Faces múltiplas de uma docente: a presença de júlia medeiros



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FACES MÚLTIPLAS DE UMA DOCENTE: A PRESENÇA DE JÚLIA MEDEIROS

Manoel Pereira da Rocha Neto;

Maria Arisnete Câmara de Morais

Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN

O Presente trabalho tem como objetivo analisar as práticas pedagógicas da professora Júlia Medeiros empreendidas no Grupo Escolar Senador Guerra, em Caicó, no Rio Grande do Norte. Investigo também a sua participação na imprensa daquela cidade, por meio do Jornal das Moças (1926-1932), e a sua contribuição na luta pelos direitos das mulheres nas décadas de 1920 e 1930.

O recorte histórico do presente trabalho é um período marcado por um conjunto de acontecimentos que refletiam as mudanças pelas quais passava o país. Tais mudanças se caracterizavam pelas lutas operárias, cujo caráter reivindicatório contemplava melhores condições de vida – incluía aí a regulamentação do trabalho das mulheres; o movimento modernista no qual se destaca a Semana de Arte Moderna, em 1922, entre outros, que configuram o perfil de modernidade que vivia o Brasil.


Nesta época algumas mulheres se constituíram mulheres notáveis, numa sociedade patriarcal, na qual a educação era privilégio dos homens. Elas venceram barreiras e tiveram acesso á educação, indo na contra da mão da história, principalmente no meio rural, distante dos centros urbanos. Nesse contexto, destaca-se a professora Júlia Medeiros, nascida no sertão norte-rio-grandese em 28 de agosto de 1896. Desde menina, Júlia Medeiros teve acesso às primeiras letras, devido à visão pedagógica do seu pai, o fazendeiro Antônio Cesino de Medeiros, que não fazia distinção de sexo. De acordo com Félix (1997), essa linha de pensamento era uma exceção naquela região. Essa autora observa que, mesmo exercendo a função de educador, o professor Juvenal Chagas Teixeira Campo Verde não escolarizou as próprias filhas, ao passo que os filhos do sexo masculino receberam a educação escolar oferecida na época.

No entanto, Júlia Medeiros seguiu caminho inverso da maioria das meninas do sertão. Foi alfabetizada em sua própria residência, numa das salas da Fazenda Umari, sob a orientação de Misael Barros, o seu mestre-escola.

O mestre-escola era privilégio de uma elite rural, excludente, tanto do ponto de vista econômico, quanto como em relação à condição feminina. O interesse maior das famílias do sertão era instruir os filhos homens, todavia as meninas tinham permissão de assistir às aulas com a autorização do pai. Esses educadores entraram pelo sertão adentro instruindo os futuros políticos, padres ilustres, entre outros:

Mestre-escola e Professore Régio atravessaram a segunda metade do século XVIII e enfiaram pelo século XIX, entocados nos sertões, prestando serviços relevantes, desarnando com beliscões, palmatória e vara de marmeleiro os futuros chefes políticos, padres ilustres, soldados valorosos e fazendeiros onipotentes, saudosos do tempo da escola, da oração inicial e de pedido de benção ao mestre cujos direitos morais jamais prescreveram. (CASCUDO, 1977, p. 262).

Após ser alfabetizada Júlia Medeiros seguiu para a capital potiguar em busca de ampliar seus conhecimentos. Segundo Euza Monteiro em seu depoimento, em maio de 2002, Júlia Medeiros e as suas colegas Maria Leonor Cavalcante e Olívia Pereira foram levadas nas costas de burro pelo coletor estadual Eulâmpio Monteiro. A viagem até Natal durou cerca de oito dias.

Na capital norte-rio-grandense freqüentou inicialmente o Colégio Nossa Senhora da Conceição. Posteriormente decidiu ser professora e com esse objetivo ingressou, em 1921, na Escola Normal de Natal. Após concluir seus estudos foi diplomada no dia 30 de janeiro de 1926.

