da coleção Safety Series. A CNEN os enunciou em 1973, na resolução CNEN nº 06/73(5).


1.2. O PARADIGMA

Na realidade, naquela época o paradigma era um só e atualmente é conhecido como paradigma do sistema de limitação de dose. Em síntese, ele é expresso pelos Limites de Doses Máximos Permissíveis, LAMP, que foram definidos para a população como um todo, para o trabalhador e para os indivíduos do público (grupo crítico).


A principal base para o estabelecimento de seus valores foi:
a) para a população como um todo.
Foi perguntado aos geneticistas da época qual a porcentagem de mutações genéticas que, um indivíduo normalmente possui, poderia ser provocada pela radiação natural, no nosso globo. A resposta foi de que 2% a 20% das mutações maléficas seriam atribuídas a radiação ionizante. Partindo destes dados e do conhecimento da dose anual média do globo deduziram que o número de mutações maléficas nos descendentes de um indivíduo duplicaria num intervalo de dose entre 0,15 Sv e 1,5 Sv.
A CIPR, para estar a favor da segurança admitiu que a duplicação das mutações se daria com uma dose de 0,10 Sv e a partir deste valor estabeleceu um valor de 50 mSv por geração para a população como um todo. Naquela época, a vida média de uma geração era considerada ser de 30 anos. Este valor de 50 mSv era considerado um valor seguro para evitar um grande acréscimo de mutações nas gerações futuras. Este valor limita a dose anual na população a 1,67 mSv/ano.
b) para o trabalhador
O trabalhador é uma fração muito pequena de indivíduos quando comparada à população como um todo e portanto não devem ser considerados os efeitos hereditários como no caso anterior mas unicamente os efeitos somáticos. Para os efeitos que tem uma dose limiar para a sua manifestação é fácil estabelecer um limite mas a preocupação deve ser dirigida a alguns efeitos biológicos considerados completamente aleatórios na época, entre eles destacam-se os cânceres e o encurtamento do período de vida. Sabe-se, atualmente que este último não se manifesta nos seres humanos. Neste caso o limite anual máximo permissível deveria ser estabelecido num valor tal que a incidência de cânceres no trabalhador continue idêntica a aquela que ocorre na população como um todo, isto é, não seja detectado aumento de incidência de cânceres no trabalhador com relação à população como um todo. Para o encurtamento da vida, também, no trabalhador não deve ser detectado nenhuma diminuição de sua vida média com relação à vida média da população como um todo, isto é, 70 anos. Atualmente considera-se a vida média da população 76 anos. Partindo destes pressupostos estabeleceu-se que o limite anual máximo permissível para o corpo inteiro é de 50 mSv/ano.

c) para os indivíduos do público.


É evidente que se deve considerar um terceiro grupo de indivíduos além dos dois já citados pois quando se trabalha com as radiações ionizantes sempre existe uma fuga ou uma liberação de material radioativo no ambiente, irradiando, consequentemente, as pessoas que se encontram neste ambiente. Estas pessoas foram chamadas de indivíduos do público. Dentre estas pessoas existe um grupo conhecido como grupo crítico e é aquele grupo homogêneo em seus usos e costumes que recebe a maior dose e portanto os maiores malefícios.
É evidente que este grupo que vive nas imediações de instalações nucleares é bem maior do que o grupo de trabalhadores mas bem inferior à população como um todo e portanto o limite de dose anual máximo permissível deveria ser estabelecido entre os 50 mSv/ano para o trabalhador e 1,67 mSv/ano para a população como um todo. Foi escolhida a dose de 5 mSv/ano no grupo crítico.

1.3. DIRETRIZES (MEDIDAS)

Uma vez que temos em nossas mentes o paradigma do sistema de limitação de dose necessitamos conhecer o que devemos fazer para termos certeza de que estamos agindo de acordo com este paradigma. As ações que devemos empreender em obediência ao paradigma assumido são conhecidas como diretrizes ou medidas.
O paradigma estabelecido no item anterior 1.2 estará satisfeito se forem empreendidas as duas diretrizes que discutiremos a seguir: Monitoramento e classificação das áreas de trabalho.

1.3.1. Monitoramento

Existem dois tipos de monitoramento conhecidos como monitoramento do local de trabalho e individual.


O monitoramento do local de trabalho tem um caráter preventivo uma vez que ele pode ser empreendido antes que o trabalhador venha receber a dose e portanto podem ser tomadas medidas corretivas de proteção antes da execução das tarefas pelo trabalhador.
O monitoramento individual, ou seja, aquela medida no próprio indivíduo, tem um caráter confirmatório, pois confirma as doses previstas pelo monitoramento do local de trabalho. Em outras palavras, podemos dizer que o monitoramento individual mede a dose de radiação do trabalhador após ele a ter recebido.

1.3.2. Classificação das áreas de Trabalho

As áreas de trabalho foram classificadas em duas, a saber : área livre e área controlada.


A área de trabalho livre é aquela em que são obedecidos os limites para indivíduos do público. Nesta área não é obrigatória a presença de um Serviço de Proteção Radiológica.
A área de trabalho controlada é aquela em que os valores da radiação são superiores aos limites para indivíduos do público. Nesta área a presença do Serviço de Proteção Radiológica é obrigatória.
Finalizando, então, o Serviço de Proteção Radiológica empreende estas duas diretrizes com a finalidade de demostrar a obediência ao paradigma da limitação da dose.


1.4. COMPORTAMENTO DOS ENVOLVIDOS NO PARADIGMA

Resta-nos, agora, verificar o comportamento dos envolvidos na obediência do paradigma e na execução das ações, diretrizes.


Os protagonistas do cenário são três: o trabalhador, o supervisor de proteção radiológica e a autoridade competente fiscalizadora.
Para mostrar o comportamento destes três protagonistas podemos montar uma peça teatral como fosse algo real, de uma situação prática.
Numa primeira cena há um experimento com presença de fonte de radiação. Paulo, o supervisor de proteção radiológica está monitorando o local de trabalho para radiação externa quando se aproxima Pedro, o trabalhador.
- Paulo, qual é o valor de radiação aí aonde você está medindo?
- 50 Sv/h.
- Epa! Quer dizer que eu não posso trabalhar aí?
- Por que não?
- Ué!! Se o máximo permissível anual é de 50 mSv e o ano é considerado de

50 semanas, o limite passa a ser 1 mSv/semana e como a semana é de 40 horas, o meu limite é de 25 Sv/h e aí está dando 50 Sv/hora.


