Expressionismo Fenômeno Europeu



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Expressionismo

Fenômeno Europeu

  • O Expressionismo nasce e propaga-se nos países de língua alemã entre l900 e 1910.

  • Está associado principalmente a dois grupos de artistas:

  • Die Brucke: A ponte Dresden (1905/1913)

Die Brucke

  • A ponte entre o visível e o invisível.

  • Em 1905, reúnem-se: Ernest Ludwig Kirchner - ( inspirador )

  • Eric Heckel, Karl Schmidt Rottuff, Max Pechstein e

  • Emil Nolde.( entra em 1906 e abandona três meses depois para levar o Expressionismo aos seus limites extremos com a Dança do Vitelo de Ouro)

Origem Comum

  • “A origem comum é a tendência anti-impressionista que se gera no cerne do próprio Impressionismo, como consciência e superação de seu caráter essencialmente sensorial, e que se manifesta no final do sec. XIX com:

  • Van Gogh, Munch, Toulouse- Lautrec, Gaugin.”

Evolução

  • Estes dois movimentos desembocam respectivamente

  • na corrente Der Blaue Reiter ( “o cavaleiro azul”) na Alemanha (1911)

  • e no Cubismo na França (1908).

Outros expoentes

  • Há um conjunto de propostas interligadas .

  • As obras de Kokoschka e de Schiele - Viena.

  • Permeke e Toorop - Países Baixos.

  • Soutine, Rouault, Vlaminck Modigliani e Picasso até 1908 - Paris

  • e certas experiências eslavas com Chagall e Kupka

Outros ramos de atividade

  • O Expressionismo penetra em todos os domínios da atividade criativa:

  • Desde a escultura à arquitetura.

  • Das artes gráficas (artesanais e industriais) à literatura e à poesia.

  • Da música ao teatro, à coreografia e ao cinema

Um panorama global

  • Na verdade estamos diante do panorama global da pesquisa inovadora desses anos,

  • um mosaico de múltiplas experiências e maneiras de ser.

IMPRESSÃO

  • Literalmente, impressão é o contrário de expressão.

  • A impressão é um movimento do exterior para o interior: é a realidade (objeto) que se imprime na consciência (sujeito).

EXPRESSÃO

  • A expressão é um movimento inverso, do interior para o exterior:

  • é o sujeito que por si imprime o objeto.

  • Ë a posição oposta à de Cézanne, assumida por Van Gogh

O início do século

  • Aceleração da tecnologia e dos processos produtivos.

  • Desvalorização da economia agrícola em prol da indústria e dos grandes investimentos financeiros.

  • Urbanização desenfreada.

  • Luta de classes

Ruptura e Adaptação

  • Os artistas mais sensíveis às mudanças, aceitam a crise como um fato necessário e querem extrair todas as conseqüências.

  • Adaptam sua temática já que o objetivo último é a denuncia da civilização moderna e da sociedade burguesa.

  • Rompem com a tradição

Propostas

  • Expressar as emoções humanas e interpretar as angústias que caracterizaram psicologicamente o homem do inicio do século XX.

  • Transformar em linhas e cores os sentimentos mais dramáticos e a crise de valores da Europa capitalista.

Características

  • A Arte expressionista está arraigada à realidade, submetendo-a, porém, às suas necessidades expressivas

  • As cores e a deformação dos objetos são utilizadas para lhes dar força. Não precisam seguir qualquer critério de verossimilhança.

  • A imagem é simplificada, deformada.

  • Fogem às regras tradicionais de equilíbrio da composição da regularidade da forma e da harmonia das cores

  • Falam dos aspectos mais negativos da sociedade moderna: A prostituição, a miséria, a exploração, a opressão, a dor e a injustiça.

  • Provocam um “mal-estar” preceptivo, um choque visual.

  • Propõem a recuperação das linguagens “primitivas”, consideradas como os veículos mais eficazes para a expressão direta e dramática do mal - estar comum.

  • As novidades formais resumem-se em: cor violenta e linha quebrada

  • O impulso expressivo é a subversão dos princípios harmônicos da arte

Segunda fase – O Cavaleiro Azul

  • Uma segunda fase da vanguarda expressionista é representada pela formação do Der Blaue Reiter (O cavaleiro azul)

  • membros mais destacados (entre 1910 e 1914 ) V. Kandinsky, Franz Mark, Auguste Macke, Gabrielle Munter, Max Pechstein e Paul Klee

Características

  • Harmonização dos meios pictóricos com os anseios emocionais e espirituais do artista.

  • Os temas sociais são substituídos pela natureza( Marc e Macke) ou pela emoção livre da superfície abstrata (Kandinsky e Klee).

  • Cores brilhantes e pinceladas intensas

FAUVISMO (As Feras)

Sob a liderança de Matisse, em 1905, um grupo de jovens durante o Salão de Outono em Paris realizaram obras que foram comparadas por um crítico francês com as “pinturas selvagens” e por isso foram chamados de FERAS ( fauves, em francês)

A ORIGEM

  • A origem do Fauvismo é a mesma do Expressionismo:

  • A tendência anti-impressionista que se gera no cerne do próprio Impressionismo,

  • como consciência e superação de seu caráter essencialmente sensorial,

  • e se manifesta no final do sec. XIX.

Os Artistas mais importantes

  • O grupo dos fauves não é homogêneo e não tem um programa definido..

  • Em torno de Henri Matisse encontram-se: A. Derain, M. Vlaminck, R. Dufy, O. Friesz, K. Van Dongen e outros.

CARACTERÍSTICAS

  • Liberdade de expressão

  • uso das cores puras e do

  • exagero do desenho e da perspectiva

  • Formas planas e bidimensionais

MATISSE

  • “O que eu busco, acima de tudo, é expressão... A expressão, no meu modo de pensar, não consiste na paixão espelhada num rosto humano ou denunciada por um gesto violento. Toda a disposição de minha pintura é expressiva.”