De volta a Caicó, com o propósito de fundar um externato para as crianças, faz publicar no Jornal das Moças (1926-1932), uma nota, por meio da qual, oferecia os seus serviços como professora particular.

Júlia Medeiros, diplomada pela Escola Normal do Estado, tendo o propósito de abrir um externato para crianças de ambos os sexos, oferece os seus serviços aos pais de família da nossa terra. (JORNAL DAS MOÇAS, 03/05/1926)

O desejo de fundar um externato não se concretizou. Com o intuito de instruir as crianças de sua terra, essa professora entra para o quadro pedagógico do Grupo Escolar Senador Guerra, em 30 de junho de 1926. Assina, junto com a professora Maria Leonor Cavalcante – colaboradora do Jornal das Moças (1926-1932) – perante o diretor Joaquim Coutinho, um termo de compromisso de professora suplente da Cadeira Infantil-misto Suplementar, e começou a lecionar em 1 de julho daquele ano.

O programa do Infantil-misto constava de Canto, Leitura e Escrita, Língua Materna, Aritmética, Geografia, História Pátria, Moral e Civismo, Desenho Natural, Trabalhos Manuais, Exercícios Físicos.

Vários são os alunos que recordaram do entusiasmo com que Júlia Medeiros regia, de apontador na mão, os seus alunos nos dias de marcha. Distribuídos em fila, seus alunos marchavam na própria sala de aula, contornando as carteiras e entoando cânticos que eram aprendidos de cor. Cantavam também para iniciar e terminar as aulas. Eis a letra de uma das músicas cantadas na entrada do Infantil-misto:



Deixemos os brinquedos, vamos estudar.

O mestre é nosso amigo, a escola o nosso lar

Atentos, pois, ouçamos dos mestres

As lições que ilustram nossas mentes e nos tornam bons.

A escola não fadiga quem amor lhe tem

Nos mostra a existência e nos aponta o bem

Colegas, estudemos nesta quadra (sic)

Infantil para sermos no futuro

A glória do Brasil.

(FÉLIX ,1997, P.28)

Escolheu a profissão de professora para participar efetivamente da vida letrada e social de sua terra. Além de ser remunerada por esse ofício, conquistou, por meio dele, respeito. Seu prestígio se alargava devido às influências que adquiria em suas constantes viagens a Natal, Mossoró e Rio de Janeiro; nesses lugares mantinha contatos com lideranças políticas, como a feminista Bertha Lutz, entre outras.

A missão de professora, na sua concepção, não bastava. Acreditava que era possível fazer mais. Começou atuar na imprensa e a reivindicar instrução para as mulheres. Colaborou para a revista Pedagogium, órgão oficial da Associação de Professores do Rio Grande do Norte, na qual publicou o artigo intitulado A missão da mulher. No referido artigo Júlia Medeiros questiona o papel da mulher:

A missão da mulher poderá se estender além do lar, cujo programa será sempre a dedicação, não procurando vencer senão pela virtude, visando que a nossa força e o nosso prestígio representam a modéstia e as delicadezas inerentes ao próprio sexo.(REVISTA PEDAGOGIUM, Nº 21, OUT/SET DE 1925)

No mesmo ano que entra para lecionar no principal Grupo Escola de Caicó, Júlia Medeiros passa a fazer parte do corpo redacional do Jornal das Moças (1926-1932), folha fundada em 7 de fevereiro de 1926 pela professora Georgina Pires e sob a gerência de Dolores Diniz. Esse jornal tinha técnicas jornalísticas dentro dos padrões dos grandes jornais do Rio Grande do Norte, e direcionado ao público feminino. A edição de 28 de julho de 1926 registra a sua chegada ao jornal:

Temos hoje o prazer de contar com mais uma distinta e inteligente companheira, a nossa brilhante colaboradora professora Júlia Medeiros que entra para o corpo redacional. Aos nossos bons leitores e às nossas gentis leitoras, levamos os nossos parabéns pelo belo ornamento que vem realçar o nosso modesto jornalzinho.(JORNAL DAS MOÇAS, 28/07/1926)

