Exposição de motivos



Baixar 10.78 Kb.
Encontro01.08.2016
Tamanho10.78 Kb.



Projecto de Recomendação



Lagoa, 5 de Dezembro de 2005

Exposição de motivos
Este ano, ao termos como tema proposto para debate “A Língua Portuguesa”, vimo-nos face a um obstáculo inicial que foi a sua vastidão e subjectividade no que respeita a sua abordagem. Assim, optou-se por realizar um estudo em torno do tema referido, que nos indicasse o melhor caminho a seguir. Do estudo realizado e do intenso debate que se gerou em seu redor, a nossa caminhada vislumbrou-se mais clara e menos árdua, possibilitando-nos, deste modo, assentar o nosso trabalho, essencialmente, na dualidade preservação/divulgação da língua materna.

Se a nossa “pátria é a língua portuguesa”, há, portanto, que preservá-la e dignificá-la. Todavia, todos sabemos que essa é uma tarefa difícil que vê, no trato que diariamente é dado ao nosso património linguístico oral e escrito, na sua divulgação e consolidação, o sucesso ou insucesso da sua preservação como língua viva, marca de um povo, de um país e da sua história

De facto, é impossível dissociar a nossa história da dimensão planetária que a nossa língua possui, não ocupasse a mesma o quinto lugar a nível mundial, espalhada por todos os continentes, com cerca de quase duzentos milhões de falantes. Esse foi um dos maiores legados que a época das descobertas nos deixou. Cabe, agora, a todos nós defender a sua preservação e promover o seu alastramento por comunidades internacionais que, apesar de não terem o português como língua oficial, podem vir a ver na língua de Camões uma língua segunda, a par da língua inglesa, o que, sem dúvida, nos orgulharia muito e constituiria uma mais-valia para o nosso país.

No entanto, apesar do nosso carácter universal, hoje somos mais um país de acolhimento do que de emigrantes, o que nos levanta outros problemas ao nível das estruturas de integração dos imigrantes, no que se refere à aprendizagem da língua portuguesa. Este foi um aspecto que não deixámos passar em claro, pois é do maior ou menor conhecimento que se tem da língua do país de acolhimento que depende a pior ou melhor integração profissional e

social do imigrante, o que, bem gerido, só será vantajoso quer para o imigrante quer para o nosso país.

Não podemos, todavia, esquecer que a preservação da língua que utilizamos desde que nascemos, para comunicar informações, emoções, desejos… também vê nos seus falantes nativos um dos primordiais motores para conseguir vingar num mundo que vê, em outras línguas, possíveis ameaças à sua expansão. Assim, num século em que a educação/formação assume um papel preponderante no desenvolvimento do país e em que a comunicação é vital para as áreas sociais, politicas e profissionais, a aposta num ensino exigente e dignificante da nossa língua, a par de um conjunto de textos escritos (obras literárias; textos legislativos, jornalísticos, entre muitos outros), que sejam o paradigma de uma escrita que reflecte um correcto conhecimento explícito da nossa língua, sem dúvida que nos permitirão ter sucesso na dualidade seleccionada como principal eixo do nosso trabalho. Só assim, a nossa língua sobreviverá aos tempos, pois é, igualmente, na aventura da palavra escrita que está uma das maiores chaves para fazermos vingar a língua oral.



Assim, face ao exposto, e esperando contribuir para uma cada vez melhor língua portuguesa em Portugal e no mundo, recomendamos a adopção das seguintes medidas:
1-Tendo em atenção a necessidade de se harmonizar as soluções linguísticas e de dar uma maior projecção à língua portuguesa nos países de língua oficial portuguesa, consolidando-a, assim, como uma língua viva e conferindo-lhe uma maior dimensão planetária, há que definitivamente pôr em marcha o acordo ortográfico tantas vezes aludido, ao longo de tantos anos, sem, porém, se submeter a língua a uma violenta descaracterização.
2-O reforço da divulgação do ensino da língua portuguesa, como língua segunda no estrangeiro, é o que apresentamos como uma das medidas capazes de possibilitar a dualidade preservação/divulgação, de modo a voltarmos a dar ao mundo o que seria mais uma marca do Portugal que fomos, somos e seremos. O reforço citado passaria por uma forte e arrojada campanha promocional da língua de Camões, secundada pela tão necessária criação de cursos de português que teriam de se apoiar num eficaz suporte técnico (corpo docente) e logístico.
3-Considerando que uma importante percentagem da nossa população é constituída por imigrantes, há que criar condições que facilitem a sua integração no nosso sistema de ensino, as quais lhes proporcionem um eficaz acompanhamento ao longo da aprendizagem da língua, nomeadamente, a atribuição de uma correcta, adequada e realista equivalência ao nosso sistema educativo… currículos próprios, turmas específicas.
4-Com vista a valorizar dignamente a nossa língua através de uma aposta no seu cada vez melhor e mais correcto manejo pelas novas gerações de falantes licenciados, propomos que a disciplina de Língua Portuguesa seja uma específica, obrigatória para todos os cursos, de acesso ao ensino superior.
5-Sendo o texto legislativo um dos que é diariamente analisado sob situações tão diversas e, não raras vezes, de muita importância e necessidade para os cidadãos nacionais e estrangeiros, seria pedagógico e útil que as equipas multidisciplinares que têm a seu cargo a redacção da legislação incluíssem especialistas em linguística.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal