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SISTEMAS TRADICIONAIS DE SECAGEM, ARMAZENAMENTO E CONSERVAÇÃO DE CEREAIS NA REGIÃO DO LIMA: origens, evolução e caracterização
O cereal, seja ele qual for, constitui hoje, tal como no passado a base da dieta alimentar humana. Por isso, semeado no Inverno ou na Primavera, consoante o tipo e o género, é depois colhido no Verão ou nos meses do Outono e acondicionado em estruturas apropriadas capazes de garantir o seu bom estado de conservação ao longo de todo o ano ou pelo menos até ao momento em que o mesmo é moído. Ora, isto é o que se verifica um pouco por todo o lado e no caso vertente do nosso estudo também na região do Lima. Por isso, abundam aqui no registo arqueoetnográfico vários tipos e géneros de estruturas que grosso modo se relacionam com a debulha, secagem e armazenamento de cereais, sendo que as mesmas, tal como as suas práticas, variaram ao longo dos tempos em função da época, dos costumes vigentes e do tipo de cereal, pois que estes requerem por vezes estratégias diferenciadas.

O local de receção do cereal, logo que o mesmo é colhido nos campos, é a eira. Esta estrutura, que pode ser em terra batida, em laje de pedra ou simplesmente aproveitar os afloramentos rochosos sempre existiu uma vez que a debulha inerente a qualquer cereal assim o exige. Apesar deste facto pouco se sabe sobre a eira em épocas anteriores ao período histórico. É o que se passa sobretudo para o Período Calcolítico e para a Idade do Bronze, épocas que sabemos já se dedicarem ao cultivo de cereais. A ausência da eira do registo arqueológico destes períodos não significa contudo que a mesma não existisse, pelo contrário, o mais curial é até que a mesma fosse em terra batida ou que simplesmente aproveitasse um qualquer afloramento rochoso plano existente nas imediações do povoado para aí se realizarem os trabalhos de debulha do cereal46. Mais evidente é a sua presença na Idade do Ferro e no Período Romano. Para a Idade do Ferro, sobretudo pela altura do câmbio da Era, a eira fixar-se-ia no pátio central de cada núcleo habitacional castrejo. Era nele, segundo Brochado de Almeida, que se secavam os frutos e os cereais (Almeida CAB 2003, 130). No Período Romano, segundo Jorge Dias, a eira, relacionada sobretudo com a debulha de cereais como o trigo e o centeio, seria um amplo espaço térreo aberto e com contornos algo irregulares (Dias et alii 1961, 22). Nos dias de hoje a eira, fundamentalmente em pedra, é um espaço privilegiado de receção do cereal o qual aí fica durante algum tempo a secar, sendo depois, no caso do milho-maís, malhado e guardado em estruturas de secagem e armazenamento apropriadas como são por exemplo os sequeiros, os varandões e os espigueiros (Moura 1995, 23).

Independentemente destas questões, origens e cronologias, na região do rio Lima abundam essencialmente três tipos de eiras as quais resultam obviamente de conhecimentos bebidos em épocas anteriores. O primeiro é o que aproveita os afloramentos rochosos da região. Sem prejuízo de outros locais é o que se constata por exemplo nas localidades do Soajo e do Lindoso, onde estas eiras são até de carácter comunitário (Fig. 46) (Dias et alii 1961, 24)47. Diferentes são as do segundo tipo. Embora existam também no Lindoso e no Soajo, a verdade é que este tipo de eira encontra-se disseminado por toda a região e as mesmas são maioritariamente de carácter individual (Dias et alii 1961, 24; Moura 1995, 23)48. Bem definidas fisicamente, são estruturas de planta quadrangular ou retangular delimitada quase sempre por pequenos muretes que evitam que o cereal se espalhe. Apresentam dimensões médias, fixam-se por norma junto à casa de habitação do lavrador e ostentam pavimento lajeado o qual utiliza os materiais próprios da região, isto é, o granito ou a lousa, esta onde a há (Dias et alii 1961, 24). Por último, o terceiro tipo, a eira em terra batida. Apesar de escasso hoje este tipo de eira ainda é possível ver-se na paisagem da região. Foi o que constatamos em Santa Leocádia de Geraz do Lima, em Viana do Castelo. Situada no terreiro da casa da Maria Rites, no lugar do Coval, esta eira, em terra batida, apresenta contornos deveras irregulares e de acordo com testemunho oral colhido no local durante os meses do Inverno era coberta com ramos de caruma verde para evitar que a geada levantasse a crosta do terreno, sendo as fendas tapadas com bosta49. Esta prática de resto não era exclusiva do local pois já Jorge Dias a refere para outras partes desta região (Dias et alii 1961, 24)50.

