Exercícios de Atualidades. Paulo Lopes. Paulinho. Questão 01. Brasil passa a ter poder de veto no fmi



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Exercícios de Atualidades.

Paulo Lopes. Paulinho.
Questão 01.

Brasil passa a ter poder de veto no FMI

Depois de nove meses de negociações, o Brasil conquistou o direito de ter poder de veto no FMI (Fundo Monetário Internacional). A decisão foi tomada após reunião realizada ontem em Washington. Foi decidido que o Brasil passa a integrar o NAB (Novos Acordos de Empréstimo, na sigla em inglês), com uma contribuição de até US$ 14 bilhões ao Fundo, o que garante ao Brasil ter o poder de veto nas decisões do FMI.

O NAB foi criado em 1998 e conta atualmente com 26 participantes e uma disponibilidade de recursos de US$ 54,5 bilhões. O novo NAB será 11 vezes maior. O valor total deve ficar próximo a US$ 600 bilhões. (Com adaptações).

Tendo o texto como referência inicial, a abrangência do conteúdo e seus conhecimentos, julgue os itens:

I - Com isso, os países do BRICs, formado por Brasil, Rússia, China e Índia, passam a ter o mesmo peso dos países avançados nas reuniões do FMI.

II - Agora, os BRICs, os Estados Unidos, o Japão e países da União Européia terão poder de veto sobre as principais decisões do FMI.

III - O Brasil já havia se comprometido a proporcionar até US$ 10 bilhões para o FMI por meio da compra de bônus de sua emissão. Na reunião, o Brasil decidiu aportar mais US$ 4 bilhões.

IV - O NAB é um pool de reservas que tem como finalidade reforçar a capacidade financeira do FMI. É o principal instrumento pela qual o Fundo financia as suas operações de empréstimos.

Estão corretas as alternativas.


  1. I, II e III.

  2. I, II e IV.

  3. I, II, e IV.

  4. Todas estão corretas.

  5. Somente o item V está incorreto.

Questão 02.

Projeções do PIB em 2010 disparam.



As projeções de bancos e consultorias para o crescimento do Brasil em 2010 estão subindo e já ultrapassam 6%, em alguns casos. Na próxima quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2009, para o qual os analistas preveem expansão em torno de 2% ante o trimestre anterior, na série dessazonalizada.

Em termos anualizados, isso significa um crescimento de 8,2%, ritmo que muitos analistas julgam que possa ser mantido nos dois últimos trimestres deste ano. Um dos destaques da arrancada no segundo semestre deve ser o início da volta do investimento, que despencou no último trimestre de 2008 e no primeiro de 2009, sendo o segmento no Brasil mais abalado pela crise global. No segundo trimestre, o investimento parou de cair, na comparação dessazonalizada com o trimestre anterior, mas agora a expectativa é de uma forte arrancada. Para 2009 como um todo, a previsão média do mercado coletada pelo Banco Central (BC) é de crescimento de 0,2%. O mercado, porém, já voltou o foco para 2010, e a forte mudança das expectativas nos últimos seis vezes está turbinando as projeções. A média das previsões coletadas pelo BC para a expansão do PIB em 2010 pulou de 3,5% em junho para os 5% atuais. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

De acordo com o assunto do texto e seus conhecimentos, julgue as alternativas.

I – com as reservas cambiais acima do valor absoluto da dívida externa, pela primeira vez na história, o Brasil passou de país credor para país devedor no sistema financeiro internacional.

II – o Brasil entrou em recessão técnica, de acordo com o FMI, pois seu crescimento econômico foi negativo durante dois trimestres, no final de 2008 e início de 2009.

III – fator importante para que o Brasil saísse rapidamente da crise internacional foi a sua abertura de relações comerciais com países periféricos. A China Popular superou os EUA da América como o país de maior comércio com o Brasil em 2009, fato que não ocorria desde 1930.

IV – atualmente o maior ponto de estrangulamento da economia brasileira chama se divida interna ou pública, pois, apesar do superávit primário obtido nos últimos anos, os juros da dívida interna são mais elevados.

V – fator importante para que a economia brasileira não fosse afetada pela crise hipotecária ou imobiliária iniciada em 2007 nos EUA, foi a manutenção crescente do superávit comercial nos últimos anos.

Estão corretas as alternativas.


  1. I, II e III.

  2. I, III e V.

  3. II, III e IV.

  4. II, III e V.

  5. I, II e V.

Questão 03.

Petróleo desperta o gigante Brasil, destaca jornal.



Com o petróleo da camada do pré-sal como munição, o gigante Brasil despertou, afirma uma reportagem especial da edição deste domingo do jornal espanhol "El País". A notícia de capa da revista semanal do diário afirma que o "tsunami de ouro negro" na costa brasileira pode financiar as principais ambições do governo de Luiz Inácio Lula da Silva: "Acabar com a pobreza e transformar o Brasil na 6ª potência do mundo, em porta-voz dos países emergentes; em líder da América Latina; integrante do Conselho de Segurança; financiar a saúde e a pesquisa. Cimentar uma indústria nacional poderosa."

A reportagem afirma também que "o futuro do Brasil repousa nas entranhas do Atlântico", mas lembra que para atingir os seus objetivos, o país vai ter que superar a "eterna maldição da repressão, corrupção e desigualdade" que se abateu sobre diversos grandes produtores de petróleo - Nigéria, Venezuela e Irã, além de "monarquias do Oriente Médio".

O jornal espanhol comenta ainda o histórico brasileiro de dependência de importações de petróleo, "até meados dos anos 50, importava 95% do petróleo que consumia".

Modelo dinamarquês 

Hoje, por outro lado, destaca o "El País", as necessidades da indústria petroleira doméstica estão reanimando a economia do Brasil.