A composição

  • .” “O lugar ocupado por figuras ou objetos, o espaço vazio em torno deles, as proporções, tudo desempenha um papel. A composição é a arte de dispor, de maneira decorativa, os vários elementos à disposição do pintor para a expressão de seus sentimentos

A harmonia

  • “Num quadro, todas as partes serão visíveis e desempenharão o papel que lhes é atribuído, seja ele principal ou secundário. Tudo o que não é útil no quadro é prejudicial. Uma obra de arte deve ser harmoniosa em sua totalidade; pois os detalhes supérfluos, na mente do espectador, usurpariam os elementos essenciais.”

Naturalismo

  • Elementos Constitutivos:

  • ilusão dos corpos,

  • ilusão do espaço,

  • ilusão da matéria,

  • desenho do “pormenor acabado”,

  • justeza das proporções anatômicas e da perspectiva.

  • exatidão da cor dos objetos


EXPRESSIONISMO NO BRASIL

No Brasil, observa-se, como nunca, um desejo expresso e intenso de pesquisar nossa realidade social, espiritual e cultural. A arte mergulha fundo no tenso panorama ideológico da época, buscando analisar as contradições vividas pelo país e representá-las pela linguagem estética.



Principais Artistas

Lasar Segall - De volta da Alemanha, até 1923, seu desenho anguloso e suas cores fortes procuram expressar as paixões e os sofrimentos de ser humanos. Em 1924, retornanado para o Brasil, assumiu uma temática brasileira: seus personagens agora são mulatas, prostitutas e marinheiros; sua paisagem, favelas e bananeiras. Em 1929, o artista dedica-se à escultura em madeira, pedra e gesso. Mas entre os anos de 1936 e 1950, sua pintura volta-se  para os grandes temas universais, sobretudo para o sofrimento e a solidão. 
Obras destacadas: Família Enferma, Dois Seres, Mãe Preta, Bananal, Navio de Emigrantes, Guerra e Campo de Concentração.

Anita Malfatti - Sua arte era livre das limitações que o academicismo impunha, seus trabalhos se tornaram marcos na pintura moderna brasileira, por seu comprometimento com as novas tendências.
Obras destacadas: A Estudante Russa, O Homem Amarelo, Mulher de Cabelos Verdes e Caboclinha.

Candido Portinari - Importante pintor brasileiro, cuja temática expressa o papel que os artistas da época propunham: denunciar as desigualdades da sociedade brasileira e as conseqüências desse desequilíbrio. Seu trabalho ficou conhecido internacionalmente através dos corpos humanos sugerindo volume e pés enormes que fazem com que as figuras pareçam relacionar-se intimamente com a terra, esta sempre pintada em tons muito vermelhos. Portinari pintou painéis para o pavilhão brasileiro da Feira Mundial de Nova York, Via Crucis - para a igreja de São Francisco, na Pampulha, Belo Horizonte (MG) e murais da sala da Fundação Hispânica na Biblioteca do Congresso, em Washington. Sua pintura retratou os retirantes nordestinos, a infância em Brodósqui, os cangaceiros e temas de conteúdo histórico como Tiradentes, atualmente no Memorial da América Latina, em São Paulo, e o painel A Guerra e a Paz, pintado em 1957 para a sede da ONU.

O GRITO

Representa o medo intolerável de perder a razão. Nesse quadro, cada linha oscila, se agita, trazendo ritmos turbulentos sem sossego para o olho. “Acima do fiorde azul negro”, Munch escreveu sobre “O Grito”, “ pairam nuvens vermelhas como sangue, vermelhas como línguas de fogo”.

Textos para leitura Complementar


TEXTO 1
EXPRESSIONISMO

Movimento artístico que se caracteriza pela expressão de intensas emoções. As obras não têm preocupação com o padrão de beleza tradicional e exibem enfoque pessimista da vida, marcado por angústia, dor, inadequação do artista diante da realidade e, muitas vezes, necessidade de denunciar problemas sociais.


Iniciado no fim do século XIX por artistas plásticos da Alemanha, alcança seu auge entre 1910 e 1920 e expande-se para a literatura, a música, o teatro e o cinema. Em função da I Guerra Mundial e das limitações impostas pela língua alemã, tem maior expressão entre os povos germânico, eslavo e nórdico. Na França, porém, manifesta-se no fauvismo. Após o fim da guerra, influencia a arte em outras partes do mundo. Muitos artistas estão ligados a grupos políticos de esquerda.
Assim como a Revolução Russa (1917), as teorias psicanalíticas do austríaco Sigmund Freud, a evolução da ciência e a filosofia do alemão Friedrich Nietzsche o expressionismo está inserido no ambiente conturbado que marca a virada do século.

ARTES PLÁSTICAS
O principal precursor do movimento é o pintor holandês Vincent van Gogh, criador de obras de pinceladas marcadas, cores fortes, traços expressivos, formas contorcidas e dramáticas. Em 1911, numa referência de um crítico à sua obra, o movimento ganha o nome de expressionismo.
As obras propõem uma ruptura com as academias de arte e o impressionismo. É uma forma de "recriar" o mundo em vez de apenas captá-lo ou moldá-lo segundo as leis da arte tradicional. As principais características são distanciamento da pintura acadêmica, ruptura com a ilusão de tridimensionalidade, resgate das artes primitivas e uso arbitrário de cores fortes. Muitas obras possuem textura áspera devido à grande quantidade de tinta nas telas. É comum o retrato de seres humanos solitários e sofredores. Com a intenção de captar estados mentais, vários quadros exibem personagens deformados, como o ser humano desesperado sobre uma ponte que se vê em O Grito, do norueguês Edvard Munch (1863-1944), um dos expoentes do movimento.