- Pedro, o seu cálculo está certo se você permanecer 40 horas por semana, mas

está errado se você permanecer menos. Quanto tempo você permanece aqui?


- Realmente, Paulo, eu não permaneço 40 horas, geralmente não passo de

10 horas por semana.


- Então, Pedro, no máximo você pode permanecer 20 horas/sem. pois:

50 Sv/h x 20 h/sem = 1000Sv/sem ou 1 mSv/sem.


- Ah! então tudo bem, até 20 horas por semana posso trabalhar, obrigado.
- Pedro, cuidado, não me ultrapasse as 20 horas semanais, pois em caso

contrário você ultrapassará 1 mSv/sem e 4 mSv/mês e será detectado pelo monitor individual que você ultrapassou o limite derivado mensal.


- E daí?
- E daí, você me pergunta? Você não sabe que uma via do relatório das tuas

doses mensais vai para o órgão fiscalizador e o Antônio faz o controle de todo o pessoal que recebe doses acima do limite derivado mensal? Se você ultrapassar os 4 mSv/mês é evidente que ele vai entrar em ação e provocar-nos mais trabalho.


- Pedro, volto a insistir não me ultrapasse as 20 horas/semana, para evitarmos

futuras encrencas.


Os dois protagonistas saem do cenário e Paulo se vira para a platéia e confidência: Tarefa cumprida, monitoração executada e eu posso dormir tranqüilo, pois se o Pedro desobedecer a minha ordem de 20 h/sem no máximo, será descoberto pelo monitoramento individual mensal.
Na segunda cena da nossa peça teatral encontramos o supervisor de proteção radiológica, Paulo, sentado à mesa em seu escritório com uma carta na mão e o Pedro entrando.
- Paulo, você mandou me chamar?
- Sim, senta-se.
- O que manda?
- Pedro, eu não te supliquei para não ultrapassar as 20 h/sem naquele local do

experimento?


- Sim, e daí?
- Daí, que você descumpriu o que eu pedi e recebeu 5 mSv de dose no mês.
- E daí?
- E daí!! Como eu te afirmei seria encrenca e veio. Está aqui na minha mão uma

carta do Antônio, do órgão fiscalizador, querendo saber por que você tomou 5 mSv no mês e se isto se prolongará nos meses seguintes ou é unicamente uma situação esporádica. Aguarda o resultado de minha investigação e é evidente que nós dois vamos formular e assinar a resposta.


- Ah! Tanto barulho por 1 mSv a mais.
- Pois é, Pedro, desembucha o que aconteceu.
- Pois bem, Paulo, o experimento não seguiu como o previsto, não deu certo, tive que fazer uma série de modificações na amostra, no porta amostra etc. e realmente no total trabalhei cerca de 20 horas a mais do previsto.
- E isto vai durar por muito tempo?
- Não, Paulo, pois os resultados devem ser entregues no próximo mês, senão vem multa de contrato sobre nós, mas te aviso que este mês também vou estourar as vinte horas.
- Mas, Pedro, depois de entregar os resultados do experimento qual é a tua

previsão quanto às futuras doses?


- Ah, sem dúvida vão abaixar, pois estão previstos pequenos serviços mas não

um tão grande como este.


- Pois bem, Pedro, nós vamos ter que explicar tudo isto ao Antônio com alguns

detalhes do experimento para mostrar que não poderia ter sido feito de outro modo, mas você bem que poderia ter-me avisado, eu poderia ter feito algumas melhorias para abaixar as tuas doses.


- Paulo, sinceramente, eu, preocupado com o experimento não dando certo, o prazo a

ser cumprido para não recebermos multa contratual, você acha que eu tinha cabeça para te avisar? Estava tão preocupado que nem lembrei que tinha que dar satisfação a você ou que existia um Serviço de Proteção Radiológica na nossa Firma.


- Pois é, Pedro, mas nós vamos ter que fazer este relatório ao Antônio

justificando os teus 5 mSv.


- Paulo, se eu tivesse que trabalhar mais de 20 h/sem por um tempo muito

mais longo do que este mês, como ficaria?


- Eu teria que comunicar ao Antônio que iríamos melhorar as condições de proteção

para abaixar as doses, mas em hipótese nenhuma você me ultrapassaria o limite anual, pois eu seria considerado um inepto com o perigo de cassarem a minha licença de supervisor.

A cena está terminada e desta peça teatral podemos depreender que cabe ao trabalhador, além de executar as suas tarefas, se cientificar se pode permanecer num local de trabalho e por quanto tempo.
Cabe ao Supervisor de Proteção Radiológica executar os monitoramentos, classificar as áreas e cientificar o trabalhador quanto aos aspectos de Proteção Radiológica.
Cabe ao fiscal controlar a execução das diretrizes para satisfazer o paradigma e isto pode faze-lo in loco, inspecionando os locais de trabalho ou analisando os resultados do monitoramento individual.

2. PARADIGMAS INTERNACIONALMENTE EM USO ATÉ 1995


2.1 BIBLIOGRAFIA E PREMISSAS

Os paradigmas internacionalmente em uso até 1995 foram enunciados nas publicações da CIPR no 22 de 1973 (6), no 26 de 1977 (7) e no 30 de 1978 (8) e foram adotados pela OIEA na coleção Safety Series no 9 edição 1982 (9). A CNEN adotou-os em 1988(10).