"O petróleo está reativando toda a indústria. Desde a siderurgia até o setor têxtil e de comunicações; desde os estudos sísmicos até o armazenamento do cru, do tratamento do gás e da elaboração de fertilizantes."

A reportagem do diário espanhol afirma que o Brasil de Lula quer seguir o modelo da Dinamarca, que "se transformou em uma peculiar e discreta potência petroleira administrada com cautela pelo Estado."


No entanto, a reportagem lembra que o Brasil "não é a Noruega", com sua população de quase 190 milhões de pessoas, 25% de pobres, altas taxas de violência e "más níveis de infra-estrutura e educação.

Entre os desafios brasileiros, o jornal enumera: "burocracia excessiva e corrupção. Graves problemas ambientais na Amazônia. Desequilibrios territoriais entre o paupérrimo norte e o ensolarado sul. E a enorme e histórica desigualdade da divisão da riqueza."

Por isso, a reportagem conclui que o petróleo precisa ser "o motor da mudança", "a pedra angular" do Brasil.

A notícia do "El País" também afirma que embora a promessa da riqueza do pré-sal ainda esteja "distante", ela teria alimentado a esperança do país e posto o País em movimento.

Por fim, o jornal ressalta o fato de o Brasil ter sido um dos primeiros países a dar mostras de recuperação após a crise econômica mundial e afirma que o país tem, sobretudo, "as maiores reservas de otimismo do planeta".

Tendo o texto como referência inicial, marque as alternativas corretas.



  1. Com a descoberta do pré-sal, o Brasil, finalmente, passou de importador para exportador de petróleo bruto.

  2. Com a descoberta de petróleo e gás natural na formação do pré-sal o Brasil pode sofrer as mesmas conseqüências negativas que ocorreu com a maioria dos países nórdicos, passando a ser um mero exportador de produtos primários.

  3. A “síndrome ou maldição holandesa” não assusta o Brasil, pois temos refinarias e pólos petroquímicos ociosos capazes de transformar a maior parte do petróleo extraído do pré-sal. Permitindo a atração de investimentos externos e facilitando um crescimento sustentado acima de 10%, a partir de 2017.

  4. Precisamos ficar atentos para as diferenças quanto aos discursos das autoridades brasileiras e a prática quanto ao uso do petróleo do pré-sal, pois o Brasil já obteve um empréstimo de 10 bilhões de dólares da China Popular, que será pago com a exportação de milhares de barris de petróleo/dia, até 2015.

  5. O Brasil é o país, entre as principais economias, que mais consome energia alternativa e renovável do planeta. A principal fonte de energia consumida no país é a energia renovável e totalmente limpa proveniente do potencial hidráulico.

Questão 04.

Gráficos apresentados mostram os dez países com as maiores reservas de petróleo e gás natural em reservas comprovadas até janeiro de 2008.



Posição País.

1 Rússia


2 Irã

3 Catar


4 Arábia Saudita

5 Emirados Árabes Unidos

6 Estados Unidos

7 Nigéria

8 Argélia

9 Venezuela

10 Iraque.


Posição País.

1 Arábia Saudita

2 Canadá

3 Irã


4 Iraque

5 Kuwait


6 Emirados Árabes Unidos

7 Venezuela

8 Rússia

9 Líbia


10 Nigéria

Disponível em: http://indexmundi.com. Acesso em: 12 ago. 2009 (adaptado).


As reservas venezuelanas figuram em ambas as classificações por quê?

A) a Venezuela já está integrada ao MERCOSUL.

B) são reservas comprovadas, mas ainda inexploradas.

C) podem ser exploradas sem causarem alterações ambientais.

D) já estão comprometidas com o setor industrial interno daquele país.

E) a Venezuela é uma grande potência energética mundial.

Questão 05.

“Qual a diferença entre o assassinato de milhares de civis em um ataque no Afeganistão e a matança de milhares de pessoas por contaminação da água? Ou entre a fome causada pelos conflitos tribais na África e a fome causada pela destruição do solo e uso indevido da terra? A definição de transgressões aos direitos humanos não se limita mais ao que fizeram as ditaduras – sequestro, desaparecimento e tortura.”

Adolfo Pérez Esquivel, a convite da ONG Serviço, Paz e Justiça.

Revista Veja, 25 nov. 2009, p. 21 e 24.
A perspectiva do autor remete à ampliação dos direitos humanos, incorporando-se novo conjunto de direitos àqueles já tradicionalmente defendidos. Esse novo conjunto corresponde, especificamente, aos direitos

(A) civis. (B) ambientais. (C) políticos. (D) econômicos. (E) culturais.


Questão 06.

Em 2009, a situação política de Honduras caracterizou-se por forte instabilidade, desencadeada, em junho, pela deposição do presidente Manuel Zelaya e posterior eleição de outro presidente, Porfírio Lobo. Para o Brasil, trata-se de assunto internacional de especial interesse, haja vista a acolhida do presidente deposto na embaixada brasileira em Tegucigalpa. A instabilidade política do país agravou-se, no início de dezembro de 2009, em decorrência da decisão do Congresso hondurenho de.

(A) rejeitar a restituição do presidente deposto ao poder.

(B) pressionar a saída de Zelaya da embaixada brasileira.

(C) considerar politicamente inviável a conciliação.

(D) apoiar oficialmente a colaboração do governo venezuelano.

(E) rechaçar legalmente a legitimidade da Organização dos Estados Americanos.
Questão 07.

UM ESTRANHO NO BLOCO?

O Senado brasileiro aprovou, por 35 votos a favor contra 27, a entrada de novo membro latino-americano no bloco regional MERCOSUL. Se o Paraguai liberar o ingresso do novo membro – Argentina e Uruguai já deram seu aval – o recém-chegado terá direito a votos nas decisões do grupo e poderá vetar eventuais acordos com outros países.