GRUPOS EXPRESSIONISTAS
O expressionismo vive seu auge a partir da fundação de dois grupos alemães: o Die Brücke (A Ponte), em Dresden, que faz sua primeira exposição em 1905 e dura até 1913; e o Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), em Munique, ativo de 1911 a 1914. Os artistas do primeiro grupo, como os alemães Ernst Kirchner (1880-1938) e Emil Nolde (1867-1956), são mais agressivos e politizados. Com cores quentes, produzem cenas místicas e paisagens de atmosfera pesada. Os do segundo grupo, entre eles o russo Vassíli Kandínski (1866-1944), o alemão August Macke (1887-1914) e o suíço Paul Klee (1879-1940), voltam-se para a espiritualidade. Influenciados pelo cubismo e futurismo, deixam as formas figurativas e caminham para a abstração.
Na América Latina, o expressionismo é principalmente uma via de protesto político. No México, o destaque são os muralistas, como Diego Rivera (1886-1957).
A última grande manifestação de protesto expressionista é o painel Guernica, do espanhol Pablo Picasso. Retrata o bombardeio da cidade basca de Guernica por aviões alemães durante a Guerra Civil Espanhola. A obra mostra sua visão particular da angústia do ataque, com a sobreposição de figuras, como um cavalo morrendo, uma mulher presa em um edifício em chamas, uma mãe com uma criança morta e uma lâmpada no plano central.

CINEMA
Os filmes produzidos na Alemanha após a I Guerra Mundial são sombrios e pessimistas, com cenários fantasmagóricos, exagero na interpretação dos atores e nos contrastes de luz e sombra. A realidade é distorcida para expressar conflitos interiores dos personagens. Um exemplo é O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene (1881-1938), que marca o surgimento do expressionismo no cinema alemão em 1919.
Filmes como Nosferatu, de Friedrich Murnau (1889-1931), e Metrópolis, de Fritz Lang (1890-1976), traduzem as angústias e as frustrações do país em plena crise econômica e social. O nazismo, que domina a Alemanha a partir de 1933, acaba com o cinema expressionista. Passam a ser produzidos apenas filmes de propaganda política e de entretenimento.


LITERATURA
O movimento é marcado por subjetividade do escritor, análise minuciosa do subconsciente dos personagens e metáforas exageradas ou grotescas. Em geral, a linguagem é direta, com frases curtas. O estilo é abstrato, simbólico e associativo.
O irlandês James Joyce, o inglês T.S. Eliot (1888-1965), o tcheco Franz Kafka e o austríaco Georg Trakl (1887-1914) estão entre os principais autores que usam técnicas expressionistas.


MÚSICA
Intensidade de emoções e distanciamento do padrão estético tradicional marcam o movimento na música. A partir de 1908, o termo é usado para caracterizar a criação do compositor austríaco Arnold Schoenberg (1874-1951), autor do método de composição dodecafônica. Em 1912 compõe Pierrot Lunaire, que rompe definitivamente com o romantismo. Schoenberg inova com uma música em que todos os 12 sons da escala de dó a dó têm igual valor e podem ser dispostos em qualquer ordem a critério do compositor.


TEATRO
Com tendência para o extremo e o exagero, as peças são combativas na defesa de transformações sociais. O enredo é muitas vezes metafórico, com tramas bem construídas e lógicas. Em cena há atmosfera de sonho e pesadelo e os atores se movimentam como robôs. Foi na peça expressionista R.U.R., do tcheco Karel Capek (1890-1938), que se criou a palavra robô. Muitas vezes gravações de monólogos são ouvidas paralelamente à encenação para mostrar a realidade interna de um personagem.
A primeira peça expressionista é A Estrada de Damasco (1898-1904), do sueco August Strindberg (1849-1912). Entre os principais dramaturgos estão ainda os alemães Georg Kaiser (1878-1945) e Carl Sternheim (1878-1942) e o norte-americano Eugene O'Neill (1888-1953).

   Simbolismo - Arte Moderna

Pouco depois do fervilhar do Impressionismo e do Neo-impressionismo(extensão artística do anterior), o Simbolismo chega aos salões da charmosa Paris do final do século 18, em 1886.
" Vestir a idéia de uma forma sensível".
Este seria o pensamento condutor deste estilo de pintura e literatura da Arte Moderna na Europa, antecedendo a Art Nouveau.

Artistas adeptos ao movimento Simbolista , rejeitaram o realismo, acreditando que a pintura deveria retratar um estado da mente e suas idéias pulsantes e não apenas descrever o que seria facilmente visível e identificável no mundo em que vivemos e nos relacionamos.


Isto seria apenas continuar a descrever o óbvio.
O sentido maior passa a ser de que a pintura é um processo imaginário de criação e não apenas de visão. Seria a função de conseguir descrever em imagens subjetivas tudo aquilo que não vemos, mas sentimos e sabemos ao cruzarmos as fronteiras da razão /emoção através da percepção visual de sensações como serenidade, desejo ardente, fé, medo e paz.

Objetos não tangíveis.

A grande questão do Simbolismo então, passa a ser o exercício de expressar nas mais variadas pinceladas suas representações das questões intangíveis.


Os temas mais explorados estão relacionados a morte, pecado, erotismo, mitologias, os ritos religiosos - os ritos de passagem - e suas expiações. Converter os sentidos do senso comum em traçados e cores que retratam cada individuo ou questão focalizada em singular momento da observação do artista.
Temos como análise, um dos artistas mais polêmicos deste período, que veremos a seguir.
Os termos "cloisonnisme" (alveolismo) e Neo-tradicionalismo surgiram basicamente da obra de Paul Gauguin, que fecha os arabescos fortemente apoiados em vastas superfícies unidas pelas cores fortes, puras e justapostas sem transição de tons.

Sacrificar tudo a cor pura, exaltando a superfície, elevando a linha do horizonte, suprimindo a perspectiva. Gauguin costumava dizer ser preciso ir além da frisa de cavalos do Partenão - retratos da nobreza e suas hierarquias, muito em voga na época - e assim buscar as civilizações arcaicas: micênica, egípcia, cambogeana. Ele simplesmente se recusava a reproduzir o que era vigente na arte ocidental, naquele momento.