O terceiro tipo de eira, que sumariamente aqui descrevemos, é, muito provavelmente, o mais antigo dos modelos enunciados e as suas origens deverão relacionar-se com o tempo em que o cereal aqui debulhado era o trigo, o centeio e o milho-miúdo, pois que estes requerem processos completamente distintos daqueles que se aplicam ao milho-maís. Como se sabe, o milho-maís é, fundamentalmente, um cereal de regadio que depois de colhido tem de ser convenientemente secado antes de ser armazenado. Assim, no caso deste cereal, a primeira secagem é feita ainda na eira, mesmo antes da malha, razão pela qual é a mesma em pedra. Esta é de resto a evidência maior que permite inclusivamente dividir a eira em duas tipologias de acordo com a sua função: a eira de debulha, circunscrita sobretudo ao trigo e ao centeio, e a eira de debulha e secagem, própria para o milho grosso (Dias et alii 1961, 22). Em suma, com a introdução do milho-maís, no século XVI e XVII, as eiras de terra batida foram lentamente desaparecendo da paisagem da região, tendo sido substituídas pelas eiras de pedra que são mais propícias ao tratamento do milho-maís (Dias et alii 1961, 24)51.

A transformação da eira térrea em eira pétrea, em virtude da introdução do milho-maís, foi acompanhada em muitos casos pelo surgimento de certas estruturas de apoio, as quais se relacionam fundamentalmente com a secagem e armazenamento do cereal. É o que se passa por exemplo em várias freguesias do concelho de Ponte da Barca onde abundam sequeiros e varandões. Estes são aqui em geral estruturas de planta quadrangular com quatro águas, apresentam normalmente dois pisos alteados suportados por pilares e ostentam amplas portadas e ripados de madeira na fachada orientada ao sol os quais arejam o interior e lhe fornecem a luminosidade necessária. O acesso ao interior faz-se por norma através de um escadório móvel, quase sempre de madeira. No interior, resguardado da pluviosidade, há várias estruturas de armação ripada que delimitadas por um corredor central permitem o acondicionamento das espigas. É no rés-do-chão e no próprio andar sobradado que tem lugar a malha do milho, a qual pode ser feita em qualquer altura, mesmo em dias de chuva pois toda a estrutura é fechada (Dias et alii 1961, 117; Moura 1995, 23).

Estas estruturas, os sequeiros e os varandões, deveras especializados, abundam não só no concelho de Ponte da Barca como também em vastas áreas da região do Lima, ainda que em menor número (Fig. 47). Em geral, na bacia do rio Lima o sistema de secagem e armazenamento de cereal que hoje domina na paisagem é o espigueiro, sendo que o mesmo apresenta especificidades muito próprias e que variam de região para região.

De um modo geral, o espigueiro mais não é do que uma pequena construção granítica sobrelevada de planta retangular que se destina ao armazenamento e secagem do milho-maís. Apresenta estreitas frestas nas fachadas que têm como função arejar e iluminar o interior por um lado e por outro impedir o acesso das aves granívoras, as quais como se sabe apreciam e muito o cereal. Outro aspeto importante nesta estrutura é o facto de a mesma se situar sempre acima da cota do terreno. A estrutura principal, o corpo retangular propriamente dito, apoia-se, grosso modo, em pequenos pilares encimados por mesas ou mós e o pavimento é por norma em madeira. Este pormenor arquitetónico é de suma importância uma vez que impossibilita o contacto da humidade do solo com o cereal, assim como impede o acesso dos roedores ao interior. De relevo neste tipo de estruturas é também o alinhamento do telhado. Este varia entre as duas e as quatro águas, pode ser em telha ou em pedra, e ostenta normalmente beirais que excedem os limites físicos do corpo principal o que permite um fácil e cómodo escorrimento das águas das chuvas. O acesso ao interior é na maioria das vezes feito através de uma escada de madeira móvel que se coloca na parte mais alongada do corpo ou na parte mais estreita (Moura 1995, 24).

O espigueiro como sistema de secagem e armazenamento relacionado com o milho-maís encontra-se, como atrás se disse, disseminado um pouco por toda a região e o mesmo mereceu atenção especial no século XX, graças sobretudo à sua riqueza arquitetónica e etnográfica. Estas estruturas foram estudadas pela primeira vez por Abel Viana nos anos trinta, depois, nos inícios da década de 1960, por Jorge Dias e, mais recentemente, nos anos 90 por Armando Reis Moura, tendo-lhes sido atribuídas tipologias em função dos tamanhos, dos corpos edificados, dos materiais empregues na construção e até na forma dos telhados. Assim, como facilmente se constata há uma multiplicidade de tipologias de espigueiros na região as quais grosso modo se distribuem nos seguintes termos: os espigueiros estreitos, os espigueiros de paredes verticais, os espigueiros que são todos em pedra e aqui incluem-se naturalmente os espigueiros do Lindoso e do Soajo por exemplo, os espigueiros do tipo da serra D` Arga (Caminha), os espigueiros do tipo Cidadelhe (Ponte da Barca), os espigueiros de pedra e madeira, os espigueiros só de madeira, os espigueiros com cápeas e guarda-ventos, os espigueiros sem cápeas e guarda-ventos, os espigueiros de ripado horizontal e, entre outros, os espigueiros de ripado vertical. Independentemente destas tipologias52, pode dizer-se que na região do rio Lima abundam essencialmente três tipos de espigueiros, isto se tivermos em conta os materiais utilizados na elaboração do corpo principal, a saber: os espigueiros que são totalmente em pedra, os espigueiros em pedra e madeira e os espigueiros só em madeira.