Revista Época, 21 dez. 2009, p. 124. (Adaptado)
O país latino-americano que recebeu o aval dos três membros do MERCOSUL é o(a)

(A) Chile. (B) Equador. (C) Bolívia. (D) Colômbia. E) Venezuela.


Questão 08.

Em dezembro de 2009, realizou-se a Conferência do Clima COP-15, em Copenhague, reunindo representantes de 193 nações. Das negociações e impasses, surge um acordo, sem força de lei, firmado por Brasil, Estados Unidos, China, Índia e África do Sul. Com relação ao acordo, analise as propostas a seguir.


I – A temperatura global não pode aumentar além de 2º C acima dos níveis pré-industriais.

II – Devem ser criados incentivos financeiros para projetos de REED (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação).

III – Cortes profundos nas emissões de CO2 são necessários, e os países devem fornecer informações sobre a implementação de suas ações.
É(São) pertinente(s) ao acordo a(s) proposta(s).

(A) I, apenas. (B) I e II, apenas. (C) I e III, apenas. (D) I, II e III. (E) II e III, apenas.


Questão 09.


EM PROTESTO em Genebra, manifestantes antiglobalização seguram velas com os dizeres “abaixo a OMC”

O Globo, 1º dez. 2009.
Os manifestantes da foto têm como foco de protesto a atuação da Organização Mundial do Comércio (OMC), que conduz as negociações da Rodada de Doha.

Dentre os alvos dos protestos, destaca-se a seguinte diretriz da Rodada de Doha:

(A) fragilização do comércio multilateral.

(B) consolidação do protecionismo econômico.

(C) liberalização do comércio mundial.

(D) aprofundamento da estatização do comércio.

(E) expansão dos subsídios econômicos domésticos.

Questão 10.

Ao final de 2009, o BNDES aprovou financiamento de parques geradores de energia no Ceará, nos municípios de Aracati e São Gonçalo do Amarante. Os projetos aprovados fazem parte do PROINFA, o programa do governo de incentivo a investimentos em fontes alternativas, que contribuam para a diversificação da matriz energética brasileira, empregando recursos renováveis. Os projetos aprovados contemplam parques geradores de energia

(A) eólica. (B) hidrelétrica. (C) termelétrica. (D) maremotriz. (E) solar.
Questão 11.

CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA AUMENTA

Segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS), registrou-se um aumento de 7,5% do consumo de energia elétrica no Brasil, em novembro de 2009, em relação a novembro do ano anterior. O sistema Sudeste foi o que mais se recuperou com alta de 9,7%. A região Sul ficou em segundo lugar, com alta de 7,3%. A região Norte foi a única a continuar apresentando queda na comparação anual. Jornal do Brasil, 4 dez. 2009.

O aumento do consumo de energia elétrica teve como um fator principal, no período, a(o)

(A) expansão da eletrificação rural por regiões.

(B) retomada da atividade industrial.

(C) suspensão de políticas de racionamento.

(D) reconfiguração dos fusos horários do País.

(E) desmembramento do Sistema Nacional de Energia.


Questão 12.


País africano, localizado na borda leste do continente, entrando pelo Golfo de Áden, uma das rotas de navegação mais movimentadas do mundo, chama a atenção pela pirataria. Mais de 20 mil navios mercantes passam pelo Golfo a cada ano, tornando-se alvos atrativos para os piratas. O Escritório Marítimo Internacional contou cerca de 40 sequestros bem-sucedidos em 2008 e outros 31 na primeira metade de 2009. Navios de guerra da União Europeia, dos Estados Unidos e de outras potências patrulham as águas agora.

The economist, licenciada para Carta Capital, janeiro/fevereiro de 2010, p. 105. (Adaptado)

O país africano em foco é.

(A) Nigéria. (B) Sudão. (C) Eritreia. (D) Angola. (E) Somália.
Questão 13.

De acordo com o Censo Escolar da Educação Básica 2009, o número de matrículas, na educação básica, caiu 1,2%, passando de 53,3 milhões para 52,5 milhões de alunos, entre 2008 e 2009. O ensino básico vai da creche ao último ano do ensino médio e inclui a educação profissional, especial e de jovens e adultos.

O resultado da pesquisa reflete a atuação de qual fator específico?

(A) Redução de classes extracurriculares

(B) Melhora do fluxo escolar

(C) Restrição ao ensino profissionalizante

(D) Fim da evasão escolar de jovens e adultos

(E) Elevação da expectativa de vida no país.


Questão 14.

No presente, observa-se crescente atenção aos efeitos da atividade humana, em diferentes áreas, sobre o meio ambiente, sendo constante, nos fóruns internacionais e nas instâncias nacionais, a referência à sustentabilidade como princípio orientador de ações e propostas que deles emanam. A sustentabilidade explica-se pela

A) incapacidade de se manter uma atividade econômica ao longo do tempo sem causar danos ao meio ambiente.

B) incompatibilidade entre crescimento econômico acelerado e preservação de recursos naturais e de fontes não renováveis de energia.

C) interação de todas as dimensões do bem-estar humano com o crescimento econômico, sem a preocupação com a conservação dos recursos naturais que estivera presente desde a Antiguidade.

D) proteção da biodiversidade em face das ameaças de destruição que sofrem as florestas tropicais devido ao avanço de atividades como a mineração, a monocultura, o tráfico de madeira e de espécies selvagens.

E) necessidade de se satisfazer as demandas atuais colocadas pelo desenvolvimento sem comprometer a capacidade de as gerações futuras atenderem suas próprias necessidades nos campos econômico, social e ambiental.
Questão 15.