As formas que pintava eram simples, as cores chapadas e não havia interesse na profundidade ou na perspectiva .Como pintor, personificava o desejo vigente da virada do século buscando o retorno a idéia do romantismo e da vida primitiva.
Na sua vida pessoal, tomou a atitude radical de ir morar no Tahiti, deixando para trás sua família e carreira - esta, já em fase de sucesso. No seu livro " Noa Noa" - o qual escreveu sobre sua nova vida neste país - expressa em sintética sentença o que significava para ele esta nova postura estética e paralelamente, de vida : " Eu escapei de tudo o que é artificial e convencional. Aqui, eu entrei no processo da verdade pura me tornando um individuo unificado com a natureza".
A partir daí, ele começou a capturar o impulsivo, o instinto imediato da arte primitiva.
Gauguin foi quase que o primeiro a utilizar a cor por razões puramente decorativas ou por propósitos estritamente emocionais. Tudo isso reunido, somando-se a sua grande capacidade de sintetizar e simplificar - em um estilo não-naturalista de pintura - fez dele um dos pintores e artistas que mais contríbuiram para a arte moderna.

O Sintetismo de que falamos aqui, é assim definido por Maurice Denis :


" Sintetizar não é necessariamente simplificar no sentido de suprimir certas partes do objeto, é simplificar no sentido de tornar inteligível. É hierarquizar, submeter cada quadro a um só ritmo, a uma dominante, sacrificar, subordinar, generalizar".

Vemos que o Simbolismo é mais do que o conceito de trabalhar na pintura os símbolos de uma sociedade e sim, um estilo que busca o intangível; o não-convencional como quadro figurativo, a busca pelo sintetizar, e pela expressão em formas e cores do primitivo, seus impulsos, instintos e suas emocões.

O termo Nabismo, quase que um desdobramento ou uma extensão do Simbolismo, também começa a ser usado mais próximo da virada do século - acerca de 1900 - sabemos que é de origem hebraica, signicando "os profetas" e foi dado pelo poeta Cazalis. Na verdade, muitos desses jovens artistas Simbolistas se auto-denominavam "Nabis"ou Nabistas.

Principais Artistas Simbolistas (e Nabistas) :

Paul Gauguin (nasceu Paris 1848 - faleceu Tahiti 1903)
Ferdinand Hodler (nasceu Bern 1853 - faleceu Geneva 1918)
Maurice Denis (nasceu Graville 1870 - faleceu Paris 1943)
Odilon Redon- (nasceu Bordeaux 1840 - faleceu Paris 1916)
Kees Van Dogen (nasceu Delfshaven 1877 - faleceu Monaco 1968)

Simbolismo

Movimento que se desenvolve nas artes plásticas, na literatura e no teatro no fim do século XIX. Surgido na França, depois se espalha pela Europa e chega ao Brasil. Caracteriza-se por subjetivismo, individualismo e misticismo. Rejeita a abordagem da realidade e a valorização do social feitas pelo realismo e pelo naturalismo. Palavras e personagens possuem significados simbólicos.


O poeta francês Charles Baudelaire é considerado precursor do simbolismo por sua obra As Flores do Mal, de 1857. Mas só em 1881 a nova manifestação é rotulada, com o nome decadentismo, substituído por simbolismo em manifesto publicado em 1886.
ARTES PLÁSTICAS –Para os simbolistas a arte deve ser uma síntese entre a percepção dos sentidos e a reflexão intelectual. Buscam revelar o outro lado da mera aparência do real. Em muitas obras enfatizam a pureza e a espiritualidade dos personagens. Em outras, a perversão e a maldade do mundo. A atração pela ingenuidade faz com que vários artistas se interessem pelo primitivismo
.
O artista mais significativo é o francês Paul Gauguin, que começa a pintar influenciado pelo pós-impressionismo. Em suas telas abandona a perspectiva e delineia as figuras utilizando contornos pretos. As cenas evocam temas religiosos e mágicos, como em Cristo Amarelo. Também destacam-se os franceses Gustave Moreau (1826-1898) e Odilon Redon (1840-1916).
A partir de 1890, o simbolismo difunde-se por toda a Europa e pelo resto do mundo. Na Áustria ganha a interpretação pessoal do pintor Gustav Klimt (1862-1918). O norueguês Edvard Munch concilia os princípios simbolistas a uma expressão trágica que depois faz dele representante do expressionismo. Na França destacam-se os pintores Maurice Denis (1870-1943) e Paul Sérusier (1864-1927), além do escultor Aristide Maillol (1861-1944).
LITERATURA –Manifesta-se na poesia, com versos que exploram a sonoridade. As obras usam símbolos para sugerir objetos, por exemplo, a cruz para falar de sofrimento. Também rejeita as formas rígidas do parnasianismo. Difere do romantismo pela expressão da subjetividade ausente de sentimentalismo.
Os principais expoentes na França são Paul Verlaine, Arthur Rimbaud e Stéphane Mallarmé. Em Portugal sobressaem Eugênio de Castro (1869-1944), autor de Oaristos, Antônio Nobre (1867-1900), que escreve Só, e Camilo Pessanha (1867-1926), autor de Clépsidra.
TEATRO –Como o movimento rejeita a abordagem da vida real, no palco os personagens não são humanos. Constituem a representação de idéias e sentimentos. A forte relação com os impressionistas faz com que o som, a luz, a cor e o movimento tenham destaque nas encenações.
Um dos principais textos teatrais é Pelléas et Mélisande, do belga Maurice Maeterlinck (1862-1949). Em cena, os personagens materializam expressões poéticas sobre a brevidade e a falta de sentido da vida.
Outros dramaturgos importantes são o italiano Gabriele D'Annunzio; o norueguês Henrik Ibsen; na fase final de sua carreira; o irlandês William Yeats; e os portugueses João da Câmara (1852-1908) e Raul Brandão (1867-1930).
SIMBOLISMO NO BRASIL –Nas artes plásticas, o movimento influencia parte das pinturas de Eliseo Visconti e Lucílio de Albuquerque (1877-1939). É muito marcante nas obras de caráter onírico de Alvim Correa (1876-1910) e Helios Seelinger (1878-1965).
Na literatura, o primeiro manifesto simbolista é publicado em 1891, no jornal Folha Popular. As primeiras obras literárias são Missal e Broquéis (1863), de Cruz e Souza. O autor aborda mistérios da vida e da morte com uma linguagem rica, marcada pela musicalidade. Outro representante do movimento é Alphonsus de Guimaraens (1870-1921), autor de Câmara Ardente e Kiriale, cuja poesia é marcada pela religiosidade e pela melancolia.
O teatro simbolista começa a ser escrito e encenado no início do século XX. A produção de textos é pequena. Falam da sociedade carioca da época. Os principais dramaturgos são Roberto Gomes (1882-1922), que escreve O Canto sem Palavras e Berenice, e Paulo Barreto (1881-1921), autor de Eva. Em 1933, Paulo Magalhães (1900-1972) monta A Comédia do Coração, que põe no palco personagens simbólicos, como Dor, Paixão e Ciúme.