O primeiro tipo encontra-se fundamentalmente sediado em várias freguesias dos concelhos de Ponte da Barca e de Arcos de Valdevez, sobretudo, nos casos mais conhecidos, no Soajo, Lindoso, e nos lugares de Parada e Cidadelhe. São normalmente construções sobrelevadas por pequenos pés encimados por mesas, umas vezes circulares e outras retangulares, enquanto vários balaústres biselados dão origem a sucessivas e estreitas frestas de pendor vertical53 que arejam e iluminam o interior do espigueiro e que no seu conjunto dão forma a um corpo retangular alongado totalmente pétreo e que pode apresentar mais do que um vão. A cobertura, quase sempre em duas águas e provida de guarda-ventos, faz-se, na esmagadora maioria dos casos, com lajes graníticas que excedem os limites físicos do edificado formando assim beirais (Fig. 48 e 49). Na parte superior da cobertura fixam-se por vezes relógios de sol ou pequenas peanhas que recebem no seu topo cruzes. A entrada, acompanhada por vezes por arco abatido e cartela com a data da sua construção, fixa-se por norma na fachada frontal, sendo a mesma enquadrada pelas colunas e padieiras do esqueleto do edificado. Porém, casos há, em que a entrada se fixa na fachada lateral, como acontece por exemplo em alguns espigueiros do Lindoso e do Soajo. O acesso ao interior faz-se normalmente através de uma escada de madeira móvel e a porta, quase sempre no mesmo material, ostenta por vezes requintes decorativos deveras impressionantes. Foi o que encontramos por exemplo num espigueiro que se encontra na freguesia de Parada, em Ponte da Barca. Aqui, mais do que o espigueiro em si merece certamente destaque os elementos decorativos gravados na porta de entrada os quais compreendem lateralmente elementos geométricos concêntricos e, na parte central, a figuração de uma custódia de base triangular encimada por um fuste estreito que remata a nível superior com circunferência raiada e no seu interior com a representação de uma lúnula, isto é, com o espaço onde se guardava a Hóstia Sagrada o que em termos simbólicos nos remete para o carácter sacro do pão.

O segundo tipo de espigueiro, aqueles que são feitos em pedra e madeira, encontram-se disseminados um pouco por todo o Lima. Em geral, este tipo de espigueiro pontua de forma isolada na paisagem54, normalmente junto da habitação rural, mas casos há em que os mesmos se fixam em núcleos significativos e em torno de eiras comunitárias como acontece por exemplo em Santo Adrão55, Arcos de Valdevez. São, no geral, construções de esqueleto granítico e ostentam ripados de madeira os quais variam entre o tipo horizontal e o tipo vertical, embora o mais frequente seja mesmo o segundo género. Apoiam-se, como é habitual, em pequenos pés encimados por mesas circulares ou retangulares e a cobertura, quase sempre de duas águas, é telhada. O acesso ao interior, cuja porta se encontra normalmente na parte mais estreita do corpo, faz-se habitualmente, como em tantos outros casos e situações, através de uma escada de madeira móvel (Fig. 50, 51 e 52).

Por último, o espigueiro inteiramente em madeira. Este tipo pontua em vários pontos da bacia hidrográfica do rio Lima, sobretudo a poente do centro da vila de Ponte de Barca, em Ponte de Lima, aqui, por exemplo em Beiral do Lima e Bertiandos, e em várias partes do concelho de Viana do Castelo. De planta retangular têm como elemento característico a caixilharia que forma o corpo propriamente dito e que é toda em armação de madeira. Apresentam ainda como característica dominante a prevalência do ripado horizontal, sendo a cobertura telhada e hoje em muitos casos em folha zincada.

O espigueiro, tal qual hoje o concebemos, está longe de ter sido o único sistema de armazenamento e secagem do cereal na região do rio Lima. Antes da sua aparição, tenha-se ela dado no século XVI/ XVII56, ou no início da Alta Idade Média por influência dos Suevos como defende Jorge Dias57, já por aqui pululavam estruturas que tinham como finalidade armazenar e secar o cereal. É o caso dos caniços e dos celeiros, estes frequentemente mencionados na documentação medieval, mas também dos dolia da Época Romana e, por exemplo, dos silos cavados no substrato rochoso e que a Arqueologia vem documentando em vários partes do Entre-Douro-e-Minho para o Calcolítico, para a Idade do Bronze e para a Idade Média.