Antes de discutirmos os novos paradigmas devemos estabelecer como premissa o por que se tornou necessária a sua mudança. Uma série de fatos propiciaram esta mudança mas dentre eles destacaremos alguns que consideramos vitais.
Os efeitos biológicos considerados completamente aleatórios, como os cânceres e o encurtamento da vida, na realidade não eram tão aleatórios e imprevisíveis assim, mas obedeciam as leis das probabilidades e da estatística. O encurtamento da vida não pode ser provado para os seres humanos e deixou de ser considerado. Para explicar o aparecimento dos cânceres induzidos pela radiação ionizante surgiu a teoria alvo. Em síntese, esta teoria está alicerçada no tiro ao alvo pela qual o tiro seria a radiação ionizante e o alvo a célula. Se o tiro, radiação ionizante, acertasse a célula em seus pontos vitais, ela morreria, mas em caso contrário poderia ser lesada e vir a morrer tempo depois ou sobreviver, ao ferimento. Neste último caso poderia ser, em virtude da lesão, uma célula diferenciada das demais e se o patrimônio de divisão celular não for prejudicado dar origem a descendentes diferenciados que após várias gerações de divisão apareceriam clinicamente diagnosticáveis como câncer.
Como qualquer radiação ionizante, por menor energia que tenha, é suficiente para lesar as células, devemos admitir que o processo oncogênese é sem limiar, ou em outras palavras, qualquer dose por menor que seja faz mal e portanto deve ser reduzida. Para conseguir a redução de dose devemos modificar o paradigma do Sistema de Limitação de Dose, isto é, devemos melhorar as condições de proteção até chegarmos a um valor de dose cujo risco, por ser considerado muito pequeno, é aceitável. Este valor de risco é conhecido como nível de registro. Ver figura.
Em segundo lugar quando surgiu a primeira publicação de no 22 (6) da CIPR estávamos em plena crise do petróleo que trouxe uma série de conseqüências econômicas mundiais muito graves. Este fato, também, deveria ser levado em consideração e portanto, propiciou a introdução de um segundo paradigma.

2.2. OS PARADIGMAS

O novo sistema de limitação estabelece os limites anuais máximos admissíveis, LAMA, para o trabalhador e para o público. Estes limites anuais só são admitidos se forem justificados e enquanto se mantiverem otimizados. Nada mais é permitido, tudo deve ser justificado e otimizado. Doses superiores aos LAMA para trabalhadores e indivíduos do público são inaceitáveis. O princípio da justificação e principalmente o princípio da otimização, isto é, que as doses devem ser mantidas otimizadas é que nos fazem com que a proteção seja cada vez melhorada até alcançarmos os valores de dose considerados aceitáveis.

O princípio da justificação nos proíbe a introdução de atividades para as quais o prejuízo sanitário é superior ao benefício recebido pela sociedade com a introdução daquela atividade e o princípio da otimização também conhecido como princípio ALARA “as low as reasonable achievable”, tão pequenas quanto racionalmente exeqüível, nos impõe o abaixamento contínuo das doses, uma vez que ele procura responder à pergunta: “Será que já fiz tudo o que poderia ser feito em matéria de proteção para abaixar ainda mais as doses?”
A resposta “sim” a esta pergunta é muito difícil de ser empreendida. Não é o caso para os limites anuais máximos permissíveis, LAMP, cuja pergunta seria: Já fiz tudo o que precisava para manter os valores das doses abaixo de seus respectivos limites? Se por um monitoramento, comprovar que os valores das doses medidos são inferiores aos limites de dose, em princípio, garanto a resposta “sim”.
A crise do petróleo provocou uma recessão econômica tão grave que repercutiu, também, no campo nuclear e obrigou a introdução do segundo paradigma, a saber: “A proteção Radiológica deve ser econômica e eficaz”.


2.3. DIRETRIZES (MEDIDAS)

Com a duplicação dos paradigmas há a duplicação também das diretrizes. As quatro diretrizes são:




  • Monitoramento pessoal




  • Classificação das áreas de trabalho




  • Níveis de referência






2.3.1. Monitoramento pessoal

Os dois tipos de monitoramento discutidos no módulo anterior relativo aos Paradigmas Iniciais são mantidos na integra e o conjunto recebe o nome de Monitoramento Pessoal.


Tanto o monitoramento do local de trabalho como o monitoramento individual foram divididos em três quanto à sua função, a saber:


  • controladora




  • operacional




  • interventora

Dizemos que o monitoramento tem função controladora quando, no caso do monitoramento do local de trabalho, avalia a dose que será recebida pelos trabalhadores que permanecem na área ou quando se quer mostrar que as condições de proteção não foram alteradas com o transcorrer do tempo. No caso do monitoramento individual a função controladora estima a dose dos trabalhadores.


Os verbos avaliar e estimar serão aqui usados de acordo com as definições da OIEA(12) , isto é, avaliar quando é uma dose previsível de ser recebida usada para o monitoramento de área que tem um caráter preventivo e estimar quando a dose já foi recebida pelo trabalhador, usada para o monitoramento individual que tem um caráter confirmatório.
Dizemos que o monitoramento é operacional quando ele procura evitar, detectar e possibilitar as primeiras medidas em desvios das situações normais de trabalho. Portanto, não visa avaliar ou estimar a dose dos trabalhadores, que é função do monitoramento controlador mas visa evitar que o pessoal venha a tomar dose em caso de desvio da normalidade. Para o monitoramento individual são úteis, no caso, os dosímetros de aviso. Como as situações anormais no trabalho são causadas por falha de equipamento ou instrumentos ou falhas humanas o lógico é que esta função do monitoramentoção seja exercida pelo próprio pessoal de operação da instalação, daí o seu nome.
O monitoramento com função interventora pode dar-se tanto em situação normal de trabalho como em situações anormais reais, portanto, situações já ocorridas. Sua função é procurar resolver problemas tanto em situações normais como anormais e portanto ele tem objetivos e prazos bem definidos e uma vez que esclarecido o problema ou sanada a situação anormal ele desaparece.

2.3.2. Classificação das áreas de trabalho

A definição de área livre é mantida igual ao do módulo anterior a respeito dos paradigmas iniciais mas para doses superiores aos limites do público, e carga máxima de trabalho para 2.000 horas por ano a área é denominada de restrita e subdividida em supervisionada e controlada.


Na área supervisionada, os valores da radiação são inferiores a 3/10 do LAMA do trabalhador para 2.000 horas de trabalho por ano.
Na área controlada, os valores de radiação são superiores a 3/10 do LAMA do trabalhador para 2.000 horas de trabalho por ano.
Na área supervisionada basta que o serviço de proteção radiológica execute um controle brando enquanto que na área controlada exige-se um controle rígido.