CUBISMO

Historicamente o Cubismo originou-se na obra de Cézanne, pois para ele a pintura deveria tratar as formas da natureza como se fossem cones, esferas e cilindros. Entretanto, os cubistas foram mais longe do que Cézanne.



Afirmação de Paul Cézanne: "Eu sou o primeiro de uma arte nova"

Os artistas passaram a representar os objetos com todas as suas partes num mesmo plano. É como se eles estivessem abertos e apresentassem todos os seus lados no plano frontal em relação ao espectador. Na verdade, essa atitude de decompor os objetos não tinha nenhum compromisso de fidelidade com a aparência real das coisas.

O pintor cubista tenta representar os objetos em três dimensões, numa superfície plana, sob formas geométricas, com o predomínio de linhas retas. Não representa, mas sugere a estrutura dos corpos ou objetos. Representa-os como se movimentassem em torno deles, vendo-os sob todos os ângulos visuais, por cima e por baixo, percebendo todos os planos e volumes.

Principais características:

 * geometrização das formas e volumes;


 * renúncia à perspectiva;
 * o claro-escuro perde sua função;
 * representação do volume colorido sobre superfícies planas;
 * sensação de pintura escultórica;
 * cores austeras, do branco ao negro passando pelo cinza, por um ocre apagado ou um castanho suave.

O cubismo se divide em duas fases: Cubismo Analítico - caracterizado pela desestruturação da obra em todos os seus elementos. Decompondo a obra em partes, o artista registra todos os seus elementos em planos sucessivos e superpostos, procurando a visão total da figura, examinado-a em todos os ângulos no mesmo instante, através da fragmentação dela. Essa fragmentação dos seres foi tão grande, que se tornou impossível o reconhecimento de qualquer figura nas pinturas cubistas.

Cubismo analítico 1907-1912: onde predominam as estruturas geométricas e as cores extremamente rebaixada.

Cubismo Sintético - reagindo à excessiva fragmentação dos objetos e à destruição de sua estrutura. Basicamente, essa tendência procurou tornar as figuras novamente reconhecíveis.  Também chamado de Colagem porque introduz letras, palavras, números, pedaços de madeira, vidro, metal e até objetos inteiros nas pinturas. Essa inovação pode ser explicada pela intenção do artistas em criar efeitos plásticos e de ultrapassar os limites das sensações visuais que a pintura sugere, despertando também no observador as sensações táteis.

Cubismo sintético - as cores são rejeitadas, destacando apenas o conteúdo dos elementos sintetizados

Principais artistas:

Pablo Picasso - tendo vivido 92 anos e pintado desde muito jovem até próximo à sua morte passou por diversas fases. Entretanto, são mais nítidas a fase azul, que representa a tristeza e a melancolia dos mais pobres, e a fase rosa em que pinta acrobatas e arlequins. Depois de descobrir a arte africana e compreender que o artista negro não pinta ou esculpe de acordo com as tendência de um determinado movimento estético, mas com uma liberdade muito maior. Picasso desenvolveu uma verdadeira revolução na arte. Em 1907, com a obra Les Demoiselles d’Avignon começa a elaborar a estética cubista que, como vimos anteriormente, se fundamenta na destruição de harmonia clássica das figuras e na decomposição da realidade.
Podemos destacar, também o mural Guernica, que representa, com veemente indignação, o bombardeio da cidade espanhola de Guernica, responsável pela morte de grande parte da população civil formada por crianças, mulheres e trabalhadores, durante a Guerra Espanhola.

"A obra de um artista é uma espécie de diário. Quando o pintor, por ocasião de uma mostra, vê algumas de suas telas antigas novamente, é como se ele estivesse reencontrando filhos pródigos - só que vestidos com túnica de ouro."  Pablo Picasso



"A Arte não é a verdade. A Arte é uma mentira que nos ensina a compreender a verdade". Pablo Picasso

  • Fase azul: em 1903, a cor predominante dos seus quadros é o azul. Seus interes -ses estão nos temas sociais, problemas e situação sofredora dos pobres marginalizados.obras: A vida, O velho guitarrista, As irmãs.Mendigos a Beira Mar.

  • Fase rosa: a partir de 1904, em Paris, passou a freqüentar o meio circense e lugares boêmios. A cor rosa vai, aos poucos, predominando e já não se vê mais o sofrimento em suas telas.
    obras: Saltimbancos com o cão, A família de acrobatas, A família de Arlequim.

PERÍODO NEGRO 1907-1908 Esse período põe fim à calma do período rosa, e evidencia o fascínio pela escultura negra e ibérica.
Traduz-se em formas ousadas, potentes e expressivas. Partindo dessa época, o germe do período cubista estava plantado.

Como testemunho do horror da guerra e da dor que esta provoca, surge, em 1937, a monumental obra "Guernica". Referindo-se ao bombardeio aéreo sobre a cidade de mesmo nome, em 26 de abril de 1927, esta obra constitui-se num símbolo contra a brutalidade da guerra. Nela está simbolizada, com intensa dramaticidade, através de figuras contorcidas, disformes e dissecadas, e de cores cinza, negro e branco, a destruição de vidas humanas e de uma civilização. É, sem dúvida, a obra mais importante de Picasso



Braque - um artista que passou pela fase do cubismo analítico e sintético. 

Braque ficou impressionado com a apresentação do grupo Fauvismo em 1905 no Salão. No verão seguinte iniciou o seu estilo Fauvista.