Os caniços, frequentes até há uns anos atrás no Soajo (Arcos de Valdevez) e nas freguesias de Entre-Ambos-os-Rios e Britelo (Ponte da Barca)58, são uma espécie de cestos encanastrados59 de formato circular e dimensões razoáveis60 que repousam, normalmente, sobre uma mesa ou estrado61 cuja grade, formada por quatro ou mais pranchas de madeira ligadas entre si por entalhes resultando com isso o soalho propriamente dito, assentam sobre blocos de pedra, os quais são por norma toscos e irregulares mas que isolam a estrutura principal da humidade existente no solo (Fig. 53). Possuem, a nível inferior, abertura para descarga do cereal, e, na parte superior, cobertura cónica que excede o diâmetro do cesto, formando com isso um beiral. Esta cobertura, designada normalmente por carucho, é armada com varas e revestida com palha de centeio a qual remata no topo com entrelaçados que lhes dão um certo requinte62. Suportado por forqueiras colocadas no interior do cesto, o carucho é peça móvel e independente do corpo principal e permite que o cereal seja depositado a partir dele63.

A origem do caniço é do ponto de vista histórico dúbia e incerta uma vez que o mesmo é feito com recurso a materiais perecíveis e que logicamente desaparecem do registo arqueológico com o tempo. Ainda assim, Jorge Dias coloca as suas origens algures no Neolítico e associa a sua existência ao cultivo do milho-miúdo (Dias et alii 1961, 232)64. É provável até que tenha razão, contudo do ponto de vista arqueológico não existe qualquer indício ou evidência da sua existência. O mais parecido, que tem surgido no registo arqueológico de alguns povoados Calcolíticos e da Idade do Bronze da região, são uns quantos buracos de poste associados a cabanas circulares situadas junto a fossas cavadas no solo. A dificuldade nestes casos está porém em associar esses buracos a celeiros. É o que se passa, por exemplo, no povoado da Regueira, em Vitorino de Piães, no concelho de Ponte de Lima. Aqui, entre outros aspetos de relevo arqueológico, no sector 2 e mais especificamente na camada 3 do mesmo, além de dois pavimentos argilosos e fossas cavadas no substrato rochoso identificaram-se cinco buracos de poste relacionados uma cabana (Bettencourt et alii 2003, 94-95). Seria um celeiro ou apenas um espaço de habitação? Não temos forma de o saber em virtude do escasso material exumado. Outro exemplo, de resto do mesmo género, é aquele que se pode retirar do resultado de uma intervenção arqueológica realizada na estação Penedos Grandes, no concelho de Arcos de Valdevez. Aqui, uma vez mais, à semelhança do caso anterior, identificam-se pisos e silos cavados no solo, assim como buracos de poste, os quais se associam a cabanas (Bettencourt et alii 2000-2001, 210). Caso mais evidente e paradigmático é aquele que resultou da intervenção arqueológica realizada no monte da Cimalha, em Sernande, concelho de Felgueiras. Neste povoado, além de silos e sepulturas, ambos cavados no solo, evidenciam-se duas lareiras delimitadas por pequenas fossas circulares abertas no saibro e que os autores do Relatório Final da intervenção interpretam como sendo buracos de poste de duas cabanas de planta circular (Fig. 55) (Almeida CAB et alii 2008a, 23). Ora, a área de armazenamento nesta estação situa-se fora do espaço habitacional o qual era delimitado por uma muralha cujos vestígios ainda são percetíveis. Perante este facto, será possível relacionar os vestígios destas duas cabanas a espaços de habitação? Sinceramente parece-nos que não até porque o espólio cerâmico relacionado com atividades domésticas comuns exumado nessa área foi escasso (Almeida CAB et alii 2008a, 23). Esta é de resto também a opinião dos autores do Relatório Final que admitem a possibilidade destas duas cabanas terem funcionado como estruturas de armazenamento o que a ser verdade as colocaria indubitavelmente na rota dos caniços ou em algo do género, como por exemplo os celeiros que se documentam arqueologicamente já na Idade do Ferro (Almeida CAB et alii 2008a, 23-24 e 45).