Professora querida por uns e “não agradável” para outros, por causa de seu comportamento avançado, foi chamada de “louca”. Era uma mulher á frente do seu tempo. De acordo com Festa (1997, p. 33), no início do século XX, diversas mulheres tentaram fazer uma revolução nos costumes, exigindo a participação no espaço público, mas muitas foram impedidas, e as que conseguiram foram, assim como Júlia Medeiros, consideradas mulheres loucas:

[...] algumas mulheres tentaram fazer uma revolução nesse começo de Século XX, mas todas foram impedidas. As que conseguiram fazer, como Pagu, na Semana de Artes Moderna de 1922, têm sido consideradas mulheres loucas. Tarsila do Amaral, foi uma grande pintora no Brasil, também foi considerada louca.

Mulheres que se diferenciavam das demais, atuavam no espaço público e reivindicavam seus direitos, eram consideradas pela sociedade deloucas”, como nos diz Festa (1997) no fragmento acima.

Possuidora de comportamento diferenciado, Júlia Medeiros também chocou ao dirigir um automóvel. O casamento para ela era uma maneira de ficar presa no espaço privado, o lar. Em virtude desses dois aspectos renderam-lhe versos cantados pelas crianças nas calçadas da cidade: “Júlia Medeiros, no seu carro Ford, virou a princesa do caritó”(Félix, 1997, p.32).

Segundo a tradição do sertão, a moça passa por três oportunidades na vida para conseguir um casamento, que seria a sua grande realização. Segundo depoimentos de moradores e populares da região, a referida expressão é caracterizada nas seguintes fases da vida da moça: o “primeiro tiro da macaca” seria por volta dos dezoito anos de idade. O “segundo tiro da macaca”, por sua vez, era aos 21 anos de idade aproximadamente, e por fim, aos 25 anos, a última esperança.

Caso não conseguisse um casamento estava destinada a ficar solteira, gerando preocupação na sua família. “ O último tiro da macaca” seria portanto, a última esperança de se casar, caso contrário, se tornaria moça no “caritó”, expressão popular para designar moça solteira.

De acordo com Cascudo (1977, p.142-143), na sua obra Locuções Tradicionais do Brasil, a expressão “Morte da macaca”, nos veio dos Galibis das Guianas e é pouco usado no Brasil letrado. Ele explica:

Morte da macaca significa desgraçada. Pela terminação feminina, o português julgou-o feminino, concordante com o gênero de morte [...], seria, inicialmente, morte de macaca, sucumbir com ela, caçada a tiro de pedra, flecha e bala. Macaca passou a ser infelicidade [...]. Dar tiro na macaca significa ficar sem casar, perder as esperanças.

Era a cobrança do comportamento das moças da época, pois toda mulher deveria se casar, caso contrário, ficaria no “caritó”. Este termo faz referência a um móvel, uma prateleira bastante usual chamada de “caritó”, que era localizado no canto do quarto ou sala das residências sertanejas (Rosut, 1994, p.180).

Dessa maneira, a mulher sem marido, sem o cônjuge, estaria destinada a ficar esquecida, no canto, tal qual o móvel dos sertanejos. A opção de ficar solteira desafiava as normas, pois na maioria das vezes restava às solteiras cuidar dos sobrinhos, “ficar pra titia”.

A professora Júlia Medeiros pensava diferente. Sintonizada com a causa das mulheres, escreve mais uma página na história de Caicó. Foi a primeira mulher de Caicó a se alistar como eleitora. Juvenal Lamartine, político norte-rio-grandense simpático à causa feminina, concedeu o direito de sufrágio às mulheres antes de assumir o governo do Rio Grande do Norte. O estado foi o primeiro do Brasil no qual as mulheres podiam votar e ser votadas, representadas pelas professoras Celina Guimarães; primeira mulher a se alistar, na cidade de Mossoró/RN; e Alzira Soriano, primeira mulher a se eleger prefeita de um município no Brasil, a cidade de Lajes/RN.