Em 1907 conheceu Picasso e até 1914 colaboraram mutuamente na construção do Cubismo. Nesse mesmo ano se alistou no exército, retornando à arte apenas em 1917. No final de 1907, uma evolução na estrutura arquitetônica do seu trabalho levou-o a se interessar pelo trabalho de Cézanne. Acabou abandonando as cores que utilizava e se concentrou na qualidade estrutural de seus temas. As formas foram simplificadas, o contorno dos desenhos se transformaram em linhas grossas e escuras e o fundo era preenchido por grandes planos geométricos.

O trabalho de Braque geralmente se distinguia do de Picasso pelo seu interesse ao redor dos objetos, que era maior do que o próprio objeto.

Ao retornar para Paris, depois da I Grande Guerra, continuou seu trabalho num cubismo sintético, influenciado por Juan Gris. Ao mesmo tempo começou a experimentar curvas, formas mais cheias e a potencialidade do trabalho com as cores.

Em 1930 o desenvolvimento do seu estilo foi interrompido temporariamente pelo impacto do Surrealismo, principalmente pelo trabalho de Picasso.



Braque voltou a usar formas e cores fortes tendo sempre uma constante preocupação com a inter-relação entre o objeto e o espaço e a representação do objeto em duas dimensões.

  • CUBISMO NO BRASIL –O cubismo só repercute no país após a Semana de Arte Moderna de 1922. Pintar como os cubistas é considerado apenas um exercício técnico. Não há, portanto, cubistas brasileiros, embora quase todos os modernistas sejam influenciados pelo movimento. É o caso de Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Di Cavalcanti

Dos artistas brasileiros destacamos:

  • Tarsila do Amaral - apesar de não ter exposto na Semana de 22, colaborou decisivamente para o desenvolvimento da arte moderna brasileira, pois produziu uma obra indicadora de novos rumos. Em 1928 deu início a uma fase chamada antropofágica. A ela pertence a tela  Abaporu cujo nome, segundo a artista é de origem indígena e significa “antropófago”. Também usou de temática social nos seus quadros como na tela Operários.

  • Rego Monteiro - um dos primeiros artistas brasileiros a realizar uma obra dentro da estética cubista. Estudou em Paris, depois da Semana de Arte Moderna, sua vida alternou-se entre a França e o Brasil. Foi reconhecido também naquele país, tem seus quadros dentro do acervo de alguns importantes museus.
    Obra destacada: Pietà.

  • Emiliano Di Cavalcanti
    (1897-1976)


Pintor e caricaturista brasileiro, iniciou sua carreira em 1916, como participante do Salão do Humorismo e participou, como figura destacada da Semana de Arte Moderna. A partir de 1925, trabalhou como desenhista para diversas revistas. Artista convidado da I Bienal de São Paulo, ganhou junto com Volpi, o prêmio de melhor pintor nacional, em 1952. Autor de uma extensa produção artística, retratou em alguns de seus trabalhos cenas e tipos brasileiros, especialmente a figura da mulata, através de uma linguagem sensual e exuberante. Dedicou-se também aos desenhos de jóias e publicou Viagem da Minha Vida e Reminiscências de um Prefeito Carioca e álbuns como Páginas de um Noctívago e a Realidade Brasileira.

  • Anita Malfatti
    (1896-1964)


Anita Malfatti, pintora e desenhista brasileira, considerada uma das precursoras do Modernismo no Brasil, nasceu na cidade de São Paulo em dezembro de 1896. Começou a pintar sob orientação da mãe. Aos 16 anos transferiu-se para a Europa, freqüentando a Academia de Belas-Artes de Berlim e o museu de Dresden. Estudou com os principais mestres expressionistas alemães; depois de algum tempo foi residir em Paris, retornando ao Brasil em 1914. Em dezembro de 1917, em São Paulo, inaugurou sua segunda exposição individual, apresentando mais de 50 trabalhos, em desenhos, pinturas e gravuras. A exposição e sua autora receberam violento ataque da crítica conservadora, especialmente de Monteiro Lobato, em um artigo publicado em um jornal paulista; o artigo, sem querer, atraiu a atenção para a jovem pintora e sua mostra. Oswald de Andrade e outros modernistas acorreram em sua defesa. Abriu-se uma polêmica que acabou por aglutinar os futuros líderes da Semana de Arte Moderna. Sua exposição deu início à revolta contra o academismo e o próprio Mário de Andrade testemunhou sobre sua importância.

Em 1922, Anita Malfatti participou da exposição coletiva realizada no saguão do Teatro Municipal de São Paulo, onde se desenrolavam as atividades da Semana de Arte Moderna. Depois disso esteve novamente na Europa. Após 1930 expôs outras vezes em São Paulo, em mostras individuais. Em 1933 conquistou a grande medalha de prata do Salão de Belas-Artes. Tomou parte na I Bienal de São Paulo, em 1951: 12 anos depois mereceu sala especial nesta mesma exposição, apresentando cerca de 45 desenhos e pinturas. Participou de várias exposições coletivas no exterior. A importância histórica de Anita Malfatti, mais do que no valor inegável de sua obra, reside na polêmica, tida por muitos críticos como o ponto de partida do movimento que culminaria na Semana de Arte Moderna de 1922. Em sua obra encontram-se vários retratos e auto retratos. Entre suas pinturas mais conhecidas temos A Boba, O Homem Amarelo e A Estudante Russa. Morreu em novembro de 1964

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INTRODUÇÃO AO DADAÍSMO


Marcel Duchamp não quer desfigurar uma obra prima, mas si, contestar a veneração que lhe tributa passivamente a opinião comum e ferir o orgulho de um povo que agora não sabe distinguir entre o original e a reprodução, visto que a reprodução não possuía carisma. É um fato industrial podendo ser impunemente manipulada.