Quanto ao celeiro, devemos referir que o termo presta-se a qualquer sistema de armazenamento, sendo o mesmo empregue com frequência no Período Medieval, de tal modo que é até possível identificar para esta fase os principais centros de aprovisionamento de cereais. Entre outras referências, sabemos a partir da leitura das Inquirições de 1258 que Darque, Serreleis, Deocriste, Ponte de Lima, Santo Estevão, Fojo Lobal, Parada, Grovelas, Britelo e Lindoso, entre outros, eram locais privilegiados de receção e armazenamento do cereal proveniente do pagamento das rendas (Marques 1978, 112)65. Para períodos mais recentes o celeiro é sem sombra de dúvida o espigueiro, o sequeiro e o varandão, contudo, se recuarmos no tempo, fundamentalmente ao período Calcolítico e à Idade do Bronze, o celeiro será também certamente o silo, mas não só. Esta ideia advém-nos pois do que a Arqueologia advoga para a vigência da Idade do Ferro. Neste período histórico verifica-se no registo arqueológico a diminuição da popularidade do silo, o que se evidencia na raridade dos seus achados66. Tal poderá estar relacionado com a preferência por uma outra estrutura, o Celeiro no sentido restrito do termo, sendo que o mesmo pode ter como antecessor precisamente os tais buracos de poste encontrados em Cimalhas fora do espaço amuralhado e na envolvência da área de silagem. Este tipo de estrutura, agora na vigência da Idade do Ferro, foi detetado por Brochado de Almeida no Castelo Faria, em Barcelos, e no castro de São Lourenço, em Esposende (Almeida CAB et alii 2008b, 130). Aqui encontrou este arqueólogo nos meandros das vivências castrejas uma estrutura completamente diferente das habitações circulares (Fig. 56). Este especialista fundamenta a sua opinião num conjunto de especificidades muito próprias do edifício, as quais passam num primeiro momento pelo facto de no seu interior se ter encontrado in situ, cravados sobre o terreno natural, duas mós circulares com sinais de enorme desgaste, o que evidência que aqui se praticava também a moagem (Almeida CAB et alii 2008b,130). De relevo, segundo Brochado de Almeida, é também a traça arquitetónica e os aspetos morfológicos do edifício, os quais pouco têm a ver com as demais habitações castrejas. Como elementos distintivos entram por exemplo a planta oblonga, ou próximo disso, assim como a fixação da entrada situada a um plano mais elevado do que aquele que se verifica no comum das habitações castrejas (Almeida CAB 2008b, 130-131)67.

Os espigueiros, os sequeiros e os varandões, tal como os caniços, mesmo admitindo que estes sejam ancestrais, estão longe de terem sido os únicos sistemas de secagem e armazenamento de produtos agrícolas perecíveis. Com efeito, muito antes destes por aqui perdurou o silo, uma espécie de fossa de boca circular ou semicircular cavada no substrato rochoso e que na Idade Média recebe a designação de tulha. Quem o diz e confirma é a Arqueologia que os tem encontrado em vários pontos do Norte do país e, no caso vertente do nosso estudo, no Entre-Douro-e-Minho e região do Lima (Fig. 57 e 58).

Como se sabe, a Arqueologia conheceu nas últimas décadas um incremento considerável do qual resultou a multiplicação de intervenções no terreno e, consequentemente, a publicação de relatórios finais e estudos mais pormenorizados os quais têm, grosso modo, contribuído para um melhor conhecimento sobre o tema. Tais estudos mostram-nos pois a prevalência do silo no tempo, pelo menos até à Idade Média, como indiretamente nos falam de costumes e práticas ancestrais. No seu conjunto, as intervenções arqueológicas realizadas e os consequentes estudos e relatórios finais ajudam-nos a perceber a dimensão das práticas agrícolas e do cultivo dos cereais, por exemplo se se tratam de produções e armazenamentos pequenos, provavelmente circunscritos apenas ao consumo interno da comunidade, ou, pelo contrário, se estamos na presença de grandes produções e armazenamentos o que por sua vez denota neste caso enorme pujança económica e práticas agrícolas que estão para lá do autoconsumo. Assim, vejamos o que nos dizem sobre o tema alguns estudos e relatórios, os quais resultam de algumas intervenções arqueológicas recentes.

Um dos vestígios mais antigos de silos no Norte de Portugal inscreve-se no Cemitério dos Mouros, um povoado transmontano cuja cronologia mais antiga que se conhece o coloca no III milénio a.C. O sítio, localizado na freguesia de Abreiro, uma localidade enquadrada no aro administrativo do concelho de Mirandela, exibe características suficientes do Período Calcolítico e o mesmo foi intervencionado do ponto de vista arqueológico no século passado. Dessa intervenção arqueológica resultou posteriormente o respetivo relatório, assim como a inserção de alguns dos seus dados num pequeno artigo alusivo à “Contribuição da Antracologia para o estudo dos recursos florestais de Trás-os-Montes e do Alto Douro durante a Pré-História Recente” (Figueiral et alii 1998-1999, 71-101). Entre outros assuntos e referências a povoados da região, as autoras, Isabel Figueiral e Maria Jesus Sanches, relevam a notícia de uma “… fossa que perfurava o solo geológico…”, tendo-se dela recolhido para análise alguns grãos de cereal, o que indubitavelmente a relaciona com a prática e o costume de se armazenar no Período Calcolítico o cereal no interior deste tipo de estruturas (Figueiral et alii 1998-1999, 85).

