Extensão rural para o ecodesenvolvimento



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FEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES E SINDICATOS DOS TRABALHADORES DA EXTENSÃO RURAL E DO SETOR PÚBLICO DO BRASIL - FASER


EXTENSÃO RURAL PARA O ECODESENVOLVIMENTO




Aracaju - SE, Outubro de 2006.




Federação das Associações e Sindicatos dos Trabalhadores da Extensão Rural e do Setor Público Agrícola do Brasil - FASER

EXTENSÃO RURAL PARA O ECODESENVOLVIMENTO


Álvaro Afonso Simon1

Lino G. Vargas Moura2

Aracaju – SE, Outubro de 2006.

EXTENSÃO RURAL PARA O ECODESENVOLVIMENTO




Apresentação


Ao escolher como tema principal do IX CONFASER: “Extensão Rural Para o Ecodesenvolvimento”, a FASER coloca um ponto de inflexão na história do extensionismo brasileiro, exigindo uma revisão profunda em seus fundamentos teóricos e metodológicos e nas suas estruturas institucionais. Se para muitos autores que estudam o tema da sustentabilidade não há esperança de um desenvolvimento em outras bases, parece pretensiosa a intenção dos pesquisadores e extensionistas rurais, a partir de suas ações, desencadear um processo de mudanças capaz de alterar o rumo dessa imensa engrenagem que denominamos de sociedade.

O desafio que se coloca traz consigo, além de tudo, determinações comportamentais que nos apontam para dois tipos principais de conflitos: um em relação à intolerância dos seres humanos frente as suas diferenças; um outro que se agrava quando tratamos da relação entre os seres humanos e as outras espécies sencientes e demais elementos que fazem parte do que convencionamos chamar de natureza. Isso nos coloca de frente ao autodesconhecimento humano, desocultando os preconceitos religiosos, étnicos, sexistas, geracionais, de gênero e de espécies, prerrogativas que não são específicas do meio rural.

Este enfrentamento é tardio, mas necessário. Como ponto de partida a FASER recomenda, que em meio a uma ebulição teórica se reconheça a PNATER como orientação de novos princípios às ações de pesquisa e extensão para o meio rural. Mas entende também, que ainda é possível aprimorá-la seja em seu conjunto teórico, seja nos métodos e técnicas ou nas proposições de novas institucionalidades, que venham substituir os fluxos administrativos convencionais e complementar a democracia representativa. Nossa contribuição se cristaliza na apresentação deste texto e nos três fragmentos que estão em sua órbita. Mas, é na soma com os demais temas a serem debatidos neste congresso que ampliaremos nossa capacidade de visualizar o paradigma da extensão rural em gestação.


1. Introdução


Pelo fato de servir como fonte de matéria-prima para o setor secundário e para a possibilidade de vida em cidades, na velocidade ditada por um modelo de desenvolvimento que não reconhece limites e nem se preocupa com a qualidade, o meio rural apresenta uma degradação sociocultural que leva a condição humana para além da pobreza: segundo Buarque (1990) à coisificação do ser. O campo vive, também, um momento de crise ambiental que nos seus extremos leva à extinção de elementos constituintes dos ecossistemas. Isto põe em tela a evidência de que a vida no planeta Terra está sendo colocada em risco pela forma de gestão dos recursos naturais e do meio ambiente.

Por outro lado, verifica-se um movimento que representa um contra-enfoque ao desenvolvimento convencional, apontando claramente para um modelo alternativo, para um novo estilo de vida. Como parte deste contra-enfoque, a sociedade está construindo uma agricultura mais sustentável, baseada principalmente nos princípios da agroecologia. Neste texto, elaborado para subsidiar os debates do IX CONFASER procuramos destacar as teorias que estão influenciando a construção de um modelo desenvolvimento rural mais sustentável, mais especificamente, em relação à gestão de recursos naturais nos ecossistemas agrícolas cujos fundamentos, em parte, podem ser observados na Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural – PNATER.

Uma revisão sobre as teorias do desenvolvimento sustentável, entretanto, nos revela a carência de consenso sobre o assunto. Isso nos impõe uma dificuldade implacável no sentido de estabelecermos um marco teórico que possa orientar as ações de pesquisa e extensão rural em relação ao manejo do meio ambiente. Mas a análise, mesmo que breve, é uma necessidade concreta uma vez que, a articulação das noções de agricultura e sustentabilidade é uma questão-chave na formulação das políticas públicas direcionadas à melhoria dos sistemas sociais e ecológicos no meio rural.

Com intenção de contribuir com o debate, aceitamos o desafio de elaborar o tema central do IX CONFASER, colocando em tela alguns fundamentos teóricos que entendemos apropriados para a extensão rural em construção. Sem fugir da condição de resumo iniciamos o texto apresentando, os limites do crescimento econômico expondo a crise da extensão rural como parte da crise do modelo agrícola. O modelo agrícola como parte da crise do modelo de desenvolvimento rural, que por sua vez, é parte de um modelo de desenvolvimento societal que está nos impondo uma crise ambiental planetária entendida por alguns ambientalistas como a hecatombe que porá fim às civilizações contemporâneas.

Para auxiliar a compreensão do texto central produzimos três fragmentos: no “Fragmento I” procuramos expor os conceitos de recursos naturais, meio ambiente, as diferenças entre conservação e preservação finalizando-o com os aspectos da gestão ambiental, noção que entendemos fundamental ao ecodesenvolvimento; o “Fragmento II” indaga sobre a ética que guiará as ações da pesquisa e extensão rural para o ecodesenvolvimento; e o “Fragmento III” mostra a influência das teorias econômicas em relação ao desenvolvimento rural na sucessão dos tempos.

O tema central do IX CONFASER se traduz numa tentativa de localizar a PNATER em relação aos paradigmas do manejo do meio ambiente no desenvolvimento, considerando para isso as diversas fazes da extensão rural no Brasil. A partir deste quadro, pudemos descrever alguns aspectos da “Extensão Rural Para o Ecodesenvolvimento”, que em nosso entendimento constitui o constructo de um novo estilo de desenvolvimento para o meio rural brasileiro. Sabendo de antemão que nosso esforço nesse sentido é insuficiente, dado a sua complexidade, resta-nos nos sugerir uma permanente vigilância sobre aspectos éticos desta nova construção assumindo, que num estado de absoluta relatividade a reflexão é o caminho mais adequado.





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