“ O Dadá não foi um movimento artístico no sentido tradicional da palavra. Foi um temporal estrepitoso sobre a arte, como a guerra sobre os povos “ Hans Richter


O dadaísmo surgiu no ano de 1916, por iniciativa de um grupo de artistas que, descrentes de uma sociedade que consideravam responsável pelos estragos da Primeira Guerra Mundial, decidiram romper deliberadamente com todos os valores e princípios estabelecidos por ela anteriormente, inclusive os artísticos. A própria palavra dadá não tem outro significado senão a própria falta de significado, sendo um exemplo da essência desse movimento iconoclasta.( A palavra Dada foi descoberta acidentalmente por Hugo Ball e por Tzara Tristan num dicionário alemão-francês. Dada é uma palavra francesa que significa na linguagem infantil "cavalo de pau").  O principal foco de difusão desta nova corrente artística foi o Café Voltaire, fundado na cidade de Zurique pelo poeta Hugo Ball e ao qual se uniram os artistas Hans Arp e Marcel Janco e o poeta romeno Tristan Tzara. Suas atuações provocativas e a publicação de inúmeros manifestos fizeram que o dadaísmo logo ficasse conhecido em toda a Europa, obtendo a adesão de artistas como Marcel Duchamp, ou Francis Picabia.

 Não se deve estranhar o fato de artistas plásticos e poetas trabalharem juntos - o dadaísmo propunha a atuação interdisciplinar como única maneira possível de renovar a linguagem criativa. Dessa forma, todos podiam ter vivência de vários campos ao mesmo tempo, trocando técnicas ou combinando-as. Nihilistas(do Latim nihil, nada), irracionais e, às vezes, subversivos, os dadaístas não romperam somente com as formas da arte, mas também com o conceito da própria arte. Sendo a negação total da cultura, o Dadaísmo defende o absurdo, a incoerência, a desordem, o caos.

 Não são questionados apenas os princípios estéticos, como fizeram expressionistas ou cubistas, mas o próprio núcleo da questão artística.Negando toda possibilidade de autoridade crítica ou acadêmica, consideram válida qualquer expressão humana, inclusive a involuntária, elevando-a à categoria de obra de arte. Efêmera, mas eficaz, a arte dadaísta preparou o terreno para movimentos vanguardistas tão importantes como o surrealismo e a arte pop, entre outros.



PINTURA NO DADAÍSMO

A pintura dadaísta foi um dos grandes mistérios da história da arte do século XX. Os pintores deste movimento, guiados por uma anarquia instintiva e um forte nihilismo, não hesitaram em anular as formas, técnicas e temas da pintura, tal como tinham sido entendidos até aquele momento. Um exemplo disso eram os quadros dos antimecanismos ou máquinas de nada, nos quais o tema central era totalmente inédito para aqueles tempos.

Representavam artefatos de aparência mais poética do que mecânica, cuja função era totalmente desconhecida. Para dificultar ainda mais sua análise, os títulos escolhidos jamais tinham qualquer relação com o objeto central do quadro. Não é difícil deduzir que, exatamente através desses antitemas, os pintores expressavam sua repulsa em relação à sociedade, que com a mecanização estava causando a destruição do mundo.

Um capítulo à parte merecem as colagens, que logo se transformaram no meio ideal de expressão do sentimento dadaísta. Tratava-se da reunião de materiais aparentemente escolhidos ao acaso, nos quais sempre se podiam ler textos elaborados com recortes de jornais de diferente feição gráfica. A mistura de todo tipo de imagens extraídas da imprensa da época faz desse tipo de trabalho uma antecipação precoce da idealização dos meios de comunicação de massa, que mais tarde viria a ser a arte pop.



ESCULTURA NO DADAÍSMO

A escultura dadaísta nasceu sob a influência de um forte espírito iconoclasta. Uma vez suprimidos todos os valores estéticos adquiridos e conservados até o momento pelas academias, os dadaístas se dedicaram por completo à experimentação, improvisação e desordem. Os ready mades de Marcel Duchamp não pretendiam outra coisa que não dessacralizar os conceitos de arte e artista, expondo objetos do dia-a-dia como esculturas.

Um dos mais escandalosos foi, sem dúvida, o urinol que este artista francês se atreveu a apresentar no Salão dos Independentes, competindo com as obras de outros escultores. Sua intenção foi tão-somente demonstrar até que ponto o critério subjetivo do artista podia transformar qualquer objeto em obra de arte. Com exemplos desse tipo e outros, pode-se afirmar que Marcel Duchamp é sem dúvida o primeiro pai da arte conceitual.

Apareceram também, como na pintura, os primeiros antimecanismos, máquinas construídas com os elementos mais estapafúrdios e com o único objetivo de serem expostas para desconcertar e provocar o público. Os críticos não foram muito condescendentes com essas obras, que não conseguiam compreender nem classificar. Tais manifestações, por mais absurdas e insolentes que possam parecer, começaram a definir a plástica que surgiria nos anos seguintes.



FOTOGRAFIA E CINEMA DADAÍSTA

Artistas de seu tempo, os dadaístas foram sem dúvida os primeiros a incorporar o cinema e a fotografia à sua expressão plástica. E fizeram isso de uma maneira totalmente experimental e guiados por uma espontaneidade inata. O resultado desse novo materialismo foi um cinema completamente abstrato e absurdo, por exemplo, o de diretores como Hans Richter e a fotografia experimental de Man Ray e seus seguidores.

Foi exatamente Man Ray o inventor da conhecida técnica do raiograma, que consistia em tirar a fotografia sem a câmara fotográfica, ou seja, colocando o objeto perto de um filme altamente sensível e diante de uma fonte de luz. Apesar de seu caráter totalmente experimental, as obras assim concebidas conseguiram se manter no topo da modernidade tempo suficiente para passar a fazer parte dos anais da história da fotografia e do cinema artísticos.
CARACTERÍSTICAS DO DADAÍSMO
( Veglione de 1914 autor Francis Picabia
• Fotomontagens oníricas
• Incorporação de materiais diversos
• Elementos mecânicos /Elementos Naturais
• Inscrições humorísticas
• Expressões ridículas e burlescas

INTRODUÇÃO SURREALISMO

Surrealismo: corrente artística moderna da representação do irracional e do subconsciente.

Origem: no dadaísmo e na pintura metafísica de Giorgio De Chirico.

Pretendia:


  • a transgressão dos valores morais e sociais,

  • a nulidade das academias e a dessacralização do artista, com uma ressalva:

  • ao nihilismo fundamentalista do dadaísmo opôs uma atitude esperançosa e comprometida com seu tempo.