Com o desejo de avançar na sua luta pelo direito da mulher, Júlia Medeiros candidata-se a uma vaga na Câmara Municipal de Caicó. Em 1950, aos 54 anos de idade, é eleita vereadora pelo Partido Social Democrático - PSD. Obteve na eleição 214 votos, num universo de 4.469, correspondendo a 4,78% da votação. Concorreu com 28 candidatos e foi a 6ª colocada. Reelegeu-se para novo mandato para o período de 1954 a 1958.

Após encerrar o mandato como vereadora, Júlia Medeiros se encontrava perturbada mentalmente. Segundo seus familiares, ela se trancava em sua casa e permanecia vários dias sem comunicação. Segundo Adauto Guerra, a debilidade de Júlia Medeiros pode estar associada a sua trajetória de mulher sempre atuante naquela sociedade: “Júlia Medeiros trabalhava mais do que a força humana”, assinala ele.

A professora Júlia Medeiros foi uma mulher de vanguarda. Ela quebrou regras e tabus na Caicó de outrora, com seu comportamento avançado e, na maioria das vezes extremado para os padrões sociais vigentes. Ela chocou a sociedade como forma de questionamento, foi contra o casamento. Torna-se mulher no “caritó” para ela foi uma opção, enquanto para a maioria das mulheres do seu tempo seria o fim da sua vida, o tiro de misericórdia. Nesse contexto, ela não aceitava as convenções sociais. Sua vida sempre foi vinculada ao espírito de luta, liberdade, conquistas e evolução.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

I - Periódicos Pesquisados


Jornal das Moças (1926-1932). Semanário editado pelas professoras Georgina Pires, Dolores Diniz, Júlia Augusta Medeiros e outras colaboradoras da cidade de Caicó, Rio Grande do Norte.

Revista Pedagogium (1921-1925). Órgão da Associação de Professores do Rio Grande do Norte. Nº 21, OUT/SET DE 1925

II - Livros


CASCUDO, Luís da Câmara. O livro das velhas figuras: pesquisa e lembranças na história do Rio Grande do Norte. Natal: Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, 1977.

_____. Locuções tradicionais no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: FUNARTE, 1977.

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______. A invenção do cotidiano. Tradução por Ephraim Ferreira Alves. São Paulo: Vozes, 1994.

CHARTIER, Roger. A historia cultural: entre práticas e representações. Tradução por Maria Manuela Galhardo. Lisboa: Difel, 1990.

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FÉLIX, Ezequielda. MOREIRA, Aldo. FREIRE, Francisca Daise Galvão. Júlia Medeiros, peso da tradição, desejo de liberdade. Caicó, 1997. Monografia (Graduação em História) - Departamento de Estudos Sociais e Educacionais, Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

FESTA, Regina. Mídia trabalha imagem da mulher de modo mais abrangente. Brasília: Conselho Federal dos Direitos da Mulher, 1997.

GUERRA FILHO, Adauto. O Seridó na memória de seu povo. Natal: Departamento Estadual de Imprensa, 2001.

LAMARTINE, Juvenal. Velhos costumes do meu sertão. Natal: Fundação José Augusto, 1965.

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MELO, Manoel Rodrigues de. Dicionário da imprensa no Rio Grande do Norte: 1907-1987. São Paulo, Natal: Fundação José Augusto, 1999.

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ROSUT, Aleixo, BRASILIANO, F. da Silva Jr. ALBUQUERQUE, Caio. Dicionário completo da língua portuguesa.São Paulo; Melhoramentos, 1994.

ROCHA-COUTINHO, Maria Lúcia. Tecendo por trás dos panos: a mulher brasileira nas relações familiares. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.

ROCHA NETO, Manoel Pereira da. Jornal das Moças (1926-1932): educadoras em manchete. Natal, 2002. Dissertação (Mestrado em Educação) - Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

RODRIGUES, João Batista Cascudo. A mulher brasileira: direitos políticos e civis. Brasília: Brasiliense, 1993.




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