O achado no Cemitério dos Mouros está longe de por si só se constituir como um caso único e isolado no panorama da Arqueologia nortenha. Com efeito, vários são, antes e depois dele, os relatórios e as publicações de cunho arqueológico que nos dão conta da existência deste tipo de estruturas cavadas no solo um pouco por todo o Norte do país. Entre outros casos, é o que se passa, por exemplo, em Bitarados, sítio arqueológico que se fixa nos meandros do alvéolo do planalto de Vila Chã, em Esposende. Aqui, de acordo com um pequeno artigo publicado em 2003 por Ana Bettencourt, António Dias, Carlos Cruz e Isabel Silva, além de buracos de poste, que os autores associam a cabanas, merece destaque a identificação de uma “… fossa de armazenamento…” na camada 3, ou seja, nos níveis correspondentes ao III milénio a.C., (Bettencourt et alii 2003, 25-44). Uma vez mais, à semelhança do que já se havia constatado no espólio exumado do Cemitério dos Mouros, além de vestígios de troncos e ramos carbonizados, destaca-se o achado de sementes de cereais e bolotas, o que muito nos diz acerca dos hábitos alimentares, culturas agrícolas e formas de armazenamento praticados nesta comunidade (Bettencourt et alii 2003, 33).

A tradição de preservar e armazenar a produção agrícola em silos cavados no substrato rochoso, documentada como vimos para o Calcolítico, perdurou no tempo e foi prática recorrente ao longo da Idade do Bronze. Tal ilação fundamenta-se num conjunto de povoados deste período, os quais conheceram intervenções arqueológicas nas últimas décadas. Fora da região do Lima, podem-se elencar como exemplos os povoados de Vasconcelos, em Braga, São João do Rei, na Póvoa de Lanhoso, São Julião, em Vila Verde, e Cimalhas, em Felgueiras (Bettencourt 2005, 25-26). Em todos eles detetou Arqueologia silos de armazenamento68. Nos meandros do Lima os mais conhecidos, fruto da realização de algumas escavações arqueológicas, são Regueira, em Ponte de Lima, e Penedos Grandes, em Arcos de Valdevez69. O primeiro é um pequeno povoado aberto implantado numa elevação que emerge junto a uns campos de cultivo, tendo como pano de fundo o rio Naboinho. Trata-se, no geral, de um pequeno povoado expresso em algumas cabanas as quais se associam certamente a poucas famílias. Tal repercutiu-se na quantidade de fossas cavadas no saibro, cerca de cinco, o suficiente no entanto para garantir o sustento da comunidade (Almeida CAB 1994, 547-565; Almeida CAB 2007, 39; Bettencourt et alii 2003, 91-133). Ao povoado da Regueira, em Ponte de Lima, o único intervencionado no concelho, podem juntar-se os resultados obtidos na estação Penedos Grandes, localizada na freguesia de Vale, em Arcos de Valdevez. À semelhança do primeiro, também este povoado acolheu um número diminuto de famílias o que se evidência nos poucos buracos de poste e pavimentos encontrados. Por este facto, o número de fossas cavadas no saibro, geralmente de contorno circular ou semicircular e com perfis ovais, é também diminuto (Bettencourt et alii 2001, 205).

Durante largas décadas o conhecimento arqueológico sobre as estruturas de armazenamento cavadas no solo baseou-se nos resultados obtidos apenas em pequenos povoados da Idade do Bronze e do Período Calcolítico. Tais dados, como vimos, denunciam no geral práticas agrícolas vocacionadas para o autoconsumo de pequenas comunidades. Porém, surgiram recentemente novos dados que embora não refutem o conhecimento anterior lhe adicionam uma nova perspetiva: a agricultura extensiva, destinada a comunidades humanas de dimensões consideráveis e eventualmente até a trocas comerciais. É o caso da Cimalha. Ao contrário de outros povoados da Idade do Bronze, a Cimalha, localizada no concelho de Felgueiras, é um povoado de dimensões consideráveis e que albergava um conjunto numeroso de famílias, isto a julgar pela quantidade de sepulturas e silos cavados no saibro e que ultrapassam em ambos os casos a centena. De resto, o espaço apresenta-se aqui bastante organizado do ponto de vista urbanístico, compreendendo essencialmente três áreas distintas: o núcleo habitacional, localizado no interior do espaço amuralhado, a área de armazenamento e a necrópole, estas duas fora do perímetro da muralha (Fig. 59).