Com a perspectiva do desaparecimento das geleiras no Polo Norte, grandes reservas de petróleo e minérios, hoje inacessíveis, poderão ser exploradas. E já atiçam a cobiça das potências.


KOPP, D. Guerra Fria sobre o Ártico. Le monde diplomatique Brasil. Setembro, n. 2, 2007 (adaptado).
No cenário de que trata o texto, a exploração de jazidas de petróleo, bem como de minérios – diamante, ouro, prata, cobre, chumbo, zinco – torna-se atraente não só em função de seu formidável potencial, mas também por.

A) situar-se em uma zona geopolítica mais estável que o Oriente Médio.

B) possibilitar o povoamento de uma região pouco habitada, além de promover seu desenvolvimento econômico.

C) garantir, aos países em desenvolvimento, acesso a matérias-primas e energia, necessárias ao crescimento econômico.

D) contribuir para a redução da poluição em áreas ambientalmente já degradadas devido ao grande volume da produção industrial, como ocorreu na Europa.

E) promover a participação dos combustíveis fósseis na matriz energética mundial, dominada, majoritariamente, pelas fontes renováveis, de maior custo.


Questão 16.

O homem construiu sua história por meio do constante processo de ocupação e transformação do espaço natural. Na verdade, o que variou, nos diversos momentos da experiência humana, foi a intensidade dessa exploração.

Disponível em: http://www.simposioreformaagraria.propp.ufu.br. Acesso em: 09 jul. 2009 (adaptado).

Uma das consequências que pode ser atribuída à crescente intensificação da exploração de recursos naturais, facilitada pelo desenvolvimento tecnológico ao longo da história, é.

A) a diminuição do comércio entre países e regiões, que se tornaram autossuficientes na produção de bens e serviços.

B) a ocorrência de desastres ambientais de grandes proporções, como no caso de derramamento de óleo por navios petroleiros.

C) a melhora generalizada das condições de vida da população mundial, a partir da eliminação das desigualdades econômicas na atualidade.

D) o desmatamento, que eliminou grandes extensões de diversos biomas improdutivos, cujas áreas passaram a ser ocupadas por centros industriais modernos.

E) o aumento demográfico mundial, sobretudo nos países mais desenvolvidos, que apresentam altas taxas de crescimento vegetativo.
Questão 17.

O petróleo não é uma matéria-prima renovável e precisou de milhões de anos para sua criação. A maioria dos poços encontra-se no Oriente Médio, na antiga União Soviética e nos EUA. Sua importância aumentou desde meados do século XIX, quando era usado na indústria e hoje é um dos grandes fatores de conflitos no Oriente Médio. Aponte as três primeiras grandes crises do petróleo nos últimos anos.

(A) A primeira foi em 1973, quando os EUA tentaram invadir Israel para dominar os poços petrolíferos desse país; a segunda foi em 1979, quando foi criado o Estado da Palestina e eclodiu o conflito com a Arábia Saudita; a terceira foi em 1991, quando começou a guerra do Iraque.

(B) A primeira foi em 1973, quando houve uma crise de produção no Oriente Médio, levando ao aumento do preço dos barris de petróleo no mundo todo; a segunda foi em 1979, quando o Kuwait se recusou a vender petróleo para os EUA; a terceira foi em 1991, quando começou a guerra dos EUA contra o Afeganistão.

(C) A primeira foi em 1973, devido ao conflito árabe-israelense; a segunda em 1979, quando os árabes diminuíram a produção de barris; a terceira em 1991, que acabou gerando a Guerra do Golfo, quando o Iraque invadiu o Kuwait.

(D) A primeira foi em 1973, quando o Iraque invadiu a Palestina; a segunda foi em 1979, período de baixa produção de petróleo no Oriente Médio; a terceira foi em 1991, devido à Guerra do Golfo.

(E) A primeira foi em 1973, quando vários países do mundo exigiram a fundação da OPEP para controlar os preços dos barris de petróleo; a segunda foi em 1979, quando se deu o conflito árabe-israelense; a terceira foi em 1991, quando teve início a guerra da Palestina.
Questão 18.

A fábrica global instala-se além de toda e qualquer fronteira, articulando capital, tecnologia, força de trabalho, divisão do trabalho social e outras forças produtivas. Acompanhada pela publicidade, a mídia impressa e eletrônica, a indústria cultural, misturadas em jornais, revistas, livros, programas de rádio, emissões de televisão, videoclipes, fax, redes de computadores e outros meios de comunicação, informação e fabulação, dissolve fronteiras, agiliza os mercados, generaliza o consumismo. Provoca a desterritorialização e reterritorialização das coisas, gentes e idéias. Promove o redimensionamento de espaços e tempos.

(Octavio Ianni, Teorias da Globalização, 2002.)

Partindo da metáfora de fábrica global de Octavio Ianni, pode-se identificar como características da globalização.

(A) o amplo fluxo de riquezas, de imagens, de poder, bem como as novas tecnologias de informação que estão integrando o mundo em redes globais, em que o Estado também exerce importante papel na relação entre tecnologia e sociedade.

(B) a imposição de regras pelos países da Europa e América do Sul nas relações comerciais e globais que oprimem os mais pobres do mundo e se preocupam muito mais com a expansão das relações de mercado do que com a democracia.

(C) a busca das identidades nacionais como única fonte de significado em um período histórico caracterizado por uma ampla estruturação das organizações sociais, legitimação das instituições e aparecimento de movimentos políticos e expressões culturais.

(D) o multiculturalismo e a interdependência que somente podemos compreender e mudar a partir de uma perspectiva singular que articule o isolamento cultural com o individualismo.

(E) a existência de redes que impedem a dependência dos pólos econômicos e culturais no novo mosaico global contemporâneo.