A publicação do Manifesto do Surrealismo, assinado por André Breton em outubro de 1924, marcou historicamente o nascimento do movimento. Finalidade: a restauração dos sentimentos humanos e do instinto como ponto de partida para uma nova linguagem artística. Para isso era preciso que o homem tivesse uma visão totalmente introspectiva de si mesmo e encontrasse esse ponto do espírito no qual a realidade interna e externa são percebidas totalmente isentas de contradições.

A livre associação e a análise dos sonhos, ambos métodos da psicanálise freudiana, transformaram-se nos procedimentos básicos do surrealismo, embora aplicados a seu modo.Por meio do automatismo, ou seja, qualquer forma de expressão em que a mente não exercesse nenhum tipo de controle, os surrealistas tentavam plasmar, seja por meio de formas abstratas ou figurativas simbólicas, as imagens da realidade mais profunda do ser humano: o subconsciente.

Períodos

Dentro do surrealismo devem-se destacar três períodos importantes e bem diferenciados entre si:



  • o período dos sonhos (1924), representado pelas obras de natureza simbólica, obtidas através de diferentes procedimentos de automatismo, de um certo figurativismo;

  • o período do compromisso político (1928), expresso na filiação de seus líderes ao comunismo;

  • e uma terceira fase (1930), de difusão, que se empenhou na formação de grupos surrealistas em toda a Europa, tendo conseguido a adesão de grupos americanos.

Características do Surrealismo
• Pintura com elementos irreais
• Formas apreendidas da fantasia (sonhos, inconsciente)
• Busca da perfeição do desenho e das cores, dentro da dimensão do imaginário
• Impressão espacial, impregnando ilusões óticas
• Dissociação entre imagens e legendas, conjugadas para construção de cenas de sonho ou de ironia

Pintura

Em um dos números da revista A Revolução Surrealista, que André Breton editava, ele não só aceitava a teoria freudiana do automatismo verbal (livre associação de palavras), como também admitia a possibilidade do automatismo gráfico (livre associação de imagens), dois processos que, na opinião dele, estão estreitamente relacionados. O poeta citava concretamente dois artistas: Pablo Picasso e Max Ernst. Pela primeira vez se aprovava a existência de uma pintura surrealista.


Segundo Breton, há dois métodos propriamente surrealistas: o automatismo rítmico (pelo qual se pintava seguindo o impulso gráfico) e o automatismo simbólico (a fixação das imagens oníricas ou subconscientes de maneira natural). De acordo com isso, surgiram grupos diferentes de pintores: Miró, Hans Arp e André Masson, por exemplo, representaram o surrealismo orgânico ou automatista, enquanto Dalí, Magritte, Chagall e Marx Ernst, entre outros, desenvolveram o surrealismo simbólico.
Os surrealistas não representaram subjetivamente a realidade, pelo contrário, tentaram objetivar seu mundo interno, como demonstram suas obras. Na América Latina, esse tipo de representação encontrou eco principalmente entre pintores do porte de Frida Kahlo e Wilfredo Lam, entre outros. Sua pintura estava impregnada desse aspecto telúrico e quase ingênuo que tanto interesse despertara nos surrealistas europeus, apesar de não lhe faltar características expressionista

Escultura...

No surrealismo, melhor do que falar em escultura, deve-se falar em objetos retirados do seu contexto - algo muito parecido com o que o francês Marcel Duchamp, na ocasião também membro do movimento, havia iniciado com seus ready mades. Os surrealistas se dedicaram conscientemente a reunir os objetos mais dispares, privados de sua funcionalidade, para expressar as necessidades mais íntimas do homem. No começo, chegaram inclusive a falar de dois tipos de objetos: os naturais (vegetais, animais e minerais) e os de uso cotidiano.


Exemplo claro do culto ao objeto, iniciado por este movimento, foi a Exposição de Objetos Surrealistas de 1936. Nela se representaram as mais extravagantes combinações, produto das associações inconscientes de seus autores. Alguns podiam ser interpretados quase automaticamente pelo público, de tão simples que eram em sua composição, enquanto outros se mantinham dentro de um hermetismo simbólico poético, no melhor estilo das esculturas dadaístas.
No entanto, deve-se destacar que os objetos surrealistas, no limite entre a ironia e a perversão, tentavam abrir a imaginação do espectador para a multiplicidade de relações existentes entre as coisas, para a associação livre de condicionamentos. Prova disso foram o engenhoso Telefone-lagosta, de Dalí, ou as combinações de objetos de Miró. Referindo-se à escultura surrealista, André Breton, precursor do movimento, disse:
"não encontramos mais do que aquilo de que precisamos profundamente."

Cinema e Fotografia...

O cinema e a fotografia surrealista assimilaram, logicamente, os parâmetros da pintura e da escultura desta corrente. Os diretores de cinema procuraram o exorcismo do subconsciente por meio de imagens totalmente simbólicas ou no limite do absurdo. Não faltaram nessas disciplinas a crítica às convenções morais, religiosas e políticas, mas sempre sob a forma de herméticas metáforas visuais, alienadas e provocantes, que tinham pouco em comum com o cinema e a fotografia tradicionais



São dois os grandes representantes do cinema surrealista: o espanhol Luis Buñuel e o francês Jean Cocteau. Da filmografia do primeiro é preciso destacar-se os filmes O Cão Andaluz e A Idade Dourada. Em ambas as obras, uma espécie de exercício de filmagem, o cineasta não poupa imaginação para criar mundos completamente fantásticos. Com base em cenas de aparência onírica, paradoxalmente subversivas e ao mesmo tempo poéticas, conta histórias inverossímeis e audazes. Na primeira, trabalhou em colaboração com Salvador Dalí
A obra de Cocteau se manteve dentro da linguagem simbólica dos sonhos com imagens absurdas, produto de fotomontagem. Seus filmes mais conhecidos são Sangue de um Poeta e A Bela e a Fera. O fotógrafo por excelência do surrealismo foi o norte-americano Man Ray. Depois de militar nas fileiras do dadaísmo, ele não hesitou em passar para o grupo de amigos de Breton, interessado no que o inconsciente e o automatismo podiam dar à fotografia


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