A riqueza da Cimalha, ao nível do conhecimento arqueológico das estruturas de armazenamento encontra-se por um lado fundamentalmente no elevado número de silos cavados no saibro, os quais nos dão uma ideia clara de que era necessário agricultar toda a região envolvente para os encher. Em geral, os trabalhos arqueológicos aqui efetuados entre 2004 e 2006 permitiram a localização de 122 fossas de aprovisionamento, mormente de cereais como atestam as sementes e alguns fragmentos de mós de rebolo e vaivém retiradas do seu interior (Almeida CAB et alii 2008a, 26). Por outro, ao contrário do que se verifica noutros povoados, estes de menor dimensão, a intervenção teve o mérito de identificar várias tipologias e formas de silos. Estes, abertos no saibro, apresentam abertura circular ou semicircular, variando apenas o diâmetro da mesma, que nuns casos é estreita e noutros larga. Diferente é também o seu aspeto interior. Pelo facto de haver aqui um elevado número de silos constatou-se que o interior não é de facto igual em todos eles. Nuns casos o interior do silo apresenta paredes côncavas e por vezes bojudas. Noutros, porém, as paredes são verticais e casos há também em que as mesmas são oblíquas e por vezes até irregulares (Almeida CAB et alii 2008a, 25). De relevo ainda a este respeito, segundo a equipa de arqueólogos que aqui intervencionou, em algumas fossas foi detetado no interior vestígios de entalhes escavados nas paredes de saibro, o que na opinião dos relatores do Relatório Final serviria para colocar uma tampa de modo a selar e a proteger o conteúdo interior das intempéries e roedores (Almeida CAB et alii 2008a, 32).

Além da forma, diâmetro e aspeto interior dos silos, no caso do povoado da Cimalha merece também relevo a profundidade e capacidade de armazenamento dos mesmos (Fig. 60). Uma vez mais, a quantidade de silos aqui encontrados, ao contrário do que se verifica em povoados de menor pujança e dimensão agrícola, permitiu identificar essencialmente três tipos, isto de acordo com a sua profundidade e capacidade de armazenamento. A este respeito os autores do Relatório Final dividiram-nos em três grandes grupos os quais se repartem no seguinte modo: silos de pequena profundidade, silos de média profundidade e silos de grande profundidade. Os silos de pequena profundidade apresentavam capacidades de armazenamento inferiores a 300 m3, enquanto os silos de média profundidade, a maioria, cerca de 38% do total, possuíam capacidades que variavam entre os 300 e os 600 m3. Por fim, o último grupo, o de maior capacidade. Este, o menos numeroso, apresentava capacidades de armazenamento superiores a 600 m3. Ainda a este respeito, tendo em conta o Relatório Final a média de armazenamento no povoado da Cimalha rondaria os 400 a 500 m3, valores que se forem multiplicados pelo número total de silos detetados permite concluir-se que a capacidade total de armazenamento atingiria valores de grandeza na ordem dos 48.880 a 61. 000 litros, o que é enormidade para o período em questão, sobretudo se se quiser alinhar pela tese daqueles que defendem ser por esta altura a agricultura pobre e incipiente (Almeida CAB et alii 2008a, 31). Com efeito, mesmo admitindo que nem todos estes silos são contemporâneos, o que de facto se verifica, a verdade no entanto é que a capacidade de armazenamento revelada no povoado da Cimalha não se coaduna com a existência de uma agricultura pobre e incipiente, bem pelo contrário. Na verdade, os números revelados são a prova evidente de que já na Idade do Bronze se praticava, pelo menos em alguns povoados mais pujantes, uma agricultura extensiva e muito provavelmente vocacionada para o mercado.

O silo enquanto sistema popular e privilegiado para o armazenamento de produtos agrícolas perdurou na região do Lima com maior ou menor evidência arqueológica pelo menos até aos finais da Idade Média70. A sua prevalência no tempo documenta-se nas inquirições de 1220 e 1258 assim como do ponto de vista arqueológico nuns terrenos contíguos à igreja de Santa Maria de Geraz do Lima, em Viana do Castelo71. Aqui, fruto de uma intervenção nascida nos alvores de 2011, uma equipe de arqueólogos, dirigida por Brochado de Almeida, pôs a descoberto nos níveis medievais um número significativo de fossas cavadas no saibro, cerca de vinte e uma, e que no essencial pouco ou nada diferem das que se encontraram no povoado da Cimalha (Fig. 61). No geral, estas reportam-se às célebres tulhas e celeiros referidos na documentação medieval, ou seja, utilizando a feliz expressão de Oliveira Marques, “silos e celeiros encovados” (Marques 1978, 116)72.

De acordo com a Arqueologia, ao longo da história o armazenamento de cereais não passou somente pelo silo, pelo espigueiro ou pelos sequeiros e varandões. Em geral, a Arqueologia vem documentando outras formas e sistemas de armazenamento, sendo que os mesmos em determinados períodos foram até dominantes ou pelo menos complementares. Vejamos então.

