Ex-mendigo renova a própria história



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Encontro01.08.2016
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Ex-mendigo renova a própria história

Com 29 anos, Ivan José Teodoro passou cerca de dois anos morando na rua sobre uma cadeira de rodas


Paulo R. Santos | TodoDia Imagem



Ivan José Teodoro: novo caminho
BRUNA MOZER

AMERICANA

Diante de dezenas de vidas parecidas em pontos de Americana onde já é comum encontrar pedintes, mendigos e usuários de drogas, destaca-se uma história que tomou rumo diferente. Ivan José Teodoro tem 29 anos e passou cerca de dois anos morando na rua sobre uma cadeira de rodas. Sem vínculos familiares, conseguiu retomar sua vida, voltou estudar e agora busca uma vaga na universidade para cursar Direito.

Nas últimas semanas, o TodoDia apontou alguns desses problemas sociais da cidade. Levantamento da Secretaria de Promoção Social mostra que chega em Americana, em média, um novo mendigo por dia e com eles, sérios problemas de alcoolismo, depressão, dependência química etc. Segundo a secretária da pasta, Leila Mara Pessotto de Paula, não é comum uma retomada de vida como a que ocorreu com Ivan. “A maioria dos que estão nas ruas são usuários de drogas e de outras cidades, não vemos o desfecho”. A equipe de abordagem da secretaria realizou um trabalho de dois anos até que Ivan resolvesse sair das ruas.

Ivan é cadeirante há oito anos, quando sofreu um acidente de carro. Pouco tempo depois, voltou morar com a mãe após o fim do casamento. “Minha mãe faleceu, aí eu desmontei mesmo. Sentia muita falta dos meus filhos”, conta. A falta de perspectiva de vida e baixa auto-estima são os motivos a que Ivan atribui à situação em que chegou numa rotina comum de quem vive sem casa: pedir dinheiro para comer e dormir em qualquer lugar.

A retomada da vida começou quando passou a confiar no educador social, Cláudio Spinelli Kuraim. “Eu confiei nele. Já tinha passado o sofrimento. A minha cabeça já estava mais clara. Comecei a pensar que ia me acabar se ficasse na rua”, conta. Porém, o grande salto para a retomada de Ivan foi quando ele desafiou o educador, questionando o que teriam para lhe oferecer. “Eu disse: eu não estou nessa porque quero. Eu sei ler, escrever”, relembra. “Ele contou que queria estudar. Era último dia de inscrição do supletivo e fiz a matrícula dele na escola”, conta Kuraim.

Ivan vive um novo momento

Ivan deu um salto. Foi morar com o irmão, voltou cursar o Ensino Médio, se reaproximou dos dois filhos: um menino de dez e uma menina de sete. “Eu queria poder fazer mais coisas por eles. Eles me adoram”, diz emocionado.



Atualmente, Ivan vive num pensionato no bairro Jaguari, com uma renda de um salário mínimo que recebe do INSS (Instituto Nacional de Serviço Social); cursa o primeiro período de técnico Jurídico; se prepara para prestar vestibular e tenta uma vaga na universidade pelo Prouni (Programa Universidade Para Todos).

“Eu sempre quis fazer Direito e a vontade aumentou agora. Quero ajudar quem não tem estudo, não conhece seus direitos. Minha mãe contribuiu 20 anos como enfermeira e morreu numa fila de hospital. Não acho justo”, finaliza. | BM


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