2.3.3. Níveis de referência

Podemos considerar os níveis de referência como uma das duas vigas mestras para o abaixamento dos valores de radiação.


O nível de referência é um valor da radiação a partir do qual torna-se mandatória uma ação por parte do Serviço de Proteção Radiológica. Tanto a CIPR como o OIEA sugerem pelo menos três níveis, a saber: nível de registro, nível de investigação e nível de interferência.
O nível de registro é um nível de radiação a partir do qual torna-se obrigatório o seu registro por parte do Serviço de Proteção Radiológica. Tanto a CIPR como o OIEA recomendam para o monitoramento individual com função controladora o valor de 1/10 do LAMA para trabalhador, na fração de tempo de medida do instrumento.
O nível de investigação é um valor da radiação a partir do qual torna-se obrigatória uma investigação por parte do Serviço de Proteção Radiológica e exige melhorias no sistema de proteção para que a situação não se repita.
Tanto a CIPR como o OIEA recomendam para o monitoramento individual com função controladora o valor de 3/10 do LAMA para trabalhador, na fração de tempo de medida do instrumento.
Uma vez que o Serviço de Proteção Radiológica investigou os motivos das doses elevadas acima dos 3/10 dos LAMAs do trabalhador, verifica e monta as opções de proteção que poderiam diminuir as doses e avalia os seus custos. Fazendo uso das técnicas de ajuda para a tomada de decisão, verifica qual é a opção ótima e a submete à autoridade competente para aprovação.
Após a implantação da opção ótima o Serviço de Proteção Radiológica efetua um monitoramento para confirmação dos resultados previstos pela opção implementada.
O nível de interferência é um valor da radiação a partir do qual torna-se obrigatória a interrupção da atividade a fim de sanar falhas graves no sistema de Proteção. Tanto a CIPR como o OIEA recomendam que para o monitoramento individual seja tomado o valor do LAMA para trabalhadores, recebido num único evento. É evidente que este nível define a situação de incidente ou acidente e portanto exige a ação de verificar as causas da emergência e evoca o Plano de Emergência Radiológica para retorno à situação normal.

2.3.4. Classificação dos Trabalhadores

Esta classificação pode ser considerada a segunda viga mestra para o abaixamento dos valores da radiação.


Com relação ao monitoramento individual com função controladora os trabalhadores são classificados em duas categorias, a saber, aqueles que se situam em condições de trabalho A e aqueles que se situam em condições de trabalho B.
É considerada condição de trabalho A aquela em que o trabalhador tem possibilidade de receber doses maiores do que os 3/10 dos LAMAs em condições normais de trabalho. Neste caso devem ser consideradas as horas realmente trabalhadas em presença de radiação e não as 2.000 horas/ano usadas na classificação das áreas de trabalho. Os trabalhadores que estão nas condições de trabalho A necessitam do monitoramento individual com função controladora.

É considerada condição de trabalho B aquela em que a possibilidade do trabalhador ultrapassar, em condições normais de trabalho, uma dose igual aos 3/10 dos LAMAs é remota. Neste caso não se justifica o monitoramento individual com função controladora e portanto é desnecessário .




2.4. COMPORTAMENTO DOS ENVOLVIDOS NOS PARADIGMAS

Voltemos à nossa peça teatral e na primeira cena onde Paulo, supervisor de proteção Radiológica está monitorando o local de trabalho para radiação externa com Pedro, o trabalhador nas proximidades.


Quem inicia a conversa é o Paulo:
- Pedro, é você que trabalha aqui?
- Sim.
- Quantas horas por semana você trabalha aqui?
- 10 horas
- Pedro, você não pode trabalhar todo este tempo; você deverá trabalhar no

máximo 5 horas por semana.


- Como assim, eu sempre trabalhei neste local e nunca houve problemas.

- Mas agora a filosofia de proteção radiológica mudou. Escuta:

50 Sv/h x 10 horas/sem x 4 sem/mês é igual a 2.000 Sv/mês ou 2 mSv/mês. Como o limite derivado mensal é de 4 mSv/mês , 3/10 deste limite é:

(4x3)/10 = 1,2 mSv/mês. Acima deste valor a proteção radiológica deve investigar e propor soluções de melhoria.


- Mas, Paulo, até ontem eu trabalhei!!
- Você pode continuar trabalhando, mas ao mesmo tempo devemos propor

condições de melhoria da proteção. Quando tem um tempo para discutir o assunto?


- Amanhã de manhã, mas você pode me explicar o que iremos discutir?

- Pedro eu vou te explicar: Amanhã nós vamos discutir quais são as opções de

proteção viáveis para o teu arranjo experimental, verificaremos de quanto as tuas doses diminuirão para cada opção e o custo de cada opção de proteção. A partir daí, eu, por meio das técnicas de análise para a tomada de decisão determinarei a opção ótima. Todo este cálculo será, posteriormente, enviado ao Antônio, o fiscal da autoridade competente, para aprovação.

Na segunda cena de nossa peça teatral, após Pedro sentar-se, pergunta:


- O que manda?
- Pedro, chegou a carta do Antônio, do órgão fiscalizador, perguntando se já

tomamos providências em virtude da tua dose e nos dá um prazo de um mês para mandarmos o memorial de cálculo e apontarmos para a opção de proteção ótima.


- Ele está louco, é muito pouco tempo!!
- Bem, vou responder o ofício dele e solicitar um prazo de 6 meses, para ver se

acertamos em três, alegando que a seleção de materiais necessários e avaliação de preços em nossa firma é algo demorado.


- Paulo, depois disso como será o procedimento?
- Aguardar do Antônio a aprovação da opção ótima.
- E se não aprovar?
- Devolverá o memorial com as observações pertinentes.
- Que tipo de observação pode fazer?
- Introduzir mais variáveis nas opções ou introduzir outras opções.
- Está bem, suponhamos que aprovou a opção ótima e então quais serão os

passos seguintes?