Questão 19.

Segundo Jacques Diouf, diretor-geral da FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação –, a crise silenciosa da fome, que afeta um sexto de toda a humanidade, constitui um sério risco para a segurança e a paz mundial (...). Hoje, o aumento da fome é um fenômeno global. Todas as regiões foram afetadas. (Folha de S.Paulo, 20.06.2009.)

A notícia reflete preocupações inerentes à nova ordem mundial. De que modo pode-se explicar o fenômeno da fome nos dias de hoje?

(A) A fome hoje é uma consequência da falência das economias da China, Índia e Indonésia, que estão entre as que melhor absorvem o impacto da crise.

(B) O número de miseráveis no mundo aumentou por causa da bipolarização econômica, que transferiu riquezas para os países periféricos do hemisfério sul.

(C) A produção de alimentos no mundo diminuiu drasticamente, devido à falta de investimentos econômicos na zona rural.

(D) A fome começou a se espalhar pelo mundo depois do início da globalização, quando milhões de pessoas abandonaram o campo, devido à industrialização e urbanização do meio rural.

(E) A crise econômica aumentou o desemprego e reduziu o poder de compra da população, além de ter contribuído para o aumento nos preços dos alimentos.



Questão 20.

Um editorial do jornal Folha de S.Paulo gerou polêmica e protestos no início de 2009. No entender do editorialista (...) as chamadas “ditabrandas” – caso do Brasil entre 1964 e 1985 – partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça (...). (Folha de S.Paulo, 17.02.2009.)

O termo “ditabranda” reporta-se ao.

(A) golpe político aplicado por Getúlio Vargas; encerramento da chamada República Velha; repressão ao Partido Comunista; políticas econômicas de cunho nacionalista; suicídio de Vargas e divulgação da carta-testamento.

(B) período do coronelismo na política brasileira; ocorrência de fraudes nas eleições, através do chamado voto de cabresto; polícia política constituída por capangas e jagunços.

(C) período de Juscelino Kubitschek; imposição do crescimento econômico através da industrialização; slogan governamental “50 anos em 5”; tempo de democracia restrita, com voto censitário.

(D) golpe político-militar que instalou a ditadura; imposição de Atos Institucionais; extinção dos partidos existentes; instituição do bipartidarismo – ARENA e MDB; repressão à oposição e censura à imprensa.

(E) período de redemocratização; eleições diretas para o executivo, legislativo e judiciário; urbanização acelerada e enfraquecimento do poder dos presidentes da república.


Questão 21.

No final dos anos 80 algumas nações começaram a se preocupar com as questões ambientais, visto que a degradação ambiental representa um risco iminente para a estabilidade da nova ordem mundial. São soluções plausíveis.

(A) as mudanças de estilo de vida, ações de saneamento e a reciclagem do lixo, visando à diminuição dos resíduos não orgânicos despejados no meio ambiente.

(B) a diminuição do despejo de produtos químicos nos rios e mares e o aumento do uso de aparatos científicos e tecnológicos nas guerras.

(C) a propagação de informações sobre educação ambiental, contribuindo para a ação predatória do homem sobre a natureza.

(D) o emprego de recursos naturais de forma racional para que a industrialização dos países desenvolvidos possa gerar a dependência econômica de nações e economias periféricas.

(E) a promoção do desenvolvimento sustentável, que atenda aos interesses da preservação do meio sócio-ambiental dos países ricos.

Questão 22.

Nunca na história da humanidade houve tão grande concentração de poder nuns poucos lugares nem tamanha separação e diferença no interior da comunidade humana. Formou-se um mundo quase totalmente integrado – um sistema mundo – evidentemente controlado a partir de alguns centros de poderes econômicos e políticos. (Olivier Dollfus, 1994. Adaptado.)

Neste sistema mundo contemporâneo pode-se identificar que.

(A) as maiores potências nucleares do século XXI são: Estados Unidos, França, Canadá, Japão, Alemanha, Índia e Paquistão.

(B) o Ocidente não tem medo da proliferação de armas nucleares principalmente em regimes hostis aos Estados Unidos.

(C) o Irã, a Síria e o Mianmar formam um grupo de países que abriram mão de seus projetos voltados à proliferação da tecnologia de armas nucleares.

(D) a Coréia do Norte tem grande dependência da China, por ser esta a maior exportadora de alimentos e energia aos norte - coreanos.

(E) a paz entre os palestinos e Israel depende apenas de acordos com os EUA.

Questão 23.

Analise as afirmações sobre os recursos naturais brasileiros e os biomas que os agregam.

I. Na Amazônia, a expansão agrícola e a presença de assentamentos, a partir das margens de novas rodovias, não colaboram com a degradação da floresta.

II. O estudo da biodiversidade dos biomas brasileiros pode gerar riqueza e crescimento econômico na forma de novos medicamentos e novas fontes de biocombustível.

III. O cerrado, desde que corretamente manejado, é ideal para o cultivo da soja e para a criação de gado e por apresentar espécies arbóreas, arbustivas e herbáceas, frequentemente devastadas por queimadas, é considerado como um bioma pouco expressivo em biodiversidade.

IV. Os desmatamentos e as queimadas da Floresta Amazônica transformam os solos férteis, ricos em húmus, em solos frágeis e pobres em nutrientes, tornando-os inadequados à agricultura.

V. A conservação de áreas com vegetação nativa ajuda a purificar e manter os cursos d’água, restaurando o solo e diminuindo o impacto das mudanças climáticas.

(Edward O. Wilson. Veja, Edição Especial 40 anos, Setembro/2008. Adaptado.)

Estão corretas apenas as afirmações.

(A) I, II e III.

(B) III, IV e V.

(C) II, IV e V.

(D) I, II e IV.

(E) II,III e V.


Questão 24.

A desaceleração econômica causada pela crise global, desde o fim do ano de 2008, na maioria dos países provocou desemprego e muitos projetos de desenvolvimento foram adiados. Esse fato influenciou diretamente na emissão de gases poluentes na atmosfera.

Em consequência desse fato é possível afirmar:

I. A queda na produção industrial provocou aumento da emissão de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

II. Em muitos países, os investimentos para o desenvolvimento de energias renováveis aumentaram, na tentativa de diminuir a dependência excessiva de combustíveis fósseis.

III. Com a diminuição da produção industrial em várias partes do mundo, o tráfego de caminhões caiu, amenizando as emissões de gases que causam as mudanças climáticas e a poluição local em grandes centros urbanos.

IV. Com a redução da demanda de aço no mundo, dezenas de pequenas siderúrgicas em alguns países em desenvolvimento tiveram de parar as suas atividades e, em consequência, a concentração de dióxido de enxofre (SO2), substância responsável pela chuva ácida, aumentou expressivamente nesses lugares.

V. Com o preço da soja e da carne em queda no Brasil, houve menos incentivos para derrubar a floresta e substituí-la por pastos ou lavouras, tendo, como consequência, a redução, na Amazônia, do desmatamento no período de agosto de 2008 a janeiro de 2009, quando comparado ao mesmo período do ano anterior.

(www.planetasustentavel.abril.com.br/notícia/ambiente/ Adaptado.)

Estão corretas apenas as afirmações:

(A) I, II e III.

(B) III, IV e V.

(C) II, IV e V.

(D) I, II e IV.

(E) II, III e V.

Questão 25.

O efeito estufa é um fenômeno natural e consiste na retenção de calor irradiado pela superfície terrestre, pelas partículas de gases e água em suspensão na atmosfera que garante a manutenção do equilíbrio térmico do planeta e da vida. O efeito estufa, de que tanto se fala ultimamente, resulta de um desequilíbrio na composição atmosférica, provocado pela crescente elevação da concentração de certos gases que têm a capacidade de absorver calor. Qual das ações a seguir seria mais viável para minimizar o efeito acelerado do aquecimento global provocado pelas atividades do homem moderno?

(A) Redução dos investimentos no uso de tecnologias voltada para a captura e sequestro de carbono.

(B) Aumento da produção de energia derivada de fontes alternativas, como o xisto pirobetuminoso e os micro-organismos manipulados geneticamente.

(C) Reduzir o crescimento populacional e aumentar a construção de usinas termelétricas.

(D) Reflorestamento maciço em áreas devastadas e o consumo de produtos que não contenham CFCs (clorofluorcarbonetos).

(E) Criação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) pelo Brasil e do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) pelos EUA.

Questão 26.

A Coreia do Norte e a Coreia do Sul foram delimitadas após a 2.ª Guerra Mundial, quando soviéticos e americanos dividiram a península da Coreia no paralelo 38°N. Durante o período da Guerra Fria a reunificação se tornou inviável, surgindo em 1948 as duas Coreias. Nos últimos 56 anos as duas Coreias se mantiveram em estado de guerra. A tensão nesta área se torna crítica em 2009, devido ao fato de a Coreia do Norte ter realizado testes nucleares.

(Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo. Coreia do Norte deixa armistício e ameaça Seul com ataque militar, Maio/2009. Adaptado.) Ao fazer uma retrospectiva deste período histórico é possível afirmar que:

(A) As tensões permaneceram restritas a tiroteios na fronteira entre as duas Coreias até que a Revolução Chinesa, em 1929, encorajou a Coreia do Norte a tentar unificar a península sob a bandeira do comunismo.

(B) Em junho de 1914, tropas norte-coreanas invadiram a Coréia do Sul, sendo que os EUA usaram a ONU para legitimar uma intervenção internacional e expulsaram os comunistas, ultrapassaram o paralelo 38ºN, chegando até a fronteira com a China.

(C) Em nenhum momento histórico Mao Tse-tung apoiou a Coréia do Norte, que, desta maneira, não conseguiu empurrar os americanos para o paralelo 38ºN e delimitar seu território.

(D) Os dois lados negociaram só um cessar-fogo, em 1983, o que manteve as duas Coréias em estado de guerra.

(E) A Coreia do Norte ameaçou, em 2009, atacar militarmente a Coreia do Sul e romper o acordo de armistício de 1953.
Questão 27.

Segundo Samuel Huntington, a política mundial está sendo reconfigurada seguindo linhas culturais e civilizacionais, nas quais o papel das religiões é muito importante.

Correlacione as duas colunas:
Religiões Países

1. Hinduísmo a. Egito

2. Protestantismo b. México

3. Islamismo c. Índia

4. Catolicismo d. Estados Unidos

Os países e suas respectivas religiões predominantes são:

(A) 1b, 2c, 3a e 4d.

(B) 1c, 2a, 3d e 4b.

(C) 1b, 2c, 3d e 4a.

(D) 1c, 2d, 3a e 4b.

(E) 1b, 2d, 3c e 4a.
Textos para leitura.

1 ) "Brasil foi o que mais avançou, mas precisa de menos governo na economia", diz criador dos BRICs


10/02 - 09:36 - Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro

O economista inglês Jim O’Neill, de 52 anos, está animado com o Brasil. Chefe do departamento de pesquisas econômicas globais do Goldman Sachs, onde coordenou o trabalho que criou a célebre sigla BRIC, ele acha que o Brasil foi o país responsável pelo maior avanço rumo à confirmação do prognóstico feito em 2001: o de que Brasil, Rússia, Índia e China se tornariam as novas potências mundiais em meados do século , ultrapassando EUA, Japão, Alemanha, Inglaterra, França e Itália no clube das economias mais poderosas do planeta.