Entre os sistemas de armazenamento mais antigos que se conhecem encontra-se também a cestaria73 e a cerâmica. No primeiro caso – a cestaria – poucas são as provas da sua existência uma vez que se trata de um utensílio feito a partir de materiais perecíveis e que por esse facto ausenta-se com facilidade do registo arqueológico. Ainda assim, próximo do Lima, é possível identificar alguns indícios da sua existência. Sem prejuízo de outras evidências, relevamos aqui o achado de uns parcos “… fragmentos de madeira lavrada carbonizada” que na opinião de Brochado de Almeida poderão estar relacionados com recipientes feitos com materiais perecíveis (Almeida CAB 2008b, 145). Esta de resto não é opinião única uma vez que já Carlos Alberto Ferreira de Almeida admite a existência de recipientes em madeira mas para a Idade do Ferro e Idade Média (Almeida CAF et alii 1981, 22). Independentemente deste aspeto, o qual é de difícil aferição pela sua perecidade, certo é que a cestaria, utilizada para transporte e armazenamento de produtos, está documentada nesta região. A ela se refere, entre outros, Estrabão que na construção narrativa sobre os povos que aqui viviam nos diz que “… usavam vasos lavrados em madeira como os Keltoi…” (Estrabão, 3-7).

Ao contrário do que se passa com a cestaria, a Arqueologia conhece muito bem no Lima e não só os recipientes cerâmicos e suas utilidades em diferentes períodos históricos. Os mais antigos remontam mormente ao Calcolítico e os mesmos aparecem fundamentalmente em contextos tumulares, situação que de resto se repete em alguns povoados da Idade do Bronze como por exemplo acontece em Cimalhas, donde se retirou de sepulturas cavadas no solo cerca de 118 vasos (Fig. 62) (Almeida CAB et alii 2008a, 44; Marques 2012, 156). Tal porém não significa que o homem nestes períodos desconhecesse a utilidade da cerâmica como utensilio de cozinha e armazenamento pois que no registo arqueológico nos surgem fragmentos de taças, por vezes carenadas, de potes e, entre outros, de panelas de asas interiores. Apesar desta nota, certo é que fora de contextos rituais os indícios cerâmicos são de facto escassos na esmagadora maioria dos povoados intervencionados (Bettencourt 2005, 26-27; Almeida CAB 2008b, pág. 156). Apesar desta contrariedade é possível dizer com segurança absoluta que o homem, pelo menos na Idade do Bronze, já utilizava recipientes cerâmicos para armazenar produtos agrícolas perecíveis, nomeadamente cereais. Esta ilação recolhe-se arqueologicamente no povoado da Regueira (Ponte de Lima), onde fruto de várias intervenções aí realizadas, se permitiu a exumação de dois vasos cerâmicos com razoáveis dimensões (Fig. 63). São, em ambos os casos, recipientes de fabrico manual com pastas arenosas e texturas grosseiras. A sua cozedura é de qualidade mediana e apresentam acabamento interno e externo alisado. Apresentam cor castanha clara e manchas escuras na parte exterior, muito provavelmente em virtude da cozedura de que foram alvo. No caso do primeiro vaso, o bordo é ligeiramente vazado e o lábio apresenta-se arredondado enquanto o colo é relativamente pequeno e pouco acentuado. Diferente é o segundo vaso nos pormenores. Entre outros aspetos, de menor relevo certamente, destaca-se aqui as suas paredes, por serem de um castanho alaranjado, assim como o bordo, esvasado e de lábio horizontal com cordão plástico disposto na horizontal sobre o colo (Bettencourt et alii 2004a, 96).

A função utilitária da cerâmica é, no registo arqueológico de várias estações, variável. Em geral, no acervo arqueológico, sobretudo castrejo e romano, abundam diferentes recipientes, sendo que uns se destinam à cozinha e outros ao transporte e armazenamento de produtos. No caso dos primeiros, sobressaem por exemplo as panelas de suspensão com asa interior para ir ao lume, as panelas de asa em orelha, assim como pequenas taças e vasos campanulados que entre outras funções serviam também para beber (Almeida CAB 2008b, 146). Em relação aos segundos, aqueles que nos interessam, destacam-se fundamentalmente a partir do século II a.C., altura em que se dá a introdução da roda de oleiro, vasos de maiores dimensões, os quais se destinam fundamentalmente ao aprovisionamento de cereais e líquidos (Almeida CAB 2008b, 146). É o caso sobretudo das ânforas, estas fundamentalmente para o aprovisionamento e transporte de líquidos, e os dolia, ambos documentados em várias estações arqueológicas como por exemplo Terronha, em Cardielos, Moldes, em Castelo de Neiva, Roques, em Vila Franca, Calvário e Vieito, ambos em Perre, Peso, em Santa Leocádia de Geraz do Lima, Santa Maria de Geraz do Lima, “Cidade Velha”, em Santa Luzia, Santo Estevão e Prazil, na Facha, etc. Além destes merece certamente também uma referência especial o vaso de Época Castreja encontrado no castro de Moldes, em Castelo de Neiva, Viana do Castelo, pelas dimensões que apresenta. Tendo em conta o porte e dimensões, este vaso foi certamente um recipiente de armazenamento (Fig. 64 e 65) (Almeida, CAB 2008b, 172).

IV –

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