- Teremos que barganhar a fase de implantação da opção ótima. Em seguida deveremos efetuar um monitoramento para verificar se a diminuição na dose está de conformidade com aquela que foi prevista e no caso de não estar deveremos encontrar os motivos da diferença, pouco importa se é para mais ou menos.
- Paulo, deveremos fazer tudo isto?
- Sem dúvida, Pedro e mais, com certeza o Antônio virá no fim verificar se realmente tudo foi feito ou se ficou numa troca de correspondência sem realizar coisa nenhuma e isto se ele não resolver fazer uma inspeção antes, por exemplo na fase de implantação.
- Paulo, posso fazer uma última pergunta?
- Pois não, Pedro.
- E se a opção ótima não reduzir a dose para inferior aos 3/10 do limite derivado,

como fica?


- Após a implementação da opção ótima, verificação das conformidades de dose

etc., deveremos partir para um novo conjunto de opções de proteção para abaixar novamente os valores da radiação e isto deverá ser feito até alcançarmos 1/10 dos limites.


- 1/10 dos limites!! Mas você sempre falou em 3/10 dos limites e não 1/10.
- Sem dúvida alguma, Pedro, numa primeira instância deveremos abaixar até

3/10 dos limites mas numa segunda instância deveremos chegar a 1/10.

Os dois protagonistas saem do cenário e Paulo se vira para a platéia e confidência:
- Tomara que cheguemos logo todo mundo abaixo dos 3/10 dos limites anuais,

assim suprimo imediatamente a monitoração individual e com isso obtenho duas vantagens:


1.- Diminuo o meu trabalho!!
2.- Me tiro dos pés aquele chato fiscal, o Antônio, pois não tem o monitoramento individual para me pegar pelos pés!!
O Paulo está correto quanto a primeira asserção mas não quanto a segunda pois o Antônio conhece as ultimas doses do monitoramento individual e os valores da radiação do monitoramento de área com função controladora e portanto tem condições de avaliar quando conseguirão valores inferiores a 1/10 dos limites anuais. O que o Paulo ganha é que a fiscalização para o Antônio passa para a prioridade dois pois a prioridade um continua sendo para aqueles que ainda não conseguiram estar abaixo dos 3/10 dos limites anuais.

Desta peça teatral bem como das diretrizes podemos depreender que cabe ao trabalhador executar o monitoramento operacional, devidamente treinado para tanto e tomar as primeiras providências em situações anormais.


Cabe ao supervisor de proteção radiológica executar os monitoramentos com função controladora, classificar as áreas, avaliar as doses dos trabalhadores 3/10 do LAMA, proceder a investigação junto ao trabalhador e desencadear o processo de otimização fazendo uso das técnicas de análise para a tomada de decisão, estimar as doses dos trabalhadores, orientar e auditar o monitoramento operacional e intervir sempre que for necessário em situações anormais.
Cabe ao fiscal da firma controlar a execução das diretrizes, para satisfação dos dois paradigmas, in loco ou pelos resultados do monitoramento individual investigando se não há valores acima dos 3/10 do LAMA do trabalhador e em caso positivo deve solicitar ao Serviço de Proteção Radiológica o resultado da investigação podendo desencadear o processo de otimização caso o Serviço de Proteção Radiológica já não o tenha feito, deve também fiscalizar o monitoramento operacional.

3. NOVOS PARADIGMAS INTERNACIONAIS


3.1. BIBLIOGRAFIA E PREMISSAS

Os novos paradigmas internacionais foram introduzidos pela CIPR na publicação no 60 em 1991 (11) e pelo OIEA na coleção Safety Series no 115 em 1995(12). e pela CNEN nas diretrizes básicas de radioproteção de janeiro de 2006 (13).


Suponhamos que todos os trabalhadores em situação normal de trabalho recebam doses inferiores aos 3/10 dos LAMAs. Nesta situação muita coisa deve ser alterada com relação ao módulo relativo aos paradigmas vigentes até 1995, a saber:

a) Se todos os trabalhadores recebem doses inferiores aos 3/10 dos LAMAs

todos eles são classificados nas condições de trabalho B e portanto não existe classificação?

b) Se abstrairmos das 2.000 horas/ano, base para a classificação das áreas, e

considerarmos as horas realmente trabalhadas no local, podemos dizer que não existem mais áreas controladas mas unicamente supervisionadas?

c) Deve-se manter o limite anual de dose para o corpo inteiro em 50 mSv se

ninguém, em condições normais de trabalho, ultrapassa 15 mSv?

Em virtude destas novas situações é evidente que os paradigmas anteriores deveriam sofrer modificações e provavelmente serem introduzidos outros, mas como fizemos no módulo anterior de no 2, antes de discutirmos os paradigmas introduziremos as principais premissas que levaram ao novo conjunto de paradigmas:


1. Qualquer dose por menor que seja faz mal e, portanto deve ser reduzida,

continua de pé, uma vez que se quer reduzir a dose ao valor aceitável que coincide com o nível de registro, isto é, 1/10 do LAMA ou seja para o corpo todo 5 mSv/ano.


2. Enquanto que, quando as doses eram superiores aos 3/10 do LAMA nós

tínhamos um universo de trabalhadores, nas condições de trabalho A, muito pequeno de alguns porcentos, agora o universo passa a ser muito grande e pode alcançar 30 ou 40% dos trabalhadores.


3. Os limites anteriores para trabalhadores não são justificados. Esta premissa é

evidente uma vez que todos os trabalhadores recebem doses inferiores a 3/10 dos LAMAs.


4. Para os trabalhadores não se justifica um limite anual único, para as múltiplas

atividades humanas envolvendo fontes de radiação ionizante. Isto é evidenciado pelo fato de que diferentes atividades humanas possibilitam diferentes blindagens das fontes e diferentes espectros de dose dos trabalhadores. Exemplos, doses admitidas para trabalhadores em gamagrafia não são as mesmas que aquelas admitidas pelos trabalhadores que usam pequenas fontes para avaliar a espessura de películas de papel ou doses recebidas por secretárias de ambas atividades.


5. Devemos controlar as possibilidades de ocorrência e os valores previstos nas

exposições potenciais.


Em função destas premissas houve a necessidade de modificar em parte os paradigmas vigentes e introduzir outros.

3.2. OS PARADIGMAS

O paradigma do sistema de limitação com os limites anuais e os princípios da justificação e da otimização foram mantidos mas para o trabalhador foi acrescentado mais um limite.