Pois, segundo ele, a China vai avançar ainda este ano sobre o posto do Japão, tornando-se a nº 2, o Brasil “em breve” desafiará Inglaterra e França, e Índia e Rússia não estão muito longe disso. “O verdadeiro sucesso brasileiro foi a tomada de um crescimento ‘inclusivo’”, diz O’Neill, em entrevista ao iG, na qual elogia a estabilidade macroeconômica do País e classifica de “sábio” o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.








Na entrevista a seguir, concedida de seu escritório, em Londres, O’Neill descreve as vantagens e desvantagens de brasileiros, russos, indianos e chineses. Do Brasil, em especial, ressalta o fato de termos, entre os quatro BRICs, a “democracia mais avançada”, indicadores e políticas macroeconômicos “bons e estáveis” e uma demografia favorável ao crescimento sustentado: uma população economicamente ativa que continuará a crescer até 2025.

Mas o economista também faz cobranças. Defende ações mais enérgicas do Brasil contra a corrupção e pede menor intervenção estatal na economia. “A participação dos gastos do governo precisa ser mais controlada em 2010”, sugere.

Jim O’Neill estará no Brasil neste mês. Será uma das principais estrelas de um seminário organizado pela Prefeitura do Rio, destinado a discutir e apresentar propostas para a próxima reunião de cúpula dos BRICs, prevista para abril, em Brasília.

Assunto da moda no debate internacional, o sucesso do grupo de países heterogêneos e jamais concebidos como um bloco fizeram O’Neill e a sua equipe atualizarem o trabalho original. Nove anos atrás, a previsão inicial olhava para 2050, depois reduziu o horizonte para 2041, mais tarde para 2039 e em seguida para 2032. Agora a estrela do Goldman Sachs já fala em 2020. “Esses países deviam me conceder o título de cidadão honorário”, brinca.



Para muitos dos seus críticos, no entanto, o termo não passou de uma peça publicitária concebida para vender mais papéis dos países emergentes após as crises do México, da Rússia e da Ásia. Nesta entrevista ao iG, O’Neill também responde aos críticos: “Não tínhamos ideia de que isso se tornaria tão grande. Mas a realidade vem confirmando nossas previsões”.


iG: O seminário do qual o senhor participará no Rio pretende apresentar proposta de pauta e conteúdo da próxima reunião de cúpula dos BRICs, prevista para abril, no Brasil. O que se pode esperar como avanço dessa cúpula?
O’Neill: Eu acho excelente a ideia de trazer para o líderes dos BRICs e seus conselheiros um conjunto de políticas a serem trabalhadas, e ajudar a executar reformas mais profundas em matéria de produtividade e crescimento sustentado. Imagino que isso possa fazer com que esses países sejam capazes de atuar melhor, tanto separadamente quanto no contexto do G-20.

iG: O senhor tem afirmado que a crise econômica global favorecerá o grupo e vai acelerar as mudanças na economia que garantirão a Brasil, Rússia, Índia e China ocupar um lugar de destaque entre as potências mundiais já em 2020. Dentro dessa projeção, como o Brasil aparece em relação aos demais integrantes do grupo?
O’Neill: O Brasil está numa boa posição. No Goldman Sachs nós calculamos escores numéricos para o crescimento sustentado, um índex que vai de zero a 10 em algumas variáveis que pensamos serem relevantes. O escore do Brasil está em torno de 5.3. Está ao lado da China, que também tem 5.3. Rússia tem 5.1 e Índia 4.0. O Brasil é também o que melhor avançou para que nossa projeção de longo prazo se confirme, a de que todos esses países se tornarão líderes da economia global. Eles terão de trabalhar para crescer mais esses escores. Algo em torno de 7.0 é a nossa sugestão para que eles definitivamente cheguem lá.

iG: Mas para ampliarem esses escores e para que “cheguem lá” em 2020, os quatro países precisarão de reformas ou podem continuar com seus atuais modelos de desenvolvimento?
O’Neill: Todos precisam continuar a ampliar o uso de tecnologia, de computadores e de internet de suas populações. O Brasil, em especial, precisa fazer mais para reduzir a corrupção, impulsionar o comércio internacional e o investimento externo, e reduzir o papel do governo. A Rússia precisa reduzir dramaticamente a corrupção, também impulsionar comércio internacional e o investimento estrangeiro, e ampliar o uso da tecnologia para além da elite. A Índia tem necessidades similares ao Brasil e à Rússia, e também precisa melhorar dramaticamente sua infraestrutura, e crescer consideravelmente os níveis de educação básica e superior. A China precisa continuar a trabalhar para ampliar o uso de tecnologia, também reduzir a corrupção e – seu maior desafio – manter a estabilidade política e social enquanto cresce a riqueza de seus cidadãos.

iG: Quais as vantagens e desvantagens de cada um?
O’Neill: China e Índia apresentam maior vantagem pelo fato de terem mais de um bilhão de habitantes, muitos dos quais ainda estão se urbanizando. Essa é uma grande vantagem para o crescimento. O Brasil tem vantagens no fato de ter uma população jovem e dinâmica, que ainda está crescendo. É também o que tem uma democracia mais avançada, seus indicadores e políticas macroeconômicos são bons e estáveis. Não estou certo de que o fator commodity é necessariamente uma clara vantagem como muitos dizem. É claro que isso ajuda o Brasil para crescer mais facilmente. Mas isso também pode distrair o País de outras coisas.

iG: Por exemplo?
O’Neill: Por exemplo, pode afastar o Brasil da preocupação de ampliar investimentos e produtividade em não-commodities. Os maiores desafios do Brasil, lembre-se, são abrir-se mais para o comércio global e o investimento e reduzir a participação do governo na economia.