Como todos os trabalhadores encontram-se com doses anuais de corpo inteiro inferiores a 15 mSv e neste valor de dose o erro estimado é de cerca de 25% teremos 15 mSv  4 mSv e portanto foi estabelecido um limite anual médio de 20 mSv, mediado sobre 5 anos, que identificaremos como Limite Anual Máximo Admissível Médio, LAMAM.
O paradigma de manter a proteção radiológica econômica e eficaz continua vigente.
Foi introduzido um terceiro paradigma para permitir limites diferenciados para as diferentes atividades humanas, limites estes conhecidos como Limites Restritos.
Por fim foi introduzido um quarto limite para a exposição potencial(14), isto é, aquela exposição que pode ocorrer em eventos anormais mas que não pode se garantir que realmente ocorra. Unicamente, por meios de cenários pode-se prever uma certa probabilidade de ocorrência e uma probabilidade de ocorrer um determinado valor da dose.
Para esta exposição potencial foi sugerido um Limite Anual de Risco(14)) e para abaixar a sua probabilidade de ocorrência e a dose prevista em caso que ela ocorra foram introduzidos os princípios da justificação e da otimização.
Para estabelecer o limite anual de risco(14)foi sugerido que o risco anual à saúde provocado pela exposição potencial fosse no máximo igual ao risco provocado pelo limite anual máximo admissível.

3.3. DIRETRIZES (MEDIDAS)

Com o acréscimo dos novos paradigmas houve a necessidade de ampliar o número de diretrizes com relação ao módulo 2 para cinco, a saber:


  • monitoramento pessoal;




  • classificação das áreas de trabalho;




  • níveis de referência;




  • perseguir os limites restritos, e




  • exposição potencial.

Estas diretrizes serão discutidas uma a uma sucintamente, a seguir.



3.3.1. Monitoramento Pessoal
A única novidade no monitoramento pessoal com relação a aquela descrita no módulo 2 é a eliminação do monitoramento individual com função controladora, uma vez que todos os trabalhadores, em condições normais de trabalho, recebem doses inferiores aos três décimos do LAMA e neste caso esta função do monitoramento individual não é justificado. O próximo passo será chegar a doses inferiores a 1/10 do LAMA para trabalhadores quando será eliminado, também, o monitoramento do local de trabalho com função controladora.

Ocorre porém que em 1997 a CIPR em sua publicação nº 75(15) informa: que o monitoramento individual deve ser mantido para valores de dose individuais entre 5 mSv a-1 e 10 mSv a -1 ou superiores quando não há possibilidade de se efetuar a estimativa da dose individual de ourtra maneira.

Esta publicação, também, altera o nome das funções dos monitoramentos. A função rotineira, denominada por nós de controladora passa a ser denominada de: “de rotina”, a função operacional passa a ser denominada de “relacionada com a tarefa” e a função especial não tem o seu nome alterado e eu também não alterei o meu de: “interventora”.


3.3.2. Classificação das áreas de trabalho

A classificação das áreas de trabalho, se omitirmos que deve ser feita com base nas 2.000 horas de trabalho por ano e considerarmos as horas de permanência real pelo trabalhador, não teremos nenhuma área controlada mas unicamente áreas livres ou supervisionadas. Em virtude disto, a classificação foi mantida mas a definição das áreas, exceção feita a área livre foi modificada. Desta maneira a área livre continua sendo aquela que obedece os limites anuais para os indivíduos do público mas a área supervisionada passou a ser aquela que, no caso de exposições potenciais, há unicamente possibilidade de efeitos estocásticos e a área controlada passou a ser aquela que, no caso de exposições potenciais, há possibilidade de efeitos determinísticos.


A classificação da OIEA(12) prefere continuar descrever as áreas de trabalho em função das exposições normais. Neste caso a área supervisionada é aquela em as condições de exposições laboral são mantidas sob inspeção ainda que medidas de proteção e fornecimento de segurança específicos, normalmente não sejam necessárias.
A área controlada é aquela em que são ou podem ser exigidas medidas de proteção e formecimento de segurança específicos para:
a) o controle das exposições normais ou a prevenção do espalhamento da contaminação durante as condições normais de trabalho; e

b) prevenir ou limitar as exposições potenciais.


3.3.3. Níveis de Referência
Os níveis de referência discutidos no módulo 2 são mantidos e a única alteração foi introduzida no nível de investigação que passa a ser para doses superiores ao nível de registro e estas doses vão desencadear o processo de otimização.

3.3.4. Perseguir os limites restritos
A medida que as doses dos trabalhadores para uma determinada atividade vão diminuindo é importante que se fixe um limite restrito para acelerar a diminuição das doses das empresas que apresentam doses superiores aos limites restritos. Em virtude do exposto os limites restritos são estabelecidos num valor médio entre as maiores e menores doses das diferentes empresas para uma mesma atividade.

3.3.5. Exposição Potencial
Esta diretriz, introduzida neste terceiro módulo, pretende diminuir e se possível eliminar o detrimento provocado pelas exposições potenciais caso elas se tornem reais. Para alcançar esta meta temos, no momento, três linhas de pesquisa, a saber:
1.- Tentar diminuir a probabilidade de ocorrência da exposição potencial;
2.- Tentar diminuir as doses previstas, caso a exposição potencial se torne real;
3.- Tentar interpor barreiras que se constituam em linhas de atraso na evolução

de uma situação de exposição potencial.



3.4. COMPORTAMENTO DOS ENVOLVIDOS NOS PARADIGMAS

Neste módulo não julgamos que seja necessário montarmos a peça teatral pois seria simular a do módulo 2 com valores de dose menores.


Portanto nos ateremos a fornecer as ações que devem ser empreendidas pelos diferentes protagonistas visando atenderem os paradigmas vigentes.
Cabe ao trabalhador executar o monitoramento operacional, devidamente treinado para tanto e tomar as primeiras providências em situações anormais.
Cabe ao supervisor de proteção radiológica executar as monitorações do local de trabalho com função controladora, classificar as áreas de trabalho, avaliar as doses dos trabalhadores maiores do que 5 mSv/ano, na fração mensal e neste caso desencadear o processo de otimização, procurar atingir os limites restritos caso não os tenha atingidos, orientar e auditar a monitoração operacional, avaliar as exposições potenciais, procurar melhorar as condições de proteção para exposições potenciais e sempre que for julgado necessário deverá intervir em situações anormais.
Cabe ao fiscal da firma controlar a execução das diretrizes para satisfazer os quatro paradigmas in loco, acompanhar o processo de otimização para todos os trabalhadores até alcançarem doses inferiores a 5 mSv/ano em prazos plausíveis, fiscalizar a monitoração operacional, estabelecer os limites restritos, fiscalizar os limites restritos e os resultados obtidos para as exposições potenciais.

4. COMENTÁRIOS FINAIS

Por incrível que pareça, a maior resistência para a adoção da filosofia ALARA, apresentada pela primeira vez na publicação 22 da CIPR(6), se encontra na classe gerencial, pelo menos no Brasil, e não nos trabalhadores ou nos supervisores de proteção radiológica. Acreditamos que isto não tenha ocorrido somente no Brasil, pois o OIEA, em sua publicação Safety Series no 115(12), em seu item 228 introduz o conceito de Cultura de Segurança e os parágrafos [c] e [d] rezam:


[c] As responsabilidades de cada indivíduo, incluindo aqueles que se situam na

posiição gerencial senior, devem ser claramente identificadas para fins de proteção e

segurança e cada indivíduo deve estar adequadamente treinado e qualificado.
[d] Devem ser definidas linhas claras de autoridade para a tomada de decisão

em proteção e segurança .


Os europeus demoraram em média 13 anos para conseguirem abaixar os valores da radiação a doses inferiores aos 3/10 dos limites anuais e pelo que sabemos os japoneses e argentinos também já conseguiram alcançar esta meta e portanto encontram-se em condições de aplicarem na integra o Safety Series no 115(12).
Esta meta alcançada em 13 anos pelos europeus foi conseguida dentro dos programas orçamentários normais, sem alocação de verbas extras. O que foi necessário é uma mudança de postura dos envolvidos, isto é, gerência, proteção radiológica e trabalhador, ou em outras palavras uma mudança de paradigmas.
Os americanos, Estados Unidos, implementaram a filosofia ALARA no início desta década e se tornou vigente a partir de 10 de janeiro de 1994. No Health Physics Journal de Setembro de 1994 (11) Joel E. Gray e Benjamin R. Archer informam que está sendo revisada a publicação no 49 do “National Council on Radiation Protection and Measurement, NCRP”, intitulada “Structural Shielding Design and Evaluation for Medical use of X-Rays and Gamma Rays of Energies up to 10 MeV”(17) e informa que por falta de verba prevêem que só estará pronta em 1997. Na realidade em maio de 2000, no Congresso Internacional da Associação Internacional de Radioproteção, informaram que já está pronto, mas que levará alguns anos para as autoridades competentes do País, Estados Unidos, a aprovarem para publicação. É interessante um trecho da informação que passamos a transcrever, já traduzido”:

“Na revisão os critérios de projeto de blindagem estarão baseados nas recomendações da publicação NCRP no 116 de 1993 (18) para os limites de dose(16). A área a ser ocupada pelos trabalhadores deve ser blindada para dar 5 mSv/ano enquanto que aquelas acessíveis ao público em geral deve ser limitada a 1 mSv/ano. A abordagem estabelecida para a revisão da publicação NCRP no 49 inclui o uso de fatores mais realistas que permitem um grau de conservadorismo sem aumentar a blindagem ou o custo dos cuidados sanitários”


Talvez para a implantação de novas práticas consigam o intento sem despesas extras além dos gastos que vinham sendo efetuados na aplicação da publicação no 49 antiga, mas sem dúvida alguma para diminuir as doses das atividades em andamento deverão desembolsar dinheiro extra. Por outro lado, depreende-se do trecho que acabamos de traduzir, que os americanos demonstram interesse em recuperar o tempo perdido com relação aos europeus e portanto se não quiserem demorar mais de dez anos deverão prever verbas orçamentarias suplementares, o que tornará o processo mais caro.
Finalmente em 19 de novembro de 2004 e 31 de dezembro de 2005 publicam os relatórios NCRP números 147(19) e 151(20) que substituem a publicação nº 49(16).
No Health Physics Journal de junho de 1994 (21) na seção de Novidades e Notícias, sob o título de “ARCAL adota o plano do ICRP” informa:
“Para marcar o seu décimo aniversário, o ARCAL 1, que abraça a proteção radiológica num Acordo de Cooperação Regional para a Promoção da Ciência e Tecnologia Nuclear na América Latina, realça a intenção de desenvolver um sistema regulamentário homogêneo entres os países participantes e perseguí-lo num plano de três anos a começar em 1994 para implementá-lo. O objetivo principal do projeto é realizar a adoção das novas recomendações da CIPR, mas os objetivos mais específicos são fornecer um guia sobre a interpretação da publicação 60 da CIPR, encorajar todos os países a fim de adotarem uma infra-estrutura regulamentaria comum a desenvolver modelos para os problemas de transição de interesse comum. Como 50% dos países sentem a necessidade de melhorar os padrões de proteção o plano despertou considerável interesse (Boletino Informativo no 5 editado por Eduardo Medina Gironzini).
Em dezembro de 2000, foi concluído o trabalho do ARCAL em Proteção Radiológica.
Por fim o próprio Safety Series no 115 do OIEA (12) no item 1.3, que define o escopo da publicação, informa: “1.3. Os padrões desta publicação aplicam-se às atividades humana, incluindo qualquer fonte inserida nas atividades e as intervenções que são:
[a] efetuadas por um País que resolveu adotar estes Padrões ou solicitou a qualquer um das Organizações Patrocinadoras providências para a aplicação dos Padrões;
[b] empreendidas pelos Países que tem assistência da FAO, OIEA, ILO, PAHO e WHO à luz de regulamentos e regras nacionais relevantes;
[c] efetuadas pelo OIEA ou envolve o uso de materiais, de serviços, de equipamentos, de instalação e de informações não publicadas tornadas disponíveis pelo OIEA ou a seu pedido e sob o seu controle ou supervisão; ou
[d] efetuadas por qualquer acordo bilateral ou multilateral no qual as partes solicitam ao OIEA providências para a aplicação de Padrões”.
Como se vê as pressões internacionais e regionais para a adoção desta filosofia de proteção radiológica são muito fortes e se os países que ainda não adotaram esta filosofia não o fizerem logo, em futuro próximo poderão envolver-se numa situação de pressa para continuar irmanada com os demais países e o custo será uma exponencial em função da pressa.
5. PREVISÕES NAS TENDÊNCIAS FUTURAS PRÓXIMAS
No relatório anual da CIPR referente ao ano de 1997 recebida em 21 de setembro de 1998 informava-se que já tinha sido empreendido o trabalho inicial para consolidar/recapitular as recomendações da publicação 60 da CIPR(11), com o propósito de publicar um conjunto de medidas atualizadas por volta de 2005, pois nesta data os países do Mercado Comum Europeu estariam em condições técnicas de adotarem estas novas normas, condições estas, que pressupoem que todos os trabalhadores recebam, em condições normais de trabalho, doses anuais inferiores a
5 mSv. Pelo que se pode avaliar, atualmente existem três correntes se degladiando, a saber:


  1. a tradicionalista, isto é, aquela que predominou até a publicação 60 da CIPR(11) e as recomendações do OIEA(12) e que preconiza para os trabalhadores doses inferiores à 1 mSv/ano e 0,3 mSv/ano para o público considerando-os valores aceitáveis;

  2. a baseada na otimização que preconiza os limites restritos e estes devem ser diminuídos até que seja justificado pelo processo das otimizações sucessivas;

  3. aquele que deseja voltar aos limites anuais máximos permissíveis, LAMP. Em virtude do fato que abaixo dos 200 mSv/ano não podemos detectar os malefícios provocados pela radiação defende o estabelecimento de um LAMP de 30 mSv/ano tanto para trabalhadores como para público, isto é, deixariam de existir as duas classes e este limite seria válido para toda a população tomando o sujeito individualmente. É a corrente atualmente mais fraca, e seu principal defensor já foi dissuadido desta idéia, mas acredito que em futuro próximo voltará à tona.

A tendência mostrada pela CIPR(22) no Congresso da IRPA, realizado no Japão de 14 a 19 de maio de 2000, é de que o processo de otimização continuará até que as doses dos trabalhadores alcancem os limites para o público e no Congresso realizado na Espanha em 2004(23) esta tendência continuou a prevalecer.



6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


  1. Recommendations of the International Commission on Radiological Protection, Publication 1, 1958.




  1. Report on Decision at the 1959 Meeting of the International Commission on Radiological Protection, Addendum to ICRP Publication 1 (1958 Recommendations), Publication 2, 1959.




  1. Recommendations of the International Commission on Radiological Protection (Adopted September 17,1965) Publication 9,1966.




  1. Basic Safety Standards for Radiation Protection, 1967 Edition Safety Series no 9 do Organismo Internacional de Energia Atômica, 1967.




  1. Normas Básicas de Proteção Radiológica, resolução CNEN nº 06/73 publicadas no Diário Oficial da União nº 180 em 19 de setembro de 1973, secção I, parte II, pág. 3.129 a 3.175.

  2. Implications of Commission Recommendations that Doses Be Kept as Low as Readily Achievable, International Commission on Radiological Protection, Publication 22, 1973.




  1. Recommendations of the International Commission on Radiological Protection, Publication 26, 1977.




  1. Limits for Intakes of Radionuclides by Workers, International Commission on Radiological Protection, Publications 30, 1978-82.




  1. Basic Safety Standards for Radiation Protection, 1982 Edition Safety Series no 9 do Organismo Internacional de Energia Atômica, 1982.

  2. Diretrizes Básicas de Radioproteção, publicadas no Diário Oficial da União em 01 de agosto de 1988, Resolução CNEN nº 12/88.

  3. Recommendations of the International Commision on Radiological Protectiom Publication 60, 1991.

  4. Intermational Basic Safety Standards for Protection Against Ionizing Radiation and for the Safety of Radiation and for the Safety of Radiation Sources, Safety Series nº 115 do Organismo Intertnacional de Energia Atômica, 1995.

  5. Diretrizes Básicas de Radioproteção, publicadas no Diário Oficial da União em 06 de janeiro de 2006..

14. ICRP – Publicação nº 64: “Protection from Potential Exposure: A Conceptual

Framework”, a Report form a Task Group of Committee 4 of the International

Commission on Radiological Protection, 1993.


15. General Principles for the Radiation Protection of Workes – International Commission

on Radiological Protection, publicação nº 75, 1997;


16. National Council on Radiation Protection and Measurements Structural Shielding

Design and Evaluation for Medical Use of X-Rays and Gamma Rays of Energies up

to 10 MeV, Washington, DC:NCRP; NCRP Report nº 49; 1976.
17. NCRP and AAPM Revising NCRP 49, Health Physics Journal, pg. 297, vol. 63, nº3,

September 1994.


18. NCRP-116: “Limitation of Exposure to Ionizing Radiation”, Publicação do: “National

Council on Radiation Protection and Measurement”, 1993.


19. NCRP Report nº 147: Structural Shielding Design for Medical X Rays Imaging

Facilities”. Publicação do: “National Council on Radiation Protection and

Measurement, de 19 de novembro de 2004, publicado em 2005.
20. NCRP Report nº 151: “Structural Shielding Design and Evaluation for Megavoltage-X

and Gamma Rays Radiotherapy Facilities”, 31 de dezembro de 2005, publicado em

2006.
21. ARCAL Adopts ICRP Plan, News d Notices, Health Physics Journal, pág. A684 vol.

64, nº 6, junho 1995.


22. The current activities of the International Commission on Radiological Protection,

Roger H. Clarke – Chairman of ICRP, Proceeding of the IRPA 10, 10th International

Congress of the International Radiation Protection Association, Harmonization of the

Human Life and the Ecosystem, 14-19 de maio de 2000, Hiroshima – Japan.


23. Proceeding of the IRPA-11, “11th International Congress of the International Protection

Association, Widening the Radiation Protection World”, de 23 e 28 de maio de 2004,



Madrid, Espanha.







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