iG: E a Rússia? É o patinho feio do grupo?
O’Neill: A Rússia é frequentemente criticada, difamada, mas não é tão fraca quanto muitos dizem. Os preços do petróleo e sua dependência ao petróleo são fatores igualmente positivos e um transtorno, e é claro, comparado com os outros três, sua demografia é fraca. Até 2050, a população economicamente ativa da Rússia vai diminuir 25%. No Brasil, ela continuará a crescer. Esse é um ponto muito importante.

iG: O Goldman Sachs prevê que os BRICs se tornarão potências globais. Ao mesmo tempo, a renda per capita dos países do atual G7 continuará aumentando. Os recursos naturais vão aguentar a pressão de tanta demanda?
O’Neill: Há poucos anos, nós aplicamos nossas projeções para 2050 para os mercados de energia e, em muitos aspectos, isso pode ser considerado como um teste para todos os recursos naturais. Descobrimos que, a partir de 2020, aproximadamente, quando China atingirá um certo nível de tamanho e riqueza, e sua população terá envelhecido, a demanda por recursos vai diminuir drasticamente, bem como o grau de eficiência será mais forte. Portanto, vemos isso como um desafio de 20 anos, e não um problema vitalício.

iG: Os EUA relutam em se comprometer com metas de redução de emissões de gases do efeito estufa. O uso de energia verde é incompatível com o desenvolvimento?
O’Neill: Eu não acho que seja de todo incompatível, é fato. Se você olhar especificamente a China, fica claro que energias alternativas têm se tornado uma das principais metas de suas políticas. Seu plano para os próximos cinco anos terão metas muito específicas para o uso de energias alternativas. Isso é muito interessante. Esse é outra decepção sobre os EUA, que não pode se organizar nesta área.

iG: A demanda chinesa e indiana por recursos naturais tende a diminuir. Isso pode ser um problema para o Brasil, onde muitos críticos alertam para o risco de o País se tornar um exportador basicamente de commodities. Como o senhor vê esse problema?
O’Neill: Não vejo isso como um problema. As oportunidades de longo prazo para o Brasil estão ligadas à sua economia doméstica, seus 200 milhões de pessoas e sua capacidade de poupar, investir e consumir. O maior problema que o Brasil enfrentou nos últimos 30 anos foi a hiperinflação. O essencial agora é o governo incentivar um ambiente de baixa inflação, baixa taxa de juros e onde as empresas vão querer assumir riscos e investir. Com expectativas baixas de inflação, haverá mais confiança no País.

iG: Muitos economistas brasileiros criticam a expansão de gastos com o presidente Lula. Essa expansão é explicada pela crise? Ou seria possível conter os gastos mesmo num ambiente de turbulência internacional?
O’Neill: O governo Lula tem sido, em geral, muito sábio ao fornecer crédito a empresas e consumidores. O verdadeiro sucesso foi a tomada de um crescimento “inclusivo” e isso deu a ele um grande mandato para o crescimento. No entanto, a participação dos gastos do governo precisa ser mais controlada em 2010. O que o governo brasileiro poderia fazer é não se envolver tanto em assuntos econômicos.

23/02/2010 - 17h11


2) América Latina aprova criação de novo bloco regional sem os EUA.

Os presidentes dos países da América Latina e do Caribe aprovaram, nesta terça-feira em Cancún, no México, a criação de um novo bloco que represente todas as nações da região sem a participação do Canadá e dos Estados Unidos.

O organismo se chamaria, temporariamente, Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e iniciaria suas atividades a partir de julho de 2011 – data da próxima Cúpula da América Latina e do Caribe em Caracas, na Venezuela.

“Finalmente há um consenso sobre isso, também houve discussões intensas”, disse o presidente do México, Felipe Calderón. Segundo ele, o novo bloco deve “impulsionar a integração regional e promover a agenda regional em encontros globais”.

Até agora, os líderes ainda não incluíram Honduras no novo grupo regional.

O bloco seria uma alternativa à Organização dos Estados Americanos (OEA) – o principal fórum das relações regionais nos últimos 50 anos. A OEA tem sofrido críticas de seus próprios membros após uma série de embates políticos e comerciais entre países da região e os Estados Unidos.


Princípios


O novo organismo foi aprovado pelos 25 chefes de Estado e de governo que participaram da Cúpula no México.

Segundo o comunicado divulgado pelos líderes, o bloco terá entre seus princípios promover o respeito ao direito internacional, a igualdade dos Estados, evitar o uso de ameaça de força e trabalhar a favor do meio ambiente na região.

Além disso, o organismo deve promover a integração política da região assim como o diálogo com outros blocos. As regras de operação definitivas deverão ser adotadas no evento de Caracas, no próximo ano, ou na Cúpula que ocorrerá no Chile, em 2012.

'Substituição'


O presidente de Cuba, Raúl Castro, elogiou o anúncio sobre a aprovação do novo bloco, que incluiria o país, diferentemente da OEA.

Cuba foi suspensa da Organização dos Estados Americanos em 1962 por causa do sistema político socialista da ilha. Em 2009, a OEA decidiu aceitar novamente os cubanos no bloco, mas Cuba rejeitou.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, já havia expressado seu apoio à proposta, afirmando que seria uma ação para distanciar a região da “colonização” americana.

Um representante do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que não acredita que o novo bloco substituirá a OEA. Os termos do novo organismo e a eventual substituição do Grupo do Rio e da Cúpula da América Latina e do Caribe pelo novo bloco ainda não foram esclarecidos.



Segundo o presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, “é muito importante que não tentemos substituir a OEA”. “A OEA é uma organização permanente e tem suas próprias funções”, disse.






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